Linha Tênue
7 Planária.
Notas iniciais

Terça-feira
~Aomine Daiki~
Aomine olhava pensativo pela janela, fitando a paisagem morta e acinzentada que agora compunha o pátio da Academia Touou Gakuen. Estava bem frio desde o início da manhã e provavelmente iria nevar mais tarde, para seu desapontamento. Esse era o maior problema dos invernos: A neve. Não poderia nem mesmo ir ao terraço para cochilar, quem dirá jogar basquete na quadra de rua.
Saco!
Desviou o olhar desanimado para o professor corpulento de Língua Japonesa, que gesticulava em frente à sala. Pela milésima vez ele falava sobre a importância das provas finais, do histórico escolar bem apresentável, das universidades e profissões... Blá, blá,blá. Daiki não queria pensar naquilo agora, estavam apenas no fim do primeiro ano, teriam bastante tempo para isso mais tarde. Ainda nem decidira o que queria fazer de sua vida...
No momento só queria ver Taiga mais uma vez! O inconsciente praticamente berrou em seu ouvido, restaurando novamente a sua memória. Nem mesmo seu habitual estado de transe o afastava das lembranças da noite passada.
Meu caralho, realmente transara duas vezes com Kagami Taiga?
E ele era virgem ainda! Era um idiota, isso sim, deveria ter avisado! Teria ido com mais cuidado na primeira vez, ou nem teria feito sem lubrificante... Mas Taiga não pareceu realmente se importar com a dor, pois a forma como o corpo dele reagia deixava claro que estava gostando. Claro que estava gostando. Ambos estavam.
Foi delicioso demais! Taiga era tão apertado e quente. Quase podia senti-lo o esmagando ainda, se quisesse... E ele tinha um corpo muito gostoso e grande... Ele era espontâneo. E intenso. E sexy. Sem frescuras. E tinha um gemido delicioso, apesar de ser durão e querer mantê-lo preso na garganta... E isso sem falar no cheiro que a pele dele soltava... E no calor da língua...
Ainda se perguntava qual seria o gosto do pau dele, já que não teve tempo de provar...
Aomine fechou os olhos naquele instante, suspirando fundo para desviar os pensamentos. Estava no meio da sala de aula, não poderia se dar ao luxo de ter a mente invadida pelas lembranças, pois seu corpo responderia na mesma hora. Não seria legal se ficasse de pau duro ali! Pôs-se a prestar atenção nos fios rosados do cabelo de Satsuki em sua frente, contando-os um por um.
A atração que sentia por Kagami era muito mais forte do que esperava! E o mais interessante era haver uma reciprocidade nisso, bastava olhar na cara de Taiga para saber. Era palpável. Havia muito desejo, em ambos os lados. E muitas palavras não ditas também.
Droga! Já sabia do que se tratava essa merda toda. Estava acontecendo... Provavelmente estava bem próximo de, quem sabe, se apaixonar de novo.
Aomine não gostava muito de pensar no termo "paixão". Era mais do que "gostar" e muito menos que "amar". Em outras palavras, era exatamente o que estava prestes a acontecer consigo. Não contava com isso nem em um milhão de anos. Não agora. Não por Taiga. Preferia ter parado no "gostar", onde morava apenas a atração.
Bem... Que seja!
O moreno não era o tipo de pessoa que se encantava facilmente por alguém. Vivia ironizando que a única pessoa que realmente gostara até hoje se chamava Aomine Daiki — ou seja, ele mesmo. Não deixava de ser verdade. Egocentrismo era seu nome do meio.
Por essas e outras Daiki sempre se perguntava se tinha algo de errado consigo. Era muito autossuficiente. Não que achasse isso um defeito, pois na verdade encontrava aí sua maior força: Não dependia de ninguém, para nada. O único problema foi sentir-se levemente solitário em determinado momento, justamente por seu individualismo.
Demorou para Aomine aprender a se compartilhar com os outros no campo afetivo, e quando finalmente conseguiu, frustrou-se rapidamente. Assim como no basquete, não encontrou alguém que estivesse à altura — provavelmente porque a pessoa perfeita seria ele próprio, ou alguém infinitamente semelhante.
A única coisa que conseguiu com suas idas e vindas foi experiência, mas era uma experiência levemente vazia. Faltava "aquilo". E nem sabia direito o que era "aquilo". Tinha expectativas e ideais muito elevados, todavia ninguém se enquadrava no que estava buscando.
Pelo menos não até Kise Ryouta aparecer.
Kise foi o primeiro cara com quem se envolvera, ainda no tempo da Teiko. Foi uma experiência nova e deveras interessante, simplesmente por terem o mesmo hormônio correndo pelo corpo. No início até estranhou a falta de peitos, mas constatou que não fazia diferença alguma... Não quando se tinha todo o resto.
Ryouta realmente o fazia sorrir facilmente, e isso era algo novo. Aquela foi a primeira vez que Aomine começou a gostar de alguém de verdade. Perguntava-se se finalmente encontrara "aquilo", e deu tempo para o próprio tempo responder!
