Notas iniciais
~Abre a cortina, espia, suspira fundo e entra~ Oi pessoas o/ Olha eu de novo por aqui /o/ Que tal mais um capítulo? Sim, eu sei que vocês querem me matar pelo andamento da história, já li nos comentários lindos que vocês me deixaram, porém não consegui responder a todos ainda! Me perdoem, mas só para vocês terem uma ideia, ontem eu saí do trabalho às 21h! E é isso... Minha vida está corrida! Ou eu escrevo ou respondo durante a semana, então as minhas palavrinhas de agradecimento vão atrasar, mas não vão falhar, ok? Bem... Boa leitura, meus anjos! Hoje vai ter bastante diálogo! Vejo vocês lá em baixo... E guardem os machados T_T Ok? Ok! Repira fundo... Go! *FELIZ ANIVERSÁRIO, KAWAII*

Sábado — 15h28min

~Momoi Satsuki~

A garota caminhava distraída e solitária pelas tão conhecidas ruas daquele bairro, sentindo o vento gelado varrer e bagunçar seus cabelos rosados, assim como os fios soltos do cachecol com a mesma cor. Ainda estava bem frio para a metade de Janeiro, mesmo que o sol já aparecesse timidamente em algumas tardes, porém a menina não se importava com aqueles detalhes... Estava com a cabeça cheia demais para se preocupar com a velocidade do vento ou com a umidade relativa do ar.

Suas curtas pernas praticamente moviam-se sozinhas por aqueles cantos de Tóquio, afinal perdera as contas de quantas vezes fora até a Casa de Chás da última esquina antes da praça. O local ficava em um bairro próximo à sua residência, e de uns meses para cá tornara-se seu ambiente favorito para descansar, analisar informações ou simplesmente pensar na vida. Porém hoje, contrariando sua tradição, Momoi estava prestes a encontrar-se com Kuroko. Precisavam conversar, urgentemente.

Vira Tetsuya pela última vez no Maji Burguer, acompanhado de um tristonho Kagami, há exatamente duas semanas. O resultado do encontro acidental? Um Daiki igualmente tristonho, quatro hamburgueres de teryaki jogados no lixo por falta de apetite e uma tarde nem um pouco agradável... E claro, Aomine não abriu a boca para sanar suas dúvidas ou responder suas perguntas. Ele fizera isso apenas há alguns dias — mais precisamente quatro, e apenas depois de uma brutal e inquisitiva insistência de Satsuki.

Após descobrir toda a verdade sobre o desentendimento dos dois, Momoi ficou realmente estupefata — para não dizer possessa e deveras decepcionada. Quase não havia acreditando no real motivo da briga, mas tinha certeza que Daiki não falaria asneiras ou demonstraria tanto desânimo se não fosse o caso. Agora a menina estava ali em busca de satisfações e maiores esclarescimentos com Kuroko, pois não queria falar e nem sequer olhar para a cara de Kagami Taiga durante um longo tempo.

Ele foi mais do que um idiota, com certeza não merecia Daiki.

Não demorou muito para Satsuki avistar a arquitetura tradicional da Casa de Chás, que surgia aos poucos por entre as árvores secas, no final da rua. Com passos decididos e apressados, caminhou até à pequena construção e abriu a porta envernizada com suavidade, evitando chamar a atenção das poucas pessoas ali presentes. Bastou dar uma singela passada de olhos para encontrar o garoto invisível sentado em um dos cantos do estabelecimento — era só procurar pelos lugares aparentemente vazios, Kuroko sempre passava despercebido.

— Tetsu-kun. — O saudou, com um aceno não muito discreto, como sempre. Era espalhafatosa e sabia disso, mesmo tentando controlar-se.

Assim que cumprimentou a atendente da Casa, que já a reconheceu, Satsuki apressou o passo e chegou à mesa do canto, parcamente clareada pelas luminárias de papel que pendiam do teto. Passava um clima muito agradável, quase romântico, e que não tinha nada a ver com o encontro. Há alguns meses com certeza se aproveitaria da situação, porém deixara de ver Tetsuya com aqueles olhos há algum tempo... E por um motivo muito especial.

Não é hora de pensar nisso...

— Momoi-chan! — Kuroko sorriu quase que imperceptivelmente, como sempre, olhando-a por entre a franja azulada.

— Desculpe o atraso, Tetsu-kun. — Momoi fez uma breve reverência antes de ajoelhar-se em uma almofada verde escura, que estava jogada no chão. — Mas juro que vim o mais rápido que pude.

— Não se preocupe. — Kuroko comentou com neutralidade, tomando um gole de seu chá verde. — Pode fazer seu pedido com calma, temos bastante tempo.

— A atendente já vai trazer, é o de sempre. Venho bastante aqui. — Momoi explicou, simpática, entretanto sua euforia não permitiu uma pausa. — Tetsu-kun, eu preciso muito conversar com você sobre o que aconteceu entre o Dai-chan e o Kagamin. É caso de vida ou morte para mim!

— Eu sei. — Kuroko assentiu, deixando a pequena xícara sobre a mesa para prestar integral atenção. — Vá em frente.

— Eu. Estou. Muito. Revoltada! — A menina não conseguiu mais esconder a ira, simplesmente estourou e exclamou entredentes. — Como o Kagamin pôde fazer isso com o Dai-chan? Eu nunca imaginei que ele fosse esse tipo de pessoa. Isso não se faz com ninguém!

— Momoi-chan, fale mais baixo. — Kuroko pediu, olhando ao redor um pouco incomodado. Só então voltou a encará-la, com uma expressão variando entre a intrigação e o vazio. — Mas não entendi onde exatamente você quis chegar.

— Como não, Tetsu-kun? Kagamin traiu o Dai-chan com aquele garoto da Yosen, e isso não tem perdão! — Momoi continuou, cerrando os punhos em um sinal de impaciência. — Não me diga que você está do lado daquele... Daquele... Ah! — Suspirou, acalmando-se ao ver a atendente se aproximar. — Obrigada! — Sorriu para ela assim que o líquido quente foi deixado em sua frente, mas voltou-se imediatamente para Kuroko quando a moça se afastou. — Eu não acredito que você está defendendo aquele idiota. Sei que ele é seu amigo, mas o Dai-chan também é!

— Não estou defendendo ninguém. — Kuroko comentou, arqueando brevemente as sobrancelhas. — Kagami-kun errou, e feio. Não tiro a culpa dele. Mas antes de qualquer coisa eu preciso saber o que o Aomine-kun te contou.

— Tudo! — Satsuki sentiu a pulsação acelerar, tomando o primeiro gole do chá verde. O gosto estava perfeito, como sempre, mas não foi o suficiente para acalmá-la. — Enquanto o Dai-chan estava aqui comprando uma aliança de compromisso, contando os dias para vê-lo, preparando o terreno para pedí-lo em namoro... Ele estava lá com o suposto irmãozinho dele, dando mil beijos na boca! — Satsuki suspirou fundo, aspirando o vapor quente que o chá soltava. — Tetsu-kun, por que ele fez isso? Ele não gostava do Dai-chan? Por que ele o enganou? — Cerrou os olhos, em uma tentativa falha de se acalmar. — Juro que não esperava isso do Kagamin. Ele me decepcionou muito, mas decepcionou ainda mais o Dai-chan! Ele está muito para baixo, mesmo se fazendo de durão.

