Like a Rolling Stone
14 Vidas Passadas?
Notas iniciais
No dia seguinte Susana havia encontrado com Prunaprismia, tal como tinham combinado, as duas mantinham uma conversa agradável;
—Então você casou com Glozelle... — Susana não pode conter a expressão de surpresa que se formara em sua face.
—Sim, quando chegamos aqui ficamos muito próximos, ajudando um ao outro, ele também se tornou um grande amigo de meu pai...
—Lorde Scythley...
—Sim, Glozelle sempre foi muito atencioso e gentil, sempre se preocupava com o meu filho. Mas levou algum tempo para começarmos um relacionamento, pois depois da experiência traumática que tive com Miraz nem chegava na minha mente a ideia de outro casamento, mas depois de dois anos eu pensei que eu pudesse recomeçar, dar um pai ao meu filho... eu também já estava ficando falada! Então me dei conta que Glozelle sempre esteve para mim e para o meu filho quando sempre precisamos, então eu pensei: “por que não?”
—Eu acho que você fez uma ótima escolha, Prunaprismia. Não passei muito tempo em Nárnia da última vez, nem tão pouco convive com você ou com Gozelle, mas eu presenciei uma cena comovente quando lutamos na Revolução Narniana; Caspian estava no chão e Glozelle em pé em frente dele, Caspian estava desarmado e Glozelle poderia mata-lo facilmente se quisesse, mas ele não fez e eu vi o brilho de lealdade nos olhos de Glozelle, Caspian era o herdeiro do trono por direito, afinal.
—Sim, meu sobrinho era... Mas o crápula do Miraz arquitetou tudo para usurpar o poder... e claro que Glozelle foi obrigado a seguir as ordens dele, foi por isso que aceitou a oferta de vir para cá, ele estava tão envergonhado...
—Ele não teve alternativas, Prunaprismia.
—Olhe... Eu quero me desculpar pelo meu comportamento naquela época... Eu feri Caspian, quando tudo que ele estava fazendo era lutar pelos seus direitos e liberdade do povo Narniano... Quase te feri também, quando você tentou defende-lo.
—Não precisa se desculpar, você fez o que tinha que fazer; você defendeu seu marido, você não sabia que Miraz tinha matado o pai de Caspian nem que ele tinha tentado matar o próprio Caspian no dia do nascimento do próprio filho! Não foi sua culpa.
—Obrigada, Susana. Estou muito feliz por você não ter guardado rancores de mim...
—Nem eu nem meus irmãos, isso eu posso lhe garantir...
—Eu lamento tanto pelo o que aconteceu com eles e com seus pais...
—Foi um período muito difícil para mim, mas eu tenho certeza que eles estão bem e felizes agora... Ah, eu sinto tanta falta deles... — a Voz de Susana falhou um pouco.
—Oh, querida... — Prunaprismia segurou a mão de Susana, confortando-a
—Eu vou ficar bem...
Prunaprismia sorriu para ela e em seguida olhou seu relógio e notou que já era um pouco tarde.
—Susana, querida eu preciso ir agora. Deixei meu filho com o tutor no hotel e já está quase no fim da aula... Podemos nos encontrar novamente?
—Claro, eu ficaria muito feliz em conversar com você outra vez.
—Infelizmente já estou de saída de Londres, mas é só por um tempo, logo estaremos de volta, então quando voltarmos, gostaria que você almoçasse e passasse a tarde conosco, Glozelle iria adorar te ver, o que acha?
—Perfeito.
Prunaprismia pegou um pedaço de papel e anotou seu número de telefone, logo em seguida entregou a Susana.
—Aqui tem meu número telefone, preciso do seu número também para te avisar o dia.
Susana anotou o número de telefone de seu alojamento e entregou para Prunaprismia.
—Esse é o número do meu alojamento, quando você ligar vai dar direto na portaria, então é só você pedir para falar comigo.
—Mal posso esperar, Susana.
Prunaprismia se despediu de Susana e deixou a cafeteria, Susana ficou lá por mais algum tempo refletindo sobre toda a conversa que tivera.
“ Ela é uma boa mulher... não merecia ter aquele canalha como marido. Realmente estou muito feliz por ela ter conseguido refazer sua vida.” — Susana pensou.
{...}
Ben sempre fora um estudante muito dedicado e atento. Sempre prestou total atenção em suas aulas, mas ultimamente isso está sendo diferente, ele não estava conseguindo prestar atenção em uma só palavra que estava sendo dita em sala de aula, apenas olhava fixamente seu professor e balançava a cabeça fingindo compreensão.
