Limiar entre intrigas, desejo e o amor
28 Capítulo 28
Notas iniciais
POV ELLA
Desde o dia que fiquei sabendo que Edu iria para a Itália meu humor foi para o brejo. Sinto vontade de matar um. Acabou que nem entreguei a ele o presente, de tão irritada que eu estou. Além de tudo que está me acontecendo ainda tenho muitas dores nas costas. Minha barriga não está tão grande e ainda assim estou sentindo-a pesada.
Vou ao shopping no horário do almoço comprar umas roupas. Nenhuma das minhas serve mais. O que deixa meu humor mais irascível.
__ Ella.
__ Sophie. Priminha querida. –Digo surpresa pelo nosso encontro diante da chocolataria.
__ Não precisa de ironia. Achei que estava bem com Edu e já tinha superado o que aconteceu.
__ Eu estou muito bem com meu marido. Ao menos eu sempre sei onde e com quem ele está. Não estou levando chifres por ai. –digo azeda.
__ Ella...
__ Até mais Sophie. Mande um beijo para seu marido querido.
Digo e saio sorrindo. Não posso negar que me divertir ao ver a cara dela. Eu não sei como está o casamento dos dois e nem me interessa, mas eu ainda sou Ella Cross e não perco a oportunidade de alfinetar. Iria voltar a trabalhar, mas o encontro com minha prima só acentuou meu mau humor e as dores se intensificarem.
Volto para casa mais cedo preciso me deitar um pouco. Assim que entro na sala escuto uma bela musica no sax. Sorrio. Meu marido está em casa. Sigo direto para o cômodo que ele fez de estúdio.
A porta está entre aberta, empurro-a um pouco para entrar. E meu sorriso morre no meu rosto. Helena está sentada na banqueta escutando-o envaidecida.
Ele me ver e para de tocar na mesma hora.
__ Ella. Está tudo bem? — ele me pergunta preocupado.
__ Sim. Por que não estaria?
__ Você nunca chega tão cedo.
__ Eu moro aqui e chego a hora que quiser. –digo me virando e saindo.
Subo as escadas correndo e me tranco em meu quarto.
__ Ella. – ele bate em minha porta.
__ Me deixe em paz. –digo segurando as lagrimas.
__ Ella. Abre para mim.
__ Não. Não quero falar com você.
Não escuto mais barulho e me jogo na cama. Tento segurar ao máximo minhas lagrimas, mas elas são mais fortes e escorrem pelo meu rosto. Assusto-me com o barulho na porta. Sento-me na cama quando a porta se rompe e Edu entra exasperado.
Ele me olha penetrante e ao ver que eu estou chorando vem ate mim e me pega no colo.
__ O que foi? — ele pergunta baixinho.
__ Seu filho. –digo chorando mesmo.
Sinto seu sorriso em meus cabelos. Eu sei que ele gosta quando me refiro a criança como dele.
__ Está sentindo alguma coisa?
__ Fora os hormônios?
Ele rir.
__ Sim. Fora sua sensibilidade.
__ Não. – omito as dores.
__ Quer conversar sobre isso?
__ Não. –digo emburrada.
Ele se encosta-se à cabeceira comigo em seu colo.
__ Só fiquei preocupado. Eu gosto quando você chega mais cedo. Fico tranquilo quando você está em casa.
Sinto-me uma boba quando ele fala isso.
__ Desculpa.
__ Está tudo bem. Só quero te ver bem. Ok?
Aconchego-me em seu peito.
__ Esses hormônios estão me enlouquecendo.
__ Eu sei. –ele diz com uma risada contagiante. Ele fica abraçado a mim até que adormeço.
Quando acordo estou sozinha. Olho o relógio. Dormi mais ou menos duas horas. Coloco um chinelo no pé e desço silenciosamente. Ele está com um moletom e o peito nu. A visão é sensual. Ele em pé, com a calça baixa, seus músculos tão definidos. Enquanto fala ao telefone ele observa para fora da janela.
__ Pode reservar o hotel de sempre. –ele fala flexionando os músculos.
__ Mirna? Não. Eu devo ir com minha esposa.
__ Sim. Eu confirmarei até o fim de semana.
Fico estática no final da escada observando-o. Ele se vira e me pega no flagra.
__ Estava ai há muito tempo? -ele pergunta se aproximando de mim. A luz da sala esta apagada e a unica claridade que tem é da lua.
__ Não. Mas ouvi que está reservando hotel.
__ Sim. Para a Itália. Como disse que iria comigo e para ninguém suspeitar do nosso verdadeiro relacionamento pedi um quarto só para nós. Mas não se preocupe eu dormirei no sofá.
__ E como vai fazer para se encontrar com sua amante? — Pergunto asperamente.
__Eu não tenho amante Ella.
__ E Mirna é o que?
Ele respira profundamente.
__Mirna é uma amiga.
__ Agora é esse o nome que se dá? — Digo me virando para subir para o quarto.
__ Você está sendo infantil.
__ Eu não me importo Eduard. Só faça o favor de ser discreto, não quero meu nome envolvido em mais escândalos nos tabloides. –digo subindo sem esperar resposta.
A noite foi tensa. Meu humor só piorou. Levantei-me cedo, mas o dia também não está feliz, está nublado e frio. Agasalho-me adequadamente e saio antes de meu marido despertar. Não estou com humor para vê-lo.
