Little Bad Girl
4 Capítulo 3 - E eu? Em cima dele.
Notas iniciais
Terminamos de assistir a aula, mal olhando um para o outro e finalmente o bendito sinal resolveu tocar. Prefiro encarar três horas de detenção a ficar encarando essa vaca por mais um minuto. Escorreguei para fora da minha carteira com minha bolsa e fui em direção a mais uma hora de inferno presa entre quatro paredes com o idiota do Parker.
Chegamos lá, e para completar o meu dia, a diretora não estava lá.
Ela nos fez jurar que não iríamos fugir pela janela ou explodir um ao outro, e saiu da sala.
Me joguei em qualquer carteira e me afundei ali naquela sala minúscula que parecia literalmente um inferno, de tão quente.Procurei meu mp4 na bolsa e coloquei no volume máximo, o que era totalmente desnecessário, já que nenhuma música que tinha ali me deixava ouvir alguma coisa. Mesmo estando no volume mínimo.
O Parker parecia que tinha formiga no cu, sentava dois minutos, e depois levantava para mexer em mais coisas.
Irritado com aquele silêncio, e por ele estar ali, resolveu me provocar. Amarga decisão.
– Muito obrigada nanica, agora eu to preso aqui nesse inferno por sua culpa, e eu tinhas umas coisas para fazer.
– Ah, e você acha que eu queria estar aqui? Como eu já disse, senhor sou-muito-maior-que-a-Sophie, a culpa não é minha. Você me desconcentrou na aula daquela vaca, você me fez fazer a mistura errada.
– A culpa é minha se você é distraída?
Revirei os olhos e recoloquei meus fones, que eu não deveria ter tirado, deitando minha cabeça na mesa. Já tinham passado muitas músicas quando eu notei um silêncio na sala. Cadê o barulho dos passos do Doug? Cadê a voz dele reclamando e xingando? Olhei em volta e não vi ninguém. Mas que merda. Cadê esse garoto? Ele me deixou aqui sozinha?!
Abri a porta da sala de detenção — inferno — e olhei para o corredor vazio. Que estranho. Cadê aquelas garotas metidas e estúpidas correndo e gritando pelo corredor? Onde estavam os garotos metidos como o Doug encostados nos armários? Pra onde os nerds que ficavam no canto do bebedouro foram? Por que a escola estava tão silenciosa assim? Por que tantas perguntas? Voltei para a sala de detenção e olhei para o relógio grande que tinha na parede. Puta que pariu. Eram seis horas! As aulas já tinham acabado há séculos, a minha detenção também! Aquele filho da puta me deixou aqui dormindo e foi embora.
O MEU PAI VAI ME MATAR.
Peguei minhas coisas e saí correndo. O portão estava fechado. Tentei a saída de emergência, trancada. Mas que pessoa em sã consciência tranca a saída de emergência? E se a escola estivesse pegando fogo? E se estivesse sendo atacada por aliens? É, literalmente a escola era um inferno e queria me ver morta (ou abduzida).
Fui para fora, e analisei o portão longo e afiado da entrada. Suspirei e lancei um olhar de raiva para a rua. Me imaginando atropelando o desgraçado do Parker. Sem adiar mais, joguei minha mochila do outro lado do portão da escola e comecei a escalar. Mas com a sorte que eu tenho, quando eu estava quase conseguindo pular, meu pé fica preso na grade e eu escorreguei e caí. Fechei os olhos esperando o impacto da minha cabeça (ou da minha bunda) no chão, mas ele não veio.
– Mas que merda! — ouvi alguém em baixo de mim xingar. — Olhei pra baixo e dei de cara com o Parker deitado no chão e eu? Em cima dele. De repente ele começou a rir descontroladamente. — Você... Você... Ainda estava aqui na escola? HAHAHAHA.
Idiota.
– Se me der licença eu tenho que ir correndo pra casa para preservar a minha vida e para isso, preciso chegar antes que o meu pai. — olhei pro relógio e suspirei — Foda-se, ele já deve estar quase chegando a casa e vai demorar um século pra eu chegar. — dei as costas pro babaca do Parker e comecei a andar com passadas largas torcendo pra que o trânsito nessa cidade minúscula estivesse parado.
Senti uma mão segurando meu pulso e me puxando. Olhei pra trás pronta pra dar um soco em quem fosse, mas vi que era o Doug, me puxando em direção ao estacionamento da escola.
– O que você ta fazendo, garoto? — perguntei tentando soltar meu pulso de seu aperto forte.
– Te levando pra casa.
– E por quê?
– Porque fui eu que te deixei na detenção "por mais tempo". — ele deu uma risada irônica.
– Mas não era esse o objetivo? Me foder? Pronto conseguiu! Agora não precisa me sequestrar também.
– Ah, cala a boca e entra logo na porra do carro antes que eu me arrependa, garota.
Revirei os olhos e entrei no carro batendo a porta com mais força do que o necessário. Ficamos em um silêncio constrangedor, então decidi quebrar o silêncio.
– O que você estava fazendo na escola até essa hora? Veio estudar? — eu disse dando uma gargalhada.
– Não. — ele disse sério. — Nada que te interessa.
– Ah, me interessa sim. Eu caí em cima de você. A partir daí começou a me interessar.
– Eu ia... ér... Me encontrar com uma pessoa.
– Hm... — murmurei. Talvez não me interessasse mesmo.
E voltamos a estaca zero. Onde o silêncio reinava. Ele ligou o rádio e foi assim que chegamos à minha casa.
– Ér... Então... Obrigada. Eu acho. — eu disse meio sem jeito. — Espera... Obrigada nada. Foi você quem me deixou lá na escola sozinha. — eu disse e saí do carro batendo a porta.
Ele arrancou com o carro e eu entrei em casa. O carro do meu pai ainda não estava na garagem. O que significava que ele ainda não tinha chegado a casa. Estranhei porque pela hora ele já devia estar em casa, mas decidi não discutir com a minha sorte que hoje por algum milagre estava em alta, e entrei em casa aliviada.
Depois de caçar algo para comer na cozinha, fui para o meu quarto e me joguei na minha cama colocando meu mp4 no volume máximo. Acho que dormi, porque fui brutalmente acordada pelo meu pai me puxando dizendo que nós precisávamos conversar.
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