— Já entendi. — Kuroko comentou com calma, algo que minimamente irritou Satsuki. Lógico que ele estava o lado de Taiga. — Aomine-kun contou apenas a parte que o deixava na zona de conforto.

— Como assim? — Momoi foi rápida ao perguntar, encarando os olhos azuis e calmos de Kuroko. Aquela afirmação foi tão condizente com as atitudes de Daiki que Satsuki precisou parar de falar, mesmo ainda sentindo o calor da raiva subir por sua face já rosada.

— Ele só te contou uma parte da história, a parte na qual ele foi vítima. — Kuroko prosseguiu, tomando mais um breve gole de chá. — Mas o Aomine-kun não te falou que o beijo foi roubado, e muito menos sobre as mentiras que ele falou ao Kagami-kun depois, não é?

— Hm? — Satsuki parou o movimento do braço, deixando a xícara no meio do caminho até sua boca. Seu sangue gelou naquele momento.

— Pelo visto não. — Kuroko disse, ajeitando-se melhor na própria almofada. — Vou te contar tudo o que o Kagami-kun me disse.

— Tetsu-kun...? — Momoi o olhou com um pouco de receio. Aquilo não era um bom sinal.

— Sei que o Kagami-kun gosta do Aomine-kun há bastante tempo, mas parece que o Aomine-kun nunca demontrou ou falou o mesmo... Ou o próprio Kagami-kun não foi capaz de interpretar, o que faz mais sentindo. — Kuroko disse, revirando sutilmente os olhos. — Quando ele viajou para Los Angeles, reencontrou o Himuro-kun, que era seu melhor amigo de infância. Parece que eles haviam brigado no ano passado, mas acabaram fazendo as pazes nessa viagem. Isso apenas aconteceu porque eles eram muito próximos e se tratavam como irmãos. — O rapaz assinalou a última frase com um arquear de sobrancelhas. — Assim como você e o Aomine-kun.

— Eu nunca beijaria o Dai-chan! — Momoi resmungou, fazendo um bico teimoso. — Isso não justifica a patifaria do Kagamin.

Por mais que tivesse desviado o olhar para um canto qualquer do estabelecimento, Satsuki prestava muita atenção nas palavras de Kuroko — principalmente ao perceber que a história não foi bem do jeito que Daiki contara. Tinha muito mais contexto.

— Eu sei. Mas existe um enorme 'porém' nisso tudo.— Tetsuya continuou, atraindo seu olhar julgador. — Parece que o Kagami-kun e o Himuro-kun tiveram algo mais sério há alguns anos. Não chegou a ser um namoro, mas eles tinham um relacionamento diferente. Kagami-kun deixou bem vago quando contou.

— Humpf! Eu já sabia, e até alertei o Dai-chan sobre isso. — Satsuki estreitou os olhos, culpando mais ainda o ruivo em sua mente. — Por essas e outras o Kagamin não deveria ter chegado perto do Himuro-kun... Ele não faria isso se gostasse de verdade do Dai-chan.

— Eu sei, e ele sabe também. Foi o pior erro que ele poderia ter cometido, essa aproximação... Mas o Kagami-kun é muito inocente e ingênuo. Burro, para ser exato.— Kuroko comentou, balançando a cabeça em um sinal de decepção. — Porém eu sei que ele se arrependeu muito, inclusive recusou a confissão de Himuro-kun depois do beijo roubado. — Kuroko assinalou, buscando o seu olhar. — Então tomou coragem para conversar com o Aomine-kun. Até mesmo se declarou, pelo que entendi.

— Ah, é? — Satsuki, tomou mais um gole de chá, agora um pouco preocupada com o rumo que as coisas estavam tomando. — Dai-chan não me disse isso.

— Exato. — Kuroko assentiu, com um sorriso triste. — Aomine-kun deve estar se sentindo culpado agora.

— Culpado pelo quê, se o erro foi do Kagamin? — Momoi perguntou com calma, descendo vagarosamente a xícara até a superfície de madeira.

— Ele humilhou o Kagami-kun. — O rapaz contou, levando Satsuki a arregalar os olhos. — Aomine-kun recusou a confissão e o arrependimento dele... Parece que nem ouviu direito. E para piorar, falou que os dois jamais teriam nada sério e que Kagami-kun não o devia satisfações porque era só um passatempo para ele. Ou seja, ele mentiu para se defender, possivelmente.

— Dai-chan não fez isso! — A menina engoliu em seco. Recusava-se a acreditar, mesmo percebendo que tudo o que Kuroko dizia era muito condizente às ações daquele lado insuportável que Daiki carregava consigo.

— Fez, e isso acabou com o Kagami-kun, que já estava inseguro antes de tudo acontecer. — Kuroko confirmou, com pesar. — Ambos erraram, isso está mais do que claro. Pensei no assunto por um tempo e deduzi que eles devem se odiar agora, principalmente o Kagami-kun.

— Ai, Dai-chan, seu idiota! — Momoi mordeu os lábios, entendendo a situação no mesmo instante.

Conhecia muito bem o amigo para saber o quão boçal ele conseguia ser de vez em quando, principalmente quando se tratava de seu egoísmo exacerbado. Lógico, Kagami-kun fez uma burrada absurda e imperdoável ao sair com o suposto 'irmão-ex-namorado', porém se ele se arrependeu e foi sincero o tempo todo, os dois poderiam pelo menos ter conversado civilizadamente e resolvido o assunto... Mas o bonitão agiu por impulso e acabou mentindo. Maldito orgulho que sempre o afundava nas horas mais críticas!

— Acredito que você me entendeu agora. — Kuroko finalizou. — Não estou defendendo ninguém, apenas estou expondo os fatos.

— Calma, deixe-me absorver esses fatos então... — Satsuki suspirou, olhando para o conteúdo escuro da própria xícara. — Kagamin gosta do Dai-chan, e foi surpreendido por um beijo do Himuro-kun sem reagir? É isso?

— Se você convivesse mais com o Kagami-kun assustaria-se ao perceber o quanto ele é semelhante à uma planária. — Kuroko suspirou fundo, com o rosto impassível. — Ele é muito ingênuo, não saberia como agir em uma situação assim.

— Estou vendo. — Momoi revirou os olhos, ainda processando as informações. — Ok, continuando... — Mordeu mais uma vez os lábios, juntando os dedos ao redor da xícara. — Então o Kagamin se arrependeu de sua patifaria e veio contar ao Dai-chan que foi 'vítima' de um beijo roubado, aproveitando a situação para se declarar?

— Isso.

— Mas o Dai-chan mentiu... Para manter o orgulho intacto. — Satsuki sentiu um aperto no peito, pensando em como o amigo estava se sentindo agora. Tinha noção do quanto ele gostava de Taiga. — Ele quis se defender e acabou magoando muito o Kagamin. Ai, Dai-chan... — A menina sentiu a garganta se fechar, murmurando para si mesma: — Seu bobo. Nunca vai aprender, não é? Mentiu até para mim... — Satsuki levantou o rosto, triste, e encarou Kuroko. — A gente precisa fazer alguma coisa para eles resolverem esse mal-entendido. Os dois precisam conversar e se acertar. Kagami-kun não sabe sobre a aliança, e o Dai-chan nunca abriu seus sentimentos. Eles precisam conversar! — Ressaltou, cerrando os punhos.

— Acredito que agora é tarde demais. — Kuroko disse com pesar, olhando para seu próprio chá. — Isso já aconteceu há três semanas... Então o Kagami-kun tomou sua decisão de seguir em frente.

