Living Happiness

2 Capítulo Dois


Notas iniciais
Bom gente, fiquei feliz com os comentários, então me inspirei e vou postar o próximo capítulo, novamente...Estou aberta a sugestões :) Boa leitura

Ed Sheeran — Shirtsleeves

🌻 Seis dias depois 🌻


Fui buscar minha irmã na escola o todos esses dias, esperando encontrar Michael e conversar com ele, mas ele nunca mais foi buscar seu irmão, não sei porque, tentei arrancar informações de minha mãe, mas ela também não sabia de nada. Juro que até falei com o seu irmão, Mike, mas ele disse que não estava falando com o irmão.
Até que decidi contar a minha mãe sobre o meu interesse em Michael, eu não menti, disse que ele era um garoto bonito e que queria conhece-lo.

Ela ficou entusiasmada, afinal o garoto não era um pé rapado, então convenceu meu pai a fazer uma festa de aniversário para a minha irmã.
O aniversário dela cairia na segunda-feira, mas a festa seria na quarta-feira, no dia do aniversário da cidade, feriado.
Então eu esperei uma semana, até o dia da festa, todos os amigos dela foram convidados (junto com a família), mas meu pai não entendeu como era para ser a festa, planejou uma festa de quintal, daquelas que os pais deixam os filhos e vão curtir o dia de folga, uma tarde inteira cuidando de crianças, sem pais, sem famílias, só crianças...E ainda me fez me fantasiar de fada, para que as crianças se sentissem a vontade com a minha presença.
E foi um pesadelo. Os pais chegavam, deixavam as crianças, eu os recebia, guardava os presentes, levava ao banheiro, servia comida.
Até que minha irmã, que estava grudada a mim o tempo todo, gritou.
– Mike!
E o ruivinho veio até ela correndo.
Então torci para que não fosse o irmão dele tivesse o trazido, meu azar, tudo que eu desejava vinha ao contrário.
– Ham...Oi!
Disse nervosa.
– Oi — Ele riu– Então é só deixar ele aqui e...Ir embora?
Perguntou e me abraçou para me cumprimentar.
– É...Mas se quiser ficar...É bem-vindo.
Seu irmão o olhou e sorriu.
– Fica Mich?
Ele se abaixou para cochichar algo com o irmão.
– Ok, eu...Vou ficar pelo jeito.

Sorriu e ficou me olhando.
Os meninos saíram correndo.
Fiquei o olhando enquanto ele olhava para as crianças.
Ele se virou de uma vez.
– Meu nome é Michael.
Estendeu a mão.
– Audrey...Eu já te conheço.
O cumprimentei.
Ele soltou uma risada com tom de ironismo.
– Me conhece da onde?
– Ensino médio...Fizemos juntos.
Ele continuou sorrindo, mas agora de um jeito estranho.
– Desculpa, eu não lembro de você.
Respiramos fundo e cada um olhou para um lado.
– Bom...Quer ajuda com alguma coisa?
Sorri.
– Não, obrigada, vou terminar de receber as crianças e...Podemos conversar depois...
– Ok...
– Tem...Cerveja na geladeira.
– Ah sim, que tipo de festa de criança não tem cerveja?
Rimos.
– Não era para ser só uma festa de criança.
– Hum, era para ser algum desses tipos de festa em que os convidados se reúnem na sala e esperam a stripper contratada chegar?

