Notas iniciais
Oi pessoalzinho lindo, especial e cheiroso do meu coração!!! Tudo bem com vocês nessa noite de quarta-feira? Pois bem, que tal mais um capítulo? Há /o/ Não vou me enrolar muito por aqui não, só quero agradecer mais uma vez por todos os comentários lindos que vocês me deixam, e por estarem lendo, acompanhando, favoritando!!! Sério, vocês são especiais para mim xD Boa leitura meus anjinhoooos! Nos vemos lá em baixo com mais uma música linda de Arctic Monkeys xD

Segunda-feira

~Aomine Daiki~

O clima estava muito frio naquela manhã de segunda-feira, ainda mais quando se encontrava deitado em um chão úmido de cimento, à céu aberto. Seu habitual cochilo no terraço da escola era imprescindível para o dia ser aturável, mesmo no frio. O grande problema é que não estava conseguindo dormir direito, e isso não era normal — não quando se tratava de Aomine Daiki.

Sua mente estava muito acesa nesses últimos dois dias, parecia um dependente químico em abstinência. Ou já poderia considerar-se um chapado mesmo? Afinal, seus pensamentos iam e voltavam sempre no mesmo ponto, como um devaneio. Tudo era Kagami Taiga desde sábado.

A frequência com que o ruivo aparecia em sua mente depois daquele beijo era gritante, quase irritante — já que o assunto tirava seu sono. Isso levava Aomine a crer que poderia realmente estar começando a gostar de Taiga... Um pouco mais do que pretendia.

— Mas quase não faz sentido. — Murmurou para si mesmo com a voz arrastada, olhando as nuvens acinzentadas e densas serem empurradas facilmente pelo vento. — A gente conversa direito há apenas duas semanas, droga.

E já chegaram onde chegaram! O subconsciente gritou.

Realmente! As coisas aconteceram de forma extremamente rápida e natural, e agora os dois estavam bem próximos. Isso sem falar que tinham a mente muito parecida, os mesmos gostos para quase tudo, riam facilmente um com o outro e quase se matavam jogando basquete. Enfim... Não era algo impossível de acontecer, apenas inesperado e levemente peculiar, já que se odiavam tanto no início.

— É só atração! — Rebateu de forma convicta, fechando os olhos para intensificar sua batalha mental. — Sim... Só atração!

E era muita atração, tinha que concordar! Suas lembranças ainda estavam bem frescas. Praticamente conseguia sentir o gosto dos lábios afoitos de Kagami, o toque forte e decidido das mãos dele subindo por suas costas, o calor que seu corpo trêmulo e grande emanava... Céus, como aquilo foi bom, fazia tempo que não sentia algo assim! Aomine pensou, fechando os olhos com mais força, numa tentativa falha de voltar no tempo para recuperar outros detalhes.

A química entre ambos era tão palpável, até arriscava dizer que foi o melhor beijo que dera em sua vida. Para sua surpresa, Taiga não pareceu relutante em momento algum, nem mesmo quando as coisas estavam ficando mais quentes, por assim dizer. Isso era algo bem interessante...

Kagami com certeza era virgem — apostaria outro par de tênis nisso — mas mesmo assim ele não parecia querer parar... E Aomine também não. Bem pelo contrário, queria muito ter voltado para dentro do apartamento quente, atirado-o no sofá e continuado a partir dali, até acabar sabe-se lá onde!

Na verdade sabia muito bem onde iria acabar, e por isso foi embora. Mesmo não aparentando, Aomine pensava bastante antes de agir, pois não era do seu feitio se precipitar e tomar no meio do cu depois. Costumava analisar muito bem as coisas e ter certeza de que valeria o esforço.

Dando-se por vencido, o moreno soltou um longo suspiro, abrindo os olhos novamente. Já pensara demais no assunto e a conclusão era sempre a mesma... Estava começando a gostar de Taiga sim!

Aomine não permitia sequer imaginar-se com qualquer um, tinha que ser alguém merecedor e que realmente valesse a pena. Taiga mostrou que vale muito a pena, não apenas pelo beijo gostoso que sabia dar, mas por sua personalidade forte, sua determinação e sua forma interessante de pensar. Isso era o que mais contava, na verdade.

