Notas iniciais
Oi minha gente linda e cheirosa! Tudo bem com vocês nessa noite de domingo? Nha, espero que sim o/ Pois bem, voltei mais rápido do que eu estava esperando >< Hehehe! Espero que gostem do capítulo. Eu pessoalmente achei bem promissor o/ E antes de qualquer coisa, quero MUITOOOOO agradecer as palavras de apoio de todo mundo!!! Sério, foi minha estamina final para sorrir... Só me empolguei mais ainda e tenham certeza que não vou abandonar vocês não /o/ OBRIGADA!!! Enfim, concluo minha linha de raciocínio nas considerações finais, porque agora eu quero mostrar mais uma série de presepadas desse trio de retardados xD BOA LEITURA MEUS ANJOS!!! ;**************

Terça-feira — 1ª semana de aulas — 17h12min

~Himuro Tatsuya~

O quicar contínuo da bola estava quase irritante, assim como o barulho do solado dos tênis atritando com a madeira polida e lisa que compunha o chão da quadra. Cada ruído do treino de basquete parecia atingir propositalmente algum ponto bem no centro do crânio de Himuro, intensificando mais ainda a dor de cabeça que não o largava desde manhã, quando assistira a primeira aula de Biologia do ano. No entanto o rapaz sabia que seu cérebro quase explidia por um motivo que nada tinha a ver com Taxonomia... Estava pensando demais.

— Muro-chin... — Atsushi o chamou pela terceira vez, despertando-o de seu estado de transe. A voz dele também estava absurdamente chata naquele dia.

— Que foi? — Himuro respondeu com uma rispidez desnecessária. Arrependeu-se no segundo seguinte ao ver a expressão do amigo, mas deixou por isso mesmo.

— Você está um saco. — Ele resmungou com a voz arrastada e lerda de sempre, estendendo-lhe a bola com suas mãos gigantes. — Só faltam os seus arremessos para o treino acabar.

— Hm... Tá. — Tatsuya suspirou fundo e fechou os olhos brevemente. Seu mau-humor não deveria ser descontado nos outros, porém parecia quase impossível quando Murasakibara não parava de encher-lhe o saco. — Valeu.

Pegando a bola em suas mãos com uma calma proposital, Tatsuya virou-se para a tabela, que o encarava sempre imponente, implorando para levar coices de uma bola alaranjada e idiota. Aquilo também começava a cansar, sempre repetitivo e entediante.

Calma Tatsuya... O rapaz mentalizou, percebendo o olhar da treinadora queimar em sua nuca, assim como o dos outros jogadores de Yosen que já estavam cansados de esperar. Não adianta extravasar a raiva agora, porque a situação não vai mudar. Você foi rejeitado no quesito sexual, apesar de ter sido parcialmente aceito no emocional. Foi um equilíbrio, pense assim... Você deu dois passos para frente e apenas um para trás. Sorria e acene.

E após esses milésimos de noção e meditação, Himuro arremessou com o desempenho de sempre, acertando 16 dos 20 lances de três pontos. Era sua média anual. Estava de bom tamanho para quem não treinou por tanto tempo. Agora pelo menos todos estavam felizes e saltitantes indo ao vestiário em meio à risadas e empurrões.

— Oe, Muro-chin... — Murasakibara o chamou, receoso, no trajeto. — Tudo bem?

— Sim. — Tatsuya respondeu, buscando um pouco de concentração em seu cérebro latejante. — Só acordei meio estressado hoje.

— Quer um chocolate? — Ele perguntou, assim que entraram no vestiário. — Tenho alguma coisa sobrando na bolsa.

— Não precisa. — Himuro sorriu minimamente, percebendo que ele o tentava animar, principalmente ao ceder um de seus preciosos doces. — Hm... Foi mal por antes, ok? Só estava com a cabeça quente. — Murmurou, coçando a nuca, observando o amigo curvar-se para pegar uma muda de roupas limpa na mochila.

— Uhum... — Ele murmurou, com um resmungo característico. Assemelhava-se à uma criança entediada, e isso sempre era engraçado.

— Então... O que achou do pessoal novo? — Tatsuya buscou mudar de assunto, virando-se para observar os novatos de Yosen saírem do vestiário com as mochilas nas costas. Esses dificilmente tomavam banho na escola, muito menos na primeira semana de aulas.

— Poderia esmagá-los. — Atsushi resumiu, colocando um stick coberto de chocolate na boca, virando-se para Tatsuya com outro em mãos. — Quer?

— Valeu! — Aceitou por fim, dando uma mordida no doce crocante e comprido. Quem sabe assim sua dor de cabeça passasse.

Com o stick preso entre os dentes, Himuro abriu a mochila e pegou o celular em mãos — era sempre a primeira coisa que fazia, como se fosse automático. Claro, nunca havia nada de novo, mas a esperança de Taiga ter entrado em contato jamais morria... Por sorte, pois ele realmente mandara um Whats e isso casuara a abertura de um sorriso enorme em seu rosto. O doce quase caiu no ato, mas seus reflexos foram mais rápidos.

Kagami Taiga: Oi Tatsuya. Tudo certo?

Bem, isso é relativo... E você sabe disso. Himuro pensou após alguns segundos, ensaiando-se para digitar uma resposta, relendo a mensagem curta e vaga.

A verdade é que estava muito chateado desde a madrugada de sábado para domingo, pois nunca fora 'rejeitado' quando o assunto era sexo. Tatsuya sempre se garantiu demais nesse aspecto libidinoso, nunca deixara a desejar e tinha certeza absoluta de que com Taiga não seria diferente, até se esforçaria em dobro para dá-lo todo o prazer do mundo... Porém enganou-se amargamente. O soco metafórico que levou na boca do estômago foi muito mais do que broxante, beirou a humilhação. E não, não era exagero.

A conclusão mais rápida que passou pela mente de Tatsuya foi que o fantasma do filho da puta do Daiki decidira aparecer naquela maldita hora, fazendo o ruivo desistir de algo que já estava quase concretizado. Apostaria a franja nisso. Taiga estava até molhado, pedindo com o corpo, gemendo... E de repente o balde de água fria fora despejado sem dó e nem piedade nas costas de Himuro. Não tinha outra explicação lógica.

A inferiorização era inevitável depois de um momento embaraçoso como aqueles, a raiva então, nem se fala. Amava muito Kagami para não ter estourado naquela hora. Sabia que ele era verdadeiro, sincero e inocente — até demais —, então foi capaz de dar um desconto, principalmente após ouví-lo pedir incontáveis desculpas e chorar em seus braços, apertando-o com força. Foi ali que a ficha caiu... Precisava protegê-lo, e não julgá-lo. Não tinha esse direito ainda.

Em compensação à mancada, Kagami estava duplamente atencioso e carinhoso depois do ocorrido, o que era bem interessante e deveras satisfatório. Ele o abraçava com mais frequencia, os beijos já vinham de forma infinitamente mais espontânea e até fizera seu bolo de chocolate preferido no domingo... Simplesmente não tinha como não amar o jeito de Kagami Taiga, apesar dos apesares.

Taiga ainda era muito bobinho e inexperiente, recém saiu de um relacionamento que o machucou bastante — sabe-se lá como — e ainda era lerdo para tomar decisões difíceis. Tatsuya teria que colocar essas coisas na balança se quisesse ficar ao lado dele. Além do mais, ele pediu paciência... Precisaria tirar paciência do cu agora, já que nada seria colocado ali tão cedo.

Como deduzira antes, avançara dois passos e regressara apenas um, não tinha do que reclamar, apenas estava com o orgulho ferido. E também não era como se nunca fossem transar na vida. O importante era estarem juntos, e isso Tatsuya almejava com todas as forças desde o dia em que se conheceram... Não era hora de avacalhar com tudo apenas por um simples capricho. Já fizera isso antes e o perdera.

Melhor não colocar as dores na impulsividade, nunca dava certo.

~Kagami Taiga~

Sentado no vestiário da Seirin esperando Kuroko terminar de se vestir em um dos boxes fechados, o ruivo olhava para o celular aguardando a resposta de Tatuysa, que finalmente chegou com uma vibração. Precisava admitir que era um certo alívio ler aquelas mínimas e vagas palavras depois do que aconteceu no final de semana.

