Linhas Paralelas
5 Trabalho Investigativo
Notas iniciais
Dezesseis era praticamente uma criança quando chegou à sede e antes de exercer a função de agente ele passou por um treinamento rigoroso físico e mental, apesar de ter notas da parte física acima da média à parte mental ficava a desejar. Certo dia quando ele estava cansado por mais uma aula enfadonha ele decidiu escapar pela janela da sala, e no caminho para o parque e recreação da organização uma porta chamou-lhe a atenção, pois era a primeira vez que ele tinha visto a mesma entreaberta.
A curiosidade dele venceu sua sensatez e assim ele adentrou aquela porta, dentro dela havia uma escada tenebrosa que levava para um breu total, velas apagadas seguiam todas as escadas até o fim de tudo e com todo cuidado ele foi descendo degrau a degrau até chegar um ponto onde ele não conseguia enxergar mais onde estava pisando.
Após esse instante de adrenalina uma luz fraca naquela gruta mostrou a ele uma porta fortificada, deveria ter aproximadamente três metros de ferro fortificado, uma lavanca que se encontrava no centro dela tinha impressão de ser tão rígido que era necessário usar as duas mãos para movê-la além de centenas de alertas amareladas escrito como “afaste” e cuidado tomando a porta.
Ele engoliu em seco, sabia que no fundo ele não deveria estar ali, até que uma mão que saiu das sombras agarrou seu ombro fazendo com que ele emitisse um grito agudo por conta do susto, outra mão saiu das sombras e tapou a boca dele.
— Cala boca seu idiota, você quer que eles descubram que estamos aqui? — Indagou Trintacinco.
— O que você está fazendo aqui? — Sussurrou Dezesseis.
— Eu é que pergunto!
Depois de passado a adrenalina, ambos encararam a porta gigantesca.
— O que será que tem atrás dessa porta? — Indagou Trintacinco
— Provavelmente algo muito perigoso. — Respondeu Dezesseis.
— Ás vezes eles colocam alertas falsos porque eles querem que ninguém saiba o que tem lá dentro.
— É uma possibilidade.
Ambos perderam mais tempo olhando para a porta assustadora.
— Aliás, meu nome é Trintacinco.
— Dezesseis. Você já se perguntou do porque eles nos nomearam como numero?
— Talvez eles nem enxerguem a gente como pessoa.
— É uma possibilidade.
Esse foi o dia que Dezesseis conheceu Trintacinco, em uma gruta escura e tenebrosa com uma porta imponente a sua frente.
5.0 — Biblioteca e sala de registros da sede.
Dezesseis despertou de supetão, quando Trintacinco derrubou propositalmente uma caixa tomada por arquivos de missões antigas na mesa onde ele havia recostado para descansar.
— Sua cara está horrível, você devia ir descansar.
Dezesseis limpou a baba de sua boca e se espreguiçou.
— Eu tive um sonho estranho.
— Você tem sempre um sonho estranho.
— Algo que me veio à mente, aquela porta gigantesca em baixo da gruta tomado por alertas de perigo.
Trintacinco parou de procurar os arquivos na caixa e o encarou momentaneamente.
— Talvez um dia a gente descubra o que tinha atrás daquela porta.
—É talvez.
Dezesseis então se retirou da biblioteca para ir ao banheiro mais próximo, lavar o rosto, tomar uma água, ele estava a mais de seis horas pesquisando sobre as missões da Sete, uma agente que havia dado como morta a mais ou menos oito anos atrás.
Trintacinco permaneceu na biblioteca enquanto buscava por mais informações até que finalmente encontrou algo importante em um dos livros, Dezesseis retornou do banheiro quando ela chamou para mais perto.
— O que foi?
— Essa nave. — Disse Trintacinco apontando para uma figura de uma nave que parecia mais um dirigível gigante. — Eu estava lá dentro.
— Tem certeza?
— Sim, aqui diz que esse modelo foi descontinuado a mais ou menos oito anos atrás.
— Na época que a Sete foi dado como morta, mas a última missão dela ela não estava dentro dessa nave, ela utilizava portais, era uma missão de espionagem.
— Ainda sim, porque eles tinham essa nave no controle deles?
— Você disse também que ela tinha nas mãos um disco que abriu um portal convenientemente na mesma dimensão onde eu estava realizando um trabalho de reconhecimento.
— Exatamente, aliás, porque você foi para lá?
