Notas iniciais
Oi meus amores lindos e cheirosoooos! Como vocês estão nessa noite de domingo para segunda? Espero que bem, hehehehe... Consegui voltar no dia certo para postar, mas quase não deu tempo! Morri de digitar hoje, até me atacou a tendinite :PPP Bem, antes de falar sobre o capítulo em si, quero dizer que estou MUITO feliz pelos e-mails que recebi no decorrer da semana! Cara, vocês não tem noção do quanto estou empolgada com isso tudo /o/ Ah, mas só para avisar... Anônimos também podem me enviar e-mail para receber a cartinha, viu!!! É um agradecimento para TODOS os que estão lendo minha história xD Faço isso de coração! ~ vou deixar meu e-mail ali novamente, para quem não enviou ainda xD Enfim, sem enrolar muito mais... Esse é um capítulo CHEIO de diálogos (que medo de ter se tornado chato por causa disso :O) e acredito que está bem intenso! Espero que gostem... Está cada vez mais promissor, hehehehe! Boa leitura meus anjos, vejo vocês lá em baixo com as músicas do capítulo!

~Kagami Taiga~

O gosto amargo em sua boca ficou bem evidente assim que seus sentidos retornavam de leve ao seu corpo cansado. Suas costas doíam, seus lábios estavam bem secos e um frio inconveniente entrava pela janela aberta, levando sua pele a se arrepiar — provavelmente porque ainda vestia as roupas do basquete. No entanto, assim que Kagami abriu os olhos, uma nova quatia de incômodos apareceu, e não se resumiam apenas à sensações físicas.

A realidade era bem mais cruel do que o sono profundo e confortável no qual estava até agora. As lembranças o fizeram suspirar demoradamente, em uma tentativa falha de preencher os pulmões insuficientes. Ainda era sábado, provavelmente acabara dormindo no sofá assim que voltou da casa de Tatsuya, no início da tarde, porém agora o sol já se punha, deixando o ar gelado de início de primavera adentrar o apartamento completamente escuro.

Mesmo naquela penumbra, Taiga não sentiu o habitual medo. Sua cabeça estava cheia demais para se preocupar com suposições, espíritos ou monstros inexistentes. Era tudo uma questão de psicológico, e o seu não estava dos melhores naquela noite.

Intuitivamente, Kagami ergueu os dedos até seu pescoço, mas lembrou-se de que o anel que tanto estimava não estava mais lá. E provavelmente nunca mais estaria. Não havia mais motivos para carregar aquele simbolismo falso e unilateral para lá e para cá — afinal, 'nunca foram e nunca vão ser irmãos'. As palavras de Tatsuya foram bem duras e diretas. Ele não mentira uma única vez e isso magoava bastante, mesmo que Kagami não tivesse o direito de se sentir machucado.

O ruivo sabia que era o cara mais errado da história toda, fora o culpado por iniciar esse relacionamento que não tinha futuro, no entanto não esperava por aquilo tudo. Nunca esperava. Claro, tinha certeza absoluta de que Himuro se rebelaria, que ficaria verdadeiramente puto e se defenderia com unhas e dentes, mas não ao ponto de humilhá-lo e jogar no chão o símbolo de algo tão importante para ambos... Ou que talvez só tinha importância para Taiga.

Ou será que estava ali fazendo-se de coitado apenas como uma forma de amenizar sua própria culpa? Afinal, realmente era um burro, um ingênuo. Tatsuya não fora a primeira pessoa que jogara isso em sua cara, seja direta ou indiretamente... Ele não foi a primeira pessoa que desistiu de sua companhia porque estava cansado de seus fracassos como ser pensante. Era sua sina. Ficar sozinho, perder pessoas importantes por ser um 'mongol'. Ou talvez por ser otimista e bonzinho demais.

— Eu só me fodo... — Sussurrou, sentindo os olhos arderem mais uma vez naquele dia, porém agora faria diferente. Segurou o nó na garganta e respirou fundo. Estava cansado de chorar.

Aquele turbulhão de lágrimas não mudaria nada em sua vida idiota. Não tinha mais Tatsuya como irmão, Aomine jamais teve a intenção de se apaixonar, sua família não o dava a mínima. Agora era apenas Kagami Taiga, sozinho no apartamento escuro na companhia de uma bola de basquete sem vida. Era quase tranquilizador deduzir que não precisaria mais forçar situações ou pensar demais em como fazer outra pessoa feliz. Era confortável, mesmo quando encontrava-se estilhaçado por dentro.

Foram decepções e erros demais para um período curtíssimo de sua vida (cinco meses?). Estava realmente ferido em combate, como um soldado em uma guerra idiota, na qual ninguém sabe porque está lutando... Não havia honra nenhuma nisso. Era um retardado que não possuia a capacidade de fazer parte de um relacionamento, pois cometia uma cagada após a outra. Deveria ter ouvido sua mãe, deveria ter esperado até ser maduro o suficiente para conviver com decepções.

Passara tantos anos sem se preocupar com os assuntos do coração, não morreria se ficasse mais alguns no mesmo status. Essa fora a conclusão de Kagami.

Com um suspiro cansado, o ruivo desceu os dedos pela lateral do corpo e buscou o celular no bolso do calção. Queria ver o horário, mas o objeto não estava ali. O tato vazio o lembrou de que largara o aparelho próximo à porta, assim que chegara — no aparador azul, junto com a chave.

Taiga gostaria muito de conversar com Kuroko agora, pois o silêncio de seu apartamento era realmente barulhento. Isso sem falar que o amigo sempre tinha conselhos sábios que o davam conforto — e até mesmo uma certa esperança. Em contrapartida Kagami não queria mais aborrecê-lo com suas babaquices sentimentais e entediantes. Ele também o via como um mongol nesses assuntos afetivos, com toda a certeza... Ou quem sabe uma planária, dividido mais uma vez.

O pensamento fez Kagami sorrir, pesaroso, enquanto sentava-se, estalando o pescoço com um sutil e concentrado movimento para a direita. Dormira na pior posição possível e agora estava com um belo de um torcicolo. Sim, era exatamente isso que precisava para completar a noite, o dia, a semana, o mês, a vida.

— Saco... — Sussurrou, pressionando os dedos contra a pele da nuca, em uma tentativa fútil de dissipar a dor. Se fosse simples assim, poderia fazer uma massagem no peito e acabar com as pontadas em seu próprio coração.

Pronto, viraria um melancólico amargurado a partir de agora? Riu de si mesmo com desdém, levantando-se para ir até o aparador buscar o celular.

Antes de ter começado a inventar essas histórias de 'paixão', Kagami nunca sentira aquelas coisas ruins. Lembrava-se de quando era mais novo, das confusões sentimentais que teve com Tatsuya, a primeira decepção com a briga e a separação... E então veio Aomine, roubando-lhe tudo sem a menor cerimônia — coração, corpo e alma —, para depois simplesmente descartá-lo como um brinquedo velho... E novamente Tatsuya, o qual Taiga acabara enrolando por não ser capaz de mudar seus próprios sentimentos.

Era complicado demais, difícil demais, doloroso demais. As partes boas de uma paixão não supriam as ruins.

Não quero mais me envolver com ninguém, nunca mais. Pensou com desânimo, pegando o celular na mão direita, enquanto a esquerda direcionava-se ao interruptor para trazer alguma luz àquele ambiente escuro. Notou que alguém entrara em contato por WhatsApp, então foi logo abrir a mensagem.