Ficaram juntos por quase três meses — às escondidas, claro. Foi muito bom, sensações novas, adrenalina, basquete nos finais de semana, risadas contagiantes... Entretanto, nesse meio tempo, Daiki descobriu que eram infinitamente diferentes na forma de pensar e agir! Eram praticamente opostos e brigavam bastante por causa disso. Jamais iria dar certo dessa forma.
E de fato não deu. Kise foi sua primeira paixão, mas acabou rápido demais, muito antes de se tornar amor ou qualquer coisa do gênero. Hoje eram apenas amigos e conversavam normalmente. Passado é passado. Fim. Aomine preferia ser prático.
O povo vive dizendo que os opostos se atraem. Mentira! Isso só funciona na Física. Desde quando duas pessoas com ideais completamente diferentes se suportam? Aomine constatou isso de uma forma não tão legal, e várias vezes. Provavelmente tinha algum tipo de problema por pensar dessa forma, pois nunca encontrou um segundo Aomine Daiki por aí para comprovar positivamente sua teoria...
Pelo menos não até agora — quando um maldito, idiota, irritante, competitivo, gostoso, determinado, (não mais) virgem, sexy e engraçado Kagami Distração Taiga caiu do nada em sua frente, no meio de uma quadra de basquete! O pensamento o fez sorrir discretamente.
O ruivo chegou enfiando em sua cara uma dolorosa derrota na Winter Cup, mas logo depois voltou falando baboseiras sobre Air Jordans, Imagine Dragons, Lakers, cigarras no inverno e meia nove. E então veio todo o resto... Agora Daiki estava em um mato sem cachorro.
Que estava gostando dele já sabia há alguns dias, mas se apaixonar era outra coisa... Era bem mais complicado para Aomine — porém não impossível, ainda mais sabendo que Kagami Taiga era praticamente sua versão ruiva e branquela. Ele com certeza tinha "aquilo".
De repente um papel cor-de-rosa caiu em sua mesa, retirando-o imediatamente de seus devaneios. Aomine revirou os olhos ao desdobrar o bilhete e reconhecer a letra da amiga. Que comece o interrogatório chato de Momoi Satsuki:
O que deu em você hoje? Está estranho desde quando chegou.
O moreno pegou uma caneta no penal e escreveu de qualquer jeito, ocupando o espaço restante do bilhete na intenção de finalizar o diálogo por ali mesmo.
Dormi pouco.
Sem muita cerimônia, jogou o papel por cima do ombro dela, diretamente no penal. O professor estava de costas escrevendo qualquer porcaria no quadro, jamais iria vê-lo. Além do mais, Aomine não era do tipo que ficava brincando de "James Bond" com recadinhos em sala de aula. Achava ridículo!
Daiki largou a caneta e voltou a olhar janela afora, para a paisagem acinzentada, porém rapidamente perdeu a linha de seus pensamentos anteriores. Sua mente já esvaziava mais uma vez e seu comum estado de transe começava a chegar... Amava ficar alheio ao mundo. Era mais prático assim.
E lá veio o bilhete de novo, despertando-o abruptamente ao atingir sua sobrancelha com um canto particularmente pontudo do papel dobrado. Aomine bufou ao pegá-lo para ler.
Não me obrigue a descobrir sozinha, Dai-chan! O que aconteceu com você?
Sarna! Pensou, tomando a caneta em mãos, já escrevendo novamente com a letra preguiçosa.
Contei p/ mais alguém sobre minha claustrofobia.
Isso deve bastar para ela entender as coisas. Aomine constatou, jogando o bilhete e acertando novamente o penal exageradamente pink de Momoi.
Ao apoiar o rosto nos braços, como se fosse um travesseiro, ouviu o papel ser desamassado e provavelmente lido por ela. Já sabia o que viria em seguida, e foi realmente o que aconteceu. Satsuki virou-se levemente boquiaberta, com os olhos cor-de-rosa arregalados, como se verbalizasse: "Para quem, Dai-chan? Como assim?".
O moreno apenas levantou as sobrancelhas dando de ombros e fechou os olhos, deixando o mistério no ar. Ela o bombardearia com milhões de perguntas na hora do almoço — Tortura a la Momoi Satsuki! Aguentava isso desde quando eram pequenos.
Apesar de tudo, sabia que a reação dela não foi um verdadeiro exagero.
Satsuki tinha conhecimento de que Daiki escondia o segredo de sua claustrofobia à sete chaves desde o dia que o descobriu — ou melhor, desde o dia em que quase morreu sufocado em um quartinho de ferramentas de jardinagem em sua antiga casa, ainda com quatro anos de idade. Essa era sua fraqueza, seu medo... Ou seja, tinha que ter um excelente motivo para revelar, e para alguém que valesse a pena.
Só poderia estar se apaixonando mesmo! Falara muito facilmente para Taiga, e nem soube exatamente o porquê. Poderia ter inventado uma desculpa qualquer para não pegarem o elevador...
Isso tudo não passava de idiotice!
