Linhas Paralelas

9 Longe de um lugar seguro.


Notas iniciais
Dezesseis e Trinta e cinco continuam com sua fuga entre os multiversos quando eles são obrigados a enfrentar antigos companheiros, será que eles conseguiram finalmente encontrar um lugar seguro?

A associação Linhas paralelas tem como objetivo manter a normalidade entre os multiversos, a sede se encontra no limbo verso, um lugar que nada mais é que uma lacuna ocasionada pela curvatura dos universos, imagina centenas de bola de gude juntos dentro de um circulo, o vão entre as bolas de gude é conhecido como limbo verso (acredito que você tenha entendido agora) os agentes são numerados de 1 até 100 e são comandados por três lideres que são nomeados como A,B e C, acima deles se encontra a Face oculta, praticamente o chefe de toda a associação, ela é nomeada desta forma porque nem A,B e C conhecem sua verdadeira face, só houve uma época em aproximadamente trezentos anos atrás que todos conheceram de fato como ela é, foi quando a porta de ferro reforçada que se encontra em uma gruta fechado por outra porta com placas de proibido para pessoas não autorizadas estava um centímetro aberto, isso obrigou a face oculta se mostrar e finalmente orientar os agentes a nunca deixar a porta semi aberta, nem mesmo os líderes atuais sabem como ela é.

Bem, até aquele instante.

9.0 — Sede da associação (ou o que restou dela).

Uma mulher alta deveria ter por volta de dois metros e cinquenta, pele cinza, transvestido como uma sacerdotisa caminha entre os meros mortais, os agentes que a vê ficam estupefatos com tanta formosura apresentada, com o moicano, segurando um cajado de quase o tamanho dela.

— Eu senti uma perturbação referente ao portão final! — a voz dela ecoava como trovões e explosões, os agentes ao lado tiveram que tapar os ouvidos, pois nãos suportavam o barulho.

— Espera um minuto madame, sua voz está alta demais, ninguém está ouvindo. — Disse o líder B perto dela.

— É mesmo? — Indagou a face oculta. — Deve ser porque passei séculos olhando vocês por cima.

Ela regulou o tom de voz se tornando um pouco mais acalorado do que antes.

— Eu senti uma perturbação no portão final e por esse motivo eu desci para essa sede com o intuito de averiguar.

O líder B se assustou (mesmo não sabendo como era seu rosto.).

— Será que...

9.1 — Gruta (ou o que restou dela)

O portão final como era conhecido estavam completamente abertos, todos os selos quebrados e o salão enorme dentro daquela entrada estava completamente vazio, o líder B completamente assustado caiu de joelhos no chão.

— Isso é uma calamidade, como pudemos ser tão irresponsáveis.

— Era de se imaginar que isso acontecesse vocês estavam tão ocupados tentando reparar os danos que não perceberam quando ele saiu.

— Mas isso não vai ficar assim, madame, eu irei providenciar um time em busca do prisioneiro do portão final imediatamente.

— Não precisa ser tão inteligente ao perceber que meu irmão está junto com os agentes desconhecidos.

— Mas o que?

O agente seis desceu pela escada improvisada para relatar um ocorrido.

— O prisioneiro da cela quarenta e dois escapou senhor.

O líder sentiu um baque da noticia e se apoiou na parede para não desmaiar.

— Essa é a pior crise que a sede já presenciou.

— Não precisa de tanto exagero líder B, no meu comando vocês irão resolver isso imediatamente.

— Seu comando? — Indagou o líder B. — Nós seremos depostos?

— É temporário, e não se preocupe com os criminosos Dezesseis e Trintacinco, aposto que meu filho vai tomar conta disso também.

9.2 — Universo desconhecido não catalogado, caverna.

Aos poucos Gabriel começa a despertar, vê uma silhueta de perto e imagina que poderia estar no céu sendo cuidado por anjos, até que sua visão começa a ficar mais apurado e ele percebe ser uma pessoa com um crânio de um animal morto na cabeça, no desespero ela começa a gritar e se debater derrubando o prato improvisado de coco com a colher de madeira no chão.