— Quê? — Murmurou incrédulo, paralisando no ato com os olhos arregalados, como se tivesse recebido um choque intenso de imobilidade através do aparelho que tinha em mãos.

Aomine Daiki: Oi Taiga, tudo bem?

Kagami precisou reler pelo menos quatro vezes para assimilar os fatos e entender que foram os dedos de Aomine Daiki que digitaram aquela mensagem. Ironicamente ou não, seu coração dolorido e cansado passou a bater com toda a vitalidade que possuía — mesmo sendo algo totalmente errado, ainda mais naquele maldito dia. Parecia uma piada que a vida pregava em cima de sua pessoa. Não havia outra explicação. Era para aprender a pensar na marra, sem ter para onde fugir.

— O que você quer comigo? — Engoliu em seco, dando alguns passos para trás em uma busca inconsciente pelo sofá, enquanto ainda olhava para o celular como se fosse algo perigoso. Talvez fosse.

Kagami sentou-se no estofado e ali permaneceu fitando o aparelho até sua adrenalina baixar, desbloqueando a tela todas as vezes que ela escurecia automaticamente. Sentia-se muito quente agora, tanto é que esquecera-se completamente de fechar a janela do apartamento. O vento virou algo insignificante, assim como seu torcicolo e a fome que estava começando a sentir, já que nem almoçara naquele dia.

O ruivo simplesmente não sabia o que pensar, parecia em transe. Um misto de surpresa e desconfiança passeava por seu âmago. Era impossível controlar a euforia teimosa por receber uma mensagem repentina do cara que tanto gostava... Mas ao mesmo tempo era o gesto mais ridículo, baixo e idiota de sua parte. Afinal, acabara de terminar um relacionamento (de anos) que tinha com Himuro — o de irmãos —, e sinceramente não tinha a intenção nenhuma de falar com alguém que o enxergava como diversão.

Mas, se estava tão mal, porque o coração tinha que sentir-se tão vivo — e bobo — de repente?

Maior contradição não há. Era como se seus sentimentos quisessem tomar o controle total de sua mente, que finalmente parecia estar começando a centrar-se, buscando por descanso, solidão, amadurecimento. Dúlcido engano. Não havia bosta nenhuma de razão naquele cérebro idiota, apenas emoção e caos. Provavelmente por isso a curiosidade quase falava mais alto que sua culpa.

Aomine estava online, era possível ver o status logo abaixo do nome do moreno — na tela —, então com certeza já percebera que a mensagem foi visualizada... Ou não. Talvez ele estivesse muito ocupado assistindo pornô, ou quem sabe em algum canto de Tóquio comendo Kise ou qualquer outro otário — ou otária, pois ele não tinha 'preferência por sexo'.

— Argh. Cala a boca! — Kagami reclamou de seus próprios pensamentos débeis, fazendo uma careta de desgosto. — De novo isso não! — Fechou os olhos, jogando o celular no estofado ao lado, escondendo o rosto em suas mãos logo em seguida.

Com certeza era o pior e mais traiçoeiro dia da vida de Kagami. Estava quase morrendo de tristeza e remorso há poucas horas devido ao término com Tatsuya, ao fato de não serem (e nunca terem sido) irmãos, à sua impotência e retardo em relacionamentos... E de repente chega uma mensagem de Aomine Daiki trazendo alguma espécie de chama para seu peito. Era muita piada de mal gosto.

Por que precisava ser assim? Era sua sina? Não podia simplesmente desapaixonar-se de Aomine e esquecê-lo de uma vez por todas? Afinal, tinha mil motivos para isso. Mas não... O coração era um retardado e agora estava ali, louco para saber o que o moreno queria com aquela mensagem repentina.

E onde entra Himuro Tatsuya nessa história toda? Sua parte racional perguntara, levando novamente a mente de Taiga ao trabalho. Sim, ele estava lá desamparado, provavelmente mandando o ruivo para o inferno, o culpando (com razão) por todas as merdas que fizera... Sofrendo. Simples assim. Por essas e outras Kagami não se achava no direito de sentir-se eufórico ou agitado — muito menos por causa de outro cara. Isso se chama sujeira, canalhisse, patifaria, falta de consideração. Havia infinitos adjetivos.

Mas... Era uma reação quase inevitável, afinal, ainda estava apaixonado por Daiki. Infelizmente.

— O quê diabos você quer comigo? — Esbravejou, pegando novamente o celular em mãos, dando-se por vencido. A emoção superara a razão mais uma vez, para variar. — Já não foi o suficiente você ter me esculachado? — Mordeu os lábios, negando com a cabeça, decepcionado consigo mesmo.

Ainda tentava lutar, mas a curiosidade falava muito mais alto do que qualquer ponto de razão que surgia em sua mente.

Tudo era confuso demais. Primeiro as atitudes estranhas, sorrisos e 'ois' indiretos no Maji Burguer... E agora isso? Um Whats aleatório perguntando se estava tudo bem? Não tinha como não questionar o motivo de tanto 'contato' depois daquela cena humilhante em frente à casa do moreno. Será que ele era uma espécie de palhaço que gostava de rir de suas próprias piadas antigas? Porque só podia ser. Não havia outra explicação.

Ou havia?

Não. Não havia. A razão se pronunciou, colocando um ponto final na situação.

Com relutância, Taiga começou a digitar uma resposta curta, seca e objetiva. Não era tão burro assim para cair nas mesmas armadilhas — apesar de seu coração estar disparado, rastejando por respostas. Kagami não ligava. Usaria o cérebro dessa vez. Simplesmente estava cansado de ser um mongol... Era isso que sempre trazia a dor.

Precisava de curativos agora, e não de mais um problema.

~Aomine Daiki~

O trajeto do hashi com um punhado de arroz foi interrompido pela barulheira da vibração do celular em contato com a mesa de madeira. O olhar aflito e ansioso de Daiki voou imediatamento ao aparelho, à sua direita, assim como o de sua mãe, que sentava logo à sua frente. Ambos pareciam estar esperando por aquele sinal.

Só poderia ser Taiga.

— J-já volto! — O moreno exclamou com a voz trêmula, pegando o celular na mão ao levantar-se com uma violêcia desnecessária. A mesa se moveu alguns centímetros com o choque se sua coxa, preenchendo o ambiente silencioso com o ruído do arrasto.

— Não vai terminar de jantar? — Yumiko perguntou com um tom extremamente irônico, erguendo uma única sobrancelha enquanto colocava o móvel novamente no lugar. Ela sabia do que se tratava o aviso no celular, e no fundo estava tão ansiosa quanto Daiki para conhecer o desfecho da história, só não demonstrava.

— Depois... Eu termino... — O moreno disse com a voz se perdendo, enquanto afastava-se para seu quarto com passos largos.

Daiki hesitava para desbloquear a tela do celular durante o curto trajeto. Não era como se fosse morrer, porém estava muito apreensivo com o que leria a seguir, seu coração inclusive acelerara consideravelmente. A chance de Kagami ter enviando uma reposta seca era enorme — faria isso no lugar do ruivo, então não se surpreenderia. Estava preparado para tudo. Tudo mesmo.

Assim que chegou em seu 'covil', Aomine fechou a porta com um baque, abriu a janela, e, ainda com as luzes apagadas, jogou-se pesadamente na cama, de barriga para cima.

— Chega de viadagem Daiki. É só um Whats. — Murmurou para si mesmo em uma tentativa besta de se acalmar, deslizando o dedo trêmulo pela tela, para desbloqueá-la.

