Like The Stars Miss The Sun In The Morning Sky
21 Capítulo 21: Que diabos está acontecendo?
Notas iniciais
Capítulo 21: Que diabos está acontecendo?
Aquele final de semana passou rápido demais. E a próxima vez que eu visse a Mel, seria quando ela voltasse da Irlanda.
Foi uma despedida muito demorada, eu não queria ir embora, mas eu sabia que precisava. Precisava resolver a minha vida para poder recomeçar tudo de novo, e dessa vez tentar ser feliz de verdade (eu sei que isso parece meio clichê, mas era tudo o que eu mais queria naquele momento).
Voltei chorando durante o voo inteiro de volta pra casa. Evitei chorar perto dela, não queria que ela me visse daquele jeito.
– E ai, como foi lá? – Ash foi me buscar no aeroporto.
– Foi ótimo. Não queria mais sair de lá. – eu disse.
– E agora? O que vai fazer? – ela perguntou.
– Agora eu só quero sair para beber alguma coisa com você. – eu sorri para ela.
– É, acho que o bar não vai rolar, mas em casa eu te explico melhor. – ela deu um sorriso estranho, ela estava escondendo algo de mim.
Fomos para minha casa, não tinha ninguém por lá. Provavelmente o Thomas e a Liz tinham ido para a escola e ainda não tinham chegado e o Sam devia estar no hospital trabalhando.
– Então, o que tem para de contar? – Perguntei jogando minhas coisas em qualquer lugar da sala.
– Bom... Senta mana. – Ash disse sentando de um lado do sofá e me mandando sentar do outro.
– O que foi? O Sam fez alguma coisa? Por que se ele fez eu mato ele, sério eu mato!
– Ele fez, mas calma. Não é nada de ruim eu acho. – ela riu.
– Pelo amor de Deus me diz logo. Não gosto de ficar curiosa.
– Tá bom. Como eu vou te dizer isso... – ela respirou fundo, fechou os olhos e disse tudo de uma vez. – Eu estou grávida.
– Ai meu Deus! – eu fiquei meio que de boca aberta.
– Por favor, me diz que essa foi uma reação de felicidade.
– Logico que foi! Quer dizer, parabéns mana! – eu a abracei. – Menino ou menina?
– Ainda é cedo pra saber disso. Mas o Thomas diz que é menino e ele por algum motivo parece estar bem convencido disso. – ela ainda estava me abraçando.
– É eu acho que vou ficar no mesmo palpite que do baixinho. Mesmo eu sabendo que você quer uma menina.
– E o Sam quer outro menino...
– Ele quer é só mais um pra ele desencaminhar. – eu disse e ela riu.
Aquela noticia me fez esquecer todos os problemas por algum tempo. Mas depois que a Ash foi para a casa dela, ficar sozinha me trouxe tudo de volta. Fiquei jogando vídeo game para me distrair, mas finalmente mandei uma mensagem para a Marcela vir até minha casa.
– É bom que eu não tenha matado aula atoa para estar aqui. – ela foi abrindo a porta de casa com tudo.
– Bom dia para você também. Senti sua falta também amiga, e sim foi tudo bem obrigado. – eu disse no velho tom de ironia que eu amo.
– Tá corta esse papo e me arruma algo pra comer. – ela foi indo para a cozinha.
Ela pegou algo para comer e ficamos assistindo filmes. Estávamos no sofá comendo porcaria e jogando conversa fora.
– É eu acho que eu preciso ir para o Rio um dia desses. – Marcela disse. – Preciso sair um pouco dessa cidade.
– É bem legal lá... Foi uma semana ótima também.
– Relaxa... Logo vocês vão estar juntas outra vez.
– Eu sei, é só que... – eu parei de falar de repente. – Você tá sentindo isso? Esse cheiro?
– Que cheiro Bells? – ela riu. – Tá louca?
– Eu estou sentindo. – cheguei mais perto dela. – É seu perfume, é forte demais!
– É o perfume que eu sempre usei. – ela me olhava como se eu estivesse louca.
– Mah, é sério. Isso tá estranho... – levantei correndo e fui em direção ao banheiro vomitar.
Voltei para a sala depois de um tempo.
– Agora me explique o que foi isso... – Marcela disse.
– Eu comi muita porcaria, e seu perfume me deixou enjoada. Simples assim. – Me sentei do lado dela outra vez.
– Me parece outra coisa.
– Não viaja, é impossível ser o que você está pensando. A ultima pessoa com quem eu fiquei foi a Mel então, pode tirar essa ideia da cabeça.
– Se você diz... – ela continuou comendo.