“ O que diabos está acontecendo comigo?” ele pensava o tempo inteiro. Toda essa distração de Ben começou há meses atrás quando ele viu aquela amiga de Susana, Aquela mulher... Ele sentia como se a conhecesse e o sentimento era mais forte do que quando viu as fotos dos irmãos de Susana no cemitério, aliás ele estava quase certo que a moça que viu no cemitério era realmente Lúcia, mas ele não conseguia entender o por que dela ter aparecido para ele ao invés de aparecer para Susana. Há meses ele estava tendo o mesmo sonho todas as noites, sonho que consistia em Susana vestida com uma espécie de roupa de batalha apontando um arco e flecha para aquela mulher que apontava uma besta para ele. Era como se Susana estivesse o protegendo...
“Deus, isso não faz o menor sentido! Essa insanidade está me deixando completamente maluco. Ou será que é minha loucura produzindo essas alucinações... Eu preciso de ajuda! Ajuda profissional.” — pensou.
Ele decidiu procurar um terapeuta, mas reconsiderou por achar que toda essa história soaria esquisita demais até para um terapeuta. Então ele decidiu procurar alguma coisa para ler, talvez ele acharia alguma resposta sem ter que dizer para alguém que está ficando completamente louco. Em falar em algo para ler, ele instantaneamente lembrou que esquecera um livro importantíssimo na casa do John e ele deveria pegar o mais rápido possível, ou seja ao fim daquela aula ele iria casa do John.
{...}
—Aqui está seu livro, Ben.
—Obrigado, nem acredito que acabei esquecendo ele aqui.
—Eu não acredito que depois de meses você só deu falta dele hoje!
—Pois é, eu ando tão distraído ultimamente, não sei o que está acontecendo comigo...
—Como assim não sabe? Você tá brincando, não é? Isso se chama “amor” meu amigo!
—Também, mas não é só isso, John...
—Não?
—Não... — Bem suspirou, ele estava em dúvida entre compartilhar sua insanidade com seu melhor amigo ou guardar tudo para sí mesmo. Mas a verdade é que ele estava impaciente para conversar sobre suas “esquisitices com alguém e John era o alguém quase perfeito, afinal não teria tantos problemas se John pensasse que ele estava completamente maluco.
—John, seu eu te contar algo extremamente estranho, você não vai me chamar de maluco, vai?
—Creio que isso é impossível, Ben. O máximo que eu posso fazer é não te chamar de maluco na frente de outras pessoas.
—Ok, eu aceito.
Então Bem contou exatamente tudo a John. Desde os sonhos que ele sempre tivera com os olhos de Susana, sobre ter visto Lúcia no cemitério até suas “alucinações” recentes. Mas a reação de John foi bem diferente do que ele pensou que seria.
—Ben, eu estou impressionado! Isso é incrível! Eu já li sobre esse tipo de coisa mas nunca encontrei alguém que realmente passou por isso.
—Do que você está falando?
—Ora, Ben, não é claro?
—Não.
—Pensa comigo: Você sempre teve sonhos que nunca conseguiu explicar e neles via olhos azuis, você conheceu Susana inesperadamente e logo seu sub consciente reconheceu que os olhos azuis de Susana eram os mesmos dos seus sonhos, então você se apaixona por Susana tão rápido que ninguém consegue explicar, ela te odeia, mas no final mostra que gosta de você, essa mulher que é amiga de Susana estranhamente tem uma ligação entre elas nos seus sonhos... Ben, isso só pode ser vidas passadas.
—Faz sentido...
—Total sentindo, meu amigo.
—Vidas passadas... Eu nunca pude nem pensar numa possibilidade dessa.
—Claro, isso é pouco falado, você sabe... as pessoas tem preconceito com esse tipo de coisa.
—Você disse que leu sobre isso, onde?
—É um livro de psicologia da minha irmã, na verdade é uma pesquisa cientifica sobre o assunto. Posso te emprestar se quiser.
—Claro que quero...
John saiu e logo em seguida voltou com o livro e o entregou a Ben.
—Acho que você vai encontrar as respostas que está procurando.
—Isso é incrível... Obrigado, John!
—E você achando que eu ia te chamar de maluco... Francamente, que espécie de amigo você acha que eu sou? —John perguntou fingindo estar profundamente magoado e ofendido, arrancando uma gargalhada de Ben.
—Você realmente me surpreendeu, não sabia que acreditava nesse tipo de coisa.