E ali estava a caixa de diálogos que Aomine visitara pelo menos duzentas vezes naquele dia, apenas para verificar se sua mensagem fora visualizada. Agora finalmente fora... E Taiga fez questão de usar a objetividade na resposta.

Kagami Taiga: Morra.

Aomine fitou a única palavra por alguns segundos, um pouco sem reação. Estava em busca de uma resposta para aquilo, mas não a encontrou de imediato. Não sabia exatamente o que digitar, por isso levou os dedos à tela e começou a correr os dedos pelas letras, formando palavras aleatórias que surgiam em sua mente. Era melhor ser objetivo também.

Aomine Daiki: Preciso conversar com vc.

Enviou o texto sem pensar muito mais, do contrário ficaria um mês inteiro buscando as palavras perfeitas, sendo que não havia tempo hábil para se enrolar... E não havia palavras perfeitas à serem digitadas também. Não estava brincando, e sim tentando recuperar o cara que mais mexera consigo na vida. Sentia muita falta de Kagami, e aquilo incomodava de verdade.

A resposta veio rápida, e igualmente fria:

Kagami Taiga: Me esquece.

Aomine Daiki: Ñ consigo.

Daiki enviara a grande verdade em um impulso, mas dessa vez não se arrependera por agir assim. Sabia que era o melhor momento para começar a usar da sua honestidade, mesmo que ainda fosse um pouco perigoso... Afinal, Taiga não estava mais sozinho.

O moreno aguardou a resposta, mordendo o lábio inferior com um pouco de força. Suas mãos suavam, sua respiração pesava e suas sobrancelhas estavam franzidas devido a concentração que depositava naquela tela de celular. O nervosismo era palpável. Sinceramente, assemelhava-se uma garota idiota tendo um chilique, mas não ligava. Ninguém estava vendo.

Aomine percebeu que Taiga hesitava com a resposta — parecia digitar e apagar logo em seguida, como se não encontrasse as palavras certas. Eufórico, o moreno começou a escrever novamente, antes mesmo de Kagami responder. Tinha tantas coisas à dizer que seus dedos quase começaram a descrever todos os seus sentimentos, mas limitou-se a uma curta frase. Só porque nunca falara nada do que sentia para Kagami, não seria através de uma mensagem deWhatsApp que deveria se abrir. Para redimir-se precisaria fazer isso olhando em seus olhos... Era o mínimo.

Aomine Daiki: E tbm ñ qro t esquecer.

Após infinitos segundos, Taiga respondeu:

Kagami Taiga: E o que você ainda quer?

Aomine Daiki: Preciso mto conversar com vc, é bm importante.

Kagami Taiga: Foda-se. Não temos mais nada para falar. Você já deixou tudo bem claro da última vez que conversamos.

Aomine Daiki: Tdo o q eu t disse naquela noite era mentira.

Silêncio. Apreensão. Dúvidas.

Aomine sentia um mínimo gosto de sangue nos lábios que praticamente mastigava, mas a adrenalina em seu corpo camuflava a dor. Será que fora ousado demais ao falar a verdade assim, nua e crua? Provavelmente, no entanto não conseguia mais conviver com aquilo sem que o ruivo soubesse. Tinha tantas coisas a dizer, seus dedos inclusive coçavam para escrever tudo por ali mesmo, por WhatsApp, apesar de não ser o ambiente e a situação mais apropriada para tal ato.

Taiga estava demorando, mesmo já tendo visualizado a mensagem. Era a abertura para Aomine continuar.

Aomine Daiki: É sobre isso q eu preciso conversar. To arrependido.

Houve uma pausa de pelo menos dois minutos até que finalmente o status 'digitando' apareceu logo abaixo do nome de Kagami, na tela. Em compensação, uma quantia mínima de segundos foi o necessário para que a resposta chegasse.

Kagami Taiga: Caguei para você.

Aomine entreabriu minimamente os lábios, lendo a mensagem uma segunda vez antes de a tela escurecer automaticamente. Reconhecia a frase e agora sentia de perto o impacto que ela causava no interior de uma pessoa. Era como se tivesse levado um tapa na cara. Dissera o mesmo quando Kagami contou sobre o beijo roubado, quando ele abriu seus sentimentos e falou sobre seu arrependimento. Não havia respostas para aquilo. Era cruel e bem frio.

— Taiga... — Sibilou quase inaudivelmente, franzindo as sobrancelhas em um gesto de culpa e rendição.

Finalmente Daiki teve uma noção completa da grande merda que fizera ao agir por impulso, ao mentir para Kagami, ao magoá-lo apenas para manter seu orgulho firme. Era um verdadeiro idiota.

A sensação até aquele estágio era bem conhecida: Olhos queimando, nó na garganta se formando aos poucos, estômago contorcendo-se de uma forma extremamente desagradável e, claro, um aperto desgraçado parecia apenas crescer e se espalhar por seu tórax. Eram os sintomas de alguém arrependido e magoado, prestes a chorar. Daiki nunca passara daquele ponto, mas dessa vez não havia escapatória. Seu orgulho já minguara há um bom tempo, não estaria presente naquela noite para defendê-lo da realidade.

A primeira lágrima escapou — fraca, frágil e inofensiva —, sendo seguida por um turbilhão infindável de outras, assim que Daiki deu a permissão. Era o maior indício do barulho que ecoava dentro de si. Estava perdido no labirinto que criara, sem conseguir enxergar uma solução aparente, no entanto desistir não era uma opção. Aomine tinha certeza de que seria complicado reconquistar a confiança da pessoa que deixara ir por pura burrice, mas era um desafio. Gostava de desafios... Gostava de Taiga. Amava Taiga. Ele provavelmente era a pessoa de sua vida, mesmo sendo um homem. Era o único que possuía 'aquilo'. Não o deixaria ir mais uma vez, mesmo que para isso tivesse que ouvir muita merda.

Fungando e enxugando o líquido que escorria continuamente pela bochecha, Aomine desbloqueou novamente a tela do celular com a mão livre. Não sabia muito bem o que dizer, mas assim que digitou e enviou, a frase pareceu extremamente óbvia. Mais do que isso, pareceu sincera... Só esperava que o ruivo captasse isso também.

Aomine Daiki: Me desculpa.

Nada. Taiga nem sequer visualizou a mensagem. Ele já não estava mais online. Provavelmente desistira ou cansara-se da conversa.

— Merda! — O moreno cerrou os olhos marejados, largando o celular em cima de seu próprio tórax antes de esticar os braços na cama. — O que foi que eu fiz com você, Taiga! — Lamentou-se, verdadeiramente triste.

A culpa de tudo aquilo era sua, mesmo que Kagami tivesse sido beijado por outro em Los Angeles. Sabia que não precisava ter feito tanto drama, tanta cena... Bastava ter pedido um tempo para pensar nos próximos passos, só então voltariam a conversar. Mas não, ser bruto e boçal fora a melhor solução que encontrara naquele momento. Que espécie de maturidade era aquela? Maldito orgulho. Era realmente uma arma, mas que poderia explodir na mão de quem a carregava se o cuidado não fosse grande.

O arrependimento corroía Daiki por dentro — com a sensação multiplicada por mil agora que levara um belo de um corte do ruivo. A prova disso era o choro livre, o choro doloroso que liberava pela primeira vez em sua vida. Sim, lógico que já soltara lágrimas antes, mas por outros motivos menores... Nunca por paixão, amor ou coisas do gênero. Talvez porque nunca sentira isso antes com tanta intensidade e veracidade. Taiga era o seu começo e seu fim, não tinha como negar.

