Linha do Tempo

9 9 - Era uma vez uma prisioneira


— Minha casa.

— Você está louco?! — Davi perguntou. — A Karen não vai à casa de um estranho!

Nao o olhou com paciência.

— E é por isso mesmo. — Disse ele. — Minha casa seria o último lugar em que eles procurariam.

Eu não via problemas em aceitar a oferta de Nao, mas Davi não queria por alguma razão.

Demorou, mas conseguimos convencê-lo a aceitar a ideia.

Davi iria ficar me olhando, uma espécie de protetor à distância. Eu me sentia desconfortável com tudo aquilo. Já era ruim ter que sair de sua própria casa e ir para a de um desconhecido, agora une isso ao fato de nem poder sair para passear.

Eu tive que me afastar de tudo e de todos. Segundo Nao e Davi, aquilo iria afastar meu rastro dos caçadores... Mas não vou negar que continuava a ser estranho.

Duas semanas se passaram e eu já estava ficando com tédio. Só podia ir do quarto ao banheiro e do banheiro ao quarto. Sinceramente, eu parecia mais uma prisioneira que uma protegida. De vez em quando, Nao e Davi apareciam para me fazer companhia, mas não ficavam muito tempo.

Durante esse período, aprendi a ficar ao lado de Argos e ele não saía mais de perto de mim.

— Estou cansada disso tudo! — Disse eu, enquanto me jogava na cama de Nao. — É horrível!

Bufei. Argos se aproximou e lambeu meus pés, na tentativa de me animar. Em vão.

Olhei para o teto e fiquei pensando em qualquer coisa que me vinha na mente... Até que minha mente me levou aos meus amigos e à minha escola. Foi aí que percebi que sentia saudade de tudo.

Em uma conversa com Davi, ele havia dito que simplesmente não contou para ninguém onde eu estava ou o que havia acontecido. Pensei em como Kise estaria preocupado. Eu precisava vê-los... E Bruno? Como ele estaria?

Levantei decidida, peguei um dos casacos de Nao e o vesti. O casaco era grande o suficiente para me cobrir até a metade da coxa e o capuz só ajudou. Deixei tudo no quarto dele e, quando ia escapando pela janela, Argos latiu, me denunciando.

— Argos! — Sussurrei. — De que lado você está?!

Entrei no quarto novamente e o cachorro se acalmou.

— Você é um cachorro estranho, Argos! — Disse eu. — No começo tentava me alegrar e, agora que posso ficar feliz, você me impede disso!

Ele me olhou e virou a cabeça para o lado. Em seguida, foi até mim e abaixou a cabeça para os meus pés. Eu, finalmente, entendi o que ele queria.

Olhei ao redor e encontrei a guia. Coloquei nele e desci as escadas devagar, atenta para que nem Nao e nem sua mãe me ouvissem.

Por fim, consegui sair do quarto e, sem perder tempo, saí da casa de Nao.