Notas iniciais
Oi meus anjos, tudo bem com vocês nessa noite de quinta-feira? Passei voaaaaaando aqui para postar o capítulo, porque tenho aula surpresa na faculdade hoje e amanhã tenho prova sobre essa aula .-. Shit! E aí vai mais um capítulo bem susse para vocês, meus amores! Nada de muito decisivo acontece aqui xD Só alegria o/ Ah... Quem me conhece sabe que gosto de enrolar nas histórias que escrevo, então a coisa cabeluda ainda esta se formando por trás dos panos. Logo explode :D Ok, chega de falar merda por aqui, vamos ao que interessa, hehehehe /o/ Vejo vocês lá em baixo! Boa leitura *o*

Sexta-feira

~Himuro Tatsuya~

Himuro desviou o olhar da bola de basquete em suas mãos e fitou demoradamente a tabela à alguns metros, já preparando-se para arremessar mais uma vez na solitária quadra de Yosen. Mesmo sendo uma sexta-feira, o rapaz decidira treinar até mais tarde. Precisava se esforçar, agora mais do que nunca, já que pretendia vencer os campeonatos no ano seguinte — seu último ano.

Em meio a um salto parado, Tatsuya arremessou com um leve movimento, acertando a cesta sem maiores dificuldades. O som da bola atingindo o chão ecoou pelo ginásio, assim como os pensamentos por sua mente.

Himuro estava quase começando a se conformar com a situação — Taiga finalmente deu um passo com suas próprias pernas e encontrou outra pessoa para se apegar. Era algo normal, já que o ruivo sempre se sentiu bastante solitário. Uma hora ou outra ele iria amadurecer.

Com certeza ele e Daiki estavam juntos, era só lembrar da cara idiota de ambos naquela tarde no Maji Burguer, rindo mais do que o necessário sobre coisas não tão engraçadas. Qualquer um perceberia as piadinhas subliminares que faziam... Até Atsushi, se duvidar.

Apesar de estar ligeiramente triste e irritado, Himuro não desistiria, nem mesmo com um empecilho de quase dois metros de altura em seu caminho. Não havia a opção de seguir em frente sem Kagami, apesar de já ter tentado algumas vezes.

Durante esses anos todos, Tatsuya não encontrou um remédio ou um botão que desligasse o enorme sentimento que tinha por Taiga — na verdade isso parecia crescer mais ainda com a saudade e a culpa. Kagami era o dono de praticamente todos os seus pensamentos, como uma alucinação insistente, que ia e voltava de tempos em tempos. Às vezes parecia uma praga, um verdadeiro parasita que tirava seu sono, mas não tinha escolha... Era ele que seu coração queria.

Seu maior trunfo era a certeza de que Taiga sentia algo também. Nem tudo estava perdido, pelo menos não completamente.

Nunca deixaria Kagami esquecê-lo, nem que precisasse ir até ele para restaurar memória por memória com frases indiretas, diretas ou até mesmo com ações impulsivas. Nem que fosse necessário finalmente se confessar de corpo e alma e pedir perdão todos os dias. Poderia até mesmo começar do zero, agir como se nunca tivessem se visto na vida, para então se conhecerem mais uma vez.

Jamais permitiria que Taiga deixasse o sentimento entre eles morrer. Nenhum Aomine Daiki seria capaz disso. Uma coisa que sobreviveu por anos, mesmo que levemente oculta, não se esvai só com uma ou duas semanas... É impossível. O encontro acidental no Maji Burguer mostrou isso de forma clara. Kagami sentiu alguma coisa. Sentiu sim!

Conhecia o ruivo como a palma de sua mão, todos os gostos, todos os medos, todas as qualidades e defeitos, preferências, tudo! Aquele cara jamais gostaria de Kagami como Himuro gostava.

— Droga, Taiga... Porque você não me enxerga mais como antes? — Perguntou a si mesmo, mordendo os lábios para conter o nó que se formava em sua garganta, caminhando para ajuntar a bola na quadra. — O que ele tem que eu não tenho?

Essa era uma pergunta vinha repetindo para si mesmo durante a semana, mas não encontrou a resposta. Era incapaz de entender, já que quem esteve ao lado de Taiga durante anos não fora o moreno, e sim Tatsuya. O ensinou a jogar basquete, o deu o primeiro beijo, foi o único que o acolheu quando ele se sentiu sozinho... E foi por Himuro que Kagami se apaixonara quando mais jovem, mesmo que os dois fossem irmãos.

— Lógico, teve a mancada do século... — O rapaz suspirou para si mesmo, com um tom de culpa. — Que merda!

Se odiava tanto por ter agido como um idiota.

Se não tivesse estragado tudo na época, com certeza estariam juntos, em Los Angeles quem sabe. Talvez hoje mesmo, nessa sexta-feira, estariam em sua casa assistindo um filme, abraçados para se proteger do frio... Ou talvez esperando a pizza chegar enquanto conversavam sobre qualquer coisa... Ou talvez estariam transando em silêncio no chão do quarto, para que ninguém os ouvisse da sala.

— Idiota! — Riu sozinho de seus próprios devaneios, ajuntando a bola e fitando o couro alaranjado por alguns instantes. Isso estava muito longe da atual realidade.

Himuro contava os dias para a tão esperada viagem à América. Pelo menos lá, do outro lado do planeta, estaria a sós com Taiga, sem nenhum estorvo chegando repentinamente para estragar tudo. Tatsuya o faria ver as coisas como elas realmente são, tiraria aquela maldita venda que o impedia de enxergar que o caminho certo não se chamava Aomine Daiki, e sim Himuro Tatsuya.

