Notas iniciais
Tintra e Cinco e Dezesseis tomam rumos diferente de Linhas paralelas enquanto os agentes do desconhecido bolam um novo contra ataque, será que a associação sobreviverá?

7.0 — A sede da aliança ( ou o que restou).

Em um salão improvisado desprovido de teto o líder A no palanque junto com os restos dos agentes após o ataque dos agentes desconhecidos proferiu elogios para o empenho de ter eliminado o inimigo, ele anunciou as estatísticas nada animadoras, onde de trinta agentes, nove tinham sido mortos sendo Sessentacinco que morreu amaldiçoando a todos os seus companheiros e o Vintecinco que morreu após os inimigos encontraram em baixo da mesa do refeitório se borrando de medo.

Logo após os anúncios de baixas ele finalmente anunciou o motivo dos agentes desconhecidos terem encontrado, dois agentes, Dezesseis e Trintacinco emitiram um sinal que revelou a localização da sede para o inimigo e assim ele anunciou para que os dois fossem encontrados e punidos como traidores, Oito assistindo o discurso não conseguia acreditar.

7.1 — Sala do líder A.

Oito sem entender aquele discurso sobre traidores decidiu tirar as dúvidas com o próprio líder À na sala dele, dentro da sala que consistia em uma mesa de madeira extensa tomada por um computador, além de prancheta e arquivos esparramados nela além de esculturas de capacetes e máscaras esquisitas ao redor da sala, prateleiras com livros e arquivos nas paredes.

O líder A permanecia na poltrona pensativo (mesmo não tendo como saber que tipo de expressão mostrava por conta da máscara no rosto) além de uma touca em forma de cone na cabeça.

— Pode entrar oito, vejo que você tem muitas dúvidas.

— Sim chefe, é sobre Dezesseis e Trintacinco.

— Ah, o Dezesseis, eu já tinha visto seus registros, você passou um tempo trabalhando com ele.

— Sim, pelo tempo que trabalhei com ele não acredito que ele possa trair a sede.

— É o que quero acreditar também. — Sua inquietação o obriga sair da poltrona. — Mas infelizmente as evidências apresentadas pela equipe de inteligência mostram ao contrário.

— Eu acredito que tenha um bom motivo para isso, principalmente porque a Trintacinco foi capturada pelos agentes desconhecidos.

— Que por ventura pode ter feito uma lavagem cerebral dela e ter de alguma forma convencido o Dezesseis de colaborar, isso se ela não estiver usando-o como refém.

— Eu acredito que tem mais haver com a Sete.

— Sete? — O tom de voz apresentava interesse pelo agente. — Conte-me mais.

— Antes do incidente os dois estavam pesquisando registros sobre o desaparecimento e morte da Sete, é isso o que acredito.

— Bem, isso é improvável de acreditar já que a Sete está morta e posso garantir que ela nunca teve ligação com os agentes do desconhecido.

— Entendo então me deixe à missão de encontrá-lo, quero tirar essa dúvida por conta própria e prometo trazer os dois até você.

— Você tem ideia de onde eles possam estar?

— Não, mas é apenas intuição.

7.2 — Terra, Universo não catalogado pelas linhas paralelas. (duas semanas depois)

Uma mercearia comum um jovem com franjas trabalhava tranquilamente atendendo um cliente em uma cidade pacata.

— foram treze e cinquenta e oito.

O cliente então começou a procurar em sua carteira moedas para facilitar o troco.

— Você tem troco para vinte?

— Acredito que não.

— Entendo. — Ele voltou a fuçar na carteira até achar uma moeda de cinquenta centavos.

— Está certo então. — ele abriu a caixa registradora e trocou o dinheiro para ele. — Está aqui tudo certo, volte sempre.

No fim da tarde o garoto foi incumbido em fechar a loja, no caminho de casa ele passou pela casa do dono da loja onde depositou na caixa de correio a chave e seguiu em diante com sua bicicleta enferrujada no qual ele comprou pela metade do preço.

Ao chegar ao apartamento alugado ele deposita a sacola de compras na mesa da sala e tirou os sapatos apertados deixando-o de lado para ele finalmente se acomodar no sofá.

— Isabella? — Indagou o garoto que logo se levantou para procurá-la. — Cheguei.

Isabella encarava a janela pensativa quando o garoto se aproximou.

— O que foi? Eu trouxe comida.

— Você acha que ele pode nos encontrar Dezesseis?

— Mas é claro que não tem mais de um milhão de universos catalogados e esse aqui está fora da jurisdição de linhas paralelas porque raramente criaturas de outros universos invadem esse lugar, e, aliás, meu nome nesse universo é Gabriel, não Dezesseis.