— Ele é bom o suficiente! — Murmurou com um meio sorriso, fazendo uma última soma rápida em seus pensamentos. Taiga não fugia de nenhum de seus pré-requisitos, pelo menos não aparentemente. Só era um idiota de vez em quando, mas até disso Aomine gostava! — Ok, fim de papo. Ele é meu!

O ruivo era extremamente gostável... Apesar de ser ele.

Seu corpo e sua mente agora praticamente imploravam por mais uma dose de Kagami Taiga. Isso o fez rir... Talvez realmente virara um dependente químico em abstinência. O ruivo era do tipo viciante.

— Ok, só mais algumas horas, Taiga... — Murmurou, fechando os olhos. Finalmente conseguiu cochilar um pouco.

***

~Kagami Taiga~

Estava extremamente frio na sala de aula, isso sem falar que cada minuto daquela manhã parecia levar outros cinco para passar. Na opinião de Kagami, tédio tornou-se um apelido muito carinhoso para a situação. Seus bocejos eram inevitáveis, principalmente quando se ouvia a voz ritmada e chata do professor de Física na frente da sala.

O homem magrela parecia explicar algo sobre Movimento Harmônico Simples, mas Kagami só sabia disso porque estava escrito na lousa — desistira de prestar atenção nos primeiros cinco minutos da aula.

O único movimento harmônico simples que conseguia imaginar era o da língua de Daiki em sua boca.

Aomine Daiki... Aomine Daiki... Aomine Daiki! Era só isso que tinha em mente agora? O ruivo perguntava para si mesmo pela milésima vez, fazendo rabiscos aleatórios em seu caderno, pelo menos para fingir que estava estudando.

Não tirava o desgraçado da cabeça desde sábado. Desde sexta, na verdade, mas a coisa ficou pior no sábado, quando se beijaram. Pior não, melhor — muito melhor! O ruivo já não sabia mais como julgar a situação, estava eufórico demais.

Sua maior suspeita era que realmente começava a gostar daquele idiota. Mas era apenas uma suspeita...

Na verdade não era bosta nenhuma de suspeita! Kagami pensou novamente, com um suspiro, fazendo um desenho nada proporcional de uma bola de basquete no canto da folha. Claro que estava gostando de Aomine, a quem queria enganar? Seu sorriso bobo denunciava aquilo o tempo todo, assim como sua pressa para que finalmente chegasse as 18h dessa maldita segunda-feira que parecia se arrastar.

Kagami passara o domingo — infinito — zanzando de um lado para o outro em sua casa, quicando a bola de basquete no assoalho numa tentativa inútil de se distrair. Nevava demais para jogar basquete na quadra, não encontrara nada de interessante passando na televisão e não havia ninguém online com quem pudesse conversar. Novamente, tédio foi um apelido carinhoso.

Pelo menos o torpor deu bastante abertura para que pudesse pensar em tudo, mas era informação demais para sua cabeça lerda! Kagami se achava burro ao extremo quando se tratava de relacionamentos ou afins. Era tudo muito complexo.

No início de seu raciocínio, encontrou apenas caraminholas sem sentido. Sua mente vagava de Himuro para Aomine o tempo todo e a comparação foi inevitável. Felizmente, Kagami conseguiu chegar a uma conclusão satisfatória!

O que sentiu com o beijo de Aomine foi totalmente o oposto ao que sentia nos beijos de Himuro... Foi natural, sem receios e muito mais intenso. Sim, foi infinitamente melhor!

Era um verdadeiro alívio, pois Kagami pôde finalmente deduzir que confundira as coisas com Himuro na época... E até hoje confundia, para falar a verdade. Tatsuya era apenas seu irmão, o sentimento que tinha por ele se resumia a isso! Já Daiki... Bem, ainda não sabia exatamente o que Daiki significava para si, mas ele se tornou muito próximo em pouco tempo e roubava várias horas de seus pensamentos.

Na verdade gostava dele e mal esperava para vê-lo mais uma vez!

A situação chegava a ser cômica. Quando na vida Kagami Taiga se imaginou sequer conversando amigavelmente com o Aomine Daiki? Lembrava-se de quando sentia vontade de socar cada centímetro do corpo dele.

Realmente o odiava, e nem fazia tanto tempo assim. E agora isso? Depois de se tornarem próximos de repente, beijaram-se de forma épica no corredor de seu prédio... Chegou inclusive a sentir uma pontada de tesão por ele naquele momento! O ruivo fechou os olhos e quebrou a ponta do lápis ao pensar nisso, mas era a mais pura verdade.