— Muro-chin... — A voz arrastada de Murasakibara ecoou pelo ginásio, assustando-o momentaneamente.

— Atsushi, o que faz aqui ainda? — Virou-se repentinamente, vendo-o parado na porta do ginásio com o habitual pacote de salgadinho nas mãos.

— Fui comer alguma coisa e agora voltei... Vi que a luz ainda estava acesa. — Ele deu de ombros com a voz arrastada. — Vamos?

— Vamos. — Himuro suspirou fundo, ajuntando as outras duas bolas no chão da quadra, guardando-as no carrinho.

Nem mesmo o basquete o distraía mais. Desejava do fundo da alma que o tempo corresse mais rápido do que o habitual. As férias seriam sua última cartada... Depois desistiria. Infelizmente.

***

~Kagami Taiga~

O ruivo olhava para a tela de seu próprio celular, fitando há incansáveis minutos o "E aê!?" que digitara, mas que ainda não tivera coragem de enviar. Queria muito ver Aomine, entretanto não sabia como propor um possível "encontro", já que jogar basquete não dava por causa do frio e a NBA não transmitiria nada de interessante naquela noite.

— Que bosta! — Suspirou irritado para si mesmo, recostando-se no sofá macio, ainda fitando a tela. Era simplesmente muito lerdo com esse papo de relacionamentos e afins.

Não o vira desde terça-feira — o dia do encontro desconfortável com Tatsuya no Maji Burguer, do qual Aomine praticamente o salvara. Durante esse período de afastamento, os dois estavam se comunicando apenas por mensagens de celular. Kagami descobriu que aquela era a melhor forma de se distrair durante as aulas, e Daiki parecia pensar o mesmo, pois era o horário que mais conversavam.

Porém nada se comparava à proximidade, à conversa olho no olho, ao contato físico — e era justamente disso que Kagami precisava agora. Queria rir mais um pouco de qualquer bobeira, iniciar uma nova competição de xingamentos, sentir o cheiro que a pele dele exalava, beijar os lábios de Daiki e, se possível, transar novamente... Sinceramente, estava cansado das punhetas. E de ficar sozinho, claro.

— Não é saudade! — Justificou-se em tom veemente, como se houvesse alguém julgando sua atitude mental. — Não é!

Em um ímpeto de coragem que surgiu através de sua própria repreensão, o ruivo clicou na tela e enviou a mensagem, soltando os braços ao redor do corpo assim que recebeu o relatório de entrega. Fechou os olhos e tentou relaxar.

Não tinha porque ficar tão paranoico, já que estava decidido. Apreciava muito a companhia de Aomine e agora quase dependia dela para que seu dia fosse realmente bom. Gostava muito de Daiki, da risada dele, das piadas nojentas, da arrogância exagerada, do sexo, das conversas, do cheiro, do gosto... De tudo.

O celular vibrou imediatamente, tirando-o de sua nova onda de devaneios — cada vez mais comuns. Sorriu de canto ao ler a resposta, que veio tão rapidamente.

E aê, Bakagami.

Seus dedos começaram a se mover instantaneamente, já escrevendo um novo texto. Nunca foi tão ativo com o celular antes daquela semana — sentia inclusive um leve incômodo no pulso.

Quer vir aqui?

O ruivo decidiu ser direto. Enviou a mensagem antes de pensar em motivos que o levariam a mudar o texto mais quatro vezes, para no final não mandar nada que fizesse sentido. Que se fôda se iria parecer uma menininha desesperada.

Só queria estar com ele, droga... Não se viram desde terça-feira e aquilo começava a incomodar. Mas não era saudade!

Riu de si mesmo, apoiando os cotovelos no joelho, com os olhos vidrados no celular. O aparelho não tardou a vibrar mais uma vez, porém a resposta não foi bem o que estava esperando.

Ñ! Hoje ñ.

— É sério isso? — O ruivo irritou-se, incrédulo, erguendo as sobrancelhas ao mesmo tempo em que uma pontada chata e incômoda surgia em seu estômago.

Kagami sentiu o rosto esquentar conforme um misto de vergonha, raiva e frustração percorria seu interior. Precisou reler a mensagem mais duas vezes para entender que realmente levara um corte direto, no meio da fuça, sem dó.

Então Aomine não queria vê-lo. Ele o estava fazendo de idiota durante a semana toda ou o quê? Deu o cu para um babaca? Ótimo... Era só isso que faltava para completar seu histórico de burrices ao gostar de alguém. Estava sozinho nessa!

— Ok então. Você que se foda! — Reclamou em voz alta para o celular, como se Daiki fosse capaz de ouvir. — Sabe o quê? Acho que você deveria ir à merda. Tomara que morra sozinho assistindo pornô, seu miserável! — O ruivo bufou, recostando-se no sofá com o corpo mole. — Isso se você não estiver com outra pes-

Assustou-se quando o aparelho vibrou novamente em suas mãos, anunciando uma nova mensagem. Parou de falar e a leu imediatamente.

Hj é vc q vai vir aki em casa. To sozinho.

— Quê!? — Kagami exclamou, sentindo uma súbita onda de raiva e alívio ao mesmo tempo. Mais alívio do que raiva.

Daiki estava testando os limites de sua sanidade por acaso? Claro que sim! Ele fez de propósito. Pensou, respirando fundo até os níveis de adrenalina de seu corpo diminuírem novamente. Aomine sabia que o ruivo iria achar mil motivos para ficar paranoico...

Após ponderar um pouco, Kagami tapou o rosto com uma das mãos e riu da própria atitude, reparando no quão patética foi a cena da briga com o celular. Por sorte morava sozinho e ninguém mais presenciou aquela verdadeira manifestação do ridículo — a não ser sua própria consciência, que agora ria hilariamente de sua cara.

