Like The Stars Miss The Sun In The Morning Sky
16 Capítulo 16: Mais algumas decepções
Notas iniciais
Capítulo 16: Mais algumas decepções
Alguns dias depois, eu estava em casa, jogada no sofá jogando vídeo game, totalmente na minha, quando ouvi a Ash gritando. Sai correndo até o quarto dela pra ver o que estava acontecendo. Pelo jeito a Liz ouviu também porque ela foi correndo até a porta do quarto.
– O que foi? O que aconteceu? – perguntei entrando no quarto.
– Acho que entendi, mas não estou acreditando muito não. – Liz disse.
O Sam estava ajoelhado na frente da Ash segurando a mão dela. Ele se levantou quando nos viu.
– Espera ai. Vocês vão casar agora? – perguntei.
– Se ela me disse “sim” nós vamos. – Sam disse. – E ai?
– É logico que é sim seu idiota, achei que não ia pedir nunca. – Ash o abraçou.
– Estava demorando, não acha? – Liz falou pra mim.
– Até demais. – eu ri.
Teria muita coisa a ser planejada, não sou fã de casamentos, mas era o da minha irmã, então prometi que ia ajudar no que fosse preciso. Eles disseram que queriam se casar logo, o Sam obviamente queria a festa do ano pra todo mundo saber que ele estava casando. Mas achamos melhor uma coisa mais discreta.
Em um mês aconteceu toda a festa, e eles estavam casados, o que não mudou muita coisa, já que levavam uma vida de praticamente casados antes.
Mas a Ash decidiu ir morar com o Sam de uma vez, o que me fazia sentir muito mais a falta dela e do Thomas.
Mas era bom ter a casa só para mim e para Liz. Passávamos mais tempos juntas.
– Então, por onde anda sua amiga Mel? – perguntei em uma tarde que estávamos na piscina.
– Ela está em outra cidade, não tenho muitas noticias, mas acho que está bem. – ela disse. – Por quê?
– Só curiosidade mesmo.
Eu evitava ligar para ela, ou mandar mensagem. Me sentia culpada por aquelas coisas, até porque eu estava namorando o Josh.
E com meu namoro estava tudo ótimo. Josh realmente se tornou um namorado melhor.
Na escola estava tudo normal, o Pierre voltou a aparecer, ele realmente estava viajando, ele e o Josh até se tornaram amigos, mas só tinha algo realmente me intrigando: A Katelyn andava quieta demais, sem provocações nem nada. Isso não era normal.
Fiquei sabendo que o Josh estava tentando se aproximar do pai, o que eu apoiei, já que isso iria ser bom para todo mundo. E eu só tinha visto o pai dele uma vez em todo aquele tempo.
Em uma noite ele me ligou dizendo que não poderia ir até em casa, porque ia a um bar que tinha musica ao vivo se distrair com o pai. Eu achei ótima a ideia e então deixei ele ir.
No dia seguinte, tirei forças do além para levantar da cama e ir para a aula. Recebi uma mensagem do Josh logo cedo dizendo que não iria a aula e que depois me dizia o por quê.
Fui direto para sala de aula quando cheguei na escola. Quando eu entrei na sala todo mundo olhou pra mim, torci pra eu não estar só de pijama na escola (o que já aconteceu), mas minhas roupas estavam normais.
– Bells... – Mah disse meio sem jeito com o celular na mão. – Tenho que te mostrar algo, desculpa ser eu a te mostrar, mas tenho que fazer isso.
Ela me mostrou o vídeo que estava vendo. Era o Josh, no bar que disse estar com o pai dele, ele foi para o fundo do bar com uma garota, a pessoa filmando foi atrás sem que ele visse. Ele beijou a garota, e quando começou o resto eu não quis mais olhar. Fiquei em silencio, todo mundo olhava pra mim.
– Gostou do meu filminho? – Katelyn disse.
– Você armou isso? – fui pra cima dela, mas a Marcela me segurou. – Eu vou matar você!
– Eu não fiz nada. Por conhecidencia eu estava no bar, e achei que você merecia saber disso. Então de nada.
