Notas iniciais
~ASSISTAM O VÍDEO LÁ NO FINAL, É UM RECADO IMPORTANTE DA AUTORA CHATA~ Boa noite meus leitores lindos e cheirosos! Tudo bem com vocês? Bem, acho que não vou me demorar muito aqui em cima! Avisos paroquiais, lá em baixo com as músicas xD Não me matem s2 Boa leitura meus anjos! ;**********************************************

Duas semanas depois — Sexta-feira — 18h02

~Kagami Taiga~

— Por hoje chega, pessoal! — Riko exclamou em alto e bom som antes de soprar o apito que indicava o final do treino. — Agora venham até aqui. Reunião, bem rapidinho!

Um burburinho de alívio e algumas reclamações de cansaço ecoaram pelo ginásio inteiro, conforme todos os membros do time dirigiam-se ao centro do local, atritando seus tênis barulhentos pelo chão de madeira polida. O clima de esgotamento que permeava o clube de basquete era sempre o mesmo naquela época do ano, e por um único motivo: O Interescolar se aproximava. Em outras palavras, a temporada de treinos sádicos e impiedosos de Riko Aida estava oficialmente aberta.

Apesar das absurdas dores musculares que sentia ao chegar em casa, Kagami adorava aquela intensidade toda. Sua empolgação era notável, já que mantinha o título de ás do time — orgulhava-se muito dele, por essas e outras nunca reclamava dos treinos pesados, apenas esforçava-se em dobro para superar-se constantemente. Isso sem falar na tensão que antecedia as competições... Era uma sensação muito gostosa e única para Taiga — tanto é que perdia o sono por causa disso —, principalmente agora que Seirin precisava lutar para manter o título de escola campeã. Um desafio a mais.

A grande verdade era incontestável: Kagami Taiga amava o basquete de uma maneira inexplicável. Era um sentimento recíproco, não havia decepções — mesmo com as derrotas — e nada de palavras para magoar lado algum. Perfeito, divertido e emocionante. Sem contar que era uma maravilhosa maneira de manter sua cabeça ocupada... Já que ela andava cheia demais nos últimos dias, com muitas preocupações, hipóteses e vontades inconsequentes.

De qualquer forma, não era hora de pensar nisso... Não ali. Kagami repreendeu-se, aproximando-se de Kuroko, que já se reunia com o resto do pessoal. Se começasse a lembrar de Aomine Daiki e Himuro Tatsuya até mesmo durante os treinos, estaria condenado. Tornaria-se um senil antes mesmo de ficar velho.

— Bem, pessoal, foi divulgada a tabela dos jogos do Interescolar! — Riko anunciou, agitando uma prancheta em sua mão, assim que todos contornaram a área central do ginásio. O murmúrio de animação foi geral. — E já aviso... — A tirana ergueu a voz com um olhar desafiador, restaurando o silêncio entre seus 'súditos'. — Não pegamos uma chave muito fácil.

A apreensão fez-se presente de imediato. Riko sempre usava as pausas dramáticas e ameaçadoras para criar um 'clima' enérgico, porém aquilo de certa forma começava a preocupar Kagami. O Interescolar possuía seus pontos positivos — o basquete e toda a sua emoção, lógico —, porém havia os lados negativos também. Encontros, situações, pessoas... Quer dizer, qual era a chance de o destino colocar Touou em seu caminho? Ou até mesmo Yosen. Seria complicado em qualquer um dos casos. Mas não podia misturar as coisas. Basquete era basquete. Sentimentos idiotas e perdidos de Kagami Taiga eram outra história.

Apenas esperou, com o coração na mão, torcendo para que não enfrentasse nenhum dos dois.

— Nosso primeiro jogo é contra uma escola de médio porte, Reitaku. No ano passado eles não se classificaram. — A treinadora murmurou, descendo o olhar para o material em suas mãos, girando uma página brevemente antes de voltar para a anterior. — Se vencermos... Ou melhor... Quando vencermos, jogaremos contra Shutoku, que provavelmente conseguirá passar da primeira fase. — Riko ergueu os olhos para os presentes, que pareciam um pouco aliviados com os primeiros adversários. — Porém, presumo que paralelamente acontecerá a disputa entre Yosen e Touou. Ao chegarmos na próxima etapa, jogaremos contra o vencedor... E aí está o meu verdadeiro medo.

E o de Kagami também.

Aomine versus Himuro. Essa partida beirava a ironia. Apenas sua menção fez o coração do ruivo parecer deslocar-se alguns centímetros de seu lugar de origem, tamanha foi sua surpresa. A vida era piadista demais para seu gosto. Morreria precocemente por causa dessas coisas, era um fato.

Kagami percebeu um leve olhar de Kuroko queimando em sua direção, no entanto permaneceu impassível, contendo o suspiro que quase precisava soltar naquele momento. Limitou-se em engolir a saliva que acumulou-se em sua boca, evitando imaginar a futura partida que teria com o vencedor daquela disputa. No fundo preferia que fosse Aomine, só não sabia muito bem o motivo. Medo de encarar Tatsuya, ou a simples vontade de ficar perto do moreno em quadra? Talvez as duas hipóteses...

— Em resumo, vamos vencer Reitaku na primeira eliminatória. — Hyuuga pronunciou-se com a vontade de sempre, olhando de esguelha para Riko, como se buscasse apoio. — Depois com certeza enfrentaremos Shutoku. Lógico que eles vão passar da primeira fase... Então precisamos vencê-los. Vai ser nosso primeiro desafio.

— Sim! — O time concordou em uníssono, com uma animação na voz.

— Mas não subestimem Reitaku. — Riko avisou, estreitando os olhos. — É uma escola nova, mas nós também éramos no ano passado. E onde acabamos? — Ela sorriu de canto, trazendo o clima eufórico ao time. Relembrar que eram campeões da Winter Cup tornava tudo muito mais agradável. — Heh! Por hoje é só pessoal. Vazem. — Aida soou o apito pela segunda vez, liberando o time. — E descansem. Amanhã tem mais! — O sorrisinho sádico voltou ao seu local de origem.

Segundos após esse aviso altamente ameaçador, os jogadores começaram a conversar entre si sobre o Interescolar enquanto dirigiram-se ao vestiário, ou apenas ao banco na lateral da quadra — como no caso de Kagami, que sempre largava suas coisas por ali mesmo. O ruivo não estava nem um pouco afim de tomar uma ducha na escola. Aprendera a apreciar banhos demorados e relaxantes, onde poderia cantar ou ouvir música muito alta... Porém ali era sempre uma luta até conseguir um chuveiro decente — já que dois deles não esquentavam há meses. Isso sem falar que dividir o vestiário com um monte de caras pelados era, no mínimo, constrangedor. A solidão de seu banheiro azul era mil vezes mais confortável.

— Já vai para casa, Kagami-kun? — Kuroko perguntou, observando-o de esguelha enquanto ocupava-se de reunir seus próprios pertences em cima do banco.

— Sim. Estou cansadão. — Taiga murmurou, jogando a mochila sobre um dos ombros. — Vou dormir para sempre nesse final de semana. — Sorriu com o pensamento, percebendo a preguiça sobressair por sua própria voz. Torceu o nariz em seguida, pois não costumava ser assim.