Himuro Tatsuya: Tudo sim Taiga, e com você?

Mesmo que o irmão negasse com todas as forças, Kagami sabia que ele estava bem chateado — um belo de um eufemismo para 'verdadeiramente puto'. Percebia no olhar distante, nos suspiros que ele soltava, nas respostas incompletas... Enfim, o conhecia o suficiente para ter certeza. Ele estava bem irritado, mesmo tentando camuflar.

Não era para menos, afinal, fizera a cagada do ano ao recusar o sexo.

Quem dá um bostaço desses quando está gostando da sensação? Soa tão ridículo e infantil, mas Kagami tinha certeza de que não seria verdadeiramente prazeroso para nenhum dos dois... Não enquanto o ato ainda era visto como uma espécie distorcida de 'incesto'. Essa constatação soava de um jeito mais ridículo ainda, porém o ruivo não poderia forçar a barra para si mesmo... Não ainda.

Não estava preparado para tanto. Simples assim.

Himuro disse que compreendia seu lado, o respeitaria até o fim, teria paciência consigo e tudo o mais, porém não era o que demonstrava, e isso preocupava minimamente o ruivo. Estavam avançando demais. Não daria conta se fosse prensado contra a parede o tempo todo, e esse era um costume que Tatsuya carregava desde quando era mais jovem — com ele era sempre oito ou oitenta.

Taiga não tirava a razão de Himuro estar bravo consigo, inclusive começou a mimá-lo exageradamente para ver se conseguia atenuar o problema, no entanto não parecia adiantar muito. Apesar de ser amável, o irmão possuía uma personalidade difícil quando queria... Bem difícil, diga-se de passagem.

O ruivo queria muito que tudo desse certo entre os dois, inclusive começava a doar-se muito mais do que nos últimos tempos, até mesmo ultrapassava seus próprios limites para vê-lo sorrir. Em momento algum fazia o esforço a toa ou por obrigação, afinal de contas gostava da companhia de Tatsuya e sentia-se bem deixando-o feliz.. Tinha um carinho e um sentimento gigantesco pelo irmão e estava fazendo de tudo para que isso evoluísse por vontade própria... Mas não parecia ser o suficiente, ou pelo menos não rápido o suficiente.

Se sentia-se assim agora, como seria mais para frente? Kagami odiava pensar nisso, mas era impossível não se perguntar. O medo de não aguentar a pressão era constante.

Primeiro: Ainda via Tatsuya como um irmão, então precisaria de um tempo para ele se tornar algo mais, tipo uma paixão — como antigamente. Segundo: Kagami tinha um pequeno problema com decisões, já que seu coração era um retardado e ficava correndo para trás o tempo todo — assim como seus pensamentos, seus sonhos, seus devaneios no meio do quase-sexo... Tudo voltava para Aomine Daiki uma hora ou outra, e isso era um masoquismo bem irritante e doloroso. Terceiro: Quanto mais incomodado se sentisse durante as situações ao lado de Himuro, menos conseguiria avançar com ele. Se conhecia bem para saber.

Ou seja... Se metera em um labirinto e agora estava se fodendo sozinho para achar a saída.

— Calma Taiga, vai dar tudo certo... Não se desespere antes da hora.— Resmungou para si mesmo, olhando para o celular, já digitando uma resposta.

O vapor umedecia a tela, dificultando o arrastar dos dedos no touchscreen, mas nada impossível de se executar. A mensagem saiu satisfatória, e seu corretor não avacalhou em nenhuma palavra. Odiava reescrever...

Taiga: Tudo bem. Como foi seu treino? O pessoal novo da Yosen é bom?

Após enviar a mensagem, Kagami recostou-se preguiçosamente na parede de azulejos azuis do vestiário, fechando os olhos para tentar atenuar a dor que começava a se formar logo acima de suas sobrancelhas. A sensação assemelhava-se aos dias das provas finais, quando misturava muito conteúdo em seu cérebro pequeno e tudo virava uma meleca só, disforme. Estava confuso.

A verdade era absoluta: Kagami Taiga encontrava-se entre as dez pessoas mais lerdas do mundo em relacionamentos e afins. Isso se não ocupasse o pódio, claro.

Mas deixando o autojulgamento de lado... O que deveria fazer agora? Visitar Tatsuya de surpresa, em uma tentativa de melhorar o clima? Soava de forma bem positiva, já que Kagami conhecia a sensação do inesperado. Recebera uma visita assim de Daiki há algum tempo, e foi naquele dia que deram o primeiro beijo mais carinhoso, por assim dizer... Conseguia inclusive sentir a textura lábios do moreno, a sensação gostosa que o gesto causava em seu interior... O cheiro amadeirado e forte quase lhe invadia as narinas, mesmo quando o vapor quente e o aroma de sabonete ocupassem completamente o vestiário.

— Demorou para aparecer hoje, não? — O ruivo murmurou para o Aomine desdenhoso que surgiu em sua mente, apertando mais os olhos em uma tentativa de arremessar o pensamento por suas orelhas. Todos os momentos com Daiki foram unilaterais, mentiras vazias... Por que ainda lembrava? Por que ainda pensava? Deveria esquecê-lo, focar em Tatsuya. — Por que é tão difícil? — Suspirou, cansado, buscando atenuar a singela dor no peito enquanto retornava aos pensamentos anteriores.

Com ums boa dose de concentração era capaz. Precisaria treinar essa técnica com mais frequência, quem sabe assim o labirinto não fosse mais tão complexo.

Onde estava? Ah, a visita... Sim, estava decidido. Apareceria na casa de Tatsuya, nem iria para seu apartamento antes, ou ficaria muito tarde para dormir quando voltasse de lá — ainda estavam no meio da semana e teriam aula no dia seguinte, não poderia esquecer esse detalhe. O fato é que precisavam conversar sobre o assunto.

Mesmo que não estivessem brigados de fato, o ruivo queria muito fazer as pazes com o irmão. Assistiria até mesmo um terror nojento para vê-lo sorrir naquela noite. Poderiam tentar algo a mais se surgisse a oportunidade. Quem sabe se realmente dessem o próximo passo — sexo, ou algo do gênero —, Kagami conseguiria pular essa barreira de 'irmão'.Saberia diferenciar melhor as coisas, certo? Estagnado na inocência era mais complicado de seguir em frente.

— Quem sabe? — Murmurou, suspirando fundo, apoiando os braços atrás de sua cabeça, ainda com os olhos fechados e com o celular entre os dedos.

A quietude o deixava com saudades do tempo em que só o basquete importava. Era bem mais fácil. Sua cabeça ficava bem menos pesada.

— Kagami-kun? — Kuroko estalou os dedos em sua frente algum tempo depois, causando um arrepio instantâneo por toda sua espinha dorsal.

— Oe! Não seja assim tão... Furtivo! — O ruivo exclamou ainda um pouco atônito, ao abrir os olhos. O susto era inevitável quando o silêncio e o vazio eram quebrados pelas aparições abruptas do amigo. Nunca se acostumaria. — Você vai me matar um dia.

— Você está bem? — O amigo questionou com o rosto levemente inclinado, ignorando cruelmente seu surto. — Estava falando sozinho.

— Hm, não é nada! — Kagami fez um gesto simplório com as mãos, levantando-se logo em seguida. Decidiu guardar as preocupações para depois, mas anotou mentalmente o fato de Himuro não ter mais respondido seu WhatsApp.Saco. — Vamos? — Sorriu de canto, tentando não pensar mais no assunto.

— Vamos! — Ele sorriu minimamente, jogando a alça da mochila sobre os ombros.

Os dois seguiram em direção à saída da escola, e com certeza o assunto que discorriam pelo caminho focava nos novos jogadores que entraram para a Seirin. Nenhum dos candidatos fez os olhos de Kagami brilharem — e nem os de Riko, pelo visto —, mas havia um rapaz que ocuparia relativamente bem o lugar de Teppei, como pivô, e um armador que daria conta do recado — mesmo não possuindo o Eagle Eye de Izuki.

