Living To Die

3 Capítulo 3: Separados! - Luke


Eu pensei que era o fim de Gabriel. Estávamos a quase 100 metros de distância e ele vinha correndo atrás perseguido por uma dúzia de zumbis.

–Não podemos parar o carro para deixá-lo entrar! Podemos ficar presos ao meio de tantos infectados, nós todos morreríamos! — disse Anny rapidamente

–Vou lá! Tentarei despistar os zumbis, vão em frente! Se ele continuar assim por muito tempo não vai aguentar! — respondeu Nicole

–Se nosso carro não suportaria essa "manada", você não será diferente! — eu disse apressadamente

–Escute! Conheço aqui, vim explorar bastante para procurar água e comida! Posso me virar, mas ele não! — disse Nicole apontando para Philip que se contorcia de dor e suava constantemente pela alta febre que começava a ter. — Vão até a cidade de Maringá, não é muito longe daqui! Nos encontramos num supermercado que existe ao pé da estrada! Vamos esperar por vocês!

Apreensiva, Anny engatou a quarta marcha e acelerou. Nicole agora corria em direção ao Gabriel desesperadamente. Ela era corajosa, disso não tinha dúvida. Logo já estávamos muito longe para sequer ver se ela e Gabriel haviam conseguido ao menos sair daquele tumulto. Olhei para Philip. Ele estava esticado no banco de trás, seu braço sangrava muito, mas Nicole havia enfaixado para tentar estancar o sangue.

Então, os gemidos e gritos dele pararam. Anny olhou para mim rapidamente. Tínhamos tido o mesmo pensamento: ele ou desmaiou, ou não aguentou. O pior é que não podíamos parar ainda o carro, nem sequer havíamos saído da mata em que nosso acampamento estava. No máximo o carro havia percorrido dois ou três quilômetros de onde Nicole devia ter pulado.

–Continue! — eu disse

Me virei e coloquei minha mão sobre o peito de Philip. O coração ainda batia, porém suas respirações estavam mais lentas. Não seria muito bom se ele acabasse por se transformar dentro do carro.

–Deve ter mesmo desmaiado. Mas não temos muito tempo! — eu disse a Anny, que logo se aliviou.

–Estamos a alguns minutos de Maringá, mas existe um problema. A cidade é de certa forma grande e está deserta. Mesmo que consigamos encontrar um hospital, é pouco provável que haja algum médico ou sobrevivente que possa curar Philip. — Anny comentou

Ela estava certa. Era praticamente impossível uma pessoa sobreviver a uma mordida. Para ser sincero, a única possibilidade era cortar seu braço, mas ninguém havia feito isto antes e talvez seja apenas uma invenção de Hollywood. Eu precisava pensar, era muita coisa, muito peso, muita preocupação em pouco tempo! Olhei novamente para Philip, e apenas rezei para que ele, a Nicole e Gabriel sobrevivessem, caso não, seria uma enorme preocupação para mim e Anny.

Enquanto o carro andava, eu olhava extasiado para tudo em volta da estrada. Realmente era uma cena terrível, eram infectados vagando por todos os lados, de quando em quando alguns carros virados e capotados. Ainda não acreditava que isto acontecia. Era como se tudo fosse normal ainda, mas sempre quando vejo isso lembro de que estamos quase sozinhos no mundo. Me perguntava se haviam cidades protegidas por essas "coisas". Se a marinha, o exército ainda resistia. Mas era quase como um sonho esses pensamentos... Uma prova disso era nossa missão. Havia mentido para Anny ao dizer que fomos enviados porque esta era uma base que não era de risco. Fomos enviados, porque era o maior risco do mundo para ser sincero, e nós, eu e Gabriel, eramos os últimos pilotos sobreviventes de aeronáutica brasileira. Todos haviam sido mortos, ou haviam caídos ou nem sequer haviam ido a aeronáutica. Em minha opinião, se o governo e exército fossem preparados, nada disso haveria acontecido. Era simplesmente manter as cidades longe dessas "coisas", enquanto não houvessem uma quantidade muito grande deles.

Nosso mundo estava muito pior do que todos imaginavam, só realmente quem era desses dois lugares (governo e exército) sabia o que realmente estava acontecendo. E creio que esta foi outra falha. Eles tiraram o "alerta" das mentes humanas do mundo todo. Nós, mesmo que fracos e vulneráveis as mordidas, possuíamos armas, inteligência, velocidade. Os infectados eram fortes, porém só tinham as mãos e boa, quase nenhuma inteligência e uma lentidão enorme.

Nós agora já podíamos ver a cidade ao horizonte. E realmente não dava muitas esperanças, logo na frente haviam tanques de guerra completamente destruidos e predios tombados. No chão, milhares de corpos estavam deitados.

–É melhor parar aqui com o carro. — eu disse — Ele irá fazer muito barulho e pode atrair muitos zumbis.

Anny concordou. Logo a frente paramos e descemos do carro. Atrás Philip acordava aos poucos. Pegamos-o e o levantamos, porém ele gritou de dor.

–Não, por favor! — ele suplicava — Meus ossos estão muito frágeis!

–Philip, temos que levar você até o hospital! É a única forma! — Anny disse — Tente aguentar e não gritar! Se fizer isso, todos nós estaremos perdidos!

Por segurança, ela pegou uma fita preta e colou por cima da boca de Philip. Poderia ser útil, mas seria muito sofrimento para ele ter de aguentar chegar até o hospital que nem sabíamos onde ficava, se possuía um médico, ou pior, se estava de pé. Anny levantou Philip e o colocou por cima de seu ombro. Ele era leve, pois era pequeno, mas provavelmente ela se cansaria rapidamente. Eu fiquei com uma pá e lanterna. Já estava entardecendo e seria péssimo não ter uma fonte de luz naquela escuridão. Então fomos andando em direção e a primeira cena pela qual deparamos foi: milhares de militares e pessoas vagando por meio a cidade, como um gigante e plano estádio de futebol...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.