Tudo bem! Estava acontecendo de forma natural, não é? Nada era forçado, então tudo bem! Odiava situações que o faziam pensar demais nos pontos negativos. Percebeu que com Himuro era assim, mas com Daiki não.

Kagami terminou de apontar o lápis e então olhou novamente para o celular, que estava jogado dentro do penal. Impossível ter passado apenas dez minutos desde o começo da aula. Era sacanagem! Jamais chegaria 18h daquele jeito. Saco!

Queria muito ver Aomine novamente, jogar basquete com ele, conversar até tarde sobre qualquer merda, mas principalmente beijá-lo e sabe-se lá mais o que. Era mais do que uma simples vontade agora...

E sinceramente, não tinha medo de onde iriam parar.

***

— Tudo bem, Kagami-kun? — Kuroko perguntou intrigado, ao vê-lo dirigir-se meio apressado ao vestiário após o treino com a Seirin.

— Sim! — O ruivo ergueu uma das sobrancelhas, colocando a bolsa com certa violência em cima do banco de madeira.

— Você nunca toma banho aqui... — Ele comentou distraidamente, enquanto os outros adentravam o vestiário também.

— Ah... Mas hoje eu vou. — O ruivo balbuciou, não conseguindo esconder a pressa ao pegar outro par de roupas, previamente selecionadas, na mochila.

— OK! — O menor disse, também retirando uma roupa de sua própria bolsa. — Quer ir ao Maji Burguer depois?

— Ahn... Eu vou jogar basquete com o Daiki! — Kagami respondeu com o tom de voz mais calmo e disfarçado que conseguiu, pegando uma das toalhas que estavam guardadas há meses em seu armário. O cheiro delas não estava muito bom, já que realmente nunca tomava banho na escola, mas dane-se.

— Hm, entendi! — Kuroko sorriu de canto, entrando em um dos boxes após colocar seu par de tênis embaixo dos bancos. — Deixamos para a próxima.

— Sim. — Kagami disse, coçando a nuca, também adentrando um dos compartimentos. Ligou distraidamente o chuveiro enquanto tirava sua roupa suada, estendendo-a por cima da porta. — Podemos ir amanhã.

— Claro! — O menor soltou uma curta e enigmática risada, que ecoou brevemente pelo vestiário.

Kagami não perdeu tempo tentando decifrar o que aquilo significava, concentrou-se apenas em tomar o melhor e mais rápido banho de sua vida, pois não queria chegar atrasado. E muito menos fedendo.

***

— Até amanhã, Kagami-kun! — Kuroko se despediu, indo para o lado esquerdo da rua. — Bom jogo para vocês dois.

— Valeu Kuroko, até amanhã! — O ruivo acenou ao virar-se para a direção oposta. Começou a afagar os fios ruivos e úmidos numa tentativa de acelerar sua secagem. E ajeitá-los, claro.

Seguiu apressado pelo caminho já decorado por seus pés, mal ligando para o vento gelado que quase cortava seu rosto, mesmo que ele estivesse parcialmente encoberto pelo cachecol. Morreria de frio jogando basquete!

O ruivo colocou os grandes fones de ouvido e selecionou um álbum de Arctic Monkeys para ouvir durante seu trajeto. Nunca a banda foi tão interessante para Kagami... Costumava ser apenas algo que o distraía quando não tinha mais nada para ouvir, e agora era praticamente uma das poucas coisas que escutava.

Sim, tinha total ligação com o fato de ser uma das bandas preferidas de Daiki.

Andava distraído ouvindo a melodia viciante de R U Mine?, pensando em como queria chegar voando naquela maldita quadra. Como será que Daiki iria reagir quando se encontrassem? E o que deveria falar quando o visse?

De repente sentiu um puxão forte em sua blusa, tirando-o de seus recém começados devaneios. Kagami freou, alarmado, e virou-se imediatamente para olhar o responsável. Não pode esconder o susto ao fitar o rosto dele, centímetros abaixo do seu.

— Tatsuya... — Murmurou, removendo imediatamente os fones e apoiando-os em seu pescoço. Foi impossível não sentir o coração acelerar no instante que encarou aqueles olhos acinzentados e tão conhecidos.