— Como assim? — Momoi alarmou-se, deduzindo onde Kuroko quis chegar. — O Kagamin e o... Não!

— É o que parece. — Ele assentiu, dando de ombros, desgostoso. — Acredito que agora é só esperar o tempo se encarregar de tudo. Não devemos nos meter. Ouviu?

— Tetsu-kun... Precisa haver um jeito... — Satsuki mordeu os lábios, deixando sua esperança transparecer pela voz.

O silêncio de Kuroko deu a entender que na verdade não teria jeito nenhum, não quando Kagami tinha planos para seguir em frente. Era uma reação natural, considerando o rombo enorme que Daiki abrira em seu peito com as mentiras... Mas Taiga também errara feio ao se aproximar de Himuro-kun e não reagir ao beijo. Lógico que Aomine também se machucaria, e muito... No entanto eles não estavam oficialmente juntos, nem ocorrera uma declaração por parte de ambos, então era ilógico haver a cobrança que Daiki fizera.

— Ai, Dai-chan, seu teimoso. — A menina sentiu a garganta apertar mais uma vez, porém dessa vez acompanhada com uma ardência nos olhos. — Você deveria ter me ouvido desde o começo.

***

Sábado — 20h02min

~Kagami Taiga~

O ruivo sentia o estômago revirar de ansiedade e dúvida, sentado no chão gelado da quadra do Maji Burguer com a fiel bola de basquete entre os dedos — a textura do objeto o acalmava de verdade, sabe-se lá porquê. Aquela era uma noite consideravelmente gelada, cujo vento bagunçava mais ainda seus fios ruivos e rebeldes, no entanto nada disso parecia afetar seu estado mental.

Estava ali, apenas esperando-o.

Kagami gostaria de passar um pouco mais de segurança para si mesmo, porém sentia-se ligeiramente perdido, em busca de um novo rumo — vulga fuga. A verdade é que já encontrara sua válvula de escape há algum tempo. Tudo dentro de si apontava para ela, mesmo que não fosse o caminho 100% correto no momento... Era mais como um atalho para sua libertação. Precisava seguir em frente. Seu coração, corpo e alma pediam por isso — um descanso dessa maldita dor que insistia em apertar seu peito, mesmo que discretamente, em pequenos e sutis momentos. Era novo demais para sentir essas coisas, pelo menos julgava.

Himuro Tatsuya era sua fuga. Óbvio. No final ele sempre aparecia e tornava-se seu salvador, mesmo que de forma inconsciente.

Claro, no momento não poderia corresponder à tudo o que Tatsuya pedia (pelo menos não com a mesma proporção), pois grande parte do seus sentimentos ainda possuíam um único dono — mesmo que fosse um dono cruel e indiferente... No entanto, com o tempo seu coração acostumaria-se com o carinho que tinham um pelo outro, e mais uma vez se apaixonaria pelo irmão. Tinha certeza disso. Fora assim quando mais novo, por que agora seria diferente? Era quase uma questão de lógica. Mesmo sendo lerdo, percebia que poderia funcionar.

De forma alguma Kagami usava essa tentativa como uma desculpa para esquecer Daiki — até porque sua índole pura (e burra, até certo ponto) jamais permitiria tal ato. Apenas uniria o útil ao agradável, mas não da forma tão mecânica e fria quanto a sentença soava. O útil: Estaria alegrando uma das pessoas que mais amava no mundo, esforçando-se para retribuir cada um de seus sentimentos e doando-se até onde fosse possível. Amadureceria com isso. O agradável: Seria amado, estaria protegido e conseguiria caminhar mais uma vez, lutando para não olhar para trás... Só precisariam andar com calma, como sempre fizeram.

Mesmo inseguro, Kagami torcia para dar certo. Ou melhor, se esforçaria para isso! Afinal, eram os sentimentos de Himuro e seus próprios que estariam em jogo. Não era uma brincadeira... Como uns e outros julgavam.

— Taiga? — A voz familiar soou em algum ponto à sua direita, assim como os sons de passos leves ecoando pela quadra. Após o breve sobressalto, Kagami apenas virou o rosto e fez menção de se levantar, mas um gesto de Tatsuya o parou. — Tudo bem? — Ele sentou-se ao seu lado, com pelo menos dois palmos de distância entre os corpos.

— Oi Tatsuya. — O ruivo sorriu de canto, vislumbrando parte do rosto dele com a meia luz do poste, que chegava timidamente até a quadra, pois os refletores estavam desligados. — Tudo na medida do possível. E com você? — Questionou, com o coração na mão e uma ansiedade palpável.

Essa era a primeira vez que se encontravam pessoalmente desde a noite do beijo roubado... A noite em que o magoara, e a noite que praticamente fora salvo de um buraco muito mais fundo. Com um breve olhar notou que a corrente ainda brilhava no pescoço de Tatsuya, mas que seus olhos acinzentados estavam um pouco perdidos e opacos. Lógico que estariam, afinal, o deixara ferido e sem rumo também.

Agora Kagami sabia a dor de ser rejeitado por alguém que se ama... Não desejava isso à ninguém, muito menos à ele, que era tão importante em sua vida.

— Melhorando. — Tatsuya sorriu, abraçando as pernas dobradas contra o próprio peito. — Está bem frio aqui, não é?

— Sim. — O ruivo concordou, olhando para a bola entre seus dedos compridos. — Foi mal por ter te chamado assim, do nada. Mas acho que estou devendo muitas palavras à você. — Disse, sem mesmo saber de onde vinham suas frases. Provavelmente era seu coração carente e triste agarrando-se à sua única fuga.

— Ei Taiga, relaxa. — Himuro soltou uma risada nasal e totalmente sem humor. — Eu não deveria ter feito aquilo. Foi um impulso, coisa do momento. Só tive coragem porque nós dois estávamos bêbados.

— Podres de bêbados, você quis dizer. — Kagami arriscou fazer graça, olhando-o de esguellha.

— Você estava bem mais do que eu. — Tatsuya defendeu-se, agora sim com o humor de sempre. — Me admiro que você conseguiu chegar em casa depois.

— Ah, dei meu jeito, só não lembro como. — O ruivo soltou uma curta risada ao deixar a bola de lado para que pudesse virar-se na direção de Tatsuya, aproximando-se um pouco. Um palmo agora. — Tenho umas coisas à te falar.

— Pode dizer. — Ele murmurou, virando o rosto, um pouco curioso ao perceber sua movimentação.

— Bem... Não sei como fazer isso. — O ruivo comentou ao coçar a nuca, sentindo o estômago afundar violentamente agora que a hora chegou.

— Fazer o quê? — Himuro perguntou, com um nítido tom de surpresa, virando o rosto para que ficassem mais próximos. Bem próximos. Quase próximos demais.

O cheiro de hortelã invadiu o olfato de Kagami, fazendo-o corar no ato. Só então o baque de realidade mostrou que quem estava sentado em sua frente era seu irmão, seu melhor amigo de infância e adolescência. Esse pequeno fato levava seu instinto à paralisar, como se suas intenções fossem erradas... Mas sabia que não tinha nada de errado em tentar retribuir os sentimentos de uma pessoa importante. Seguiria adiante com sua decisão.

— Você acabou de afirmar que... Que estávamos bêbados quando você me disse todas aquelas coisas. — O ruivo engoliu em seco, sentindo parte de seu corpo se atirar na situação, enquanto pelo menos 20% dele começava a recuar. Decidiu ficar com os 80%. — Você lembra das suas palavras?