— Não vou desistir de você, Taiga... — Sibilou, pegando novamente o celular em mãos, digitando exatamente o que falara.

Só faltou o 'eu te amo' no final. Mas essa parte realmente deveria ficar guardada para quando conversassem pessoalmente. O peso da expressão precisaria ser sentido, e não apenas lido. De alguma forma inexplicável Daiki conseguia compreender isso.

~Kagami Taiga~

Aquele sábado estava realmente sendo o seu inferno na Terra. Sua maior provação.

O ruivo assemelhava-se à uma estátua de cera, sentado imóvel no sofá, olhando para o celular bloqueado em suas mãos pálidas. O aparelho vibrara mais duas vezes desde o momento em que fechara o WhatsApp, entretanto a coragem para abrir o aplicativo e ler as novas palavras de Aomine Daiki se esvaiu completamente. Nem mesmo a curiosidade superava seu medo agora.

Tudo estava nublado e vazio na mente de Kagami, como se tivesse acontecido um pane geral que o impedisse de pensar. Em compensação seu coração parecia mais elétrico e caótico do que nunca — tanto pela adrenalina da conversa, quanto pelo próprio conteúdo dela.

— O que foi... Isso tudo? — Balbuciou para o ar em busca de respostas, ainda sentindo o corpo quente, quase febril. — Como assim? — Murmurou, olhando para a parede clara da sala, em transe.

Que história de mentira era aquela? Que precisavam conversar...? O que Daiki estava falando? E justo hoje, quando tudo parecia desmoronar em sua cabeça, quando decidira dar-se um tempo para crescer e entender as coisas ao seu redor. O que significava aquilo tudo?

Era engraçado como duas sensações tão distintas poderiam ocupar o interior de Taiga naquele momento. De um lado seu coração estava escuro e cansado, buscando apenas superar o montante de erros e decepções que causara e passara... Em contrapartida, do outro lado estava a vontade de levantar e correr até Aomine para conversarem e tirarem a limpo tudo aquilo; assim como queria abraçar Tatsuya e dizer que seriam irmãos para sempre, que tudo ficaria bem.

Não sabia qual atitude tomar agora. A segunda opção soava muito melhor, com reconciliações e tudo o mais... Porém havia sido feito de trouxa e tinha medo de estar cometendo o mesmo erro passional. Daiki poderia estar brincando novamente com sua pessoa, querendo apenas confundi-lo mais uma vez por algum motivo idiota... E Tatsuya estava magoado demais para ser chamado mais uma vez de 'irmão' — já que apenas Taiga enxergava dessa forma.

Como proceder?

— Que tudo vá para puta que pariu. — Taiga resmungou, jogando o celular no sofá em sua frente com certa violência, fazendo-o recochetear na almofada e espatifar-se no chão.

O ruivo não preocupou-se em recolocar a bateria no lugar ou procurar a tampa traseira que escorregou para baixo de um móvel, apenas deitou-se novamente no estofado. Não ligava para mais nada. Só queria esquecer-se do mundo, das coisas, das situações, das pessoas... Mas ele sempre estava lá, sorrindo como um idiota ao falar que as cigarras apareciam apenas no verão, sendo convencido e arrogante ao insistir que Taiga o via como um ídolo, olhando-o com desejo enquanto transavam pela segunda vez na mesma noite, esperando seu ataque no mano a mano que disputavam na quadra do Maji Burguer... E logo ao lado de Daiki estava Tatsuya, ajudando-o com a matéria de escola, implorando para assistirem um filme de terror, acompanhando-o pelas ruas de Los Angeles em direção à quadra de basquete, acordando ao seu lado com a franja desgrenhada...

Agora era até irônico pensar que já chegara a confundir os sentimentos que tinha por Aomine e Himuro. Eram tão distintos — um passional, outro fraterno — mas igualmente fortes. Hoje Kagami já não possuía mais nenhum deles, já que os nutrira sozinho e descobrira que fora a toa.

Vai falar com o Aomine... Ele pode estar sendo sincero. O coração sibilou insistentemente em seus ouvidos, com um tom esperançoso e ameno, contradizendo todos os seus pensamentos até aquele instante. No entanto a razão apareceu de última hora e disse que Kagami precisava de um tempo para si agora, que Daiki o estava enrolando mais uma vez — como sempre fizera — e que não seria justo com Tatsuya.

— MERDA! — Berrou, socando o encosto do sofá com força. — O que eu tenho que fazer, caralho?

O silêncio foi a resposta. Precisaria aprender a esvaziar a mente, do contrário ficaria louco.

***

Segunda-feira — 12h01min

— Kagami-kun. — Kuroko chamou sua atenção de algum ponto a sua frente, provavelmente virando-se para encará-lo. O barulho do tecido o denunciou.

— Hm... — O ruivo respondeu, ainda escondido no confortável escuro de seus braços cruzados, em cima da mesa.

— Vamos, é horário de almoço. — O amigo disse, arrastando a cadeira ao se levantar.

— Já vou. — Kagami suspirou, movendo-se vagarosamente ao despertar. Não estava realmente dormindo, apenas encontrava-se no limbo de seus próprios pensamentos. Descobrira o local no domingo e o achara bem confortável.

— Você está estranho desde quando chegou. — Kuroko assinalou, observando-o com calma.

— Não estou. — O ruivo sorriu tristemente, esticando os braços para trás em um gesto de preguiça. — Só estou um pouco cansado. — Usou a palavra de propósito, pois ela poderia ser interpretada de duas formas.

— Percebi que você não está mais usando seu anel no pescoço. — Ele indicou o local com um movimento sutil de cabeça. O amigo era sempre muito observador, Kagami quase não se surpreendia mais. — Aconteceu alguma coisa?

— Milhões delas. — Taiga acenou positivamente, apoiando-se com as mãos na mesa para levantar-se. — Terminei com o Tatsuya no sábado por que pensei naquelas coisas que você me disse. Então descobri que ele nunca me viu como irmão. Agora ele está super magoado, me odeia e quer que eu suma para sempre. Inclusive arrebentou meu anel e o fez voar no chão... — O ruivo ergueu as sobrancelhas, agachando-se ao lado de sua mochila para pegar alguns yenes. — E teve a parte do Aomine também. — Comentou com um falso humor, olhando para o amigo enquanto abria o zíper externo da bolsa. — Ele enviou algumas mensagens falando que todas as merdas que ele me disse eram mentiras, que ele estava arrependido e que precisa conversar comigo a respeito. — O ruivo disse, dando de ombros, fingindo não se importar. — E para variar, não sei o que fazer. Só sei que, independentemente da atitude que eu tomar agora, vai acabar transformando-se em um erro ou decepção, então prefiro ficar na minha inércia. — Concluiu parcamente, levantando-se com o dinheiro em mãos. — Pronto. Em resumo é isso. Vamos?

— Kagami-kun! — Kuroko chamou sua atenção mais uma vez naquela manhã, porém agora com um tom um pouco mais sério e quase irritado. — Você está muito diferente. Nem parece você falando.

— Impressão sua. — O ruivo sorriu pesaroso, dirigindo-se à saída da sala, olhando para o amigo por cima do ombro. Ele não se movera. — Melhor irmos, antes que a cantina entupa de gente. — Assinalou com a testa franzida, esperando-o na porta.

