POV ELLA

Nas profundezas do meu sonho escuto Edu. Eu sinto sua presença forte ao meu lado. É estranho pensar em um artista como fortaleza, mas é exatamente isso que meu marido é para mim. Ele pode até ser sensível, mas tem uma força que poucas pessoas têm na vida. Eu nunca tinha enxergado ele assim. Sempre pensei que ele seria fraco, por vários fatores, o primeiro pelo relacionamento familiar, depois por ter optado por tocar quando na verdade tinha um império para governar ao lado dos irmãos. Só que conviver com ele me fez enxergar tão além, eu sempre pensei em mim mesma, no poder que meu nome representa. Tão egocêntrica. Tão eu.

Edu me ensinou pequenas coisas. Com pequenos gestos. A forma como ele trata a criança na minha barriga me emociona, é como se fosse dele mesmo, sangue do seu sangue é um amor incondicional.

Sinto a agitação e o medo ainda dentro de mim. Essa criança me mudou de muitas formas e me uniu a um homem digno de ser chamado de marido. Não quero nem imaginar se tivesse acontecido algo, meu elo com Edu se romperia, ele já não teria motivos para ficar casado comigo. E eu perderia um pedaço da minha alma. Suspiro aliviada por ainda tê-lo em meu ventre e furiosa por ter deixado aquela italiana me provocar a ponto de colocar a minha vida e do meu filho em perigo. Abro os olhos lentamente. Hora de encarar a vida.

O quarto é branco, tem rosas amarelas na mesa ao lado. Me sinto triste por Edu não está aqui ao meu lado. Achei que ele estaria. Suspiro.

—_ Ella.

Sobressalto-me com a voz do meu marido. Ele está saindo do banheiro. Não posso deixar de sorrir internamente.

Nossos olhos se conectam, e olhar tão profundamente para esses olhos verdes esmeraldas me faz ter esperança. Uma pequena lágrima escorre pela minha face. Ele se aproxima silenciosamente e me abraça. Está agarrada ao meu porto seguro me faz liberar a enxurrada de emoções que estão me consumindo. Choro copiosamente. Ele apenas me afaga sem dizer nada, sinto os batimentos do seu coração e ao afasta-lo e olha-lo nos olhos eu vejo o medo que ele sentiu também.

—_ Eu quase abortei nosso filho. –digo tão baixo que é quase inaudível.

—_ Não foi sua culpa. Eu não cuidei bem de vocês. Perdoa-me?

Ele acha que ele é culpado?

—_ Você não tem culpa Edu, eu que não sou boa esposa, nem boa mãe, nem...

—_ Xiii. Nada de se autodestruir. O importante é que vocês estão bem. E vão ficar ainda melhor. Vou cuidar melhor de vocês.

Libero mais lágrimas. Ele me afasta um pouco e se deita comigo na cama, me ninando como se eu fosse uma criança. E esse conforto é o melhor do mundo.

Entrego-me a um sono tranquilo. Em seus braços encontro a paz. Quando acordo e procuro-o com o olhar encontro os olhos cinzentos da minha mãe, aqueles que me apaziguam só de vê-los.

—_ Oi meu amor. –ela diz se aproximando e pegando minha mão.

—_ Mamãe.

—_ Eu estou aqui meu bem. Seu pai conseguiu levar seu marido para tomar um banho e comer algo. Apesar de vocês estarem bem ele não saiu um minuto do seu lado.

Sorrio de lado.

—_ Obrigado por está aqui.

—_ Todos nós estamos aqui por você.

Julia entra no quarto. Vê-la me traz uma alegria.

—_ Ju.

—_ Oi minha boneca. – vê-la me tratando com tanto carinho abre as compotas dos meus olhos.

—_ Xii não chore. Estou aqui para cuidar de você. –ela diz me abraçando suavemente.

—_ Tenho medo... E se acontecer de novo? E se dessa vez eu perder meu filho? –digo entre lágrimas.

—_ Está tudo bem, não sofra mais. Cuidaremos para que nada aconteça.

—_ Foi minha culpa, eu estava sentindo um desconforto e não procurei ajuda... Posso ter colocado meu filho em risco?

—_ Não Ella. É comum. Não vai acontecer de novo. O bebe está perfeito. Agora fique calma. Eu e mamãe estamos aqui para você. E daqui a pouco seu marido e papai também.

—_ Quando posso ir para casa?

—_ Acredito que hoje já poderá dormir no aconchego de casa. Estou providenciando tudo.

—_ Obrigado Juju por ter vindo.

—_E claro que eu ia vim afinal você é minha bonequinha, meu anjinho. Nunca ficaria longe em um momento tão delicado para você.

Sorrio e a abraço forte.

Eric entra no quarto. Ele me olha tão suavemente e sorri de lado. Um costume nosso.

—_ Maninha.

—_ Eric.

Abraçamos-nos forte.

