Like Never Before.
36 Conhecendo o Inimigo
No dia seguinte após irem para escola, Finn foi até a casa de Puck para contar seu plano para fazer com que Jesse sumisse de Los Angeles. Bom, na verdade ele não tinha nenhum plano. Ainda! Ele teria que esperar Bryan Ryan chegar de Nova York para lhe contar sobre as descobertas da vida de Jesse. Só então ele poderia pensar em fazer algo. Mas pelo menos agora ele podia contar com o apoio e suporte do amigo e cunhado, que parecia não ter gostado muito da estratégia dele de contratar um detetive particular.
– Como é que é? – Puck perguntou surpreso. – Você contratou um detetive?
– Cara, eu nem sei quem é esse Jesse, muito menos do que ele é capaz. – Finn deu com os ombros enquanto sentava na cama de Puck.
– A Rachel vai ficar puta com você quando souber disso. – Puck falou se sentando no puff e abrindo uma lata de refrigerante.
– Eu sei... – Finn suspirou. – Mas como eu posso proteger ela se eu não sei quem é esse cara? Eu preciso saber onde eu estou pisando. – Ele se explicou.
– É... Vendo por esse lado, você tem razão. – Puck compreendeu. – Mas o que você descobriu? – Perguntou interessado.
– Não sei ainda. – Finn falou. – O detetive foi pra Nova York tem dois dias e falou que ia me dar noticias o mais rápido possível.
– Ah sim... — Ele tomou um gole do refrigerante.
– Você não sabe de nada? – Finn franziu a testa olhando pra ele.
– Como assim? – Puck não entendeu.
– Ele era namorado da sua irmã. Você não sabe de nada da vida dele? – Finn perguntou.
– Bom... Eu não sei muito. – Puck fez uma cara pensativa. – Sei que ele tinha a condição financeira boa, mas a mãe dele traiu o pai, daí ela fugiu com o cara e o pai dele ficou meio louco, eles tiveram alguns problemas em casa, sabe? – Finn concordou. – Ele chegou a dormir aqui algumas noites e tudo. Acho que ele chegou a apanhar do pai e tudo mais... Eu não me lembro muito porque e era novo e pra falar a verdade eu não dava a mínima pra Rachel e pro namorado dela. – Puck deu com os ombros. – Acho que as notas dele começaram a cair depois disso tudo e por isso ele não conseguiu a bolsa na faculdade. Enfim... Depois da formatura nunca mais vi a cara dele.
– Não sabia que ele tinha passado por isso tudo. – Finn ficou um pouco surpreso.
– Pois é. – Puck concordou. – Às vezes eu acho que a Rachel fugiu com ele, mais por pena, do que por “amor”. – Puck disse um pouco irônico e Finn ficou calado. – O cara devia estar desesperado pra sair de Los Angeles e se livrar do pai.
– Imagino. – Finn não tinha muito que falar e resolveu mudar o assunto. – O que será que a Rachel esta fazendo agora?
– Provavelmente fofocando com a Quinn. – Os dois riram e Finn concordou.
– A Quinn é meio louquinha não? – Finn perguntou quase afirmando.
– Meio? Completamente! – Puck sorriu e Finn riu da cara dele.
– Você gosta dela, não gosta? – Finn perguntou e Puck fechou a cara.
– Claro que não! – Tratou de desmentir.
– Cara fala sério! Ela é linda e super gente boa... – Finn começou falando. – Sem falar que vocês ficaram na festa do Mike.
– Foi só um beijo e foi verdade ou desafio. – Puck riu nervoso.
– Puck... Eu vi vocês se pegando na cozinha. – Finn falou e Puck engoliu seco.
– C-como?
– Eu sei que tava bêbado aquela noite, mas eu não tava cego. – Finn riu e quando foi falar de novo sentiu o celular tocar. Rapidamente buscou o aparelho e viu o numero de Bryan Ryan na tela. – É o detetive!
– Atende! – Puck quase gritou.
– Alô? – Finn atendeu o celular.