— Entendo. — Kuroko disse, colocando a jaqueta do uniforme. — Está tudo bem? — Ele questionou com um tom que denunciava exatamente ao que se referia. À partida Touou x Yosen recém anunciada.

— Sim, né? — O ruivo deu de ombros, tomando os últimos resquícios de água em seu squeeze. — Fazer o quê? Que se matem durante o jogo. — Riu da hipótese, balançando a cabeça negativamente. — Não vou querer estar lá para assistir. Sério!

Kagami não sabia de onde tirava humor para aqueles assuntos sérios e relativamente preocupantes. Era um sinal de que tudo estava ficando menos ruim, para não dizer melhor? Provavelmente, já que seu sorriso vinha com muito mais frequência agora. Nem pensava mais tanto assim nos problemas, não se martirizava com a frequência de antes e também não havia mais cobranças. Sua vida fluía normalmente, sem pressão de lado algum. Estava bem assim, sinceramente.

— Acredito que esse Interescolar ainda vai ser muito interessante. — Kuroko comentou distraidamente, colocando a mochila sobre seu próprio ombro. — O Aomine-kun tem falado com você?

— Hm. Mais ou menos. — O ruivo torceu o nariz, buscando intuitivamente pelo celular em seu bolso, com a ponta dos dedos. — Tipo, ele sempre me manda qualquer coisa pelo WhatsApp, de madrugada. Insistente pra caralho. — Sorriu com o fato, um pouco contra sua vontade. Culpou-se no segundo seguinte, mas era incapaz de esconder a verdade. Gostava bastante de receber aquelas mensagens aleatórias do moreno, mesmo que ainda se sentisse um pouco apreensivo e desconfiado. E culpado em relação a Tatsuya, claro. — Só que ainda não consigo respondê-lo. — Comentou com um tom mais sério, abandonando o tato do aparelho para segurar a alça da bolsa. — Quem sabe uma outra hora...

— Entendi. — O rapaz assentiu. — E o Himuro-kun?

— Bem... Ele sumiu da minha vida, de fato. — O ruivo suspirou, olhando para a porta de saída do ginásio. O assunto era desconfortável e deveras triste, entretanto não havia mais o que fazer a respeito. A irmandade unilateral chegara ao fim, infelizmente. — E também não o procurei mais. Seria pior, certo? — Buscou a resposta, olhando para Kuroko.

— Ah, com toda a certeza! — O amigo concordou com um ar recheado de humor negro, mesmo que quase imperceptível. Kagami notou por pouco, estreitando os olhos. — Bem, vamos então? — Kuroko perguntou, encarando-o com o rosto inexpressivo de sempre no segundo seguinte.

— Vamos. — O ruivo acenou positivamente, acompanhando-o até a saída enquanto se despedia vagamente do pessoal que ainda estava na quadra. Eram os novatos, que também preferiam tomar banho em suas casas. Espertos.

Os dois caminharam em silêncio até o portão, contornando a construção vazia da escola. A quietude era quase insuportável, e dessa vez Kagami não conseguiu esconder sua agitação, e muito menos sua curiosidade. Vinha captando muitos sinais esquisitos de Kuroko desde quando ele começara a dar-lhe conselhos amorosos — por assim dizer —, porém agora chegara ao seu limite. Precisava especular. O fez assim que ultrapassaram o os limites do colégio e iniciaram seu trajeto pelas calçadas quase vazias.

— Kuroko, na boa, você sabe muito sobre relacionamentos e essas coisas... Já namorou alguém? — Foi direto ao quebrar o silêncio, já que discrição não era seu forte.

— Ah... — O menor encarou o ruivo no exato instante em que terminara de perguntar, mas seu olhar azulado voltou-se imediatamente para a calçada. Parecia constrangido. — Por que a pergunta?

— Você sabe de tudo. — O ruivo murmurou com se fosse óbvio, colocando as mãos no bolso da calça, envolvendo o celular com os dedos, intuitivamente. — É impossível você ter tanta noção de assuntos afetivos só por ler livros. — Murmurou, inconformado, soltando o peso dos ombros.

— É um assunto bem delicado, Kagami-kun. — O menor respondeu com uma calma assustadora se comparado à reação acanhada de segundos atrás. — Mas já tive minha decepção amorosa também.

— Teve? — O ruivo sobressaltou-se, olhando-o com uma espécie de assombro. Não estava esperando, mesmo que estivesse esperando. Fez sentido?

— Sim. — Ele ergueu minimamente as sobrancelhas, virando o rosto para encará-lo. — No fundamental.

— Quem? — A pregunta praticamente surgiu em seus lábios com uma espécie de urgência, mesmo que não quisesse ser intrometido. Recompôs-se no mesmo momento. — Quer dizer, me conte se quiser. Provavelmente não devo conhecer... E... — Coçou a nuca com uma das mãos, removendo-a do bolso. — Enfim. Você é quem sabe.

— Não gosto de lembrar, mas já está quase passando. — Ele sorriu de canto, parecendo satisfeito. — Conversaremos sobre isso outra hora, quando eu estiver de bem com o assunto. Prometo que vou te contar. — Kuroko afirmou, movimentando o rosto para o lado, para encará-lo mais uma vez. — Pode ser?

— Tudo bem. — Kagami resmungou em concordância, voltando o olhar para a rua em sua frente, a qual precisava cruzar. Parou ao constatar que o sinal para pedestres estava fechado.

Diacho. Aquelas palavras de Kuroko só faziam sua curiosidade aumentar, no entanto ele mantinha aquelas porcarias de enigmas para foder com sua cabeça. Esse era o problema de Kuroko, fechado como um cofre. Mas tudo bem, se ele dissera que um dia iria se abrir, então só precisava esperar e controlar a curiosidade... Já conseguira controlar tanta coisa nos últimos tempos — tipo o ímpeto de responder cada mensagem aleatória que Aomine mandava durante a madrugada —, não custava se esforçar um pouco pelo amigo.

E não é como se o assunto o dissesse respeito também.

***

20h06min

~Himuro Tatsuya~

— Boa noite Toshime-san. — Tatsuya cumprimentou o porteiro com uma cordialidade nada condizente ao seu estado de espírito, assim que adentrou a recepção daquele prédio tão conhecido.

— Boa noite rapaz. — O senhor de meia idade sorriu de forma forçada, desviando a atenção de seu jornal com certa relutância. — Nossa, faz tempo que você não aparece por aqui. — Ele pontuou, erguendo uma de suas sobrancelhas grisalhas ao se dar conta de quem acabara de entrar no recinto.

— É. Faz sim. — Himuro concordou, perdendo o olhar nas paredes cor de pêssego com alguns detalhes em madeira. Há duas semanas não visitara mais o ruivo, não entrara em contato com ele, não o procurara... Era um longo tempo. Já conseguira absorever as coisas, mesmo que os sapos ainda estivessem entalados em sua garganta. Resolveria tudo hoje, já que estava tudo bem mais uma vez. — Estive ocupado com a escola, por isso consegui aparecer apenas agora. — Inventou a primeira desculpa que surgiu em sua mente, voltando o olhar para o porteiro. — O Taiga está em casa?

