Notas iniciais
Voltei! Espero que gostem!

As trovoadas do lado de fora anunciavam um domingo chuvoso e monótono
“perfeito para estudar”— Susana o disse uma vez.
Era exatamente isso que ele ia fazer, as provas bimestrais estavam se aproximando e até agora ele não tinha estudado absolutamente nada, sempre se pegava pensando em Susana. Eles estavam tão próximos agora... Talvez John tivesse razão. E se alimentar o medo bobo de ser rejeitado por ela fosse uma grande besteira? Afinal, até quando ele conseguiria ficar perto de Susana sem tomar atitude alguma? Até quando ele conseguiria reprimir aquele sentimento avassalador que crescia a cada dia? Até quando ele iria conseguir estar tão perto e ao mesmo tempo tão longe? Até quando estar do lado dela não se tornaria doloroso? Até quando ele poderia estar com ela sem acaricia-la, abraça-la, beijá-la?
Por hora, ele decidiu deixar seus dilemas de lado um pouco e se dedicar aos estudos...

{...}

Susana passara o dia estudando, ela estava passando tanto tempo com o Ben que nem se deu conta da quantidade de matéria acumulada que tinha. E era justamente em Ben que ela não parava de pensar, a cada duas, três páginas lidas, a imagem dele vinha a sua mente.
Ela não conseguia parar de pensar no gesto de carinho de Ben, indo com ela ao cemitério, abraçando-a, confortando-a quando ela mais precisava. Ele sempre estava quando ela mais precisava...
Quando ele a abraçou ela conseguiu sentir o coração dele furiosamente acelerado, também notou que sua respiração estava acelerada. Aquilo definitivamente significava alguma coisa. Será que ele ainda tinha sentimentos por ela mesmo depois do que ela fez? Com essa possibilidade Susana se sentiu ainda mais confusa, por um lado seu coração se alegrou ao pensar que Ben estaria apaixonado por ela. A cada dia que passava ela queria estar cada vez mais perto dele, a companhia dele fazia um bem inestimável a ela. Naquele abraço ela se sentiu amada, protegida, como há muito tempo não se sentia, ela apenas se sentiu assim com uma pessoa: Caspian X.
Mas por outro lado havia um verdadeiro motivo por ela está sentindo aquilo. Seria muito errado alimentar as esperanças de Ben quando o que realmente a atraía nele era a incrível semelhança que ele tinha com Caspian. Ela poderia esconder isso e se aproveitar da situação... mas não, ela nunca faria uma coisa dessas. Primeiro porque sua consciência jamais a aprovaria. Segundo que aquilo não seria justo com Ben, ele era tão bondoso, tão gentil, tão amável, tão sensível, tão meigo, tão... perfeito. Ela precisava da um jeito de frear essa atração por ele.
“Eu queria tanto poder conversar sobre isso com alguém... Se Lúcia estivesse aqui ela entenderia, ela poderia me aconselhar.” —pensou.
Susana não queria desabafar com as suas amigas, ela teria que escolher muito bem as palavras para não acabar falando sobre Nárnia e Caspian, se isso acontecesse certamente iriam a chamar de louca.
Já era noite e a tempestade finalmente se fora, o céu estava lindo, era uma bela noite. Susana fechou seu livro, passara o dia todo estudando, ou pelo menos tentando... ela merecia um descanso. Foi até a janela do seu quarto e não conseguiu conter o sorriso sincero de alegria que brotou em seus lábios. Ben estava lá. Ela mais que depressa saiu do seu quarto, e foi até a rua para encontra-lo.
—Ben! O que está fazendo aqui? — ela não conseguia conter o sorriso, o que fez o coração de Ben acelerar.
— Eu passei o dia inteiro estudando, quando terminei vi que a chuva havia dado uma trégua... Então resolvi da uma volta e passar por aqui, saber se você está bem, se já terminou de estudar também...

