Linha do Tempo
10 10 - Nem tudo é o que parece - Parte 1
Por fim, consegui sair do quarto e, sem perder tempo, saí da casa de Nao.
Pode parecer exagero, mas nunca estive tão feliz quanto na vez em que saí da casa de Nao. Argos me puxava enquanto caminhávamos para algum parque. Eu olhava as ruas e me sentia alegre por ter feito aquilo.
Cheguei no parque e me sentei em um banco. Argos deitou em meus pés e eu acariciei seus pelos. Até que senti um arrepio percorrer minha espinha.
Olhei para frente e vi uma criança. Um menino de no mínimo 07 anos, vestido com um casaco preto com capuz. Ele me olhava atentamente e eu me senti um tanto desconfortável.
— Argos... O que acha de andar um pouco? — disse eu, me levantando.
Argos acompanhou meus movimentos e saiu andando.
Conforme ia andando, me sentia cada vez mais insegura. Tinha medo de olhar para trás, mas tinha certeza de que o garoto ainda me seguia.
Fiquei tão perdida nesses pensamentos que nem tinha notado quando entrei em um beco sem saída. Tomei um susto quando me encontrei com a parede.
— Mas...
— Por que está correndo? — Ouvi a voz de um menino.
Me virei e vi o mesmo garoto de antes. Segurei firme a guia de Argos enquanto o cachorro latia para o garoto.
— Eu só quero conversar com você — sua voz era calma. Conforme falava, ele avançava. — Vamos, quero te mostrar algo.
Eu recuei até bater na parede. Vi seu dedo e percebi que tinha a mesma tatuagem de Bruno e Nao. Era um viajante dimensional.
Ele percebeu isso.
— Está tudo bem. Se eu te machucar, basta voltar no tempo... E você ficará bem.
Mesmo que eu voltasse no tempo, nada mais seria que uma sombra, que somente os viajantes e conselheiros poderiam sentir minha presença. Algo dentro de mim me fez agir na mesma hora.
Saí correndo e derrubei o garoto no chão. Não tinha certeza para onde iria, só sabia que estava correndo.
Corri até a guia de Argos ser puxada de minha mão. Me virei assustada e respirei fundo quando vi a face de Nao. Ele estava bravo.
— Nao! Graças a...
— O que te deu na cabeça?! — Sua voz estava nervosa. — Por que saiu da minha casa sem dizer uma única palavra?!
Eu recuei, assustada. Nao estava com os punhos cerrados, parecia ser capaz de me bater a qualquer hora.
— N-nao...
— Karen, por que não me avisou, pelo menos?
— Você e Davi...
Ele abriu a boca para falar alguma coisa, mas uma risada o interrompeu. Nao se virou e o que vimos realmente mexeu comigo.
— Isso sim é o que eu chamo de sorte. — Karo sorria ao lado do menino. — Saí para dar uma volta e dou de cara com Karen e Nao Mitsu.
Nao me empurrou para trás e Argos começou a latir. Os olhos dos dois se encontraram e pude ver faíscas saindo destes.
Nao segurou minha mão e começou a correr na direção contrária de Karo. Não adiantou muito.
Eu sentia meu coração bater cada vez mais rápido. Podia até mesmo ouvi-lo. Aquilo me assustava.
Automaticamente, minhas pernas pararam e eu caí no chão, ofegante. Nao se virou para mim prestes a me dar uma bronca, mas assim que olhei para ele, ele percebeu que eu já tinha chegado ao meu limite. Se aproximou e me apoiou em seus ombros.
— Da próxima vez... — Ele sussurrou, enquanto passava meu braço por seu pescoço. — Não saia da minha vista.
Assenti e ele começou a andar, mas bastou dar um passo e Karo apareceu à nossa frente. Ele estava mais sério que antes e seu corpo, mais rígido.
— Não adianta continuar com essa briga de cão e gato. — Disse ele. — Se não quiser que mais pessoas se machuquem, venha comigo, Karen.
Eu o olhei, com a respiração ainda acelerada.
Ele não pode estar pedindo isso... Pensei.
No entanto, Karo parecia muito seguro do que estava falando. Ele me estendeu a mão e me olhou nos olhos com seu olhar confiante de sempre.
— Se quer mesmo ver o que está acontecendo... — disse ele. — Venha comigo, eu te mostro.
Nao me segurou mais firme e encarou Karo com ira nos olhos.
— Se você for com ele, Karen — disse ele -, eu juro que esqueço que um dia nos conhecemos.
— Não vou te machucar, Karen. — Karo Haru parecia sincero nessas palavras. Mas não sabia se devia ou não acreditar nelas. — Pode confiar em mim.
Antes que pudesse sequer pensar com clareza, Karo se adiantou até mim. Nao tentou desaparecer comigo, me levar para outro lugar, mas o caçador foi mais rápido. Assim que Mitsu estava quase sumindo comigo, Karo me pegou pelo braço e desapareceu.
— Vou te mostrar a verdade, Karen. — Karo sussurrou em meu ouvido, enquanto estávamos na completa escuridão. — Vou te mostrar que não se deve confiar em ninguém.
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