Mas era uma idiotice bem prazerosa quando as coisas davam certo... Ponderou sozinho, lembrando-se da expressão no rosto de Taiga no momento em que ele gozou pela primeira vez, gritando seu nome. Aomine lembrou-se também dos caninos pontiagudos saindo pelo canto dos lábios dele... E do imenso omelete que ele fez em plena meia-noite para que não desmaiassem de fome, já que estavam bem fracos... E do beijo gostoso que roubou de Taiga assim que saiu do apartamento dele, que quase resultou numa terceira rodada... E da bronca galáctica que recebeu da mãe, justamente por ter chego tão tarde em casa — hoje estava de castigo, mas não se importava.
No fundo tudo isso estava valendo a pena. Sabia disso.
Sorriu quase imperceptivelmente antes de adormecer. Os rápidos e desconexos sonhos o levaram justamente para o lugar que estava evitando. Não foi surpresa nenhuma acordar meia hora mais tarde com uma ereção sendo apertada pelo uniforme escolar.
***
~Kagami Taiga~
Como era chato ouvir sobre planárias se regenerando após serem fatiadas horizontalmente em duas partes... Mas... Por que diabos alguém um dia pensou em fatiar um bicho dessa forma? Coitadas! Deve doer...
Em estado de transe. Era exatamente assim que Kagami se encontrava na aula de Biologia, olhando fixamente para os desenhos — que provavelmente eram as tais "planárias" (vesgas?) — feitos com giz, no quadro à sua frente. O ruivo não as enxergava realmente, via apenas o que estava dentro de sua própria mente.
Só conseguia pensar em como foi delicioso transar pela primeira vez em sua vida. Ou melhor, em como foi delicioso transar pela primeira vez em sua vida com Aomine Daiki. Isso mudava tudo! Tudo!
Havia agora outra pessoa tomando o maior espaço vago em sua mente... Nada de Himuro Tatsuya dessa vez! Isso era o mais libertador. Estava conseguindo afastar o fantasma do irmão daquele lado afetivo de sua cabeça. Tatsuya era apenas isso, um irmão! E Daiki... Ah, o Daiki! O que era o Daiki?
Sorriu minimamente, piscando duas vezes. Kagami era realmente muito lerdo quando se tratava desse tipo de assunto...
Ainda não sabia dizer onde Aomine Daiki se encaixava, entretanto simplesmente descobriu que tinha uma atração gigantesca pelo tão odiado rival — que agora nem era mais odiado, para falar a verdade. Gostava muito de Daiki. Era bom estar na companhia dele, apesar de quase se matarem de vez em quando. Fazia parte do pacote!
Ah, e transar com ele foi tão gostoso, tão natural... Mas, caralho, como doeu! Estava doendo até agora, porém conseguia andar muito bem — correr nem tanto. Fez o teste antes de ir para a escola e constatou que seu quadril estava bem estranho. Aomine jamais saberia disso, ou ficaria se achando o dono do Pênis de Ouro até o fim dos tempos. Riu sozinho com o pensamento.
O ruivo constantemente se perguntava como Daiki conseguia ser tão engraçado e insuportável ao mesmo tempo! Ele tinha aquele jeito extremamente arrogante e superior, mas era capaz de prender a atenção de Taiga por horas a fio, rindo e falando qualquer bobagem.
Queria muito beijar a boca daquele idiota claustrofóbico de novo, jogar mais algumas incansáveis partidas de basquete e, obviamente, foder mais uma vez! Ficava excitado só de lembrar da noite anterior... Quase podia sentir apenas usando sua memória, só precisava cuidar para não viajar demais, já que não era tão discreto assim!
Kagami mal esperava para estar com ele novamente, em qualquer circunstância, apesar de não terem conversado nenhuma vez depois do que aconteceu! Estava com vergonha de correr atrás dele... Pareceria um desesperado!
Taiga não sabia muito bem o que estava acontecendo consigo naquele momento. Sim, lógico, estava gostando de Daiki, mas era algo bem diferente do que estava esperando. Não foi da mesma forma que com Himuro, foi bem mais fácil, natural e intenso. Aomine era mais parecido consigo, talvez por isso...
— Kagami-kun! — Kuroko estalava os dedos em frente aos seus olhos, falando em bom som para desviá-lo de seus devaneios. — Acorda!
— Hm? — Ergueu as sobrancelhas, olhando para o amigo, um pouco confuso. O que aconteceu com as planárias?
— Vamos? — Ele perguntou, relutante. — Já é hora do almoço e você não levantou ainda. Está tudo bem?
— Ah, sim! — Respondeu, concordando mais duas vezes em sua própria mente. Tudo ótimo na verdade!
— Vai me contar o motivo de estar agindo como um débil hoje? — Kuroko perguntou de forma divertida, observando-o se levantar.
— Decididamente não! — Kagami riu, pegando uma boa quantia de dinheiro para comprar seu almoço. Quando colocou os ienes no bolso percebeu a ofensa. — Oe! Não me chame de débil!
— Como se eu já não imaginasse, Kagami-kun! — Kuroko disse inocentemente, andando calmo até a porta da sala de aula.