— Uau. Você é bem difícil de encontrar, Taiga! Só casualmente mesmo! — Himuro sorriu radiante, estendendo o punho para que atingisse. — Tudo bem com você?

— Ah... Tudo! — O ruivo retribuiu o gesto, sentindo a garganta secar brevemente. — E com você?

— Também! — Tatsuya comentou, indo para o seu lado, para que caminhassem juntos. — Como sempre, Kagami Taiga ouvindo música alta! — Ele soltou uma risada abafada. — Estava te chamando há um tempão, mas logo deduzi que você jamais me escutaria. Certos hábitos nunca mudam, não é?

— É... Foi mal. — O ruivo sorriu um pouco sem graça, coçando a nuca. — Não te ouvi mesmo.

— Tudo bem. O que está escutando aí? — Ele perguntou de forma simplória, dando de ombros.

— Arctic Monkeys. — Respondeu, olhando para frente, numa tentativa de mascarar seu desconforto.

Aquilo estava estranho, muito estranho. Era a primeira vez que se encontravam desde a Winter Cup e não estava realmente um clima agradável. O que ele queria? E porque justo hoje? Parecia realmente ser uma praga... Logo agora que começava a superar!

— Ah, o último álbum deles, AM, é o melhor. — Ele disse, jogando a franja densa e escura para o lado com um maneio de cabeça.

— Estava ouvindo esse mesmo. — Kagami concordou, colocando as mãos nos bolsos. — Ahn... Então...

— Ah sim, faz tempo que estou te procurando para conversarmos! — Tatsuya disse, olhando para cima, na direção de Kagami. — Vai fazer algo agora ou está indo para casa?

— Na verdade estou indo jogar basquete. — O ruivo respondeu, sem ter coragem de virar o rosto para encará-lo. Sempre dera essa mancada no passado.

— Como sempre. Mas por essas e outras que você foram campeões, não é? — Ele disse com um meio sorriso. — Não tem problema. Vai jogar na quadra próxima ao Maji Burguer?

— Sim! — Respondeu, ajeitando a mochila nos ombros.

— Te acompanho até lá então! — Tatsuya afirmou, dando um leve tapa em seu braço. — Sinto falta de você, Taiga! A gente costumava ser bem mais unido.

— Hm... Pois é! — Kagami sentiu o coração pular um pouco ao ouvir aquilo. Claro que eram bem mais unidos, se beijavam na boca, porra! — Faz um tempão que não conversamos direito.

— Exatamente! — Ele disse, virando a esquina com o ruivo. — Temos que marcar alguma coisa para fazer qualquer dia desses.

— Sim!

— Ah! Vai passar o Natal aqui ou na América? — Himuro perguntou de repente, brincando com o anel em sua corrente do pescoço. Parecia fazer aquilo por querer.

— Tudo indica que vou para a América, passar com meus pais. — Kagami respondeu, olhando para a própria corrente, que sobressaía-se por debaixo do cachecol escuro. Desviou o olhar rapidamente para a quadra de basquete mais a frente.

— Legal! — Himuro falou satisfeito, também olhando para a quadra. — Ei, aquele lá é o cara da Touou, não é?

— Sim, o Daiki! — Kagami disse, olhando fixamente para o moreno. Era impossível não sorrir, mesmo tentando disfarçar. — Sempre jogo com ele depois dos treinos.

— Sei... Achei que vocês não se davam muito bem. — O menor estreitou brevemente os olhos, parando de andar. — Enfim, vou ficando por aqui.

— Certo! — Kagami parou também, virando o corpo para olhar o irmão. — A gente se fala Tatsuya.

— Sim! — Ele sorriu, lançando outro olhar para a quadra antes de encarar Kagami. — Parece que vamos ter bastante tempo para conversar nas férias. Vou para a América também.

— Ah... — O ruivo ficou sem reação por alguns segundos e engoliu em seco pensando nas diversas formas daquela viagem para L.A. dar errado. Mas não permitiria, não mais! Sorriu por fim, confiante. — Com certeza! Vamos nos cruzar várias vezes por lá.

— Vamos sim Taiga, tenha certeza disso! — Ele respondeu satisfeito, estendendo o punho. — Bom jogo com o... Daiki!

— Obrigado! — Kagami agradeceu, socando a mão dele. Sentiu novamente as borboletas frenéticas preenchendo seu estômago quando ouviu o nome do moreno, mas fez questão de ignorar o tom estranho que Himuro usou ao pronunciá-lo. — Até mais Tatsuya.