— Filho de uma puta, você fez isso por querer, não é? — Kagami estreitou os olhos com um meio sorriso, já digitando brevemente. — Claro que sim, é a sua cara!

Sei lá.Tá frio pra sair.

Enviou na intenção de fazer-se de difícil, da mesma forma que ele fez. Apenas aguardou, tendo a certeza de que Daiki ficaria pilhado. Doce engano.

Ñ funcionou Taiga. Ñ vou surtar como vc!

— Convencido de merda. Morra! — Kagami riu incrédulo, digitando uma inocente mentira que preservaria sua dignidade.

Não se ache tanto Daiki, eu não surtei!

Como ele sabia de sua reação? Não se conheciam tanto assim... Claro que não precisava ser um gênio para prever que Kagami tinha paciência curta, mas aquilo foi mais do que um golpe baixo. Filho da mãe!

Aguardou mais uma vez a resposta, que não tardou a chegar.

Tá. Então pare d resmungar e venha logo.To t esperando.

Não é como se Aomine pudesse controlar a situação, mas a urgência contida na mensagem deixou Kagami extremamente satisfeito — principalmente depois de pensar que estava gostando de um idiota e que tomaria no cu por isso. Levantou-se imediatamente, fazendo um breve cálculo de quanto tempo levaria para tomar um banho, trocar de roupa e escovar os dentes.

Estava de fato agindo igual uma menininha desesperada. Desde quando tinha surtos de insegurança? E desde quando virara tão dependente daquele babaca?

Em dias passados Kagami ficaria extremamente puto com a atitude infantil, todavia as provocações eram tão naturais entre os dois que aquilo se tornava uma coisa fácil de superar. Era o jeito idiota de Aomine, teria que se conformar e se acostumar.

Então isso significava gostar realmente de uma pessoa? Sim, era isso mesmo.

— Ih! Mas eu nem sei onde ele mora... — O ruivo reparou no fato ao adentrar o quarto, retirando mais uma vez o celular do bolso para pedir o endereço, sorrindo desnecessariamente.

***

— Acho que é aqui. — Kagami murmurou, apertando a campainha que ficava ao lado do portão.

A neve caía fraca, mas não chegava a incomodar, apesar de seus jeans estarem úmidos e o frio ser cortante. O que incomodava mesmo eram as suas mãos suando dentro da luva, mas não tinha nada a ver com o calor que o tecido provocava em sua pele. Era pura ansiedade.

Taiga olhou ao redor enquanto aguardava, um pouco impaciente com a demora característica do moreno. A residência de Daiki não era grande, mas era bem bonita e tinha um design levemente tradicional — talvez porque era rodeada por bonsais e pedrinhas acinzentadas. A cor das paredes era um tom mais escuro de bege, mas as portas e janelas tinham a pintura branca, e havia também uma espécie de acabamento feito com madeira escura e envernizada na parte próxima ao telhado. Simples, mas agradável.

— E aê, Bakagami! — O moreno sorriu ao abrir a porta, acendendo a luz da varanda. — Admita já que você gelou com a mensagem e me amaldiçoou incansavelmente.

— Nossa, como você descobriu? Deve ser um gênio! — Kagami respondeu, irônico, observando-o se aproximar. Tentou fazer-se de durão e evitar ao máximo sorrir, mas falhou. Na verdade era impossível ficar sério ao vê-lo.

— Você é um péssimo mentiroso Taiga! — Ele sorriu de volta, manuseando o pequeno molho de chaves em suas mãos, em busca da correta para destrancar o portão. — Sei que surtou.

— Pare de ser metido. — Irritou-se, mantendo a farsa. — Por que diabos eu surtaria, seu idiota?

— Porque sou seu ídolo, óbvio! — Aomine deu de ombros displicentemente, abrindo espaço para que passasse.

— Lógico que é... Nossa! — O ruivo permaneceu utilizando o sarcasmo, vendo-o trancar o portão novamente.

Daiki exalava aquele cheiro delicioso de perfume amadeirado, como sempre, mas hoje havia algo a mais. Seu cabelo estava um pouco úmido do banho, então o cheiro suave de shampoo cítrico aparecia de leve. A mistura era ótima.

Kagami precisou rir por dentro ao reparar naqueles sutis e insignificantes detalhes, porém obrigou-se a chegar um pouco mais perto para sentir o aroma com mais clareza. Droga, não queria admitir, mas sentiu falta dele sim.

— Caralho, que frio aqui fora! — Daiki reclamou para si mesmo, virando-se e já puxando-o pelo braço. — Anda, Bakagami. Tenho uma missão pra você hoje.

— Missão? — O ruivo estranhou, andando apressado ao lado do moreno até a casa.

— No videogame. — Daiki disse com um gesto simples de mãos, trancando a porta enquanto Kagami deixava os tênis no degrau baixo da entrada. — Ah, só não repare na bagunça. A mãe só arruma no sábado.

E como não reparar? Kagami pensou, olhando ao redor um pouco assustado.

A arquitetura interna da casa era normal, bem bonita por sinal, mas os objetos espalhados por todos os cantos tornavam aquilo um caos. O cômodo parecia ser a sala de televisão, onde havia uma boa quantia de roupas espalhadas pelo sofá, um prato sujo no chão, papéis de vários tamanhos jogados de qualquer jeito pela mesa de centro, pares de sapatos femininos em cantos opostos... E todo o resto.

— Esquece isso aí... Vem cá. — Aomine murmurou, puxando-o pela nuca e selando os lábios em um úmido e breve beijo.