— Como assim? — O ruivo exasperou-se, sentindo o rubor tomar conta de sua face. Como ele poderia saber? Estava só blefando! Não cairia no verde dele.
— Já se olhou no espelho? — Ele sorriu minimamente, com as sobrancelhas levantadas, virando o rosto para encará-lo. — Se não, então deveria.
***
~Aomine Daiki~
O moreno olhou intrigado para a tela do celular, tentando decodificar o que aquela mensagem significava. Não era exatamente isso que estava esperando de Taiga depois da noite passada, mas tudo bem... Pelo menos ele entrou em contato primeiro, já que Daiki nunca fazia isso!
Você vai me pagar, miserável!
Teve que rir por dentro enquanto saía pelos portões da escola, após o término das aulas. Até imaginava ao que Kagami se referia com a mensagem: Ou ele realmente estava dolorido e não conseguia correr, ou ele finalmente reparou nas marcas dos chupões em seu pescoço. Das duas, uma! Ou as duas, talvez!
Aomine digitou uma resposta neutra:
Pelo q me lembro, ontem vc ñ reclamou!
Assim que enviou o pequeno texto e recebeu o relatório de entrega da mensagem, Aomine bocejou e abrigou-se em um ponto de ônibus perto da saída de Touou, junto com uma grande quantia de alunos. Caía uma fina neve, e isso o deixava ligeiramente irritado, assim como aquela pequena multidão barulhenta à sua volta.
Não demorou muito para o celular voltar a vibrar, atraindo seus dedos automaticamente até o bolso da calça, de onde retirou o aparelho. Sorriu de canto com a resposta de Taiga.
Cretino. Vai à merda, ok?
Cretino, é? Ninguém mais chama os outros assim. Aomine riu sozinho, e sem mais demora começou a deslizar o dedo pela tela mais uma vez. A neve era ruim até nesse ponto, pois seus dedos ficavam duros de tanto frio. Era bem irritante não acertar a palavra de primeira.
Ond vc tá agr?
Assim que enviou, percebeu um sorriso extremamente desagradável perdurar por alguns segundos a mais em seu rosto. Droga, como chegou ao ponto de quase estar se apaixonando? Como? Co-mo?
Aomine ficava repetindo esse mantra em sua mente de tempos em tempos, entretanto não encontrava uma resposta mais convincente do que um simples "aconteceu!". Algumas semanas de basquete, muita conversa jogada fora e uma única noite de sexo... Pronto. Aconteceu!
Não era ruim, porque Taiga era um cara extremamente legal, mas Daiki precisava se acostumar mais uma vez com a ideia de estar se envolvendo com alguém Era bem complicado para Aomine abandonar seu individualismo. Levava um certo tempo.
Não morreria se tentasse, certo? Só esperava que o esforço fosse recompensador. Por enquanto estava sendo, e muito!
Novamente o celular vibrou em seu bolso, anunciando uma nova mensagem de Taiga. Sem mais demora, o pegou em mãos e leu a resposta. O ruivo não hesitou em passar sua localização... Estava indo para lá agora mesmo!
O motivo? Não sabia bem qual era o motivo... Só queria vê-lo.
~Kagami Taiga~
— Eu realmente queria ter treinado hoje! — Kuroko murmurou assim que viraram a esquina que dava acesso à porta do Maji Burguer.
— Sim, eu também! — Kagami concordou, sem realmente prestar muita atenção no que estava dizendo. Olhou novamente para o celular, esperando a resposta de Daiki, mas ela não chegava nunca!
Miserável de uma figa... Ficou tirando pouco da situação! Se as marcas nada discretas estivessem no pescoço de Daiki tudo seria bem mais divertido! Mas Kagami com certeza se vingaria, apesar de não fazer ideia de como se dá um chupão de verdade.
Isso é, se tivesse uma próxima vez para poder se vingar! O pensamento o pegou de surpresa. Não havia realmente considerado a hipótese de Aomine não querer mais nada. Bem, teriam que conversar uma hora ou outra, óbvio, e então... E então o quê? O ruivo não fazia a mínima ideia de como seria.
Chega de pensar! Estava agindo como uma menininha idiota. Quando encontrasse Aomine descobriria tudo e pronto!
— Espero que amanhã a treinadora já se sinta melhor, pois um dia sem praticar já faz falta. — Kuroko comentou, abrindo a porta da lanchonete, tirando-o pela milésima vez de seus pensamentos disformes.
— Ah, sim, ela vai! — O ruivo respondeu alarmado, como se tivesse acabado de acordar assustado de uma pequena soneca.
Kagami o seguiu para dentro do estabelecimento, guardando o celular no bolso, levemente frustrado por não ter sido respondido. Estava bem impaciente e se perguntava se veria Aomine hoje... A vontade era grande, mas era bem provável que não.
Dentro do Maji Burguer estava um clima muito mais agradável, com o ar condicionado ligado. Poderia até tirar sua touca escura, porém não seu cachecol. O objeto era uma última tentativa de "camuflagem", apesar de já ter exposto o pescoço para metade do colégio.