— Mas mesmo assim, é só questão de tempo para ele nos achar, eles podem mandar uma força tarefa para cada universo.

— Isabella. — Gabriel pegou nos ombros dela e olhou nos olhos. — Isso pode demorar dias, semanas e até anos, e quando eles finalmente estiverem aqui nós estaremos em outro universo.

— Então é isso? Nós passaremos os restos de nossas vidas fugindo? Que vida horrível de se imaginar.

Gabriel respirou fundo, realmente viver daquela forma não era o ideal.

— Não podemos fazer nada para impedir isso, mas veja pelo lado bom, poderemos conhecer um monte de universos não catalogados daqui pra frente.

— Era só o que me faltava.

— Ah qual é, muitas pessoas gostariam de viver uma vida de aventuras conhecendo lugares incríveis, somos privilegiados porque não iremos conhecer apenas países ou planetas, e sim universos, nós iremos morrer sem nem conhecer um terço, é praticamente uma jornada ao desconhecido.

— Não tente me animar tá legal, estamos muito enrascados. — Disse Isabella que se dirigiu até a sala e começou a mexer na sacola de compras.

De repente a campainha tocou e ambos olharam temerosos para a porta.

— Será que são eles? — Indagou Isabella assustada.

— Deve ser só a sindica, deve ter se irritado com nossa discussão acalorada.

Gabriel abriu um pouco a porta até que a silhueta revelou ser o Oito, com um sorriso estampado no rosto.

— Há quanto tempo velho amigo. — ironizou Oito.

— Não queremos comprar nada. — Respondeu Gabriel que tentou fechar a porta, mas a mão de Oito impediu.

— Isso vai doer mais em você do que em mim.

— O que? Isso nem é a frase correta.

Com um estouro Gabriel foi arremessado contra parede, Oito tirou os restos da porta e jogou no chão, Isabella tirou de sua cintura o chicote que ao acionar o botão se tornou de plasma e amarrou o braço direito de Oito, veias de energia pura começaram a brotar na manga da roupa do Oito e se alastrou por todo corpo.

— Obrigado pela energia. — Oito puxou o chicote que fez com que Isabella se aproximasse, agarrou o pescoço dela e depois bateu no chão, o estouro cinético fez com que a sala desmoronasse fazendo com que ela caísse sobre os escombros, Oito rapidamente pegou o chicote dela, mas foi logo impedido pelo Gabriel.

— Larga ela. — Gritou Gabriel, mas levou um murro no peito, o estouro cinético jogou-o para janela, Oito então arremessou o chicote que amarrou na perna dele e com o efeito pendulo o bateu contra a janela do primeiro andar.

Isabella sem fôlego tentava se levantar com o impacto quando presenciou a queda de Oito, ele estava disposto a matar os dois, ela desviou do impacto causado pela pisada de Oito, mas não esperava um chute certeiro espalhando energia cinética e arremessando ela contra a cozinha.

A senhora que morava naquele apartamento olhou para toda aquela bagunça e desmaiou logo em seguida.

— Como... Ousa... Machucar... A... Senhora... Cleuza. — Disse Gabriel interrompendo-se para carregar um pouco mais de fôlego.

— Escutam seus idiotas, eu não quero matá-los.

— É, mas não parece. — Disse Isabella saindo do que era um dia uma cozinha.

— Apenas quero alertá-los de que se vocês recusarem minha proposta vai ser dez vezes pior com que eu fiz agora.

— Tipo o que, derrubar um prédio?

— Olha, não é uma má ideia.

— O que você quer? — Indagou Isabella tentando tomar o fôlego.

— Quero que vocês se rendam. O Líder A prometeu que não vai mandar vocês pra morte, vocês serão interrogados, irão dizer tudo que sabem e quem sabe suas penas serão reduzidas, mas não garanto nada.

— E se recusarmos? — Retrucou Gabriel que ainda estava de cabeça pra baixo na janela.

— Aí vocês morreram, e será uma morte dolorosa e sanguinária que vocês desejaram estar no inferno.

Ambos ficaram pensativos.

— Olha, até que não é uma má ideia. — comentou Gabriel.

7.3 — Terra, universo não catalogado, parque central.

Oito arremessou o disco que brotou um portal oval que tinha ligação até a sede, Isabella completamente suja de escombros e ferida junto com Gabriel na mesma situação deram um passo a frente.

— O que estão esperando? Vão logo.

— Uma pergunta, você disse que o ataque foi neutralizado, quantas pessoas morreram?

— Dos que você conhece, Vintecinco e Sessentacinco foram duas das vitimas.