Rimos novamente.
– Não — Continuei a rir — Esquece.
– Vou pegar uma.
Sorriu e foi pegar...Acho.
Fiquei recebendo as crianças por um tempo.
Depois que todas chegaram e brincaram um pouco, reuni todas em volta da mesa de parabéns e...Cantamos os parabéns.
Ele ficou lá o tempo todo, encostado numa parede, com as mãos nos bolsos, sem esconder que estava me olhando. Ele parecia ter tudo sob controle.
Após os parabéns, ele me ajudou com as crianças, serviu os bolos comigo e tudo mais, foi até divertido, ele parecia uma criança...Maior.
– Agora, acho que eles estão cansados.
Eu disse olhando para algumas crianças sentadas.
– Hum, então é melhor arranjar alguma atividade em que eles fiquem...Sentados, né? Aí descansam, brincam mais e os pais aparecem para leva-los.
– Que tipo de coisa?
– Podemos... — Ele fez uma careta — Cantar, que tal?
– Não sei se seria uma boa ideia...
– Eu tenho um violão no carro, vou pegar.
E ele foi pegar o violão, voltou rápido.
Ele cantou para as crianças e para mim o resto da tarde todas, até os pais começarem a chegar, então até só sobrarmos nós quatro na festinha, ficamos em uma rodinha o ouvindo e cantando junto as vezes, a voz dele era muito bonita.
Nossos irmãos saíram para brincar, ficamos só nós dois.
– Você vai a festa na sexta?
O interrompi.
– Hã?
– A festa que sempre tem no fim de semana do aniversário da cidade, na praia...
– Hum...
– Nunca foi?
– Não.
Ele deu uma risada.

– Hum, vem comigo? Daí você leva seu violão e tudo mais.
– Sério?
– Sim.
Ri.
– Ok, que horas?
– A festa começa umas duas horas da tarde, mas só fica legal de noite, que tal você me buscar aqui ás nove e meia, então vamos andando juntos, não é muito longe.
Ele abaixou o olhar, seu telefone começou a tocar.
– Eu...Vou então, já volto.
Se levantou e foi atender o telefone dentro da casa.
Depois de alguns minutos ele voltou.
– Voltei.
Sorriu para mim e se sentou no chão, ao meu lado.
– Você é britânico? Tem um sotaque diferente...
– Não, mas moro em Oxford.
– Mora?
Ele deu uma risadinha gostosa de ouvir.
– Faço faculdade em Oxford.
– Ah...
– E você? Faz faculdade onde?
– Lugar nenhum...
– Não quer fazer?
– Sim, eu vou fazer, vou para Harvard em agosto.
– Ah sim.
– Por que tão longe?
– Você também vai fazer faculdade no outro lado do país, de quem está falando?

Falou com um sorriso imenso no rosto, quase rindo.
– Mas eu não vou sair dos Estados Unidos.
– Eu gosto de Oxford.
Continuamos conversando, até a mãe dele ligar.

– Ela disse para irmos para casa — Riu — Foi divertido, até sexta.
– Até...
Ele me abraçou e se virou para ir embora.
– A propósito...Bela roupa.
Piscou, soltou novamente aquela risada gostosa de ouvir e foi embora.
Passei os dois minutos seguintes querendo me esconder dentro de um buraco.
Depois disso, juntei o lixo da festa com Hazel e então tomei um banho e dormi.


🌻🌻🌻


Passei duas semanas sem sair de casa, fazendo um trabalho que era para entregar após as férias, um trabalho extenso, engenharia mecatrônica não era fácil.
Minha mãe me implorava para que eu saísse do quarto, dizia que eu não dormia, que eu não comia, mas eu tinha que estudar, eu queria muito completar o curso, não estava gastando todo aquele tempo e dinheiro para estudar em Oxford.
Depois de terminar o trabalho, fui para a cozinha e comi feito um louco, tudo o que tinha na geladeira que fosse gostoso.
– Mich, me ajuda a treinar violão?
Sorri.
– Claro, só vou tomar banho e fazer a barba, ok? Me espera na sala de música.
A verdade era que meu pai nunca quis ser médico, seu sonho era ser um cantor famoso, mas os pais dele o reprimiam muito, então ele fez o que meus avós queriam, então ele fez questão de nos ensinar e nos deixar tocar tudo que queríamos e nos fez uma sala de música onde era para ser o quarto de hóspedes, mas como ele dizia..."Quem precisa de hóspedes quando se tem música?".
Tomei um banho e fiz a barba, depois coloquei uma roupa confortável e fui para a sala de música ajudar Mike com o violão.
– Mich, me leva na festa de aniversário da Hazel?
– Quem é Hazel?