Como já era tradição, Kuroko e Kagami foram até a balconista e fizeram o pedido de sempre. O ruivo com seus habituais vinte lanches e amigo com seu minúsculo e insosso milk-shake de baunilha. Pagaram em silêncio e aguardaram na lateral da mesa, até que a comida ficasse pronta. A fome realmente começava a incomodar.
— Kagami-kun, você está bem distraído ultimamente, não? — Kuroko comentou, olhando-o com as sobrancelhas levantadas.
— Ah, um pouco... Foi mal! — O ruivo sorriu sem graça, coçando a nuca.
— Quer conversar? — Ele perguntou com uma expressão um pouco preocupada.
— Ah, não precisa, Kuroko! — Kagami se exasperou, imaginando qual seria a reação do amigo se contasse que era gay e que na noite passada foi comido por sua antiga sombra. — É um assunto pessoal, não esquente! Não é coisa ruim.
— Que não era ruim eu já imaginava, mas tem certeza que está tudo bem? — Ele disse, compreensivo.
— Está sim, sério mesmo! — O ruivo foi sincero quando respondeu, um pouco embaraçado.
Kagami sentia-se ótimo na verdade! Muita coisa nova estava acontecendo ao mesmo tempo, então era quase normal agir como um idiota, ainda mais quando não sabia exatamente o que pensar da situação. Havia muita coisa colidindo em sua mente.
Estava realmente gostando de Aomine Daiki e não parava de pensar nele! Isso não era algo completamente normal... Mas poderia se acostumar. Seria tão natural quanto todo o resto. Queria isso.
— Certo! — Kuroko murmurou satisfeito, já pegando seu milk-shake, que sempre ficava pronto antes dos lanches de Kagami. Com o olhar, o menor procurou uma mesa vaga. — Hm, o Murasakibara-kun está ali. — Ele disse com as sobrancelhas erguidas, indicando algum ponto às suas costas. — E acho que aquele é o seu irmão, Himuro-kun, certo?
— Hã? — O ruivo exasperou-se na hora, virando-se de uma forma não tão discreta para olhar. Seu corpo grande não permitia movimentos realmente sutis.
Porque ele sempre saía de um buraco nos piores momentos? Dois dias seguidos era uma puta sacanagem! Foi o que Kagami pensou, observando Tatsuya, já esperando um pouco receoso por suas próprias reações. Felizmente elas não vieram como no dia anterior, quando o encontrou no caminho da quadra. Sua garganta não secou, e seu coração não pulou tanto. Bom sinal!
Himuro moveu distraidamente o rosto naquele exato instante e seus olhares se encontraram quase que de forma acidental. Tatsuya o fitou por breves segundos, com a expressão surpresa que logo deu lugar à um sorriso familiar — e verdadeiro.
Foi natural para Kagami sorrir de volta, pois quase sentiu uma leve nostalgia pairando no ar. Era seu irmão ali sentado, e não o cara complicado que o deixou confuso por anos. A corrente no pescoço já não pesava mais tanto assim...
Será que as coisas realmente podem mudar do dia para a noite, ou só estava empolgado pelo que aconteceu com Daiki? O ruivo se perguntou, esperando do fundo da alma não estar se iludindo. Mas nem tinha como se iludir... Seus pensamentos pertenciam ao moreno agora!
Obrigado Aomine Otário Daiki! Pensou, aliviado.
— Taiga! — Himuro deu dois tapas no grande banco de couro bordô, que estava vago ao seu lado. — Sentem aqui com a gente.
— Ah... — Kagami olhou receoso para Kuroko, assim que a mulher loura o entregava a pesada bandeja com os lanches.
— Vamos! — Kuroko deu de ombros despreocupadamente, já caminhando até lá com o canudo do milk-shake entre os lábios.
O ruivo olhou novamente para a mesa, um pouco apreensivo. Sorrir normalmente para Himuro era uma coisa, mas sentar ao lado dele e ter uma conversa enquanto comia era bem outra! Não sabia se estava pronto para tanto.
Bem, seria um teste para si mesmo! Sim, exatamente isso. Foi o que pensou, agradecendo a atendente e acompanhando Kuroko com a bandeja em mãos. Estava confiante de que conseguiria aguentar firme, principalmente agora que já encontrara um caminho para remover Tatsuya de sua cabeça. Ou pelo menos da parte na qual ele era algo além de seu irmão mais velho!
***
Ingênuo! Kagami repetia para si mesmo, olhando para o pão mordido que segurava entre as mãos. Tinha gosto de tapete agora. Você precisa parar de ser otário, Taiga! Seu burro! Desde quando as coisas mudam em um passe de mágica? Lógico que você não iria "desgostar" de Himuro assim tão fácil, nem mesmo depois do que aconteceu na noite passada! Afinal, sexo não trás nenhum tipo amnésia.
Tudo ia muito bem no início, quando a conversa se resumia ao basquete. Ficaram longos minutos dialogando sobre os prodígios que apareceram na Winter Cup e também discutiram sobre como seriam os campeonatos do próximo ano. Sinceramente, estava agradável.