— A sede recebeu um sinal de socorro nesse universo, como estava em nossa jurisdição ele pediu para eu ir sozinho para averiguar.
— Você se lembra como o sinal era?
— Era semelhante ao sinal emitido pelo relógio dos agentes no universo 414.
— E antes de sermos capturados, Vinteoito estava tendo dificuldade de enviar um sinal de socorro, pois a frequência do limbo variava estranhamente.
— Enviando pacotes mortos para dimensões diferentes.
—É possível que esses pacotes possa ter caído no radar da sede?
— Tem essa possibilidade.
Trintacinco se depôs pensativa quando veio algo na sua mente.
— E se a pessoa que me ajudou a escapar propositalmente mudou a roda do sinal de socorro de Vinteoito para o setor 1231 para chamar atenção da sede?
— E assim configurou o disco de portal para que você caísse justo no universo no qual estava realizando o trabalho de reconhecimento.
— Então tem a possibilidade da Sete estar viva.
— E foi ela que ti ajudou a escapar. Você disse que era um disco de portais não é mesmo? Não sabia que ele tinha função de abrir, e sim de fechar.
— O numero Oito tem esse dispositivo com ele?
— Sim, ele utilizou na minha ultima missão com ele para enfiar a entidade da quinta dimensão no universo dele.
— Vamos perguntá-lo.
5.1 — Sala de jogos da sede.
— Disco de portal? — Indagou Oito enquanto segurava nas mãos um baralho.
— É sua vez oito — Disse Vintecinco na mesa.
— Você tem não é mesmo?
— Isso não é um disco de abrir portal, é só de fechar.
— Mas tem como configurar ele para abrir portal.
— Isso eu já não sei, só me orientá-lo a usar ele para fechar portais.
— Sua vez Oito.
— Eu já ouvi. — Oito depositou mais algumas moedas na mesa e empurrou para o centro dela.
Dezesseis e Trintacinco se entreolharam.
— Você sabe quem tem mais conhecimento desse dispositivo?
— Talvez o Treze, ele está no laboratório agora.
5.2 — Laboratório da sede.
Tão monocromático quanto à sala de visitas, o laboratório consiste em equipamentos de medição e soldagem além de diversos protótipos de armas e ferramentas ainda em construção, Treze testava uma esfera que tinha capacidade de absorver impactos, quanto mais ela quicava mais absorvia a energia cinética e ao apertar o botão nela aparecia uma contagem regressiva que ao alcançar o Zero dispersava toda a energia acumulada causando uma explosão.
— O que desejam Gabriel e Isabella?
— Dezesseis e Trintacinco.
— Não temos nomes, apenas números, trabalhamos com você, esqueceu? — Trintacinco indagou.
— Sim, mas não os vejo assim, enfim, o que desejam?
— Queremos saber se você tem conhecimento do disco que fecha portais.
— certamente que sim, venha comigo.
5.3 — Laboratório da sede, área de projetos descontinuados.
— No passado eu tinha criado esse disco que fecha portais e depois eu recriei outro que abria portais, os líderes da sede não aprovaram e assim o projeto não seguiu em frente, mas misteriosamente um protótipo tinha sumido há oito anos.
Dezesseis e Trintacinco se entreolharam.
— Você sabe se isso tem alguma ligação com a agente sete?
— Catarina? Acho que não.
— Mas porque alguém teria interesse em um projeto descontinuado.
— Bem, antes de ser descontinuada ela funcionava, mas como não foi aprovado.
— Não teve necessidade de botar um “rastreador” da sede.
— Alguém que pegou queria de alguma forma viajar entre as dimensões sem ser localizado.
— Você consegue replicar esse dispositivo, Treze?
— Me chame de Hector.
— Hector?
— Treze está preso pelas jurisdições de regras da sede, mas o Hector não.
— Que conveniente. — Comentou Trintacinco.
5.4 — Alojamento.
Trintacinco procurou no armário de Vinteoito o número de rastreamento dele após saber que Hector poderia criar um dispositivo não só que abre portais, mas que abre de acordo com o rastreamento de algum agente que esteja em qualquer multiverso conhecido.
— Mas porque Vinteoito?
— Eles levaram o corpo do Vinteoito e as coisas dele, se conseguirmos configurar o abridor de portais na localização das coisas dele iremos direto para a nave dos agentes desconhecidos.
— Isso não é muito imprudente?
— Eu preciso saber se a Sete está bem.
