Linhas da Vida
10 O Gralhar da Vida
Sinto-me preso, sinto se cada parte de meu corpo viesse morrer quando eu ouso a gritar o pedido de liberdade.
Sim, meus caros, isso não é a liberdade, ser trancafiado dentro de um corpo, dentro de uma história que não é sua. Tudo isso não passa de uma mentira. A vida em si é uma mentira. Será que as decisões tomadas estarão sempre naquela bifurcação: algumas certas e outras erradas? Será que tudo o que o mundo tem para nós é aquela cisão: bondade e maldade? Será que não pode haver um meio termo?
O grito que deve haver sempre é para que tenhamos nossa emancipação, como o escravo que batalhou por anos para ver a luz do fim do túnel, mas não, há aqueles que o chamam de oportunista. Sim, a liberdade é cara, tem um alto preço, mas será que esse alto preço foi pago? Será que o dinheiro todo caiu na conta do sequestrador?
Tem uma resposta para isso e, por enquanto, sempre será esta: Não, ainda falta.
Mas falta o que? Vida? Tempo? Sim, apenas o tempo pode saldar essa dívida que criaram. Mas quem criou?
O ser humano criou essa dívida e apenas ele pode quitar. Mas é dinheiro que eles querem? Não, dinheiro não compra isso, dinheiro não é a principal arma que o mundo criou para se satisfazer.
Então, o que ele faz se nada disso pode comprar?
Ele pode fingir que isso pode ser liquidado se você deixar que ele acredite, que ele lhe controle. Não seja mais um perdido, lute contra o labirinto que sua cabeça cria, lute como se sua sanidade dependesse disso.
E o que define a sanidade de alguém? O homem define isso, é o homem que aponta para quem está certo e para quem está errado, para quem é são ou senil. Eles são os culpados disso tudo? Não, como eu disse, há aqueles que são contra tudo isso. E eles estão certos? Também não. Mas como?
Vivemos em um mundo que quer que escolhamos um lado, como os lados da moeda, dois lados que não podem se unir. Não existe um meio termo, ou você é ou você não é. Portanto, o que devo fazer? Fingir-me de tonto, de desentendido ou de desenformado para não cair nas tramoias que eles montam?
Pior decisão. Eles usarão disso, farão de você a perfeita marionete, aquele que se move sozinha, aquela que, apenas com um estralo de dedos, ajoelha e venera aquele que com um pé lhe chuta e lhe pisa enquanto limpa a sujeira do outro em suas roupas.
Pare e pensa: acha mesmo que essa é a vida pela qual queremos viver, pela qual queremos ter?
Logo, eu devo me fechar em minha mente? Deixar minha alma isolada do mundo?
Não, você precisa viver um pouco, sentir o ar puro. Mesmo dentro de um mundo que ecoa no mesmo momento em que você sussurra; um mundo que faz guerrilhas e pandemônios no mesmo instante que você canta olhando para as estrelas de um campo noturno, florido e perfumado, há aquilo que o faz sorrir, aquilo que o faz ter boas memórias.
Permita-se isso, conceda a você mesmo um momento em que um abraço faça a diferença em sua vida, um beijo lhe marque o segundo transcorrido, a risada que tatua em sua mente aquele momento inesquecível e a fotografia que você pendurará em sua porta do armário e, um dia, olhará para aquilo e chorará, porém, não de tristeza, mas sim de alegria, relembrando de cada hora, minuto e segundo que teve com aquele ou aqueles que fizeram sua vida a melhor possível.
Acredita que uma vez, comecei a me mexer demais na gaiola, que me prendia como um pássaro. E ela caiu, me fazendo livre mais uma vez.
Disso eu nunca me esqueci, sabe por quê?
Porque foi assim que pude enxergar como o mundo é.
Quer um conselho? Daqueles sem preço? Assim como os momentos que você não perdeu?
Pegue seus pensamentos e jogue-os ao vento. Dessa forma, você verá o quão longe eles irão ir, e assim, você também irá, para o mais longe possível, mas sendo feliz. Faça barulho, consiga o que você quer, de forma alegre, sem se prejudicar ou magoando o próximo.
Eu segui esse conselho, e estou aqui, relatando a vocês tudo isso. E tem alguma ideia dos motivos de eu estar fazendo isso?
A resposta é bem simples: Eu ainda acredito em você e no que você faz, então, abra os olhos e, não sonhe, mas viva.
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