Me soltei da Marcela e sai da sala, não queria mais ficar naquele lugar, todo mundo na escola inteira estava me olhando, com celulares na mão. Ou seja, todo mundo já sabia.
Fui direto pra casa do Josh, queria uma explicação e logo. Entrei no quarto dele.
– Que droga você fez? – eu gritei com ele.
– Desculpa.
– Desculpa Joshua? Você diz que vai sair com seu pai e me aparece um vídeo de você comendo uma garota no fundo do bar.
– Ele me deixou no bar, sozinho, não quis saber de conversar comigo. Meu próprio pai me odiava. Eu perdi a cabeça e usei a primeira droga que me ofereceram. Eu fiquei com essa garota, e com a Katelyn.
– Com a Katelyn? – eu gritei. – Seu imbecil. Por que você fez isso?
– Eu queria. Não queria me sentir pior do que meu pai me deixou. Eu fui um idiota. Não me importei com você. Só queria atenção do meu pai, é tudo o que me importa. – ele dizia tudo em um tom de voz baixo.
– Você é um idiota! Você é só um menininho mimado. Que quer atenção do pai e não se importa com o que fazer pra isso. Quer saber, some da minha vida, não quero mais olhar pra você.
Fui pra casa, ele não tentou me impedir. Mah e a Liz estavam lá quando cheguei. Ash e o Sam também. Provavelmente alguém tinha falado pra eles.
Deitei no colo da Ash chorando, ela me falava coisas tentando me acalmar. O resto apenas ficava em silencio. Mas só por estarem ali eu já sabia que estavam pra me ajudar.
– Eu vou matar ele, agora! – Sam disse pegando a chave do carro e se levantando do sofá.
– Samuel senta ai! – Liz gritou com ele, o que fez ele se sentar na hora.
– Não faz isso. Eu estou com raiva dele, mas me sinto culpada. – eu disse e contei sobre a Mel. Ninguém ficou muito feliz com o que falei.
– Por que você ficou com ela? – Ash perguntou.
– Foi desejo. Mas eu fiquei preocupada com ele, não queria magoa-lo mesmo tendo gostado dela. – eu disse. – Mas ele ficou com aquelas garotas pra eu descobrir, pra ele se sentir melhor.
– Ele é um idiota. Você não devia se sentir assim. – Mah disse. – A gente está aqui pra te ajudar a esquecer ele. E você vai conseguir, prometo.
Mais tarde o pessoal da escola passou em casa pra ver como eu estava. Não queria falar com ninguém e eles entenderam. A Liz dormiu comigo aquela noite, me abraçou a noite inteira, o que me fazia sentir melhor.
Não quis mais voltar para a escola, uma semana depois eu ainda me sentia um lixo. Josh me ligou a semana toda, mas eu não atendia. Ele vinha em casa, mas mandava alguém dizer pra ele ir embora.
Decidi então ir pra casa de praia do Sam, e então passei o endereço pra a Mel por mensagem dizendo pra ela me encontrar lá, de noite.
Fui sozinha para lá. Sem celular, computador, ou algo pra me comunicar. E mandei não dizerem a mais ninguém a não ser a família a onde eu estava.
Cheguei a casa e já estava quase anoitecendo. Era bom ficar sozinha, sem barulhos, ou alguém pra ficar perturbando.
A casa do Sam era até legal, tinha um quarto grande, vídeo game na sala, um colchão gigante no meio da sala onde ele ficava jogando e foi nesse colchão mesmo que eu me joguei e fiquei esperando a Mel chegar.
Já era noite quando ela chamou meu nome do outro lado da porta.
– Oi, entra ai. – eu abri a porta pra ela.
– Legal a casa... Mas o que estamos fazendo aqui mesmo? – ela disse quando entrou.
– Aconteceram algumas coisas, e eu achei que dessa vez, você pudesse me ouvir. – eu sorri de um jeito convincente (eu acho) porque ela sorriu de volta.
Chamei ela até o quarto comigo. Contei a ela a historia toda com o Josh e de como eu estava me sentindo um lixo naquele momento, e por isso quis ir pra aquele lugar.
– Esse cara é um babaca. – ela disse me puxando para deitar no colo dela.
