Capítulo 23: Casamento.

Ter duas mulheres grávidas na família estava sendo um pesadelo para o Sam. Ele simplesmente não aguentava tanta sensibilidade perto dele.

Por outro lado, a Mel era a pessoa mais atenciosa possível. Fazia de tudo por mim, ou melhor, não me deixava fazer nada.

– Nós deveríamos ir comprar roupinhas já. – ela dizia enquanto estávamos deitadas no sofá de casa.

– Meio cedo pra isso amor. – eu disse mexendo no cabelo dela. –Não sabemos nem se é menino ou menina.

– Pode ser os dois. – Liz disse deitada no outro sofá.

– Ia ser muita sorte, mas bem que eu gostaria. – Mel disse.

– Eu aposto que um só já me deixar louca, imagina se tiver dois bebês aqui dentro? – eu disse.

– Não importa se vão ser dois, um só, menino ou menina. Daqui a pouco iremos comprar alguma coisa. Quero ser a primeira a dar um presente. – Mel disse.

– Tudo bem. Mas depois temos que ir à casa da Ash, ela quer organizar as coisas do casamento dela. – eu me levantei para ir me arrumar.

Fomos até o shopping, e a Liz foi junto, compramos várias roupinhas de bebê e de várias cores. A Mel também comprou um All Star de bebê que era a coisinha mais fofinha do mundo, e uma roupinha com orelhinhas de urso.

Do shopping fomos até a casa da Ash e do Sam. Eles estavam organizando as coisas para o casamento.

Minha irmã queria casar antes que a barriga começasse a aparecer muito, então o casamento seria em menos de um mês.

E foi um mês realmente muito demorado para se passar. Isso no ponto de vista de alguém que sentia enjoo a cada vez que sentia cheiro de perfume ou coisa parecida.

Mas logo chegou o dia do casamento da Ash e do Sam. Não seria nada muito grande, pois era apenas para os mais próximos, e seria em São Paulo, pois a casa do meu avô era perfeita para a cerimonia do casamento.

Faltava apenas algumas horas e eu ainda não tinha terminado de me arrumar.

– Olha pra mim! Eu estou obesa! – eu dizia para a Mel enquanto estava parada na frente do espelho me olhando.

– Não exagera, você está linda! – ela estava sentada na cama do quarto olhando para mim.

– Olha isso. – eu fiquei de lado no espelho. – Filho, você está me deixando gorda, vai com calma ai.

– Ele está bem grandão mesmo. – ela se levantou e colocou os braços em volta de mim. – Mas você continua linda e nem um pouco gorda.

–Eu te amo mô. – eu dei um selinho demorado nela. – Mas você não sabe mentir.

Depois de algum tempo dela tentando me convencer de que eu estava linda, resolvemos descer para ver como estavam as coisas do casamento.

– Finalmente resolveram descer. – meu avô estava esperando no começo da escada. – Cuidado para não cair outra vez Isabella.

– Dessa vez eu estou segurando ela. – Mel disse segurando minha mão.

– Obrigado vocês dois, mas minha queda da escada foi um evento único. – eu disse descendo.

– Quase único. Uma vez quando você era pequena você caiu tentando escorregar pelo corrimão da escada. – meu avô disse. – Ou será que foi a Liz?

– O senhor está ficando velho demais para lembrar disso vovô. – eu disse.

– E você está ficando gorda. Mas vamos relacionar esse fato ao bebezinho ai dentro. – ele colocou a mão sobre minha barriga.

– Eu disse que estava gorda. – eu fiz cara de brava para a Mel e ela riu.

Algum tempo depois alguns convidados começaram a chegar. E logo a Marcela chegou também, junto com o Kevin.

– Como é que está meu afilhado ai? – Mah disse.

– Ele ou ela, está bem. – eu disse.

– Posso falar com você? – Kevin perguntou para mim.