O ruivo não estava esperando o ímpeto de Daiki, mas gostou muito da atitude espontânea. Retribuiu o gesto no último milésimo, pensando no quão bem o moreno beijava, mesmo que fosse apenas um selinho demorado.

— Vem! Quero que conheça o meu covil. — Ele sorriu de canto ao se afastar, já indo até o corredor no final do cômodo.

Então não estava sozinho nesse barco. Ele também sentiu sua falta. Kagami pensou satisfeito, seguindo-o, mas evitando olhar para os lados, onde havia mais bagunça. Sinceramente estava com medo do que iria encontrar no "covil" de Aomine Daiki.

***

As batidas finais de Why'd You Only Call Me When You're High ecoavam em alto e bom som pelo quarto. O segundo ruído saía do aquecedor, posicionado estrategicamente em uma esquina do cômodo. O terceiro vinha do videogame.

Tudo ali exalava a essência de Aomine Daiki, o que curiosamente tornava o quarto extremamente agradável para Taiga.

O ruivo reparou que havia poucos móveis no ambiente, apenas uma cama de casal, um guarda-roupas pequeno, uma cadeira com rodinhas e uma grande escrivaninha. Em contrapartida, em cima da mesma havia infinitos objetos espalhados, entre eles uma TV de tubo onde o jogo de videogame Assassin's Creed Black Flag estava em "pause", um notebook azul escuro de onde vinha a música alta, vários cadernos e duas pilhas gigantes de revistas — uma de basquete e outra de pornografia.

Estava muito quente ali, apesar de ser inverno e nevar do lado de fora. Kagami obrigou-se a tirar as duas blusas que vestia, ficando apenas com uma simples camiseta preta de manga longa e seus jeans úmidos da neve.

— Isso aqui é a sua cara. — Kagami ironizou ao entregar as blusas para ele, passando os olhos pelos diversos pôsteres de mulheres nuas que enfeitavam as paredes claras. Todas eram bem peitudas e tinham expressões insinuantes. Não sentia absolutamente nada ao vê-las. Ou melhor, sentia vergonha alheia.

— Obrigado. — Ele fez uma leve reverência sarcástica. — Senta aí Taiga! Fique de boa. — Aomine sorriu de canto, empurrando-o contra o colchão enquanto passava. — Mi casa, su casa.

— Não sou tão folgado quanto você. — Kagami riu, vendo-o remover o casaco e atirá-lo em um canto qualquer, no mesmo lugar que jogara os do ruivo. Haviam muitas coisas espalhadas pelo chão, inclusive o uniforme escolar dele.

Taiga virou o rosto e inconscientemente perdeu o olhar no corpo do moreno por longos segundos, enquanto ele deixava a porta entreaberta. Aomine usava uma justa regata branca e uma calça cinza de moletom, levemente folgada.

Desnecessariamente gostoso. Pensou, engolindo em seco, já sentindo a respiração pesar. Calma, Taiga! Se controle, porra! Você já viu bem mais que isso.

— Já jogou Assassin's Creed? — Ele perguntou com a voz arrastada, voltando-se para si enquanto ajuntava o controle do chão.

— Já. — Kagami comentou, virando o rosto para encará-lo assim que ele sentou ao seu lado. Estavam realmente próximos. Seus braços se encostavam, assim como as coxas e os quadris.

O calor apenas aumentou.

Era muito difícil para Kagami manter o controle ali, vendo-o vestido daquela forma — completamente normal, mas tão sexy —, sentindo aquele cheiro gostoso invadir seu olfato, fitando aquele maldito sorriso de canto, ouvindo I Wanna Be Yours, também de Arctic Moneys, que acabou de iniciar...

Tudo era insinuante demais. A ereção vinha naturalmente, mesmo tentando evitar. Porra, você acabou de chegar! Calma Taiga, pense no videogame.Videogame!

— Entendi... — Aomine ampliou o sorriso, deixando o controle no chão naquele instante. A atração entre ambos era muito palpável, só um olhar já bastava. — Então depois a gente joga. — Ele sussurrou, aproximando o rosto: — Agora eu quero você, Taiga.

O ruivo não teve tempo para ficar surpreso. Aomine o puxou pela nuca e lentamente inseriu a língua em sua boca, empurrando-o contra o colchão com seu próprio tórax, para que deitassem. Satisfeito com a atitude afoita de Daiki, Kagami sorriu de forma safada e suspirou ao senti-lo subir em seu corpo, ajeitando-se entre suas pernas com movimentos sutis e firmes de quadril.

Era errado fazer isso, assim, tão repentinamente? Quer dizer, mal pisara na casa dele e já se encontravam nesse estado, se agarrando desse jeito... Desse jeito tão gostoso e insinuante... Ah, foda-se. Não precisava pensar no que era errado ou certo. Estava ótimo assim!

A cama de Daiki era realmente confortável, e tinha o cheiro gostoso dele. Kagami constatou, assim que subiam pelo colchão, ainda durante o beijo, ajeitando-se melhor no espaço que ali havia.

A língua do moreno se movia sensualmente contra a sua, seguindo o ritmo da música, e seu gosto era tão viciante e alucinógeno quanto uma droga pesada. Aquela situação toda parecia uma verdadeira tortura para Kagami. Não que fosse um cara impulsivo, mas Daiki o deixava louco muito facilmente. Estava impossível manter a sanidade ao ter aquele cara decidido e sexy esfregando-se em seu corpo.

As punhetas que tocara durante a semana jamais chegariam perto do que aquilo realmente era.

Apesar de terem transado poucas vezes, Kagami sentia-se extremamente confortável com ele entre suas pernas, não tinha mais vergonha nenhuma em admitir para si mesmo que morria de tesão por Aomine. Já sentia a ereção pulsar em busca de alívio, assim como a de Daiki, que endurecia cada vez mais contra sua virilha. Era bem excitante...