Nada empolgante para o time, apenas preocupante. O motivo? Depois do Interescolar os senpais não podem mais jogar. Normas idiotas da escola que proibiam alunos do terceiro ano de participarem dos clubes a partir da metade do ano. Teriam que focar nos jogos de verão, pois os de inverno pareciam uma utopia agora. A menos que os novatos fizessem um milagre e melhorassem consideravelmente.

— Você está estranho. — Kuroko foi direto, assim que desciam as escadas até a estação de metrô. — Vai me contar o que aconteceu?

— Só estou com um pouco de dor de cabeça. — Kagami respondeu verdadeiramente, passando os dedos pela testa. A pressão contra a pele parecia atenuar o incômodo, mas era momentâneo. — Logo passa.

— Não é só isso. — O amigo continuou com um tom um pouco mais veemente, olhando para o caminho. — Fico um pouco chateado por você não se abrir comigo, sabe?

— Oe... — Kagami murmurou, sem reação, arqueando as sobrancelhas ao encará-lo.

— Eu escutei você falando sozinho no vestiário... — Kuroko continuou, já passando pela catraca, virando-se para observar o ruivo fazer o mesmo. — E você não acertou todos os lances livres no treino de hoje. Então com certeza tem alguma coisa bem errada.

— Não é nada de mais. — O ruivo insistiu com um sorriso forçado, notando que a estação estava parcialmente lotada. — Só não quero te encher o saco com minhas coisas chatas. — Falou a verdade, ajeitando a mochila sobre o ombro. Era seu cacoete quando se sentia incomodado ou muito eufórico. No momento, incomodado.

— Acredite, é muito mais desagradável não saber o que te deixa para baixo. — Ele murmurou, sério, caminhando até a plataforma de embarque.

— Hm... Foi mal. — Taiga franziu novamente as sobrancelhas, coçando a nuca enquanto o acompanhava. — Bem... É que só estou meio perdido.

— Perdido por que está sem o Aomine-kun, ou por que está ao lado do Himuro-kun? — Novamente Kuroko foi direto e certeiro, como se realmente pudesse ler seus pensamentos.

— Os dois. — Kagami foi obrigado a concordar em meio a um suspiro, sentando-se ao lado dele em um dos bancos vagos. — Quer mesmo ouvir? — O ruivo girou os olhos em direção ao amigo, que o encarava, impassível.

O aceno mínimo foi o suficiente para dar coragem ao ruivo. No fundo sabia que precisava de uma outra visão da história e quem sabe até mesmo de ajuda, porém era complicado falar sobre o assunto. Era meio complexo, íntimo, pessoal... Não estava acostumado a abrir seus sentimentos, mas Kuroko era seu melhor amigo. Poderia se esforçar.

— Cara... Como vou te falar? — Mordiscou os lábios, brincando com os próprios dedos em busca das palavras. — Acho que... Hm... Agi no impulso ao reatar com o Tatsuya, e agora não estou dando conta de levar isso adiante... Porque o vejo como um irmão, e ainda penso muito no... Aomine. — Esforçou-se para não falar 'Daiki', balançando minimamente a cabeça. — E é isso. Estou fodido.

— Natural. — Kuroko assentiu, franzindo minimamente a sobrancelhas. — Prossiga.

— Ah... Sei lá. — Kagami coçou a nuca, desviando o olhar para as pessoas que caminhavam em sua frente, pela estação. — Acho que não estou conseguindo deixar o Tatsuya feliz, porque sou lerdo demais nesse assunto. — Precisou admitir, franzindo as sobrancelhas, evidenciando seu desconforto. — E mesmo querendo, não consigo parar de pensar naquele merda lá. Parece um vício, uma droga.

— A conclusão parece-me simples. — Kuroko deu de ombros, atraindo seu olhar. — Você ainda gosta do Aomine-kun, mas decepcionou-se e foi buscar algo para diminuir sua dor. Simples.

— Mas não é como se eu estivesse usando o Tatsuya! — Kagami foi rápido em responder, encarando o azul claro dos olhos do amigo. Para variar, não era um julgamento, o que deixava Kagami mais tranquilo. — Eu gosto dele, de verdade.

— Como irmão. — Kuroko pontuou, certeiro mais uma vez.

— É. — O ruivo abaixou o olhar, dando-se por vencido. — Mas já gostei dele de forma diferente antes, então estou tentando resgatar isso.

— Entendo.

— Mas é difícil quando me sinto pressionado. — Taiga tomou um pouco mais de coragem, buscando novamente o olhar do amigo. Ele parecia querer ouvir, então continuou: — Fiz uma merda enorme final de semana. Tipo... Ah... Como falar? — Ruborizou, fechando os olhos por breves segundos. — O Tatsuya e eu estávamos quase... Sabe... Fazendo... — Começou, fazendo gestos disformes e sugestivos com as mãos.

— Sexo. — Kuroko completou, inexpressivo e exato, ainda olhando para seu rosto.

— É... — O ruivo torceu o nariz, sentindo cada célula do rosto esquentar mais e mais. Poderia morrer depois daquilo, mas foi forte e continuou, constrangido: — Só que eu pedi para parar. — Tapou a face com as mãos abertas. — Porque na minha cabeça estava parecendo muito errado, um pecado. Sei que é ridículo... Mas eu não iria conseguir. Fui patético. — Julgou-se, sem ter coragem de olhar para Kuroko. — E a merda é que... Meu caralho, não acredito que estou te contando isso... Enfim... A merda é que eu pensei no Daiki. No Aomine, droga. A-o-mi-ne. — Corrigiu-se, exasperado.

— Sabe Kagami-kun, a situação é mais simples de entender do que parece. — Kuroko comentou, atenuando o clima vergonhoso que ficou no ambiente. — Você só precisa de um pouco de tempo para absorver e superar tudo.

— Exato! — Assinalou, indicando o amigo com as mãos, como se ele tivesse feito a descoberta do século. — Eu já conversei com o Tatsuya a respeito. Ele disse que entendia a situação, sabia que eu precisava de paciência... Mas não age de acordo. Claro, eu avacalhei com tudo no final de semana, mas pedi desculpas... Só que ele parece estar me evitando até agora. Nem respondeu minhas mensagens hoje. — Disse, apalpando o celular no bolso. — E isso está me deixando preocupado, porque eu não quero fazer nada a força, mas não quero deixar ele triste, sacou?

— Bem... — Kuroko ajeitou-se no banco, colocando a mochila sobre o colo. — Eu posso ser sincero?

— Claro. — Assentiu, esperando.

— Não gosto muito do Himuro-kun e muito menos da forma como ele age. Acredito que ele esteja forçando a barra com você sim, mesmo não aparentando. Mas isso só acontece porque ele tem um sentimento forte e quer ser retribuído da mesma forma o quanto antes... O que é um pouco egoísta. — Ele ergueu as sobrancelhas, deixando o ruivo boquiaberto. A autenticidade dele era assustadora. — À essa altura você deve saber que foi impulsivo ao iniciar um relacionamento com ele, pois não analisou as consequências e nem imaginou que poderia magoá-lo ao precisar de seu próprio tempo.

— Hm... Pode ser. — O ruivo suspirou, ainda um pouco aturdido com as palavras de Kuroko. Eram muitas verdades ao mesmo tempo, ele captava bem demais as situações e não tinha medo de expor as próprias conclusões.

— E devido a todas essas circunstâncias, eu teria duas opções de conselho agora. — Ele continuou, atraindo mais uma vez seu olhar. — Um que você precisa ouvir, e outro que eu gostaria de dar, mas não vou.

— Como assim? — Franziu a testa, confuso.

— A situação não permite que eu fique colocando mais caraminholas na sua cabeça, então vou falar apenas o que você precisa ouvir por enquanto. — Kuroko comentou vagamente, mas sério. — Você e o Himuro-kun precisam conversar e resolver isso, chegar a um acordo enquanto ainda é cedo... Ou seja, ele precisa ter paciência, e, se você quiser, deve se dedicar a ele e tentar esquecer o Aomine-kun. Repito, se você quiser.

