Little Secrets

4 IV - O andarilho.


Notas iniciais
HEEEEEEEEEEEEEY!
Dá pra ver que estou meio animada, não é? É porquê meu bloqueio de mais de um mês acabou e to voltando a me inspirar... Hihihi, estou animada ~ le retardada aqui :3
Enfim, parei. Taí o capítulo, espero que gostem. Eu gosto dele, modéstia a parte. Qualquer erro me avisem.
Ah, e uma dica de músicas - Dirty Paws -- Of Monsters And Men (eu me apaixonei por ela *-*)

O andarilho

O Sol mortiço fugia para seu leito entre as nuvens baixas, sobrepostas às poucas montanhas de pedra da pradaria. Seus poucos raios acompanhavam os passos singelos e inocentes da pequena garotinha a brincar por seu caminho, emaranhada ao vendo por entre seus curtos cabelos ruivos e dançando uma lenta e calma valsa com seu vestido bordado, velho e sujo.

As grandes casas barrocas suspiravam e arquejavam deleitando-se do pôr do sol, cansadas. Suas pinturas eram sutilmente descascadas e seus chãos rangiam gentilmente, como se fosse uma demonstração de afeto pelos seus residentes. Pareciam sorrir uma ao lado da outra.

Sobre suas varandas, senhoras e senhores assentavam em suas cadeiras e posicionavam seus olhares decrépitos sobre a pequenina garota. Um olhar lânguido e nostálgico, como se lembrassem de sua própria meninez, de sua doce e inestimável inocência. Fechavam os cansados olhos direcionados ao horizonte e lembravam-se do tempo em que tudo não passava de brincadeiras, alguns arranhões e o acalento cálido de suas mães, como se o cheiro gostoso estalassem em suas bocas e saboreavam aquele gosto de nostalgia, entretanto, outros se lembravam de como a vida poderia ser árdua desde cedo. Mas ambos deixavam os olhos marejarem mais que o normal de suas avançadas idades e escorrerem por suas faces enrugadas e marcadas uma tênue e fraca lágrima, refletida na desvanecida luz ambígua e pousada sobre seus xales surrados.

E um homem caminhava calmamente pela terra batida, levantando uma ligeira poeira de suas botas velhas. A brisa seca batia contra seu comprido e longo cachecol escarlate, brincando com as pontinhas desfiadas enquanto salpicava por entre seus cabelos castanhos e rebeldes, contrapondo sua camisa fina a seu abdômen. Em suas costas havia uma mochila mediana de couro, por onde se era possível ver um violino descascado e um trompete enferrujado. Ao seu lado trotava um pequeno lobo cansado e manco de uma de suas patas frontais. Trazia sobre seu focinho uma marca avermelhada, enquanto em seu pescoço uma camélia havia sido presa ao lado de um chocalho.

A feição daquele forasteiro era misteriosa e cansada, em seu rosto o tempo mostrava suas marcas e em seus olhos claros podia-se ver que, diante deles, passara-se muita coisa. Pelo estado de suas roupas era deduzível que viajava há certo tempo, e de fato, não era prendido a razões ou coisas materiais. Apenas às três coisas que nunca deixava de acompanha-lo.

E prosseguia a caminhar, assim como a garotinha que prosseguia a brincar. Os olhos dos antigos se abriram e voltaram a realidade, um pouco frustrados. E caíram-se sobre o homem com uma interrogação. A presença dele era duvidosa, incomum e com certo tom de reprovação e medo fitaram-no passar, juntamente com seu animal, pela garotinha, ansiando por algo que poderia ser ruim. Então, por um segundo, a pequenina parou e o analisou inocente, curiosa. Via-o interromper seus passos por um curto instante, buscando algo em sua mochila e retirando seu violino. Os olhares dos velhos arregalaram-se e espreitaram-se ao mesmo tempo, atônitos, acompanhando-o posicionar o instrumento sob o queixo e em seguida, uma doce melodia ecoou em seus frágeis ouvidos.

Uma melodia calma, afável e reconfortante, ritmadas pelo chocalho do lobo.

Então se cerram os olhos com seus resquícios de cílios, e ambos senhoras e senhores deleitavam-se com um sorriso inocente que se formava vagarosamente em seus lábios trêmulos. Reclinavam a cabeça e punham-se a sonhar. Um sonho encantador, embalado pela melodia daquele andarilho.

A garotinha ruiva sorriu um sorriso aberto e tranquilo, e pôs-se a correr para o colo de sua avó e abraça-la, viajando extasiada, assim como todos os outros ali.

E era de tal forma contagiante de maneira a surgir cada vez mais pessoas às soleiras rangentes, apoiados ao batente da porta, atraídos pela gentileza que emanava daquele homem, daquele lobo e daquela composição suave.

E o homem prosseguia tocando seu violino até sumir ao longínquo enevoado, onde já se era possível admirar a lua brilhante no céu e vaga-lumes bailavam euforicamente, até onde sabia que não seria mais escutado, onde descansaria seus pés cansados e maltratados, muitas vezes sangrentos, onde se alimentaria e alimentaria seu companheiro, onde pediria amparo à alguma sorte de pessoa caridosa, onde recostaria a cabeça e acarinharia seu amigo, até a aurora o despertar e ele novamente se poria a andar, andar pelo mundo, alegrando aqueles que eram açoitados pela cruel realidade.

Desejava um dia não ter feito o que um dia fez, ansiava um dia não ter visto o que viu e almejava não ter de guardar os segredos que guardava. E por esta razão andava pelo mundo, dando voltas e voltas, para não se prender a uma realidade, para se sentir como novo, para reconfortar ao menos uma vez aqueles que podiam ter sofrido até mais que si, para não ter de ver as atrocidades que um ser humano poderia ser capaz de fazer, para poder sonhar um sonho diferente todos os dias.

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Notas finais
Então, gostaram? Espero que sim!
O capítulo anterior poderia ter ficado melhor, mas acho que esse compensa.
Deixem seus comentário sobre o que acham que ele viu e sofreu, okay? Quero saber a opinião de vocês ^^
Beijocas e até o próximo neste mesmo canal!