Limiar entre intrigas, desejo e o amor
35 Capítulo 35
Notas iniciais
POV EMMA
Comecei uma amizade com meu primo distante Eric Cross de uma forma o quanto inusitada e estranha considerando que ele agora é meu melhor amigo e o maior desafeto do meu irmão. Mas o mais impressionante é a pessoa que sou quando estou com ele, uma Emma que nem eu conhecia: atrevida, bem humorada, esportista (odeio essa parte), bonita e língua afiada. Quando ele não está perto me sinto sozinha, insegura e triste. Como em pouco tempo uma pessoa pode te provocar tantos sentimentos? Caramba eu estou sofrendo pelo Jesse, ou estava. Até nisso Eric me deixa confusa. Por que ele é lindo? Gostoso? E cheio de si? E eu o seduzir e o levei para cama?
Essa é a questão. Dormimos juntos. E o pior foi muito bom. Mas eu já estou vacinada. Eric é o mesmo estilo de Jesse, mulherengo invertebrado. Caramba ele se dizia apaixonado por Sophie, mas nem por isso deixava de desfilar com variadas mulheres. O que me faz lembrar Jesse, que dizia me amar e estava com outras. No mesmo erro eu não caio duas vezes. Deveria me afastar dele completamente, mas eu gosto da amizade dele e não estou pronta para voltar ser a Emma enfadonha de sempre. Eu preciso dele para me sentir leve. Esses dias sem ele me fez perceber isso. Caramba ele disse que iria passar o fim de semana em NY, achei que ele estaria de volta na terça depois da reunião, mas já estamos na sexta e ele nem me ligou e antes estávamos nos falando todos os dias. Será que estraguei nossa amizade dormindo com ele?
__Em?
__Emma?
__ Ah! Oi mãe?
__ O que você esta fazendo aí parada olhando esse telefone e tão concentrada que nem me ouviu?
__Eu?
__ Tem outra pessoa nessa sala além de nós duas?
Odeio minha mãe irônica.
__ Não mama. Não tem. Estou esperando um imbecil ligar.
Ela arqueia a sobrancelha. __Desde o fim de semana passado?
Odeio minha mãe inquiridora.
__ É. A verdade é que nossa ultima conversa não foi agradável, e já tem uma semana... E nada dele me ligar.
__ E esse imbecil é o Jesse?
__ Jesse? – Estou realmente espantada. Nem pensei nele na ultima semana. Estou ocupada amaldiçoando Eric.
Ela está perguntando isso porque ficou sabendo que nos encontramos na empresa de Soph.
__ Não. Um pior.
Ela sorrir de lado.
__ Amor novo?
__ Apenas amizade.
__ Por que não liga então?
__ Talvez. Agora vou me concentrar um pouco em trabalhar.
Minha mãe me beija na face e sai me deixando perdida em meus pensamentos. Não resisto e decido ligar.
Depois de três toques ele atende.
__ Em!
__ Oi. –digo tímida.
__ Oi.
__ Já voltou para Seattle?
__ Acabei de chegar e estou indo para o hospital.
__Por quê? Aconteceu alguma coisa com você? – minha voz sai angustiada.
__ Não. Estou bem. Ella que passou mal. Estou indo vê-la.
Sinto um alivio por ele está bem.
__ Como ela está?
__ Em observação. Mas ficará bem.
__ Que bom. Mande um beijo meu.
__ Claro. Obrigada.
Fica um silencio incomodo.
__ E sua viagem a NY? E a reunião de negócios?
__ Foi melhor do que eu esperava. Meu avô me ajudou muito.
__ Achei que ia ficar só até a reunião... –digo incerta.
__ Ia, mas encontrei uns velhos amigos da época da faculdade e decidir ficar um pouco mais e assim passar um tempo com eles.
__ Entendo. Não irei mais te importunar. Até mais.
__ Você nunca me importuna. Corrida amanhã?
Sinto um alivio.
__ Claro.
__ Então até amanhã.
Desligo e sorrio para o telefone. Nossa conversa foi um pouco tensa, mas acho que vamos conseguir recuperar o nosso elo.
A verdade era que queria ver ele hoje, mas paciência.
Quando chego em casa encontro Sophie e Chris.
__ Viemos jantar com vocês. – Chris diz me abraçando.
__ Que bom! Já estava com saudades de vocês aqui. –digo sorrindo e beijando meu irmão na face.
Abraço Sophie. __ Que bom amiga que veio. Depois que casou só nos encontramos para trabalhar. Isso não está certo.
__ Não mesmo. –ela diz sorrindo.
__ Vou tomar um banho rápido e já desço. – digo aos dois.
__ Vou com você para fofocarmos um pouquinho. – Soph diz e se vira para o marido. __ Tudo bem amor?
__ Claro. Vou conversar um pouco com meu pai no escritório até o jantar.
Eles trocam um beijo suave e nós subimos para meu quarto. É incrível o brilho em seus olhos e o amor que compartilham.