— É... — Suspirou, coçando a nuca, mais confuso ainda. — Mas não está fácil, sabe?

— E te digo mais uma coisa. — O amigo prosseguiu. — Um relacionamento só é bom quando as duas partes estão felizes. E você não está. Ou me enganei?

Kagami não encontrou uma resposta imediata. Não sabia se estava feliz ou não. Lógico, seu coração ainda estava bem dolorido por tudo que aconteceu com Aomine, sua primeira e real decepção amorosa. Sentia falta do maldito, mas tinha certeza que a recíproca não era verdadeira. Amara sozinho, e agora estava procurando apenas uma nova paixão para acabar com essa coisa ruim em seu peito. Estava em busca de sua felicidade. Era uma coisa tão lógica, mas não parecia funcionar na prática.

— Pode ser que não, mas é porque eu ainda sinto falta daquele idiota. — O ruivo admitiu com um gesto impaciente de mãos, mordendo os lábios em um claro sinal de dúvida e nervosismo. — Isso está me deixando confuso, porque não consigo evoluir o que sinto por Tatsuya.

— Então peça um tempo para você pensar. — Kuroko sugeriu, atraindo sua atenção. — Se o Himuro-kun realmente tem um sentimento forte por você, conseguirá entender que você precisa disso.

— Hm... Não é tão simples. — Kagami murmurou, descrente. Não queria nem imaginar como Himuro ficaria se ouvisse alguma coisa assim. — E não é como se eu quisesse ficar longe dele, entende? Ele me faz sorrir, me deixa feliz. Só não quero deixá-lo triste.

— Então peça apenas paciência. A conversa resolve tudo, assim como o tempo. — Kuroko afirmou, tocando em seu braço. — Mas você deve pensar em você agora, se é isso que você quer. Não adianta viver em função de outra pessoa, isso só irá te fazer mal.

— Quer saber a verdade, Kuroko? — O ruivo suspirou, olhando para o teto de concreto ao apoiar a cabeça na parede. O nó na garganta estava aparecendo de novo, na mesma intensidade que sua dor de cabeça aumentava. — O que eu queria mesmo, do fundo do coração, era estar com o Daiki. Mas isso soa tão ridículo que eu quase dou risada de mim mesmo... — Sorriu pesaroso, voltando o olhar para o amigo. — Eu me decepcionei muito e só estou procurando outro caminho para ser feliz. Tatsuya me pareceu ser esse caminho, e realmente está sendo. Gosto da companhia dele e tudo o mais... Só preciso de tempo, de esforço. Sei que vou conseguir retribuir, mesmo que ainda o veja como um irmão.

Kuroko não encontrou resposta dessa vez. Ele permaneceu o encarando, inexpressivo, mas logo balançou a cabeça negativamente e sorriu de canto, dando-lhe um tapa de conforto nas costas.

— Se é assim, por que você não conversa com o Aomine-kun? — O menor sugeriu alguns segundos depois.

— Pra quê? — Kagami riu, incrédulo. Tudo fizera sentido nas palavras de Kuroko até o momento, menos aquela frase. — De onde veio isso?

— Deixa para lá. — Kuroko suspirou, voltando o olhar para o trilho em sua frente. — Então pense bem no que vai fazer daqui para frente, mas viva por você, ok? No seu tempo.

— Acha que estou fazendo algo de errado? — O ruivo arriscou perguntar, franzindo a testa ao olhar para Kuroko.

— Quem sou eu para julgar? — Ele sorriu de canto, tristemente. — Só espero que vocês dois não se machuquem no final.

Eu também. Kagami concluiu em seus pensamentos, observando o metrô se aproximar. Tinha uma missão para cumprir agora.

***

18h

~Aomine Daiki~

— O nosso oráculo-kun nos aconselha à ir ao Maji Burguer na sexta-feira. — Satsuki levantou o olhar de seu celular, encarando Aomine com um sorriso radiante.

— Sua paixão platônica sem peitos vai estar lá? — O moreno debochou, caminhando pacientemente pelas calçadas. Estava exausto. Aulas eram um cu, assim como acordar cedo.

— Não fale assim dela! — Satsuki o empurrou com o ombro, fazendo bico. — Mas vai, e o Kagamin também. Testu-kun acabou de me falar que a Seirin vai se reunir lá depois do treino.

— Hm. — Aomine murmurou, mas a olhou de canto, curioso. A resposta era previsível, mas mesmo assim decidiu perguntar: — Por que a gente deveria ir então?

— Eu quero vê-la, lógico. E você quer ver o Kagamin que eu sei. — Ela ergueu as sobrancelhas, como se estivesse falando uma coisa óbvia. E estava, na verdade. — Vocês podem conversar, ou pelo menos se aproximarem novamente.

— Heh. — O moreno foi obrigado a soltar uma leve risada debochada e nasal, balançando a cabeça em descrença. — Como você é bobinha, Satsuki.

— Bobinho é você, que está se enrolando de novo por pura idiotice. — Momoi assinalou, franca, empurrando-o mais uma vez. — Ainda não aprendeu a lição?

— Tá, eu sei. — Aomine resmungou, desviando o olhar para o movimento dos carros na rua. — Que seja... Mas não vai ser tão fácil quanto é para você.

— Claro, eu nunca falaria asneiras para a Riko-chan se afastar de mim. — Ela pontuou.

— Vai à merda. — O moreno irritou-se, caminhando com mais pressa em uma tentativa de despistá-la.

Estava cansado. Já admitira que fizera o maior bostaço de sua vida, então a última coisa que precisava agora era de alguém jogando isso em sua cara o tempo todo. Se arrepender e tentar remediar não era o suficiente?

— Dai-chan... Desculpa. — Ela apressou o passo para acompanhá-lo, com um tom de voz culpado. — Não falei por mal, só queria te incentivar.

Aomine não respondeu, apenas suspirou e acenou positivamente com o rosto. Ela estava certa, afinal.

Estava cada vez mais difícil fugir dessa encruzilhada. Sabia exatamente o caminho a seguir, apenas não sabia comofazer isso... Taiga o odiava. Como se aproximaria dessa forma?

***

19h23min

~Himuro Tatsuya~

Cantarolando qualquer melodia de My Chemical Romance enquanto secava os cabelos com a toalha, o rapaz caminhava em direção ao seu quarto, na parte superior da casa dos tios, que fora separada apenas para alojá-lo. Pelo menos lá era um lugar bem reservado onde poderia pensar na vida e fazer o que quisesse, longe do burburinho da televisão e de todos os barulhos chatos de panelas e pratos da cozinha. Essa era uma vantagem de morar temporariamente com eles, a privacidade era infinita e nem precisava fazer esforço para isso — só pagava uma pensão mínima, mas isso era preocupação de seu pais.

"Well I've been holding on tonight ..." — Cantou com o tom de voz mais alto, preparando-se para entrar no refrão da música Helena, assim que abriu a porta do quarto.

Se não fosse tão preparado psicologicamente para levar sustos — devido aos seus infinitos filmes de terror e suspense —, cairia para trás no momento em que viu alguém sentado em sua cama, olhando uma de suas revistas de música mensais.

— Oi. — Taiga sorriu de canto, erguendo o olhar para encará-lo.

— Oi? — Himuro respondeu, ainda um pouco estupefato, mas logo dando passagem à um sorriso enorme em seu rosto. — O que você está fazendo aqui? — A pergunta óbvia veio embargada pela alegria em vê-lo.

E de repente toda a raiva que sentiu no final de semana se esvaiu, na mesma velocidade em que fechava a porta do quarto. Foi a melhor surpresa que poderia ter recebido naquele dia, onde a dor de cabeça o dominava de uma forma inimaginável.

— Vim te ver. — O ruivo deu de ombros, deixando o objeto de lado ao se levantar. — Sua tia disse para eu subir, aí eu subi.

— Idiota. — Tatsuya sorriu sem jeito, ao vê-lo se aproximar. Só então reparou que estava usando um pijama velho e feio. Amaldiçoou-se mentalmente, olhando para a própria calça preta, larga e desbotada.

