Like Phantoms Forever. - Frerard.
7 Sacrifícios.
Notas iniciais
– Eu estou apaixonado por você, Frank!
3ª Pessoa:
Aquelas palavras invadiram a cabeça de Frank, impossibilitando o garoto de fazer qualquer ação. Tudo o que conseguia fazer era encarar os olhos esverdeados daquele á sua frente. Frank estava chocado, sua respiração ficou mais rápida e ele sentia algo apertar-lhe o peito violentamente. Gerard estava imóvel, espantado pelo que acabara de dizer. Ele não conseguia mais guardar aquilo para si, mas sabia o quanto estava arriscando com aquilo. Mas não é isso que é o amor? Sacrifícios? Se doar á alguém de corpo e alma sem pensar nas consequências ou na rejeição? Amar não é isso? Ser imprudente?
Gerard chegou mais perto, deixando Frank encurralado.
– Eu... eu te amo tanto, Frank. Tanto que seria impossível dizer o quanto. – Os olhos do menor continuavam com a mesma expressão apavorada. Vez por outra Frank abria a boca, mas nada saia. Seus pensamentos estavam paralisados dentro da sua cabeça, então tudo o que pode fazer foi fugir. Fugir daquela biblioteca, fugir daquela situação, fugir de Gerard; fugir dos seus sentimentos.
Ele empurrou como pode o garoto de cabelos negros e compridos, fazendo-o ficar longe o bastante para ele poder se desvencilhar da hipnose que Gerard o causava. Saiu correndo da biblioteca agora vazia, deixando para trás a única pessoa que não podia. Deixando um Gerard desiludido e choroso no meio de pilhas de contos com finais felizes. Mas aquilo era vida real.
Chorando, Frank saiu pela porta da biblioteca, caminhava pela rua deserta enquanto soluçava alto. Estava desatento ás coisas ao seu redor, parte dele queria que Gerard o seguisse, e a outra queria voltar até lá e dizer tudo o que se passava com seu coração, mas Frank ignorava esses sentimentos, ele ignorava tudo o que sentira por Gerard desde que o viu pela primeira vez naquela sala, sentado olhando pela janela á paisagem do lado de fora, distante demais do mundo dos vivos, distante demais dele. Desde aquele dia Frank não parava de pensar nele ou de observá-lo. Embora ele soubesse muito bem o que sentia quando via Gerard, recusava a nomear isso como amor. Ele não conseguia aceitar a ideia de que estava apaixonado por um homem. Não que ele fosse homofóbico, Frank dizia que não era ninguém para julgar alguém pelas suas escolhas. “Querendo ou não dividimos o mesmo mundo, respiramos todos do mesmo ar, mesmo que diferentes todos somos humanos.” Era o que ele dissera meio ano atrás ao seu tio quando o mesmo o perguntou o que ele achava sobre relacionamentos do mesmo sexo. De primeira, Frank estranhou a pergunta, mas seu tio depois explicou a razão daquilo. Ele havia atendido uma garota que fora espancada por ser lésbica, deixaram a garota num estado deplorável e ela só tinha a namorada, os pais á expulsaram de casa assim que ficaram sabendo e as duas moravam juntas. Desde então Frank pensou que ele não conseguiria aguentar o preconceito se amasse uma pessoa do mesmo sexo. Frank sempre foi fraco em relação ao que as pessoas achavam dele, sempre foi influenciável e ele sabia de tal ponto fraco, por isso não podia aceitar-se apaixonado por Gerard. Mas aquela dor no peito dizia o contrário.
Gerard’s POV:
Parabéns, seu grande imbecil. Você acabou de afastar a única pessoa que fez você sentir o que é felicidade de verdade.
Como eu pude fazer isso? Frank saiu arrasado dali. Eu estraguei tudo de novo. Confessar seu amor pra alguém bêbado é uma coisa Gerard, tocar nesse assunto com esse alguém sóbrio é outra coisa.
Eu queria sair dali e segui-lo, puxa-lo de volta como fiz no dia da festa, mas dessa vez agarra-lo e mostrar o quanto eu quero o chamar de meu, mas não podia. Acho que isso deixaria Frank pior ainda. E além do mais, não se pode obrigar ninguém a amar você.
Sentei-me na mesa do fundo da biblioteca, no mesmo lugar onde ele estava quando nos falamos pela primeira vez. Eu encarava a porta, eu realmente tinha uma esperança que ele passasse por ela, nem que fosse para dizer que me odeia e que não quer me ver nunca mais, mas eu sabia que isso não iria acontecer. Eu era Gerard Way afinal, o cara mais azarado do mundo, apaixonado por Frank Iero, um punk de estatura baixa que era simplesmente a pessoa mais especial que um dia já havia passado pela minha vida. Ah, como eu queria tê-lo em meus braços novamente. Como eu queria que ele me deixasse mostrar o quão importante é pra mim, o quanto eu o amo. A porta se abrira e eu levantei meus olhos até a pessoa que estava na porta, mas não era Frank, era Abigail Montred, a bibliotecária, única pessoa, fora Frank, com quem eu já havia trocado mais de 4 palavras.
Ela sorriu ao me ver, um sorriso que logo se dissipou ao ver a expressão que meu rosto trazia.
– O que houve, querido? Por que está assim? – Ela andou até onde eu estava e eu me levantei, abraçando-a. Abigail estava entre seus 43, 44 anos, ela me conhecia desde criança. Depois que Mikey morreu, eu me apeguei aos livros por não ter nenhuma outra alternativa de diversão, então eu visitava bastante a biblioteca. Os livros eram as únicas coisas que podiam me fazer esquecer que existia uma coisa chamada “vida real”; a única coisa antes dele.
– Abigail. – Sorri fraco encarando sua cara de confusão. Eu só havia a abraçado uma vez na vida, quando ela me contara que tinha perdido seu filho e o marido a deixou. Isso foi quando eu fugi de casa pela primeira vez, aos 15 anos. Ela me contou suas mágoas e eu as minhas, e assim choramos abraçados o resto da tarde antes dela me convencer a ir para a casa.
– Sim, querido. – Ela retribuiu o sorriso, colocando os lábios em minha testa enquanto eu enterrava meu rosto em seu ombro.
– O amor, ele... ele exige sacrifícios, certo? – Disse entre soluços enquanto ouvia-a suspirar pesadamente. – Sacrifícios como se afastar da pessoa que ama, pelo bem dela, não? – Depois disso, nenhum de nós dois aguentamos, as lágrimas que caiam do seu rosto colidiam-se em meio ao meu cabelo e as minhas, em seu ombro. Ela me abraçou mais forte pois sabia que não precisava fazer nada além disso. Infelizmente, eu agora estava sozinho. Não tinha mais Mikey e agora tinha conseguido afastar Frank também. Parabéns, Gerard, seu grande animal!
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