Para Kagami estava sendo divertido e extremamente libertador conversar normalmente com Himuro. Apesar de tudo, o ruivo sentia falta do ar fraterno e protetor que ele costumava passar. Até arriscava dizer que começava a se sentir confortável ao lado dele novamente.
Pelo menos até mudarem de assunto...
A parte complicada da nostalgia o atingiu em cheio assim que Murasakibara perguntou sobre a amizade que tinha com Himuro no passado, pois ele finalmente reparara que usavam correntes iguais no pescoço. Kagami não soube o que dizer na hora, apenas balbuciou coisas sem sentido na intenção de trocar o assunto. Tatsuya, por sua vez, começou a contar animadamente sobre cada passo que deram na infância — mas sem os detalhes sórdidos que apenas os dois conheciam.
A merda foi lançada no ventilador!
Lá vieram as lembranças, atingindo o cérebro de Kagami como um projétil em alta velocidade, trazendo consigo aproximadamente metade da confusão que se livrara nas últimas duas semanas, quando Daiki entrara em sua vida e praticamente o resgatara do buraco.
O problema é que ainda estava na metade do processo de resgate... Ou seja, a corda poderia arrebentar a qualquer momento.
Que merda Himuro Tatsuya fizera consigo para o deixar tão preso? Porra, aquilo tudo era passado. Por que não era capaz de colocar uma pedra em cima disso tudo de uma vez por todas? Estava tão bom recomeçar a sentir aquela irmandade... Kagami teve certeza de quer iria conseguir dessa vez, tinha tudo para dar certo! Mas não era tão fácil quanto parecia, não quando Himuro estava ali, tão próximo, sorrindo e brincando com o anel no pescoço.
O destino é realmente inconveniente. O ruivo ironizou sozinho, evitando olhar para o lado esquerdo.
Agora a presença de Tatsuya começava realmente a incomodar, tanto é que inconscientemente o ruivo deslizava mais para a ponta direita do banco, afastando-se com sutis movimentos. Percebeu imediatamente que a corrente voltava a ter um grande peso em seu pescoço, que a risada dele quase machucava sua audição e que o cheiro conhecido e doce de shampoo quase consumia seu olfato.
Era praticamente a mesma sensação de anos atrás. Himuro era o mesmo. Não era só o irmão mais velho... Era o irmão mais velho que o beijou várias vezes, que o confundiu e que o deixou apaixonado.
— Lembra, Taiga? — Tatsuya perguntou, dando um leve cutucão em seu braço, tirando-o abruptamente de seus pensamentos.
— Hã? — Balbuciou, desviando o olhar de seu pão para encará-lo.
— Do dia que você machucou o joelho quando jogávamos com a Alex. — Himuro sorriu, fechando os olhos de forma gentil, apesar de apenas um deles aparecer por entre a franja volumosa.
— Lembro! — Kagami murmurou, desviando o olhar para Kuroko e Murasakibara, no lado oposto da mesa. Eles não pareciam realmente interessados na conversa. — Tenho uma cicatriz até hoje.
— Você se fazia de durão para não chorar na frente dela, mas quando chegou em casa só faltava ensurdecer os vizinhos! —Tatsuya riu, arrancando um leve sorriso de Kagami e de Kuroko.
— Verdade, Taiga? — Uma voz grave e arrastada chamou sua atenção, no mesmo momento em que sentiu seu cachecol ser puxado para o lado, enforcando-o de leve.
Sua garganta ficou seca na hora e seu coração deu um leve salto, mas por trás disso tudo veio o alívio imediato. E a euforia também.
Parece que o destino não é tão inconveniente assim... Foi exatamente isso que o ruivo pensou ao virar o rosto por cima do ombro e deparar-se com Daiki, em pé ao seu lado com o habitual sorriso de canto — magnético como nunca.
— Olá Aomine-kun! — Kuroko olhou para cima, fazendo um leve aceno de cabeça.
— Aomine-chin... — Murasakibara levantou a mão distraidamente, com uma boa quantia de batatas fritas entre os lábios.
Kagami estava evitando ao máximo mostrar alguma reação, mas o sorriso discreto teimou em cruzar seus lábios assim que o fitou. Então ele veio atrás, é? O pensamento o agradou demasiadamente, já que o avisara que estaria ali através de uma mensagem no celular. A maldita mensagem não respondida.
Tudo melhorou de repente, até a fome voltou.
— E aê! — Daiki os cumprimentou, colocando uma bandeja ao lado da de Kagami, já sentando-se na ponta do banco e empurrando-o para o lado com o quadril. O ruivo chocou-se brevemente com Himuro no ato, mas não se importou. — Você era chorão na infância também, Taiga? — O moreno ironizou, virando o rosto para encará-lo, assim que se acomodou.
— Ah, você não imagina o quanto! — Himuro disse em voz alta, antes que Kagami pudesse responder. — Principalmente assistindo aos meus filmes de terror.