A atitude que veio a seguir pegou Himuro de supetão, tanto é que mal teve tempo para pensar na roupa que vestia ou em qualquer outro detalhe insignificante, como a bagunça em seu quarto. Kagami o envolveu com os braços e o puxou para um abraço espontâneo e carinhoso, apoiando o rosto em seus cabelos úmidos. Claro que Tatsuya retribuiu o gesto na hora, apertando-o com força contra si. Não era todo dia que ele estava tão dócil... O que era de se suspeitar.

Ao mesmo tempo em que a sensação era reconfortante e quente, parecia haver algo de errado. Era bom demais para ser verdade, então deveria ficar com um pé atrás. Ou será que Kagami simplesmente estava arrependido? Ou queria falar alguma coisa? Ele estava nervoso, percebia nos seus gestos. A segunda opção era a mais provável.

— Hm, foi mal por não ter respondido sua mensagem mais cedo. — Himuro murmurou antes que o ruivo pudesse dizer qualquer coisa. Era hora de trazê-lo para o seu lado, ou melhor, de tentar se safar. — A bateria do meu celular acabou, então não teve como. — Mentiu, olhando para o objeto em cima da cômoda por cima do ombro de Kagami. Esperava que o aparelho não vibrasse enquanto ele estivesse ali. Desligaria na primeira oportunidade.

— Achei que você ainda estava puto comigo pelo que fiz no final de semana. — Ele soltou uma risada nasal e nervosa, afastando-se para encará-lo.

— Esquece aquilo, Taiga. — Himuro murmurou sem jeito, ainda o envolvendo-o para que ele não se distanciasse muito. — Já foi. Já passou.

— É, eu sei... Mas sei também que você ficou chateado. — Ele disse, olhando para os lados. Algo estava errado, seus olhos vermelhos não escondiam bosta nenhuma. — Não quero te magoar por ser um idiota, entende?

— Relaxa. — Sorriu, elevando-se rapidamente na ponta dos pés para dar-lhe um selinho nos lábios. Era um teste para avaliar a situação, e como o beijo foi retribuido de prontidão, não teria tantos motivos para se preocupar. — Você terá seu tempo, Taiga. Eu que peço desculpas por ter forçado a situação naquela hora. — Murmurou da forma mais verdadeira que conseguiu, afagando algumas mechas ruivas em sua nuca.

— Hm... Era sobre isso mesmo que eu queria conversar com você — O ruivo disse com a voz cada vez mais baixa, juntando minimamente as sobrancelhas.

— Que foi? — Tatsuya pergutnou, não conseguindo esconder a preocupação na voz. Segurou inconscientemente a roupa de Taiga, para que ele não fugisse dessa vez, mas atenuou o aperto ao perceber que estava agindo como um débil e que ele sentiria-se pressionado dessa forma.

— Ah... Eu... — Ele franziu a testa, mordiscando a parte interna dos lábios enquanto mudava várias vezes o foco da visão, para então encarar os seus acinzentados. — Eu gosto muito de você Tatsuya, de verdade, e não queria estragar isso jamais.

— Hm. — Apenas aguardou.

— Por isso eu te peço mais uma vez... — Ele umedeceu os lábios com a ponta da língua, afastando a franja escura da frente de seus olhos, com um gesto trêmulo. — Tenha paciência comigo, ok? Sei que deve ser um saco me aguentar dessa forma, mas eu realmente quero que a gente dê certo, entende?

— Ah, é isso. — Tatsuya sorriu, aliviado, abraçando-o mais uma vez. — Claro que sim, seu idiota. Já disse que vou dar o seu tempo. De verdade. — Reforçou, mais para si mesmo do que para ele. — Só ajo dessa forma afoita porque quero você ao meu lado o tempo todo, mas nós dois precisamos estar à vontade com isso, certo? — Afirmou, dando-lhe um peteleco na bochecha. — Não vou te perder de novo.

— Obrigado. — Ele sorriu de canto, um pouco nervoso. — É que muita coisa está acontecendo ao mesmo tempo, e você sabe que sou um lerdo.

— Sei. — Tatsuya riu, acariciando de leve as costas de Taiga com a ponta dos dedos.

— Pois é... Era isso. — O ruivo disse, sorrindo sem jeito. — Só queria me desculpar mais uma vez pelo final de semana e pedir um tempo para absorver tudo o que vem acontecendo comigo.

— Pedir um tempo? — Alarmou-se no ato, voltando a olhar os orbes rubros de Taiga. Não conseguiu disfarçar a aflição. — Como assim Taiga? Você quer se afastar de mim?

— Não. Não interprete errado. — O ruivo exasperou-se, fechando os olhos no ato. — Quis dizer paciência. Só usei a palavra errada.

— Hm. — Tastuya fez um gesto compreensivo com o rosto, mesmo que seu interior ainda estivesse atônito e consternado. Pelo menos sabia camuflar melhor do que o ruivo. — Entendi. Tudo bem, Taiga. — Sorriu de forma dissimulada, puxando-o para um novo selinho. — Faremos ao seu tempo, só não fique longe de mim, ok?

— Eu não vou. — Taiga afirmou, com um meio sorriso um pouco trêmulo. — Eu sei que sou um idiota, mas você me entende, não é?

— Claro. — Himuro disse a meia-verdade, dando-lhe um soquinho no queixo para descontrair. Não gostava nada daquele clima estranho. — Mas... Ainda posso te beijar?

— Lógico. Não precisa pedir. — Ele riu, meio sem graça, inclinando o rosto para que os lábios se tocassem.

O beijo veio naturalmente, mas Himuro sabia que alguma coisa não estava certa. Seus instintos avisavam isso o tempo todo, deixando-o em alerta. Taiga estava começando a pensar demais nas coisas, e isso sempre o levava a tomar decisões estúpidas e precipitadas. Teria que trazê-lo para o seu lado e ter a porcaria da paciência... Poderia fazer isso, certo?

Não era apenas pelo sexo em si, isso poderia esperar o tempo que fosse, porém Himuro sabia que Kagami não estava completamente envolvido no relacionamento que iniciaram. Na verdade era como se ele ainda estivesse provando a temperatura da água com a ponta dos dedos, para ver se conseguiria relamente mergulhar de cabeça ali. A merda é que Himuro queria puxá-lo para dentro de uma vez por todas, mas ele provavelmente não suportaria... Então teria que ter calma, realmente. Mas e se Kagami nunca conseguisse se envolver de verdade? E se ele continuasse com aquela visão idiota de que eram apenas irmãos? Ou pior... E se ele continuasse acorrentado ao passado, penando naquele maldito do Aomine?

Teria que dar um jeito nisso, trazê-lo para o seu lado à força, mas sem que ele percebesse. Era cruel? Talvez... Mas não o perderia de novo, e muito menos se deixaria abater por causa de um suposto fantasma que ainda o segurava do lado de fora.

— O que quer fazer hoje? — Himuro perguntou com animação, assim que afastaram os rostos com delicadeza.

— O que você iria fazer se eu não estivesse aqui? — Taiga perguntou, afagando seus cabelos úmidos da nuca. Era um toque tão bom, e mão dele era tão quente. Não perderia aquilo jamais, não quando finalmente recuperara sua confiança.

— Hm, colocar meu celular para carregar, secar os cabelos e assistir alguma coisa. Topa?

— Topo. — Kagami sorriu, assentindo com a cabeça.

— Então escolhe ali um filme enquanto eu coloco isso aqui na tomada. — Tatsuya sorriu, já prontificando-se em esconder seu aparelho telefônico, colocando-o para carregar no canto do quarto. Desligou-o enquanto Kagami agachava-se em frente à sua estante, olhado sua coleção de DVD's.

Não o respondera no WhatsApp de propósito, para Kagami sentir-se um pouco culpado, mas ele jamais saberia disso. Era um ato quase cruel com o ruivo, tão ingênuo e doce, porém dessa forma ele voltaria para seus braços — como fizera nessa noite com a visita surpresa. As vezes sentia-se mal por agir assim, mas não havia outra escolha... Não quando os obstáculos que precisava evitar eram maiores do que estava esperando.

