Linhas Paralelas
6 Tragédia anunciada.
Notas iniciais
6.0 — Área desconhecida.
Dezesseis e Trintacinco em meio à escuridão total saíram tateando em volta em busca de uma parede para conseguir sair daquele lugar, por sorte a Trintacinco conseguiu encontrar uma maçaneta, ao virá-la um clique revelou que a porta estava aberta, assim ela o puxou e uma luminescência de luz tomou conta de seus olhos que faziam arder, caminhando aos poucos ela se deu conta de que o local onde haviam sido teleportado pelo portal não era a nave dos agentes desconhecidos e sim um armazém abandonado com enormes furos na lataria além de uma lâmpada que não parava de balançar sobre suas cabeças eram lhes apresentado, no fundo do que os olhos pudessem enxergar eles identificaram um vulto de alguém sentado sobre a mesa.
— Só pode ser o inimigo esperando.
— Espera. — Interrompeu Trintacinco.
Eles se aproximaram mais ainda e a silhueta da pessoa foi se tornando mais evidente até revelar uma mulher com trajes de agente desconhecido, mas com uma mascara tapando sua boca deixando os olhos à mostra.
— Você foi à mulher que me tirou da nave.
— Sim, como posso dizer. Você foi formidável.
Ela tirou a mascara revelando ser a Sete, uma amiga e parceira antiga da Trintacinco.
— Mas como? Nós estávamos procurando você há tanto tempo e os indícios mostravam que você tinha morrido. — Indagou Trintacinco confusa.
— Bem, aconteceu muita coisa deste que eu não consegui retornar a sede, mas como pode perceber eu estou aqui.
— Eu tenho tantas dúvidas.
— E deveria, mas eu preciso lhe informar quem realmente é seu verdadeiro inimigo.
— Espera um pouco aqui. — Interrompeu Dezesseis. — Estou comovido com todo esse encontro, mas que história é essa de verdadeiro inimigo?
Sete olhou rispidamente para Dezesseis.
— Quem é você?
Um tiro certeiro na animação de Dezesseis.
—Ah é claro, está muito escuro aqui, você pode não ter me visto. — Disse Dezesseis sem graça.
—Antes de tudo, a primeira pergunta, porque você está com os agentes desconhecidos? — Indagou Trintacinco.
— Ora, porque eles salvaram minha vida.
— Eles mataram o Vinteoito, atiraram nele sem pensar duas vezes.
— Nossa. — Sete demonstrou surpresa no tom da voz. — Eu realmente não sabia disso.
— Como não? As coisas dele estavam nesse armazém!
— Eu entendo sua indignação, mas você tem que entender que a “lavagem cerebral” nele estava de outro nível.
— Você está inventando isso, primeiro que você desconhecia da morte dele pelo seu tom de voz, segundo que não posso acreditar que você está dizendo que a associação é a verdadeira inimiga sabendo que você faz parte de um grupo terrorista.
— É o que eles estão querendo que você acredite, mas a verdade é muito mais complexa do que isso.
— Como o que?
— Você sabia que a associação destrói universos inteiros por puro capricho?
Trintacinco tentou refutar, mas logo ficou em silêncio.
— É óbvio que você está mentindo, está tentando se livrar da culpa da morte do Vinteoito. — retrucou Dezesseis.
— Você não precisa acreditar em mim, você pode ir ao computador do líder da sede A, entra com login dele e a senha: “Qo21A”, e entre no arquivo de registros mortos na sessão vinte e nove.
— Mas o que? — Indagou Dezesseis confuso.
— Você sabe por que eu fui dada como morta? Porque eles descobriram de alguma forma que eu tive acesso a esses documentos, isso porque o número Dois antes de morrer havia descoberto isso, mas ele logo foi preso por insubordinação, eles me enviaram em uma missão impossível em um universo não catalogado e na primeira falha da nave eles me abandonaram, aposto que foi nesse momento que vocês receberam a notícia de que eu tinha morrido em serviço.
— Mas isso é... — Trintacinco não conseguia acreditar no que estava ouvindo.
— Eu sei, é muita informação, mas deixe-me concluir, após vagando em um espaço de um universo desconhecido os agentes do desconhecido me encontrou, eles me relataram que eram agentes perseguidos pela associação por terem descobertos segredos terríveis e queriam de alguma forma limpar ela de todo esse mal.
— Mesmo que matasse um homem inocente para isso?
— Eu sei Trintacinco o quão ele era importante para você, mas ele é o tipo de pessoa que segue ordens sem questionar, infelizmente essas pessoas são coniventes a todo mal que a associação está causando.
— Não posso ser conivente com assassino.
— Trintacinco. — Alertou Dezesseis.
— Você tem que entender...
— Já chega, se você se importasse comigo você podia ter entrado em contato antes.
