Notas iniciais
Promessa é divida amores...

POV SAMUEL

Depois de tudo que aconteceu eu deveria está feliz, afinal Jesse e Emma se separaram e ele já está envolvido com a herdeira Cavendisk. É inacreditável como ele sempre se dá bem. Agora está com uma mulher mais bonita e mais rica. Eu não sei o que de fato está rolando entre os dois, mas Jesse vive correndo atrás dela. Deve ser mais uma para se divertir. É a unica coisa que ele sabe fazer com as mulheres.

O mais esquisito é que o caminho ta livre com Emma. Mas não sinto vontade de cortejá-la. Ao contrário, eu até disse a ela para lutar por Jesse se o ama de verdade. Ah bem da verdade é que não fui atrás dela, estou em um processo de me entender primeiro. Eu a magoei e sei que no fundo ela não me perdoou. As consultas com Jhon Flynn Junior estão me ajudando nesse processo. A minha cabeça vive em um turbilhão, é como se eu estivesse perdido nesse mundo, sem saber para que lado ir. Continuo a trabalhar na Grey, mas sou como um fantasma ali, apenas observador. Ninguém nunca vai entender o que eu sinto ao ver a interação entre Theodore e Jesse, é a relação de pai e filho que eu sempre sonhei e nunca vou ter.

Theodore admira Jesse. E por mais que eu tente ser indiferente como meu irmão Eduard ( porque não é possível que ele não perceba que somos os filhos bastardos), eu não consigo. Dói tanto que flagela em mim.

Edu se casou e está feliz, já está esperando o primeiro filho, é tão apaixonado pela esposa que acredito que duelaria com o mundo para vê-la sorrir. E eu o invejo. Ele conseguiu ter uma relação com nossos irmãos, um pouco com o próprio pai, desafiando-o e prevalecendo sua vontade, se tornou musico e dono de sua própria vida. Eu também queria poder desafiar o mundo.

Ella quase teve um aborto. Quando Edu me ligou contando, percebi que sua voz tremia um pouco. Se Edu tiver alguma fraqueza ( coisa que eu duvido muito), é Ella e seu filho. Senti ainda mais inveja pela família e amor que ele tem. Ele não precisa do amor de Theodore, ele tem o amor próprio e agora de sua própria família.

Hoje ele me ligou pedindo que fosse em sua casa, que gostaria de conversar comigo. Tentei marcar em um restaurante, mas ele argumentou que precisa ficar de olho em Ella que só para irritá-lo faz tudo que é proibido pelos médicos. Sorrio com isso. Posso imaginar meu irmão sempre tão calmo e compenetrado enlouquecido por aquela mulher. No fim achei a idéia boa, assim poderia fazer uma visita a minha cunhada e quem sabe me aproximar mais deles. Ando tão distante dele e é o único que me ama incondicionalmente.

Assim que chego á sua casa, uma bela mansão ( primeira vez que venho aqui), a angústia toma conta de mim. Aqui é um lar, todo decorado pelas mãos de uma mulher, pela esposa do meu irmão.

__ Samuca! Achei até que tinha esquecido que tem irmão. – Edu me saúda com um sorriso.

__ Desculpe Edu. Ando mesmo desligado. –nos abraçamos forte. __ E Ella?

__ Está bem. Me irritando ao extremo. –ele diz se fazendo de exasperado, mas eu sei que é brincadeira, seus olhos brilham.

__ Gostaria de vê-la.

__ Claro. Mas depois. Agora vamos a biblioteca, tem outra pessoa aqui que quer te ver também.

Sigo-o sem entender nada. Outra pessoa? Quem?

Quando entramos no ambiente decorado por várias estantes de livros e em cores claras, detecto a outra pessoa e sorrio.

__ Meu neto ingrato. – Vô Christian se levanta e me abraça.

__ Vô. Não esperava te encontrar aqui.

__ Vim ver minha neta e meu bisneto. –ele diz sorrindo. __ Edu me disse que você viria e decidir te aguardar. Acho que precisamos ter uma conversa seria.

__ Desculpe a minha negligencia. E vó Ana como está?

__ Triste por seu neto mais velho sumir, não ir nos ver e ainda está com esse olhar tão perdido. –ele está me repreendendo. Ás vezes me esqueço de como ele é duro.