__ Então como vai à vida de casada? – pergunto me sentando na cama e tirando meus sapatos.
__ Eu sempre sonhei com seu irmão e em compartilhar minha vida com ele, mas nem em meus sonhos era tão perfeito. Agora só falta eu engravidar.
__ Mas vocês querem para já?
__ Sim. Desde que casamos nunca evitamos. A possibilidade de Ella ter um filho do meu marido me fez desejar ser eu a lhe dar um filho. E acho que está demorando um pouco e estou ficando ansiosa.
__ Relaxa Soph vocês ainda nem tem quatro meses de casados.
__ Eu sei, mas tem pessoas que engravidam na primeira vez...
__ Relaxa! Virá no momento certo. Falando em Ella, ela passou mal e foi para o hospital. Tenho impressão que essa gravidez será delicada.
__ Coitado do meu irmão. Uma Ella bem já é difícil imagina uma grávida e indisposta?
Começamos a rir. Eu adoro a Ella, ela tem um jeito confiante e firme, mas tenho que concordar que seu gênio irônico e direto complica uma relação.
__ E você Em?
__ O que tenho eu?
__ Está diferente. Mais bonita. Com um brilho diferente no olhar. Jesse me disse que conversaram um pouco lá na empresa. Há chances?
__ Duvido muito. Eu amei o Jesse a minha vida toda, tipo você amou o Chris. Mas o nosso ultimo encontro me fez perceber que a pessoa que eu amei talvez não exista, e que talvez eu não conheça o verdadeiro Jesse mesmo. –digo pensativa.
__ Sabe Emma as pessoas nunca são como em nossos sonhos, elas tem defeitos, são falhas. Eu também idolatrei um Chris irreal e no fim entendi que ele tem sentimentos, falhas, mas que é perfeito para mim.
Ao ouvi-la dizer isso veio à imagem de Eric na minha cabeça. Seu sorriso torto, seu bom humor e sua obsessão por Sophie.
__Pode ser. Mas já não importa. Ele está envolvido com a Cavendish. –digo afastando Eric dos meus pensamentos.
__ Acho que não. Não sei o que rolou, mas ele está uma merda.
__ E você ainda me pergunta se temos chances. –digo indignada.
__ Só acho que vocês podem estar com os sentimentos confusos e seria bom se terem uma conversa definitiva. Só assim poderão seguir enfrente.
Concordo com a cabeça. E mudo para assuntos menos desagradáveis. Sinceramente Jesse é o ultimo assunto que quero discutir. O jantar foi tranquilo. É bom ter meu irmão em casa. Mas sinceramente assistir o amor entre ele e a esposa e do outro lado da mesa meus pais me faz entender como vazia estou.
Ás 04h30min em ponto já estou no portão esperando Eric. Quando ele se aproxima não penso e me jogo em seus braços. Ele parece se assustar, mas me aperta em seu peito.
__ Tantas saudades assim? –ele pergunta beijando o topo da minha cabeça.
Sorrio. Esse é Eric.
__ Não de você. Talvez de correr sete km e acabar em um Starbucks comendo toneladas de bolinhos de chocolate.
Ele rir alto.
__Também senti sua falta.
Começamos a caminhar.
__ E por que não me ligou?
__ Achei melhor deixar você pensando em meu belo corpo, e em como nossos corpos se encaixam...
__ Eric. –digo meio brusca.
Ele para. __ Não quer falar sobre isso?
__ Achei que podíamos esquecer.
__ Foi tão ruim assim?
__ Não. Mas não quero misturar as coisas. É capaz disso?
__ Como quiser Emma. –ele fala iniciando a corrida. Bufo e vou atrás.
Olho sua bunda tão perfeita e cenas quentes de nós dois me vem à cabeça. Tento acompanhar seu passo. Corremos em silencio, cada um em seu mundo. Quando chegamos ao parque desabo debaixo da arvore como sempre.
__ Vou pedir o taxi para você.
__ Achei que íamos tomar café.
__ Adoraria, mas não posso. Essa semana que fiquei em NY vai me custar horas a mais de trabalho. Finalmente resolvi me dedicar à empresa e ser responsável.
__ Fico feliz por você.
Ele apenas assente com a cabeça. Esse não é Eric.
__ Jantar?
__ Adoraria, mas como disse irei trabalhar até mais tarde para compensar o tempo perdido.
__ Entendo. Então amanhã no mesmo horário?
__ Eu te confirmo mais tarde por sms.
__ Sms? – isso está realmente estranho. Nada de ligações? __ Eric era exatamente isso que eu queria evitar. Perder o amigo brincalhão e relaxado. Já percebi que você não sabe lidar com isso. – digo me levantando e começando a andar. __ E não se preocupe sou perfeitamente capaz de chamar um taxi. – acelero meus passos.