— Até! — Ele disse brevemente com um aceno, afastando-se na direção de onde vieram.

O ruivo observou Himuro desaparecer pela esquina, em silêncio. Droga, porque diabos ele teve que surgir de um buraco justo hoje? Pensou, levando os dedos até o anel pendurado em seu pescoço. Por mais que afirmasse que Tatsuya era apenas seu irmão, não sentiu-se 100% seguro disso no instante em que o viu!

Lógico que aquele sentimento estranho não sumiria do dia para a noite, mas pelo menos agora Kagami sabia qual caminho seguir para que isso acontecesse... E olhou justamente para ele. Daiki ainda arremessava com precisão, como sempre.

Novamente o sorriso voltou a brincar em seus lábios. Os movimentos disformes de Aomine em quadra afastaram Himuro de sua mente, na mesma velocidade em que afastava os dedos do anel em seu pescoço.

Mordendo os lábios, Kagami recomeçou a andar a passos largos, diminuindo a pouca distância que o separava da pessoa com quem queria estar agora. Seu estômago revirava de ansiedade, e aquilo apenas provava que poderia muito bem seguir em frente.

***

~Aomine Daiki~

O moreno não precisou virar-se para saber que Kagami acabara de adentrar a quadra. Apesar do silêncio dos passos, a presença dele era extremamente forte e marcante, qualquer um perceberia.

Aomine engoliu brevemente a saliva que acumulou-se em sua boca, tentando manter a compostura. Nada de virar menininha só porque estava esperando essa hora chegar desde domingo! Como sempre, Daiki armou seu melhor sorriso de canto e virou-se para olhá-lo.

— E aí, Taiga!

— Oi! — O ruivo sorria da mesma forma, mas havia algo diferente em sua expressão. Era indecifrável. — Hm... Está aqui faz tempo?

— Acabei de chegar. — Aomine mentiu, apoiando a bola na lateral do corpo ao observá-lo deixar a mochila e o cachecol no chão, próximo às suas coisas. — Mas você está atrasado.

— Peguei seu vírus! — Kagami disse de forma simplória e debochada, tirando a jaqueta também. — Acho que é a convivência.

— Claro... — Daiki soltou uma risada abafada. Era um idiota mesmo.

Kagami virou-se e veio andando em sua direção com a mão estendida, para que o moreno passasse a bola. Aomine não o fez, apenas esperou ele chegar perto o suficiente para que pegasse o objeto sozinho. Kagami abaixou o braço e de fato aproximou-se, parando em sua frente.

— Quer começar no ataque ou na defesa hoje? — Aomine perguntou, encarando os olhos rubros.

O cheiro bom de Taiga invadiu violentamente seu olfato naquele instante, trazido pelo vento gelado. Não chegava a ser um aroma cítrico e nem mesmo amadeirado... Era a mistura dos dois, talvez. O agradava muito.

— Ataque. — Kagami disse com um tom de voz baixo e perigoso, sem desviar o olhar.

Como previsto.

Taiga simplesmente era o cara mais intenso que já conhecera na vida! Aomine poderia agarrá-lo ali mesmo sem pensar duas vezes, e deixar o basquete para outro dia... Mas ainda não era o momento de fazer algo assim, não era um cara completamente impulsivo.

— Ótimo! — Daiki sorriu de canto, deixando a bola rolar por seus dedos na direção da mão de Kagami. — Boa sorte, Taiga.

— Não preciso de sorte! — Ele disse com um sorriso confiante, já quicando a bola no chão, pronto para atacar.

***

Pela primeira vez na vida, Aomine Daiki estava tendo dificuldades em uma partida de basquete. Não que Taiga tenha adquirido um superpoder capaz de furar milagrosamente sua defesa — isso jamais aconteceria —, mas a situação como um todo o distraía.

A proximidade entre seus corpos quentes, os olhares intensos que o ruivo o lançava, os sorrisos provocantes e desafiadores que não paravam de surgir naqueles lábios... Entretanto o que mais confundia os sentidos de Aomine era o cheiro gostoso que a pele dele exalava, misturando-se ao da transpiração. Lembrava o aroma inconfundível de sexo.

