Like Phantoms Forever. - Frerard.
8 Tempestade.
Notas iniciais
Frank’s POV:
Eu me sentia tão mal por deixa-lo lá, daquela forma. Mas eu não conseguia fazer nada, sequer falar. Eu sabia o que se passava comigo, sabia o que era aquela cor que me apertava por dentro enquanto eu andava de volta para casa, só não queria aceitar...
Eu ainda não tinha parado de chorar quando cheguei em casa. Enfiei as mãos nos bolsos em busca da chave e assim que senti o toque frio do metal lembrei-me dele e do dia em que ele me salvou. Gerard é a pessoa mais incrível que eu um dia já conheci, e eu o deixei sozinho, numa biblioteca vazia, por puro egoísmo e medo, eu sou oficialmente a pior pessoa do universo!
Brian sorriu ao me ver entrar em casa, levantou-se do sofá onde estava sentado assistindo á televisão e me abraçou, um abraço tão caloroso que me lembrou o de Gerard, era impossível parar de pensar nele. Seu sorriso, seus olhos, seus cabelos, o toque da sua pele, tudo isso estava acabando comigo, acabando com a minha sanidade. Brian interrompeu meus pensamentos.
– O que foi, Frank? – Levantou a cabeça ainda agarrado em meu quadril. Me olhava com um olhar infantil, igualzinho ao de Gerard naquela manhã que dormiu aqui. Por que, Gerard? Por que você não sai da minha cabeça?!
– Nada, pequeno. – Sorri tentando disfarçar as milhares de coisas que passavam pela minha cabeça, mas Brian era inteligente, um adulto no corpo de uma criança, ele entendeu tudo antes e mim.
– Você brigou com o Gerard? Você gosta dele, não é? – Aquelas palavras fizeram meu coração apertar mais ainda e as lágrimas, que antes haviam secado, agora voltarem a cair. Sequei meu rosto com a manga do moletom e Brian me apertou mais ainda.
– Não fica assim, não, Frank. Logo vocês se acertam, Gerard é uma pessoa legal e ele gosta de você, tenho certeza que não iria querer vê-lo chorando.
– É, mas... e se eu o tivesse magoado? – Eu estava prestes a me abrir para uma criança, seria ridículo, se eu não estivesse destruído. Brian me puxou até o sofá, onde sentou e me puxou junto.
– Então você pede desculpas, diz que não fez por querer. – Disse secando uma das lágrimas que escorria.
– Mas – antes que eu pudesse terminar ele me interrompeu.
– Chega de mas, Frank! – Disse soando impaciente. – Vocês dois se gostam, isso está quase escrito nas suas testas! Você está assim por que está com medo, não é? Acha que magoou Gerard por ser medroso? Pois então procure-o, corra atrás dele e desculpe-se. Eu tenho certeza que se ele gostar de você de verdade vai entender. – Olhei-o espantado e ele riu.
– Eu não sou mais tão criança assim, sabia?
– É, mas-
– Já disse que chega de mais. – Disse brincalhão. – Outra hora a gente conversa sobre isso, agora levanta esse traseiro daí e vai atrás da sua felicidade. – Disse me empurrando pra fora do sofá e depois para a porta. Eu sorria, as palavras de Brian foram o que eu precisava que fossem, o empurrão para que eu me afogasse em meus sentimentos; me afogasse em Gerard.
Ele acenou da porta enquanto eu corria de volta para a biblioteca, eu torcia para que ele continuasse lá, mesmo sabendo que não, mas não importava, eu iria correr para Gerard aonde quer que ele estivesse, agora estava tudo claro, nós ficaríamos juntos, independente de tudo. Gerard passou por algo terrível, superou e continuou sua vida mesmo com todos os motivos para desistir, ele era o meu exemplo de coragem, e eu o queria ao meu lado mais do que qualquer coisa.
Cheguei ofegante á biblioteca, não havia mais ninguém, exceto por uma moça colocando alguns livros em uma estante. Talvez ela soubesse para onde ele tinha ido. Andei até ela tímido, ela ouviu meus passos, virou-se e sorriu carinhosamente para mim.
– Posso ajudar? – Disse simpática.
– A senhora viu, por acaso, um garoto de cabelos negros, médio, de olhos esverdeados? – Ela alargou o sorriso ao ouvir a descrição.
– Você procura por Gerard? – Hesitei por um instante mas assenti. É claro que ela o conhecia, Gerard adorava livros, e onde mais você encontra livros se não numa biblioteca?
– Então você deve ser Frank, certo? – Ela riu ao notar minha confusão. – Gerard me contou sobre você, vocês são amigos, não? – Assenti, minha voz sumiu novamente, o quanto ele havia contado a ela? – Bem, se você está procurando por ele, infelizmente veio ao lugar errado, ele costuma vir muito aqui, é verdade, mas já foi embora faz um tempinho.
– E a senhora sabe pra onde ele foi?
– Bem, pare de me chamar de senhora e nós podemos conversar. – Disse ela divertida.
– Desculpe... – Corei. – Sorri tentando ser simpático. Se Gerard confiava nela, não havia por que eu também não confiar. – Você sabe meu nome, mas eu não sei o seu.
