Like The Stars Miss The Sun In The Morning Sky

22 Capítulo 22: Por essa eu realmente não esperava.


Capítulo 22: Por essa eu realmente não esperava.

Tinha algum barulho muito chato passando pela minha cabeça. Um bip-bip constante e irritante.

– Alguém desliga esse barulho, por favor. – eu disse sem abrir os olhos.

– Esse barulho, me diz que você continua viva. – reconheci a voz da Ash.

Abri os olhos devagar, estava tudo muito claro, mas reconheci que estava em um hospital.

– O que aconteceu? – tentei levantar devagar, mas senti uma dor e desisti.

– Você caiu da escada. – ela disse.

– Jura? – fui irônica. – Depois disso, o que houve?

– Você quebrou duas costelas, bateu a cabeça, mas não teve nenhum ferimento grave. – ela disse calma. – Mas depois...

– Depois? Depois o que Ashley? – tentei me sentar na cama novamente e consegui.

– Depois conversamos sobre isso.

– Como assim depois? Me diz agora. – eu disse.

Sam entrou com tudo no quarto, em seguida a Liz entrou também.

– Diz logo pra ela, uma hora ela vai saber. – Sam disse parando ao lado da cama.

– Bells... – Ashley tentou dizer, mas parou.

– Diz logo pra ela Ash. – Liz se sentou na cama comigo.

– Será que alguém pode me dizer o que aconteceu? – eu já estava perdendo a paciência.

– O pessoal do hospital fez vários exames em você, para saber se estava tudo bem. Eu fiquei de olho em tudo, cuidei de alguns exames pessoalmente para ver se não teve nenhum trauma por ter batido a cabeça. – Sam disse e ele parecia até sério falando como médico. – Mas nessa parte está tudo bem, você só teve alguns ferimentos e já estão sendo cuidados. E é ai que vem a parte boa... Ou não. Bom é o seguinte, durante os exames que fizeram, descobriram que...

– Ah que droga me diz logo! – já tinha me irritado.

– Bells, você está grávida... Também. – Ash disse tudo de uma vez.

– O que? Como assim? Isso é brincadeira não é. Só pode. – eu não estava acreditando.

– Pelos exames, já deve estar de um mês e meio mais ou menos. – Sam disse. – Foi muita sorte não ter acontecido nada com o bebê durante a queda.

– Eu não acredito... – se passavam mil coisas pela minha cabeça.

– Está tudo bem. – Liz me abraçou. – Estamos com você e vamos te ajudar em tudo.

– Vocês dois, deixem-nos sozinhas um pouco. – Ash disse.

– Tudo bem. Qualquer coisa chama. – Liz disse e saiu pela porta com o Sam.

– Mana... Olha pra mim. – Ash tentava chamar minha atenção enquanto eu olhava para o nada. – Você sabia? Antes de isso tudo acontecer, você sabia que estava grávida?

– Não, eu não sabia... Eu notei que meu ciclo estava atrasado, mas sempre foi assim, e eu não me senti muito bem alguns dias atrás, mas achei que não fosse nada demais. Eu juro mana, eu não sabia. – eu disse, mas ainda estava tudo muito confuso na minha cabeça.

– De quem é o filho? – ela perguntou.

– Josh... – sussurrei, e disso eu tinha certeza.

– E o que você vai fazer agora? Olhe aqui pra mim. – ela disse me fazendo olhar pra ela novamente. – Você quer ter esse filho?

– Eu não sei mana. Eu... Eu preciso pensar. Minha ficha não caiu ainda. – eu estava chorando por algum motivo. – Minha namorada... O que eu vou dizer pra ela? Ela não vai querer olhar na minha cara, ela não vai entender.

– Calma mana. – Ash se sentou na cama comigo e me abraçou. – Olha, nós vamos te ajudar no que você decidir. Somos sua família. Vou te deixar um pouco sozinha e quando tiver pronta para decidir alguma coisa, você me avisa.

Ela saiu e me deixou sozinha no quarto.

Não sabia no que pensar naquele momento, não sabia que decisão tomar. Ainda não tinha caído à ficha, não podia acreditar que tinha uma criança em mim. Não sabia o que ia acontecer com meu relacionamento, justo quando tudo parecia estar dando certo, e quando eu parecia estar feliz. E ainda tinha o Josh... Meu deus o que eu ia fazer?

Mesmo com todas aquelas coisas na minha cabeça, tentei pensar do melhor jeito possível. Não pensar no momento, e sim no futuro. No que ainda iria acontecer. No melhor, não só pra mim, mas pra todo mundo. Depois de muito tempo pensando tomei uma decisão.

Peguei meu celular em uma mesinha ao lado da cama e mandei uma mensagem para a Ashley. E ela entrou no quarto novamente.

– Já tomei minha decisão. – eu disse.

– E qual é ela? – ela perguntou.

– Eu vou ter essa criança, e melhor que isso. Vou criar ele ou ela. É meu filho. – sorri para ela.