__ Eu sei... –digo baixo.

__ Sente-se Samuca. –Edu diz nos servindo um café.

__ Estou curioso. O que meu avô e meu irmão querem conversar comigo?

__ Sobre você. Suas escolhas. Sua vida. – Meu avô esclarece.

__ Acho que esse é um problema meu. –digo friamente.

__ Não. Esse problema deixa de ser seu quando você fere as pessoas ao seu redor. – Edu é frio também.

__ Até você Eduard? – minha voz soa indignado.

__ Principalmente eu Samuel. Estive tão envolvido em minha própria vida, casamento, filho e o gênio de Ella que acabei deixando passar algumas coisas. Você não está bem há algum tempo. Essa sua competição com Jesse, sua obsessão com empresa e o desprezo pelo nosso pai está te consumindo.

__ Eduard não quero discutir essas coisas...

__ Mas iremos. –meu avô se manifesta. __ Seu irmão andou procurando uma forma de te ajudar conversou comigo e acredito que podemos te ajudar sim.

__ Ajudar a quê? – Estou ficando sem paciência.

__ A começar sua vida Samuel. Está na hora de você ter atitude. Chega de ficar só observando Jesse crescer enquanto você se destrói. Em caminhar com suas próprias pernas. –Edu me encara.

__ Já estou sabendo que Jesse ganhou 50% das ações da empresa. –meu avô fala chateado. __ Aquela empresa foi minha vida. Eu preparei Theodore para assumi-la e continuar meu legado. Eu sabia que ele faria o mesmo com seu filho, no caso seus filhos. Há muito tempo entreguei a parte de cada um dos meus filhos, exatamente para que eles fizessem o que bem desejasse dessa empresa. Ana passou a Editora para Alexa. Tudo tinha dado certo. Até o momento que Phoebe vende suas ações e Theodore permite que fique com seu caçula. E isso travou uma guerra entre vocês.

__ Vô ele usou de manobra. Ele não se importou em me ferir. Eu queria aquela presidência. Jesse só tem 20 anos e praticamente já é dono absoluto de lá. É o preterido. Como não quer que não tenha tensão? Edu e Sophie pouco se importa com aquilo, mas para mim é parte da minha vida, dos meus sonhos. Tenho que aguentar tudo calado? Jesse é mais capaz que eu? Nem a experiência que eu tenho, ele tem. Por quê? Então me diga por que tudo para ele e Sophie que também ganhou uma empresa já com contratos milionários e nada para mim e Edu?

__ Veja bem Samuel, não acho a atitude de Theodore correta e digna. Mas o bem da verdade é que no final apenas um seria presidente. Uma empresa com muitos donos, sempre causa problemas, ainda mais familiar. Concordo com a idéia dele de comprar as ações de Phoebe, eu desejo que essa empresa continue a ser Grey. A minha filha tem a butique dela e o marido dela também tem um império, sendo assim ela não perde nada. O que acho errado é a forma como tudo isso foi lidado no processo, não acho que Jesse seja mais ou menos capacitado que você. Acredito que deveria ter sido feito de outra forma a sucessão. Mesmo porque meu filho não vai passar a parte dele para vocês agora, ele está novo e ainda vai ficar a frente da Grey Enterprises por muito tempo. O que está feito está feito. Leite derramado não volta a xícara.

__ Porém Samuca existe outros meios. – Edu fala suavizando sua expressão. __ Eu estive a algum tempo atrás conversando com nosso pai. Você sabe que evito ir por caminhos de dor, falando da vida que ele criou longe de nós e etc. Eu fui lá oferecer a ele que compre agora a minha parte que irei herdar um dia.

__ O QUE? – grito interrompendo-o. __ Você não pode dar todo o poder assim a eles. Por que está fazendo isso comigo? Me odeia também?

__ Chega! Pare de se comportar como um moleque. Fala de Jesse, mas age pior do que ele que tem apenas 20 anos. Adora achar que as pessoas não te amam. Sabe por quê? Por que você mesmo não se ama. Então me diga como alguém pode te amar? Você me cansa com essa sua autodestruição.