— Taiga... Hm. Sim, sim. Pode subir. — Toshime-san fez um gesto simplório indicando o elevador, após pensar por alguns segundos. — Vou avisar que você está subindo. — Ele comentou, já buscando o telefone em sua mesa com formato de 'U'.

— Não precisa! — Tatsuya foi ligeiro com o teatro, sorrindo com o maior carisma dissimulado que conseguiu reunir. — Estou querendo fazer uma surpresa para ele. Pode ser?

— Claro. — O porteiro assentiu, sorrindo de canto ao voltar para a leitura de seu jornal. — Boa sorte.

— Obrigado. — Himuro riu brevemente enquanto caminhava até o elevador, pensando que realmente iria precisar... Mesmo não acreditando nessas coisas.

~Kagami Taiga~

O ruivo encontrava-se deitado confortavelmente no sofá, clicando continuamente o botão do controle remoto em busca de algum canal bom. Não precisou de meia hora para constatar que nada na televisão parecia interessante o suficiente para prender sua atenção. Filmes que já assistira, reprises de jogos de basquete, reportagens estranhas sobre cachorros e crocodilos, o mesmo episódio de Alienígenas do Passado, estilizações ridículas de carros... Nada. Simplesmente nada!

Em um ímpeto raro de perversão, Kagami teve a ideia brilhante de assistir um pornô, já que não tocava uma punheta há pelo menos quatro ou cinco dias — talvez mais. Foi até o canal For Men, mas a preguiça falou mais alto assim que presenciou a propaganda (vergonhosa) de um masturbador masculino de última geração, 'o mais ergonômico do mercado, acompanhado de vibrador, autolubrificante e dermatologicamente testado'. Precisou revirar os olhos e soltar uma risada. Foi bem broxante ver um cara enorme com aquele aparato besta, desnecessário e 'roxo' no pênis... Isso sem falar que uma punheta agora daria sujeira pra caramba, e no final sentiria-se meio idiota, já que naquele mesmo sofá transara de verdade com Daiki. E recusara uma transa de Himuro também.

— Hm... — Resmungou consigo mesmo, percebendo o rumo chato de seus pensamentos.

Estava evitando aquele marasmo depressivo há vários dias, e descobrira-se ótimo nisso, por mais incrível que pudesse parecer. Talvez porque via-se livre, de certa forma? Quem sabe. Era um pensamento bem egoísta, mas real, já que podia praticamente sentir isso.

Taiga mudou de canal na hora, para o basquete mesmo, e ali ficou por longos minutos tentando prestar atenção no conteúdo. Tarde demais, já estava focado naquele outro ponto que o perseguiria pela eternidade se não desse um jeito. Era incrível como sua cabeça, por mais conturbada (e culpada) que estivesse nos últimos tempos, sempre voltava paraele... Era tão natural, principalmente levando em consideração os acontecimentos de sua vida.

— Daiki... — Murmurou quase inaudivelmente, deslizando os dedos até o bolso de sua calça de moletom em busca do celular, enquanto seu olhar mantinha-se fixado no desempenho dos Clippers nos jogos da temporada passada. — Você está bem persistente... Não é? — Sorriu de canto, abrindo o WhatsApp pela milésima vez, apenas para reler as mensagens aleatórias que ele o enviara no decorrer das últimas duas semanas. — Aho. — Soltou uma breve risada descendo o olhar pela tela.

Aomine Daiki: Oi o/

Aomine Daiki: Boa noite Taiga.

Aomine Daiki: Tá dormindo?

Aomine Daiki: Vai me responder um dia?

Aomine Daiki: Boa noite o/

Aomine Daiki: Oi Taiga xD

Era até engraçado para Kagami descrever o que sentia ao receber um Whats daqueles. A surpresa inicial caminhava imediatamente pra uma enorme desconfiança, e então vinha aquela teimosa (e gostosa) felicidade, levando alguns sorrisos abestalhados para o rosto de Taiga em plena madrugada. Logo depois — quando o sono se perdia — chegavam as lembranças das palavras duras de Aomine, seguidas pela chance enorme de tudo ter sido uma mentira... E então vinha a esperança imensa de, quem sabe um dia, voltar com o cara que tanto gostava; para depois surgir a culpa de ter fodido com seu relacionamento com Himuro e agora estar ali como um bobo lendo mensagens de outra pessoa.

Havia uma linha extremamente tênue entre razão e emoção, por essas e outras Kagami nunca conseguia agir. Tinha medo de sua própria ingenuidade, e isso sempre o segurava na última hora, mesmo que seu coração praticamente implorasse de joelhos para que respondesse cada 'oi' que recebia.

Por mais que necessitasse de um tempo sozinho para pensar, o ruivo começava a pender para o lado da emoção mais uma vez, já que razão nunca fora seu forte. Sentia falta de Daiki, e agora que ele estava se aproximando pelos arredores, com um suposto arrependimento, Kagami sentia uma puta vontade de ceder, de conversar, de resolver as coisas. Queria voltar, e que se dane o passado. Essa era a bosta da verdade.

Mas não era tão simples assim... Ou era?

De repente — e distraidamente —, Kagami percebeu o status 'digitando' aparecer logo abaixo do nome de Daiki, noWhatsApp. Em meio a um sobressalto enorme, sentou-se no sofá com o celular em mãos, apenas esperando o que iria surgir dali. A coincidência de Aomine buscar contato justamente quando Taiga olhava para o celular (e pensava nele) não podia ser a toa. Não que acreditasse em destino ou coisas do tipo, mas... Foi muito repentino.

Aomine Daiki: Oi Taiga. Tá por aí agora?

— Ai caralho. Respondo ou não respondo? Respondo ou não respondo? — Perguntou apreensivo para o celular em suas mãos, apertando-o com um pouco mais de força do que deveria. Estava receoso, mas hoje a vontade de especular falava mais alto que seu medo.

E se Daiki fosse 'inocente'? E se ele realmente mentira sobre tudo aquilo para se defender, como Kuroko dissera, e agora estava arrependido? Quer dizer, ele não ficaria correndo atrás de alguém se não houvesse um bom motivo para isso. Ninguém perderia tempo assim, por mais idiota que pudesse ser. E se ele quisesse uma segunda chance? Ou será que estava sendo otimista e otário mais uma vez em relação à isso?

— Ah, que se foda. — Mordiscou o canto os lábios ao chutar qualquer resquício de razão de seu cérebro, já deslizando o dedo indicador sobre a tela. — Não estou enganando ninguém nessa bosta.

Desculpa, Tatsuya. Pensou com uma pontada de culpa antes de apertar a tecla 'enviar'. Não fazia nada de errado, apesar de seu coração estar em frangalhos. Apenas queria tentar de novo, e para isso precisavam conversar. Pronto. Não podia controlar as vontades de seu coração. Gostava mesmo de Daiki, por mais magoado e confuso que estivesse.

Kagami Taiga: Estou.

Kagami perguntava-se se Aomine parecia realmente esperar uma resposta sua naquele momento. Provavelmente não, já que a hesitação foi palpável. Isso o fez sorrir internamente. Segundos depois o status 'digitando' voltou a ocupar o seu espaço, porém há essa altura a unha do dedo médio de Kagami já havia sido consumida.

