Like Never Before.
9 Esclarecendo a Situação
Notas iniciais
Finn abriu os olhos após ouvir incessantes batidas na porta do seu quarto. Sentiu a cabeça girar e assim que levantou teve vontade de vomitar. Fez um careta levantando com dificuldade e se encaminhando até a porta. Quando abriu viu Kurt segurando um cachorro minúsculo nas mãos com um sorriso debochado.
– Ressaca?
– Que porra é essa? – Se referindo ao cachorro
– Olha como fala! – Ele gritou – Blaine me deu de presente! – Falou sorridente. — Essa é Elizabeth Taylor! – Finn realmente não estava com paciência pras viadagens de seu irmão. Revirou os olhos e fechou a porta na cara dele, que ficou indignado. – O que deu em você? – Falou abrindo e entrando no quarto.
– Eu quero dormir! – Ele respondeu deitando novamente na cama.
– Ninguém mandou beber como se fosse o fim do mundo. – Kurt depositou a cadela no chão e se sentou na beira da cama.
– O que você quer Kurt? – Perguntou com paciência.
– Nossos pais foram até a casa de uns amigos e vão ficar até a noite, e estou indo pra casa de Mercedes. – Ele falou lentamente.
– E?
– Você pode cuidar dela pra mim?
– Quer dizer que você acaba de ganhar uma cachorra e quer que eu cuide dela? – Finn nem conseguia abrir os olhos. – Por que não pede pra Olivia ou qualquer outro empregado?
– Hoje é o primeiro domingo do mês Finn. – Isso significava folga para todos. – Por favor?
– Tudo bem. – Finn falou abrindo os olhos e encarou ele. – Mas você fica me devendo uma.
– Tudo bem! – Ele sorriu abertamente. – Ela ainda não tem os dentinhos, então dê um pouco de leite. Tchau! – Kurt saiu e Finn voltou a dormir sem nem ao menos se importar com a pequena yorkshire brincando com seu tênis.
Abriu os olhos novamente encarando o teto. Devia ter dormido demais e constatou isso quando olhou pro relógio e viu que eram quase 4 horas da tarde. Levantou se sentindo tonto. Foi até o banheiro e como sempre, colocou tudo pra fora. Tomou banho, escovou os dentes e colocou a cueca boxer branca. Adorava ficar sozinho em casa por esse motivo: liberdade. Às vezes andava pela casa, completamente nu e sem se importar com nada. Voltou ao quarto e viu a cachorra dormindo dentro do tênis dele e sorriu. Até que ela era bonitinha. Pegou ela nas mãos e ficou encarando até ela abrir os olhinhos com dificuldade.
– Hey mocinha. – Ele falava com uma voz infantil. – Elizabeth Taylor...? – Balançou a cabeça e riu com deboche. – Acho que Liz é mais bonitinho, não? – Perguntou pra cachorro que obviamente não respondeu. – Também acho. – Ele sorriu descendo as escadas com a cachorra nas mãos.
Colocou ela no chão e foi até a sala procurando o que fazer. Ligou a TV e viu que iria passar Star Wars: Episode IV. Seu filme favorito. Sorriu e foi até a cozinha fazer pipoca. Colocou o pacote de pipoca dentro do microondas e apertou o botão enquanto se divertia com a nova mascote da família brincando com os dedos do pé dele. Ouviu a campainha tocar e franziu a testa. Quem seria? Foi andando até a porta e ao abrir arregalou os olhos. Viu Rachel com um short minúsculo, de chinelo e uma blusa dos Beatles e um saco na mão. Ele tinha esquecido completamente do que tinha ocorrido entre os dois no dia anterior, e ver ela ali, o fez relembrar daqueles momentos.
Rachel não pode evitar levar o olhar até a única parte coberta do corpo dele. Agradeceu a Deus por estar usando óculos escuros naquele momento. Ele tinha o peito definido e parecia ser bem firme. Descer o olhar e viu que barriga não era tão definida assim, mas ainda assim não era nada mal. Engoliu seco e voltou a olhar pro rosto dele percebendo que ele devia ter acabado de tomar banho, pois além do cheiro do perfume dele estar forte demais, o cabelo estava molhado e jogado na testa. Ele sorriu um pouco confuso e ela se recompôs.
– O que esta fazendo aqui? – Ele perguntou confuso e ela apenas sorriu estendendo a chave do carro. – Ah! Claro... – Ele sorriu pegando da mão dela – Mas eu disse que iria lá... Não precisava vir aqui.
– Imaginei que você fosse acordar de ressaca e achei melhor trazer pra você. – Ela sorriu e ele concordou.
– Valeu. – Ele disse e eles ficaram se olhando por alguns constrangedores minutos. Ele queria conversar sobre o dia anterior. Mas achava que ela não queria tocar no assunto. E ela queria conversar sobre o dia anterior. Mas achava que ele não queria tocar no assunto. Mas os dois desviaram a atenção após a pequena cachorrinha chegar ali.
