Little Bad Girl
3 Capítulo 2 - Detenção
Notas iniciais
– Hey. Como foram as suas aulas? — Julie perguntou feliz como sempre.
– Quem é aquele? — disse, olhando para o menino que sorriu para mim.
Só que eu, a inteligência pura, não me toquei que tinham infinitos garotos ali. Então, eu descrevi o menino do sorriso e ela finalmente entendeu e me disse o que eu havia perguntado.
– Doug. Doug Parker. Por que o interesse?
Eu não poderia simplesmente chegar e falar que ele havia sorrido para mim quando eu passei.
Ele era bonito e visivelmente popular. Quem acreditaria que aquilo não era imaginação minha? Opa, aquilo era mesmo real ou eu estava delirando? Argh.
Balancei a cabeça para apagar aqueles pensamentos e pensar em uma resposta plausível para a Julie.
– Hm... – não conseguia pensar em nada que não fosse idiota. – A comida aqui é boa? Fiquei com medo de pegar alguma coisa e não gostar. – palmas. É agora que entra aquele buraco estratégico onde eu me escondo e não saio nunca mais?
Vocês não vão acreditar no que eu vou falar, mas a Julie não percebeu que eu estava apenas enrolando para não lhe falar a verdade.
– A comida é boa sim, mas tem algumas exceções. Se quiser, eu pego algo para você comer. – tão ingênua essa Julie.
– Agradeço se você fizer isso.
E lá se foi a Julie, pegar uma comida para mim. Inacreditável, não? É, não tanto quanto o que vem pela frente.
Assim que a Julie sumiu do meu campo de visão, eu voltei a observar as pessoas daquela escola.
Eram divididos em grupos, como na maioria das escolas. Tinham os nerds, os populares, os roqueiros e alguns grupos pequenos com pessoas "normais".
Assim que eu me desvencilhei do meu raciocínio, percebi que tinha uma pessoa sentada no lugar que antes estava ocupado pela Julie. Espera, eu conhecia aquele ser, particularmente divino, que estava sentado.
– Sophie, não é mesmo? – como ele sabia meu nome?
– Si-si-sim. – gaguejei. Nossa, mais palmas para mim.
– Prazer, eu sou o Doug. E nós temos apenas uma aula juntos. Que pena. Para você. – ele disse e saiu dali gargalhando.
Idiota. Idiota. Idiota. Mal conhecia, mas já odiava aquele tal de Doug. Quem era ele para falar assim comigo? É, definitivamente ele não me conhecia. Que pena. Para ele. Aguardem a minha vingança.
– Aqui está a sua comida. Mas você vai ter que se apressar para comer porque você tem pouco tempo. — tão ingênua essa Julie. ²
Terminei de comer aquilo que a Julie me trouxe sem ao menos saber o que era. Pelo menos era saboroso.
Sabe, eu gostava da Julie, de verdade. Não só porque ela tinha me dado comida, mas ela era uma boa pessoa. Ao contrário de mim.
As semanas foram passando e como já era previsto, a Julie era a minha única amiga. Nós fazíamos tudo juntas, o que, particularmente, não fazia muito meu tipo. Mas eu não tinha escolha.
Em um belo dia, ou não tão belo assim, eu e Julie estávamos no armário, quando uma garota se aproximou. Ela era alta, tinha uma pele perfeita, era branquinha e tinha cabelos loiros.
– Hum... Oi, eu vim convidar vocês pra minha festa. – uma pausa enquanto ela jogava os convites na nossa cara. – Mas vocês não precisam se dar ao trabalho de ir, não farão falta nenhuma.
Não tive tempo de responder e ela já tinha saído para se encontrar com as amiguinhas sem personalidade dela. Me virei para Julie e ela estava com uma cara que eu não estava gostando muito.
– Quem é isso que acabou de sair daqui? — perguntei, bufando de raiva.
Essa coisa que jogou esses convites vagabundos em cima de mim acabou de entrar para a minha lista de vingança.
– Katy. A garota mais popular da escola, ex-namorada do Doug, aquele que você me perguntou no primeiro dia de aula.
Ah, ta explicado. Eles se mereciam. Mas, eu não estava com tempo para pensar nisso e fui logo falando:
– Nós vamos a essa festa.
– Ah, ok, você vai. Eu não vou nem que você me pague. – ela disse se virando para seu armário.
Eu sinceramente não iria lhe pagar nada. Mas se a proposta fosse para mim eu não pensaria duas vezes.
– Por que você tem medo deles? São todos alunos como você! Não são melhores nem piores, são iguais. Você vai sim. — Deus, que menina apavorada.
– Eles são todos babacas! Nem nos conhecem e já ficam nos julgando! — ela estava com os olhos cheios d'água.
Pude sentir mágoa em seu olhar, por isso, tentei sair daquele assunto o mais rápido possível.
– Depois do almoço te espero na minha casa. Agora eu vou me adiantar porque o sinal já vai tocar.