Isabella pôs a mão na boca e segurou firme para não chorar, Gabriel apresentou um olhar de desapontamento consigo mesmo e deu mais um passo para frente.

— Faz sentido sermos acusados.

Na mão direita de Gabriel que ele escondia atrás das costas (fingindo como se tivesse com a mão no lombar), havia o disco que eles usaram para ir naquele universo catalogado, ele pressionou com o dedo polegar e logo atrás dele um portal surgiu assim rapidamente ele empurrou Oito para o portal dele e Isabella para dentro do portal que ele havia criado.

Oito rapidamente saíram do primeiro portal e pulou para agarrar Gabriel, mas os três logo caíram no universo aleatório, no qual pousaram em cima de um trem em movimento.

Gabriel chutou o rosto de Oito que ainda insistia em agarrá-lo e os dois correram para o próximo vagão, ao encontrar a entrada logo pulou lá dentro.

— Mas que merda Dezesseis. — Gritou Oito dando um soco no teto do vagão. — Não dificulte as coisas, porra.

7.4 — Trem em movimento, universo desconhecido e não catalogado.

— Onde será que estamos?

— Deve ser algum universo que não houve uma nova revolução industrial, logo as maquinas a vapor continuaram sendo usados.

Cada um tinha pegado uma poltrona avulsa, Gabriel sentou na poltrona perto da porta na frente, enquanto Isabella sentou na poltrona no fundo do vagão.

Oito furioso entrou no vagão onde os dois se encontravam.

— Eu já to de saco cheio desse pique esconde, ou vocês vêm comigo ou explodo esse trem de uma vez.

— Não precisa fazer isso. — Gritou Isabella que se levantou.

— Ora, só falta mais um.

— Exatamente. — Disse Gabriel que apareceu atrás dele.

— Nem tente nenhuma gracinha ou... — Oito ameaçou a bater palmas.

Gabriel olhou para Isabella no fundo do vagão que assentiu pra ele, sendo assim ele tirou uma esfera que foi um protótipo do Treze no trabalho de absorção de impactos e arremessou em um timing perfeito contra Oito, pois no instante que ele ia bater palmas a esfera entrou em curso da colisão entre as duas mãos.

A esfera em si já tinha energia guardada então só bastou o impacto das duas mãos na mesma para emitir um estouro jogando-o na lateral do trem ocasionando um descarrilamento do vagão, Gabriel segurou a mão de Isabella, acionou o dispositivo de portal e ambos pularam para um destino desconhecido antes de caírem montanha abaixo.

7.5 — Universa não catalogada área desconhecida.

Gabriel despertou assustado ao ver que estava cercada de árvores gigantescas, Isabella estava em seu lado completamente desorientada, ao se levantar notou que o dispositivo de viagem estava na sua mão, ele logo colocou em seu bolso.

— Onde estamos? — Indagou Gabriel assustado.

— Eu não sei. — Isabella pôs a mão em sua cabeça, a queda ocasionou em um pequeno galo no canto de sua cabeça onde o mais leve encosto lhe causava dor.

— Desculpa pelo baque.

— Tudo bem, o que importa que nós estejamos vivos.

Os dois olharam em volta completamente perdido.

— Que universo será esse?

— Talvez um onde não se tivesse evolução de vida inteligente.

— Tipo, dinossauros não foram extintos?

— Pode ser.

Eles andaram um pouco, mas quanto mais caminhavam mais eram dragados pela floresta desconhecida que os assombravam, de longe eles podiam ouvir não o chiado ocasionado pelo vento que serpenteava as copas das árvores e sim:

— Isso é tambor? Ou é fruto de minha cabeça lesionada? — Indagou Isabella.

— Não, eu também estou ouvindo.

Quanto mais eles caminhavam mais a batida do tambor se tornava audível e próximo, como se uma tribo nômade estivesse próxima a eles.

Ao passar por uma plantação densa eles acabaram encontrando a origem daquele barulho.

Eram reptilianos, ou humanos bípedes com chifres e uma pele escamosa esverdeada, no meio deles havia alguém que vestia um crânio de algum animal segurando uma lança de unha de algum animal improvisado.

A pessoa do centro interrompeu a dança de sua trupe e caminhou em direção aos viajantes que não souberam se esconder muito bem.

Isabella e Gabriel espontaneamente levantaram os braços sinalizando rendição.

— Nossa, uma tribo reptiliana, fala sério você nunca imaginaria que iríamos encontrar isso em nossa jornada para o desconhecido.

— Cala sua boca Dezesseis, por favor. — Disse Isabella com dentes cerrados.