Lilith: Entre Demônio e Anjo
4 Capítulo 04- Apartamento 57
Notas iniciais
– Bom dia meus amores!
– Você é muito barulhenta Hanna....
– Sei que me ama Alam, não precisa fingir- Hanna parou e olhou para Ryan que estava lendo – Ryan! RYAN!
– Bom dia Hanna
– O que está lendo? – Ryan logo fechou o livro marrom de capa dura, mas antes que ele guardasse dava para ler o título em letras douradas: Mitologia – Ei! Por que tem de esconder a gente, não somos amigos poxa?
– Hanna, deixa ele ai – Thomas disse a puxando – Vamos para seu lugar falar com a Lilly.
– Não acha que ele está estranho Thomas? Já faz quase 2 semanas que ele está assim.
Thomas foi guiando Hanna enquanto eu virei para falar com Ryan, porém ele estava encarando a novata. Fiquei olhando para os dois, não entendo o motivo do Ryan ter cismado tanto com ela. As aulas se passaram, mas estava com tanto sono que dormi em todas. Como fui acordado? Com uma malada na cabeça daquela Loira na saída.
– Acorda Bela Adormecida! – Hanna olhou ao redor e se aproximou do meu rosto — Ei, posso ir pro seu apartamento hoje?
Almoçamos perto da escola e fomos para o meu apartamento. Chegando lá deixamos as coisas no sofá e eu fui fazer chá mate de limão, o único que ela toma enquanto ela começou a arrumar minhas coisas que havia deixado na sala.
– Você devia contratar uma empregada, olha a zona desse apartamento! –Dizia enquanto arrumava meus materiais da escola – Pelo menos vejo que anda estudando.
Hanna arrumava a sala e eu apenas observava do balcão da cozinha. Ela arruma meu apartamento desde que nos mudamos para cá três anos atrás. Meu apartamento é bem pequeno, mas grande o suficiente para eu viver bem.
– Pronto! Agora vamos ver a outra zona.... – Hanna passou pela sala e foi para a porta a esquerda, meu quarto.
– Não entra! – Tentei pará-la mas foi tarde demais
– ALAM!! QUE BAGUNÇA!! – Hanna disse enquanto pegava as minhas roupas largadas por todo o quarto. Dessa vez eu admito: meu quarto estava bagunçado.
– Boa sorte em arrumar isso — Disse apoiando na porta –Seu chá está pronto.
Peguei uma xícara de chá e sentei no sofá com os pés apoiados na mesinha de centro e liguei a TV. Não demorou muito e Hanna sentou do meu lado.
– Por que não abre essa varanda? – Hanna, para passar deu um chute em mim – Licença!
– Era só pedir animal! – Disse dando passagem para ela. Hanna abriu a varanda e voltou ao seu lugar.
– Então, o que quer? – Disse bebendo mais um pouco do chá – Perdi algo hoje no intervalo?
Hanna não disse nada, pegou o controle da minha mão e desligou a televisão e pegou o meu copo bebendo o chá.
– Ei, o seu copo é aquele! – Disse apontando para a outra xícara.
– O meu ainda tá quente, o seu já tá morno. Ryan está na defensiva.
– Com a Lilly? Isso eu já reparei – tomei mais um pouco – Ele está lembrando quando nós o conhecemos.
– O “Príncipe Demônio”, lembra? – Hanna riu de leve.
– Ryan realmente não sabia como fazer amizades. Na verdade ainda acho que ele não sabe. Enquanto que Lilly está se abrindo pouco a pouco conosco, agora não gagueja nem desvia o olhar quando falamos com ela e está sorrindo mais..... – Parei de falar e uma lembrança veio em minha mente.
Minha primeira impressão do Ryan era de que ele parecia um Gangster, um garoto muito bonito como um príncipe, mas com olhares e sorrisos tão assustadores quanto de um demônio. Entrava em muitas brigas fora da escola e por causa disso saí muito machucado várias vezes tentando ajudá-lo. Não foi fácil começar uma conversa, admito, ele não queria ninguém por perto, mas com o tempo ele foi nos aceitando e logo andava com a gente, assim o Demônio foi sumindo para se tornar apenas Príncipe.
– Alam? – Saí dos meus pensamentos e vi o rosto de Hanna muito próximo ao meu.
– AAAH!
– AAAIIII, seu grosso – Hanna virou a cara em direção a cozinha
– Ei, desculpa – escorreguei do meu canto do sofá até ela e a abracei. Hanna não esperava por isso, mas não se moveu.
– Na próxima vez eu vou jogar água viu? – Hanna disse virando para mim – Minha mãe vai jantar em casa hoje, não quer ir também?
– Pode ser.... Não tenho nada pra comer mesmo – Disse me jogando no sofá.
–----X-----
– Cheguei! – Disse jogando o material e as sacolas no sofá e me deitando – Sei que está aqui.
– Milady, essas são horas para se chegar? Uma garotinha indefesa não deveria rondar a cidade essa hora – Dizia o dono dos olhos vermelhos que me encaravam com uma taça de vinho apoiada na mesa redonda da copa.
– Você sabe muito bem que eu posso me virar sozinha – Ao olhar para o espelho, reparei nos nossos cabelos, ambos brancos que brilhavam à luz do luar. E agora aqueles olhos de sangue estavam acompanhados de um meio sorriso.
– Milady, você sabe que nunca está sozinha, afinal, você possui algo que me pertence.... – Com uma velocidade muito rápida, eu fiquei imobilizada. A mão branca ia se aproximando do meu rosto até que parou em minha bochecha esquerda apontando para meu olho que agora brilhava igual aos dele. Vermelho como o sangue – Bem.... A-Q-U-I.
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