No meio do dia, ele aparece no meu escritório.
__ Oi. –ele diz com um balão de carinhas e rosas na porta da minha sala.
Acabo sorrindo ao vê-lo.
__Posso entrar?
__ Você já entrou. –digo tentando manter meu azedume.
Ele entra e me entrega os mimos.
__ Obrigado.
__ Não ganho nem um beijo?
Vou ate ele e beijo sua face.
__ Poderia ser melhor. –ele diz se sentando.
__ O que está fazendo aqui há essa hora?
__ Vai ter uma recepção de músicos hoje a noite no Space Scoot e eu gostaria que você fosse comigo.
__ E por que?
__ Porque você é minha esposa. –ele diz se aproximando e levando a mão a minha barriga. __ É a mãe do meu filho. – leva a mão em meu rosto acariciando-o de leve. __ É linda. – Nossos olhos se conectam. __ E eu fico mais feliz quando você esta perto.
Ele leva os dedos aos meus lábios contornando-os.
__ Mesmo com meu mau humor?
__ Você fica ainda mais linda brava. –ele diz se aproximando ainda mais.
O som do celular dele nos assusta.
__ Só um minuto. –diz se afastando dele.
__ Eduard Grey.
__ Só um minuto.
Ele se vira para mim. __ Posso confirmar nossa presença?
Assinto com a cabeça.
__ Nós iremos. Obrigado.
Ele desliga e me puxa para seus braços.
__ Tenho que ir. Te pego em casa ás 19 horas. Ok?
__ Sim. –digo me aconchegando nele.
Ele se afasta um pouco, roça os lábios nos meus e sai. Fico com a sensação de vazio.
Depois de revirar todo o closet atrás de uma roupa adequada que me servisse sinto meu humor piorando.
__ Pronta? — Ele pergunta batendo na minha porta.
__ Não vou. –digo emburrada.
Ele abre a porta e entra.
__ O que foi agora Ella?
__ Olha para mim. A única roupa que me serviu. Estou parecendo uma baleia. Eu não quero ir em um lugar de mulheres elegantes. – sinto as lagrimas queimando em meus olhos.
Ele se aproxima e me puxa para a frente do espelho, ficando atrás de mim.
__ Você está linda. Está grávida e não uma baleia. E eu te acho sexy assim.
__ Você está falando isso para eu me sentir melhor. –falo com manha.
__ Eu duvido que haverá uma mulher lá mais bonita e elegante que você. Você sempre foi muito confiante, não perca isso.
Viro-me e o abraço.
__ Como você está me suportando? — Pergunto em seu pescoço.
__ Eu aguento. –ele fala com uma risada. Afasta-se pega o casaco e coloca em mim. __ Está muito frio. Vamos?
Seguro em seu braço e vamos ao tal jantar.
A recepção está lotada de músicos, suas namoradas, esposas e agentes. Além de solteiros a caça.
Eduard me apresenta como sua esposa e percebo a surpresa de muitos pela novidade. Um deles chegou a ser indiscreto. Assim que chegamos e antes que fossemos apresentados ele perguntou ao meu marido por Mirna. Edu disfarçou e me apresentou. Pelo visto todos achavam que o romance era serio.
A chata da Helena também está presente e só de olhar para ela sinto meu estomago embrulhar.
Quando volto do toalete vejo meu marido envolto por mulheres lindas, esbeltas e com sorrisos.
__ As mulheres sempre ficam assim nele. – Assunto-me com a voz peçonhenta de Helena.
Coloco meu sorriso mais falso.
__ Imagino que sim. Mas ele pertence a mim.
__ Você foi esperta. Tenho que reconhecer. Engravidou para prendê-lo. Mas agora que está deformada desse jeito não será difícil ele voltar as velhas origens.
Trinco meus dentes de raiva.
__ Estou grávida e não deformada. E só para te esclarecer apesar de não te dever explicações. Não engravidei para prendê-lo. Simplesmente aconteceu. Agora se me da licença vou cuidar do meu marido para que mulheres vulgares como algumas aqui presente não achem que pelo fato de eu estar carregando o filho dele seja menos importante.
Começo a andar.
__ Vamos ver se vai se sentir tão segura quando Mirna chegar. –ela diz rindo.
Ignoro e vou ao encontro de Edu. Tento continuar a sorrir e conversar com os amigos dele, mas não paro de pensar nas palavras da bruxa.
Quando finalmente vamos embora o tempo piorou muito e já começou a chover forte.
__ Quer um chá? — ele me pergunta atencioso.
__ Não. Vou me deitar.
__ Aconteceu algo? Você estava tão feliz e depois percebi que estava fingindo.
__ Ouvir falar o tempo todo da sua “amiga” não é muito agradável. Ela está vindo para Seattle?
__ Quem te contou isso?
__ Achei que tínhamos combinado que você não teria amantes aqui. –digo asperamente.
__ Não se preocupe tanto querida esposa. Serei discreto. Não aparecerá nada nos tabloides. –ele responde impassível.
Sinto as lágrimas voltarem, mas me controlo.
__ Obrigado. –digo subindo as escadas.
Jogo-me na cama e choro. Ela está vindo encontrar com ele. Eu não posso acreditar. Ele disse que seria fiel.

Ella Grey
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