Aomine Daiki: Tdo bem?

Kagami Taiga: De boa. E você?

Aomine Daiki: Tbm.

Kagami Taiga: :)

Aomine Daiki: Fazendo o q agr?

— Meu caralho, que conversa mais besta. — Engoliu em seco com um sorriso bobo nos lábios, sentindo a respiração pesar no mesmo instante em que se ajeitava no sofá. Era bem contraditório ter um diálogo informal com o cara que supostamente o humilhara há alguns meses. Beirava o irônico sentir-se eufórico com isso, porém era inevitável.

Kagami Taiga: Assistindo NBA. E você?

No mesmo instante que enviou a mensagem, o ruivo ouviu três leves batidas na porta. Sua alma quase saiu do corpo naquele instante, já que estava mais do que concentrado no diálogo que finalmente tivera coragem de prolongar — por mais piegas, vazio e introdutório que ele fosse. Intuitivamente olhou para e entrada, desejando que a pessoa ali parada sumisse em um passe de mágica, seja lá quem fosse. Infelizmente as batidas persistiram, assim que o celular em sua mão vibrou mais uma vez.

Aomine Daiki: Nda. Só tô deitado.

Fuck. — O ruivo praguejou em voz baixa, olhando uma última vez para o celular antes de levantar-se para atender a porta. — O porteiro tá la pra quê? Coçar o saco? — Sibilou, inconformado com a falta do aviso, caminhando vagarosamente até a entrada do apartamento.

Era muito azar. Fora interrompido justo agora que tomara uma atitude para tentar reestabelecer a conexão com Daiki. Ou será que fora 'salvo pelo gongo'? Quer dizer, qual a probabilidade de Aomine só querer comê-lo, para depois dar no pé, como da última vez? Enfim... Razão e emoção duelavam incansavelmente em seu âmago, mas as respostasnunca vinham.

Independentemente de qualquer coisa, Kagami só descobriria a verdade depois que conversassem pessoalmente, mas para isso ainda não estava preparado. Era até melhor que ficassem apenas com os Whats clichês e sem conteúdo algum, afinal, não podia simplesmente jogar toda sua confiança em alguém que o já esculachara sem pensar duas vezes.

Kagami sabia que estava sendo impulsivo e otimista ao agir daquela forma, respondendo tão naturalmente. Por mais que gostasse da apreensão, do frio na barriga, da sensação que o sorriso causava em suas bochehcas, de perceber o coração palpitando com intensidade, era errado não pensar na situação como um todo. Teria que ter cautela para não se queimar uma vez mais, principalmente agora que pulava insistentemente ao redor da fogueira — novamente.

Com um suspiro de evidente contrariedade, o ruivo guardou o celular no bolso e posicionou-se em frente a porta, sentindo o aparelho vibrar mais uma vez contra a pele de sua coxa. Queria ler a nova mensagem. Queria conhecer os motivos de Aomine. Queria estar com ele mais uma vez...

Nem para si mesmo era capaz de mentir. A emoção já vencera há tempos aquela guerra idiota.

É bom que seja importante... Os pensamentos resmungaram assim que o ruivo girou a maçaneta e a puxou em sua direção. A pessoa que apareceu em sua frente de alguma forma fez sua alma o abandonar de verdade, para voltar milésimos de segundos depois.

— T-Tatsuya? — Gaguejou, parecendo congelar por inteiro. A denúncia do contrário foram as palpitações em seu peito, cada vez mais intensas.

Kagami estava fodido. Fora pego em flagrante tentando ser feliz mais uma vez, enquanto outro alguém sofria por sua culpa. E esse alguém agora estava ali em sua frente. Não havia deslize maior. Himuro leria seus pensamentos e ficaria mais triste ainda. Ele ouviria a vibração em seu bolso e perguntaria quem estava entrando em contato, e o mataria se descobrisse. Ele o odiaria mais ainda.

— Oi Taiga. — Tatsuya ergueu os olhos acinzentados e frios para encarar o ruivo. Ele parecia bem cansado, com olheiras proeminentes. — Posso entrar para a gente conversar um pouco? Ou... Está ocupado?

Kagami nada disse. Apenas engoliu em seco e abriu passagem, respondendo de forma muda. Não sabia muito bem como agir naquela situação.

~Aomine Daiki~

O moreno sentia-se patético, mas extasiado. Jamais imaginara que Kagami responderia sua mensagem aleatória daquela sexta-feira, então teve um sobressalto no mesmo instante em que a palavra 'Estou' surgiu na caixa de diálogos de seu WhatsApp. Sinceramente, esperava apenas o vazio mais uma vez. Pelo visto sua sorte mudara, milagrosamente.

Sempre vira cenas de pessoas empolgadas correndo pelo cômodo ao receber uma mensagem de alguém importante, mas sinceramente nunca se imaginou em tal situação. Não que tenha feito exatamente isso, mas rolou de um lado para o outro na cama — como um verdadeiro idiota —, o que o levou a revirar os olhos no mesmo instante, mal se reconhecendo.

Dane-se. Estava sozinho em casa mesmo... Ninguém precisava saber.

Daiki sentia-se irrevogavelemente feliz e eufórico, percebendo que Kagami estava cautelosamente aproximando-se de si mais uma vez. Era impossível conter a animação, ainda mais percebendo que estava prestes a receber uma segunda chance do cara por quem era apaixonado. Ou era muito otimismo de sua parte? Independente do que fosse, sentia-se esperançoso de verdade. Agora mais do que nunca.

O sorriso não desaparecia de seu rosto enquanto ainda olhava para as respostas — extremamente vagas, mas ainda assim respostas — de Taiga. Agora apenas aguardava com a nuca apoiada na cabeceira da cama e com o celular em mãos, relendo o diálogo continuamente enquanto ouvia Arctic Monkeys.

Aomine Daiki: Vc vai fazer alguma coisa amanhã?

Impossível não notar que resposta estava demorando mais do que deveria. Será que fora direto demais?Provavelmente. Quer dizer... Kagami acabara de entrar em contato pela primeira vez depois de algumas (longas) semanas, não confiava realmente em si e com certeza esse fato não mudaria tão rapidamente — ainda mais depois das merdas irreparáveis que disse a ele. Simplesmente chamá-lo para sair de forma repentina não soaria de uma forma muito convidativa. Ele iria desconfiar. Daiki desconfiaria em seu lugar, pelo menos.

— Merda... Deveria ter falado do Interescolar. — Bufou para si mesmo, digitando novamente, em uma tentativa de se recompor.

Precisava amenizar a situação, pois gostaria de mostrar um pouco de maturidade. Faria as coisas com calma, e da forma certa — mas sem a demora da última vez, afinal, ela mostrou-se bem desnecessária e caótica.

Aomine Daiki: Qr jogar basquete?

Após enviar o novo texto óbvio que surgiu em sua mente, Daiki aguardou mais uma vez. Longos minutos transcorreram, e nada apareceu na caixa de diálogo. Taiga não estava mais lá.

— Droga... — Soltou um muxoxo, torcendo o nariz ao soltar o peso dos braços na cama, ao lado de seu corpo parciamente deitado.