— Trintacinco, só presta atenção, por favor. — Pediu Dezesseis.
— Você tem que entender que se eu tentasse entrar em contato a associação ia me achar.
— E colocaria em perigo o bando de criminosos que mataram Vinteoito? Talvez ele não tivesse morrido se esses malditos fossem capturados antes.
— Trintacinco, só um segundo. — Implorou Dezesseis.
— O que é cacete! — Gritou Trintacinco.
— A sede está sendo atacado. — Disse Dezesseis mostrando o relógio anunciando alerta de ataque.
— O que? Mas por quê?
Sete percebendo que a notícia do ataque havia chegado cedo demais saiu correndo até uma porta enferrujada do armazém.
— Ela está escapando. — Apontou Dezesseis.
Os dois correram atrás dela, mas chegaram tarde demais, pois ela havia entrado em uma nave reserva que alçou voo e partiu para longe daquele lugar.
— Mas que merda, como ela conseguiu chegar à nave tão rápida? — Disse Dezesseis ofegante.
— Talvez tivesse um sistema de portal que transportasse para dentro da nave. — Disse Trintacinco apontando para o disco semelhante ao que Treze tinha projetado para os dois.
— E o que faremos? Voltaremos para sede?
— Eu não sei. — Disse Trintacinco. — Estou confusa, desanimada, cansada, eu não aguento mais gente que fica escondendo coisas.
— Mas você acredita mesmo na Sete?
— Eu não sei.
6.1 — Sede das Linhas Paralelas.
Foi um ataque maciço de centenas de naves pilotadas pelo maior inimigo da sede, agentes desconhecidos bombardeavam as cinco cúpulas que navegava na escuridão protegido pelo limbo verso, uma lacuna entre os multiversos no qual o tempo e o espaço não o alcançavam, refeitório, laboratório, tudo era destruído, algumas naves em forma de dirigíveis ancoravam em uma das cúpulas e centenas de soldados pilotando uma versão miniatura dos dirigíveis desciam rapidamente até a sede recebendo todos os agentes disponíveis a tiro.
Os líderes A, B e C olhavam estupefatos com o ataque do inimigo, A se perguntava como eles tinham encontrado a sede tão facilmente até ser alertado por um sinal falso enviado pela Trintacinco para eles, logo ele ligou os pontos de que ela era na verdade uma espiã programada pelos agentes desconhecidos.
Nos holofotes da sede foram anunciados para levantar um escudo de defesa, alguns protestaram com a atitude, pois prenderiam os inimigos que já estavam dentro dos locais, mas as ordens do líder A foram claras.
— Impeçam que novos inimigos adentrem e eliminem aqueles que estão maculando nossa casa.
Assim sendo, um grande escudo em forma oval foram erguido, atingindo as treze naves que tentavam pousar enquanto as que já haviam conseguido eram destruídos pelos agentes em terra firme.
6.2 — Laboratório da sede.
Treze tentava a todo custo salvar os protótipos, ele jogava para dentro de uma sala reserva tudo que ele tinha construído com tanto esforço até que Oito ofegante entrou na sala dele.
— O que você está fazendo?
— Não posso os deixar levarem meu trabalho Hugo.
— Hugo? Quem é Hugo? Ah, esquece, a gente tem que sair.
— Não ate manter esses dispositivos para algum lugar seguro.
Oito pegou Treze pelos ombros e o chacoalhou para tentar colocar ele de volta a realidade.
— Estamos sofrendo ataques, essas bugigangas é o que menos importa agora.
— Sábias palavras agentes da sede, como eles não importam deveriam nos dar e talvez eu os deixe vivos.
Um homem de bigode esquisito empunhando um revolver surgiu na porta do laboratório junto com uma escolta de dois agentes de máscaras de gás fortemente armados.
— Desculpa, mas você não tem autorização para estar aqui.
— hahaha, hilário. — O cara de bigode atirou no peito de Oito que caiu em cima da bancada do Treze derrubando o ultimo trabalho dele no chão fazendo-o dar um grito apavorado.
— Espero que esse grito foi porque eu fui baleado. — protestou Oito se levantando com dificuldade, mas sem perceber acabou pisando no dispositivo com um dos pés destruindo-o.
— Olha o que você fez! — Gritou Treze. — Demorei semanas para construir isso.
Enquanto Treze lamentava a destruição de sua nova invenção, o homem de bigode se impressionava com o fato do Oito estar bem.
— É algum tipo de colete a prova de balas?
— Não, é muito pior.
Oito apontou para o cara de bigode, e um disparo foi feito no dedo enluvado dele atingindo o cara de bigode e jogando-o para fora do laboratório.
— Eu chamo isso de bate e volta.
— Dispositivo de coletagem de energia potencial.
— Que?