— De cada uma delas. — Ele assentiu, encostando a cabeça na grade, para que seu rosto se inclinasse um pouco e a franja pendesse para o lado, mostrando ambos os olhos. — Por...?

— Eu... Bem... — Kagami mordeu os lábios de forma inconsciente, notando a proximidade aumentar um pouco mais. — Eu fui um completo babaca com você naquela noite, mas... Isso não quer dizer que eu esqueci ou que deixei de pensar no que você me disse.

Himuro permanecia sério, encarando-o de perto.

— Sabe, você estava certo. — Kagami suspirou fundo, segundos depois, disfarçando um pouco seu desconforto. — Na verdade você sempre está certo. Desde quando éramos mais novos.

— Hm... — Ele sorriu de forma cínica e charmosa. — Eu sei.

— Idiota. — Kagami desviou o olhar, sentindo que a proporção agora era de 30% contra 70%. — Pois é. Bem, não sei se devo te contar, mas deu uma merda muito grande na minha vida, há algumas semanas.

— Com o Daiki?

— Com o Aomine. — Kagami o corrigiu, arrancando um sorriso lateral daqueles lábios finos. A pontada em seu interior foi grande, mas não demonstrou em momento algum. — Ele... Ah, em resumo, ele é um idiota que não liga para nada.

— Suspeitei desde o princípio. — Himuro ergueu as sobrancelhas, ainda com o sorriso de canto que não se equiparava ao qual estava habituado a ver, ao 'original', por assim dizer. Porém não era ao todo ruim. — Mas nunca te falei nada, lógico. Você estava bem... Encantado com ele, então não quis quebrar nada. — O irmão assinalou, com um gesto de ombros.

— É, pois é. — Kagami decidiu desviar o assunto ao perceber que a diferença da porcentagem apenas diminuía conforme o assunto chegava em Aomine. Era isso que o trazia de volta... Mas era passado, ou melhor, se tornaria passado, mesmo que de forma forçada. — E a gente não está mais juntos há semanas... Tempo que usei para pensar em tudo, rever minhas prioridades e usar um pouco o cérebro lerdo que tenho.

— Hm... — Ele murmurou, avaliando-o com um olhar muito intenso e brilhante agora, como se já soubesse o que viria em seguida. Claro que sabia, ele era esperto e Taiga era transparente.

— E chegou o momento em que eu pensei... Em nós. — Kagami engoliu em seco, notando o sorriso de Himuro se ampliar minimamente. Isso o deixava feliz também, de certa forma. — E...

— E...

— E eu acho que gostaria de tentar... Alguma coisa... — Kagami mordeu os lábios, lutando para sustentar o olhar acinzentado à poucos centímetros dos seus. — Se você ainda quiser, lógico.

Silêncio. Tatsuya apenas permaneceu fitando seu rosto, ligeiramente surpreso, mas sem uma resposta definitiva.

— Ah... Eu... — O ruivo exasperou-se na hora. Sentiu o rosto esquentar muito, tanto que pareceu atingir seu próprio ponto de ebulição. — Não é como se eu estivesse te usando para esquecer o Dai... O Aomine! — Pigarreou, olhando para a grade ao seu lado, e para a rua além dela. — Só que... Tipo... Nós dois, eu e você... Sempre... Né...

— Psiu. — O indicador de Tatsuya repousou em seus lábios com suavidade, fazendo o ruivo calar-se no mesmo instante. — Você fala muito alto, Taiga. — Ele sorriu, aproximando o rosto para que ficassem mais próximos ainda. Não havia sequer cinco centímetros separando seus rostos. — Isso nem havia passado pela minha mente. E mesmo se fosse, mesmo se eu precisasse te ajudar a esquecer o Aomine, eu faria. — Tatsuya sussurrou, passando delicadamente a ponta do dedo pela pele sensível de sua boca, exatamente como há alguns anos. — E eu não preciso nem dizer que é porque te amo, não é?

O ruivo não teve muito tempo de reação, apenas percebeu o coração dar um salto triplo antes de sentir os lábios gélidos juntarem-se aos seus, e com uma leveza à qual não estava mais acostumado. Dessa vez não paralisaria, não o deixaria no vácuo... Retribuiria, faria tudo para dar certo, para conseguir devolver cada gesto de carinho, para retornar cada um de seus sentimentos... E, infelizmente, para colocar uma pedra no passado próximo, que tanto sentia falta — mesmo negando esse fato para si mesmo.

Com um leve suspiro de entrega, Kagami entreabriu minimamente os próprios lábios e começou a move-los com calma, no mesmo compasso de Tatsuya. No início o beijo estava um pouco fora de ritmo — afinal, ainda tinha em sua memória o gosto de outros lábios, mais cheios, quentes, com movimentos mais decididos —, todavia foi se habituando àquela boca conforme os segundos passavam. Tinha gosto de nostalgia e bala de menta. Era bom, no final das contas... Sabia que era.

Mesmo após ter experimentado o sabor da perfeição por alguns meses, Kagami começava realmente a apreciar os lábios finos e gelados de Himuro, contrastando com o calor dos seus próprios. Era uma mistura que poderia dar certo. Não! Faria dar certo, só precisavam ir com calma e tudo ficaria bem.

Aquele era o selo de que estava seguindo em frente com alguém que o amava verdadeiramente... Alguém que tentaria amar da mesma forma, e não apenas como um irmão.

Assim que se afastaram do breve beijo, permaneceram com os rostos próximos, um fitando o olhar do outro. O momento parecia durar eras para passar, e o cenário apenas contribuía para tudo se tornasse mais nostálgico. O vento levava o cabelo de Tatsuya a bater em seu rosto, causando aquele comichão ao qual era acostumado quando mais jovem. Sorriu de canto, olhando para o irmão... Ou seja lá o que ele se tornara a partir daquele momento.

— Vamos com calma, ok? — Kagami pediu, como se tomasse um último fôlego antes de mergulhar em águas escuras e indefinidas. Percebera que um relacionamento era isso, e agora teria que descobrir o que viria daqui para frente. — As coisas estão acontecendo muito rápido para eu conseguir acompanhar. Então eu preciso que você tenha um pouco de paciência comigo...

— Não se preocupe, Taiga. — Ele sorriu com calma, erguendo os dedos finos para acariciar seu rosto com delicadeza. — Estou aqui para cuidar de você, e não para te pressionar. Faremos as coisas do seu jeito, no seu tempo.

O ruivo não soube como responder, mas sentia o corpo quase explodir de tanto calor. Só não tinha certeza se a sensação era ao todo boa, ou se pertencia àquela maldita fagulha o puxando para trás, para o passado... De volta para ele.

— Obrigado.

— Idiota. Não precisa agradecer. — Tatsuya riu, mostrando os dentes brancos e perfeitamente alinhados. Ele tinha um sorriso muito bonito, apesar de expô-lo raramente. — Só deixa eu te perguntar uma coisa...

— Hm? — Kagami arqueou as sobrancelhas, esperando.

— Preciso pedir permissão para te beijar, ou está tudo liberado? — Himuro questionou em tom de zombaria, mas com um fundo de verdade que Kagami reconheceu.

— Não vou responder esse tipo de coisa. — O ruivo revirou os olhos, quase inconformado com a pergunta besta. — Acho que agora... Estamos juntos... Não é? — Buscou a afirmação, um pouco receoso com sua própria frase.