Com uma urgência que nem mesmo conhecia, Kagami passou as mãos com força pela extensão das costas do moreno, em busca de mais contato, tateando a mistura de tecido e pele. Ouviu-o arfar suavemente durante o movimento, para seu próprio deleite. Ainda era inexperiente, mas as reações de Daiki eram seu maior incentivo para continuar.

Sem pensar duas vezes, o ruivo afastou ainda mais as pernas, para que a intimidade aumentasse, e começou a roçar-se no corpo dele também. Kagami ainda não sabia de onde tirava coragem para fazer aquelas coisas, mas gostava de seguir seu instinto... E pelo jeito Daiki também gostava quando fazia isso. Pôde sentir um sorriso malicioso surgir nos lábios dele, ainda durante o beijo.

Aquilo levou Kagami à sorrir de volta, colocando as mãos por debaixo da regata branca, para senti-lo melhor. A roupa passou de sexy para incômoda em questão de segundos. Como se lesse seus pensamentos, o moreno a removeu com apenas uma das mãos, afastando brevemente o rosto de ambos, para que passasse o tecido pela cabeça.

— Não morde a boca assim, Taiga... — Ele pediu em voz baixa e sôfrega, enquanto lançava a peça para longe.

— Por...? — Murmurou, excitado, sentindo-o deslizar vagarosamente o polegar por seus lábios úmidos. Era um gesto muito simples, mas ao mesmo tempo tão erótico...

— É sexy. Eu não aguento. — Aomine murmurou contra sua boca, inclinando-se para dar-lhe outro beijo urgente, forçando a passagem de sua língua. Kagami o apertou contra si naquele instante, roçando as unhas por sua pele, fazendo-o arfar novamente.

Sem a roupa tudo ficava bem melhor, ele era tão quente e gostoso... E aquele maldito cheiro, totalmente afrodisíaco. Daiki era com certeza a sua perdição, nem ao menos se reconhecia quando estava com ele. Principalmente naquelas situações, quando ambos realizavam uma simulação descarada de sexo... O sexo que tanto queria, que tanto esperou desde terça-feira.

As mãos do moreno desceram por seu corpo, chegando rapidamente na base do tecido preto de sua roupa. Kagami mal percebeu quando a camisa foi removida e atirada para longe... Só conseguia pensar no quanto queria ser fodido mais uma vez, no quanto queria sentir Daiki metendo com força, no quanto gostava de ser dominado por ele... Droga, estava com muito de tesão, nem controlava mais os pensamentos. Já estava todo molhado, mal aguentando a espera.

— Daiki... — Sibilou as sentir os dentes dele enterrarem-se na pele de seu pescoço com força. Fechou os olhos e atirou a cabeça para trás, movendo o quadril de forma inconsciente e insinuante enquanto o apertava contra si, sem conseguir esconder o quanto o queria. Nem ligava para as marcas que teria no dia seguinte.

— Hoje vou te mostrar duas coisas mágicas, Taiga. — Ele sussurrou, provocante, descendo a boca por seu tórax, deixando algumas marcas fortes de mordidas ali também.

— A-ah é? — O ruivo balbuciou automaticamente, ainda de olhos fechados, sentindo-o descer os lábios por seu abdome, já desafivelando seu cinto.

— Sim... — Ele murmurou perigosamente, desabotoando sua calça e abrindo o zíper.

Céus, como aquilo estava gostoso! Kagami pensou, levando os braços acima de sua cabeça, delirante.

O sutil contato dos dedos de Daiki em seu pênis fez o ruivo estremecer, apertando o travesseiro com força enquanto cerrava cada vez mais os olhos. Percebendo sua reação, o moreno inclinou-se novamente contra seu corpo, depositando leves chupões na linha do sexo, abaixo do umbigo, descendo cada vez mais, em linha reta. As sensações eram indescritíveis, cada arrepio era mais forte que o outro, mas todos dirigiam-se ao mesmo ponto.

Só mais alguns centímetros e a boca de Daiki chegaria lá também...

Kagami entendeu o que ele quis dizer com "mágica" em questão de segundos, abrindo os olhos de repente, incrédulo e eufórico. Apoiou-se nos cotovelos para presenciar a cena, mal escondendo sua surpresa ao sentir e ver a língua dele passar sutilmente por cima de seu pênis, mesmo que ainda estivesse usando a cueca.

— Ah meu... Caralho... — O ruivo ofegou com a voz entrecortada, franzindo a testa, sendo invadido por uma súbita onda de prazer que fez seu membro latejar.

Aomine sorriu, malicioso, e removeu sua calça com pressa, puxando a cueca preta ao mesmo tempo. Kagami mal conseguia se mover ou pensar direito, estava muito excitado e incrédulo. Apenas a ideia de ser chupado por Daiki já o deixava completamente sem ar... Isso realmente iria acontecer?

— Não morde os lábios... — Ele pediu mais uma vez, com os olhos estreitos, iniciando uma lenta masturbação ao fitar seu rosto.

— Tá... — Kagami murmurou aleatoriamente, fechando os olhos brevemente ao sentir-se tocado no lugar onde mais precisava. Abriu-os outra vez para encará-lo, sentindo mais tesão ainda ao vê-lo realizar o movimento com a mão, tão firme e preciso. Daiki sabia muito bem o que estava fazendo.

— Você é gostoso demais... Tão molhado... — Aomine murmurou, passando a língua na grande quantia de pré-gozo que saía pela cabeça de seu pênis.