Quem olhasse o jogo de fora jamais perceberia esses sutis detalhes, mas para Aomine estava se tornando praticamente insuportável e irresistível. Basquete não era um esporte sexy, por assim dizer, mas Taiga conseguia o impossível. Ele tinha mais sex appeal do que realmente aparentava... Mesmo sendo um monte exagerado.

— O que foi, Daiki? — O ruivo provocou, recuando um passo, em busca de uma abertura. — Está distraído com alguma coisa?

Sim, com essa gota de suor escorrendo por seu queixo, passando por seu pescoço e descendo por dentro de sua camiseta... Aomine pensou, agachando-se melhor para defender. Queria estar no lugar da gota.

— Eu nunca me distraio! — Mentiu.

— Claro que não! — Kagami sorriu, aproximando-se rápido, ainda durante o ataque.

A respiração de Daiki tornou-se falha por míseros dois segundos, assim como todos os seus músculos. Taiga chegou perto para valer, à poucos centímetros de sua boca... Jurava que o ruivo iria beijá-lo ali, mas se enganou amargamente.

Após captar os milésimos de desatenção de Aomine, Kagami fez uma finta ágil e passou por seu lado, rindo como um idiota. Um idiota triunfante.

— Filho da puta! — O moreno exclamou incrédulo, virando-se rapidamente em uma tentativa de recuperar a dignidade.

Tarde demais. Ele já pulava para enterrar, empolgado como sempre.

— Aê, caralho! — Kagami vibrava alegre, pendurado no aro com as pernas balançando. A bola quicou no chão e rolou para longe, mas pela primeira vez em duas semanas não foi por causa de um toco de Daiki.

— Golpe baixo! — Aomine estreitou os olhos, aproximando-se do ruivo, que aterrissou pesadamente no chão de cimento. — Essa cesta não vai contar.

— Não quebrei regra nenhuma. Vai contar sim! — Ele virou-se e riu inocentemente, mostrando os caninos pelo canto dos lábios. — Acabei de passar por você, otário.

— Acabou de trapacear! — Aomine o corrigiu de forma divertida, empurrando-o pelo tórax em direção à grade, até o barulho estridente do impacto soar. Encarando-o, aproximou um pouco os lábios de ambos e sussurrou: — E você sabe disse, não sabe?

— Mas não era você o cara que não se distraia? — Ele ironizou, um pouco relutante com a proximidade, mas permaneceu sustentando seu olhar de forma firme.— Eu consegui, Daiki. Agora o tênis é meu.

— Sim, você realmente conseguiu! — O moreno sorriu de canto, roçando suavemente os lábios de ambos. — Agora você é meu, Taiga.

— Ahn... Sou? — Ele murmurou surpreso, tanto pela a resposta quanto pela atitude repentina. Sua respiração tornava-se mais pesada a cada instante, indo de encontro com a face gelada do moreno. Provocava pequenos e deliciosos arrepios.

Taiga era intenso e nem fazia ideia disso!

— Sim! — Aomine confirmou, segundos depois, tomando a boca dele em um beijo necessitado. Já não aguentava mais a privação, precisava sentir de uma vez por todas o gosto daquela boca. Foda-se se estavam no meio de uma quadra de basquete de rua. Aquele canto era escuro o suficiente...

Taiga também não pareceu se importar com o local, pois entreabriu os lábios e retribuiu o beijo na hora, puxando-o com força pela roupa, colando os corpos quentes e ainda repletos da adrenalina do jogo. Aomine já não tinha mais tanta certeza de que ele era virgem, pois agia com muita certeza para alguém tão inexperiente.

Envolvido pela situação, Daiki apoiou os braços na grade e pressionou o corpo de Kagami contra a mesma, intensificando o movimento de sua língua afoita. A boca de Taiga era perfeita para beijar, e sua saliva tinha um gosto delicioso que apenas o deixava mais desorientado ainda! Era viciante. Ele era viciante.

Um curto e rouco gemido de Kagami cortou o silêncio no momento em que o pressionou com mais força ainda, encostando completamente os corpos — desde o tórax até as pernas. Aquele som foi bem excitante, e provocou o início de uma deliciosa ereção entre suas pernas, que crescia mais e mais conforme as línguas se tocavam. Taiga percebeu, com certeza, pois sorriu um pouco durante o beijo.

O ar começava a faltar, para seu desapontamento. Ainda precisavam respirar, droga... Era algo fácil de esquecer numa situação daquelas.