— Dispositivo de coletagem de energia potencial, ele coleta impactos que pode ser disparado em qualquer parte da vestimenta do agente.
— Prefiro bate e volta, é mais chique.
Os outros dois agentes ao lado do homem de bigode assustados começaram a disparar no Oito, as balas atingiam ele, mas o impacto era simplesmente coletado pela vestimenta do mesmo, veias em florescentes circundavam a roupa do agente avisando que a coletagem de impactos haviam sido um sucesso.
— Atira na cabeça. — Gritou um dos agentes.
— Tarde de mais.
Ao bater as palmas, uma grande energia cinética foi disperso atingindo os dois agentes que também foram arremessados para fora do laboratório.
Oito deu a mão para Treze se reerguer.
— Não tem nenhuma energia potencial coletada nessa luva não é mesmo?
— Não é horas de piada, vamos logo.
Treze encostou-se à luva, mas com uma explosão ele foi arremessado por outro lado da sala.
— Tenho que ti falar, essa foi a melhor invenção que você já criou. — Disse Oito tirando um cigarro do bolso e acendendo-o.
— Muito engraçado. — Disse Treze completamente torto no chão.
6.3 — Gruta.
O homem mascarado chamado Doppler tinha duas missões, derrubar a associação linhas paralelas, e a outra era libertar um “certo alguém” que se encontravam atrás de uma porta de ferro reforçado de aparentemente uns três metros abaixo de uma escada rotatório sendo o único lugar iluminado por lamparinas preso nas paredes.
Ele encostou-se à porta de ferro próximo à maçaneta que se encontrava no centro da mesma, foi o tempo necessário para uma chuva de lasers esverdeados caísse sobre ele, entre um tiro que ele desviava e outro que ele defendia com sua espada ele recuou para longe de seu objetivo e na distância dada ele logo identificou o responsável por disparos.
Um garoto que aparentemente tinha por volta de 10 anos flutuando lentamente no ar, em sua mão esquerda uma sombrinha onde nas pontas havia alguns ejetores que lançavam gás impedindo que ele se esborrachasse no chão e na mão direita uma bereta apontada diretamente a ele.
— Não tem como essa pistola ter atirado tantos tiros em pouco tempo.
— Quer apostar?
A voz dele se lembrava de uma criança, mas a vestimenta e o jeito de se comportar parecia mais como um adulto arrogante.
— Quem imaginaria que Linhas paralelas iriam usar até crianças para seu plano maléfico.
— Do que você está falando! — a criança desrosqueou o guarda chuva revelando que em baixo dela havia uma lamina. — Eu sou mais velho que você.
Com o brandir da espada, um raio esverdeado cortou o ar em direção ao mascarado que defendeu com sua espada, ele se inclinou e arremessou aquele raio para cima destruindo a escadaria e soterrando toda a gruta com os detritos, o garoto rapidamente desviava de todos, rosqueou a espada improvisada na sombrinha e acionou para que ela abrisse os jatos que se encontravam nas pontas da sombrinha logo lançou um gás acima do normal alçando-o ao voo.
Enquanto flutuava em direção a entrada da gruta ele percebia a destruição causada pelo laser rebatido, tudo que era visível havia sido soterrado.
— Não tem como esse idiota ter sobrevivido, vou considerar como missão cumprida.
E partiu para fora da gruta.
6.4 — Local desconhecido.
Dezesseis e Trintacinco se perguntavam se era o certo eles retornarem para sede, eles tinham imaginado que o sinal falso acabou revelando a localização da aliança e por isso houve o ataque, logo não é difícil de imaginar que eles não seriam recebidos de braços abertos.
— O que faremos Dezesseis?
— Eu não sei.
— E se eles acharem que somos agentes infiltrados e de que enviamos o sinal de propósito?
— Eu tenho certeza de que eles não acham.
Trintacinco revelou um pequeno sorriso.
— Eles têm certeza.
O sorriso se apagou.
— Então não temos como voltar.
— Pior. — Dezesseis olhou nos olhos da Trintacinco. — Somos procurados, provavelmente eles não descansarão ate sermos capturados.
— Ai droga, porque faço essas burradas.
— Não se culpe. A culpa é minha por não ter pensado nessa possibilidade.
— Mas eu o arrastei até aqui.
— Mas eu aceitei sem questionar.
Os dois suspiraram de desanimo enquanto se amontoavam na parede do armazém.
— Você acha que encontraremos um local seguro? Ou viveremos sempre fugindo?
— É isso ou ser sentenciado à morte.
Ela recostou a cabeça no ombro do Dezesseis.
— Eu to com medo.
— Desculpa dizer isso, mas eu também.
E os dois foram tomados pelo fim da única luz que balançava em suas cabeças, agora o breu tinha tomado não só a esperanças deles, mas sua perspectiva de futuro.
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