– Sr. Hudson? Sou eu, Bryan.
– Oh, olá Sr. Ryan, como vão as coisas em Nova York? – Finn perguntou educado.
– Vão ótimas! – Ele disse empolgado. – Consegui bastante informação que creio que será de grande ajuda para você.
– Sério? Que maravilha! – Finn sorriu. – E quando o Sr. Volta pra Los Angeles?
– Hoje mesmo. – Bryan disse. – Devo chegar no LAX de madrugada. Você se importa de se encontrar comigo amanhã de tarde?
– Claro que não!
– Ótimo! – Bryan falou. – Mais tarde te envio um SMS com a hora e o local.
– Ok. Estarei aguardando! – Finn disse empolgado. – Boa noite.
– Boa noite Sr. Hudson. – Eles desligaram e Finn guardou o celular no bolso se virando pra Puck.
– E ai? O que ele descobriu? – Puck perguntou.
– Vou saber amanhã. – Finn disse respirando profundamente. – E você vai comigo.
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– Ainda não acredito que você ta aqui. – Quinn falou enquanto arrumava sua pasta.
– Nem eu. – Rachel deu com os ombros. — Mas o Finn surtou! Se eu não viesse, capaz dele me prender em casa.
– Ele ta preocupado com você, amiga. – Quinn riu achando graça. – Você mesmo disse que o Jesse o ameaçou.
– Eu sei... Mas ele não faria nada comigo... Eu acho. – Ela arqueou uma sobrancelha.
– Bem, você sabe que eu nunca gostei muito do Jesse e isso me faz suspeita, mas sinceramente? Eu não duvido nada. – Quinn suspirou e se sentou no braço do sofá encarando Rachel. – Ele te abandonou em um posto em São Francisco, e sozinha! Você, que fez tudo por ele. Você, que ele clamava amar com todas as forças. – Rachel abaixou a cabeça. – Ele ameaçou o Finn porque ele ta vendo como você esta feliz e ficou com ciúmes, é óbvio. Você realmente acha que ele não seria capaz de fazer algo pra machucar o Finn? Ou até mesmo com você? Você sabe muito bem o que vocês passaram em Nova York.
– Eu sei. – Rachel suspirou levando as mãos ao rosto. – Eu estou com medo dele fazer algo com o Finn.
– Não adianta ficar se precipitando e ficar preocupada agora. O Finn disse que ia resolver isso, então vamos esperar ele fazer algo. – Quinn se levantou e pegou sua bolsa e sua pasta. – Eu vou pra aula, mas essa conversa ainda não terminou. – Quinn foi até ela e depositou um beijo em sua bochecha. – Até mais tarde.
– Até mais. – Rachel falou e viu Quinn sair.
Ela suspirou e pensou no caos que sua vida tinha se tornado na ultima semana. Tudo estava tão bem entre ela e Finn e agora Jesse tinha voltado, fazendo ameaças sem fundamento. E o pior é que ela nem mesmo se reconhecia. Como ela acatou a ordem de Finn e foi pra Connecticut? Ela não recebe ordens de ninguém! Muito menos de um garoto que acabou de fazer 18 anos! O problema era Finn. Não tinha nada nesse mundo que ele não pedisse pra ela, que ela não faria. Ela suspirou ao perceber que Finn era pra ela agora, o que Jesse foi no passado, com apenas uma diferença: Finn não era Jesse e estava longe de ser.
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No dia seguinte, Bryan Ryan mandou uma mensagem pedindo para que Finn fosse até uma pacata cafeteria em Hollywood Hills e logo após saírem da escola, ele e Puck estavam lá esperando o detetive.
– Cara, onde tá esse detetive? – Puck perguntou olhando para o relógio no pulso, impaciente.
– Deve ta chegando a qualquer momento. – Finn olhou pra ele. – Se acalma.
– Sr. Hudson? – Ouviram uma voz e se viraram para ver o charmoso detetive atrás deles.