— Para de gritar seu idiota, eu to morrendo de dor de cabeça. — resmungou Isabella que estava na cama ao lado.

— Onde eu estou. — Disse Gabriel confuso.

O homem que estava cuidando-o acalmou, tirou o crânio da cabeça e se apresentou.

— Oi, meu nome é.

— Esther? Que você tá fazendo aqui?

— Nossa você adivinhou meu nome, isso foi muito maneiro. — Disse Esther com sorriso no rosto.

— Ele é uma anomalia multiversal Gabriel, esse “Esther” tá em toda parte.

— Isso é muito bizarro.

— Concordo principalmente o dia que você me amarrou com as cordas apertadas.

— Eles também compartilham experiências entre eles no multiverso. — Completou Isabella. — Eu conheci um Esther versão robô no 616,em uma missão.

— Entendo, obrigado Esther por me salvar.

— Que nada, é um prazer sempre ajudar vocês.

Ele então se retirou do quarto.

— Não acredito que estamos vivos! — Disse Gabriel aliviado.

— Sim, verdade... — Concordou Isabella. — Nós precisamos sair daqui antes que aqueles canibais nos achem.

— Concordo.

Gabriel tateou os bolsos e nada do dispositivo.

— Onde está o abridor de portais?

No meio da escuridão do quarto um vulto de uma criança se apresenta, é o número dois segurando o dispositivo na mão.

— Está procurando isso?

— Porque tem uma criança com uma roupa da sede aqui? — Indagou Gabriel confuso.

Isabella não pensou duas vezes, sacou o chicote de plasma e pegou o dispositivo da mão do Dois, depois pegou o Gabriel pela mão e o puxou para longe do quarto.

— Como odeio gente insubordinada, Vintedois, Cinquentasete e oito, vão atrás dele.

— Enquanto você? — Indagou Oito.

— Vou cuidar da anomalia do multiverso.

Gabriel e Isabella correram longe da caverna ate onde seu pulmão poderia aguentar, ele ainda sentia o efeito das drogas no corpo e logo começou a diminuir o ritmo.

— Não da pra gente fugir, de alguma forma ele encontrou a gente. — Disse Gabriel ofegante.

— E o que faremos?

— Vamos ter que entrar em confronto.

— O que? Não, você nem está armado, nós temos apenas esse chicote.

— Eu ainda tenho aquelas esferas de impactos.

— Quantos?

— Apenas mais um.

— Que ótimo, vamos morrer.

— Mas se eles nos encontraram tão facilmente quer dizer que eles têm nossa localização precisa, eles estão usando dispositivos mais avançados.

— E o que faremos?

— Bem, tem um motivo desses dispositivos não estarem protocolados, que é a durabilidade dele.

— Ou seja?

— Se viajarmos demais pode danificar o dispositivo e podemos ficar preso em algum universo, se ficarmos escapando que nem doido agora não posso garantir que se pararmos em outro universo eles nos achem e capturem.

— E por qual motivo você quer entrar em confronto com eles?

— Pra tomar os dispositivos deles, como reserva.

Isabella pensou bem na possibilidade, mas sabia que eram impossíveis, eles estavam enfrentando praticamente quatro agentes bem armados.

— Vamos precisar montar armadilhas.

9.3 — Ainda na caverna.

Dois seguiu o rastro de Esther até finalmente chegar a um painel tecnológico completamente avulso daquele tempo, enquanto ele admirava aquele lugar, Esther finalmente surgiu das sombras e o agarrou pelo pescoço.

— Não foi morrer de novo Damian (gritou Esther).

— Interessante, eu gostei da referência.

A criança começou a flutuar e com um sinal na garganta o pescoço de Esther foi quebrado e ele caiu no chão sem vida.

— Odeio usar meus poderes, mas não tenho muito tempo.

9.4 — Floresta Densa.