Apesar da evidente frustração, o sorriso não tardou a voltar para seu rosto. Tinha certeza de que nada estava perdido. No início Aomine realmente imaginara que a chama havia se apagado no interior de Taiga, no entanto parece que se enganara. Ela ainda estava lá, escondida em algum canto, Aomine precisava apenas encontrá-la e jogar um pouco de gasolina em cima... E faria isso, porém, antes de qualquer coisa deveria reconquistar a confiança do ruivo, mesmo que isso levasse milênios para acontecer.

Pôs-se a digitar novamente, juntando os polegares na tela de seu celular.

Aomine Daiki: Foi mal. Não qro te pressionar. Só to com saudade.

Aomine Daiki: Boa noite Taiga.

Aomine não pensou muito mais, deduziu que concluir as mensagens dessa forma fora melhor do que simplesmente deixar a pergunta no ar. Enviou assim mesmo, evidenciando que ele era importante para si. Há essa altura Kagami já imaginava que Daiki realmente se arrependera e que gostaria de tentar mais uma vez... Por mais lerdo que ele fosse.

O pensamento fez o moreno sorrir, emendando novas divagações em sua mente. Sentia realmente falta de Taiga, dos caninos aparecendo em seu sorriso, da voz rouca e engraçada que ele tinha, do jeito exagerado que ele usava para se expressar, do cheiro selvagem de sua pele, do gosto úmido e adocicado de seus lábios, do corpo perfeito e quente que ele tinha, da forma única e obscena que transavam...

— Bakagami... — Sibilou ao sentir um breve calor involuntário surgir em seu baixo ventre, olhando para a minuatura que aparecia no perfil de WhatsApp dele. — Você vai me dar outra chance, não vai? — Sorriu de canto, verificando mais uma vez se ele visualizara a mensagem. Ainda não. — Vai sim... Sei que vai.

Dito isso, o moreno suspirou fundo e fechou os olhos, deixando o celular ao seu lado, no travesseiro. A melodia de I Wanna Be Yours preenchia seus ouvidos, alimentando mais ainda os devaneios nada inocentes, que surgiram espontaneamente em sua cabeça. Não era o momento mais oportuno para pensar nesse tipo de coisa, ainda mais quando Taiga estava longe de seu alcance, no entanto à cada segundo tornava-se mais inevitável... Sentia a ereção crescer no meio de suas pernas, principalmente ao lembrar que já haviam transado ao som daquela mesma música.

Não foi apenas uma ou duas vezes que Aomine se masturbara ao pensar em Taiga nesse tempo em que estavam separados — e por motivos insignificantes —, porém naquele momento a euforia, a saudade e a necessidade se misturavam, levando Daiki a engolir em seco. Precisava tocar-se, perder-se nas lembranças do corpo de Taiga cavalgando sobre o seu, nos gemidos gostosos que ele soltava contra seus lábios, pedindo por mais...

Era um homem, a testosterona corria por seu corpo, não transava há muito tempo, sentia uma falta absurda de Kagami. Não podia controlar suas vontades e seus sentimentos.

— Hm... — Suspirou, descendo os dedos até seu pênis, que encontrava-se desconfortavelmente preso e apertado em sua cueca.

Gostaria que estivesse apertado em outro lugar agora... Sorriu malicioso, deslizando a roupa inoportuna por suas coxas, tanto a calça quanto a boxer preta. Seus dedos hábeis rumaram imediatamente até a ereção, espalhando o pouco pré-gozo por toda sua extensão. Lembrava-se de quando fazia isso com Kagami, da forma como ele delirava apenas por sentir-se tocado naquele ponto. Era incrível e extremamente lascivo.

— Taiga... — O chamou em um sussurro, passando os dedos sobre a cabeça de seu membro. — Senta no meu pau, senta... — Pediu para a imagem que surgiu em sua mente, fechando os dedos ao redor da glande, deslizando-os com facilidade até a base. — Ah... — Gemeu, cerrando seus olhos com mais força. Queria tornar aquilo real. — Vai, Taiga...

Os movimentos tornaram-se repetitivos, para cima e para baixo, levando-o a segurar os gemidos que teimavam em escapar por sua garganta. Daiki arfava discretamente, com os lábios entreabertos, visualizando mentalmente o corpo gostoso e enorme de Taiga subir e descer por seu membro, olhando-o extasiado, mordendo os lábios eroticamente, chamando seu nome vez ou outra com o timbre embargado de prazer.

Aomine sabia que o ruivo tinha certa vergonha ao iniciarem o sexo, mas ele rebolava ao sentir-se mais solto e excitado. Sua mão jamais conseguiria dar-lhe aquela sensação deliciosa que os quadris de Taiga se movendo o proporcionavam, por mais que tentasse. Nada se comparava àquilo, nenhuma mulher, nenhum homem. Nada!

— Vai, Taiga... — O chamou com a voz rouca, aumentando a intensidade do movimento de seus dedos, fechando-os mais ainda contra sua pele sensível. Não era tão apertado e quente quanto o interior de Kagami, mas a sensação era deliciosa.

Apenas as lembranças já levavam Aomine ao êxtase, mas nada se aproximava do real, apesar de as memórias estarem bem conservadas. Quase podia sentir o cheiro delicioso que o corpo do ruivo soltava — uma mistura de sua essência selvagem e do erótico aroma do sexo. Aquela fragrância forte impregnava-se em seus lençóis por dias seguidos no tempo em que estavam juntos, e, secretamente, Aomine masturbava-se sorvendo aquilo, noite após noite... Gostaria que Taiga soubesse disso agora, do quanto ele o excitava, o deixava louco, fora de controle... Do quanto Aomine precisavadele ao seu lado.

— Ah... — Mordeu os lábios, contorcendo o corpo de leve ao sentir o orgasmo precoce se aproximar, conforme aumentava a intensidade dos movimentos dos dedos. — Taiga... — O chamou com um gemido rouco e alto, sentindo cada parte de seu corpo amortecer e arrepiar-se ao mesmo tempo em que o gozo saia por seu pênis, sujando seus lençóis, seu tórax, suas roupas. — Ah... — Sibilou, diminuindo o ritmo da mão conforma a breve e deliciosa sensação se dissipava. — Caralho... — Suspirou, abandonando o membro e soltando o peso do corpo tenso na cama, ao mesmo tempo em que abria os olhos.

A claridade o cegou momentaneamente, mas a risada foi a única reação que restou em seu corpo. Fora uma punheta bem mais rápida do que geralmente era.

Aomine sentiu-se meio masoquista por masturbar-se com aquela intensidade, sendo que não teria o original para conter seus desejos. Mas não era como se Kagami significasse apenas isso. Amava o ruivo, talvez por esse motivo sentia-se tão perdido em seu próprio tesão. Nada chegava perto do que ele era para si. De certa forma sabia disso desde a primeira vez que se beijaram, mas decidiu esperar... Procrastinar... Adiar... Dar tempo ao tempo... Até perdê-lo de vez por ter sido covarde e individualista.