— Como já dizia Shakespeare: “ Há mais mistérios entre o Céu e a Terra do que sonha a nossa vã filosofia”. Não podemos simplesmente fechar os olhos para o que não podemos explicar...
—Você tem toda razão.
Ben olhou para o livro em suas mãos, mal podia esperar para começar a ler, mas por hora era melhor resolver outros assuntos pendentes que envolviam a universidade.
{...}
O tempo é extremamente misterioso e ás vezes só ele sabe o que fazer com as nossas vidas, tempo, tempo... és um dos deuses mais lindos.
Era novembro e Londres já estava coberta de neve, cheia de luzes... O natal se aproximava e Susana não poderia estar mais melancólica. Só em pensar que aquele seria o primeiro natal longe de sua família, primeiro natal de todos que vierem... ela sentia uma enorme vontade de chorar. Ben estava cada vez mais convencido que a relação que ele teve com Susana era de vidas passadas e isso o animou bastante, ele com certeza tivera conseguido o coração de Susana em outra vida e nessa ele vai lutar para tê-lo novamente. O que o entristecia era toda a melancolia que Susana estava sentindo, era um sofrimento mais que compreensível e ele estava fazendo de tudo para tentar amenizar, o coração dele praticamente quebrava quando via tristeza naqueles olhos azuis... Infelizmente ele não poderia estar com ela o tempo inteiro.
Eles estavam em uma cafeteria que devido ao tempo não estava tão animada, Ben queria ter a levado em outro lugar, um lugar, como um parque, mas com o frio que estava fazendo, isso não seria um programa agradável. Eles conversavam animadamente, sempre era assim... o assunto entre os dois parecia nunca ter fim, então Ben aproveitou para dar uma notícia, um tanto quanto desagradável para ele.
—Preciso falar uma coisa com você...
—Fale Ben, o que é?
—Como você sabe, em pouco tempo estou terminando a faculdade e surgiu agora uma oportunidade de estágio que vai ser fundamental para o meu Trabalho de Conclusão de Curso...
—Isso é ótimo, Ben!
—Em partes... Esse estágio irá durar 1 mês e será em Nova York.
—Você está dizendo que vai para Nova York? — a voz de Susana deixou transparecer toda a melancolia.
—Sim, vou voltar próximo ao natal.
—Oh, Ben... Irei sentir sua falta!
Ao escutar que Susana sentiria falta dele, o coração de Ben saltou dentro de seu peito.
—Também sentirei sua falta, darei um jeito de te ligar. — ele sorriu, mas por dentro só de imaginar que ficaria um mês sem ver Susana o coração dele doía.
—Susana, você irá passar o natal aqui em Londres?
—Primeiro eu pensei em passar em Finchley, mas não teria forças para ficar naquela casa sozinha... Então vou passar aqui.
—Então estou te convidando antecipadamente para passar o natal comigo e minha família.
—Seria uma honra, Ben!
—Uma honra é ter você comigo todos os dias...
Susana sentiu suas bochechas arderem e Ben achou aquilo totalmente adorável, ele pensou em desdizer, mas desistiu dessa ideia. Depois que leu aquele livro ele ficou muito mais confiante. Susana era o amor da vida dele ou das vidas dele e ele teria que parar com aquele medo de ser rejeitado, ela tinha que saber tudo o que ele sentia.
—Mas Ben, eu não seria um incomodo? Digo, no natal as pessoas gostam de ficar com suas famílias e pessoas importantes...
—Você é importante. — ele segurou levemente a mão dela que estava em cima da mesa.
—Você também é muito importante, Ben. — ela sorriu para ele. —Mas o que eu quero dizer é; será que a sua família não se sentiria incomodada com a minha presença?
—Claro que não, Susana! Eles vão adorar você.
—Mas...
—Me prometa que irá.
—Prometo.
—Acho bom, pois além de ser natal também é meu aniversário, quero passar ao seu lado.
—Não acredito que você faz aniversário no natal! Comemoração em dobro, então.
—É, talvez... — Ele riu.
Passaram mais algum tempo juntos, então Ben a levou para seu alojamento;
quando ele a viu entrar no prédio, sentiu seu coração apertado.
“Ora, não seja tão dramático, é apenas 1 mês...” —Ele disse pra sí mesmo.
Susana chegou ao seu quarto e observou Ben indo embora, ela sentiu uma ponta de dor em seu coração e respirou fundo.
“Ora, não seja tão dramática, é apenas 1 mês.” —Ela disse pra sí mesma.