— Não! — Kuroko uniu as sobrancelhas, agora sim verdadeiramente irritado. Aquilo quase assustou Kagami. — Vamos conversar sobre isso primeiro. Não estou gostando do seu jeito.

— Não precisa se preocupar com isso. Está tudo bem. E também não quero ficar te enchendo o saco com minhas coisas bestas. Sério. — Kagami reforçou com um meio sorriso, não sentindo muita firmeza em sua própria afirmação. — E estou com fome.

Kuroko nada respondeu, apenas o encarou por longos segundos, avaliando-o. O ruivo jurou que um leve lampejo de preocupação passou pelo olhar do amigo, mas não ligou. Não havia motivos para ele se preocupar. Só estava tentando agir racionalmente pela primeira vez em sua vida, como sua mãe o aconselhara mais de mil vezes. Era errado tentar mudar? Amadurecer? Não ser feito de palhaço por mais ninguém?

— Você me lembrou o Aomine-kun na época do Fundamental. — Kuroko disse ao se aproximar da porta, finalmente, assim que o ruivo começou a sair da sala.

— Por...? — Kagami perguntou, voltando o rosto para dentro da classe com uma leve curiosidade.

— Você está frio e indiferente. E isso me trás péssimas lembranças. Acredito que o final da história você já conheça. — Kuroko assinalou enquanto passava ao seu lado, mas logo seguiu pelo corredor apinhado de alunos, deixando o ruivo para trás.

Taiga suspirou, fechando os olhos brevemente enquanto o amigo continuava seu caminho. Não queria ser visto dessa forma, mas não poderia mais agir de outra maneira. Só se fodera por ter sido bonzinho e ingênuo. Ainda machucava demais lembrar de tudo o que aconteceu com Aomine e Tatsuya, e, lógico, recordar-se da forma débil e fraca como agira em cada uma das situações também não era nada agradável.

Mas tampouco queria ser visto como um boçal pelo próprio amigo. Novamente estava fazendo tudo errado, frustrando as pessoas ao seu redor.

Droga!

— Oe, Kuroko! — O chamou com a voz um pouco alta, abrindo os olhos e o seguindo, apressado. Ele já estava bem a frente agora. — Espera por mim!

— Melhore, Kagami-kun. — Ele disse, ainda com o semblante sério, virando-se para encará-lo assim que percebeu sua aproximação. — Depois você me procura.

— Ah, foi mal. — O ruivo murmurou, coçando a nuca com um certo ar de desconforto e culpa. Não queria decepcionar Kuroko, já que ele era seu melhor amigo. — Só estou tentando deixar de ser um otário.

— Então saiba que está agindo como um nesse exato momento. — Kuroko pontuou, virando a esquina do corredor, em direção à escada que dava acesso ao pátio. — Sei que você está se sentindo mal por tudo o que me disse na sala de aula, mas agir assim não vai mudar as coisas. Tudo só irá piorar e as pessoas vão se afastar de você.

— Hm... Eu sei. — Suspirou fundo, dando-se por vencido. Não era seu papel agir daquela forma forçada e indiferente. Não pertencia à sua pessoa. — Mas é que tá foda, Kuroko. Estou muito perdido na minha própria cabeça e não sei o que fazer agora, não sei como agir.

— Esse é você. — Ele sorriu de canto, virando-se para encarar o ruivo, agora com a inexpressividade habitual e muito mais confortável. — Vem, vamos comprar algo na cantina e depois conversamos direito sobre isso... E não pedalando, como você fez na classe.

— Ok. Valeu. — Kagami repuxou um pouco os lábios, sentindo um breve alívio misturado com a vergonha de sua própria atitude. — Só que não quero ficar te enchendo o saco com as minhas coisas chatas... Deve ser uma bosta me ouvir.

— Se eu não quisesse te ajudar, não teria pedido para conversarmos. — Kuroko sorriu minimamente, balançando a cabeça. — Deixe de paranoia, Kagami-kun.

— Hm. Ok. — O ruivo fez uma breve careta, torcendo o nariz, mas no fundo sentia-se imensamente grato. Kuroko era foda, o melhor amigo que poderia ter encontrado na vida. — Obrigado. E desculpa por antes... Só estou mal mesmo, então achei que se mudasse minhas atitudes eu conseguiria melhorar. Sou um idiota.

— Tudo bem. — Ele assentiu, buscando dinheiro em seus próprios bolsos, distraidamente. — Sei que quando a gente se magoa não é fácil continuar. Só não devemos nos deixar levar pelas coisas ruins.

— É... — Kagami confirmou, olhando-o de esguelha com uma breve curiosidade.

Kuroko conhecia praticamente todos os aspectos de relacionamentos e afins, tinha tantos conselhos a dar, no entanto Kagami nunca pensara em perguntar como ele sabia de tudo aquilo. Será que ele já teve uma namorada e sofrera também? Ou era tudo por causa daqueles livros românticos que ele lia? Enfim, deixaria o assunto para outra hora. Conhecia Kuroko e tinha certeza que ele não era muito de se abrir, ainda mais aleatoriamente... Sem falar que já tinha coisas demais em sua mente.

Juntos, os dois enfrentaram a fila da cantina por aproximadamente dez minutos. Kuroko sempre se dava bem e conseguia os lanches antes, porém pegava apenas um pão pequeno e estranho. Kagami já era mais espaçoso, comprava um grande volume de comida e quase saia arrebentado da fila apertada. Pelo menos os vinte lanches da cantina supririam sua fome até as 15h, quando as aulas chegariam ao fim e o treino de basquete se iniciaria.

— Ali tem um lugar. — Kuroko notou, apontando para a lateral da escola, próximo ao ginásio, onde o clube do futebol se reunia de vez em quando. Hoje estava vazio.

Após rumarem até o lugar e se acomodarem em um banco duplo de madeira, o interrogatório do amigo começou — antes mesmo de abrirem as embalagens da comida.

— Ok Kagami-kun. Sobre o Himuro-kun, conte-me direito o que aconteceu.

— Hm... — O ruivo sussurrou, olhando para o primeiro lanche em suas mãos. Não era como se ficasse a vontade para contar seus problemas, mas Kuroko realmente parecia querer ouvir e ajudar, por isso continuou: — Lembra de tudo o que você me disse, não é? Sobre magoar o Tatsuya por causa da minha demora... Sobre eu não estar feliz com o relacionamento... E essas coisas todas?

— Sim. — Ele assentiu, mastigando uma primeira porção de seu pão estranho com uma calma assustadora.

— Pois é. Levei tudo isso em consideração e de alguma forma cheguei a conclusão de que o namoro (se é que era um namoro) não iria para frente dessa forma. — Kagami deu de ombros, sentindo mais uma vez a minúscula dor da culpa o assolar. — Eu o vejo como irmão. Não consigo fazer meu sentimento caminhar para o outro lado, e sei que por isso vou magoá-lo mais tarde... Foi mais ou menos o que falei para o Tatsuya. — Engoliu em seco, mordendo o lanche com força. Estava um pouco seco, mas não tanto quanto sua garganta.

— E ele?

— Ficou puto. — Respondeu com a boca cheia, erguendo o olhar triste para Kuroko. Assim que engoliu, o ruivo continuou: — Eu já estava esperando algumas palavras bem duras, porque o conheço bem e sei o quão complicado o Tatsuya pode ser, mas ele não quis entender os meus motivos em momento algum. Só que a pior parte nem foi isso, e sim quando ele falou que nunca fomos e nunca vamos ser irmãos. — O ruivo suspirou, tomando um gole de seu suco de caixinha para que a comida descesse direito. Era complicado falar aquelas coisas, pois as lembranças voltavam imediatamente. — Ele disse que eu era burro demais para não ter percebido isso antes. Me chamou de lerdo, retardado, e afirmou que não sabia o motivo de ter gostado de mim... Porque sou um mongol. — Kagami abaixou o olhar, prendendo-o no desenho das frutas azuladas na caixinha da bebida. Blueberry. — E então ele arrancou a nossa corrente e jogou no chão.

