Little
3 Capítulo III: Hey, cruel world!
Notas iniciais
Depois do “adeus Nayara” minha mente abriu para o mundo real, eu acho que ela foi um bloqueio, em certos momentos eu até agradeço vivi uma infância muito boa. Foi ai que comecei a “crescer” de verdade, minha mente evoluiu com o caminho livre, e comecei a observar minha postura diante todo meu ensino fundamental I, lembrava-se de minha amiga zombar de mim por ser tão ingênua e cega... Cheguei à conclusão que eu era muito boba, era boazinha com todos e sempre saia perdendo. Foi ai que eu enxerguei o mundo pela primeira vez.
“Por que quando encontramos uma felicidade pelo mundo, tem sempre alguém que quer destruí-la”.
James Barrie. Criador do conto Peter Pan.
Essa frase ecoou em minha mente, tomou conta de mim por completa. Desde esse momento senti as trevas me possuírem, o poder do mal contaminar-me. Meu rosto descobriu uma nova expressão com meus olhos semicerrados e um sorrisinho de lado, meus olhos finalmente se abriram para o mundo.
– Hey, mundo cruel!
Na manhã seguinte eu teria aula, já sabendo que teria que aguentar mais um dia horrível com aquela professora. Cheguei à sala de aula com um ar de arrependimento por estar ali naquele lugar, eu gostava da minha turma estudei desde sempre com a maioria que se encontrava ali já éramos como uma família. Era aula de português quando a professora interrompeu a aula para contar pela milésima vez a história de sua tia que também era professora.
– A minha tia também é professora, ela tinha um carrão vermelho. Uma vez ela parou no sinal e logo veio um jovem típico aquelas crianças que ficam no sinal pra pedir dinheiro. Quando ela olhou para o garoto reconheceu que era um antigo aluno seu, ele na época de escola não queria saber de nada como vocês aqui. Ela somente encarou o garoto e foi embora e é isso que vai acontecer com vocês eu vou passar com o meu carrão e vocês estarão lá no sinal! Vivendo de migalhas.
Eu já estava farta dessa história e desse tratamento, eu olhei para a parede da sala que estava cheio de desenhos de seus alunos dizendo que ela era a melhor professora do mundo, desenhos de corações e dentro deles continham o nome dela, mensagens carinhosas e todo tipo de ternura. Aquele sentimento veio até a mim novamente. Quando dei por mim eu estava arrancando os desenhos da parede com toda sala me observando.
– É mentira! – estava com a respiração um tanto pesada.
O meu prêmio por enfrenta-la foi ir para a diretoria, era à primeira vez que estive ali. Na minha escola havia dois níveis de punição, nos casos menos graves os alunos eram mandados para a coordenação e para casos mais graves os alunos são mandados para a diretoria. Eu já conhecia a coordenação eu era mandada pra lá quando eu levava a culpa pela Nayara, à coordenação era para aqueles alunos que andavam sempre aprontando. Eu estava sentada lá com uma cara de “To nem ae” esperando a diretora me chamar.
– É a sua vez – a diretora abriu a porta e me chamou. Ela se chamava Sonia, usava a regata da escola era como se fosse o uniforme dos empregados. Tinha os cabelos meio grisalhos e lisos aparentava ter 39 anos ou menos né? Ser diretora de uma escola tem suas desvantagens... Tinha uma altura normal, sua pele era um pouco morena e seus olhos eram esverdeados e ela cheirava a ovo frito.
– Oque aconteceu? Você é uma aluna que nunca me deu trabalho, só para os coordenadores e foram coisas bobas. – ela me olhava com aqueles olhos mostrando um pouco de preocupação.
– Tia Sonia... – Todos na escola a chamavam assim – Eu não aguentava mais a maneira que a professora Bruna nos tratava, ela foi a pior professora que a nossa turma pegou.
Eu contei oque a Bruna nos disse, da história de sua tia. A tia Sonia não acreditou muito no começo então eu contei mais sobre ela.
– Na aula de matemática ela estava ao meu lado e eu não entendi como resolver aquele exercício, ela estava explicando e tals, mas eu continuava não entendendo. Ela gritou comigo “Tem que multiplicar!” e me deu um tapa na parte de trás da minha cabeça.
Parecia que isso não bastava para a tia Sonia, ela saiu de sua sala me deixando sozinha.
– Espera aqui!
Quando ela voltou trouxe consigo três alunos da minha sala. A Fernanda, o Lucas Matheus e o Richard. Ela perguntou a eles se era verdade a história que eu tinha contado, eles acenaram a cabeça positivamente.
Essa batalha eu havia ganhado, mas mesmo assim fui obrigada a procurar a psicóloga da escola por causa da minha revolta, meus pais também ajudaram comentaram que eu ando sem amigos e blá blá blá... Voltei para a sala com um sorriso malicioso para a professora. O resto da turma nunca havia me visto desse jeito, imagine a aluna solitária da sala com um comportamento assim, eles não esperavam por isso. A professora foi punida, imediatamente trocaram a gente de professora, uma bem melhor chamada Paula. Naquela época eu nunca soube oque realmente aconteceu com a Bruna.
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