Marcela ficou a tarde toda comigo, me contando as fofocas da escola até a Liz chegar.
Liz fez macarrão para comermos, mas depois de comer eu não estava me sentindo bem novamente então decidi ir para o quarto.
Fiquei deitada lá por um tempo, até dar a hora de ligar para a Mel.
– Está tudo bem por ai? – Mel perguntou.
– Está sim, só não estava me sentindo muito bem, mas deve ser algo que comi. – eu disse e já mudei de assunto. – Que horas você vai pegar o voo pra Irlanda?
– Daqui a pouco estou indo para o aeroporto, mas antes de pegar o avião eu te ligo pra dizer que te amo. Vai que o avião cai né. – ela riu.
– Não vai cair não mô. – eu ri. – Mas ligue quando você chegar também, só por precaução.
– Vão ser mais ou menos dez horas de voo mô, então não se preocupe se demorar, eu ainda posso estar viva.
– Cala a boca e para de falar besteira. – eu ri.
– Eu sou idiota. E é por isso que você me ama. – ela riu.
– Eu te amo por isso e por muito mais!
Depois de algum tempo tivemos que parar a conversa, ela teve que ir para o aeroporto. Antes de entrar no avião ela me ligou para dizer que me amava, assim como combinamos, então nos despedimos e eu fui dormir.
Criei coragem para ir à escola no outro dia. Não tinha nenhum sinal do Pierre e nem do Josh. Kevin me disse que o Josh não queria mais ir para escola, por isso não aparecia, e ninguém tinha mais noticias do Pierre.
A Mel me ligou durante uma das aulas para me dizer que tinha chegado viva. Mas não pudemos nos falar muito.
Foi uma semana sem conversar com ela direito, apenas por telefone, dava pra notar que ela queria voltar, mas precisava ficar um pouco com os pais. Se eu não tivesse prometido que continuaria na escola, eu teria ido atrás dela, mas me controlei.
Era sábado e eu não tinha nada para fazer em casa, não quis sair para lugar nenhum, não liguei para a Mel porque ela tinha ido a um jantar de família e iria tirar algumas fotos de todo mundo para eu poder “conhecer”.
Liz tinha saído para algum lugar, então eu estava sozinha em casa. Fiquei tocando violão, até a maldita corda arrebentar. Procurei em todo o lugar alguma corda para substituir, mas não encontrei. Liguei para o Sam para saber se ele tinha, mas ele não tinha nenhuma sobrando. Então decidi ir ao estúdio onde ensaiamos para pegar alguma. O Sam quis ir também, precisava de um cabo para o baixo dele, então combinamos de nos encontrar lá.
Cheguei ao estúdio primeiro do que ele, já que minha casa ficava bem mais perto. Decidi entrar logo já que tinha a chave.
Entrei no estúdio e comecei a procurar pelo o que eu precisava, mas não encontrei, então fui até o estúdio do segundo andar, aonde tinha mais coisas, subi correndo as escadas e lá encontrei a corda e o cabo para o Sam. Até que eu ouvi um barulho atrás de mim.
– Olha só... Finalmente eu estou te vendo. – Pierre estava sentado atrás da bateria.
– O que está fazendo aqui? – perguntei me aproximando.
– Procurando algo que preste pra vender. Ando sem dinheiro. – ele se levantou.
– Eu sei o que você anda fazendo. – eu disse olhando para ele, que não estava com uma boa aparência. Nem parecia o mesmo.
– E quem se importa? – ele disse indiferente. – E não diz que você se importa porque é mentira! Você preferiu seu namoradinho a mim.
– Pierre... – eu tentei dizer alguma coisa, mas ele me interrompeu.
– Cala a boca! – ele gritou e veio pra cima de mim e segurou meu pescoço com força. – Você devia ter me escolhido, ia ser bem melhor para você.
– Ei! Solta ela. – Sam chegou empurrando ele.
Pierre jogou pro lado em direção às escadas, consegui me levantar devagar.
– Vai embora cara, some daqui e eu finjo que não aconteceu. – Sam disse. Mas o Pierre veio pra cima dele do mesmo jeito.
O Sam foi mais rápido e conseguiu dar um soco nele, então Pierre se afastou, e tentou fugir, vindo correndo na direção das escadas. Nessa tentativa, ele me empurrou e eu cai escada abaixo. Me lembro apenas da queda e do Sam descendo as escadas correndo para ver como eu estava, mas o Pierre continuava no topo da escada sem reação.
– Bells! Fala comigo, não fecha os olhos, se concentra na minha voz. – Sam falava desesperado.
Essa foi a ultima coisa que me lembro.
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