– A garota que ele eu gosto.
Balançou o corpo e fez uma careta.
Sorri e baguncei o seu cabelo.
– Só se eu for o seu padrinho no casamento — Ele ficou vermelho e olhou para o chão — Claro que eu levo!
Ri.
Mike ficou feliz e foi para seu quarto se vestir.
Desci as escadas.
– Mãe, onde estão as chaves do carro?
Disse entrando na cozinha, onde ela estava, assistindo Netflix pelo celular no balcão.
– Pra quê?
– Vou levar o Mike na festa de aniversário da amiga.
Ela desligou o celular.
– Ah, é mesmo? Em cima da geladeira.
Disse sorrindo.
– O que foi?
Fui pegar as chaves.
– Nada — Continuou a sorrir — Você vai assim?
– Tem problema?
– Não... Mas deveria se arrumar, vai que tem alguma garota interessante por aí.
– Mãe, a senhora sabe muito bem que estou sério com a Kate.
– Não gosto dela.
– Você não gosta de qualquer tipo de britânicos.
– Também...
– Por que a senhora não se senta no sofá? Sabe que dá para assistir no computador, né?
– Quero assistir na cozinha, pra ficar mais fácil de pegar a comida.
Rimos.
– Pega o meu notebook, está no meu quarto...

– Vamos Mich?
Olhei para trás.
Com toda certeza, eu não era o membro mais elegante da família, até meu irmão de dez anos e dois meses se vestia melhor do que eu.
Fomos para a festinha.
Entramos na casa e Mike estava envergonhado, procurando a amiga.
– Mike!
A menina gritou, fazendo meu irmão sair correndo para abraça-la.
Eu não saí correndo atrás dele, estava olhando os quadros de família espalhados pela casa, então fui atrás dele.
– Ham...Oi!
Era a menina do outro dia, irmã da loirinha que também era loirinha.
– Oi — Ri — Então é só deixar ele aqui e...Ir embora?
A abracei, ela estava nervosa, um pouco suada, talvez pelas crianças, ou talvez pela roupa de fada que devia ser muito quente.
– É...Mas se quiser ficar...É bem-vindo.
Mike quase pulou de felicidade, olhou para mim e me puxou.
– Fica Mich?
Me abaixei para ver o que ele queria, cochichou no meu ouvido que queria muito que eu ficasse para "dar dicas sobre meninas" a ele.
Pobre garoto, mal sabia ele que eu não fazia ideia de como funcionava o universo feminino.
– Ok, eu...Vou ficar pelo jeito.
Sorri e olhei para ela, que também estava me olhando sem qualquer discrição.
Os meninos saíram correndo para um dos brinquedos infláveis.
Desviei meu olhar, para ver se ela percebia que estava ficando desconfortável, depois me virei para ela novamente.
Ela não tinha parado de olhar.
– Meu nome é Michael.
Estendi a mão para quebrar o clima que ficava cada vez mais desconfortável.
– Audrey...Eu já te conheço.
Me cumprimentou, sua mão tremia um pouco, quase não quis solta-la, era tão macia.
Soltei uma risada assim que lembrei de quem era ela.
– Me conhece da onde?