– Oh meu Deus! – Rachel falava enquanto se abaixava. – Que coisa mais fofa! – Rachel a segurou nos braços enquanto sorria feito criança. – Quem é esse?
– Essa. – Finn abriu mais a porta e Rachel entrou na casa. – O nome dela é... Liz. – Não falaria o nome ridículo que Kurt tinha dado pra cachorra. Não mesmo.
– Oh Liz, você é linda. – Ela brincava com ela e falava com uma voz completamente infantil, se abaixando novamente. Finn ia falar algo, mas ouviu um barulho na cozinha e saiu pedindo licença. Quando voltou com o saco de pipocas viu Rachel se levantando e olhando pra ele — Eu acho que já vou indo. – Ela disse.
– Já? – Ele ficou um pouco desapontado.
– Sim... Tenho uma coisa pra fazer...
– O que? – Ele perguntou intrometido e Rachel arqueou uma sobrancelha.
– Vou ver um filme. – Ela mostrou que dentro do saco que carregava tinha um DVD. E ele sorriu. Perguntou brincando, não esperava que ela respondesse.
– Eu também vou ver um filme! – Ele sorriu levantando o saco de pipoca – Por que não fica aqui comigo?
– Você provavelmente não vai querer ver o filme que eu quero. – Ela falou sorrindo.
– Claro que vou. – Ele sorriu.
– Tudo bem então.
– Eu só vou colocar uma roupa e já volto. – Ele subiu as escadas e Rachel suspirou. Queria tanto que ele continuasse de cueca ali. Viu ele descendo com uma bermuda jeans e uma regata branca. E sorriu. Os dois foram andando até a sala e ele se sentou no chão, encostando-se ao sofá enquanto ela colocava o DVD no aparelho.
– Pronto!
– O que vamos ver? – Ele perguntou animado.
– 'Diário de uma Paixão'. – Ele respondeu sorrindo e se sentando ao lado dele.
– O que? – Fez uma cara indignada. – Eu ia ver 'Star Wars'!
– Você já viu esse filme milhões de vezes! – Ela revirou os olhos.
– E daí? É um clássico! – Ele parou e colocou um olhar desconfiado. – Esperai ai... Como você sabe que já vi esse filme milhões de vezes?
– Você acha que eu não me lembro de você e Noah vendo isso quando crianças? Brincando com aqueles bastões coloridos? – Ele sorriu por ela se lembrar disso.
– Ok... Mas você também já deve ter visto esse filme milhões de vezes.
– Já. – Ela simplesmente falou.
– Então?! – Ele ficou indignado. – Porque nós podemos ver um filme que você já viu, mas não podemos ver um filme que eu já vi?!
– Porque foi você me chamou pra ver filme aqui e porque eu sou a dama aqui. – Ela sorriu sarcástica.
– Argh! Tudo bem! – Finn ficou irritado e ela sorriu. Era a primeira vez que ela irritava ele depois daquele dia da locadora.
O filme começou e ela logo estava abraçando uma almofada sorrindo sonhadora. Finn olhava de canto de olho pra ela ainda ser desfazer a cara emburrada. Mas isso não durou muito. Enquanto o filme ia rolando ele ia se vendo cada vez mais entretido com a estória. Rachel podia jurar que tinha o visto secar os olhos rapidamente. Até que o filme acabou e ela sorriu tristemente enquanto limpava as lágrimas. Ele desligou a TV e o aparelho de DVD e se virou pra ela balançando a cabeça positivamente.
– É... Até que não é tão ruim assim. – Ele não iria dizer que tinha gostado.
– Não é tão ruim assim? – Ela sorriu incrédula. – Você chorou na metade do filme até o fim!
– Que?! – Ele riu debochado. – Obvio que não! – Não. Ele nunca iria admitir que havia gostado do filme. Muito menos que tinha chorado.
– Tudo bem então! – Ela sorriu e os dois ficaram em silencio.
– Isso.
E mais uma vez o silencio constrangedor se fez presente na vida dos dois. Ele começou a sambar com a língua nos lábios demonstrando que estava nervoso e Rachel mexia no detalhe do short dela. Até que os dois falaram ao mesmo tempo.
– Eu acho melhor ir embora! – Ela disse
– Quer fazer alguma coisa? – Ele disse
Se olharam e ele colocou aquele sorriso torto na cara que sempre fazia ela se derreter por dentro.
– Você já quer ir?
– Bem... Eu acho que já incomodei demais.