__ Emma?
Controlo o nó em minha garganta e me viro para encará-lo.
__ Desculpa. Você está certa. Estou sendo um idiota. Nossa amizade é mais importante. –ele se aproxima a passos largos. Nossos olhos duelam: azul céu contra azul marinho. __ Prometo me comportar. Podemos começar de novo?
Sorrio aliviada.
__ Claro. Agora podemos tomar café?
Ele rir e meu coração se enche. Não posso mais viver sem essa risada.
__ Jura que vai comer mais um bolinho? –ele arregala os olhos e sorri de canto.
Tão teatral. Tão Eric.
__ Para compensar os dias que não vim aqui. –me justifico levando o bolinho em sua boca. Ele abocanha todo mordendo a ponta do meu dedo e mandando arrepios por todo o meu corpo.
__ A partir de amanhã serão dez km. –ele diz alheio a minha reação.
__ Acha que estou tão gorda assim? – tento me fazer de ofendida.
__ Você está perfeita. A questão sou eu. Preciso manter esse tanquinho para a mulherada lavar a roupa. –ele diz piscando.
Mulherada? Sinto um incomodo com sua brincadeira.
Sorrio torto. __ Você deveria procurar mulheres que admirassem seu intelectual e não seu corpo. –soa meio azeda.
__ Em a única coisa que quero é entrar em suas calcinhas e para isso meu intelecto não serviria para nada.
Bufo. De repente um mau humor se estalou em mim.
__Isso soa tão cafajeste.
__ Bom esse sou eu. Já que não posso ter uma mulher que me ame, me contento com as que me usam. –ele diz olhando fundo em meus olhos e não sei por que, mas senti que ele se referia a mim.
__ Hahahha. Muito Engraçado Eric Cross.
__Vou melhorar em minhas piadas. Agora preciso mesmo ir. –ele se levanta e beija o canto da minha boca.
Faço cara feia para ele.
__ Foi sem querer. –ele dá de ombros com um sorriso torto.
Aceno com a mão me despedindo. Sinto-me triste quando ele sai pela porta lateral. Fico observando-o partir e um vazio se instala em mim.
##
Voltamos a nossa rotina de corrida, almoços e conversas diárias. Parece que tudo voltou ao normal. Sinto-me tão aliviada. Tive medo de perder essa cumplicidade. Tive medo de criar um novo Jesse em minha vida. Estou trabalhando bastante, e ele também e ainda passa um tempo com Ella que está em repouso, por isso não saímos há dias.
Para quebrar esse jejum marcamos em bar para tomarmos um drinque. Escolho um vestido azul colado e curto. Quero provocar.
Ao adentrar o bar o procuro com os olhos. Sinto meu sangue gelar. Ele esta conversando com uma morena. Está todo sorriso. Não o tipo de sorriso que ele dedica a mim. Seu sorriso está mais para caçador. Sinto uma raiva percorrer meus ossos.
Aproximo- me.
__ Atrapalho? – minha voz soa áspera e furiosa. Odeio-me por isso.
Eric me olha e seus olhos brilham.
__ Até que enfim chegou Em.
__ Sentiu minha falta? Parece está bem entretido. –digo ironicamente e me odeio ainda mais por demonstrar meu incomodo.
Ele sorri de lado. Um sorriso que eu já conheço. E amo. Posso me odiar ainda mais por isso?
__ Deixe-me lhe apresentar Mari uma velha amiga da faculdade. –ele se vira para a tal. __ Mari essa é Emma a minha amiga que eu estava esperando.
Amiga?
__ Oi Emma. Prazer em te conhecer. Aproveitei seu atraso para colocar o papo em dia com Eric. Já faz um bom tempo que não nos vemos e estava com saudades. –ela diz com um sorriso que não chega aos olhos.
__ Agora estou aqui.
__ Claro. – ela se vira para Eric. __ Me liga para combinarmos algo.
__ Pode deixar. Foi muito bom te ver de novo.
Eles trocam beijos na face. Sinto meu sangue ferver.
Ela sai rebolando. Biscate.
__ Desculpe atrapalhar seu flerte. Mas já que marcou comigo...
Ele sorri me puxando para um abraço.
__ Isso soou possessivo. –diz no meu ouvido.
Seu cheiro penetra minhas narinas. O abraço forte.
__ Digamos que não gostei da sua amiguinha.
__ Por quê?
__Muito fácil.
Ele solta uma risada.
__ Acho que ficou com ciúmes.
__ Há serio? Dessa mulherzinha?
__ Sim. Ela é bonita, sensual, gostosa...
__ Você já transou com ela? – pergunto exasperada.
Ele apenas levanta a sobrancelha.