Aomine suspirou fundo, engolindo a saliva que juntou-se em sua boca. Arrependia-se de muita coisa, mas não era capaz de voltar no tempo para consertar tudo. Agora precisaria olhar para frente e pensar nas maneiras que faria para redimir-se, aproximar-se, retomar a confiança que antes Taiga depositara em sua pessoa, provar que era louco por ele, que o amava... E, claro, também precisava concentrar-se em dizimar o Franjinha no Interescolar, puni-lo por ter dado um beijo em seu Taiga e por ter — indiretamente — fodido com todo seu relacionamento com o ruivo.

Sorriu com o pensamento maroto, agressivo e repentino que despontava em sua mente, olhando para a cama suja de gozo que teria que limpar. O sorriso logo diminuiu, assim que as lembranças voltaram. Precisaria explicar ao ruivo que quando falara sobre sujar a cama, logo antes da viagem de Taiga, referia-se ao que acabara de acontecer, e não há outras pessoas que estiveram ali... Até porque aquele lugar pertencia apenas à ele.

Mas ele não sabia disso ainda.

Ainda!

***

~Kagami Taiga~

Era uma situação extremamente complicada. Há quantos séculos estavam ali, em silêncio, enquanto os olhares falavam mais alto do que qualquer outra coisa?

Himuro sentava-se exatamente no estofado de esquina do sofá em 'L', avaliando-o com um olhar cauteloso e impassível, como se estivesse esperando alguma manifestação, pergunta ou reclamação. Nada disso veio. Kagami não sabia muito bem o que fazer naquele momento. Oferecera-se para preparar um chá, minutos antes — usando esse tempo para organizar seus pensamentos —, mas agora o líquido em sua xícara já estava frio, e mesmo assim não sabia como se pronunciar.

Kagami sentia-se confuso e com uma irrevogável apreensão. Fora repentino demais para o seu gosto... E no piormomento. Era como se a vida o estivesse testando, procurando fazer o ruivo sentir-se culpado, já que trocava mensagens com Aomine Daiki há pouco tempo. Era uma provação que o fazia pensar na situação, no quão triste ainda estava em relação à quebra da irmandade, no quão magoado Himuro encontrava-se por sua causa, na fragilidade presente em seu interior.

Onde estava com a cabeça para buscar formas de se resolver com o Aomine? Não era justo com Himuro. Era um ato muito egoísta, quase nojento. Fora otimista demais... Idiota demais.

— Vamos ficar como dois bobos nos olhando aqui? — Ele suspirou fundo, repousando a xícara sobre a mesa de centro. Sinceramente, parecia de saco cheio de tanto esperar. Como Kagami nada disse, ele continuou: — Você sabe o motivo da minha visita, Taiga?

— Não exatamente. — O ruivo engoliu em seco, deixando o chá de lado também. Não conseguira tomar gole nenhum daquela bosta mesmo.

— Bem... Não vim pedir desculpas ou algo assim. Não me arrependo de quase nada do que te disse. — Tatsuya foi direto, encarando o ruivo com o rosto levemente inclinado para a esquerda. Ele agia assim apenas quando estava falando muito sério, Kagami sabia. — Só vim avisar que não aceitei os motivos do nosso rompimento. E por isso não vou deixar você sair da minha vida com tanta facilidade.

O ruivo apenas ergueu as sobrancelhas, assustado com a naturalidade que ele usava na voz — como se nada tivesse acontecido, como se ele não o tivesse pedido para sumir de sua vida, como se ele não tivesse despedaçado o elo entre os dois, como se não estivessem quebrados por dentro. Kagami nada disse, apenas aguardou em silêncio, sentindo uma leve dor no peito. De novo...

— Taiga, peguei pesado com você ao falar aquelas coisas, mas acredito que foi para o seu bem. — Ele prosseguiu, ainda com uma calma palpável. — Sempre estive aqui para te auxiliar, e não o contrário. Sei que suas intenções foram boas ao terminar comigo para tentar me privar de uma mágoa futura, mas eu não aceito. — Himuro simplificou, levantando-se e percorrendo a pequena distância que os separava, setando-se ao seu lado. Ele parecia um pouco mais calmo e suave agora, até lançara um meio sorriso para amenizar o clima. — Eu te amo e isso não vai mudar. Nunca vai.

— Tatsuya... — O ruivo engoliu em seco, olhando-o receoso. Sentia as mãos suarem, mas de puro medo. Não sabia onde ele queria chegar com aquilo, ainda mais depois de tudo o que disse em sua casa.

— Sim... É exatamente isso que você ouviu. — Ele sorriu de canto, passando os dedos por entre seus cabelos ruivos. — Não vou jogar anos de sentimentos fora. A única coisa que sumiu foi a forma como você me encarava. Hoje você sabe que não sou seu irmão, então também pode me amar de verdade. — Tatsuya sorriu, confiante, aproximando-se um pouco mais. — Sei que você vai conseguir, porque, apesar de ser um pouco devagar, você é persistente... Sei que existem sentimentos fortes entre nós dois, e eu vou saber esperar isso desabrochar de outra maneira.

O ruivo engoliu em seco. Estava sendo prensado contra a parede novamente, mas era possível enxergar o otimismo no olhar de Himuro. Aquilo o matou por dentro. Como diria que ainda gostava de Daiki, apesar de tudo o que acontecera? Como diria que não queria vê-lo de outra forma, que não fosse a de 'irmão'? Como diabos explicaria que não queria misturar os sentimentos, como fizera no passado?

— Tatsuya... Calma. — Engoliu em seco, desviando o olhar para a televisão ainda ligada no basquete, mas agora no mudo. — Eu... Não sei.

— Qual o problema, Taiga? — Tatsuya perguntou, apoiando a mão em seu queixo, pressionando-o para que girasse o rosto e voltasse a encará-lo. — Você disse que queria que a gente desse certo, lembra? — Tatsuya sorriu, gentilmente, acariciando sua pele com a ponta dos dedos. — Eu imagino que, ao termos desfeito essa ideia boba de irmãos, você consiga me ver de outra forma. Certo?

— Eu acho que... Não é bem assim que funciona. — Taiga engoliu em seco, um pouco assustado com a dedução de Himuro. Era como se ele tivesse feito aquilo por querer, apenas para chegarem nesse ponto. Mas era muita conspiração, estava pegando isso de Kuroko.

— Claro que é assim. — Ele sorriu como se fosse uma dedução óbvia, maneando o rosto para que a franja comprida voltasse ao lugar de sempre, tapando um de seus olhos. — Taiga, apenas fiz o que você me disse para fazer. Você disse que não conseguiria me ver como um homem enquanto me visse como irmão. Apenas tirei isso do nosso caminho. Agora está tudo certo... Dei esse tempo para você absorver os fatos. Agora já podemos voltar. — Himuro explicou, com uma naturalidade espantosa, como se realmente acreditasse naquilo.

— E-espera. — Kagami franziu a testa, mais confuso do que nunca, abrindo espaço entre os dois ao jogar o corpo minimamente para o lado oposto. — Você... Está agindo de um jeito estranho. — Foi o que conseguiu dizer, sentindo a garganta fechar. — Não é assim, Tatsuya. Eu...

— Você o quê? — Ele voltou a fechar a expressão, como se tivesse mudado de personalidade repentinamente. Aquilo realmente estava assustando Kagami, mais do que no dia em que brigaram e se separaram. — Você mentiu para mim quando disse que queria se esforçar por nós dois?