— D-Daiki... — O ruivo gemeu de forma trêmula, sentindo o corpo todo esquentar e arrepiar-se com o contato e com a frase. Kagami pensou que perderia a consciência ali mesmo, foi repentino e delicioso. Agora queria muito mais.

Não precisou esperar nem um segundo para ter sua íntima vontade completamente saciada. Fechou os olhos e soltou um urro incontido ao sentir a boca de Daiki envolver a cabeça de seu membro de uma vez, sugando-a de leve. Era tão quente. Tão macio. Tão gostoso. Tão foda! Seria capaz de gozar facilmente apenas com a sensação dos lábios dele roçando sua pele sensível.

— Meu... Caral...! Daiki! — O ruivo sibilou, com o ar lhe faltando, abrindo novamente os olhos para presenciar a cena. Queria muito ter certeza de que não era apenas uma alucinação.

E de fato não era... A cena era impagável e excitante ao extremo! Sem falar na sensação, que o enlouquecia.

~Aomine Daiki~

O moreno precisou fechar brevemente os olhos antes de continuar, extremamente satisfeito com o gosto que queria provar há dias. A mistura de doce e salgado agradava demasiadamente seu paladar. Taiga era de fato muito delicioso... Muito mais do que imaginava!

Aomine conseguia sentir as veias levemente pulsantes com a própria língua, enquanto percorria e molhava a extensão inteira do pênis de Kagami. Os gemidos roucos do ruivo o enlouqueciam mais do que o necessário, assim como a expressão excitada e o olhar de puro desejo e incredulidade que ele o lançava.Tão sexy...

O moreno sentia o próprio pênis pulsar enquanto descia repetitivamente os lábios pela carne quente e macia. Era tão gostoso tê-lo em sua boca, totalmente entregue, mordendo os lábios daquela forma inconsciente e libidinosa... Vê-lo tremer de tesão, todo molhado, era prazeroso demais.

O pré-gozo também umedecia a cueca de Daiki há tempos, no entanto o moreno insistia em sua própria tortura. Queria muito fodê-lo, mas estava tão gostoso chupá-lo, passar a língua por cada centímetro de sua carne, ouvi-lo soltar palavras sem nexo... De alguma forma Kagami se tornara o verdadeiro caminho de sua perdição.

As pernas de Taiga tremiam cada vez mais, e seu quadril começava a se mexer inconscientemente, conforme Daiki aumentava a intensidade de seus movimentos com a boca. Kagami não iria demorar para ter um orgasmo, o moreno conhecia as reações... Então estava na hora de parar.

— Não... — O ruivo murmurou em protesto, relaxando o corpo assim que Daiki removeu-o de sua boca.

— É gostoso, não é, Taiga? — O moreno murmurou perigosamente, novamente subindo pelo corpo de Kagami e se acomodando entre suas pernas. Era ali que queria estar agora. E ele também queria.

— Sim... — Ele respondeu ofegante, descendo as mãos trêmulas pela pele de suas costas, apertando-o contra si mais uma vez, mas agora pelas nádegas.

— Vou te mostrar a outra coisa mágica... — Aomine disse com a voz enrouquecida de tesão, sentindo-o esfregar-se sutilmente contra seu corpo. Erótico demais, intenso demais... O moreno mal se aguentava, mas precisava prepará-lo ainda.

Com uma pressa maior do que o normal, Daiki inclinou-se para beijar Kagami mais uma vez, esfregando-se em seu corpo também. Como gostava daquela boca, daquele corpo, daquilo tudo... Céus, como queria fodê-lo com força. Agora!

Sem pensar mais, esticou a mão por debaixo do travesseiro em busca do tubo de lubrificante que havia colocado ali mais cedo. Sabia que transariam, então já deixou estrategicamente posicionado, em um lugar de fácil acesso.

— Convencido de merda... — O ruivo riu contra seus lábios, percebendo o que ele estava fazendo. — E se eu não viesse?

— Você iria vir de qualquer jeito! — O moreno sorriu de canto, abrindo o tubo e espalhando o gel por seus dedos da mão direita. — Te conheço, Taiga!

— Você acha que conhece... — O ruivo murmurou, enrouquecido, mordendo seu queixo de leve, ao mesmo tempo em que enterrava os dedos em seus cabelos.

O moreno precisou fechar os olhos para não agir impulsivamente ou soltar um gemido muito alto. Kagami estava brincando com a sorte ao provocá-lo dessa maneira. Seu pênis praticamente implorava por alívio agora, já saindo pelo cós da cueca, completamente molhado. Com certeza sua calça cinza teria uma pequena mancha de pré-gozo.

— Caralho Taiga, como eu quero meter em você! — Sibilou entre dentes, fechando os olhos ao senti-lo descer a boca por seu pescoço, apertando mais e mais suas costas conforme o mordia.

— Então mete... — Ele sussurrou em seu ouvido, passando a língua de leve em seu lóbulo. — Eu também quero!

Caralho, ele realmente brincava com sua sanidade! O moreno pensou, mordendo os próprios lábios ao sentir o pênis latejar mais uma vez. Eram gestos tão simples, mas tão enlouquecedores... Taiga não era nada submisso para alguém inexperiente, e isso era o mais gostoso de tudo.

Sem esperar mais, Daiki desceu a mão já lubrificada e inseriu com calma o primeiro dedo na entrada de Kagami, movendo-o vagarosamente para dentro e para fora. O ruivo mordeu sua pele com mais força, arfando de prazer. Hoje não havia dor ou reclamação.

— É melhor assim? — Aomine soltou a pergunta retórica, ouvindo-o rosnar com a voz baixa em sua orelha, conforme inseria um segundo dedo. Com lubrificante deslizava tão facilmente... O corpo dele se acostumava bem mais rápido. Mágica.