—Eu estou bem, muito obrigada! E você?
—Melhor agora, Digo...
—Há quanto tempo está aqui? — Susana o cortou, percebendo a hesitação do rapaz.
—Eu acabei de chegar.— mentiu. Ele estava ali há pelo menos meia hora, olhando a janela do quarto de Susana e tomando coragem para chama-la para sair.
—Eu acabei de estudar agora a pouco, mas estou sem nada para fazer.
A situação se mostrou perfeita, mas um dilema se formou na cabeça do pobre Ben: “Como chama-la para ir ao cinema sem que pareça um encontro?”
— Eu estava pensando... Tem um filme que acabou de estrear, estão falando muito bem dele, mas é suspense e...
— A noite tem mil olhos?
—Esse mesmo, já ouviu falar nele?
—Claro, eu estou louca para ir assisti-lo, até pensei em chamar as meninas para irem comigo, mas elas só gostam de comédias românticas e coisas do tipo. Não que eu não goste, é que gosto de outros gêneros também.
— Você gostaria de ir assisti-lo comigo? — ele perguntou sem hesitar, em um raro momento de coragem.
—Você está me chamando para um encontro, Ben? —ela perguntou com um sorriso no rosto, mas logo se arrependeu da brincadeira vendo a reação dele. Ela já estava acostumada a fazer brincadeiras com ele, mas dessa vez soou de outra maneira.
—Érr, bem... eu só queria...
— Estou brincando Ben! Claro que quero ir com você, só me dê um minuto para ir trocar de roupa, eu já volto! — ela falou sorrindo, tentando concertar a situação.
Susana mais que depressa voltou ao alojamento, deixando Ben sem fala. Ben se encostou no carro, em uma posição confortável, pronto para esperar pelo menos 40 minutos até Susana terminar de se arrumar. Surpreendentemente, Susana voltou, apenas 15 minutos depois, contrariando as expectativas dele. E quando ele a viu, ele não foi capaz de pronunciar uma palavra, aliás ele não foi capaz de fazer nada, além de admirá-la.
—Estou pronta Ben, vamos!
Ele não a respondeu e continuou a fitando. “Tão linda...” Susana estava em um vestido cor-de-rosa num tom bem clarinho, ele tinha um decote discreto, mas que foi o suficiente para ativar certas fantasias em Ben... O vestido ia até um pouco abaixo dos joelhos, deixando à mostra uma parte das penas bem-delineadas Susana, que estavam elegantemente equilibradas em um par de sapatos de salto alto, que combinavam com a delicadeza do vestido. Seus cabelos estavam soltos, como Ben nunca havia visto, ela sempre usava algo para prendê-los, mas dessa vez as mechas caiam livremente em seus ombros, de forma graciosa.
—Ben? —Susana tentou “acordá-lo”
—Você está linda! — disse ele sem conseguir conter sua admiração.
Susana corou intensamente com o elogio, mas invés de desviar o olhar, ela o manteve nos olhos de Ben, lisonjeada com a maneira que ele a olhava.
—Obrigada... — ela respondeu, surpresa coma reação de seu coração, ela sentiu algo morno agradável que o fez bater mais forte.
Ben continuava fitando-a e Susana finalmente foi vencida pela timidez e abaixou os olhos, sorrindo sem jeito. Ben percebeu que a deixara desconcertada, mas preferiu deixar a situação daquela forma. Ela estava linda, ela era linda e ela definitivamente merecia saber disso.
—Vamos? — ele perguntou, finalmente.
—Sim, vamos!

{...}

—O Filme foi fantástico, Ben!
—Foi mesmo, fazia tempo que eu não assistia a um filme tão bom.