— Não! — Kagami foi firme na resposta, encarando-o. — Mas isso não é uma coisa que modifica... Os sentimentos. Não é assim, e eu percebi que... Não vou conseguir mudar isso, mas não por falta de tentativa ou esforço. — Mordeu os lábios, desviando o olhar para um ponto qualquer às costas de Tatsuya. Estava confuso, um pouco perturbado. — Eu não consigo mudar o que sinto por você, e não quero mudar. Essa é a verdade, mas percebi tarde demais. — Decidiu falar a verdade, voltando a encará-lo com pesar. — Me desculpa.

— Como assim? — Ele balançou a cabeça, incrédulo, aumentando o tom de voz. — Como assim não quer mudar?

— Eu demorei muito tempo para entender os meus sentimentos. — Kagami suspirou, ainda mantendo o olhar acinzentado de Himuro como seu foco, apesar de ser difícil. — Hoje eu percebo que... Eu confundi tudo. — Admitiu com uma careta culpada, coçando a nuca em um sinal de nervosismo e puro desconforto. — Agora eu meio que consigo diferenciar... Hm... Paixão de fraternidade... E... Desculpa. — Pediu mais uma vez, sentindo-se horrível. — Desculpa Tatsuya, mas eu sei que isso é uma coisa que não vai mudar entre nós dois.

— Como você sabe? — A pergunta óbvia veio recheada de agressividade, assim como o olhar que Himuro o lançava.

— Ah... — O ruivo mordeu os lábios, desviando o foco para vários pontos de sua sala antes de voltar-se a ele. — Não quero te falar isso, droga. — Disse, erguendo o tom de voz enquanto cerrava os punhos. Estava novamente na beira do precipício e odiava a sensação. Queria correr para longe dali. — Tatusya, eu não consigo. Não pode ser assim? Eu acho que já te magoei bastante até agora... Não... Piore. — Assinalou a última palavra, fechando os olhos.

— Eu já sei o que é. Não sei nem por que perdi meu tempo tentando consertar as coisas para nós dois, sendo que é algo unilateral. — Ele soltou uma risada debochada e fria. — É por causa daquele filho da puta, não é? Do Aomine!

O olhar pesaroso de Kagami denunciou tudo. Estava fodido, sentindo-se um egoísta miserável, a pessoa mais suja do planeta naquele momento. Não queria magoá-lo, mas já começara dando bostaço lá no início, agora precisava aguentar. No entanto não podia mudar o que sentia... Descobrira isso da pior forma possível.

— Eu sabia. Desde sempre eu soube. — Ele permaneceu com o sorriso gelado no rosto igualmente frio. — Você falava o nome dele enquanto dormia, provavelmente só não me comeu porque pensou nele, terminou comigo porque ainda gosta dele... — Tatsuya murmurou, com os olhos começando a marejar, assim como os de Kagami. O mais cruel era pensar que tudo aquilo era quase verdade, que o magoara mais do que imaginava. — Só gostaria de saber o que ele tem que eu não tenho. Por que ele é mais especial do que eu? ME DIZ, TAIGA! — Ele gritou no final, deixando as primeiras lágrimas escorrerem pela face pálida.

— Ele não é... — Kagami via-se em desespero por dentro, perdendo a voz conforme falava. — Você é muito mais especial do que ele, por seu meu irmão, mesmo que você não me considere o mesmo. — Tentou explicar, mordendo os lábios com força. O metálico gosto de sangue apareceu sutilmente em sua boca, mas não ligou. — Entenda isso, Tatsuya.Por favor. São sentimentos diferentes.

— Morra, Taiga. — Ele levantou-se, prostrando-se em sua frente com raiva nos olhos. — Essa sua desculpa nunca colou. Você só me usou, não é? A vida inteira. Primeiro para aprender a jogar basquete, agora para esquecer aquele filho da puta. Nunca fui nada para você.

— Não! — Kagami levantou-se no ato, segurando-o pelos ombros com as mãos firmes, controlando-se para não abraçá-lo. — Não Tatsuya. Mas que droga! — Irritou-se, sentindo uma gosma embrulhar seu estômago. Precisava vomitar, e logo. — Para com isso. Eu te amo, e vou te amar para sempre... Mesmo depois das coisas que você me disse, mesmo depois de tudo o que a gente já passou. Mas é diferente... Você é meu irmão. São sentimentos diferentes. Entende isso?

— Enfie no cu seus sentimentos falsos. — Ele empurrou Kagami pelo tórax, dando alguns passos para trás, colidindo com a mesa de centro. O som da xícara de chá quebrando ao chocar-se com o chão ecoou ao longe, mas não pareceu interferir na cena. — Você não tem absolutamente nada a me oferecer. Não quero sua irmandade.

— Tatsuya... — Engoliu em seco ao franzir a testa com tristeza. A vontade de vomitar apenas tornava-se mais forte.

— Achei que tudo voltaria a ser como era antes, achei que você iria se esforçar pela gente se eu resolvesse tudo para nós dois. Juro que achei, mas parece que você está fadado a me decepcionar. — Tatsuya murmurou, enxugando a lágrima que escorria por sua bochecha. — Você nunca me amou. Mas sabe o que me consola? — Ele perguntou, com um meio sorriso cruel em seus lábios. — Se você gosta tanto do Aomine e vocês não estão juntos agora, então deve saber como me sinto ao não ser correspondido. Você vai sofrer como eu sofro e se foder da forma que estou me fodendo... Só porque não consigo controlar o cu que é esse sentimento idiota chamado amor. — Ele disse com raiva, socando o tórax do ruivo com força, no lugar onde o anel sempre pendia. Doeu, e o impacto fez Kagami cambalear. — Espero que vocês dois nunca fiquem juntos, e se ficarem, espero que ele te magoe muito.

— Para com isso! — Kagami ergueu a voz, sentindo as lágrimas escorrerem. Nada tinha a ver com a dor física em seu tórax. — Por que você está me dizendo isso? O que eu posso fazer se não consigo mudar o que sinto? — Perguntou, erguendo as sobrancelhas. — Por que você não pode me ver como irmão? Consegue entender que não posso mudar isso apenas com esforço?

— Você é fraco. — Ele não se importou com sua manifestação, respondendo lentamente, com desdém. — Lembro que te disse para me esquecer, mas no fundo não é bem isso que quero. Espero que você se torture dia e noite pensando que acabou de tirar toda a merda de esperança da minha vida... Isso é... Se eu signifiquei alguma coisa para você, claro.

Kagami apenas entreabriu os lábios, em uma mistura de incredulidade, decepção, dor e culpa. Não sabia mais o que responder, apenas observou-o virar as costas, rumar até a saída e passar pela porta, batendo-a com muita força antes de sumir de sua vista — e agora com certeza de sua vida. O magoara muito, mas também saíra bastante magoado. Não tinha mais vontade de procurá-lo, segui-lo... Ali foi a gota d'água. Uma cena desnecessária, e deveras assustadora.