Fechei meu armário, dei um abraço nela e fui procurar a minha sala. Sim, procurar. Eu não tinha decorado os meus horários e muito menos o lugar onde se encontravam as salas. Não conhecia quase nada naquela escola. Argh!
Minha próxima — e última graças à Santa Vodka — aula era de química. Eu odiava química. Odiava a professora de química.
Me despedi da Julie e entrei na minha sala, onde a professora já estava dando aula.
– Obrigada por se juntar a nós, senhorita Hill. — A vaca da minha professora disse.
– De nada! Disponha. — respondi com ironia.
– Vamos lá senhorita ironia sente-se com o senhor Parker.
Bufei e olhei para o fundo da sala e meu olhar encontrou o do Parker.
Não. Não. Não. Não. E não. Eu me recuso a sentar ao lado daquilo.
Joguei minha bolsa na cadeira da mesa que eu teria que dividir com ele, e para provar como eu sou uma garota sortuda a professora acrescentou.
– Alunos, acostumem-se, esses serão seus parceiros nas próximas aulas de química até o final do ano.
Claro que todos começaram a dar gritinhos e pulos de alegria. Eu simplesmente olhei pro lado, bufei e me afundei na cadeira. Quando a professora finalmente conseguiu acalmar a turma, ela continuou.
– Então turma, para a aula de hoje, nós vamos fazer uma experiência. — ela anunciou e todos pareciam ansiosos para isso. Menos eu e o ser ao meu lado. — Eu vou anotar aqui no quadro as instruções das misturas que vocês vão fazer. Mas cuidado, se errarem na medida, algo... ruim pode acontecer. E as consequências serão sérias se alguém explodir alguma coisa. — ela acrescentou quando alguns bagunceiros da turma começaram a rir de forma maliciosa.
A professora ia anotando as instruções do que nós teríamos que colocar naqueles vidrinhos de aparência engraçada. Suspirei e coloquei meu jaleco e meus óculos de proteção.
Olhei para o Doug e ele estava escrevendo alguma coisa no papel. A professora terminou de escrever e saiu da sala. Ele amassou o papel e jogou para um dos amigos dele que leu o papel e riu do que estava escrito e olhou pra mim.
Ah, ótimo. Agora sou motivo de piada.
Revirei os olhos e comecei a fazer o trabalho colocando com muita atenção — sinta a ironia — cada ingrediente.
– É Sophie seu nome não é? — ouvi uma voz do meu lado.
– Sim — concordei sem olhar.
– Que bom que estou com você nessa aula, não sei nada dessa matéria.
Dei uma risada irônica.
– Como seu eu soubesse alguma coisa.
– E não sabe? Você e aquela sua amiguinha, a loirinha quatro olhos, não são meio nerds? — ele perguntou confuso.
– E você e seus amigos não são meio idiotas? — eu perguntei me fingindo de confusa também.
– Como se alguém se importasse com o que você pensa sobre mim.
– Como se eu me importasse com o que você acha.
– E por que não se importaria? Todos aqui se importam com o que eu penso.
– Desculpa, mas eu não sou todos aqui. Sou Sophie, e estou pouco me fodendo para o que você acha ou deixa de achar.
– Que bom que não se importa, porque o que pensam de você e da quatro olhos não deixaria alguém que se importa feliz. — ele estava falando aquelas coisas para me irritar. Só podia. E estava funcionando. Em geral eu não me importava, mas tudo nele me provocava. A forma dele falar, como ele mexia os lábios, aquela expressão relaxada e debochada como se nada no mundo pudesse abalar aquela confiança ridícula dele.
Minha observação talvez tenha sido demorada demais, e eu acabei colocando mais ingrediente do que devia. Só me dei conta disso quando comecei a sentir um cheiro estranho. Olhei para a minha mistura roxa — que devia estar vermelha — e só deu tempo de eu dizer.
– O-ou.
BUM! O vidro estourou e uma gosma — que era pra estar líquida — fedorenta explodiu na minha cara, na cara do Parker e na da professora que estava passando por nós no momento em que o vidro estourou. Silêncio mortal na sala enquanto a professora se limpava.
– Parker. Hill. Detenção. — ela estava com uma cara de louca suicida nível extremo.
– Mas eu não fiz nada! Era a idiota da Hill que estava fazendo a mistura!
FILHO DE CHOCADEIRA.
– Mas foi o retardado do Parker que me distraiu com as provocações ridículas.
Ele estava prestes a revidar, mas a professora nos cortou.
– Chega vocês dois. Os dois vão para a detenção. Ponto final. Depois da aula, fiquem aqui na sala que eu levarei vocês. — ela se afastou e nos deixou ali. Molhados e fedorentos.
Parker babaca.
Notas finais
Então, tenho dois avisos:
1º - Eu entro de férias dia 12/07. Isso significa que a partir desse dia eu terei muito tempo para escrever e postar. Mas, minhas férias acabam dia 05/08. Injusto, não? :(
2º - O próximo capítulo só sairá a partir do dia 12/07. O motivo vocês já sabem.
Beijos :*
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