{...}
Já havia se passado uma semana desde que Ben foi embora para Nova York e Susana sentia falta dele mais do que imaginava. O coração dela praticamente se quebrou quando ele disse que iria passar 1 mês fora, mas porque? Ela se sentia atraída por ele e amava a sua companhia, só isso. Com certeza ela estava exagerando. Mas esses sentimentos estavam ficando cada vez mais fortes e ela estava com medo de não conseguir controla-los.
“ Droga, não posso deixar que essa atração idiota caba magoando o Ben... Não posso dar esperanças quando meu coração pertence a Caspian... Caspian?” — ela estava pensando e se deu conta que fazia dias que não pensava em Caspian, apenas Ben preenchia seus pensamentos.
—SUSANA! —Anna gritou, fazendo Susana quase pular da cadeira.
—Por Deus, o que houve?
—O que houve é que estamos falando há meia hora com você e você parece estar no mundo da lua. — Mary Elizabeth falou.
—Desculpa meninas, eu só me distraí...
—Essa distração tem nome e sobrenome...—Mary Elizabeth falou entre risadas.
—O que?
—Benjamin Whittaker.
—Você está maluca?
—Ora Susana, a quem você quer enganar? Está na cara que você está apaixonada por ele.
—Eu não estou!
—Vocês parecem namorados, fazem de tudo juntos...
—Parem com isso.
—Susana, nós não somos cegas, faz apenas 1 semana que o Ben foi embora e você fica aí toda tristonha.
—Eu sinto falta da companhia dele, admito. Mas não estou apaixonada.
—Susana, a quem você quer enganar? Isso está escrito nos seus olhos. E se eu fosse você eu aproveitaria e viveria logo esse amor, pois sinceramente eu não sei até quando o Ben vai aguentar isso e você pode perde-lo, lembre-se que ele é um dos solteiros mais cobiçados de Londres, pretendentes não faltam. —Anna falou como se estivesse dando uma verdadeira bronca na amiga.
—Anna tem razão. Enquanto você fica aí com essa indecisão e fingindo as coisas ou não aceitando que está apaixonada, o Ben é capaz de puxar um bonde por você e talvez ele se canse disso e resolva se dar uma chance de procurar outro amor.
—E você sabe que se ele quiser...
—Ah, tá bom chega dessa história! Eu não estou apaixonada por ele e se eu estivesse já estaria com ele há muito tempo, agora vamos falar de outras coisas...
As meninas passaram a tarde juntas se divertindo, nem uma ousou a tocar no assunto Benjamin Whittaker de novo, elas sabiam que a amiga delas era mais teimosa que uma mula pela a manhã, elas só se preocupavam com as consequências dessa teimosia.
Ao fim da tarde Susana estava quase chegando ao seu alojamento, até que alguém chama sua atenção.
—Susana!
Ela imediatamente reconheceu aquela voz e fingiu não ouvir.
—Susana, espere!
Ela viu que ele não ia parar de gritar por ela então resolveu parar.
—Susana, há quanto tempo! Como está?
—Você está vendo como eu estou, agora se me der licença, preciso voltar para meu alojamento.
—Não, Susana. Preciso falar com você...
—Seja Breve, Paul.
—Eu queria pedir desculpas pela forma que eu te tratei da ultima vez que nos vimos, eu soube... bem, ér... do ocorrido.
—Só isso?
—Não. Eu sei que eu fui um verdadeiro cafajeste com você algumas vezes e que te magoei, mas eu estou muito arrependido... Sabe, eu não sou assim.
—Mas é assim que você sempre se mostrou para mim...
—Porque eu fui um idiota, Susana me perdoa e me dar uma chance de te conhecer melhor, me conheça melhor!
—Paul...
—Eu juro, eu não vou tentar nada com você, eu só quero que você veja que eu posso ser um cara agradável, quero me redimir pela forma que te tratei e como as coisas aconteceram, talvez se eu não tivesse sido tão estúpido você não me odiaria.
—Paul...
—Escute. Me dê uma chance de ser seu amigo, veja que sua opinião de mim estar errada. Assim como você fez com o Whittaker...
Susana não teve como lutar contra aquele argumento, afinal todo mundo achava que ela o odiava e hoje são amigos. Bem, claro que o motivo para ela ter tratado Ben tão mal foi outro totalmente diferente, mas isso ninguém poderia saber. Talvez Paul Starkey merecesse uma chance...
—Tudo bem, Paul...
—Então... Amigos? — ele estendeu a mão para ela que receosamente aceitou.
—Vamos tentar...
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