– Oh, boa tarde Sr. Ryan. – Finn se levantou cumprimentando e Puck fez o mesmo. – Esse é o Noah, ele é irmão da Rachel e ele quis vir, tem algum problema?
– Claro que não. – O detetive sorriu. – O caso é seu, sinta-se a vontade. – Ele se sentou a mesa e abriu uma pasta, puxando uma folha com algumas anotações.
– Então? O que você descobriu? – Puck perguntou curioso.
– Bom... Esse Jesse não é flor que se cheire. – Bryan começou a falar e os dois garotos ouviram calado. – Assim que ele e a Srta. Berry foram pra Nova York, eles ficaram hospedados em um hotel por 6 meses, mas depois obviamente o dinheiro acabou e eles ficaram morando de favor com um casal. – Ele começou a falar tudo o que Rachel já havia falado pra ele então não era tão surpreendente assim para ele. Para ele. Puck estava chocado ao ouvir tudo o que havia acontecido com a irmã e só de ver a cara dele, Finn sabia que talvez não tivesse sido uma boa ideia levar o amigo junto com ele. – Ele se envolveu com alguns traficantes no Bronx e no Queens e chegou a dar entrada no hospital após uma briga. – Bryan falava mostrando cópias de documentos que compravam o que ele falava. – A policia tem dois mandatos de prisão pra ele. – Ele mostrou um documento pra Finn que pegou e começou a ler. – Um por tentativa de roubo e outro por tráfico.
– Então é só a gente entregar ele pra policia! – Puck falou o óbvio.
– Não é tão simples assim. – Bryan logo o cortou e olhou pra Finn. – Durante o tempo que ele estava fazendo venda de drogas, ele estava com uma cúmplice...
– Rachel. – Finn falou suspirando.
– Exatamente. – Bryan continuou. – Se ele for preso, provavelmente vai entregar ela e não é tão difícil ligarem os pontos.
– Então ela é presa junto? – Puck tentou entender e viu Bryan concordar.
– Então nós não temos nada contra ele? – Finn falou com um misto de irritação e decepção.
– Oh Finn, claro que não! – Bryan deu um sorriso convencido. – Eu sou o melhor detetive da Costa Leste, eu sempre descubro o que eu quero.
– Você descobriu mais alguma coisa? – Puck perguntou interessado.
– Sim. – Ele tirou um envelope da pasta e entregou pra Finn que abriu o mesmo e tirou uma foto de dentro. – Esse homem é Marco DiTori, ele empresta dinheiro com altos juros.
– Um agiota? – Finn perguntou e Bryan concordou.
– Esse homem é motivo de Jesse ter fugido de Nova York. – Ele falou apontando pra foto.
– Ele pegou dinheiro com o cara? – Puck perguntou e Bryan se virou pra ele concordando.
– Ele pegou 50 mil dólares com ele, um mês antes de fugir. – Bryan falou
– Wow! Pra que esse dinheiro todo?! – Finn arqueou as sobrancelhas surpreso.
– Isso eu não sei. – Bryan suspirou irritado. – Eu chequei a conta dele e do pai dele, mas não tem nem vestígios desse dinheiro.
– Isso não faz sentido. – Finn falou. – Pra que ele iria pegar 50 mil dólares com um agiota e continuar na miséria? Rachel me contou que as coisas em São Francisco não foram muito diferentes. Eles continuaram morando numa casa horrível e quase sem dinheiro nenhum.
– Bom, essa parte eu não sei. – Bryan disse. – Mas DiTori e família dele estão loucos atrás do Jesse, se eles souberem que ele ta aqui em Los Angeles, esse tal Jesse vai estar completamente ferrado. – Bryan terminou de falar e entregou a pasta para Finn.
– Eu nem sei como agradecer Sr. Ryan. – Finn se levantou e estendeu a mão.
– É o meu trabalho. – O loiro sorriu e apertou a mão de Finn e logo depois a de Puck. – Ajam com sabedoria! – Os dois trocaram um amistoso sorriso e viram o detetive sair discretamente do local.
