Notas iniciais
Mais um para vocês meus amores.

Capítulo 20: Discussão.

– Sabe, eu acho que eu nem cozinho tão mal assim. – eu disse quando estávamos na sala em frente à TV comendo na hora do almoço.

– Você fez macarrão, com a minha ajuda ainda. Não é a coisa mais complicada do mundo. – Mel disse enquanto olhava para TV.

– Se reclamar não vai comer, e vai lavar a louça. – eu disse fingindo uma cara de brava.

– É brincadeirinha. – ela riu e me deu um beijo no rosto. – Eu gosto quando você finge que está brava.

– Diz isso até me ver brava de verdade.

– Esse é meu medo. – ela riu. – Acho bom irmos dar uma volta na praia hoje.

– Que horas? – perguntei.

– De noite, gosto mais de ir à praia de noite.

– Tudo bem. – me levantei puxando ela. – Agora me ajude a lavar a louça vem.

Foi uma tarde de muito amor. Serio muito amor, estávamos com muita saudade, então foi puro amor.

Ela era a pessoa mais safada e fofa ao mesmo tempo. E eu amava isso nela.

– Sua outra cama era mais confortável. – eu disse quando estávamos deitadas na cama.

– Essa é um pouco pequena, mas é melhor para ficar grudada em você.

– Você sabe que um dia eu ainda vou casar com você não é? – eu disse olhando para ela.

– Tudo bem, mas eu não sou muito fã de vestidos. – ela riu.

– Não tem problema. Podemos casar de calça jeans e camiseta. Você veste seu Adidas e eu meu All-Star. – eu ri.

– Bom, nessas condições eu caso. – ela me deu um beijo demorado.

Fomos para a praia quando anoiteceu. Fazia muito tempo que não ia para o Rio, e era bom ter voltado para vê-la.

Eu gostava de caminhar com ela na praia a noite, de mãos dadas, era especial pra mim. Sempre me imaginei fazendo aquilo.

– Deveríamos comprar uma casa de praia quando casarmos. – eu disse enquanto andávamos.

– Primeiro iremos viajar, para vários países. – ela sorriu enquanto falava. – Depois compraremos a casa na praia. Teremos um cachorro e um gato.

– Eu já tenho um cachorro, que nesse momento deve estar chorando de saudade.

– Nós o levamos para morar junto conosco. Mas agora se preocupe com sua futura esposa. – ela me abraçou.

–Tem razão, minha futura esposa merece toda a minha atenção. – dei um selinho demorado nela.

– Ai que beijinho fraco. – ela fez careta.

– Ih, já vi que vai ser exigente essa minha esposa. – eu ri.

– Você não tem nem ideia. – ela disse então finalmente decidi dar um beijo de verdade nela.

Voltamos para casa, já era bem tarde, mas decidimos assistir filme na sala.

– Viu amor, você sabe fazer pipoca também. – ela disse pegando mais.

– Você disse o que? – olhei pra ela.

– Que você sabe fazer pipoca. – ela sorriu.

– Antes disso... Você me chamou de amor.

– Saiu sem eu perceber. Porque, você não gostou?

– Eu gostei sim, só me pegou de surpresa. – sorri para ela.

– É, preciso pensar em algo mais fofo para te chamar, amor não é fofo o suficiente. – ela tocou meu rosto.

– Do que você me chamar está bom. Até de chatinha mimada. – eu ri.

– Você é realmente mimada. Mas, o que você acha de mô? – ela sorriu.

– Mô? Eu gostei. É fofo. – sorri. – Meu mô. – dei um selinho nela.

– Seu mô tem que ir trabalhar amanhã.

– Eu sei, mas queria ficar com você juntinho essa noite, matar a saudade de vez. – fiz uma carinha fofa pra ver se convencia ela.

– Eu sei mô, eu estou morrendo de saudade, mas vamos resistir essa noite, depois eu irei compensar. – ela beijou varias vezes meu rosto.

– Tudo bem, mas vamos dormir então.

Fomos para o quarto para dormir e meu celular tocou. Era a Ashley ligando.

– Alô. – respirei fundo ao atender.

– Sério mesmo? Me diz que você não pirou de vez de ir pro Rio do nada? – ela estava falando até calma.

– Relaxa mana, eu estou bem. Logo eu volto pra casa. – eu disse.

– Ficaria muito grata de você me avisar quando faz essas coisas.

– Tudo bem... Só não se preocupa. Eu estou bem aqui. – eu disse querendo desligar logo, já estava morrendo de sono.

– Tá bom, se cuide, e juízo. – ela desligou.

– É não foi tão ruim assim. – eu disse para a Mel me deitando com ela.

– Ela não quer me matar por te trazer para esse caminho lésbico da vida? – ela riu.

– Acho que não. Ela prefere você do que o Josh. – a abracei.

– E você prefere quem?

– Você ainda pergunta? Meu mô é você.

– Acho que vou dormir sorrindo depois disso. – ela deu o sorriso mais lindo do mundo.

– Boa noite meu mô. – beijei o rosto dela.

– Boa noite mô. – ela sussurrou.

Acordar cedo é terrível! Sério! Mas fiz esse sacrifício para poder desejar um bom dia para a Mel.

Vindo de mim, essa é uma verdadeira prova de amor.

Decidi não voltar a dormir, tentei fazer qualquer coisa de útil. Arrumei o quarto, nunca tinha feito isso, então não deve ter ficado muito bom, mas pelo menos eu tentei.

No geral tentei arrumar a casa, mas desisti e fui jogar videogame.

Era horrível passar o dia inteiro sem ela ali. Ela só voltava de noite do trabalho. Então foram horas realmente entediantes.