– Tudo bem. – eu disse e fomos para a cozinha da casa.

– Tá, agora você pode me dizer sobre isso. – ele fechou a porta da cozinha.

– Não tenho nada pra dizer. – sentei em uma cadeira.

– Qual é Bells. Eu sei que esse filho é do meu irmão, é meu sobrinho. – ele disse se sentando de frente pra mim. – Você não vai deixar ele saber?

– Ele não pode saber Kevin! Ele vai surtar mais ainda se souber.

– Isso eu concordo com você. O Josh não tá bem, anda pior que meu pai. Mas as pessoas falam por ai, e uma hora a noticia vai chegar nele, e então ele vai perceber que o filho é dele. – ele disse como sempre muito calmo.

– Ele precisa melhorar antes de saber. – eu disse. – Mas ainda não decidi se devo contar para ele.

– Estou tentando convencer ele a ir viajar, para ver se ele melhora um pouco. Mas pensa nisso, talvez ele mereça saber.

– Tudo bem. Eu vou pensar, mas promete não dizer nada pra ele, pelo menos por enquanto.

– Prometo. Mas aposto que vai ser bonito ou bonita igual ao titio aqui. – ele sorriu.

– Você é convencido demais garoto. – eu ri.

Voltamos ao casamento, a maioria das pessoas já tinham chegado.

Estava tudo perfeito, do jeito que combinamos, só faltava a Ash.

– Cara, relaxa. – eu disse arrumando a roupa do Sam. – Parece que está indo pra forca.

– É como se eu estivesse. – ele disse nervoso.

– Não vai dar pra trás agora não é? – Liz disse.

– Não. Eu cheguei até aqui, vou até o final. – ele disse se ajeitando.

A marcha nupcial começou a tocar, então tomamos nossos lugares.

Ash estava caminhando até ao altar com o meu avô e o Thomas logo a frente trazendo as alianças. Ela estava perfeita, e bastante emocionada também. Naquele momento eu estava muito feliz por ela. E o Sam, quando a viu não pode deixar de sorrir também.

– Sabe, isso de casamento está me dando algumas ideias. – Mel sussurrou pra mim durante o blá blá blá da cerimonia.

– Que ideias? – sussurrei de volta.

– Vai ser surpresa. – ela sorriu pra mim.

Foi tudo bem no casamento, tudo como o planejado. Depois teve muita festa, mas eu estava cansada demais então não pude ficar muito tempo, então dei os parabéns ao Sam e a Ash e fui embora.

A Liz ainda ficaria um pouco, e depois levaria o Thomas para ficar em casa até que os pais dele voltassem da lua de mel.

Voltei o caminho todo para casa dormindo enquanto a Mel dirigia. Só acordei quando chegamos.

– Sabe você anda dormindo demais. – ela disse enquanto abria a porta de casa.

– Eu sempre dormi demais. – eu disse e entrei em casa.

– É você parece com um urso, quando dorme só acorda depois de meses. – ela riu.

– Eu? Você dormiu o dia inteiro ontem, até babou na minha cama.

– me joguei no sofá.

– Que mentira! Eu não babo quando eu durmo. – ela se sentou comigo.

– Eu sei que não, só queria ter algo para dizer contra você. – puxei ela pra mais perto.

– Sabe, eu acho que deveríamos mudar logo de casa. Ter uma só para nós.

– Eu sei, mas não prefere esperar até o bebe nascer?

– É acho que pode ser melhor mesmo.

– Agora só tem uma coisa passando pela minha cabeça... – eu disse.

– O que? – ela perguntou.

– Eu preciso de alguma coisa para comer. Urgente!

– Tudo bem. Vou ver o que posso fazer. – ela se levantou e foi até a cozinha.

Ela foi fazer comida e eu fiquei vendo TV na sala enquanto isso. Já estava me acostumando com isso de ser mimada.

Mais tarde ficamos no quarto, apenas deitadas conversando.