Vintedois e Cinquentasete seguiam pela floresta densa quando acabaram se encontrando com uma tribo de reptiliano sem querer, o líder que vestia um crânio de um animal na cabeça urrou um grito de guerra e todos foram na frente dele, Vintedois disparou dois tiros em dois reptilianos que tombaram no chão e os outros pararam pelo aviso.

— Parece que eles não conhecem tecnologia. — Comentou Vintedois apontando a arma contra eles.

— Não podemos perder tempo com eles, vamos embora.

Em cima de uma copa de árvore, Trintacinco com seu chicote arremessou contra Vintedois, agarrou seu revolver e puxou para si, deu um sorriso de triunfo e saiu se pendurando entre as árvores. Cinquentasete era o único armado agora, mas não foi o suficiente, enquanto atirava contra os reptilianos ele foi logo agarrado por um e imobilizados pelo grupo, Vintedois conseguiu escapar e correu em direção a Trintacinco que se pendurava entre as arvores.

Oito se separou dos outros dois, pois de longe ele havia visto Dezesseis pegar um caminho oposto, ele olhou em todas as direções, mas não esperava ser surpreendido pelo meliante que pulou de uma arvore e agarrou o pescoço dele, em um reflexo assustador, Oito agarrou-o pelo colarinho e o jogou no chão.

Se levantando por conta da adrenalina, Dezesseis só teve tempo de pegar um tronco de arvore morto no chão para se defender de um disparo de energia da nova vestimenta do Oito, mas foi tão forte que o arremessou em direção a uma copa de árvore.

Sem fôlego ele novamente se levantou e ficou em modo de ataque.

— Essa vestimenta nova é interessante.

— A sim, foi feito para destruir você.

Oito deu um soco de energia cinética, mas Dezesseis por um instante desviou, atingiu a copa de árvore que quebrou e ela tombou abruptamente levantando uma poeira de pólen para todo lado.

— Você não era assim cara, o que aconteceu com você?

— Eu é que pergunto você acha que pode fazer o que bem entender e não se responsabilizar por isso? Pessoas morreram Dezesseis e é por sua culpa.

— Eu sei disso e eu lamento muito, mas antes de ser condenado eu quero descobrir a verdade.

— Que verdade? — Indagou Oito aplicando dois socos diretos contra Dezesseis que desviou. — A única verdade é que você se tornou um inimigo da associação e precisa ser eliminado.

— O Oito que eu conheço não tentaria matar seus companheiros, tentaria a todo custo entender o que está acontecendo.

— E quando foi que você tentou entender uma pessoa heim? Sempre com seu entusiasmo estúpido, nunca se importou se as pessoas a sua volta não tivessem com animo para nada.

Aquelas palavras atingiram Dezesseis que por um instante se desconcentrou, um soco de energia atingiu sua barriga que o fez perder o ar, outro chute no queixo deixou-o tonto e mais um soco no peito o arremessou pra longe finalizando o combo que levaria ao primeiro nocaute.

No outro lado da floresta Trintacinco pulava de galho em galho quando Vintedois enraivecido cortava o terreno como se a fúria fosse a sua energia.

— Eu vou ti matar sua filha da puta. — Gritou Vintedois.

Trintacinco desceu da copa da árvore e apontou a arma contra Vintedois, que não parecia diminuir a velocidade.

Ela agarrou Trintacinco e ambas foram rolando ladeira abaixo até finalmente cair em uma nascente de água, Vintedois tentou dar um soco em Trintacinco, mas ela foi mais ágil e aplicou uma cabeçada antes.

— Ainda ousa resistir sua assassina.

— Eu não matei ninguém.

— Meu irmão, se não fosse sua imprudência meu irmão estaria vivo.

— Eu sinto muito mesmo, mas não impute a covardia do seu irmão com os meus erros, mesmo que eu não fizesse nada ele iria morrer mais cedo ou mais tarde.

Os olhos da Vintedois lacrimejaram, os dentes cerrados apresentavam uma fúria já mais vista.