— Chega de basquete? — Aomine perguntou ironicamente, afastando-se poucos milímetros para encará-lo, um pouco ofegante.

— Chega. — Kagami sussurrou com um meio sorriso. Sua boca estava levemente inchada devido ao beijo, deixando-o mais sexy ainda.

— Quer ir ao Maji? — Aomine perguntou, torcendo pela negação, encarando os olhos vermelhos e próximos de seu rival... Ou seja lá o que ele for agora.

— Não! — O ruivo sorriu de uma forma bem provocante, puxando Daiki pela cintura para que novamente chegasse mais perto de seu corpo, apertando-o contra si.

Sentiu a ereção de Taiga roçar sua virilha com o contato, e aquilo pôs um fim instantâneo em sua sanidade. Uma corrente elétrica percorreu seu corpo com violência, concentrando-se em seu membro, instantaneamente. Céus, como queria aquele miserável!

Aomine nunca reagiu dessa forma por tão pouco. Foi só um beijo, caralho! Isso sem falar que jamais fizera nada do gênero em público — sempre soube esperar pelo momento e local certo. Mas não hoje. Não quando Kagami o encarava daquele jeito, com os lábios minimamente entreabertos, sendo mordidos de forma inconsciente, como se fosse um pedido silencioso por mais... Tão convidativo...

Hoje Aomine não iria embora!

— Taiga... — Daiki murmurou aleatoriamente antes de beijá-lo mais uma vez, inserindo a língua em sua boca com mais calma agora.

Queria conhecer melhor cada detalhe, descobrir tudo o que Kagami Taiga tinha a oferecer. Não havia nenhum motivo para se precipitar, no final transariam de qualquer forma. Seria infinitamente mais gostoso se aproveitasse cada segundo.

***

~Himuro Tatsuya~

Seu dia já não estava sendo dos melhores, afinal, quem gosta de segundas-feiras? As aulas estavam cada vez mais exaustivas e tensas, pois as provas se aproximavam e a pressão em cima dos alunos do segundo ano começavam a ganhar forma. Não queria nem pensar no ano seguinte, quando de fato teria que escolher uma vocação. Por enquanto ainda tinha o basquete para distraí-lo.

Entretanto, tudo melhorou magicamente em sua tarde, quando encontrou-se — não tão casualmente — com Taiga. Há dias tomava o caminho mais longo para casa, apenas para passar por perto de Seirin e ter a chance de vê-lo... Hoje teve sorte.

Bem, nem tanta.

Deduziu que caminho até Kagami seria bem mais longo do que estava esperando...

O ruivo se armou bastante enquanto conversavam, parecia travado e desconfortável... E isso era algo muito ruim! Sentia falta da antiga liberdade que tinham um com o outro. Agora precisava reconquistar a confiança dele antes de qualquer coisa.

Bem, teria as férias inteiras para isso, já que ambos estariam juntos em L.A. — e longe de qualquer possível imprevisto, por assim dizer.

***

— Atsushi, que tipo de pessoa é Aomine Daiki? — Himuro perguntou ao telefone, após alguns minutos de ladainha sobre qualquer coisa.

Precisou de uma longa introdução antes de atingir o objetivo de sua ligação. O amigo até parecia meio débil de vez em quando, mas não era nada burro.

— Hm, Aomine-chin? — Murasakibara resmungou confuso do outro lado da linha, com a boca cheia de algum doce, no mínimo. — Por...?

— Esbarrei com ele hoje e fiquei curioso. — Tatsuya murmurou, virando inutilmente a página de seu caderno de Química. Não conseguiria estudar enquanto não obtivesse uma resposta completa.

— Ele era o ás na Teiko. — Atsushi resmungou do outro lado da linha, nitidamente entediado. — É preguiçoso, come bastante... Hm... Gostava de revistas de mulheres...

— O que mais? — Himuro insistiu, aliviado com a última frase, mas não satisfeito.

— Quer saber o quê exatamente?

— Ele tem namorada? — Perguntou, jogando toda a farsa para o alto em questão de segundos. Sua impaciência não o deixava se enrolar demais.

— Hm... Não sei. Acho que não... — Atsushi comentou com a voz arrastada. Parecia concentrado em alguma outra coisa, levemente alheio ao assunto. — Para ser sincero, acho que ele era namorado do Kise-chin... Não sei mais.