– O que você quis dizer com ideias sobre o casamento? – eu perguntei a ela.

– Já disse que é surpresa. – ela estava deitada perto da minha barriga. – Sua mãe é muito curiosa bebê.

– Você me deixa curiosa, e isso é quase um pecado. – eu disse.

– E se eu disser que eu estou pensando seriamente, em te pedir em casamento e dessa vez, vai ser pra valer? – ela olhou pra mim.

– Você sabe que eu casaria com você agora. – sorri pra ela.

– Agora não é possível. Mas eu preciso fazer alguns preparativos. – ela sorriu.

– Eu não sei como lido com isso de casamento. Não consigo ser o centro das atenções. – eu disse.

– Não precisa ser. Vamos fazer o seguinte: faremos algo simbólico, só eu e você. Depois disso, iremos a um cartório e chamamos quem você quiser para comemorar.

– Perfeito. – eu disse. – Mas não vai me dizer como vai ser esse casamento simbólico?

– Não mesmo! Eu disse que seria surpresa, e vai ser. – ela sorriu.

– Tudo bem... Vou tentar me conter.

– Então... Acho que precisamos escolher um nome para nosso filhotinho. – ela sorriu.

– Mô, não sabemos se é menino ou menina ainda.

– E se for gêmeos? – ela colocou a mão sobre minha barriga.

– Se for gêmeos eles vão nos deixar loucas. – eu ri. – Mas, acho que deveríamos escolher dois nomes então.

– Diga um nome de menino e eu digo um de menina como primeira opção, e depois você diz um de menina e eu de menino como segunda opção.

– Se for menino como primeira opção, eu quero Jon.

– Gostei. – ela sorriu. – Se for menina, como primeira opção eu quero que seja Clara.

– Se for um menino e uma menina então vai ser Jon e Clara. – eu sorri. – Mas como segunda opção para menina, eu quero Michelle

– Tudo bem. Como segunda opção de menino eu quero Kurt– ela sorriu.

– Então já está decidido.

– Meu neném, ou meus nenéns mais lindos do mundo. – ela beijou minha barriga.

– Você vai ser a mãe mais bobona do mundo. – eu disse sorrindo.

– E vou ser a esposa mais bobona também. – ela se ajeitou na cama para me beijar.

Três meses se passaram depois do casamento da Ash e do Sam. Eu tinha ido levar o Thomas ao cinema, e por algum motivo ele insistiu muito para ir apenas comigo.

– Posso saber por que você queria tanto que eu viesse com você aqui? – eu disse depois que saímos da sala de cinema.

– É segredo, a tia Mel pediu para eu não contar. – ele segurou minha mão.

– Tudo bem, acho que não vou conseguir arrancar informações de você. Então vamos comprar um presente para você, logo seu aniversário chega. – eu disse indo em direção a loja de brinquedos.

– Eu quero um skate! – ele disse todo animado.

– E você lá sabe andar de skate baixinho?

– Não, mas você pode me ensinar tia! – ele fez aquela carinha de “por favor”.

– Tudo bem então, mas eu nem te conto que já comprei um piano e logo ele chega em casa. – sorri pra ele.

– E você vai me ensinar a tocar?

– Vou sim, mas tem que prometer que vai se dedicar a aprender. – eu disse.

– Eu prometo tia! Mas eu posso ganhar um skate também? – ele sorriu.

– Pode baixinho. Vamos lá comprar. – eu ri.

Compramos um skate pra ele, depois combinamos de encontrar com a Mel no hospital para fazer os exames e sabermos o que seria o bebê.

– Vai aparecer o meu priminho ai? – Thomas apontou para a telinha do ultra som.

– Vai sim pequeno. – Mel disse colocando ele no cola dela, enquanto ela se sentava na cadeira ao meu lado.

– Talvez eu tenha uma ótima noticia para dar a vocês. – a medica disse.