__ Calma Edu. – Vô Christian intervem.

__ Não vô. Não posso ter calma. Passei a vida toda vendo isso: Samuel se inferiorizar, achar que ninguém o ama. E ele ama alguém? É egoísta. É um imbecil. Acha que só você sofre? Que só você teve um pai ausente? Foda-se se Theodore ama mais os filhos de sua esposa, foda-se que ele escolheu Jesse como seu sucessor. Eu não quero ficar no meio desse fogo cruzado. Eu tenho uma esposa e um filho para me preocupar, preciso de saúde mental para cuidar deles. A última coisa que preciso é ver meu irmão mais velho, aquele a quem sempre quis ser igual blasfemando. – ele diz e se vira para mim. __ Preste bem atenção. Eu ofereci as ações a ele exatamente por te amar e querer te ajudar e não ao contrário. Então não venha se fazer de pobre coitado comigo.

Assusto-me. Eu nunca vi meu irmão perder a compostura. Ele nunca falou mais alto com ninguém, muito menos comigo. Seus olhos me fuzilam. Me sinto envergonhado. Ele tem razão.

__ Sinto muito... –minha voz é um sussurro.

__ Então não sinta. Faça algo para reverter esse quadro. –ele diz se acalmando.

__ Samuel Edu me chamou aqui por que ele tem uma ideia. Uma proposta para te fazer e de certa forma me envolve. Escute-o antes de sair blasfemando.

Concordo com a cabeça. O tom de voz do meu avô indica que ele concorda com meu irmão.

__ Eu ofereci minhas ações a Theodore por que quero investir em outro negocio e não tenho tanto capital assim. Apesar de ser um musico de sucesso não ganho rios de dinheiro. Guardei a maior parte dos meus rendimentos ao longo desses anos. E agora tenho família e preciso pensar sempre no conforto deles em primeiro lugar.

__ Não estou entendendo onde você quer chegar Edu. E onde o senhor entra nisso vô?

__ Aprenda a escutar primeiro Samuel. – Meu avô me repreende.

Faço uma careta, mas me viro para escutar meu irmão.

__Quero te propor sociedade. Você é formado em administração de empresas, já tem alguma experiência. Abrimos um escritório juntos onde você será o presidente e responsável. Eu apenas terei parte nos lucros.

Estou meio espantado. __ Como assim Edu? Acho que não estou entendendo bem.

__ Samuca quero ver você caminhando com as próprias pernas. Sai da Grey e abre seu próprio negocio. Você pode gerir empresas onde não há administradores, ou onde os herdeiros não tem interesse. Ou seja você pode prestar serviços a varias empresas simultaneamente. É só formar uma boa equipe, qualificada e se dedicar.

__ E você acha que as portas se abrem assim? Quem vai colocar uma empresa na minha mão assim do nada?

__ Eu. –meu avô diz carrancudo. __ Eu ainda tenho o poder sobre o hospital. Contratei administradores já que lá não era do interesses de meus filhos. E há algum tempo já estou insatisfeito com os serviços no hospital. Quero que você o comande e deixe-o no padrão Grey.

Estou meio abobado com a ideia desses dois. Eles querem que eu inicie uma empresa do nada?

__ Samuca o nosso pai aceitou comprar minhas ações. Com esse dinheiro podemos montar uma boa estrutura, boa equipe e oferecer serviços de qualidade. Você é capacitado. Acredito no sucesso desse empreendimento. Além do hospital, tem a possibilidade de você representar Ella na Crossfire, já que eu não tenho o mínimo interesse.

__ Edu você deixará de receber seus rendimentos da Grey.

__ E qual o problema?

__ Você mesmo disse que agora tem uma família...

__ Posso manter minha família tranquilamente. Além disso, terei participação nos lucros que virão com o tempo.

__ Eu não tenho dinheiro para investir.

__ Então ofereça a sua parte também ao Theodore. Acredito que ele comprará. – Christian diz serio. __ E comece sua vida do zero.

__ Mas isso significa abrir mão do que tenho direito, dá a vitória a Jesse...

__ Samuel você escuta o que diz? Isso é tão doentio. Estamos lhe dando a chance de se desfazer de algo que te consome. A Grey nunca vai ser sua, ela já pertence a Jesse. Aceite isso. Mas você pode ser mais vitorioso se conseguir conduzir sua vida, se aprender a ser indiferente a inveja que sente pela relação pai e filho entre Jesse e Theodore. Chega de viver em função deles, viva em função de si mesmo. – Edu diz calmamente, mas acentuando cada palavra.

