Limites
1 Prólogo
Não tinha reparado até agora, pensando no teu sorriso, o quanto eu estava com saudade de ti. Faz um bom que não escrevo, perdão, você sabe, não pela demora, mas por voltar escrever para ti. Eu posso me justificar: amar é algo novo pra mim. E aquela velha história de que o primeiro amor a gente nunca esquece, não me orgulho em concordar. Eu não consigo te esquecer. E isso tem machucado. Muito. Sentir tanto não é algo comum. Isso não acontece todos os dias, nem com todos os garotos. Estamos longe agora, eu mentiria se dissesse que isso não me incomoda só que essa noite, não foram as mensagens não respondidas que me tiraram o sono, eu pensei durante toda a madrugada, em algo que li por ai "Tudo o que é seu encontrará uma maneira de chegar até você." Será que meu coração vai voltar pra ti também?
E, se algum dia você vir isso, todos os emails, cartas com caligrafia borrada, foram por você, só pra você, coloquei nisso tudo que não fui capaz de dizer olhando em teus olhos, quando eu não fui capaz de te pedir para ficar. Só para o caso de “algum dia…”.
Fechei o laptop e olhei para janela ao meu lado. Eram pouco mais de cinco da tarde e já se via o sol ir embora. Essa hora do dia nunca me trouxe bons momentos. Não gosto do anoitecer, particularmente. É como ter a insensível certeza de todas as coisas que virão com ele. As memórias, a ausência de paz a qual me encontro nesses últimos dias.
Fechei meus olhos e suspirei quando aquele aperto no peito apareceu de novo. Não sei bem porque isso permanece aqui, é saudade, medo, insegurança. Eu estou cansada, de tudo.
Quando a gente se fere feio, demora um tempo pra se recuperar, ficamos com cicatrizes que jamais serão apagadas, essa não vai ser. Mas no fim, sei que vou sobreviver, basta superar e continuar.
No ano passado, fiquei com meu melhor amigo. Ele só era lindinho demais, carinhoso demais. Quem dera eu ser só um pouquinho menos sensível, ingênua... Durou cinco meses. Contei aos meus pais, os dele nos queriam juntos. Chorei por saber que no fim do semestre teria de me despedir, só que isso veio antes, o adeus veio antes.
Era pra ser pra sempre, até o fim, esqueceram de avisar, que o pra sempre acaba sim, ele esqueceu do eu te amo que deixei no ar. "A gente não dá mais certo" Eu estava mais magoada do que dei a entender, "Isso, concordo, amigos então" e, fui embora, não ouvi sua voz novamente, perdi seu número, o contato, e desde então não o vi outras vez. A gente lembra das pessoas pelos sentimentos que elas deixam conosco. E quanto maior o sentimento, maior ela será na lembrança.
Estou me fazendo de forte, sabe? Mas aqui dentro, dói tanto.
Eu sou egoísta, mas eu pensei em dividir a minha vida com ele. De verdade.
Uma das primeiras coisas que aprendemos na vida é que o tempo cura, mas a questão é, quanto tempo? Ou até, porque o tempo? Que o tempo nos perdoe, por colocarmos ele para resolver tantos coisas.
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