Limiar entre intrigas, desejo e o amor
34 Capítulo 34
Notas iniciais
POV EDU
Ella sai de casa para ir trabalhar e sinto uma angustia no peito. Tento me concentrar nas novas musicas no sax, mas minha mente está com ela. Estou tão feliz com ela que tenho medo que algo venha e destrua o que demoramos tanto a construir. Ainda não falamos de amor, mas eu sinto que seu coração já se abriu para mim.
Vivo rodeado de incertezas, pelo medo. Imaginar que Ella ainda ame meu cunhado dói tanto que sufoca.
Se antes eu tinha um amor platônico por ela, agora a amo profundamente sem hesitação. Eu entreguei meu coração para ela. Só não sei se ela já percebeu, e quais são seus sentimentos por mim.
Tenho medo que a criança pareça demais com Christopher e chame a atenção dele. E já tenho essa criança como minha só pelo fato de ela ser um pedaço de Ella. Eu já a amo, e me sinto o pai. E será muito dolorido ter que enfrentar a dura verdade da paternidade.
Mas por eles estou disposto a tudo. Estou até pensando em convencer Ella a mudarmos para Nova York e construirmos nossa vida lá. Acabou que todos se concentraram aqui em Seattle e isso faz ter muitas intrigas. Mas nunca permitirei que minha família seja destruída. Essa criança é muito importante para mim, não só pelo fato de ser filho de Ella, mas porque provavelmente será meu único filho e eu o aceitei como meu. Ainda preciso contar a Ella e tenho medo que ela não me perdoe por ter escondido algo tão importante sobre mim.
Tento me concentrar e ensaiar, mas a imagem de Ella não sai da minha cabeça e sinto-me angustiado.
Finalmente desisto de tentar ensaiar e vou tomar um banho. A opressão no meu peito não diminui então decido que preciso ir ver Ella. Saber se ela está bem. Abraça-la e beijar aqueles lábios que são a minha perdição. Visto uma roupa qualquer e saio em disparada para a butique. Preciso ver o sorriso dela, sentir seu cheiro para me acalmar.
Estou quase chegando quando meu celular toca. E meu coração dispara. Ironicamente acelero mais enquanto atendo a ligação.
__ Eduard Grey.
__ Senhor Grey. É a secretária de Ella.
__ Onde está Ella? — Pergunto sentindo o tremor de minha voz.
__ Foi levada de ambulância para o hospital da sua família.
__ Como ela está? O que aconteceu? -pergunto enquanto viro em direção ao hospital, se antes estava correndo, agora estou voando.
__ Eu não sei. Ela está no centro de cirurgia. Ela me pediu que te ligasse.
Fico feliz em meio a esse caos por ela lembrar primeiro de mim.
__ Estou chegando. Ligue para Phoebe.
__ Sim senhor.
Acelero ainda mais. Estaciono o carro de qualquer jeito, e saio como um louco.
__ Eu preciso ver minha esposa. – estou praticamente gritando com a atendente.
Ela me olha com espanto. __ Quem é a sua esposa?
__ Ella Grey.
Ela reconhece o sobrenome e sabe que está falando com um dos donos do hospital.
__ Ela está no 20º andar. Preciso fazer seu crachá.
Nem respondo. Vou até o elevador e soco com força o botão. Nunca nada me pareceu tão lento.
Quando finalmente consigo chegar à ala meu coração está disparado e sangrando de medo.
__ Senhor Grey que bom que chegou. Eles não querem me dar informações.
__ Eu resolvo a partir daqui. Você está liberada Andreia. Obrigado por tudo.
Vou em direção à atendente da ala.
__ Preciso saber como Ella Grey está. E o bebê. –digo tentando controlar minhas emoções.
__ E o senhor quem é?
__ O marido.
__ O médico está com ela. E a obstetra dela também. Precisa aguardar.
Fico exasperado com a falta de informação. Fico andando de um lado o outro.
__ Edu.
Tia Phoebe chega quase sem fôlego.
__ Tia. –pego a em um abraço apertado.
__ Ela está bem?
__ Eu não sei. Não me dão noticias. Estou desesperado.
__ Calma vai dar tudo certo. –ela tenta me tranquilizar enquanto mal disfarça sua preocupação.
Depois do que pareceu uma eternidade a médica de Ella aparece.
__ Dra ela está bem? — quase me jogo nela.
__ Sim Eduard.
Dou um suspiro de alivio.
__ E meu filho?
__ Também.
Sinto o alivio me inundando e uma pequena lágrima escorrer. Tia Phoebe me abraça forte.
__ Graças a Deus! Viu Edu tudo vai ficar bem.
Mal consigo falar.
__ Dra o que aconteceu? –pergunto depois de me recompor.
__ Aparentemente só um sangramento de escape. Comum acontecer até o quinto mês de gestação. Mas precisaremos observá-la nas próximas semanas. Ela não deve sofrer estresses e deve ter uma alimentação balanceada e repouso. Enfim um acompanhamento mais rigoroso.
__ Ela está bem mesmo? Podemos vê-la? – Tia Phoebe pede agitada. Acho que assim como eu, só sentirá paz ao vê-la.
__ Sim. Mas ela teve uma crise nervosa tivemos que sedá-la.
__ Por quê? – Questiono.
__ Ela falava em desconexo do filho, que não queria perde-lo e seu nome, estava muito nervosa e pelo que aconteceu temos que mantê-la calma por isso a sedação.
__ Eu preciso vê-la. –digo angustiado.
__ Ela está dormindo agora. Mas pode ficar com ela no quarto.
Não espero por uma segunda liberação. Sigo para o quarto. Ela está adormecida, pálida. Sinto-me quebrado por vê-la assim. Passo suavemente a mão em seu rosto.
__ Eu te amo. Tudo vai ficar bem. Vou cuidar melhor de você minha menina.
Beijo seus lábios.
__ Eu tive uma gravidez complicada da Julia. — Minha sogra me diz ao entrar no quarto.__ Mas da Ella e do Eric foi muito tranquila.
__ Eu tenho medo. Olhando-a agora percebo o quão frágil ela é.
__ Não Edu. Ela está frágil, mas Ella é uma leoa. Estive conversando com a médica e ela disse que esse talvez não seja o único problema que vocês enfrentarão.
__ Como assim? – Pergunto angustiado.
__ O grau de parentesco de vocês. O bebê pode ter malformação.
Olho para minha sogra e vejo sua preocupação. Queria poder dizer que esse risco não existe, mas não posso, esse é um segredo apenas meu e de Ella e ninguém deve saber nunca. Por um lado é melhor que eu e Ella não tenhamos mesmo filhos, afinal o risco é grande somos primos de primeiro grau.
__ Eu sei tia, mas quero acreditar que isso não vai acontecer. O importante para mim é eles estarem vivos.
Olho de novo minha esposa. Tão linda.
__ Você a ama muito. – não foi uma pergunta.
Assinto com a cabeça. __ Mais do que a mim mesmo. Eu vou protegê-la e ser bom para ela.
__ Eu sei que vai. Preciso ligar para Daniel e contar o que aconteceu. Quando Andréia me ligou sair desesperada que nem avisei a ele.
__ Faça isso. Obrigado!
Ela beija o topo da minha cabeça e sai.
Eu me sento na poltrona ao lado e fico segurando a sua mão. E desejando que ela acorde logo e me encare com esses olhos cinzentos. Desejando que ela me lance um sorriso torto ou que ela faça algumas de suas ironias. Eu só preciso dizer a ela que escolheram pelo nosso filho, por nós e por nossa família e garantir a ela que ninguém vai destruir isso.
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