— Estamos? — Tatsuya respondeu a pergunta com um sorriso sacana, usando outra interrogação.

— Acho que sim. — Taiga afirmou, soltando um segundo suspiro de entrega. — Vamos tentar!

— Sim... — Himuro deu mais um largo sorriso, encostando a ponta de seus narizes para que suas próximas palavras fossem perdidas em um sussurro, como se estivesse contando um segredo: — Esperei tanto tempo por isso... Para ter mais uma chance com você. Eu te amo, Taiga.

Kagami engoliu em seco, sem econtrar palavras para expressar-se. Se falasse que o amava, estaria se referindo ao sentimento fraterno que nutria por Himuro, e não à paixão que ele esperava... Por essas e outras, ficar em silêncio foi a melhor opção. Pelo menos por hora.

Como resposta, o ruivo inclinou minimamente o rosto para beijar mais uma vez os lábios de Tatsuya. Uniu o útil ao agradável.

Novamente a sensação gostosa de nostalgia o preencheu, mas a saudade dos lábios de Daiki também manifestou-se timidamente em seu interior. Agora o tempo se encarregaria de levar aquilo embora, ou pelo menos substituir o calor aconchegante pelo gosto gelado de menta. Essa parecia a decisão certa no momento.

Kagami podia até ser burro e realmente lerdo nessa questão de relacionamentos, mas não ficaria se martirizando, mesmo que carregasse Aomine dentro de seu peito... Mesmo que não conseguisse odiá-lo... Mesmo que, por teimosia ou masoquismo, ainda gostasse demais dele. Agora isso ficaria para trás. Teria que ficar.

Seu novo foco era Tatsuya. Ou melhor... Sua fuga. Cuidaria muito bem dele, da forma que realmente merecia. Com o mesmo carinho e dedicação. Tatsuya era importante demais. Não seria tão difícil...

***

Quatro dias depois

~Aomine Daiki~

Deitado confortavelmente em sua cama, o moreno passava o olhar distraído pela matéria principal da revista mensal de basquete, que detalhava a vitória esmagadora dos Spurs sobre os Bulls na Liga Americana de Basquete — fato que o rementia à lembranças bem chatas, por assim dizer. Na verdade tudo o remetia à lembranças chatas, mesmo quando tentava se livrar delas a todo custo, inclusive fazendo idiotices.

Em seu ouvido, os fones gritavam o ritmo esquisito e ao mesmo tempo viciante ao qual fora apresentado há alguns dias — Scrillex. Apesar de assemelhar-se ao som que os Transformers (supostamente) faziam ao transar, as músicas eram bem interessantes... Tanto quanto a garota de cabelos descoloridos que as mostrara, justamente enquanto estavam transando no quarto dela. Mas aquilo também pertencia ao passado agora, foi só mais uma desconhecida que sumiu de sua vida no mesmo dia em que se viram pela primeira vez. Aomine nem mesmo lembrava direito seu nome, parecia ser algo parecido com Kanade, ou Tsunade. Detalhe indiferente.

Apesar de ser consideravelmente jovem, o moreno nunca teve problemas em encontrar garotas de todas as idades para ficar — ou foder, se o esforço relamente valesse a pena. Daiki tampouco se incomodava com o fato de sair com pessoas aleatórias, exceto por jamais ter encontrado alguém à sua altura (até o momento, no caso)... No entanto sentira-se levemente sujo e arrependido depois daquela noite com a garota Scrillex. Não porque fora um sexo ruim, — muito pelo contrario, pois ela tinha peitos decomunais e era bem 'desenvolta', por assim dizer —, mas porque ainda estava ocupado demais sendo de Taiga para se entregar a qualquer outra pessoa, seja da forma que fosse. Tudo se tornava vazio sem ele, até mesmo o sexo descompromissado. Deduzira isso perante os fatos, pois nas várias vezes que fechara os olhos quando estava com ela, era em Taiga que pensava, era o corpo dele que sentia... Quase conseguia ouvir os gemidos graves no fundo de sua mente.

Foi a maldita prova final de que Daiki jamais teria algo tão bom, não quando já experimentara o melhor.

— Foda-se, foda-se, foda-se... — Cantarolou, virando a página da revista, tentando camuflar a porcaria da saudade que sempre surgia com a dor. Isso nunca iria passar?

Havia transcorrido o período de três semanas desde o dia da decepção e das mentiras, então teoricamente já deveria ter superado aquilo tudo — pelo menos um pouquinho. Dúlcido engano. Nem mesmo seu orgulho mor era capaz de derrubar a barreira de raiva e remorso que se formava em seu íntimo cada vez que lembrava de Kagami. Ele o traíra e isso não tinha perdão, entretanto Daiki não precisava tê-lo esculachado daquela forma, com mentiras tão cabeludas e simplesmente ridículas... Talvez se tivesse sido menos impulsivo, agora ele não o desprezaria tanto... Quem sabe ainda conversariam ou pelo menos cumprimentariam um ao outro... Quem sabe não haveria aquela indiferença tamanha que apenas deixava seu estômago doendo.

— Ele fez a merda primeiro, então que se foda. Isso vai passar. — Sussurrou em uma tentativa de se convencer, voltando o olhar para as figuras que representavam os novos layouts das quadras para 2015.

Daiki sabia que precisava apenas se distrair para que tudo melhorasse. Só isso. Dois meses de relacionamento não ficariam perdurando em seu íntimo por muito mais tempo, mesmo que Taiga fosse a pessoa mais incrível que conhecera na vida. Não podia ficar remoendo aquilo para sempre... Mesmo que o amasse! Precisaria de uma fuga, e a garota Scrillex foi sua primeira tentativa. Em breve viria uma segunda... Uma terceira... Até conseguir.

Naquele momento Aomine captou uma movimentação em seu lado direito, porém não teve tempo de reagir e nem mesmo de se assustar. Sua porta entreaberta foi completamente escancarada, dando passagem à uma séria Momoi. A expressão da menina não estava muito amigável, parecia um pouco triste e quase irritada.

— Oi para você também. — Daiki murmurou com a voz arrastada, removendo os fones de seus ouvidos. Não fez questão de se mover mais do que o necessário, apenas a encarou, ainda deitado. Já era normal ela aparecer em sua casa, mas nunca sem avisar.

— Oi, Dai-chan. — Ela suspirou, sentando-se na borda da cama, perto de suas pernas, sem cerimônia alguma.

— Posso saber à que se deve essa brutal e inesperada invasão de privacidade? — Perguntou, usando um breve sarcasmo.

— Vim ver como você está, já que você simplesmente esqueceu que eu existo. — Ela alfinetou com um tom de voz seco. — Eu ainda me preocupo com você, mesmo que não mereça.

Daiki não soube o que responder, apenas ergueu as sobrancelhas, como se perguntasse em silêncio 'o que foi agora?'. Teoricamente não queria saber, mas ela iria dizer de qualquer jeito. Estava com cheiro de sermão para falar a verdade.

— E aí, como você está? — Ela insistiu, mais suavemente agora, inclinando levemente o rosto para analisá-lo.

— Sei lá. — Aomine deu de ombros, sentando-se na cama para manter uma distância segura. — Normal, eu acho.

— Você pode mentir para qualquer um, até para mim, mas não pode mentir para si mesmo. — Momoi comentou com um sorriso triste, tirando uma mecha de cabelos rosados da frente do rosto corado pelo frio. — Você está tudo, menos normal. Já se olhou no espelho?