Faltavam apenas algumas horas para ela chegar, quando o telefone do apartamento tocou.

– Alô. – atendi impaciente, já estava entediada a muito tempo.

– Cadê a Mellanie? – reconheci a voz da ex-namorada dela que estava na festa.

– Você não devia estar ligando aqui. Vocês já terminaram.

– E quem se importa. Você quem não deveria estar ai. – ela disse.

– Quer saber, não vou discutir com você, sorte sua eu não estar ai, não serei tão boazinha da próxima vez que eu te encontrar. – eu desliguei o telefone.

Fiquei muito nervosa com aquilo. Então mandei uma mensagem para a Mel.

“Vem pra casa. Agora.”

Ela chegou algum tempo depois.

– O que houve? – ela tentou me dar um beijo mas eu desviei. – O que está acontecendo?

– Sua ex-namorada preferida ligou pra você. – eu disse brava.

– Ela já vem ligando algum tempo, mas eu sempre desligo.

– E como ela tem seu numero? – perguntei.

– Não sei. Alguém de lá deve ter passado para ela. – ela colocou as coisas do trabalho em cima do sofá.

– Ótimo sua ex-namorada ter o seu numero e ficar te ligando. E você não me diz nada.

– Eu também não acho legal seu ex-namorado ficar te perseguindo. – ela disse

– É diferente. – eu disse.

– É pelo menos ela não é maluca igual a ele.

– Então fique ai defendendo ela. – eu sai e bati a porta.

Parei no mesmo lugar. Não tinha para onde ir, e não queria ir para outro lugar, e também sabia que não devia ter brigado.

Me virei e abri a porta devagar e entrei, ela estava em silencio sentada no sofá.

– Ei. – eu disse me aproximando.

– Oi.

– Me desculpa, eu não devia....

– Precisamos parar de brigar. – ela disse me olhando.

– Nós vamos. Só não falarmos desses dois. Ninguém tem culpa de nada, desculpa.

– Desculpa também. – ela me chamou para sentar com ela.

Me sentei de frente para ela. E ela me puxou me abraçando.

– Quer saber de algo? Que eu descobri recentemente. – ela disse.

– Quero. Me diz. – eu a olhei.

– Eu te amo. – ela disse me olhando.

Suspirei e falei com toda a sinceridade:

– Eu te amo, meu mô. – então a beijei.

– Sabe, assim eu realmente vou acabar te pedindo em casamento. – ela disse quando parei o beijo.

– Se você me pedir em casamento agora, eu juro que vamos sair procurando qualquer um pra casar a gente. – eu ri.

– Bom, acho que podemos esperar um pouco para casar. – ela começou a mexer nas coisas de trabalho. – Mas podemos começar isso do jeito certo.

Ela tirou uma caixinha da bolsa.

– Isso é... – eu tentei dizer mas ela me interrompeu.

– Eu falei do jeito certo, então quietinha e me deixa falar. – ela pegou minha mão. – Bom, eu não sou boa em falar esse tipo de coisa, mas quando eu te conheci alguma coisa mudou, e você foi fazendo com que eu me apaixonasse por você a cada dia mais. Agora eu estou aqui, tentando pensar em algo bonito pra te dizer, mas eu não tenho a menor ideia. A única coisa que passa pela minha cabeça agora, é que você aceite meu pedido, e que eu quero passar todos os dias que forem possíveis ao seu lado.

Ela abriu a caixinha, havia duas alianças de prata dentro, mas eram um pouco mais grossas do que a que ela tinha me dado antes.

– Quer ser minha namorada? – ela sorriu. – Prometo que todos os dias da minha vida, eu vou tentar te fazer a pessoa mais feliz do mundo. – Então o que me diz?

– Acho que você não precisa tentar me fazer a pessoa mais feliz do mundo. Nesse momento eu já sou essa pessoa. Então sim, eu aceito, impossível não aceitar. – eu estava sorrindo e nem estava percebendo, mas também não conseguia parar de sorrir.

Ela tirou a outra aliança do meu dedo e colocou a nova. Também tirei a dela e coloquei a nova.

– Eu te amo, muito mesmo. – ela sorriu pra mim.

– Eu te amo, muito, e para sempre. – segurei o rosto dela e a beijei.

Se aquele não foi o melhor beijo do mundo, então não sei o que foi.

Decidimos matar a saudade de uma vez naquela noite. Realmente era a melhor coisa do mundo ter ela do meu lado. Ela não ia trabalhar no outro dia, então ficamos na cama dela acordadas até bem tarde.

– Nunca pensei que eu fosse gostar de alguém assim. – eu estava segurando a mão dela, olhando para a aliança.

– Se arrepende de alguma coisa? – ela perguntou.

– Talvez de não ter notado você antes, na escola, devia ter percebido ou sei lá. – eu disse.

– Falando em escola. Você precisa voltar.

– Eu vou, não sei quando. – suspirei. – Vou dar um jeito do Josh ficar longe de mim.

– Isso. O ano logo acaba, e quando eu voltar da Irlanda, você vai morar comigo, bem longe de lá. – ela sorriu.

– Aonde iremos morar?

– Em qualquer lugar que você quiser. – ela me olhou.

– Em qualquer lugar com você. – sorri. – Apenas tendo você, um videogame e um violão estão bom.

– É, o videogame é importante pra decidir quem lava a louça. – ela riu.

– Ah e um skate.

– Você anda de skate? – ela me olhou.

– Não, eu caio de skate. – eu ri.

– Melhor conseguirmos morar perto de um hospital então. – ela riu.

– É, agora vê se para de falar e me beija.

– É pra já meu amor. – ela me puxou mais pra perto e me beijou.