— Tem um filme menos horrível aqui? — Kagami questionou, virando-se para encará-lo com o nariz torcido.

— Tem sim, vou te ajudar a escolher. — HImuro riu, deixando o celular no chão, caminhando até o outro lado do cômodo para sentar-se ao lado do ruivo. — Aqui, Entrevista com Vampiro é muito bom, e prometo que você não vai se assustar.

— Hm. Pode ser. — Ele fez uma careta engraçada, olhando para a capa do filme. — Os caras são bonitos pelo menos. Ao contrário daquelas porcarias que a gente normalmente assistia...

— Sim. Eles são muito bonitos. — Tatsuya concordou, olhando novamente para sua calça de pijama. Amaldiçoou-se mais uma vez, mas deixou assim mesmo.

Era o menor de seus problemas agora.

***

Sexta-feira — 18h10min

~Kagami Taiga~

Tudo parecia tão incrível quando estava ao lado dos amigos, após um treino fodido e divertido de basquete, comendo seus habituais vinte — e deliciosos — chesseburgueres no Maji. Suas preocupações esvaiam-se de forma misteriosa, seus medos o abandonavam e as risadas vinham com bastante frequência. Cansara de repetir para si mesmo que sentia falta do tempo em que apenas isso importava... Relacionamentos eram muito difíceis de se lidar, mas até que se tornavam agradáveis quando tudo dava certo.

O clima com Tatsuya melhorou da água para o vinho depois de ter feito a visita surpresa na terça-feira. Foi uma boa escolha, ainda mais após aquela conversa quase esclarecedora com Kuroko. Himuro realmente pareceu entender seu pedido por paciência, e agora estava agindo de acordo, e de forma bem atenciosa. Assim tudo ficava melhor... Estagnado na inocência, sim, mas era dessa forma que Kagami sentia-se a vontade... Talvez porque realmente remetia ao tempo em que eram apenas irmãos, e essa era sua zona de conforto.

Taiga tinha uma teoria: Se o relacionamento com Himuro permanecesse assim até conseguir se livrar das lembranças indesejadas de Aomine, aí sim seria capaz de dar um passo maior e ser feliz ao lado da pessoa que o acolhera sem pestanejar — e o melhor, sem magoá-lo. Tinha tudo para dar certo, e se Tatsuya realmente dissera que acataria ao seu pedido, então não tinha mais com o que se preocupar. Pelo menos não aparentemente.

— Bem, vamos ao objetivo da nossa reunião aqui! — Riko chamou o grupo, batendo uma única vez na madeira polida com a mão.

As quatro mesas que o time da Seirin ocupava entraram em estado de silêncio, prestando integral atenção na treinadora, que sentava-se na ponta com o garfo em uma das mãos. Assemelhava-se à uma tirana dando a palavra aos seus súditos submissos... Kagami precisou relacionar, mesmo estando no papel de 'servo obediente'.

— Como vocês bem sabem, nesse ano haverá novamente os dois campeonatos de basquete. O Interescolar, no verão, e a WinterCup, no inverno, obviamente. — Riko começou, olhando de esguelha para Hyuuga, que sentava-se à sua direita, na esquina com a ponta da mesa. — Nós, do terceiro ano, não poderemos participar da WinterCup devido às normas da escola que vocês já conhecem, porém estaremos ao lado do time o tempo todo.

— Sim. — Hyuuga apenas concordou, ajeitando os óculos.

— E mais do que isso, estaremos lutando juntos mais uma vez no Interescolar.— Riko continuou, séria. — Vamos garantir a nossa entrada para o campeonato de inverno, cuja vitória estará nas mãos de vocês.

— Estamos contando com vocês, novatos. — Hyuuga dirigiu à palavra aos alunos novos que sentavam-se timidamente no final da mesa. — Kou, como pivô; Sota, como armador; e Hiroto, meu pupilo, como arremessador. E os outros serão nossos novos reservas, mas sempre com o mesmo espírito de luta que carregamos desde o início.

— Isso! E como tradição, todos os anos nós fazemos o grito de guerra no terraço do colégio. — Riko sorriu para Kagami e Kuroko, e para os demais que realizaram o ato no ano anterior. — Mas já levamos muitas broncas até o momento. — Ela fez um gesto engraçadinho com as mãos, algo como um 'deixa para lá'. — Por isso, amanhã no horário do almoço, diante de todos os presentes no refeitório da Seirin, vocês farão um juramento de fidelidade e esforço ao time, levantando-se e gritando seus objetivos.

O protesto dos novatos veio na mesma velocidade que as risadas dos integrantes veteranos do time.

— Vocês tem duas escolhas: Acatarem... Ou... Declararem-se às meninas que vocês gostam. — Riko sorriu perigosamente, brincando com o garfo em suas mãos. — E pelados.

Novos protestos, novas risadas. Esse era o clima da Seirin, sempre leve e descontraído, mas com aquela pressão gostosa que deixava o desafio pairando no ar.

— Pensem bem em suas palavras. — Hyuuga falou com animação, dando um novo tapa na mesa. — Todos nós gritamos e cumprimos os nossos objetivos no ano anterior. Agora é a vez de vocês mostrare-

— RIKO-CHAN! Tetsu-kun! — Um grito estridente e conhecido soou da entrada do Maji-burguer, interrompendo Hyuuga e atraindo o olhar de todos. Claro que peitos enormes e saltitantes chamariam a atenção de um bando de rapazes de ensino médio.

— Ah não... — Riko estremeceu em sua cadeira, abaixando o garfo ao ver Momoi Satsuki aproximar-se correndo.

Ah não... Kagami teve o mesmo pensamento negativo, focando seu olhar exclusivamente em Momoi. Sabia que se ela estava ali, ele também estaria. Bem, provavelmente. No entanto, sem nem mesmo ter certeza disso, o ruivo sentia o coração acelerar a cada segundo.

Era ridículo, mas tinha medo de olhar para a entrada da lanchonete e dar de cara com Aomine Daiki, então preferiu acompanhar o trajeto feliz de Satsuki, abraçando Riko com uma violência quase fofa. Geralmente aquilo viria para Kuroko, mas dessa vez foi diferente.

— Oi Tetsu-kun. — Ela acenou para o azulado, ainda trazendo Riko com força contra seu corpo. — Oi time da Seirin. Tudo bem com vocês?

— Sim. — Os rapazes exclamaram em uníssino, como se estivessem em transe. Kagami suspeitava que o motivo era a beleza e os peitos exageradamente grandes dela, mas não podia afirmar com certeza, já que não ligava nem um pouco para isso e respodera da mesma forma.

— Oi Kagamin! — Ela sorriu para si e acenou, inesperadamente.

— Hm... Oi. — O ruivo respondeu sem jeito, franzindo a testa, confuso. Achava que ela tinha um certo 'pé atrás' consigo devido à toda essa merda que aconteceu com Aomine, mas pelo visto não. Ou ela só estava fazendo teatro para parecer legal, claro.

— O Dai-chan te mandou 'oi' também. — Ela indicou o balcão de pedidos da lanchonete com um gesto discreto de cabeça. — Mas ele está com vergonha de admitir que mandou. — Satsuki piscou e disse em voz baixa, como se estivesse revelando um segredo.

Kagami congelou no ato, tendo um mini ataque cardíaco. O quê? Ela esta tirando com a minha cara, só pode! Foi o que conseguiu pensar ao prender a respiração e sentir a mesma gosma de tempos atrás descer pelo peito. Era a sensação da raiva, da decepção, da inferiorização... E da saudade também, não podia negar.

O ruivo engoliu em seco assim que a tentação bateu com toda a força em seu âmago, no momento em que algumas cabeças curiosas se viraram para o lugar onde ela indicara — inclusive a de Kuroko, que logo sorriu de canto e o encarou de forma sugestiva, como se dissesse 'olhe para lá também'. Não faria isso nem a pau.

— Ah, claro que mandou. — O ruivo respondeu, incrédulo e debochado, desviando o olhar para sua própria bandeja antes de voltar-se para a menina. — Foi uma piada desnecessária.

