Living To Die

2 Capítulo 2: A Mordida! - Luke


Já se passaram dois dias desde que caímos perto da base de Londrina. Minha perna ainda estava inchada, porém apresentava boas melhoras. A mão de Gabriel também já começava a cicatrizar, mas havia um problema: nossas comidas já se esgotavam. O fato era assustador porque eles haviam posto um estoque para duas pessoas (Anny e Phillip no caso), não para cinco, já que Nicole também fora achada precisando de ajuda. Outro ponto crítico é que estávamos muito longe de qualquer coisa, as únicas verdadeiras opções era uma cidade até que pequena, chamada Maringá, cidade vizinha de Londrina. Mas as estradas deviam estar lotadas de infectados, o Brasil todo quase veio para esta base. Não era de se esperar que este local foi um fracasso.

Estava escuro e minha cabeça não parava de pensar o que seria de nós agora. Sempre vivemos e fomos criados em uma sociedade com objetivos, segurança e pessoas. Desde pequenos sabiamos quem queriamos ser. Mas não agora. Tudo se foi. A vida. O trabalho. A tecnologia. Só uma coisa importava... a sobrevivência, custe o que custar. Poucos realmente sabiam o que era a doença Nightmare... dentre eles eu e Gabriel. Fomos cobaias humanas, por que desejavamos o fim deste terror. Parecia que a mente humana enxergava a ilusão criada durante séculos de segurança, de que o mundo é muito mais poderoso do que nós. Mas eu não podia revelar isto a Anny, mesmo porque não fomos os únicos que tomamos este soro. Vários de nossos colegas receberam e vimos com nossos próprios olhos eles se transformando naquilo.

Philip estava acordado, andando de um lado para o outro na frente da fogueira. Haviamos montado uma sistema de turnos para vigiar qualquer atividade que pudesse nos colocar em perigo. Então ele se virou e olhou para mim. Por um segundo pensei que houvesse escutado algo, porém ele apenas estava de olho se não havia nada atrás de mim.

–E você? Como chegou aqui? — perguntei sussurrando.

Ele se virou para mim e sentou-se ao meu lado. Via em sua expressão uma certa "dor"... não medo, mas sim dor das perdas que ele devia ter sofrido.

–Eu e a Anny, estudávamos na mesma escola. Em nossa cidade os militares cercaram tudo, e vigiavam dia e noite para que nada entrasse. Claro que todos sabiam que aquilo não adiantaria muito. Meus pais planejavam ir a Santos, temos um navio lá. Os infectados provavelmente não chegariam ao meio do mar. Comida também não seria problema, existem milhares de peixes e água. Uma vez acordei a noite. Havia dormido pouco, sempre acordava com pesadelos. Abri a porta do meu quarto e vi sangue espalhado pelos corredores. — ele disse dando uma pausa. — Meus pais... eles vagavam pela casa como os outros. Eu não sabia de nada, então corri até eles para saber o que havia acontecido. Quando se viraram e... e vi aquele olhar escancarado e metade da mandíbula arrancada quase tive um infarto. Sinceramente não sei como conseguiria escapar se não fosse por Anny. O prédio dela havia também sido tomado e ela veio me "socorrer".

Então ele abaixou a cabeça. Lágrimas escorriam pelo seu rosto. Devia ter sido horrível ver algo assim, sangue, o cheiro de morte... Eu já havia presenciado uma transformação de alguém, apenas um recruta da aeronáutica. Já havia sido horrível ver coisa assim, imagine você acordar e se deparar com algo desse nível? Me levantei lentamente e caminhei até a fogueira. Sentia um frio que tremia até os meus ossos.

–Para ser sincero, prefiria ter visto algo assim e saber que eles estão mortos. Não sei até hoje como estão... como eu disse, espero que não tenham chegado até aqui. Mas e agora, para onde pretendem ir? Algum objetivo? — perguntei.

Philip não respondeu. Olhei para trás e o vi cabisbaixo. Com certeza minhas palavras não deviam ter ajudado muito, porém as vezes é melhor enfrentar a sangue frio do que ter pena de si mesmo. Então escutei algo. Um galho quebrando... Virei-me para ter certeza de que era apenas um animal quando um infectados agarrou Philip! Ele gritou e tentava socar o infectado! Tentei correr mas acabei caindo por causa de meu ferimento!

–Anny! O Philip está sendo atacado! Rápido! — gritei

Ela saiu aos tropeços e já levantava uma pá quando o infectado mordeu Philip no antebraço. Mesmo assim ela deu uma pazada no zumbi, que logo desabou no chão.

–Philip! Você... você foi...

–Mordido! — completei

Gabriel e Nicole saíram de suas barracas assustados. O pior é que Philip sangrava muito, se duvidar era capaz de ver até seu próprio osso devido a mordida!

–Precisamos sair daqui! — eu disse — O grito dele deve ter chamado uma multidão de infectados! Depois levamos Philip ao hospital! Rápido, peguem as coisas, precisamos sair o quanto antes!

Anny largou o Philip no chão e desmontou a barraca, Nicole jogava tudo rapidamente no porta-malas e Gabriel tentava acalmar o pobre garoto que poderia morrer se não o ajudassemos a tempo! Em poucos minutos eu já entrava num dos carros. Assim que Anny começou a acelerar, mais infectados apareciam das árvores! Ela arrancou, passou por cima de um zumbi e entrou rapidamente na estrada!

–Temos que levar ele para o hospital, agora! Vamos ter que cortar seu braço ou ele pode morrer! — Nicole disse desesperada

Mas foi então que notei uma coisa... Onde estava Gabriel? Olhei para trás e o vi correndo em nossa direção gritando para voltar!

–Anny, esquecemos Gabriel no acampamento! — eu disse rapidamente

Ela se virou para mim assustada.