– Talvez? – eu perguntei deitada na cama de exame.

– Sim... Uma boa noticia se vocês estavam querendo dois bebes. – ela disse.

– Eu te disse que eram dois. – Mel sorriu para mim.

– E são dois meninos ou duas meninas? – perguntei.

– Na verdade... – a medica começou a olhar mais atentamente. – São um menino e uma menininha.

– Ai meu Deus. – eu estava com a cara mais boba do mundo. – Jon e Clara.

– Jon e Clara mô. – Mel concordou com a mesma cara de boba que eu.

– E está tudo bem não é? Com eles. – eu estava olhando para eles na tela.

– Está sim, estão perfeitos. – aquela foi a melhor noticia que uma medica poderia me dar.

Já estava de noite quando saímos de lá. Depois fomos levar o Thomas para a casa do Sam e demos a noticia para ele e para Ash, que também tinha feito exames e estava esperando um menino, e ia se chamar Nicholas.

Fomos para casa em seguida.

– Espera aqui no carro, tenho que ter certeza se minha surpresa está pronta. – Mel saiu do carro e entrou em casa.

Ela voltou algum tempo depois.

– Posso ir? – perguntei.

– Pode. Mas nada de olhar lá pra fora, a área da piscina está proibida pra você por enquanto. – ela sorriu.

– Então. O que é isso aqui? – perguntei quando entramos na sala e havia um vestido branco não muito longo no sofá.

– Vai vestir lá no quarto, eu vou me trocar no quarto da Liz para você não espiar. – ela sorriu e foi ate o quarto.

Não questionei muito, apenas fui para o quarto e coloquei o vestido e tentei deixar minha aparência melhor. Algum tempo depois desci as escadas, ela já estava na sala me esperando, com um vestido branco quase do mesmo jeito que o meu, e ela estava perfeita daquele jeito.

– Mandei a Liz sair de casa por um bom motivo hoje. – ela estendeu a mão para mim.

– Acho que já estou percebendo. – segurei a mão dela e ela me conduziu até a área da piscina.

Lá fora estava tudo perfeito. O local todo estava com luzes, que deixava tudo com um clima agradável, em volta da piscina haviam velas no formato de rosas acesas, e por todo o chão pétalas de rosas. Havia também uma pequena cabaninha feita perto da piscina.

– Não queríamos nada muito tradicional. – ela me levava até a cabaninha. – Mas tentei fazer tudo do melhor jeito para você.

– Está tudo perfeito mô. Não podia estar melhor. – eu sorri e entramos na cabaninha.

– Você está me dando tudo o que eu sempre quis, e eu não podia ser mais agradecida por isso. Mas esse é apenas um jeito de mostrar tudo o que eu sinto. – ela pegou duas alianças douradas. – Isabella Bennett, me aceita como sua esposa? Porque nesse momento tudo o que eu quero é você para sempre.

– Aceito meu amor. – eu disse e ela colocou a aliança no meu dedo. – E você senhorita Mellanie Stark, aceita ser minha esposa? Eu prometo te fazer feliz todos os dias da minha vida, mesmo eu sendo chata, eu juro que meu amor vai ser maior que minha chatice.

– Aceito mô chatona e linda. – ela disse e eu coloquei a aliança no dedo dela. – Eu te amo demais.

– Eu te amo mais que demais. – eu sorri para ela.

– Eu nos declaro casadas. – ela se aproximou mais de mim. – Posso beijar a noiva?

– Deve! – eu disse e ela me beijou, e sem a menor duvida, foi o melhor beijo de toda a minha vida, e eu sabia que aquele seria só o primeiro de muitos que viriam enquanto eu estivesse ao lado dela.

Combinamos de ir em lua de mel algum tempo depois que o bebê nascesse. Iriamos para a Grécia, e de lá, íamos para onde der na telha.

Aquela foi a noite mais perfeita, e eu não trocaria aquilo por nada.