— Hm, não foi piada. Só esqueci que vocês ainda precisam conversar. — Ela soltou uma risadinha fofa ao agitar a mão no ar, mas logo agachou-se ao lado de Riko e continuou a abordá-la animadamente, mesmo que ela estivesse um pouco assustada. — Então, como estão as coisas com o time? Os novatos são bons?

Kagami não deu a mais mínima importância para o diálogo besta que elas trocavam, e nem tentou perguntar o que Momoi quisera dizer com aquilo, com o fato de que precisava conversar com Daiki. Precisava bosta nenhuma. Estava atônito demais para pensar na possibilidade de isso vir a acontecer algum dia, então permaneceu fitando seus lanches, mesmo que seu foco estivesse longe dali.

Foram informações disformes demais para uma mente pequena e 'atrofiada'.

Kagami estava confuso, tentado à olhar, com mil perguntas pontilhando em sua cabeça, buscando resistência em si mesmo... Mas estava difícil. O que Momoi estava falando? Ela era tão filha da puta para tirar uma com sua cara daquela forma nojenta, e na frente de todo mundo? Como se ela não soubesse das merdas que aconteceram... Mas ser falsa a esse ponto? Não era do feitio dela.

E o que aquele idiota estava querendo agora, mandando oi?

Indo contra todas as suas resitências, um teimoso impulso emocional fez Kagami olhar para o maldito balcão. Novamente seu coração quase parou, principalmente ao encontrar o olhar azul escuro que tanto sentia falta, mas que tanto odiava. Aomine Daiki o fitava, esguio e imponente, esperando os lanches... Entretanto logo desviou a atenção para as próprias mãos apoiadas na superfície de madeira em sua frente, no momento em que seus olhares se cruzaram.

What the fuck...? Kagami perguntou-se mentalmente, engolindo em seco e entreabrindo minimamente os lábios, porém sem conseguir desviar o olhar do maldito. Não tinha o que fazer, o moreno era uma espécie de imã para si, e agora isso misturava-se à sua curiosidade e até mesmo ao medo de entender o gesto que ele fizera. Que espécie de reação foi aquela? Constrangimento?

Aomine não tardou a buscar novamente seu olhar, agora sim com a intensidade de sempre. Tão nojento, arrogante, egoísta... Mas tão foda, lindo, único. Era impossível não sentir o coração acelerar exageradamente ao visualizar o possível ex-amor de sua vida, assim como era inevitável permitir que os pensamentos repetitivos voltassem à sua mente: Por que não consegui despertar nada em você? Por que você me viu apenas como um brinquedo esse tempo todo? Onde foi que eu errei, seu filho da puta?

O sorriso de canto repentino que Aomine lançou desarmara completamente o ruivo, levando-o a relaxar a testa franzida no mesmo instante. Perdera a reação. What the fuck? Pensou novamente, fazendo um escândalo interno ao olhar imediatamente para Furihata, que sentava-se em sua frente e mantinha o foco em Momoi.

— Kagami-kun? — Kuroko o chamou, percebendo sua inquietação transparente.

— O que é isso tudo, Kuroko? — O ruivo perguntou em voz baixa e um pouco trêmula, olhando-o de esguelha. Sabia que ele entenderia seu questionamento, ele era foda.

— Vocês dois precisam conversar, só isso. — Ele afirmou, encorajando-o com um aceno de cabeça.

— Ele me fez de idiota. — Kagami murmurou, balançando a cabeça de forma negativa, inúmeras vezes. As coisas não estavam fazendo sentido. — Por que eu falaria com ele agora, depois de tudo o que ele jogou na minha cara?

— Porque corações machucados agem por impulso e erram. — Kuroko murmurou, levando Kagami à prender a respiração mais uma vez. — E isso não vale apenas para você. Vale para ele também.

Como assim? Kagami perguntou-se, alarmado, voltando a atenção para Aomine mais uma vez. Não foi surpresa seus olhares se cruzarem, e agora com uma intensidade palpável. Ele o encarava propositalmente, ainda sustentando aquele mesmo sorriso idiota nos lábios. Aquelas merdas o estavam confundindo, o deixando eufórico, preocupado. Com esperança? Não. Ridículo.

— Como assim? — Perguntou para Kuroko, mas sem conseguir desviar o olhar do moreno no mesmo momento. — Kuroko, me responde! — Exasperou-se, voltando ao amigo.

— Calma Kagami-kun. — Ele sorriu gentilmente, dando-lhe um tapinha de conforto nas costas. — Pense bem antes de agir dessa vez. Mas quando se sentir preparado, acredito que você deveria conversar com o Aomine-kun sim... Porém não esqueça que você não está mais sozinho agora. — Kurko avisou com um certo desânimo na voz, franzindo minimamente as sobrancelhas. — E era disso que eu estava te falando na terça-feira. Sobre o que você quer para si.

Tatsuya.

O nome lhe ocorreu, esmagando cruelmente toda a teimosa esperança que por algum motivo idiota surgira em seu peito. Estava sendo ridículo ao pensar que poderia haver alguma solução para tudo aquilo que um dia o magoara tanto. Aomine era um boçal, estulto, falara um monte de merdas em sua cara, o rebaixara, o reduzira a um pedaço de carne... Não tinha motivos para tentar encontrar uma luz no fim do túnel. Não poderia regredir para o mesmo buraco, apenas deveria avançar para alcançar seu porto seguro.

Com um olhar agressivo, Kagami voltou-se para Aomine, que por algum motivo irritante ainda o encarava. Ele estava zombando, era isso. Aquele sorriso charmoso e idiota não o enganaria nunca mais.

O ruivo sentiu-se patético por pensar positivamente na situação, por ter sido burro e ingênuo mais uma vez. Por mais que Kuroko e Momoi saíssem falando aquelas coisas confusas e promissoras, eles não ouviram metade das merdas que Aomine o falara. Não conheciam a sensação de ser reduzido à um brinquedo pela pessoa que mais tinha sentimentos. Estava magoado demais para acreditar em contos de fadas.

— Foda-se. — Kagami resmungou, pegando um novo lanche, mesmo que estivesse minimamente trêmulo e com a adrenalina em alta. — Ele vai morrer para mim, e não vai demorar muito. Sei disso.

Kuroko suspirou pesarosamente ao seu lado, mas não disse mais nada. E era melhor assim. Aquelas coisas só o confundiam mais e mais.

Mesmo tentando evitar com todas as forças, Kagami não pôde negar que agora estava pensativo sobre o assunto. A esperança voltava para falar-lhe: E se Daiki falara aquelas merdas porque estava magoado com a história do beijo? Mas a razão a esmagava: Não. Nada a ver. Nada a ver mesmo. Ele não seria tão baixo ao ponto de inventar um monte de bostas apenas para dar-lhe um fora. Isso seria pior do que se ele simplesmente tivesse dito que não o queria mais porque fora traído. Ele não seria tão orgulhoso e egoísta assim...

Ou seria?

Argh, chega! Kagami irritou-se consigo mesmo, dando uma mordida violenta em seu cheeseburger, tentando impor uma barreira mental que não o permitira olhar novamente para Daiki. Se houvesse muita concentração seria capaz, sabia que sim.

Se cada vez que encontrasse Aomine, agisse dessa forma, então estava perdido para sempre. Precisaria dar um jeito em suas próprias atitudes e reções, mesmo que seu coração machucado e idiota ainda pedisse para que olhasse para Daiki e retribuísse o sorriso, para que levantasse e fosse até lá para dar um oi, para que voltassem a ficar juntos. Mas isso era impossível. Não iria acontecer. Não quando ainda era um sentimento unilateral, não correspondido... Não quando se comprometera em fazer Tatsuya feliz.

Mas então porque era tão difícil deixar de amar esse filho da puta? Perguntou-se, lançando um último e teimoso olhar ao moreno, que agora recebia os lanches. Quanto mais tentava esquecê-lo, pior parecia ser... Ainda mais quando ele caía acidentalmente em sua frente para assombrá-lo. Quantas vezes isso ainda aconteceria até finalmente sentir-se seguro e confiante na presença dele?