— Heh! — Aomine soltou uma risada debochada, inclinando-se um pouco para frente, finalmente notando Himuro, que até o momento estava escondido atrás de Kagami. — Sério?
— Sim! — Tatsuya sorriu gentilmente, também inclinando-se para frente, para encará-lo. — Nunca mais vou esquecer de quando a gente assistiu Invocação do Mal. — Ele voltou o olhar para Kagami. — Lembra, Taiga?
— Oe! Vamos falar de outra coisa. — O ruivo irritou-se, tendo um leve calafrio ao lembrar-se do filme horrível e do beijo que Himuro o roubou entre uma das cenas. Quase podia apostar que ele falara sobre aquele momento em particular propositalmente!
Kagami inclinou-se em direção à mesa para bloquear o contato visual de ambos, na intenção de evitar qualquer situação desagradável. Era realmente complicado estar entre eles, mas era infinitamente melhor do que estar apenas com Himuro. Daiki o deixava mais tranquilo.
— É bom saber essas coisas sobre você! — Aomine murmurou, irônico, abrindo seu primeiro pacote de hambúrguer de teriyaki. Ele sempre comia aquilo, multiplicado por vinte.
— Juro que também não sabia que você tinha medo de filmes de terror, Kagami-kun! — Kuroko soltou uma risadinha abafada, mas disfarçou tomando um último gole de seu milk-shake.
— Kagami-chin medroso... — Murasakibara resmungou em voz baixa, colocando mais um punhado de batatas fritas na boca.
— Calem a boca, seus inúteis! — O ruivo bufou, voltando a olhar para sua própria bandeja, levemente corado.
— E esse cachecol aí, Taiga? — Aomine disse ironicamente após alguns segundos, puxando novamente a ponta do objeto, mas agora com um pouco mais de força, na intenção de removê-lo.
— Estou com frio! — O ruivo estreitou os olhos de forma acusatória, afastando rapidamente o tecido das mãos do moreno. Aomine fazia isso para provocar, pois sabia das marcas, já que ele mesmo as fizera.
— Mas aqui dentro está bem abafado! — Himuro comentou intrigado, chamando sua atenção para o lado esquerdo. — Deveria tirar, Taiga. Vai passar mal.
— Estou começando a ficar com uma dor de garganta, então prefiro não arriscar. — Kagami inventou na hora, mordendo o lanche na intenção de finalizar o assunto. Era um péssimo mentiroso.
— Claro, dor de garganta... — Aomine murmurou com a boca cheia, roçando sutil e intencionalmente as coxas de ambos por debaixo da mesa.
Um leve arrepio percorreu o corpo de Kagami com o contato, e um súbito flash de memórias da noite passada atingiu sua mente, substituindo qualquer coisa que ali havia anteriormente. As situações desagradáveis de minutos atrás nem pareciam ter existido.
O moreno percebeu sua reação, pois o encarou por alguns segundos de uma forma bem... Insinuante? Sim. E com aquele maldito meio sorriso, apenas instigando... E estava conseguindo o que queria!
Droga, não era hora e nem lugar para ficar excitado! Kagami alarmou-se ao voltar ao presente, percebendo as respostas de seu próprio corpo perante a provocação. Não estava numa situação nada confortável para isso acontecer repentinamente. Como aquele maldito conseguia?
O ruivo desviou imediatamente o olhar para o resto do pessoal, e para seu alívio ninguém pareceu ter percebido. Kuroko se ocupava em caçar um resto de milk-shake em seu copo plástico, com o canudo. Murasakibara se concentrava nas batatas-fritas, totalmente alheio. E Himuro... Bem, Himuro o olhava com o sorriso pequeno e gentil de sempre, tomando seu refrigerante.
Que bosta! Por que ele tinha que olhar assim? Por que ele tinha que estar ali?
Agora Kagami entendeu como as planárias se sentiam ao serem fatiadas ao meio. Estava teoricamente dividido entre Aomine Daiki e Himuro Tatsuya — ironicamente sentado entre eles. Só esperava o momento em que as duas metades se regenerassem para que pudesse continuar sua vida normalmente.
Meu pau, que metáfora ridícula, pensou sozinho revirando os olhos.
O ruivo com certeza estava infinitamente propício a pender para o lado de Daiki, e era exatamente isso que faria, sem pensar duas vezes. Himuro era apenas seu irmão, e o que sentia de diferente por ele ficaria no passado — na marra se fosse preciso! Gostava de Daiki agora, e bem mais do que esperava.
***
Depois da enorme e cansativa insistência de Murasakibara, Himuro finalmente cedeu e os dois foram embora, aliviando ainda mais o clima para o ruivo. Kagami, Kuroko e Aomine terminaram de comer e também resolveram voltar para casa, já que estava bem frio e começava a escurecer devido à neve, que prometia cair com mais força.
Após se despedirem de Kuroko, os dois seguiram pelo caminho oposto. Andaram em silêncio por um longo trecho, mas a cabeça de Taiga estava virada em ruídos. Procurava urgentemente começar algum assunto qualquer, todavia não sabia exatamente sobre o quê falar.