— Mas porque tanta afinidade por ela, se ela realmente está viva não ligou para gente, e se estava naquela nave junto com eles certamente ela escolheu um lado.
— Eu não me importo, salvá-la-ei. — Disse Trintacinco enquanto procurava entre as vestimentas do Vinteoito qualquer coisa que servisse para localizá-lo.
— Trintacinco, não é sua culpa.
— Eu sei disso, mas sentir tomado por uma impotência quando meu parceiro morre diante de mim é frustrante, eu não quero que isso nunca mais ocorra.
Dezesseis notou que os lábios dela tremiam, e os olhos enchiam de lágrimas, ela estava praticamente perturbada.
— Trintacinco, você não é do tipo que se arrisca, tem que haver algum jeito para fazermos isso sem entrar na toca do lobo.
— E o que você espera que a gente faça?
— Eu não sei, mas vamos pensar e descobrir juntos.
Dezesseis deu a mão para ela apoiar.
— Somos parceiros agora, não é mesmo?
Trintacinco enxugou as lágrimas e assentiu, usou a mão de Dezesseis para finalmente se levantar.
5.5 — Laboratório do Hector/ Gruta desconhecida.
Depois de terminado o dispositivo de abrir portais ele entregou a Trintacinco, ambos se encontraram na gruta que no passado distante eles haviam se conhecido, com o abridor de portais na mão junto com um dispositivo antigo que pertencia ao Vinteoito eles decidiram configurar para que abrisse o portal de onde Vinteoito poderia estar.
— Você disse que tinha uma ideia Dezesseis, mas que tipo de ideia?
— Iremos parar no mesmo lugar que o Vinteoito, e possivelmente na nave inimiga.
— Exatamente.
— Provavelmente eles querem os agentes e a tecnologia deles para alguma coisa maléfica, e nas mãos dele há o relógio do Vinteoito que possivelmente ele esta usando para tentar localizar você.
— Já que eu era a parceira antiga, mas o localizador só alcança aproximadamente trinta quilômetros de distância do mesmo universo.
Dezesseis sorriu enquanto Trintacinco finalmente tinha entendido.
— É isso, um alarme falso, enviar um sinal como se eu tivesse perto deles, eles iram se locomover até onde supostamente estou.
— Eles darão toda a atenção a você e nem notará que alguém invadiu a nave.
Trintacinco com uma expressão de surpresa beijou forçadamente a bochecha de Dezesseis.
— Você é um gênio.
— A para com isso, eu tento fazer o meu melhor. — Disse Dezesseis corados.
— Vamos nessa então. — Ela configura o dispositivo rapidamente.
Mas ativar ela é outra história, é como se ela perdesse o controle da mão que recusava a enfiar o sinal, Dezesseis então depositou sua mão no ombro dela como sinal de que confiava nela, ela assentiu e finalmente apertou.
5.6 — Nave dos agentes desconhecidos.
Todos estavam polvorosos com o sinal recebido, era indicação de que Trintacinco estava próximo á deles, um homem de uniforme cor de vinho com uma mascara com um sorriso malicioso do lado direito e de um rosto tristonho do lado esquerdo decidiu acalmar toda a tripulação.
— Acalmem-se senhores.
— Você não viu? Trintacinco está próximo, aposto que quer vingança. — Comentou o senhor de bigode orgulhoso.
— Você está vendo apenas a cauda do peixe e não sabe ao certo se ela possa ser um peixe ou não.
— Não entendi?
— Estou querendo dizer que você se entusiasmou apenas com a cauda, para que pegar uma parte se nós podemos pegar ao todo.
Uma falha que os dois não tinham notado é que na realidade eles tinham enviado dois sinais, um era apenas um sinal de localização falsa da Trintacinco a trinta quilômetros da nave dos agentes desconhecidos, mas a outra era a localização fixa da sede de linhas paralelas.
— Para que ir atrás de sucata e tecnologia barata se podemos ir diretamente até a sede principal.
E apontou para o outro sinal enviado junto ao da Trintacinco.
— Você é um gênio Doppler.
— É por isso que sou o capitão dessa nave, ignore a Trintacinco, vamos em direção ao peixe maior.
Enquanto Trintacinco retornava a nave que um dia permaneceu de refém para reaver uma amiga de longa data ela nunca imaginaria que pudesse ter aberto a condenação de toda uma associação para os inimigos deles.
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