Infinitas... O coração respondeu.

~Aomine Daiki~

— Valeu. — O moreno murmurou quase inaudivelmente, pegando as bandejas que a atendente trouxera.

A fome se esvaíra há tempos e não retornaria tão cedo, mesmo que seus hambúrgueres de teryaki o encarassem com aquela feição apetitosa e suculenta. Não passariam de um pedaço de tapete quando fossem colocados em sua boca.

Daiki sabia que não seria uma boa ideia vir ao Maji Burguer, pois rever Kagami assemelhava-se à uma espécie de tortura psicológica e masoquista. Ele estava ali em sua frente, mas era completamente inalcançável... E essa impotência ridícula apenas fazia Aomine sentir-se patético, minúsculo, um verdadeiro bosta. Detestava a situação, mas detestava ainda mais o buraco onde se metera por puro orgulho burro.

Não pôde negar que há alguns segundos tivera uma pontada de esperança. Aomine achou que realmente conseguiria conversar com o ruivo naquele final de tarde, principalmente após receber os olhares confusos e perdidos dele, no entanto a agressividade ficou clara com a última encarada. Ali ficou evidente o quanto ele o desprezava, o quento ele estava magoado... Seria mais difícil do que aparentava. Impossível era a palavra certa.

— Anda Satsuki. — A chamou, impaciente, lançando um novo olhar para o ruivo, que o encarou instintivamente ao ouvir sua voz.

Taiga, me desculpa. Eu falei sem pensar, droga! Foi o que o moreno disse mentalmente, ao vê-lo unir rapidamente as sobrancelhas ao voltar-se para seus próprios lanches. Lógico, ele não seria capaz de ler seus pensamentos. Daiki dera-se conta disso antes mesmo de terem se afastado, quando ainda tinham uma ligação forte e íntima.

— Dai-chan. — Satsuki voltou correndo saltitante ao seu encontro, assim que despediu-se da magrela sem peitos que ela tanto gostava, sabe-se lá como e desde quando. Ainda era um mistério para Aomine.

— Hm... — O moreno resmungou, olhando para o ruivo uma última vez antes de dirigir-se à uma mesa no canto oposto ao que Taiga se encontrava.

— Acho que tenho notícias otimistas. — Ela sussurrou, pegando sua própria bandeja no balcão. — Ei. Não. Essa mesa não. — Momoi, o segurou pelo braço da melhor forma que pôde, puxando-o para outro lugar. — Você precisa ficar no campo de visão dele.

— Meu caralho, para com isso, Satsuki. É ridículo e infantil. — Aomine irritou-se, mas acatou e sentou-se ali mesmo, bufando. Não conseguiria contrariar a animação da amiga, mesmo que tentasse.

— Tudo indica que o Kagamin ainda gosta de você! — Ela o ignorou e sorriu radiante. — Só está magoado. Mas ficou bem louquinho quando eu falei de você. Se você souber conversar com ele, tudo vai se resolver.

— Pare de dizer asneiras. — O moreno suspirou, mas sentiu uma mínima euforia o percorrer por inteiro. — Ele me odeia. É só você prestar atenção na forma como ele me olha.

— Coisa da sua cabeça. — Momoi afirmou, confiante. — Eu estava lá e consegui colocar uma pulguinha atrás da orelha dele.

— O que você falou? — O moreno estreitou os olhos, falando compassadamente cada palavra. — Satsuki?

— Só falei que você mandou um oi, mesmo não admitindo que queria mandar um oi. — Ela sorriu de forma inocente e deu de ombros. — E que vocês precisam conversar. Ou seja, não menti.

— Argh. Saco. — O moreno revirou os olhos para a janela ao seu lado. Odiava essas situações forçadas onde Satsuki o colocava. — Isso está soando de uma forma muito besta. Não faça mais isso, falou?

— Bem, a minha missão está cumprida e estou com a consciência limpa. — Satsuki bateu continência, já tomando um gole de seu refrigerante sem açúcar. — A partir de agora só depende de você. E dele, lógico.

— É. — O moreno concordou com um resmungo arrastado, teimando em olhar para o ruivo, que fazia de tudo para evitar a sua direção. — Parece tão difícil agora, mas acho que não vou desistir. Fico meio perdido sem ele.

— Ai que bonitinho Dai-chan! — Ela sorriu, um pouco alegre demais para o seu gosto. — Por que você não fala isso para ele? Nem que seja por mensagem mesmo.

O moreno a olhou, com as sobrancelhas arqueadas em evidente surpresa. Não tinha pensado nisso antes. Amadureceria a ideia, e quem sabe mais para frente conseguiria fazer algo do tipo... Apesar de que 'mais para frente' poderia ser tarde demais. Isso se já não era.

— Vou ver. — Disse, abrindo a primeira embalagem de lanche.

É fácil ouvir de terceiros que poderia haver esperança ou algo assim, mas sentir o fracasso na pele é bem diferente. Agradeceria eternamente Satsuki por ela ser uma amiga tão fiel e compreensiva — e muitas vezes exagerada e impulsiva —, mas a partir daquele momento não havia mais nada que ela pudesse fazer. Estava realmente em suas mãos, precisava engolir a covardia e ir atrás de Kagami.

Tinha receios. Tinha medo. Odiava admitir, mas estava realmente assustado com aquela situação. Essa hesitação soava de uma forma tão débil e fraca, mas também era humano, tinha esse direito. Como sua mãe dissera, sentir aquelas coisas não era um pecado ou uma fraqueza... Se superasse isso e conseguisse atingir seus objetivos ou pelo menos encontrar uma solução, seria forte. Seria feliz, mais precisamente.

— Taiga... — Sibilou com um sopro, olhando de esguelha para o ruivo, que coincidentemente virou o rosto naquele mesmo momento, como se ouvisse seu sussurro e atendesse ao seu chamado.

Aomine não queria ser otimista, mas quando sorriu novamente para ele, percebeu que a agressividade já não aparecia no semblante do ruivo. Ele sabia. No fundo ele sabia que ainda havia um sentimento vivo entre os dois, e que nenhum Himuro Tatsuya poderia apagar isso. Aomine não deixaria, não desistiria e buscaria o perdão... A menos que Taiga realmente estivesse feliz ao lado do suposto 'irmão'. Era evidente que não estava, pelo menos não por enquanto.

Daiki não estava acostumado com tanta melosidade, com tanto sentimentalismo ou coisas do gênero, mas tudo parecia virado de cabeça para baixo agora. Sentia falta de Taiga, só queria que tudo ficasse bem novamente entre os dois... Mesmo que não fosse fácil.

Eu te amo, Bakagami. Pensou com pesar, vendo-o desviar o olhar mais uma vez. Vou te provar.

Notas finais
Ah, a luz da esperança cintilou pela primeira vez para AoKaga depois de mil anos, hein *o* Vai dizer que não ficou mais leve o clima? E outra, agora conhecemos o que está por trás do senhor Himuro Tatsuya =/ Shame on him! Isso vai complicar... Mas enfim... A música de hoje faz meus olhos brilhares durante a semana inteira, e é exclusivamente AoKaga: Trying Not to Love You, Nickelback: https://www.youtube.com/watch?v=GHwHPCUQcUQ // Tradção obrigatória: http://www.vagalume.com.br/nickelback/trying-not-to-love-you-traducao.html GENTE, EU AMO VOCÊS, SEUS PORQUEIRINHAS *O* VOCÊS TEM NOÇÃO DO QUANTO EU GRITEI ESSA SEMANA COM OS COMENTÁRIOS E AS MENSAGENS DE APOIO??? AAAAAH, VELHOOOO... OBRIGADA DO FUNDIIIINHO DO MEU CORAÇÃO! Não vou abandonar a escrita porra nenhuma, vocês são perfeitos demais para eu ter uma atitude tão egoísta e fraca! Para o recalque, fica o meu beijinho no ombro! Para os meus lindos leitores, um beijo enoooooooooooorme no coração de cada um!!! Amo vocês!!! OBRIGADA MESMO MESMO MESMO! Até a próxima meus anjos.