__ Meu Deus tem quer tão galinha? Não pode ver uma mulher pela frente?
__ Quando me apaixonar serei fiel.
__ Achei que já era pela sua prima, no caso minha cunhada Sophie.
__ Tinha tesão por Sophie. Agora entendo que não era amor.
__ E o que finalmente te fez perceber isso?
__ Quando eu achava que amava Sophie não me incomodava ficar com outras mulheres, achava natural. –ele me olha e me puxa de novo para seus braços falando em meu ouvido. __ Ouvi dizer que quando realmente se quer uma mulher, as outras são apenas as outras...
Me afasto. Nossos olhos se encontram.
__ Eric...
__ Vamos parar com esse joguinho.
Pego o copo dele e viro todo de uma vez.
__ Se vamos por esse caminho, vou embora.
__Não vai mesmo... –ele me puxa e me beija com ardor. Sinto minhas penas moles. __ Nós vamos sair daqui. –ele diz em meus lábios.
Quero dizer não. Mas ele me beija de novo. Se levanta e me puxa. Acho que fiquei entorpecida pelo seu beijo pois quando dou por mim estamos entrando no Escala e ele já esta tirando a minha roupa.
__ Eric...
__ Quietinha.
Ele sorri. Começa a fazer movimentos circulares, em meus seios com os dedos. Chupa um mamilo. Então o outro. Abro a boca em um grito mudo.
Empurra-me no sofá, deixando-me deitada e tira minha calcinha. Desce até minha intimidade quente e roda a língua no meu clitóris, depois abaixa até minha entrada deslizando um dedo dentro dela. Então dois. Desliza-os para dentro e para fora, enquanto chupo meu clitóris.
Só consigo gemer. Estou ofegante e sedenta por ele.
Meu corpo inteiro está tenso e clama pelo orgasmo.
__ Oh Eric... Por favor...
__ O que você quer Emma?
__ Você sabe.
__ Não sei. Diga-me.
__ Preciso de você dentro de mim.
__E depois vai se arrepender? –ele pergunta enquanto faz um vai e vem com os dedos dentro de mim, mas impedindo meu gozo.
__ Por favor... – imploro.
__ Vai se arrepender? – ele me tortura sem piedade.
__ Eu nunca me arrependi.
__ Então o que foi aquela reação?
__ Temos que falar disso agora? – minha voz está embargada.
__ Vamos falar disso depois?
__ Sim. O que você quiser.
Ele sorrir e beija meus lábios. Desgraçado, uma vitoria sua.
Afasta minhas pernas e com um empurrão firme desliza para dentro de mim. Sinto-me preenchida. Sai e entra novamente, mais duro. Firma as mãos em meu quadril e empurra com mais força. Meu corpo convulsionar, ele aumenta as punhaladas, aperto as pernas e ele encontra a própria libertação. Grita em êxtase.
Desaba em cima de mim e ambos tentamos recuperar o ar.
Depois de alguns minutos ele sai de cima de mim. Deita-se no sofá e me puxa para seus braços.
Ficamos em silencio. Apenas sentindo a respiração um do outro. Seu coração está acelerado. O meu está descompassado.
__ Vai fugir? –sua voz é um sussurro.
__ Não.
Ele me aperta mais em seus braços.
__ Vamos falar do que está acontecendo então?
Levanto a minha cabeça para que nossos olhos se encontrem.
__ Eu não sei o que está acontecendo. –confesso. __ Tenho medo de perder o Eric amigo, descontraído e natural.
__ Eu também não sei. Mas eu gosto do lado sexual entre nós.
Até nesse momento ele faz graça. Bufo.
__ Estou falando serio.
__ Eu também Emma. Não me pergunte o que isso significa porque não sei. Mas você acha que amigos podem de vez em quando dormirem juntos?
Eu poderia dizer que não, mas eu quero isso. Quero esse prazer. Quero esse homem. Ainda que seja sem compromisso. Eu sei que não vou me apaixonar mesmo.
__ Promete que não haverá promessas? – olho bem dentro dos seus olhos.
__ Sem promessas.
Beijo seus lábios e ele me puxa para recomeçar a sessão carinho e sexo.
Quando acordo no outro dia em sua cama, eu não surto.
__ Que bom que ainda está aqui. –ele diz sonolento.
__Por que não estaria? É apenas amizade com benefícios. Lembra-se?
__ Eu gosto desse termo. –ele diz se virando e ficando sob mim.
Assusto-me e grito.
__ Isso é um status? –ele pergunta fazendo graça.
__ Acho que sim.
__ Tudo bem.
__ Mas me promete que nossa amizade será mais importante que o sexo.
__ E mais importante que tudo Emma Vidal.
sorrio e o puxo para um sexo matinal. acho que pode dar certo.
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