—_ Fiquei preocupado. Graças a Deus vocês estão bem. –ele fala baixinho.

—_ Eu não tenho tanta certeza. Pode acontecer de novo e eu acabar perdendo a criança...

—_ Shii. Essa não é a minha irmã. Nada de derrotismo. Cuide-se para que não se repita e obedeça aos medico, ao Edu, a mim...

Começo a rir. Só Eric para me fazer rir em um momento assim.

Minha mãe e Julia saem para nos deixar sozinhos.

—_ Como está tudo?

—_Agora bem, mas briguei com Christopher.

—_ O que? -digo levando a mão a boca.

—_Tentei beijar Sophie...

—_Eric...

—_Eu sei. Comportei-me como um play boy idiota. Mas passei a vida toda achando que a amava, e ela se casa com aquele babaca que te abandonou... Ainda bem que você o traiu com a pessoa que ele mais detesta.

Suspiro de cansaço. __ Eu não me importo com Chris. Mas Eric está na hora de desencanar de Sophie. Deixe aqueles dois pra lá. Eles se merecem.

—_ Agora sei disso Ella. Mas não vi aqui falar dos meus problemas. Quero ver você bem.

—_Eu vou ficar. Só preciso perder esse medo. Tirar essa angustia de mim.

—_ Você vai. Acredite. Você casou com um homem bom, ele cuidará de você.

Eric me abraça mais. Adormeço acalentada pelo meu irmão gêmeo.

Acordo com Edu ao meu lado. Ele me dá um meio sorriso.

—_ Pronta para ir para casa? — Ele me pergunta beijando meus lábios.

—_ Sim. A Julia ficou de conseguir minha liberação.

—_ Ótimo. Aconteceu alguma coisa que você queira me contar?

—_ Sobre?

—_ O seu mal estar. Sua médica disse algo sobre estresse...

—_ Nada que eu mesma não possa resolver.

Ele arqueia a sobrancelha.

—_ Ella preciso entender o que aconteceu. O que te chateou a ponto de provocar uma hemorragia?

Passo a mão em seu rosto.

—_ Fui fraca e deixei alguns detalhes me incomodarem. Isso não se repetirá.

—_ Vai ser mais clara ou terei que te vigiar 24 horas por dia?

Solto uma risadinha. __ Acho que quero ser vigiada.

Ele sorrir. __ Como queira minha menina. Será um prazer. –ele me beija suavemente nos lábios. __ Mas não desisti de saber o que aconteceu. –ele fala baixinho.

Antes que eu responda minha mãe entra.

—_ A médica acha melhor você ficar mais um dia em observação.

Olho para meu marido em uma suplica muda. Eu não aguento mais ficar aqui. Preciso da minha casa.

—_ Tia a Ella vai para a nossa casa.–sua voz é firme.

—_ Mas foi o médico que disse que...

Ele interrompe minha mãe. __ Ela vai comigo. -Ele diz chegando até a cama e me pegando no colo. Solto um gritinho de susto.

—_ Por favor tia traga as coisas dela para meu carro.

Ele nem espera minha mãe dizer nada e sai do quarto comigo. Uma enfermeira vem atrás.

—_ Senhor Grey o senhor não pode fazer isso.

—_ Eu posso. Ela é minha esposa e não se afastará de mim. –ele diz continuando até o elevador.

—_ Eu pego uma cadeira...

—_ Não se preocupe enfermeira eu cuido dela a partir de agora. –ele diz entrando no elevador e pressionando estacionamento.

Eu nem consigo dizer nada. Ele abre o carro me coloca no banco e passa o cinto. Ajustando o banco para eu ficar confortável. Me da um beijo rápido.

—_ Obrigada. –sussurro para ele.

Ele apenas sorri.

Minha mãe e Julia aparecem logo atrás com um sorriso.

—_ Aqui esta as coisas dela. Amanha passo em sua casa para vê-la. Tudo bem?

—_ Claro Julia. Obrigado. Conto com sua ajuda.

Ela vem ate mim e me dá um beijo. __ Você vai superar isso. Você tem um marido maravilhoso.

Sorrio para ela. Não há o que dizer.

Minha mãe se aproxima e me beija na testa.

—_ Qualquer coisa me ligue independente de hora. Voltarei para comunicar ao médico que seu marido te raptou.

Soltamos uma gargalhada.

—_ Obrigado mamãe.

Edu se despede das duas e entra no carro dando partida. À volta para casa é silenciosa. Ele coloca uma musica suave no som e eu acabo adormecendo.

Quando acordo já estou na nossa cama. O quarto está apenas com uma claridade que entra pela porta da varanda.

Saio do quarto e escuto uma melodia do sax. É a musica do nosso casamento, é a terceira vez que ele a toca, a segunda foi no concerto. Por que dessa musica?

Quando chego ao estúdio ele para de tocar. Ele me olha com carinho.