– Eu sei que ele é um babaca, mas não quero me sentir assim por causa dele. Não quero me lembrar que algum dia tive um sentimento por ele.
– Vamos fazer um acordo então. – ela passava os dedos pelos meus cabelos. – Eu vou ficar aqui com você, ficamos uma semana aqui, sem contato com mais ninguém. E enquanto isso, esquecemos que esse cara existe. Combinado?
– Combinado. – eu disse e ela beijou minha testa.
– Ótimo, agora tente dormir um pouco. Você está morrendo de sono pelo o que estou vendo.
Eu realmente estava morrendo de sono e em poucos minutos acabei dormindo no colo dela. Não sei por quanto tempo eu dormi, mas não acho que tenha sido muito.
Acordei e ela não estava no quarto. Fui até a cozinha, ela estava lá preparando algo pra comer.
– O que temos para comer? – perguntei atrás dela.
– Nada de especial por enquanto, apenas comida congelada. – ela riu.
– Uau, nem aqui eu escapo de comida congelada. – pulei pra me sentar na pia.
– Vamos comer, e você vai vir dar uma volta comigo na praia.
– Essa hora?
– Sim, não tem perigo. Eu te protejo. – ela disse tentando parecer forte. O que me fez rir.
Comemos a comida congelada, até que não estava tão ruim. Depois fomos até a praia andando.
– Então, e sua ex-namorada? – estávamos sentadas na areia olhando para o mar quando perguntei.
– Nesse momento, ela não existe. Ninguém existe. Só você e eu. – ela sorriu.
– Tudo bem, mas só lembrando. Você não lavou a louça. – eu ri.
– Droga. Vamos apostar, quem perder no vídeo game, lava a louça, pode ser?
– Pode, mas você vai perder!
Ficamos um pouco na praia conversando. Depois voltamos e jogamos vídeo game, e logico que ela perdeu. Mas desconfio que ela me deixou ganhar. Mas fiquei com ela na cozinha enquanto ela lavava.
– É bom lavar direito hein. – eu disse.
– Quieta! – ela jogou agua em mim e riu.
– Ei! Isso é um sinal de guerra! – joguei nela também.
De repente, a louça ficou de lado, e o objetivo era ver quem se molhava menos.
– Chega! Eu desisto já me molhou demais! – eu disse rindo e correndo em volta da mesa e ela correndo atrás de mim.
– Não, agora você vai pagar! – ela conseguiu me alcançar, e me segurou pela cintura.
– Vai acaba logo com isso. – eu disse olhando pra ela, então ela passou a mão molhada por todo o meu rosto.
– Você perdeu. – ela riu. – O que ganho com isso?
Aproximei meu rosto do dela e a beijei, e ela colocou a mão gelada por dentro da minha camiseta. Mas antes que ela pudesse se animar mais eu parei.
– Por enquanto só isso. Por enquanto. – eu ri.
– Por enquanto? – ela suspirou e sorriu – Gostei.
Ficamos na sala depois disso, não aconteceu nada demais, apenas fiquei deitada no colo dela no sofá. Era bom aquilo, esquecer de tudo e apenas ter ela ali comigo. Ela me fazia sentir de um jeito especial. E era o melhor sentimento do mundo.
Ela queria dormir na sala aquela noite, mas eu insisti para ela dormir no quarto comigo. Estávamos deitadas na cama, eu estava de costas para ela e ela mexia no meu cabelo.
– Você é sempre quieta assim? – ela perguntou.
– Não... – eu disse. – Só estou pensando.
– Pode me dizer no que?
– Se você ainda vai estar aqui amanhã quando eu acordar.
– Pode ser que não... – ela disse. – porque vou estar na cozinha tentando fazer algo bom pra você comer e programando algo pra poder te animar.
– E você é sempre assim perfeita? – eu sorri e me virei pra ela.
– Não. Mas por algum motivo você me deixa assim, e eu gosto.
– Gosta?
– Sim. Mas agora dorme, prometo que estarei aqui por você – ela me deu um beijo no rosto.
Foi a primeira vez em semanas em que eu realmente dormi bem, sem me preocupar com nada. Apenas com a certeza de que ela estaria ali por mim.
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