— Eu vou ti matar. — Rosnou Vintedois.

— Desculpa, não era minha intenção.

Ela pulou como um animal feroz e começou a bater descontroladamente, Trintacinco a todo custo defendia com os braços na frente de socos enraivecidos de sua colega, assim ela aproveitou uma brecha para botar o pé na barriga de sua oponente e jogá-la longe.

Trintacinco se levantou rapidamente e apontou a arma contra ela.

— Vai em frente e me mata.

— Para de idiotice, óbvio que não farei isso.

Ela jogou a arma na nascente de água que desceu para o horizonte.

— Ele era tudo que eu tinha.

— Eu sei e sinto muito mesmo, eu também perdi alguém importante, então pelo nome dessa pessoa, por favor, me deixe ir.

— É uma piada? Você só pode estar brincando.

Numero Dois surgiu no meio das duas flutuando em sua sombrinha clássica completamente descontente.

— Vintedois, eu deixei bem claro para matá-la a todo custo.

— Não, mesmo que eu queira, eu quero que ela seja presa e pague pelo que fez, a morte dela não será o bastante.

Dois olhou para ela furioso, ergueu as mãos e ela começou a flutuar, seu pescoço apertou e ela sentiu falta de ar.

— Como odeio insubordinação.

— Mas que merda é você? — Gritou Trintacinco.

— É por isso que odeio mostrar meus poderes.

Trintacinco pegou uma pedra e arremessou no Dois que a parou no ar telepaticamente.

— Isso não vai funcionar.

Vintedois aproveitando a falta de atenção de Dois aplicou um chute no rosto fazendo com que ele a largasse e ela caísse no chão, Trintacinco aproveitou a deixa e fugiu dali.

Dezesseis levantou com dificuldade enquanto Oito assistia de longe.

— Apenas caia e morra, já não aguento mais ti perseguir.

— Oito, trabalhamos por muito tempo, não é possível que não haja nada de empatia em você cara!

— Eu só estou seguindo ordens.

— Mas tá errado, a gente tem que sempre questionar.

— Então Oito, já acabou com ele? — Indagou dois surgindo flutuando com sua sombrinha, mas com um arranhão na sobrancelha direita.

— Onde está Vintedois e Cinquentasete?

— Morreram, eu matei por insubordinação.

— Viu só! — Retrucou Dezesseis. — Eles não pensam duas vezes antes de matar seus companheiros.

— É você tem razão, quem é insubordinado não merece a associação.

— Mas que droga Oito, eu achei que você fosse melhor.

Oito tirou do bolso o dispositivo de portal, agarrou Dois e olhou para o Dezesseis.

— Cuida da Trintacinco por mim.

— Eu exijo explicações. — Reclamou Dois enquanto se debatia.

— Oito! Não!

— Não se preocupa, vou dar um corretivo nessa criança e logo encontro com vocês.

O portal se abriu e os dois caíram junto, Dezesseis gritou para que ele não fosse, mas já era tarde demais.

Trintacinco surgiu no meio da floresta exausta, ela encontrou o Dezesseis e perguntou.

— Onde está o oito?

— Ele se foi.

— Não!

Dezesseis ficou de joelho no chão inconformado, quando viu algo brilhante no chão, era outro dispositivo de portal, o qual ele lutou para pegar para utilizar como reserva.

9.5 — Área 3123, catalogada, armazém.

Dois olhava para o céu estrelado fora do armazém enquanto Oito se levantava do baque.

— Deste quando você sabia que meus braços era a chave de minha telepatia.

— Eu não sabia. Você era tão pequeno que um abraço já ti imobilizou.

— Hilário, e então, qual o motivo dessa insubordinação?

— Eu sei lá. — Oito tirou um revolver do bolso. — Já que sua mãe não ti deu educação, vou aplicar uns corretivos na base de porrada para ver se você respeita os mais velhos.

— Interessante, mostre-me mais de sua traição, Oito.