—_ Deveria estar na cama. –me repreende colocando o sax de lado e abrindo os braços.

—_ Estou bem. –digo me aconchegando em seus braços.

—_ Ella, adoro sua infantilidade e seu jeito mimado, mas não quando se trata da sua saúde e a vida de nosso filho.

—_ Eduard acha que estou sendo negligente?

—_ Talvez. É teimosa e gosta de me contrariar.

—_ Gosto de te contrariar? Está brincando né? Porque a única coisa que faço são suas vontades, uso sapatilha, volto para casa cedo...

Ele começar a gargalhar.

—_ Qual a graça? – estou indignada.

—_ Só volta para casa cedo para me vigiar. –fala me apertando em seu peito.

Quero me afastar, mas ele não permite.

—_ Teria algum motivo para te vigiar?

—_ Não. Mas você é ciumenta.

—_ Está se achando.

—_ Estou enganado?

—_ Sim.

—_ Ótimo. Você poderá me provar isso muito em breve. Já até conversei com sua irmã.

Consigo me afastar um pouco, elevando meus olhos para nos encarar.

—_ Não entendi.

—_ Irei para Itália daqui duas semanas e você ficará aqui de repouso. Julia cuidará de você.

—_ O que? –estou quase gritando.

Ele arqueia a sobrancelha. __ Ordens médicas. Repouso e alimentação balanceada. E assim você me mostrará que não senti ciumes e confia em mim.

Solto um gritinho de frustração. Se ele ta pensando que vou ficar aqui enquanto aquela italiana tenta agarrar meu marido ele não me conhece em absoluto.

—_ Escute bem Eduard porque vou falar somente uma vez. Ou irei com você a esse concerto ou você não irá.

—_ Ella não seja mimada, tenho contrato a cumprir, você acabou de passar por uma indisposição com hemorragia...

—_Enquanto estiver casado comigo e se quer continuar casado pode apostar que sem mim você não vai. Pode me chamar de mimada ou o que quiser, mas viajar com aquela Helena e ficar perto de Mirna você não vai mesmo. –digo o empurrando levemente no peito e saindo.

Estou muito irritada. Ele não pode estar falando serio.

—_ Ella.

Ignoro seu chamado e continuo a andar.

—_ Ella vamos conversar como adultos...

—_ Á merda Eduard Grey...

—_ Boca suja. -Ele me pega no colo, solto um grito. __ O que vamos fazer com essa sua boca? Vamos deixar uma coisa clara você não vai me fazer passar aquele medo de novo, quero você e o bebê bem, nem que para isso te amarre na cama.

Ele sobe as escadas comigo, entra no nosso quarto e me coloca na cama. __Para começar você não vai se levantar e sair andando pela casa.

—_ Tenho contratos a cumprir também. –falo ironicamente.

—_ Pago pela quebra dos contratos se for necessário, mas daqui de casa você não sai.

—_ Eduard você quer que faça suas vontades, mas as minhas você não faz!

—_ Ella eu não vou te trair se seu medo é esse. É o meu trabalho, pelo amor de Deus! Quer me enlouquecer?

Percebo que estou lutando com as armas erradas.

—_ Amor deita-se um pouco comigo?

Ele parece que vai continuar a discussão quando se dá conta que eu o chamei de amor. Seus olhos brilham e ele fica estático.

Afasto-me deixando o lugar dele em evidencia ao meu lado.

—_ Só não quero ficar longe de você. –digo melosamente.

Seus olhos verdes estão arregalados.

Levo minha mão a seu braço. __ Tenho medo de acontecer alguma coisa e você não estar comigo. Eu nunca iria conseguir te perdoar.

—_ Ella...

—_ Vem amor, me dê sua proteção. Eu só preciso de você nesse momento. Me dê sua força e a esperança que tudo vai dar certo.

Ele se deita me puxando para um beijo.

—_ Por que faz isso comigo? –sua voz é um sussurro.

—_ O que?

—_ Tive medo.

—_ Eu também. –digo me enrolando nele.

—_ Não vai me contar mesmo o que aconteceu?

—_ Não. Eu preciso enfrentar minhas batalhas sozinha.

—_ E para que serve um marido então? –sua voz é exasperada.

—_ Eu não sei. Mas no seu caso para ser meu porto seguro, a minha luz. Eu não saberia mais como viver se te perder.

—_ Você nunca vai me perder.

—_ Então você vai me levar com você?

—_ Ella vamos conversar disso depois. Descanse um pouco, os últimos dias tem sido difíceis. O importante é você saber que enquanto me quiser, eu estarei aqui para você.

Queria continuar a argumentar, mas estou com sono, e o movimento de suas mãos em minhas costas me envia a um sono tranqüilo. Como não tenho há dias.

Notas finais
Comentários?? Leitoras apareçam de novo e não só quando tem enquete. rsrsrs xoxo