__ Eu não sei... Eu preciso pensar. Eu não sei se posso facilitar as coisas assim para eles. Tudo que eles querem, ficar livre de mim.

__ Samuel você tem 24 horas para pensar na nossa proposta. Após esse prazo não conte mais comigo. Se desejar ser feliz e encontrar seu caminho estou aqui, mas se decidir por viver na sombra do seu pai, não conte comigo. – Meu avô se levanta. Sua voz é fria. Ele se vira para Edu. __ Tenho que ir, deixe um beijo meu para minha neta. E pode acreditar seu filho ficará bem, você me orgulha muito. Se tornou um grande homem.

Não pude deixar de notar sua ironia.

Ele abraça Edu e a mim e sai da sala.

__ Você se coloca na mesma posição do nosso avô?

__ Sim.

__ Acho que vou embora também. Preciso pensar.

__ Não vai ver Ella?

__ Outro dia. Estou sem cabeça agora.

Ele assente com a cabeça. Nos encaminhamos para o Hal de entrada.

__ Samuel?

Lindos olhos azuis se encontram com os meus.

__ Julia?

__ Você estava aqui?

__ Sim. Na biblioteca. Não sabia que estaria aqui.

__ Vim ver minha irmã.

__ Samuel preciso ir ver Ella. Pense e nos dê sua resposta no prazo. – Edu diz me abraçando e saindo me deixando sozinho com sua cunhada.

__ Você está bem Julia? Há algum tempo não nos vemos.

__ Sim. E você?

__ Indo.

Ficamos em silencio. Ela está tão bonita como me lembrava.

__ Está com Emma? – sua pergunta me pega se surpresa.

__ Não. Por que pergunta?

__ Achei que tinha alcançado o objetivo de seu plano. Separou Emma e Jesse. Parece que o caminho que escolhe nunca brilha.

__ Talvez você tenha razão. Só que não preciso ouvir isso de você que se casou com um homem por estabilidade. Parece que seu caminho também não brilha.

Ela arregala os olhos. Passo por ela.

__ Ah Julia só para você saber eu te amei de verdade.

Com essas palavras saio. Depois da conversa na casa de Edu senti a necessidade de tomar ar. Fico dando voltas de carro sem rumo, lembrando-me de cada palavra dita e das que ficaram entaladas em suas gargantas. Edu me acha egoísta, é tão fácil para ele lidar com o desprezo?

Depois de ficar horas vagando, sinto a necessidade de comer. Sigo para a lagoa. Já imagino uma musica suave, um bom vinho e lagosta. E para minha grande sorte do dia encontro a linda família Grey reunida: Alexa, Theodore, Sophie e Jesse. Logo na entrada enxergo-os. Eles estão sorridentes. A família que nunca tive.

__ Deseja uma mesa senhor? – O maitre me intercepta na entrada.

Vê-los espanta todo e qualquer apetite que poderia ter. Eles parecem comemorar. Sorriem, brinca entre si. Theodore abraça Sophie que está ao seu lado na mesa redonda. Jesse leva a mão em seu cabelo irritando-a.

__ Senhor?

Alexa pega o celular e tira foto deles.

__ O senhor está bem? – a voz do pequeno homem me traz de volta a realidade.

__ Desculpe. –digo virando e saindo por onde entrei.

Quantas vezes imaginei viver um momento assim? Quantas vezes imaginei Theodore me dedicando um sorriso assim? Quantas vezes imaginei eu, minha mãe, Edu e ele? Sonhos apenas sonhos. Eu nunca terei isso. A não ser que eu construa a minha própria família.

Vou para casa e me jogo no sofá. Dói. Dói tanto. Sinto as lágrimas descerem. Eles são felizes. Edu encontrou seu caminho, sua família. Minha mãe vive encarcerada em sua dor. E eu? Estou indo no mesmo caminho.

O som insistente da campainha me tira dos devaneios. Vou até a porta sem vontade. Abro-o ainda mais sem vontade. Pisco atordoado com a presença.

__ Você? – É a única palavra que consigo pronunciar?

Notas finais
E aí meus amores? Gostaram? Já imaginam quem será essa visita? xoxo