Ele parecia tão obcecado, diferente, manipulador... Gelado. Não conseguia reconhecer Himuro Tatsuya no rapaz que acabara de sair de seu apartamento. Não sabia o que pensar. Foi cruel demais. Ou será que merecia tanto assim por seus erros?

Kagami fora otimista demais ao pensar que tudo ficaria bem em sua vida, quando na verdade tudo estava um verdadeiro inferno, camuflado por esperanças que talvez nem fizessem sentido. Não conseguia mais chorar, não queria mais chorar. Estava cansado de seus próprios erros, mas cansara-se mais ainda de ouvir desaforos sem agir em sua própria defesa.

O ruivo largou o peso do corpo no sofá, vendo a xícara quebrada no chão, enquanto o pouco líquido era absorvido pelo tecido do tapete. Era exatamente assim que se sentia: Sugado, quebrado. Na verdade estava com raiva... Raiva daquela pessoa que agora ocupava a mente do alguém que um dia fora seu irmão, raiva de si mesmo por não ter sido capaz de fazer as coisas correrem da forma certa desde o início, raiva de tudo e todos. Era apenas um estado atual, que em breve passaria... Sentia-se magoado. Pela última vez.

Mas uma coisa era certa, não se torturaria nunca mais. Agiria em prol de seu amor próprio, que ultimamente estava em falta. Iria atrás de sua felicidade — infelizmente longe de Himuro Tatsuya. Mas fora a escolha de ambos... Agora seguiam por caminhos opostos. E, mesmo um pouco assustado e desconfiado, Kagami já conhecia o seu rumo. Só precisaria esperar um pouco...

Precisava respirar. Faria isso no terraço de seu prédio. Sozinho.

***

Sábado — 05h23min

~Himuro Tatsuya~

— Não tenho mais nada a fazer aqui, mãe. — O rapaz suspirou ao celular, olhando pela janela de seu quarto. Tudo encontrava-se mergulhado no escuro, ninguém estava acordado, não havia movimento nas ruas. — Me enganei a respeito de muita coisa, então prefiro mil vezes terminar o ensino médio na América.

— Vou conversar com seu pai assim que ele voltar do trabalho, tudo bem? — Ela disse do outro lado da linha, um tanto quanto confusa. — Espere só mais um pouquinho amor. Vai ser complicado se você perder o terceiro ano agora na metade.

— Por favor, mãe. — Himuro murmurou, entredentes, quase suplicante. — Me deixa voltar para casa.

— Querido, antes de tudo me conte o que aconteceu. — Ela pediu, aflita, do outro lado da linha. — Há um mês que você me disse estar muito feliz aí, que moraria para sempre no Japão se pudesse.

— Não é nada, só cansei da forma como tudo acontece. Me enganei. — Disse vagamente, buscando transparecer sua tristeza. Um pouco de teatro com sua mãe também não faria mal, já que essa era sua maior habilidade. — Por favor. — Acrescentou.

— Darei um jeito, amor. — Ela sorriu do outro lado da linha com pesar. — Mas não consegue esperar mesmo?

— Não. — Disse, mordendo os lábios enquanto uma lágrima idiota descia por sua bochecha. No final das contas nem era tanto teatro assim. — Por favor... Mãe.

Por que ninguém o entendia? Só queria sumir dali. Não queria mais ver Taiga, Aomine, Murasakibara, Yosen, basquete, Tóquio. NADA, NINGUÉM. Precisava de seu mundo!

Fora otimista demais ao pensar que Taiga o veria de outra forma após livrar-se daquela irmandade ridícula. Dúlcido engano. Ele gostava de outro... Himuro sabia desde o início, mas tinha certeza que conseguiria mudar isso. Quem era o ingênuo agora? Independente disso, Taiga nunca se esforçara, nunca o amara, nunca sentiu nada. Aquela história de irmãos era uma camuflagem, uma farsa que ele usava para se defender... Não é? Era a desculpa para Kagami ficar por perto, sugando suas energias... Certo?

'E por que você não muda o que sente por mim? Por que você não pode me ver como irmão? Consegue entender que não posso mudar isso apenas com esforço?' A última frase de Taiga ecoava continuamente em seus pensamentos. Odiava admitir, mas ele estava certo, mesmo estando completamente errado. Kagami deve ter chegado perto da morte ao conviver consigo pensando em Daiki. Para um retardado transparente, até fora bem, precisava admitir.... Mas o final foi o mesmo, ambos saíram magoados, como o previsto.

Himuro não se conformava com a derrota. Estava puto com a vida!

Como não tinha muita escolha por enquanto, Tatsuya não parava de pensar no jogo que possivelmente disputaria contra Aomine Daiki, no Interescolar. Seria expulso com as faltas que cometeria em cima dele, e faria isso com o maior prazer do mundo, com a intenção de machucar mesmo. Foda-se as regras, foda-se a escola, foda-se o time. No momento odiava tudo, odiava o mundo, e aquele filho da puta era o culpado disso... Nem era tanto por causa Taiga, já que ele era um burro, um mongol que se deixava levar pela corrente de vento mais forte. A verdade é que se Daiki não tivesse nascido, tudo teria sido perfeito em sua vida. Taiga ainda estaria consigo e seriam felizes para sempre. Ele o idolatraria eternamente e ainda o veria como um Deus, assim como quando eram jovens... Mas infelizmente Kagami encontrara uma nova figura para contemplar, deixando-o de lado.

Teria sua vingança, enquanto sua mãe daria um jeito de levá-lo para casa, para a América. Não que estivesse fugindo de verdade, apenas aceitara a derrota e saía com a cabeça erguida, mas antes deixaria sua marca. Em Taiga deixara hoje, ele se torturaria com a culpa de fazê-lo infeliz, o conhecia bem... Só faltava Aomine Daiki. Faria questão de caprichar.

...

Notas finais
~ Antes de lerem as considerações, deixem carregando esse depoimento que fiz à vocês: https://www.youtube.com/watch?v=qz9FQBCB7pc (desculpa o barulho da máquina de lavar roupas, das motos passando no asfalto, dos meus 'éééééé'... Mas eu fiz de coração, e morrendo de vergonha xD) ~ Bem, pessoal, é isso aí. Hoje tivemos mais três passos para a direção de AoKaga, e ao mesmo tempo em que regredimos dois! Ainda é promissor para eles /o/ E o Himuro? Hoje vimos que ele se via como um ídolo para o Taiga, e é isso que o deixa quase obcecado (?) =/ Ok... Garrinhas aparecendo! Hehehehehehe! Músicas... Uma para cada apaixonado pelo Taiga xD ~ Aomine Daiki - Heartbeat, The Fray: https://www.youtube.com/watch?v=hp0_2fjPlbM // Tradução (música linda, de esperança, hehehehehe): http://letras.mus.br/the-fray/1973603/traducao.html ~ Himuro Tatsuya - How you Remind Me, versão Nickelback: https://www.youtube.com/watch?v=1cQh1ccqu8M e versão Avril Lavigne: https://www.youtube.com/watch?v=qSj2m1E596w // Tradução (música depressiva e triste - mas foda pra caralho): http://letras.mus.br/nickelback/28302/traducao.html Então minha gente... É isso! Amo vocês, OBRIGADA! Beijão enooooooooooooorme da Lana-chan ;**********************************************