– Me chamo Abigail, mas você pode me chamar de Abby. É assim que Gerard me chamava quando mais novo. – Sorriu pensativa. – Ele é um bom garoto. Mas diga-me Frank, por que está procurando Gerard? – Engoli em seco, eu teria que explicar.
– Eu... Eu o desapontei e queria pedir desculpa, não queria vê-lo triste. – Saiu sem o menor esforço, a figura á minha frente era tão calma, tão confiante que eu senti que se precisasse sentar e contar minha vida para ela, eu o faria sem hesitar. Acontecia o mesmo com Gerard...
– Ele ama você, Frank. – Disse sentando-se em sua mesa e gesticulando para que eu fizesse o mesmo na cadeira da frente de sua mesa. – Ele passou por coisas horríveis, eu acredito que ele tenha contado para você.
– Sim, ele me disse que seu irmão morreu na sua frente.
– E ele não foi o único. – Arrepiei com aquela frase. O que ela queria dizer? – Frank, a vida de Gerard foi muito dura, a morte segue esse garoto aonde quer que ele vá. Depois da morte de Mikey, ele e a mãe tinham viajado para Nova York, por que o pai brigava muito com ele, e ainda briga. – Suspirou. – Ele estava voltando do curso de artes, a razão pela qual Gerard escolheu Nova York. E foi quando... Gerard viu uma garota ser morta, ele jura para mim que não viu o rosto do assassino. Ele tinha quatorze anos na época, e nunca contou para ninguém além de mim. Ele diz que foi terrível demais para deixar sua mãe saber. Ele disse que ouvia gritos e via o sangue jorrar enquanto o assassino tirava a vida da garota, mas ele estava assustado demais para fazer algo. Ele se culpa por isso até hoje, e a morte de Helena, sua avó, acabou com ele, ele mal saia de casa, ia para a escola para não precisar olhar para a cara do pai, até que você chegou Frank. Chegou e mudou o destino dele. – Ela pareceu triste por um segundo, mas então abriu um sorriso divertido. – Você gosta dele, não gosta? Se não gostasse não teria voltado para procura-lo.
– E-eu... eu o... – Não saia, as palavras dela, a história de Gerard, tudo isso só me deixava mais apreensivo para encontra-lo e dizer que ia ficar tudo bem, que éramos nós dois agora.
– Guarde isso para quando encontra-lo. Ele foi para algum lugar perto de sua casa, disse algo sobre um lago. – Levantei-me afobado, indo em direção á porta quando ela me puxou de volta.
– Faça-o feliz, Frank. Por favor, cuide dele. – Assenti e sorri para ela.
E com aquelas palavras, eu voltava a procurar Gerard, agora que sabia onde ele estava eu corria o mais rápido que podia ao seu encontro.
Gerard’s POV:
Eu estava sentado á beira do lago azul, olhando para o horizonte que agora se desfazia em nuvens negras. Eu estava perto da casa de Frank, mas não podia ir até lá. Ele provavelmente não queria me ver, então eu fiquei o mais longe que pude, o suficiente para que ele não me visse se saísse de casa, mas perto o suficiente para que meu coração se aquietasse. Eu estava sentado embaixo de uma árvore, acho que era um carvalho. Mas meu pensamentos estavam em Frank, em como ele ficaria abatido depois daquilo o que aconteceu na biblioteca, e do quanto eu o queria em meus braços.
O vento começou a soprar mais forte e o sol que antes cobria Jersey com seus raios tinha dado lugar á nuvens acinzentadas, uma tempestade estava a caminho. Mas eu não me importava, eu gostava de chuva e minha casa ficava longe demais de Frank, não suportaria ficar afastado dele, por isso permaneci ali, sentado, abraçado ao meu próprio corpo, esperando algo acontecer. E aconteceu. Eu ouvi uma voz familiar as minhas costas, uma voz cansada que gritava algo que fez meu coração querer explodir.
Frank’s POV:
– Eu te amo! – Era o que eu gritava enquanto corria para aqueles olhos que agora estavam completamente verdes. – Eu te amo e quero que você seja meu até o fim dos meus dias! – Eu corri até um Gerard impressionado, e me envolvi em seus braços, achando finalmente a segurança que eu tanto precisava. Gerard sorria, um sorriso aconchegante e que transbordava felicidade. Ah, como eu amava aquele sorriso. Raios começaram a cortar o céu, mas nenhum de nós dois deu importância, enquanto estivéssemos juntos, nada poderia nos atingir.
Eu contemplei o resto de Gerard que sorria como uma criança que acabou de ganhar seu brinquedo tão esperado. Depois de alguns olhares que diziam mais do que qualquer palavra poderia, eu finalmente tomei posição. Eu o beijei, o beijei como fiz no dia da festa, como queria ter feito sempre que o via, eu o beijei, selando nosso amor pela eternidade. Gotas começaram a colidir contra nossas peles, mas nada interromperia nosso beijo, na poderia nos separar. Éramos nós dois agora, juntos, para sempre.
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