Deveria tocar no assunto da noite passada? Admitir que queria ser fodido mais uma vez, e logo? Revelar que ele o deixara de pau duro no Maji Burguer, mesmo depois de ter passado por situações completamente desagradáveis na presença de Tatsuya? Ou simplesmente deveria perguntar se ele ainda queria continuar com aquilo, e acrescentar que de certa forma ele estava sendo sua salvação? Droga! Lógico que não falaria nada disso...
— É, até que você está andando bem. — Ele sorriu debochado, segundos depois.
— Idiota! — Kagami riu ao invés de se irritar, aliviado por ele ter aberto a boca primeiro. — Já disse para não se achar tanto.
— Mantenho minha teoria de que você não era virgem. — O moreno deu de ombros, sorrindo de canto para provocar.
— Vai se foder! — O ruivo estreitou os olhos, virando-se para olhá-lo de forma acusatória. — Ah, e vai se foder mais uma vez por deixar meu pescoço todo marcado.
— Não ouvi reclamação ontem! — Aomine ergueu as sobrancelhas, com uma expressão inocente, puxando brevemente seu cachecol para que seus rostos ficassem mais próximos.
— Lógico que não... — Kagami enrubesceu levemente, observando a calçada com um interesse além do normal assim que ele soltou o tecido. Diminuiu a voz: — Estava bom, então eu não percebi.
— Claro que estava bom. — Daiki sorriu. Após uma longa pausa, ele perguntou com um tom de voz perigoso: — O que eu faço com você agora, Taiga?
— Como assim? — O ruivo engoliu em seco, virando-se novamente para encará-lo, diminuindo o ritmo dos passos, inconscientemente.
— Eu quero te beijar! — Ele respondeu, simplório, encostando o braço de ambos. — Ou você acha que é fácil olhar sua boca por tanto tempo sem sequer poder chegar perto?
Lógico que não era fácil! O ruivo engoliu em seco, ajeitando a mochila sobre o ombro, sentindo um formigamento conhecido espalhar-se pelo corpo. Daiki era intenso demais e parecia querer brincar com sua lucidez ao falar aquele tipo de coisa tão naturalmente.
— Ah... — Não havia palavras suficientes em sua mente para formar uma frase. Kagami só sabia que queria o mesmo. Muito. Agora. Poderia ser ali mesmo!
— E você também quer! — Ele comentou de forma displicente, como se pudesse ler seus pensamentos, voltando a olhar para o caminho em sua frente.
— Eu nunca disse o contrário! — Kagami comentou em um sussurro, sorrindo de canto.
Daiki também sorriu, satisfeito com a resposta, parando na calçada em frente à faixa de pedestres. A luz do sinaleiro acabara de ficar verde, em contrapartida, o homenzinho acendeu com a cor vermelha. Uma grande quantia de pessoas se reunia ali, também aguardando para atravessar a rua.
— Eu quero muito te foder, Taiga! — Aomine sussurrou perto de seu ouvido, discretamente. — Ou você acha que é fácil ficar o tempo todo de pau duro ao seu lado?
Novamente Kagami ficou sem palavras. Congelou por dentro, mordendo os lábios de forma inconsciente. Foi repentino demais, caralho! Seu pênis pulsou ao ouvir aquilo, e a calça de uniforme começava a ser um grande incômodo agora, apertando sua ereção crescente.
— E eu sei que você quer também. — Ele completou com um tom irônico, mas ainda em voz baixa.
— Eu nunca disse o contrário, Daiki! — Kagami respondeu com a mesma ironia, próximo ao ouvido dele, tirando coragem sabe-se lá de onde. — E eu sei exatamente como é difícil ficar de pau duro ao seu lado.
Aomine virou o rosto e sorriu de canto, de uma forma sensual demais para o gosto de Taiga. Droga, o que aquele maldito fazia com sua sanidade? O ruivo se perguntou, sentindo a primeira gota de pré-gozo molhar a cueca. Céus, estavam no meio da rua!
Era incrível como Aomine Daiki era capaz de afastar todos os incômodos de sua mente em questão de segundos... E não era só porque estavam indo transar mais uma vez, mas sim por tudo! Ele era mais do que sua tábua de salvação. Muito mais!
***
~Aomine Daiki~
Não chegaram ao quarto de Taiga dessa vez, pois Daiki não teve paciência — Kagami também não. Ficaram pela sala mesmo, revezando entre o sofá e tapete. O frio era inexistente naquele cômodo, ou pelo menos parecia ser.
Foda-se o castigo no qual estava, foda-se a outra bronca que receberia da mãe mais tarde, foda-se se reparara na porcaria do anel igual no pescoço dos dois, foda-se se realmente estava se apaixonando por Taiga... Estava ótimo ali, transando com ele mais uma vez, ouvindo-o gemer de vez em quando, pedindo por mais com aquela voz grave e gostosa — entregue, mas não submisso, do jeito que devia ser.
Era ali onde Aomine queria estar. E com quem queria estar! Taiga era seu, assim como era dele também. Mas o ruivo não sabia disso ainda!
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