Durante longos segundos o único barulho vinha do burburinho dos alunos que passeavam pela escola e de alguns pássaros tímidos surgindo no início da primavera. Kuroko parecia pensativo, mas logo se manifestou.

— Bem... Sinceramente Kagami-kun, no lugar dele eu também ficaria zangado com você e com sua atitude. — O menor afirmou com cuidado, como se estivesse escolhendo as melhores palavras. — Mas acima de tudo tentaria entender suas razões, ainda mais se meus sentimentos por você fossem grandes quanto ele afirma que os dele são.

— É... Mas não o culpo, porque eu errei lá no começo. Mereci levar o esporro. — Kagami suspirou, terminando de comer seu primeiro lanche com certa dificuldade. Ficava complicado engolir quando sua garganta estava fechada e com um nó no meio do caminho. — Só que o que ele disse sobre nossa irmandade acabou comigo, de verdade. Não estava esperando.

— Imagino. — Kuroko murmurou, erguendo as sobrancelhas, ainda pensativo. — Já te disse que não gosto do Himuro-kun e muito menos da forma que ele age com você. Tudo bem que você errou por ter se precipitado, mas pelo menos admite isso. Ele deveria reconhecer.

— Não é tão simples. Sei que fiz cagada, só que isso não muda absolutamente nada, pois ele ainda está magoado por minha culpa. — O ruivo deduziu, coçando a nuca em um sinal de desconforto. — Ele me odeia agora. Só de saber que nunca mais vai ser a mesma coisa entre nós dois, eu fico muito triste. É foda, porque éramos muito próximos.

— É, isso é um fato, nunca mais vai ser a mesma coisa entre vocês. — O amigo repetiu a frase, tomando um gole de seu café gelado, esperando.

— Tipo, é ruim pra caralho. Nunca mais vou poder chamá-lo de irmão, porque ele nunca me viu como um irmão, entende? — Kagami mordeu os lábios, encarando Kuroko. Não sabia explicar as coisas verbalmente, simples assim.

— Entendo sim. Mas admito que já suspeitava disso há muito tempo. — O rapaz disse com calma, levando uma leve surpresa ao semblante do ruivo. — Desde aquela tarde em que nos encontramos com ele e com o Murasakibara-kun no Maji Burguer, no ano passado, lembra?

— Naquele dia em que o Daiki apareceu de surpresa? — Kagami perguntou com a voz baixa e perdida, buscando recordar alguns detalhes da situação, no entanto só conseguia pensar na euforia que sentira quando o moreno aparecera do nada e sentara-se ao seu lado. Haviam transado pela primeira vez no dia anterior, e era apenas isso que passeava por sua mente no momento. Não lembrava de nenhuma atitude de Tatsuya que denunciasse o descompromisso com a irmandade de ambos.

Saco. Até agora Daiki aparecia para atrapalhar sua vida... Ele era sua sina?

— Isso. Nesse dia. — Kuroko assentiu. — O Himuro-kun citava inúmeras lembranças para te cutucar, brincava o tempo todo com o anel no pescoço, de propósito, e quando o Aomine-kun chegou, ele ficou bem diferente. Diria quaseirritado, buscando sua atenção.

— Eu não notei. — O ruivo o olhou, estupefato, franzindo a testa. — Sério?

— Sim. — Kuroko afirmou, reforçando com um gesto de cabeça. — Ele sempre te viu com outros olhos, e isso ficou bem claro para mim naquele dia. Na minha opinião o Himuro-kun parece considerar-se seu dono ou algo do gênero. Digo isso pela forma como ele te trata até hoje.

— Hm... Não sei. — O ruivo mordeu os lábios, confuso. A conversa tomava um rumo complicado e muito diferente do que estava esperando. — Só éramos próximos, sabe? Acho que não tem nada a ver.

— Kagami-kun, você não está sendo otimista? — Kuroko insistiu, encarando-o com o semblante impassível. — No fundo você sabia dos sentimentos do Himuro-kun, pois estava apreensivo com a viagem para Los Angeles. Eu comentei que talvez o motivo fosse a presença dele, mas você disse que não era o caso.

— Não era esse o motivo da minha apreensão. Eu estava tranquilo porque ele me disse que queria reatar o que tínhamos antes, e para mim isso era a melhor coisa do mundo. Estava meio assim por causa da minha história confusa com o Aomine. — Kagami o olhou, um pouco preocupado. — O Tatsuya não tinha outras intenções quando conversou comigo por telefone, porque me disse que começaríamos do zero, como irmãos. Sério! — Ressaltou, vendo o olhar do amigo.

— Mas ele se confessou e roubou um beijo seu em Los Angeles, certo? — Kuroko indicou, erguendo uma das sobrancelhas, quase como se desafiasse Kagami a pensar. — Nunca te ocorreu que ele já havia planejado isso? Que ele queria apenas abalar seus pensamentos em relação ao Aomine-kun?

— Não. — Kagami foi obrigado a rir com a hipótese. Era teoria conspiratória demais para o seu gosto. Só ficava claro o quanto Kuroko não gostava de Himuro. — E é sério, não estou sendo otimista, só conheço o Tatsuya e sei que ele não faria algo assim comigo. — Disse com convicção. — Acho que ele realmente tentou recomeçar como meu irmão, mas se não sentia isso, então não conseguiria. Não teve uma intenção ruim.

— OK. — Kuroko parou o assunto por ali, dando de ombros em forma de derrota. — Então prossiga com o que você estava me dizendo.

— Bem... Sobre o Tatsuya era isso. E agora estou bem mal por ter acabado dessa forma, por estarmos brigados mais uma vez. E por ele me odiar, claro... — Murmurou, voltando a atenção para os lanches em seu colo. Seu estômago afundou-se tanto que o ruivo perdeu toda a fome. — E o pior é que agora estou com uma culpa do caralho por causa das mensagens do Daik... Do Aomine! — Corrigiu-se, unindo as sobrancelhas com raiva de si mesmo.

— Acredito que agora posso te dar o conselho que gostaria. — Kuroko sorriu de canto, nitidamente satisfeito. Era possível ver mesmo através de sua inexpressividade. — Continue.

— Como assim? — Kagami virou-se de imediato, encarando o amigo. Parecia sacanagem, mas a euforia voltou no mesmo momento, e contra a sua vontade. Era a porcaria de sensação que percorria seu corpo apenas quando o assunto era Aomine Daiki.

— Me conte sobre as mensagens primeiro. — Ele sorriu minimamente, notando sua reação. Kagami odiava-se por ser tão 'na cara', mas não conseguia disfarçar o caos que acontecia dentro de si. — O que o Aomine-kun te mandou?

— Vou te mostrar. — Murmurou, buscando o celular no bolso da calça, derrubando dois lanches com o movimento brusco de seus dedos. — Ah, que merda. Esse é o meu problema! — Irritou-se, ajuntando a comida com a mão livre. Por sorte o alimento estava envolto por uma espécie de plástico transparente, então ainda poderia ser consumido. — Pareço um débil mental quando o assunto é o Aomine. E isso faz eu me sentir muito, mas muito culpado em relação ao que aconteceu com Tatsuya. Tá foda.