— Estou super de boa, falou? — Aomine disse com um certo cansaço na voz, erguendo as sobrancelhas em forma de discóridia.

— Ah, está? — Momoi perguntou em um tom de desafio, cruzando os braços.

— Sim! — Aomine bocejou, lançando um breve olhar para a revista. — Você me interrompeu. Eu estava lendo.

— Não, você estava falando sozinho. Eu ouvi. — Ela estreitou o olhar acusatório. — O engraçado é que você prefere falar sozinho do que falar comigo, não é?

— Hm? — O moreno encarou o rosto da menina, cujos olhos rosados pareciam decepcionados.

— Estou triste com você Dai-chan. — Momoi disse, séria. — Estava esperando você me falar a verdade, mas tive que sair com o Tetsu-kun para descobrir.

— Que verdade? — O moreno murmurou, encostando-se a cabeceira da cama. A conversa seria longa, já sabia ao que ela se referia. Com certeza Tetsu contou a versão de Kagami e fodeu com tudo.

— Sobre as coisas que você disse ao Kagamin depois de ele ter te contado sobre o beijo roubado do Himuro-kun. — Ela disse com um tom perigoso. — Você me contou bem outra coisa, e me fez até ficar com raiva dele. Mas não foi bem assim, não é?

— É justamente por isso que não quero falar com você. — Aomine engoliu em seco, tentando desviar-se do assunto. — Toda vez que conversamos você só sabe tocar no nome dele. Sabia que uma hora ou outra eu viraria o errado da história! — Bufou, fazendo um gesto finito com as mãos. — Eu quero por uma pedra em cima disso, entendeu? E se você ficar falando, falando e falando eu não vou conseguir.

— Pare de agir como antes, Dai-chan, por favor! — Ela endireitou-se a coluna, soltando palavras um pouco severas demais para seu gosto. — Sei que você está tapando o sol com a peneira, mas não vai adiantar. Inventar coisas é a sua fuga?

— E se for? — Aomine respondeu com outra pergunta, estreitando os olhos.

— Você pode mentir para mim, para o Kagamin, para todo mundo... — Momoi o olhou, um pouco mais compreensiva agora. — Mas não pode mentir para você mesmo. Não pode fugir do que você está sentindo.

— Prossiga. Jogue seu sermão em cima de mim. — O moreno suspirou, colocando mais uma vez as mãos atrás da cabeça em um sinal de displiscência. — Estou ouvindo...

— Não vim aqui para te dar sermão, Dai-chan. Vim para te ajudar. — Ela irritou-se, infando as bochechas. — Saiba que se você continuar assim só vai piorar. Você está se isolando, e isso não é saudável, ainda mais quando está sofrendo.

— Não estou sofrendo, e muito menos me isolando. — O moreno sorriu de forma sacana e forçada, ouvindo a melodia de Scrillex ainda soar por seu fone de ouvido, mas em tom muito baixo. — Saí com uma garota no sábado, e foi bem divertido.

— Vai começar tudo de novo, é? — Momoi questionou, revirando os olhos. — Essas meninas com quem você sai também são mentiras. Novamente você está procurando uma fuga, Dai-chan. Pode ter certeza que essas coisas vazias, fúteis e passageiras não vão resolver seu problemas. Sei que você está se sentindo culpado, e não adianta negar... Eu te conheço. — Ela finalizou com um tom brando.

O moreno não respondeu, apenas olhou pela paisagem além da janela. A conversa estava bem irritante, era a última coisa que precisava agora. Claro que estava se sentindo culpado, principalmente após ser vítima da indiferença de Kagami e se dar conta da grande merda que fez ao falar aquelas idiotices à ele... Mas ele saiu com o franjinha, e isso ainda machucava. Só estava tentando se defender, se proteger atrás de seu orgulho até ficar forte o suficiente para seguir em frente. Será que ela não entendia?

— Custa você se abrir comigo?

— Eu ainda gosto do Taiga, caralho. Mas agora só quero esquecê-lo. — Aomine franziu as sobrancelhas, olhando para o céu carregado do lado de fora. — Não esperava que ele chegasse aqui em casa falando que aquele nojento o roubou um beijo... Pra mim 'beijos roubados' são desculpas, e isso me deixou puto. — O moreno cerrou os dentes, agora fitando os fios que ligavam um poste ao outro.

— E você foi se proteger usando mentiras. — Satsuki completou, atraindo seu olhar. — Eu sei Dai-chan. É o seu jeito impulsivo.

— É. — Aomine juntou as sobrancelhas, sentindo uma onda de raiva o percorrer. — E o que você espera que faça agora? Fique como um idiota me lamentando pelos cantos? Corra atrás dele? — Apontou para a porta. — Eu não vou fazer isso por ele, droga.

— Faça por você então. Vocês dois precisam conversar, pelo menos para resolver esse mal entendido. — Satsuki suspirou, apoiando as mãos fechadas em suas próprias coxas. — Só que você está errado ao se isolar, buscando soluções passageiras com pessoas fúteis. Você está fugindo pelo lugar errado.

— A gente não vai conversar, Satsuki! — Aomine foi incisivo. — Ele não olha mais na minha cara, e eu também não estou muito afim. Ele me traiu, caramba. Por que diabos eu iria atrás dele para desmentir as coisas? Para tornar tudo pior?

— Será que traiu, ou é nisso que você quer acreditar? Vocês não estavam juntos, Dai-chan... E você nunca disse que gostava dele.

Aomine suspirou fundo, sentindo-se realmente inquieto. O que ela dizia até tinha certo sentido, mas não mudava os fatos de que outros lábios tocaram nos dele, mesmo após ter deixado claro que Taiga era seu... O beijo foi algo que ele poderia muito bem ter impedido se realmente estivesse apaixonado, mas por algum motivo não fez.

— Ele saiu com outra pessoa e não me disse, Satsuki. — Comentou, com a voz preguiçosa e levemente triste. — Não quero mais falar sobre isso. Se eu gosto dele ainda, foda-se, uma hora passa.

— Eu sei que passa, Dai-chan. — Ela murmurou, aproximando-se um pouco com um jogo de corpo. — Só que eu percebo que você está sofrendo e tentando se livrar disso pelo caminho errado.

— E daí? — Aomine deu de ombros, dobrando as pernas para apoiar os cotovelos em cima dos joelhos.

— E daí que você precisa dar um jeito nisso, e enquanto ficar remoendo essas mentiras você não vai seguir em frente. — Satsuki esclaresceu. — Não estou defendendo o Kagamin, mas estou procurando te ajudar.

— Eu sei... — O moreno suspirou, passando os dedos por entre os cabelos em um gesto distraido. — Só que estou com raiva, muita raiva. Não esperava isso dele, porra! Achei que ele gostasse de mim. — Finalizou, unindo mais uma vez as sobrancelhas e cerrando os dentes. — Eu ia pedir ele em namoro, caralho. Quando você me viu fazer algo parecido por alguém? Nem pelo Kise...

— Por isso eu tenho certeza que você está machucado. — Ela sorriu pesarosa. — Se abrir é a melhor solução, Dai-chan. Deixa seu orgulho de lado, por favor. Para de se sentir culpado, e vai falar com ele.