– Sabia que você tomaria a decisão certa. – ela sorriu pra mim.

– É, mas tem uma coisa... O Josh não vai saber que é filho dele. – eu disse.

– Mas mana por quê? Ele tem que saber, ele é o pai.

– Ashley o Josh está desequilibrado, ele não tem que saber de nada, se souber ele pode ficar pior. E mais uma coisa...

– Diz.

– A Mellanie não vai saber, por enquanto. Até ela voltar da Irlanda. – eu disse, mesmo que aquilo não me agradasse, não queria dar essa noticia para ela por telefone ou algo assim.

– Tudo bem. – ela disse. – Mas só mais uma coisa... Aposto que é menino.

– Pelo amor de Deus, só seria mais um pro Sam deixar igual a ele, além do seu. – eu disse e ela riu.

– Relaxa, é bem capaz que puxe mais pra você. – ela sorriu.

Ainda tive que ficar o resto da semana no hospital, e se não tivesse uma boa recuperação ainda mais uma semana, por conta do bebê.

Marcela foi me visitar, disse para ela não levar o Kevin por enquanto, ele provavelmente ia saber que o filho era do irmão dele então decidi não contar para ele por enquanto. A Emily e o Pietro vieram com ela alguns dias, mas na maioria das vezes eu preferia só ver a Marcela mesmo. Ninguém tinha noticias do Pierre, ele apareceu na escola para saber como eu estava e dizer que sentia muito pelo que fez, e depois disso, sumiu novamente.

A Mellanie sabia que eu estava internada, mas ainda achava que era por causa da queda.

– Não entendo por que você tem que ficar tanto tempo no hospital. – ela dizia no telefone.

– Eu também não, mas logo eu vou estar melhor e ai quando você voltar já vou estar inteira novamente para você. – eu disse.

– Tudo bem. Sinto sua falta mô, quero voltar para poder cuidar de você.

– Eu sei mô, mas aproveita sua viajem, eu logo vou estar bem. – eu dizia a ela.

Era cada vez mais difícil esconder aquilo dela, me doía cada vez que eu era obrigada a mentir.

Mas eu já estava me acostumando com a ideia de um filho. Já podia sentir algo de bom vindo de mim, um desejo de cuidar dele e ama-lo mais do que tudo no mundo.

Tive que ficar por mais uma semana no hospital, os médicos disseram que era “só por precaução”. Mas decidi não discutir.

Não foi fácil convencer a Mel, mas consegui.

– Você não vai contar pra ela? – Liz estava no quarto comigo em uma noite depois que eu tinha falado com a Mel no telefone.

– Liz, eu não posso contar, não agora. – eu disse.

– Mas ela tem que saber. E logo, ela merece saber Bells. – Liz dizia seria.

– Eu sei... Só não consigo contar agora. – eu disse e me virei para o lado para tentar dormir.

Liz saiu pouco antes de eu dormir. Peguei no sono rápido, e só acordei na tarde do outro dia.

Só acordei porque alguém estava batendo na porta do quarto do hospital.

– Pode entrar. – eu disse me ajeitando na cama.

– Oi. – Mellanie entrou pela porta.

– O que tá fazendo aqui? – eu disse surpresa.

– Bom, a Liz me ligou e me contou tudo, tudo o que você não quis me dizer. – ela se aproximou.

– Eu... Não queria que você soubesse e ficasse magoada. Não sabia o que fazer, eu não queria te perder, e tinha que cuidar do meu filho. – eu tentei não olhar pra ela.

– Mô... – ela segurou meu rosto me fazendo olhar para ela. – Está tudo bem. Aconteceu antes, antes de começarmos a namorar. Eu não estou triste, a não ser que você não me queira mais.

– Eu te quero mô. Só não quero que se sinta mal ao meu lado e ao lado da criança.

– Sabe Isabella, você fala demais. – ela sorriu e se deitou comigo na cama do hospital e colocou a mão sobre minha barriga. – Acho que quando nos casarmos, vai ser bom ter alguém para fazer companhia em casa, e, além disso, eu sempre quis ser mamãe também. Se você me deixar ser a outra mamãe do seu filho.

– Você vai me ajudar a escolher o nome? – sorri para ela.

– Logico que sim. Vai ser minha princesa ou meu príncipe, tem que ter o melhor nome do mundo. – ela sorriu.

– Eu te amo. – eu disse a ela.

– Eu te amo meu amor. Eu estava com saudade. – ela me deu um beijo demorado.

Ela parou o beijo devagar e olhou para minha barriga.

– Eu te amo também coisinha pequenininha que está ai dentro. – ela disse toda bobona.

– Quero ver você me amar quando eu estiver gorda. – eu disse rindo.

– Quieta mô. Estou falando com nosso filhinho ou filhinha. – ela riu.

Ouvir aquilo me fez sentir a melhor pessoa do mundo. Saber que ela estava do meu lado e que não sairia dali era reconfortante. Eu amava ela e ela me tornaria a pessoa mais amada do mundo, junto com nosso filho.