– Não é incomodo você aqui. – Ele continuava com o sorriso torto e ela não evitou sorrir junto. Ela queria responder que queria ficar ali mais um tempo, pois não tinha nada pra fazer em casa. Queria. E ficou querendo, porque quando ela foi abrir a boca o sentiu pulando pra cima dela e encostando as bocas. Aquilo já estava ficando ridículo. Ele sempre fazia isso. Sempre. Ele sempre a beijava e ela sempre correspondia. E dessa vez não foi diferente. Sentiu ele deitando por cima dela e ela colou as costas no carpete macio da sala. Abriu as pernas e ele colocou os joelhos entre elas. Sentiu as mãos dela brincando em seu cabelo e desceu os beijos pro pescoço dela. E ao sentir a mordida que ele deu ali, ela gemeu baixinho. Rachel se recriminou por ter soltado aquele som e o puxou de volta querendo saborear mais uma vez os lábios dele. É obvio que ele não se opôs. Deixou sua língua brincando com a dela enquanto as mãos dele dançavam na cintura dela lentamente, mas sentiu como se tivesse tomando um banho de água fria ao sentir ela empurrando o peito dele e parando o beijo. Ele se afastou dela se sentando, enquanto tentava buscar ar. E a viu fazendo a mesma coisa. E agora? Foi a primeira vez que se beijaram e ninguém atrapalhou. Isso significaria que eles teriam que falar sobre aquilo?
– Aconteceu alguma coisa? – Ele perguntou cauteloso ao ver ela colocar a cabeça entre os joelhos.
– A gente não poder continuar fazendo isso. – Ela levou as mãos ao rosto.
– O que? – Ela olhou pra ele com um olhar de “sério?” e ele se consertou – Por quê?
– Preciso citar os motivos? – Ele levantou as sobrancelhas – Pra começar eu te odeio. – Ele sorriu divertido. – Em segundo lugar, você é uma criança! Isso é crime!
– Eu faço 18 anos daqui alguns dias. Problema resolvido! – Ele falou sorrindo maliciosamente e colocou a mão na cintura puxando ela que se soltou dele.
– Mesmo assim! – Ela balançou com a cabeça – Você é o melhor amigo do meu irmão mais novo! – Ela tentava deixar aquilo bem claro. Algo a mais entre eles estava fora de cogitação.
– E dai? Ele não precisa saber. – Mas Finn não parecia ligar muito pra isso. – Fala sério! Vai dizer que você não gosta quando eu te beijo? – Rachel não respondeu, só desviou os olhos dos dele. – A gente não ta fazendo nada demais!
– Você não pode me beijar toda vez que sentir vontade garoto!
– Mas eu quero te beijar toda vez que sentir vontade. – Ele falou se aproximando dela que ficou nervosa. – Você não quer?
– Q-quero. – Merda! Pra que ela foi dizer aquilo? Aquele garoto já tinha o ego do tamanho do mundo e depois que ela falou aquilo ele ostentou o sorriso mais orgulhoso que ela já vira.
– Então... Que mal tem? – Ele a segurou pela cintura e a puxou pro colo dele e dessa vez ela não protestou. Sentiu as mãos dele alisando a cintura dela e ela levou suas mãos até o cabelo dele. Ele adorava brincar com aqueles fios de cabelo.
– Isso é loucura. – Ela falou em um tom mais baixo.
– Não é não. – Ele respondeu levando o nariz até o pescoço dela e respirou fundo sentindo o perfume maravilhoso dela, que fechou os olhos por alguns segundos.
– A gente vai ficar se beijando por ai quando bem quiser?
– Sim. O que tem de mal? – Ele continuava com o nariz no pescoço dela
– Isso não vai dar certo. – E ela continuava com os olhos fechados.
– Claro que vai. – Ele olhou pra ela. – Já fiz isso antes e minha relação com Santana continua a mesma!
– Oh Deus! Ainda tem Santana. – Ela arregalou os olhos e tentou sair de cima dele. Mas ele era bem mais forte e a impediu.
– Calma. Eu já não tenho mais nada com ela. Nós “terminamos” ontem na festa. – Ele falou fazendo aspas com os dedos.
– Hum... – Ela ficou pensativa.
– Então? O que me diz? – Ele mantinha a mão na cintura enquanto olhava pra cima encarando os olhos dela.
– Não sei... – Ela continuava sentada no colo dele como se aquilo fosse normal.
– Fala sério! É como uma ‘Amizade Colorida’ – Ele falou e ela riu.
– O nosso caso ta mais pra ‘Inimizade Colorida’. – Ela falou e ele sorriu dando com os ombros.
– Então? – Ele perguntou mais uma vez e passou a língua nos lábios e depois dessa Rachel não podia dizer outra coisa.
– Foda-se! – E pela primeira ela o beijou. Ele sorriu e passou os braços na cintura dela puxando-a mais pra perto de si enquanto sentia os lábios macios dela tocarem os seus. E naquele momento eles não ligaram pra nada. Nem pra cadelinha que estava ali com eles testemunhando aquela cena.
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