— Muito! — Ele murmurou roucamente, relaxando os poucos músculos que ainda estavam tensos. — Vai Daiki... Mais fundo.

Aquilo foi o fim completo de todo seu autocontrole.

— Não aguento mais! — Aomine gemeu em voz baixa, incrédulo, já removendo os dedos de dentro do ruivo. Sem conseguir mais raciocinar direito, abaixou sua cueca e sua calça com a mão restante, apenas o suficiente para deixar seu membro a mostra. — Eu vou te comer agora!

O ruivo nada disse, apenas o encarou com uma expressão urgente, descendo o olhar até seu pênis em riste. Ele não tinha vergonha, e isso era o melhor... Taiga era gostoso! E ele era foda! E safado... E seu!

Com pressa, Aomine pegou outra vez o tubo de lubrificante e espalhou o gel por seu próprio membro, encarando Kagami com a respiração pesada. Ainda não conseguia entender como aquele cara o deixava com tanto tesão sem fazer esforço, afinal, ele ainda não tocara em seu pênis... Tinha medo de como reagiria se ele tocasse.

Tudo parecia tão natural agora, vendo-o deitado em sua cama, apenas esperando o que ambos queriam. Sim, tinha que ser ele! O pensamento o ocorreu, assim que largou novamente o tubo do lubrificante perto do travesseiro. Era ele sim! Ele tinha tudo aquilo que vinha procurando há tempos!

Sem mais demora, debruçou-se mais uma vez por cima de Kagami e o encarou, encostando provocantemente seu pênis contra a entrada dele. Taiga tinha a respiração pesada e sua expressão adquiriu aquele ar agressivo e necessitado no mesmo instante. Aomine precisou sorrir ao senti-lo empurrar o corpo contra seu membro.

— Você é bem safado para alguém que perdeu a virgindade essa semana... — Sussurrou de forma maliciosa, esfregando insinuantemente seu pênis no local que em breve iria invadir.

— For Men! — Ele justificou-se com a voz trêmula e rouca, sorrindo de canto, ainda movendo o corpo.

— Eu sabia que você assistia aquilo. — O moreno fechou os olhos, extremamente satisfeito com a resposta sincera. — Isso te torna um pervertido, como eu.

— Você está num patamar su-superior... — O ruivo balbuciou, perdendo-se no meio da frase ao soltar um longo suspiro de prazer e dor contida. Aomine iniciou a penetração sem pressa, interrompendo-o. — Ah... Daiki...

O lubrificante melhorava tudo, e não apenas para Kagami. Deslizava tão gostoso para dentro que nem mesmo o moreno conseguia conter o gemido de prazer. Olhou para baixo e viu o próprio pênis sumir aos poucos no interior apertado de Taiga... Tão delicioso, tão quente... Como sentiu falta daquilo.

Mas não se referia apenas ao sexo. Três dias sem ele era muito tempo!

O ruivo fechou os olhos, fora de controle, e ofegou assim que o membro de Aomine chegou ao final, tocando-lhe sutilmente a próstata. Era mais do que evidente que ele gostava, tanto quanto Daiki, pois já se movia ao seu encontro de forma inconsciente e lenta, abrindo cada vez mais as pernas. Extremamente provocante... E molhado.

— Vai Daiki! — Kagami sibilou com a voz rouca, notando que Aomine permanecia imóvel. Abriu os olhos rubros e o encarou, praticamente implorando, com a expressão máscula e agressiva. — Me fode...

Você é meu, Taiga... O moreno sorriu satisfeito, encarando o ruivo abaixo de si.

Sem conseguir pensar em mais nada, Aomine desceu para beijar a boca de Kagami, sentindo mais uma vez o gosto de sua língua. Começou a se mover vagarosamente na intenção de lubrificar todo o interior apertado e gostoso, para então poder estocar do jeito que queria... Sem pudor algum, com bastante força! Do jeito que ambos gostavam.

Eram realmente parecidos.

***

Duas horas depois.

~Kagami Taiga~

— Eu não acredito que você tem até Katy Perry aqui... Céus, e Taylor Swift também! — O ruivo riu com a mão na frente da boca, incrédulo, passando o olhar pelas pastas de música que havia no notebook dele. — Meu pau, Daiki, sério?

— Minha mãe gosta! — Ele se justificou com a voz preguiçosa, ainda concentrado no jogo, apertando constantemente os botões do controle. — Baixei para ela.

— Sua mãe, claro! — Kagami provocou, girando na cadeira para encará-lo, assim que colocou Coldplay para tocar. — Aposto que você escuta quando está deprimido, não é?

Ainda era bem complicado vê-lo com aquela regata branca, e agora apenas de cuecas, completamente à vontade. Daiki era muito bonito e gostoso! Claro, o vira sem nenhuma roupa à algumas horas, nos melhores ângulos possíveis, fazendo as melhores expressões possíveis, mas mesmo assim...

Como nunca havia reparado nisso antes? Provavelmente pelo mesmo motivo que nunca reparava em ninguém — não tinha interesse. Agora Aomine se tornara "algo mais", então era fácil pensar nele dessa forma.

— Droga Taiga, você descobriu meu segredo! Como vou viver agora? — O moreno revirou os olhos, fingindo estar preocupado. Voltou a sorrir de canto e estendeu o controle: — Morri.

— De novo? — O ruivo indignou-se, sentando ao lado dele na cama, pegando o objeto de sua mão.

— Não tenho paciência para isso. — Aomine resmungou, indiferente, largando-se no colchão, apoiando-se em seus cotovelos.