Ben e Susana continuaram falando sobre o filme enquanto se dirigiam a uma lanchonete, que na opinião de Ben servia o melhor Summer pudding, enquanto aguardavam seus lanches, algo chamou a atenção de Susana. Em uma mesa no lado oposto ao que eles estavam havia uma mulher e um menino, que deveria ter por volta de 7 anos de idade. Ela não parava de olhar para Ben e Susana com um expressão de perplexidade, que aliás foi a mesma expressão que se desenhou no rosto de Susana ao vê-la. Susana a fitou por mais algum tempo até tomar uma certa coragem.
— Algum problema, Susana? — perguntou Ben, preocupado.
—Não... É que eu vi uma pessoa que não via há muito tempo... você se importaria se eu fosse um minuto até lá cumprimentar?
— De forma alguma.
Susana respirou fundo e caminhou até eles. A mulher viu que ela se aproximava e sua expressão agora era indecifrável. Surpresa? Desconfiança? Mais perplexidade? Era impossível definir.
Susana chegou á mesa, a mulher se levantou em sinal de respeito e a cumprimentou;
—Rainha Prunaprismia...
—Rainha Susana...
—Por favor, não precisa me chamar assim. Não sou rainha neste mundo.—Susana sorriu.
—Nem eu... Nem em Nárnia eu fui para falar a verdade, não é mesmo?— Prunaprismia falou com um leve tom de tristeza.
—Então, deixemos os títulos de lado.
—De acordo. Mas, jamais imaginei encontra-la aqui.— disse, claramente surpresa.
—Nem eu...—Susana respondeu tão surpresa quanto ela, então olhou para o menino. — É seu filho?
—Sim, é meu menino... Filho, diga Olá para Susana!
—Olá Susana, você é bonita!
—Oh, muito obrigada! E Você é um belo rapaz!
—Aquele que está com você... por acaso seria o...
—Não, não é ele. Se parecem muito não é?
—Se parecem demais, a semelhança é incrível.
—Prunaprismia, eu gostaria muito de conversar com você agora, mas será que poderíamos nos encontrar outro dia? — Susana disse olhando em direção a Ben
—Claro, Claro! Sabe, eu nunca pensei que um dia iria encontrar com você ou seus irmãos aqui, apesar de estarmos no mesmo mundo agora... Mas já que a encontrei gostaria muito de conversar com você...
—Será um prazer! Vocês estão morando aqui em Londres?
—Na verdade não, chegamos aqui há pouco tempo e vamos ficar pouco mais de um mês, meu marido está a serviço e viemos acompanha-lo... Me casei novamente depois de alguns anos...
—Entendo, será ótimo encontrar com você.
—Que tal se nos encontrássemos amanhã?
—Eu faço faculdade, mas posso encontra-la depois da aula.
—Perfeito.
As duas marcaram horário e o local do encontro e em seguida Susana se despediu dela e de seu filho e voltou para sua mesa, a surpresa continuava estampada em sua face.
—Está tudo bem?
—Sim, é que fazia realmente muito tempo que não a via e eu realmente achei que nunca mais fosse voltar a vê-la algum dia.
—Entendo...— disse Bem, em seguida olhando a direção de onde Susana viera.
A mulher continuava olhando para eles e quando Ben a viu, ele sentiu algo mais estranho do que quando viu as fotos dos irmãos de Susana no cemitério. Nesse momento a mulher e o garoto se levantaram para ir embora, Ben o acompanhou com o olhar e uma cena se formou em sua mente: Aquela mesma mulher vestida em uma espécie de camisola de modelagem antiga, segurava uma arma, uma besta e apontava em direção a ele.
—Ben?
Ele pareceu não ouvir a voz de Susana, a cena continuava desenhada em sua mente e uma expressão de dor surgiu em seu rosto quando em sua mente ele vira a mulher sua direção e ferir seu braço.
—Ben!
Ele pareceu voltar a sí com o chamado de Susana e olhou para ela.
—De... Desculpe.
—Você está bem?
Como ele poderia explicar isso a Susana?
—Sim, estou bem, é que eu só achei que conhecesse aquela mulher de algum lugar, estava tentando me lembrar de onde, mas foi inútil ... Acho que foi só impressão minha...
Susana estranhou a reação de Ben diante de Prunaprismia. Será que aquilo significava algo? “Será que....”Susana nem chegou a completar seu raciocínio, pois logo lembrou da conclusão que chegou em outro dia: Seria impossível Ben e Caspian serem a mesma pessoa, ambos de mundos diferentes, com certeza de idades diferentes, é logicamente impossível. “Ele deve te conhecido alguém parecido, só isso. Apenas uma coincidência". Ela então decidiu não se ater mais a isso e dá atenção ao seu lanche que acabara de chegar.

Depois de algum tempo, eles deixaram a lanchonete e Ben a deixou em seu alojamento.
—Boa noite, Susana!
—Boa noite, Ben! — respondeu sorrindo.
Ela então seguiu em direção a porta do prédio e entrou, lançou mais um olhar em direção a Ben que havia entrado em seu carro, ele então sorriu mais uma vez para ela e partiu.
Susana seguiu para seu quarto, havia um turbilhão de pensamentos em sua mente, foi para o chuveiro, tomou um banho demorado, como se a água fosse capaz de lavar toda essa confusão mental que ela estava sentindo... Vestiu um pijama confortável e foi para a cama, não estava com sono, apenas queria ficar deitada, quieta, no escuro, apenas com a luz da lua iluminando o seu quarto. Só queria ficar a sós com seus pensamentos confusos, conjecturas e sentimentos.
Mais cedo ela havia pensando em um jeito de frear a atração que estava sentindo por Ben, talvez se afastar um pouco, mas foi só ele aparecer que ela esqueceu de tudo, deixou se levar pelo seu coração que ansiava pela companhia dele.
“ Deus o que está acontecendo comigo...?”
Ela lembrou da forma como ele elogiou mais cedo e lembrou como se sentiu.
“Eu quase derreti olhando nos olhos dele... Oh não... Eu não posso, não posso! Eu não posso enganar Ben, é Caspian que eu amo... Não posso ser egoísta a ponto de me aproximar de tal maneira dele apenas para me sentir próxima a Caspian... Mas ao mesmo tempo eu não posso evitar, eu não consigo evitar... Não posso me afastar de Ben, eu quero estar com ele, quero a companhia dele... Já sofri tanto, não posso me impor mais este sofrimento... Não tenho forças para isso. Aslam, me ajude!” — pensou.
Depois do monólogo mental, Susana chegou a conclusão de que não suportaria se afastar de Ben, mas para o bem dele ela precisava dar um jeito de frear e esconder seus sentimentos por ele. Que na verdade eram por Caspian. Pelos menos era nisso que ela acreditava.

Notas finais
Gostaram?