Little Secrets
5 V - A senhora do tempo.
Notas iniciais
O nível de mediocridade tá rolando solto por aí, foi um conto feito durante uma súbita inspiração enquanto lia um livro (Eu sou o mensageiro, Markus Zusak, leiam quando e se puderem, recomendo) e deu no que deu.
Boa leitura e leiam sem medo, por favor (:
A Senhora do Tempo
Não era cedo, entretanto, não era tarde. Tampouco meio dia, para sua sorte.
Era hora das nuvens. Sobre o sol desfalecente.
Uma refrescante sombra, que ela não iria aproveitar e se deleitar.
Não agora.
Não era a hora.
No exato momento era hora de se sentar em sua poltrona antiga, pouco macia, bordada e estampada, localizada ao centro da sala com vista para sua estante coberta de livros.
Antigos.
Como ela.
Também era possível de se ver, pelo vitral desnudo de cortinas, suas preciosas flores se lamuriando pela sua falta.
Era hora de se levantar e ninar a chaleira dengosa, tão chorosa! Estava muito quente, porém, era apenas abaixar o fogo e lhe fazer alguns carinhos que logo se contentava. Palavras mansas e meigas para sua preciosidade. Seu primor.
As setas pontudas caiam por aquele globo esquisito e repleto de desenhos que insistiram em lhe dar.
Era hora.
Era hora.
Era hora.
Do que seria mesmo?
Com esforço ela consegue se lembrar.
Seu chá.
Sua pequena fatia de bolo.
Seu programa.
Os ponteiros não paravam de dançar.
Tão devagar, mal podia contar.
Vagaroso.
Como ela.
O fundo branco como seu cabelo.
“Oh, mas eu sei que aquele amável relógio já teve sua cor!” riu.
Como ela.
Era hora.
Era hora.
Era hora.
De ela controlar o tempo.
Tão vago.
Como aquelas ondas que ainda salpicavam seu rosto.
Um ponteiro para baixo e outro para cima.
Ela sorriu.
Caminhou lentamente, sem pressa alguma, se aproveitando de daquele prelúdio.
Seu livro velho e empoeirado que suas mãos trêmulas e enrugadas se esforçavam para segurar.
E seu sorriso nos lábios finos.
Em sua poltrona deslizava a ponta dos dedos sobre as páginas amareladas, douradas pelo tempo, pela hora.
Seu antigo e enferrujado coração, dilacerado, amado, fraco, batia e palpitava sobre aquelas folhas, aquele cheiro, aquela saudade, aquela serenidade.
Era hora do sol se pôr.
Era hora de se sentar.
Era hora de com sua querida e teimosa chaleira conversar.
Era hora de memórias.
Era hora de ressentimentos.
Era hora de seu sorriso trêmulo e lânguido.
Era hora de seu segredo.
Era hora.
Era hora.
Era hora.
De fingir que controlava o tempo.
Era hora.
Era hora.
Era a hora.
Que passava tão cruelmente.
E lhe fazia ficar assim.
O que faria com todos.
Tão lenta, porém tão má.
De hora em hora.
A hora roubava algo de alguém.
E agora
Sem demora,
Era hora,
Que sempre fora.
Era hora.
Era hora.
Era hora.
De sorrir singelamente.
De sua solidão.
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Notas finais
Ah! Só lembrando: não é um poema. As rimas foram coincidência (ou milagre).
Até a vista!
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