– Vamos logo entrar em contato com esse Marco e entregar o Jesse! – Puck falou afobado.
– Não! – Finn pegou o celular. – Vai ser muito fácil assim.
– E o que você pretende fazer? – Puck perguntou ao vê-lo pensativo.
– Eu preciso entrar em contato com o Jesse.
– E como você vai fazer isso? – Puck perguntou arqueando uma sobrancelha.
– Ele ligou pra Rachel, o número ficou gravado no celular dela. – Finn disse.
– E você acha mesmo que a Rachel vai te dar o número dele? – Puck riu debochado.
– Não. – Finn discou um numero e colocou o celular na orelha.
Aquilo poderia dar errado. Aquilo poderia ser completamente estúpido e a ideia podia ser idiota. Mas ele tinha que tentar e ele sabia que podia contar com Quinn para ajudá-lo.
– Alô? – A loira atendeu do outro lado da linha.
– Quinn, é o Finn. Se a Rachel estiver por perto, finge que não sou eu. – Ele falou rapidamente, antes que ela falasse algo que o denunciasse.
– Anh... Oi mãe. – Ela improvisou.
– Ela ta do seu lado? – Ele perguntou.
– Sim, sim. – Quinn se levantou e Finn pode a ouvir falando com Rachel. – Já volto, é minha mãe.
– Já posso falar? – Ele esperou alguns segundos e perguntou.
– Sim. – Quinn entrou em seu banheiro e ligou o chuveiro para dissipar o som. – O que aconteceu?
– Olha, eu consegui um jeito de tirar de Jesse de uma vez por toda de nossas vidas, mas eu preciso de um favor seu. – Ele falou cautelosamente e a loira concordou na hora.
– Claro, claro! O que você precisa?
– Na segunda-feira ele ligou pra Rachel na parte da tarde, eu preciso que você pegue o celular dela e mande uma mensagem pra ele.
– Tudo bem. – Quinn concordou. – Isso é simples. Mas o que você pretende fazer? – Ela perguntou curiosa.
– Eu quero conversar com ele de homem pra homem e acabar de uma vez por todas com essa palhaçada. – Ele disse decidido e Quinn sorriu do outro lado. Finn podia ser mais novo que Rachel, mas agia como um homem só para protegê-la.
– Tudo bem. – Quinn disse. – Assim que ela se distrair eu pego o celular dela e mando a mensagem. Aliás, o que você quer que eu mande?
– Anota ai...
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Jesse estava sentado na cama do motel barato onde ele estava hospedado durante o tempo que estava em Los Angeles. Ele poderia estar em casa é claro. No conforto e na mordomia. Mas ele sabia que seu pai não era igual ao pai de Rachel. Ele nunca iria tolerar que o filho imprestável dele voltasse pra casa depois de tudo. Mas ele iria voltar com Rachel assim que ela recobrasse a consciência e largasse o playboyzinho. Eles iriam pra Nova York, ele iria a arrumar o dinheiro e iria pagar Marco. E por fim ele pediria Rachel em casamento. Como ele havia planejado. Ouviu o celular tocar e rapidamente se levantou da cama e buscando o aparelho que estava em cima da cômoda. Sorriu vitorioso ao ver que era uma mensagem de Rachel e leu o que ela mandou:
“Precisamos conversar. Pode me encontrar sábado às 8 da noite no Pub McLaren? Rachel.”
Sem hesitar digitou rapidamente a resposta.
“Claro! Eu sabia que você iria mudar de ideia meu amor. Estarei te esperando às 8. Beijos. J.”
Ele sorriu e se deitou em sua cama contente. Ele sabia que Rachel mudaria de ideia.
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Quinn quase vomitou ao ler o que ele respondeu e logo apagou a mensagem que havia enviado e a mensagem que havia recebido. Colocou o celular de Rachel de volta na bolsa dela e buscou seu próprio celular para escrever uma mensagem para Finn:
“Já enviei a mensagem que você me pediu e ele confirmou a presença. 8 da noite no McLaren. Boa sorte! Q.”
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