Little
2 Capítulo II: Eu sempre fui pequena?
Notas iniciais
Era uma tarde de domingo ensolarada como a maioria dos dias aqui no Rio de Janeiro, eu tinha seis anos... Eu e meus pais estávamos na casa de meus tios, minha avó também mora lá por conta de sua idade. Adorava gostava da casa de meus tios, era grande e tinha uma piscina que por ironia se encontrava vazia o ano todo. Sempre que iríamos pra lá eu ficava em um tédio total, eu era criança e só queria brincar de brincar, vejam pelo meu lado meus tios nunca tiveram um filho, ou seja, sem primos pra aprontar por ae, na TV deles não tinha canal infantil, não tinham vídeo-game e nem computador. O verdadeiro vídeo-game deles eram uma velha e empoeirada mesa de toto (ou pebolim nunca soube ao certo o nome mais popular) e eles não me deixavam brincar com a cadela deles a “Pituxa” o xodó da casa... A única coisa que restava era ficar ouvindo suas conversas sobre investimentos, empresa, vida adulta e blá blá blá. Então eu sempre ficava com a minha avó.
– Vó! Eu queria ter um irmão ou uma irmã. – comentei com ela entrando na cozinha deixando meus pais e meus tios conversando.
– Por que minha pequena? – disse ela virando-se para mim. Minha avó sempre foi baixinha, com os seus olhos castanhos escuros e os cabelos curtos meio lisos tingidos de algum tom avermelhado e sua pele morena.
– Por que é muito chato não ter ninguém pra brincar comigo. – eu disse emburrada.
– Se você ganhar um irmãozinho vai deixar de ser a caçula da família.
– Então eu não gosto de ser a caçula da família.
– Mesmo assim você sempre será a minha pequena. – ela disse caminhando em direção à geladeira. – Quer pudim? Fiz hoje de manhã especialmente pra você.
Minha avó sempre tentava e agradar com alguma coisa e sempre conseguia.
Essa era a típica relação de mim com a minha família, mas como seria a minha relação com meus amigos? A maioria de meus amigos era da escola, nem tinha tantos amigos assim. Minha melhor amiga se chamava Nayara a “bonitinha da sala” ela é loira com os cabelos lisos, olhos verdes e um sorriso encantador com a pele branquinha, parecia uma menina americana, mas seus parentes eram de Portugal por isso sua personalização diferente. Estudei o ensino fundamental I todo ao lado dela, sempre íamos para a casa uma da outra e sonhávamos ir para a França quando maiores. Compartilhávamos também o sonho de ter um cachorro... Cada uma.
Na escola os garotos davam mais atenção a ela por sua beleza e ela adorava, claro eu tinha uma certa inveja porém logo descobri que as vezes é ruim ser tão bonita assim. Às vezes o pessoal do ensino fundamental II e ensino médio iriam a nossa unidade e não largavam suas bochechas, via pela sua expressão que era odiava ser chama de bebê e por outros nomes... Como eu disse antes, eu era muito ingênua e ela sempre foi mais esperta. Em certas situações eu levava a culpa nas travessuras dela, se eu gostasse de algo que ela também gostava ela dizia “Mentira, você está me copiando” coisas desse tipo, eu esquecia rápido.
No 5° ano pegamos a pior professora possível à professora Bruna, deveria ter uns 27 anos na época. Era alta e magra com seus olhos negros e cabelos cacheados e morenos e tinha a pele branca. Ela era cruel, até o 4° ano todos da minha turma nunca tiraram uma nota baixa (saudades dessa época) começamos tirar notas ruins com ela. Quando corrigia nossas provas ela ria e comentava em voz alta para todos escutarem, mas não é dela e suas maldades que estou falando. Na metade no ano a Nayara teve que ir embora, seus pais haviam se separado e sua mãe ficou com a guarda dela, elas foram para Cabo Frio onde sua avó morava. Isso foi um adeus... Não por muito tempo
Tornei-me uma menina solitária, eu até gostava não tinha mais que me preocupar com suas opiniões a cada conversa que nós tínhamos. Eu estava bem, não sei como naquela idade eu peguei o hábito de ser feliz sem amigos. Até que meus pais notaram que eu andava sozinha, para livrar-me de algo ruim eles me deram um cachorro chamado Pingo ele sim é meu melhor amigo até hoje sempre ao meu lado. A raça é vira-lata, mas parece um labrador do porte pequeno com seus pelos amarelos e ralos. Se eu ficar aqui e listar tudo de bom que ele me traz ficaríamos aqui eternamente.
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