Perguntei. Seria possível que ela falasse naquela naturalidade comigo? Os amigos dela nunca gostaram de mim, eram os primeiros a me zoar na escola.
– Ensino médio...Fizemos juntos.
Comecei a lembrar de todo o meu ensino médio. Não foram tempos legais, falo porque eu era o "ferrugem", o nerd que apanhava no final das aulas, eu era o "gordo feio" que todas as meninas rejeitavam, continuei sorrindo.
– Desculpa, eu não lembro de você.
Eu disse, queria tentar demonstrar que havia esquecido cada pessoa daquela cidade.
Respiramos fundo e cada um olhou para um lado.
– Bom...Quer ajuda com alguma coisa?
Perguntei.
Ela sorriu.
– Não, obrigada, vou terminar de receber as crianças e...Podemos conversar depois...
– Ok...
– Tem...Cerveja na geladeira.
Ela talvez tivesse mudado... Eu devia lhe dar uma segunda chance, não?
– Ah sim, que tipo de festa de criança não tem cerveja?
Rimos.
– Não era para ser só uma festa de criança.
– Hum, era para ser algum desses tipos de festa em que os convidados se reúnem na sala e esperam a stripper contratada chegar?
Rimos novamente.
Mas o que deveria ser? Uma festa de arromba? Não conseguia imaginar uma festa infantil de outra forma.
– Não, esquece.
– Vou pegar uma.
Sorri e entrei na casa.
Fui até a geladeira, peguei uma cerveja e bebi sentado no balcão da cozinha mexendo no celular, na maior parte do tempo respondendo a as mensagens de Kate.
Depois de bastante tempo, percebi a enorme concentração de crianças em volta da mesa do parabéns, deduzi que era a hora do parabéns.
E não era que eu tinha acertado? Era mesmo, fiquei encostado na parede assistindo as crianças, mas na maior parte dos um minuto e alguns segundos do parabéns, fiquei olhando para Audrey, porque tinha algo diferente nela.
Após os parabéns, fiz questão de a ajudar com as crianças, servindo-as bolo e fazendo brincadeiras com elas.
– Agora, acho que eles estão cansados.
Ela disse a mim.
– Hum, então é melhor arranjar alguma atividade em que eles fiquem...Sentados, né? Aí descansam, brincam mais e os pais aparecem para leva-los.
Eu estava pensando em tocar para as crianças há muito...Mas muito tempo.
– Que tipo de coisa?
– Podemos cantar, que tal?
– Não sei se seria uma boa ideia...
– Eu tenho um violão no carro, vou pegar.
Que se dane se é uma boa ideia, a música acalma as crianças, não é isso?
Fiquei cantando para eles, com a ajuda de Audrey, eles estavam quietos e concentrados.
Os pais chegavam, catavam os filhos, agradeciam e iam embora.
Até sobrarmos apenas quatro na rodinha.
Nossos irmãos saíram para brincar, ficamos só nós dois.
Não parei de tocar, era a minha música predileta.
– Você vai a festa na sexta?
– Hã?
– A festa que sempre tem no fim de semana do aniversário da cidade, na praia.
– Hum...
– Nunca foi?
– Não.
Dei uma risada, tinha ido sim, no último ano de escola, viraram meu banheiro químico enquanto eu estava o usando, cortei meu queixo e ganhei uma pequena cicatriz naquele dia, nunca mais quis ir em nenhuma festa de escola depois daquilo.
– Hum, vem comigo? Daí você leva seu violão e tudo mais.
– Sério?

Não, sério mesmo? Ela não se lembrava de todas aquelas idiotices que fizeram comigo?
– Sim.
Ela seu uma risadinha.
– Ok, que horas?
– A festa começa umas duas horas da tarde, mas só fica legal de noite, que tal você me buscar aqui ás nove e meia, então vamos andando juntos, não é muito longe.
Meu telefone tocou, era Kate, tinha que atender.
– Eu...Vou então, já volto.
Me levantei e conversei com ela no interior da casa.
Depois de alguns minutos numa conversa sobre saudades voltei.
– Voltei.
Sorri e sentei ao lado dela.
– Você é britânico? Tem um sotaque diferente...
– Não, mas moro em Oxford.
– Mora?
Ri.
– Faço faculdade em Oxford.
– Ah...
– E você? Faz faculdade onde?

Eu chutaria que ela fizesse Medicina em alguma faculdade por aqui.
– Lugar nenhum...
– Não quer fazer?
– Sim, eu vou fazer, vou para Harvard em agosto.
– Ah sim.
– Por que tão longe?
– Você também vai fazer faculdade no outro lado do país, de quem está falando?
Ri.
– Mas eu não vou sair dos Estados Unidos.
– Eu gosto de Oxford, meus melhores amigos estão lá.
Continuamos conversando, até Kate me ligar novamente, eu a disse que era minha mãe e fui atender mais longe.
– Ela disse para irmos para casa — Menti rindo para esconder — Foi divertido, até sexta.

Eu concordei? Por Deus...Eu tinha concordado.
– Até...
A abracei e então me virei para ir para casa.
– A propósito...Bela roupa.
Eu disse, só para deixa-la desesperada, porque a aquela altura, já tinha percebido que ela queria ficar comigo, então segui meu caminho para casa.

Notas finais
Espero que tenham gostado :) Comentem!