— Não vou. — Aomine soltou uma risada nasal. — Deixa ele lá achando que eu o usei. Vai ser melhor. Assim ele vai me odiar e seguir em frente com aquele bostinha de olho tapado.

— Seria uma fuga pra ele, não acha? — Momoi comentou com cuidado. — Quer dizer, no lugar dele você faria o mesmo, certo?

— Provavelmente. — O moreno afirmou, desgostoso. — Até desejei sorte para eles. Quero que se fodam juntos. Já que eles ficaram lá em Los Angeles, o que mudaria agora?

— É...

— Vai dizer que eles estão juntos? — Aomine perguntou incrédulo, captando o olhar cabisbaixo de Momoi. Um aperto no peito apareceu apenas com a hipótese, mas não demonstraria e não se deixaria levar.

— Dai-chan... — Ela mordeu os lábios, erguendo novamente os olhos rosados.

— Estão. — O moreno soltou uma risada totalmente sem humor, sentindo todo seu estômago contorcer-se. — Aí está a prova de que ele ainda gostava daquele merdinha, e que me traiu sim. — Fechou os olhos, que começavam a arder. — Ele foi rápido, não é? Parece que não fiz diferença nenhuma.

— Foi a fuga dele, Dai-chan. Assim como a sua foi mentir.

— Para de defender ele, Satstuki. — Daiki explodiu, liberando toda a raiva que estava sentindo. — Mas sabe, eles se merecem. Quero que vão para a puta que pariu. Eu vou ficar bem de boa assim, pelo menos não preciso sentir remorso por nunca ter aberto a boca ou por ter mentido... No final seria a mesma coisa, não é? Ele ia voltar para o franjinha e eu iria sobrar.

— Não acho que seja assim, Dai-chan. — Momoi apressou-se em dizer.

— Bem no fim o usado fui eu. — O moreno riu mais uma vez, mordendo os lábios para conter o choro que jamais iria cair.

— Calma, escuta...

— Já deu para mim. — Aomine a encarou, realmente irritado. — Não quero mais falar sobre isso. Entendeu? — Reforçou o final.

— Acho que você precisa esfriar a cabeça antes de sair fazendo idiotices mais uma vez. Pare de agir por impulso e use esse cérebro! — Momoi exclamou com um tom muito alto de voz, levantando-se com as mãos na cintura, em um sinal de impaciência. — O Kagamin está apenas tentando se livrar da dor que você causou nele ao mentir como um boçal, mesmo depois de ele ter vindo se rebaixar para você, admitindo o erro. Não estou do lado dele, porque a merda inicial foi ele quem fez, mas você também fez cagada Dai-chan. — Ela apontou para seu rosto. — Pare de achar que é a única vítima desse desentendimento, porque não é. Ambos estão errados, e esse orgulho besta está me deixando bem irritada. — Ela suspirou, olhando para cima brevemente, mas logo voltou a falar. — Não estou falando para vocês voltarem, mas uma conversa seria a melhor solução. Porém, se você acha que seu individualismo vai te salvar, e se prefere sair por aí fazendo festa com um monte de meninas achando que isso vai resolver seu problema, boa sorte.

Daiki não soube o que dizer, apenas a encarou boquiaberto, com um nó na garganta. Ela tinha o dom de jogar verdades em sua face, mas nunca era fácil aceitar. Era muito melhor pensar que estava fazendo as coisas da forma correta. Era extremamente complicado admitir que estava perdido, que não sabia como agir, que não conseguia dar um passo para frente sem dar dois passos para trás.

— Eu não sei o que fazer... — Aomine disse em um sussurro triste, apertando o maxilar com força.

— A primeira coisa é parar de segurar esse choro. — Ela disse com autoridade, mas lacrimejando um pouco. — Isso não vai te ajudar.

— Ele não merece...

— Mas você precisa. Chore por você, e não por ele. — Satsuki sentou-se novamente, agora mais próxima de seu tronco. — Dai-chan, deixa esse seu orgulho de lado. Isso só está te prejudicando.

— Ele fodeu com meu orgulho no momento em que deixou aquele merdinha beijá-lo. — Aomine disse, ainda segurando o choro. — Ele fodeu comigo. Eu gostava tanto... Você não tem noção. Ele era tipo, perfeito. Sei lá!

— Dai-chan... — Momoi murmurou, passoando os dedos por entre seus cabelos azuis. O toque era bom, quase como uma permissão para se abrir... Mas isso era uma coisa tão fraca, tão desnecessária.

— Eu sei que deveria ter falado antes que gostava dele, mas será que isso iria mudar alguma coisa? — O moreno perguntou, erguendo os olhos úmidos para encará-la. — Ele ainda teria saído com aquele franjinha, ele ainda continuaria usando a corrente no pescoço. Não iria mudar.

— Mas ele escolheu você, Dai-chan. — Momoi murmurou, limpando a lágrima que escorria em seu próprio rosto rosado. — Ele veio pedir desculpas porque se arrependeu. E você não conseguiu ouví-lo, porque agiu sem pensar... Ambos tiveram suas razões. Ambos erraram.

— Foda-se... — Aomine sussurrou, quase sem voz, ainda segurando o choro. — Agora já foi.

— Dai-chan, não fale assim.

— Satsuki, eu sempre me virei muito bem sozinho, e nunca me importei com ninguém antes de conhecer o Taiga. — O moreno admitiu, sentindo uma dor apertar seu peito. — Só que isso agora está me deixando tão assustado, porque eu não paro de pensar nesse maldito beijo roubado que ele não recusou. Não era para ser assim, mas eu estou com muita raiva pelo que ele fez. Eu não pensei antes de mentir, apenas segui meu impulso, mas não sei até que ponto me arrependo... Me defendi na hora certa. Poderia ser pior depois.

— Beijos roubados acontecem, e nem sempre conseguimos nos livrar.

— Um cara de 1,90m de altura não consegue parar um bostinha que bate no seu ombro? — Aomine olhou-a incrédulo. — Me poupe, Satsuki. — Riu de forma ríspida. — Ele queria o beijo.

— Pare de pensar assim. — Ela pediu com o tom de voz suave, quase suplicante. — Pare de ser um bobo turrão e volte a ser o Dai-chan compreensivo de sempre.

— E de que vai mudar agora? — O moreno engoliu em seco, olhando para o rosto triste da amiga. — Ele está lá com o bostinha. Seguiu em frente super rápido e sem olhar para trás. Se foi porque eu o machuquei, beleza. Fazer o quê? Já foi... Mas eu nunca vou voltar atrás para conversar com ele, muito menos agora. Ele foi para o chão comigo, e acabou.

— E você? Como você fica?

— Vou dar um jeito. E não vou fazer mais idiotices. — O moreno sorriu de canto, mas sem humor algum. — Só preciso de tempo, e preciso parar de pensar nisso. Culpa passa, amor passa, tudo passa... Até uva passa.

— Idiota. — Ela sorriu, dando um leve tapinha em sua cabeça. — Só quero te ver bem, entende?

— Já saquei Satstuki, relaxa. — Aomine endireitou-se, atirando a cabeça para trás, para apoiá-la na cabeceira da cama. — Valeu.

— Quer sair para fazer alguma coisa e se distrair? — Ela perguntou, fungando e limpando as lágrimas de seu rosto.

— Fliperama?

— Fliperama. — A menina assentiu, levantando-se com um meio sorriso no rosto. — Vou até deixar você escolher o jogo hoje.