— Então por que diabos comprou o jogo, idiota? — O ruivo perguntou, erguendo as sobrancelhas, já apertando o botão para recomeçar a fase de Assassin's Creed.

— Parecia ser legal.

— O jogo é foda pra caralho, você só precisa prestar atenção na hora que vai correr por trás dos objetos. — O ruivo explicou. — É pura lógica.

— "É pura lógica". — Ele o imitou com uma vez exagerada e melodiosa, fazendo gestos bestas com as mãos. — Falou o gênio!

— Vai se foder! — Kagami riu, dando uma joelhada em sua perna despida, já apertando play. — Assista quietinho e aprenda aqui com o seu mestre.

— Pff... Tomara que morra! — Aomine riu, devolvendo a joelhada, mas deixando a perna ali encostada.

O ruivo ignorou a provocação, sorrindo de forma desafiadora. Sobreviver agora tornou-se uma questão de honra, provaria que era melhor! Mesmo que o calor da perna dele desviasse sua atenção.

Kagami suspirou fundo e concentrou-se em passar despercebido por uma grande quantia de guardas, no jogo. Se fosse descoberto um combate iria iniciar, e como havia muitos inimigos a morte era certa. Demorou um pouco mais do que o previsto, mas não teve muitas dificuldades com a fase, já que passava longas horas jogando aquilo em casa.

— Aprendeu? — O ruivo questionou, orgulhoso de si, virando-se para encará-lo assim que o jogo carregava para o próximo estágio. Entretanto Daiki não olhava para a TV, e sim para seu rosto. — Que foi?

— Você é um cara legal, Taiga! — Ele disse com a voz baixa e arrastada, ainda o encarando, sempre com aquele meio sorriso nos lábios.

— Você também é, Daiki! — Kagami sorriu de volta após alguns segundos de hesitação e surpresa, sentindo um enorme frio percorrer sua barriga. Pare já Taiga, não se empolgue! Não foi nada extraordinário para você agir assim, como uma menininha... Até porque ele já disse isso antes para você.

Mas nunca com aquela expressão hipnotizante, largado na cama só de cuecas e com o cabelo bagunçado do sexo. O subconsciente o alertou, deixando-o triunfante por dentro. O sorriso foi inevitável.

— Dorme aqui hoje? — Aomine perguntou com um tom imperativo, sentando-se mais uma vez para ficarem um ao lado do outro.

Foi um pedido completamente inesperado para o ruivo, era quase bom demais para ser verdade. Taiga sentiu a euforia passear mais uma vez por seu estômago, mas não soube o que responder de imediato. Apenas o encarou, pensativo.

Passar a noite juntos era algo bem sério, pelo menos na concepção de Kagami. Será que já chegaram tão longe para fazer algo assim? Claro que sim! Já transaram — o que era algo extremamente íntimo — e inclusive dormiram por algumas horas na mesma cama... Não tinha nada de errado nisso. Bem pelo contrário, era ótimo saber que ele queria!

Apesar de já ter aceito, Taiga precisaria se fazer de difícil, exatamente como Aomine fez ao mandar a maldita mensagem mais cedo.

— Não sei Daiki... — Kagami respondeu olhando para as próprias mãos, controlando-se para não sorrir e estragar todo seu teatro. — Não tenho roupas ou escova de dente aqui, e logo sua mãe vai chegar... Não quero ficar atrapalhando.

— Ah, cala essa boca Taiga. Vai ficar em casa olhando para as paredes? — Ele fez uma expressão divertida e impaciente ao mesmo tempo, já pegando o controle de sua mão. — Ficar com você é melhor do que ficar sozinho, e tenho certeza que você pensa o mesmo. — Dito isso ele voltou-se para a TV, iniciando a próxima fase do jogo, fingindo indiferença. — Pare de ser tão paranoico, não combina com essa tua cara de safado.

— Tá. Pode ser. — O ruivo sorriu satisfeito, voltando a olhar para o jogo, mas sem realmente prestar atenção. — Eu fico!

— Claro que você fica! — Ele afirmou, já clicando continuamente nos botões. — Não ia deixar você ir mesmo!

Aquela foi uma pequena demonstração que de fato não estava sozinho nessa, e isso o deixava radiante por dentro. Com certeza estar com Daiki era milhões de vezes melhor que estar sozinho... Era melhor que muita coisa, para falar a verdade!

Você é meu, Aomine Daiki! Pensou satisfeito, assistindo Aomine matar o personagem mais uma vez no videogame — apesar de estar prestando mais atenção no cheiro de perfume amadeirado, misturado ao do shampoo cítrico. E agora ainda com o acréscimo do cheiro de sexo.

Seria uma longa, e ótima, noite.

...

Notas finais
Oiiii o/ E aí? Gostaram? Nhaaaaaaa... Como disse, nada de muito decisivo no capítulo, hehehehe! Apenas as divagações tristes do Himuro lá no início, a insegurança surgindo em nosso pequeno Bakagami, mais uma dose de sexo e a prova de que a intimidade entre eles esta aumentando *o* A música de hoje... Bem, vou colocar mais de uma, pois tocou bastante coisa no capítulo: ~ Arctic Monkeys - Why'd You Only Call Me When You're High: https://www.youtube.com/watch?v=UZQwtmFnb70 ~ Arctic Monkeys - I Wanna Be Yours: https://www.youtube.com/watch?v=9Jnbg3mHojg ~ Coldplay - Magic: https://www.youtube.com/watch?v=1PvBc2TOpE4 Espero que tenham gostado, me avisem, ok? Vejo vocês nos comentários! Obrigada a todo mundo que chegou até aqui! Beijão enooooooooorme da Lana-chan! ;****************************************