— É porque você ainda gosta do Aomine-kun. — Kuroko afirmou com simplicidade, observando-o desbloquear a tela do celular.

— E como faz para desgostar então? — Murmurou distraidamente, buscando pela conversa no aparelho. — Seria bem mais fácil.

Kuroko pareceu falar alguma coisa com um leve toque de humor na voz, mas Kagami não ouviu. Após abrir a caixa de diálogos, lembrou-se que ainda havia duas mensagens de Daiki que não vira até o momento... Porém agora estava lendo-as, um pouco boquiaberto e com o coração descompassando continuamente.

Aomine Daiki: Me desculpa.

Aomine Daiki: Ñ vou desistir d vc Taiga.

A falta de reação veio no exato instante em que terminou de ler, assim como a teimosa esperança. Não fazia a mínima ideia de como estava sua expressão naquele momento, mas Kuroko o chamou a atenção no mesmo instante com a voz acelerada.

— Kagami-kun, tudo bem?

— O que é isso, Kuroko? — O ruivo questionou com um timbre tremido, sentindo a garganta fechar mais uma vez, pelo nó que ali se formava. — Porque o Daiki está me enchendo tanto o saco e falando essas coisas? — Perguntou, entregando o celular para o amigo ler o diálogo breve e frio que tivera com o moreno. — Ele mesmo disse que não queria nada... Que não sentia nada... — Sua voz se perdeu no barulho de seu próprio coração, que agora batia feito um louco.

Os segundos que Kuroko levou para terminar a leitura da conversa foram como séculos para o ruivo. A sua apreensão era palpável. Ele precisava ter uma explicação para as atitudes repentinas e contraditórias de Daiki, precisava dar uma luz sobre o que estava acontecendo, aconselhar Taiga sobre como agir, responder se o certo era falar com Aomine ou manter-se distante do moreno. Sozinho Kagami não saberia como proceder... Estava perdido demais para enxergar as coisas que talvez encontravam-se em frente ao seu nariz.

A verdade é que o maior — e mais desgraçado — desejo de Taiga naquele exato momento era correr para o lugar onde Aomine Daiki estava, porém tinha medo de ser feito de palhaço mais uma vez. Isso sem falar que não conseguia pensar em nada além de Tatsuya e na patifaria que estava prestes cometer. Não podia fazer isso com ele, mesmo que Himuro não o considerasse um irmão, mesmo que ele não o considerasse mais nada.

— Kagami-kun, espero que saiba, mas o Aomine-kun não vai desistir mesmo de você. — Kuroko sorriu de canto, erguendo os olhos para encará-lo. — E era sobre isso que eu precisava conversar com você, mas não fiz porque você estava com o Himuro-kun.

— Não faz sentido! — O ruivo murmurou com a voz quase apagada, sentindo as mãos suarem com uma velocidade surpreente. — Kuroko, não faz sentido.

— Claro que faz sentido. — Ele disse, devolvendo-lhe o celular. — Já disse diversas vezes que vocês precisam conversar. Os dois se gostam, maior lógica não há.

— Eu não sei... Não sei se ele gosta ou não de mim... — O ruivo mordia os lábios, soltando-os logo em seguida. Repetia o gesto continuamente, olhando para o pátio da escola a sua frente, mas sem enxergá-lo realmente. — Eu tenho muito receio... O Daiki falou muita coisa para me desencorajar, para me machucar. E se ele estiver me fazendo de idiota mais uma vez? Parece que estou caindo como um patinho, não?

— Bem, acredito que ele não esteja fazendo isso com você. — Kuroko insistiu, apoiando a mão em seu ombro. — É como eu te disse há alguns dias, um coração machucado age por impulso, faz coisas sem pensar e se arrepende depois. Você provou isso a si mesmo quando reatou com o Himuro-kun.

— Mas Kuroko... — Murmurou, sentindo o coração quase sair pela boca. Era uma mistura meio idiota de felicidade, euforia, culpa e raiva. Não tinha como descrever, mas podria explodir e morrer ali mesmo. — Ele me falou tanta merda naquela noite. Se você quiser posso repassar tudo o que ele me disse, palavra por palavra, nesse exato instante, só para você ter ideia do quanto essa bosta me magoou. Como pode ter sido mentira? Ele foi tão... Convincente. — Soltou a palavra com a voz um pouco esganiçada, balançando negativamente a cabeça. — Como ele pode gostar de mim e falar aquele monte de coisas? Não faz sentido. Parece ridículo demais para eu aceitar que foi mentira.

— Eu te entendo Kagami-kun, mas existem coisas sobre o Aomine-kun que você ainda não sabe. — Kuroko continuou, olhando-o com compreensão. — Ele já passou por alguns problemas bem complicados com a família e com o próprio período na Teiko, então se tornou uma pessoa orgulhosa, fechada e extremamente individualista. Mas você não tem ideia do quanto isso melhorou depois de ele ter te conhecido.

— Ãhn? — O ruivo franziu a testa, olhando-o com curiosidade quase assustadora.

— Converse com ele. — Kuroko insistiu, acenando com a cabeça como uma forma de incentivo. — Ele gosta de você. Acredite em mim. Ele só tentou se defender.

— Defender... — Kagami engoliu em seco ao repetir a palavra, sentindo o cérebro encolher a cada nova frase que saía da boca de Kuroko. Não sabia mais no que pensar. — Claro.

— Sei que é difícil acreditar nisso tudo depois dos acontecimentos, e sei também que você está se sentindo culpado por causa do Himuro-kun. — O menor comentou, movendo a cabeça para chamar sua atenção. — Então espere um pouco, dê tempo para si mesmo. Espere até o Interescolar ou até quando se sentir preparado. Não faça nada por impulso dessa vez.

— Eu... Não sei. — Mordeu os lábios, ainda sentindo a pulsação acelerada. — É uma bosta, porque estou tão... Feliz! — Arriscou dizer a palavra, mesmo contra a vontade. — Mas ao mesmo tempo estou com tanta raiva, e culpa, e... Droga. — Cerrou os dentes, fechando os olhos com bastante força. Estava em uma luta interna. — Eu preciso de tempo para pensar nisso tudo.

— Sei que sim. — Kuroko sorriu, foi perceptível por sua voz. — Não se force. Espere passar essa situação com o Himuro-kun, mas não perca o contato com o Aomine-kun.

— Argh, saco. — Taiga voltou a encarar seu próprio colo, onde vários lanches ainda repousavam. — Estou com receio disso.

— Pare de ficar se martirizando. — Kuroko foi firme. — Deixe as coisas acontecerem da forma que é para ser. Dê tempo ao tempo e deixe o destino se encarregar das coisas, sem forçar ou pressionar. Eu pelo menos faço assim. — Kuroko deu de ombros, atraindo seu olhar curioso. — Vamos? Se não me engano o Capitão precisava falar com a gente.

— Hm, é mesmo. — Kagami assentiu, vendo o amigo levantar-se. — Obrigado mais uma vez Kuroko. Não sei o que eu faria sem seus conselhos. — Disse, juntando o lanche em seus braços antes de ficar em pé também.

— Eu também não sei. — Kuroko deu um breve tapa em suas costas, enquanto caminhavam até o local onde a maioria dos alunos ficava. — Você é uma boa pessoa Kagami-kun, só precisa pensar um pouco mais antes de agir.