— Ele... Gay? — Himuro se alarmou instantaneamente, quase rasgando a folha de seu caderno.

É, seria realmente um grande imprevisto. Não imaginou que haveria um rival no meio do caminho.

— Parece que sim, já que saía com o Kise-chin... Akashi-chin me contou uma vez. — Ele colocou alguma coisa na boca ao responder. — Por que tanto interesse?

— Conheço uma pessoa que está gostando dele. — Himuro disse a primeira coisa que veio em sua cabeça, e não era realmente uma mentira. — Enfim, vou desligar.

— Boa noite Muro-ch... — A voz preguiçosa de Mursakibara foi sumindo quando afastou o telefone do ouvido, desligando sem se despedir. Agradeceria no outro dia, se lembrasse.

— Droga! — Tatsuya suspirou, dobrando os braços em cima de sua escrivaninha, apoiando ali seu rosto. — Não contava com isso.

Himuro deduziu sozinho que havia algo estranho naquela situação na quadra, mais cedo. Desde quando Taiga tomava banho e passava perfume para jogar basquete? Isso sem falar naquele sorriso besta que surgiu em seu rosto quando viu Aomine arremessando como um idiota. E ele ainda o chamava pelo primeiro nome! Daiki! Odiou ouvir aquilo saindo pelos lábios dele...

Tatsuya conhecia Kagami o suficiente para perceber que ele estava gostando do cara! Se estavam juntos já não sabia. Torcia negativamente!

— Não vou te perder assim, Taiga! — Tatsuya sibilou desanimado para o ar, passando os dedos no anel em seu pescoço. — Eu sei que você não me esqueceu ainda. Não é?

A dúvida bateu quando se perguntou aquilo. Viu nos olhos rubros uma pontada de confusão quando se encontraram, mas será que ele ainda sentia algo? Ou realmente decidiu seguir em frente e superar o que tiveram?

— Calma Tatsuya, aja como sempre! — Disse para si mesmo, ajeitando-se na cadeira, fechando calmamente o caderno de Química. — Vocês passarão as férias inteiras juntos, terão tempo para resolver tudo.

Apesar de aquele conjunto de hipóteses o deixar um pouco inseguro, Himuro não desistiria de Kagami jamais, por nada! Sabia que o que tinham antes era forte, tanto é que perdurava até hoje.

Agora estava na hora de pedir desculpas pelas atitudes egoístas que teve no passado e se abrir de uma vez por todas com o ruivo. O teria de volta!

— É isso aí! — Murmurou, erguendo o celular e digitando uma mensagem de boa noite para Kagami.

A mensagem que não foi respondida instantaneamente. Como sempre.

Ele ainda deveria estar jogando basquete ou... Bem, não queria nem pensar no que ele poderia estar fazendo com Aomine Daiki naquele momento.

...

Notas finais
E vocês? Imaginam o que Kagami Taiga poderia estar fazendo com Aomine Daiki naquele momento? OK, me matem... Hahahahah! Sei que eu fui uma verdadeira "empata-foda" cortando a cena dos dois se pegando na grade para colocar as divagações inseguras do Himuro... Hahahahah! Mas ó, prometo que vou ser bem generosa no próximo capítulo, se é que me entendem ( ͡° ͜ʖ ͡°) Huhuhuhu! Ok, resuminho básico... Tanto Bakagami quando Ahomine estão começando a sentir algo (além de tesão, por assim dizer), but a wild Himuro appears!!! Ele deixou o ruivo um pouco... Confuso? Well, veremos como funciona a cabeça oca do Taiga, que nesse momento só está concentrado em beijar a boca gostosa do Nigga... Sim, sentindo o gosto da língua que todos nós desejamos... Choremos! Hehehehe! Música do capítulo... R U Mine? - Arctic Monkeys: https://www.youtube.com/watch?v=VQH8ZTgna3Q (Alex, não seja assim tão bonitinhoooooo ò_ó - Ele me seduziu nesse clipe, sério... Ao vivo então, ai ai...) Espero que estejam gostando! Obrigada por tudo pessoalzinho... Sério, vocês tornam tudo isso aqui muito foda o/ Obrigada! Nos falaremos mais nos comentários, ok? *o* Enfim, até o próximo meus amores!!! Beijão da Lana-chan! ;***********************************************