— Fechado. — Aomine murmurou, apoiando os pés no chão e fazendo um impulso para levantar. Algo o empurrava para baixo, talvez a certeza de que perdera Taiga para sempre, mesmo que não tivesse esperança e vontade nenhuma de voltar.

Estava realmente triste e frustrado, mas não morreria por causa de uma dor no peito. Tinha Satsuki para lhe dar broncas, e, querendo ou não, ainda possuía uma pontada de orgulho onde poderia se apoiar. Era um Aomine, e os Aomines nunca se deixam cair sem levantarem-se em seguida... Mesmo sabendo que naquele momento Taiga provavelmente estava abraçando outra pessoa, seguiria em frente também, e com a cabeça erguida.

Faria isso a todo custo, e sem derramar uma única lágrima.

***

— Sabe que dia é domingo? — Satsuki perguntou, tomando o milk-shake no caminho de volta para casa.

— Domingo? — Aomine respondeu, erguendo as sobrancelhas como se fosse algo óbvio.

— Claro que é domingo. — Ela bufou, revirando os olhos. — Mas domingo é dia 31. Aniversário do Tetsu-kun.

— Sério? — Murmurou sem emoção. Era péssimo com datas, números e qualquer coisa do tipo.

— É. E parece que ele vai fazer alguma coisa na casa dele, para os amigos. — Momoi comentou, atraindo seu olhar. — Você vai comigo?

Ele vai estar lá, né? — O moreno voltou a olhar para a calçada, sentindo mais uma vez o estômago apertar. Referia-se a Taiga.

— Com certeza. — Satsuki murmurou, receosa.

— Acho que não vou então. — Daiki começou a falar com preguiça, mas ao perceber a inquietação da menina ao seu lado, disse: — Ok, ok. Vou pensar, tá legal?

— Olha lá hein, Dai-chan. É o Tetsu-kun.

— Vou ver, vou ver. — O moreno murmurou, olhando para o céu escuro de forma distraída.

Como seria reencontrar Taiga agora? Ele provavelmente estaria com aquele porcaria de franja... Encará-lo de frente seria a melhor forma de mostrar que ainda estava em pé? Fingiria que realmente não se importava? Conseguiria dissimular tanto para manter aquela mentira intacta? Aomine não sabia... A única certeza que tinha era a dose de indiferença que receberia, mas quem sabe assim pudesse se acostumar com a realidade. O perdera... Apesar do erro ser de ambos, o perdera.

Mas eram hipóteses. Ainda iria decidir.

***

~Kagami Taiga~

— Acho que meti os pés pelas mãos... Ou será que não? — O ruivo perguntou para o nada, observando a paisagem urbana e noturna através da sacada do terraço. Começara a frequentar o ambiente solitário com mais frequência, pois o dava um ar de liberdade e melhorava sua respiração difícil dos últimos dias.

Estava pensando demais em Tatsuya e no relacionamento que decidira iniciar com ele. Insistia para si mesmo que não fizera isso para esquecer Daiki, e sim para ver o irmão feliz ao seu lado. Não era uma mentira, pois jamais gostaria que Himuro sentisse a dor da rejeição, no entanto ainda era Aomine o dono de seus sonhos... Isso poderia gerar problemas futuros, se de fato não conseguisse esquecê-lo.

— Eu vou me esforçar por você, Tatsuya. — O ruivo balançou a cabeça, fechando os olhos para reforçar sua afirmação. — Vou ser seu... Só tenha um pouco de paciência comigo, como eu te pedi. Sei que vou me apaixonar por você mais uma vez.

Sim, metera os pés pelas mãos cedo demais. Seu íntimo afirmava isso, mas não se arrependeria da decisão. Sabia que poderia ser muito feliz com Tatsuya, como nos velhos tempos. As dúvidas são traidoras e fazem as pessoas perderem o que poderiam ganhar, pelo simples medo de arriscar. Kagami liquidara esse medo há alguns dias, quando beijara Himuro espontaneamente.

— Vai dar certo. — Afirmou para si mesmo, olhando para o celular que vibrara em seu bolso. Era Himuro o convidando para assistir um filme no dia seguinte. — Vai dar certo, Tatsuya. — Suspirou com um meio sorriso, respondendo.

No fundo sentiu a esperança que a mensagem fosse de Daiki, assim como acontecia todas as vezes que seu celular vibrava. Isso teria que mudar, e logo. Do contrário, com certeza teria a prova de que fizera uma cagada muito maior.

***

~Himuro Tatsuya~

Kagami Taiga: Sim, se eu puder escolher o filme :D

— Nem acredito que você é meu agora, Taiga? — Himuro sorriu de orelha a orelha, mal contendo a alegria gigante que passeava por seu corpo há alguns dias. Ficara repetindo aquela frase para si mesmo o tempo todo, sentindo-se praticamente nas nuvens.

Sabia que Kagami estava inseguro com a decisão de dar um passo a mais, porém em breve se acostumaria com o fato de estarem juntos. Era óbvio que o ruivo ainda sentia alguma coisa por Aomine — que variava entre a mágoa e a paixão cega e burra —, no entanto isso não impidiria Himuro de fazer de tudo para que ele o esquecesse. Obliteraria Daiki da vida de Kagami em um piscar de olhos, apenas amando-o e cuidando dele. Seria seu protetor e ele novamente se apegaria à isso.

— Vou te fazer muito feliz Taiga. — Afirmou com um enorme e radiante sorriso, enviando a resposta que digitara imediatamente. — Agora você finalmente está no lugar certo. Ao meu lado.

***

Himuro Tatsuya: Como quiser. Por você aguento até ficção científica.

Notas finais
OK... Não foi um capítulo tão ruim, né? Acho que os outros foram piores... Eu acho! Mas, na dúvida, mantenham os machados bem guardados :DD Músicas de hoje: Alone Again, da Alyssa Reid... Sim, é uma música feminina, mas o refrão é o chute que o Aho levou na cara: https://www.youtube.com/watch?v=7oxIAO-4W-U // E Refrão de um Bolero - Engenheiros do Hawaii: https://www.youtube.com/watch?v=WxDn6X_68uw (acústico) e https://www.youtube.com/watch?v=DMD0aIYt3jw (original) Tá complicado né? Mas a Lana-chan precisa se explicar também... CALMA... Deixa eu falar, hehehehe! Sei que já conversei com algumas pessoas à respeito, e repeti constantemente: 'Antes de melhorar, precisa piorar'... Vou até dar um ctrl+C e um ctrl+V em um comentário que fiz no facebook: "Tudo na vida é uma questão de aprendizado, e o que mais nos faz crescer são nossos erros... A vida é assim, e geralmente aprendemos na base do coice! Só então percebemos que o orgulho, a raiva, o desprezo não nos levam à nada... E só quando perdemos alguém nos damos conta do quão idiotas e pequenos somos quando estamos sozinhos! Isso vai fazer o Aho evoluir... Agora é só uma questão da vida dar uma mão para o casal... E o Taiga, bem, ele não é do tipo que fica estacionado remoendo as coisas, apesar de sentir... A vida continua, e isso também é uma forma de evolução... Acho que sempre busco passar uma mensagem com minas fics, e a da Linha Tênue com certeza é o amadurecimento com os próprios erros o/" Então, galera, esperança o/ Vejo vocês por aí meus amores! Obrigada por me acompanharem até aqui, pelos comentários, favoritos e tuuudo o mais *o* Beijão enooooooooorme da Lana-chan! ;*******************************************