— Se eu pensar mais a minha cabeça vai explodir. — Disse a maior verdade, sentindo a primeira pontada dolorida em sua têmpora esquerda.

Ao invés de descanso para sua mente, encontrara apenas mais mil e uma coisas para pensar. Coisas boas? Coisas ruins? Não sabia dizer. Apenas tinha certeza de que estava muito melhor do que no final de semana, muito melhor do que durante a manhã inteira... Só não sabia se isso tinha ligação com a conversa que tivera com Kuroko, ou se as novas mensagens de Daiki também tinham uma parcela de 'culpa'.

Era impossível não ter uma espécie de esperança. Seu coração pelo menos estava em frangalhos, agitado, implorando para que essa conversa acontecesse hoje mesmo, agora... Mas o ruivo sabia que não era assim que a banda tocava. Não iria procurar Aomine tão cedo. Precisaria ter certeza de suas intenções, mesmo que Kuroko afirmasse as coisas com tanta convicção.

Era complicado voltar a acreditar em alguém que o magoara tanto, porém era mais complicado ainda pensar que aquela mágoa poderia ter sido evitada. Precisaria de um tempo para digerir a informação, mas precisaria de muito mais tempo para superar a perda de seu irmão. Ambas as situações tinham um peso enorme em sua vida... Seria necessário atenuar isso primeiro. Não agiria como um mongol, um retardado. Faria a coisa da forma certa dessa vez.

Só queria ser feliz e sorrir sem culpa. Isso acontecia naturalmente enquanto jogava basquete... Mas e quando estava sozinho?

***

15h06min

~Aomine Daiki~

— DAI-CHAN! — A voz esganiçada de Satsuki ecoou pelo pátio, trazendo ao interior de Aomine o desejo de sumir ou esconder-se em um buraco qualquer. Odiava aqueles rompantes escandalosos da amiga, ainda mais quando esgueirava-se para a entrada da escola, tentando fugir do treino de basquete.

— Hm... — Bufou, virando-se para observar a aproximação afobada da amiga. — Que foi Satsuki?

— Leia você mesmo! — Ela estava radiante. Sem pensar muito, a menina esticou o braço com o celular cor de rosa em mãos, quase atingindo seu nariz.

— Ah, me dá isso aqui! — O moreno resmungou com a voz arrastada, pegando o celular em mãos para ler o que ela procurava mostrar. Queria ir para casa.

Kuroko Tetsuya: Boa tarde Momoi-san.Tudo bem com você? Bem, tenho algumas coisa para lhe dizer sobre aquele assunto. Conversei com o Kagami-kun no horário do almoço, e parece que o Aomine-kun enviou algumas mensagens para ele no sábado.

Há essa altura o coração de Daiki já encontrava-se acelerado. O assunto com certeza era de seu interesse. Após um longo suspiro, o moreno umedeceu os lábios com a ponta da língua e continuou com a leitura, afobado.

Kuroko Tetsuya: Ele não foi feliz com o dia do envio, pois o Kagami-kun estava mal por alguns motivos óbvios, como o término com o Himuro-kun. Mas parece que surtiu algum efeito positivo no final das contas.

— Ah. Meu. Caralho! — O moreno não pôde deixar de sorrir a partir daquele ponto, percebendo que seu corpo esquentava aos poucos.

— Continue a ler Dai-chan, continue! — Ela disse, apressada, agitando as mãos.

Kuroko Tetsuya: Fale com o Aomine-kun a respeito disso, e peça para ele ir com calma. Kagami-kun está pensativo sobre a conversa, mas pode se sentir pressionado se as mensagens continuarem chegando tão de repente. Por enquanto é isso. Mas como você está? Já recebeu a lista do Interescolar?

Daiki não precisou dizer mais nada, apenas abriu um sorriso gigante, o maior que apareceu em seu rosto nos últimos meses. Quando tudo parecia perdido, uma pequena luz surgia para animá-lo. Ou era um cara muito sortudo nesses aspectos, ou Kagami era realmente sua sina — o que era mais provável. Ele terminara com o Franjinha e agora estava pensativo sobre sua mensagem. Não haveria notícia melhor para embalar aquela semana.

Parecia bom demais para ser verdade! Dava até medo.

— Vocês dois são bem fofoqueiros, não? — Aomine perguntou com uma animação palpável, devolvendo o celular à amiga. — Não sabia que ficavam falando disso pelas nossas costas.

— Vocês dois jamais conseguiriam se resolver sozinhos. — Ela sorriu com inocência, guardando o objeto novamente em sua mochila. — Já sabe o que vai fazer agora Dai-chan?

— Bem... Acho que preciso dar um tempo para ele pensar. Não é? — Perguntou à amiga, mordendo os lábios, mal contendo o sorriso teimoso que se repuxava em seu rosto.

— Só não se enrole muito dessa vez, se é que me entende! — Ela piscou, segurando a manga de sua jaqueta na intenção de puxá-lo para dentro da escola. — Mas por enquanto você vai treinar, como todo mundo. Tem um Interescolar aí pela frente, e algo me diz que vamos cair em uma chave muito interessante esse ano.

— Ah, Satsuki... — Seu sorriso se desfez, mesmo que seu interior ainda estivesse em um verdadeiro caos.

— Nem te contei contra quem nós vamos jogar, não é? — Ela sorriu de canto, ignorando sua reclamação, incitando-o a pensar. — Tenho certeza de que você vai gostar de saber.

— Seirin? — Perguntou esperançoso, dando-se por vencido enquanto se deixava carregar pela amiga. — Ou Yosen? Quase preferia Yosen! Ou é Yosen e Seirin?

— Depois do treino eu te conto. — Momoi sorriu de canto, livrando-o do puxão assim que percebeu que o moreno a acompanhava. — Mas precisa se empenhar hoje, do contrário não vou te falar.

— Sarna. — O moreno fingiu indignação, mas o sorriso besta teimava em aparecer. Era inevitável.

O moreno seguiu para dentro do ginásio, mesmo que sua cabeça estivesse à milhões de quilômetros dali. Queria ver Kagami naquele exato momento. Precisava falar a ele sobre todos os seus sentimentos, pedir desculpas pelas suas mentiras, tentar explicar suas razões, falar sobre a aliança que comprara... Queria tanto beijá-lo mais uma vez, abraçá-lo, senti-lo perto de si. Era quase uma necessidade básica agora.

Teria tanto a fazer até que tudo ficasse bem novamente... Porém o melhor de tudo era saber que não era algo tão utópico assim. Não mais. Não quando encontrara uma direção para seguir. Só precisava ir com calma.

Kagami Taiga seria seu mais uma vez. Aomine nunca esteve tão certo disso.

Notas finais
Bem... E por hoje é isso aí pessoal. O que me dizem do capítulo? Ficou bom ou ficou chato? Estava com um baita medo de postar... Hehehehehehe! A música de hoje é para o início do capítulo e sua parte um pouco mais triste... Heartless, The Fray: https://www.youtube.com/watch?v=LBTdJHkAr5A // Tradução: http://letras.mus.br/the-fray/1530911/traducao.html Aqui está meu e-mail, para quem ainda não conseguiu mandar o endereço: floriani.alana@gmail.com E por hoje é só pessoal, estou com pressa porque me atrasei e amanhã cedo preciso estar em pé, hehehehehe! OBRIGADA POR TUDO! Amo vocês, meus leitores lindos. Beijão enoooooooooooorme da Lana-chan e boa semana! ;************************************************