Linha do Tempo
6 6 - Sem ter para onde correr
— Karen! O que aconteceu?
Tudo ficou preto ao meu redor e senti meu corpo perder a força nos braços de Bruno.
Não sei quanto tempo levou até que, finalmente, acordasse. Olhei ao redor e percebi que estava no meu quarto, com Bruno e Nana ao meu lado.
— Tudo bem, querida? — Nana perguntou.
— Sim, só... Fiquei exausta — menti.
Não queria que Nana ficasse preocupada comigo, pelo menos, não desnecessariamente.
Pedi para que minha vó me deixasse sozinha com Bruno por alguns instantes. Ela hesitou um pouco, mas logo concordou e se retirou.
Bruno me olhou atentamente.
— Karen, o que aconteceu de verdade?
Contei a Bruno o meu encontro com Karo Haru. Ele logo ficou distante. Era estranho ver aquilo em Bruno. Geralmente, ele se comunicava muito comigo.
— Bruno, o que está acontecendo? — Perguntei.
Ele não me respondeu, ao contrário, ignorou minha pergunta e saiu, dizendo que precisava ver uma coisa.
Tentei chamá-lo, mas já era tarde demais. Bufei, aborrecida. Não podia acreditar que ele tinha me ignorado.
Levantei, precisava falar com alguém, qualquer um. Caminhei até o guarda-roupa e abri a porta dele.
Um som vindo da cozinha me chamou atenção. Desci as escadas devagar.
— Nana? — Chamei minha vó, sem respostas.
Um medo se formou na minha garganta. Será que havia acontecido algo com Nana?
Desci o último degrau e alguém me puxou por trás e tampou minha boca. Tentei me soltar, mas a pessoa só me apertou mais.
— Karen, sou eu. — Kise sussurrou.
Olhei para trás e o vi. Suspirei.
— Kise? O que faz aqui?
— Longa história.
Ia pedir para ele me contar, mas um som nos chamou a atenção. Kise foi na frente, caminhando lentamente até a cozinha.
Chegamos na porta e Kise olhou para dentro. Sua expressão mudou repentinamente, de curiosa para horripilante.
Assim que vi a cena dentro da cozinha, senti meu corpo falhar. Nana estava caída no chão, com os pescoços roxos, como se tivesse sido estrangulada até a morte. Tentei segurar as lágrimas, mas algumas já caíam.
Havia um papel em tons pastéis no chão ao lado do corpo dela. Kise tomou coragem e caminhou até ele. Kise leu o papel e franziu o cenho.
— O que... está escrito? — Perguntei.
Ele me olhou e caminhou até mim. Eu li o papel, e, pela primeira vez, desejei não ter feito algo. Tudo o que estava escrito eram duas frases em inglês:
The hunt is open.
There's no way to run.
Senti algo horrível pela garganta, algo me dizia que aquilo se referia a mim. Olhei novamente o corpo de Nana e senti minhas pernas falharem.
Kise me segurou, antes que eu caísse.
— Vai ficar tudo bem. — Ele dizia. — Você vai ver.
Ele me abraço e afagou meus cabelos. Senti confiança em Kise. Confiança que me fez me abrir e chorar.
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