Like Never Before.
35 Ameaças
Notas iniciais
Era segunda-feira e já tinham se passado dois dias desde a ameaça de Jesse. Finn queria contar para Hiram o que estava acontecendo, mas Rachel o impediu e Puck não estava falando com ele desde o incidente do “alarme falso”. Ou seja, as únicas pessoas que sabiam sobre a volta de Jesse eram eles dois; Artie e Quinn. E agora... Joe.
– Você tem certeza disso?
– Tenho. – Ele suspirou. – Eu quero saber quem é esse cara.
– Tudo bem. – O garoto falou. – Qual é o nome dele mesmo?
– Jesse St. James... É tudo que eu sei. – Ele deu com os ombros e viu o garoto digitar algo no computador.
Finn sabia que aquilo era errado, mas ele realmente estava com medo de que Jesse fizesse alguma coisa com ele ou com Rachel, então ele precisaria saber no que Jesse tinha se metido. Joe Hart era filho do chefe da policia e parceiro de laboratório de Finn, ele sabia que o garoto tinha acesso ao sistema da policia e que mal teria investigar a vida criminal de Jesse? Ele precisaria estar ciente do que aconteceu durantes esses anos.
– Wow! Esse cara realmente tem uma ficha grande. – O menino disse lendo a ficha de Jesse. – Acusado de roubo e tráfico, direção perigosa, algumas multas por alta velocidade, porte ilegal de arma e várias outras infrações menos graves.
– Então ele realmente é perigoso? – Finn começou a ler a ficha dele.
– Se ele for preso, deve pegar no mínimo uns 20 anos de prisão. – Joe deu com os ombros e Finn ficou calado. – Quem é esse cara mesmo?
– Hm... Ex-Aluno do McKinley. – Obviamente Finn não contou pra ele da historia toda. Apenas disse que ficou curioso ao ouvir o nome de Jesse ser citado numa festa e Joe como o bom nerd que é, queria se aventurar e ajudar o cara mais popular da escola.
– É... Ele realmente é um cara barra pesada. – Joe concordou.
– Você pode imprimir isso pra mim? – Finn perguntou apontando pra tela do notebook.
– Não. – Ele franziu a testa. – Foi mal Finn, mas se meu pai descobre que eu to fazendo isso ele me mata.
– Não, não. Você ta certo. – Finn forçou um sorriso. – É que eu queria saber mais...
– Bom... Você pode contratar um detetive. – Joe disse e Finn coçou o queixo interessado.
– Detetive? – Finn perguntou.
– É. Eles cobram um pouco caro, porque hoje em dia não é muito comum contratar detetive. – Joe deu com os ombros. – Mas dinheiro não é problema pra você. – O garoto menor sorriu e se levantou. – Eu tenho o cartão de um detetive particular. – Ele começou a vasculhar uma gaveta. – É um conhecido do meu pai... E o cara é bom, sempre acha o que procura. – Ele entregou o cartão pra Finn.
– Muito obrigado cara! – Finn agradeceu enquanto lia o cartão: “Bryan Ryan – Detetive Particular”. – Fico te devendo uma!
– De nada cara.
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Ele sabia que no momento que fizesse isso estaria se arriscando. Primeiro invadiu o sistema da policia e agora estava contratando um detetive... Se Rachel soubesse disso iria esfolá-lo vivo! Mas aquilo se tratava da segurança dela, então ele faria o que fosse preciso. Bryan Ryan não se parecia em nada com o que cabeça havia imaginado. Ele imaginou que seria um velho rabugento e sujo, viciado em bebida talvez. Mas pelo contrário. Ele era loiro, bem apessoado, usava um terno caríssimo e sapatos bem engraxados. Isso significava que ele tinha dinheiro e se ele tinha dinheiro é porque era bem pago e se era bem pago é porque fazia seu trabalho direito. Ótimo! Pelo menos ele teria respostas.
– Então você quer que eu descubra mais sobre esse Jesse? – O homem loiro e bem apessoado perguntou enquanto escrevia algo numa caderneta.
– Sim. Como eu já disse, ele veio de Nova York e fez ameaças, eu estou preocupado. – Finn já tinha explicado a historia completa, sem deixar nada de fora, como Bryan havia pedido.
– Sr. Hudson... – Bryan se inclinou em sua mesa, deixando os cotovelos sobre a mesma e encarou Finn. – Você me disse que sua namorada esteve com ele todo o tempo em Nova York. – Finn concordou. – Isso significa que querendo ou não eu terei que investiga-la também.
– Eu sei... – Finn suspirou. Era isso que ele temia. Ele não queria invadir a privacidade de Rachel. Apesar de ela já ter lhe contado tudo que aconteceu em Nova York, aquilo era totalmente diferente.
– Bom, se o Senhor está realmente de acordo eu parto para Nova York hoje mesmo. – Ele disse se levantando e Finn o imitou.
– Ótimo. Quanto mais rápido, melhor. – Finn disse.
– O Senhor pode ir acertar os tramites de pagamento com a minha secretária. – Bryan disse e Finn concordou estendendo a mão.
– Espero obter respostas o mais rápido possível. – Finn disse e o homem apertou sua mão amistosamente.
– Fique tranquilo. – Bryan disse. – Entrarei em contato quando o Senhor menos esperar.
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Rachel estava sentada em sua cama ponderando sobre o que fazer e ela realmente não tinha a mínima ideia. O conto de fadas que ela estava vivendo com Finn, acabou virando um pesadelo em menos de 24 horas. Ela estava com medo, obvio que estava! Ela sabia das coisas que Jesse já havia feito e só agora podia enxergar o quanto ele era perigoso. Antes ela achava que ele ainda era o garoto doce e sorridente que ela conheceu aos 14 anos. Mas ele havia mudado. Mudado demais. Ou talvez ele sempre fora assim e sua paixão sempre a cegara? Não era segredo que Quinn e Artie nunca gostaram muito dele. Não, aquilo não era segredo pra ninguém. Mas agora ela podia ver que Jesse não era quem ela pensava que fosse. Foi tirada de seus pensamentos ao ouvir seu celular tocar e buscou o aparelho sem nem ao menos checar no visor quem era do outro lado.
– Alô?
– Você realmente deve confiar no seu namoradinho pra deixar ele cercado de garotas gostosas. – A voz de Jesse soou no celular com um tom de deboche e ela se alarmou.
– Como você conseguiu meu número? – Ela perguntou fria.
– Eu to te dizendo que teu namorado ta com duas gatas aqui e você ta preocupada com isso? – Ele riu e ela sentiu o sangue subir.
– Eu mandei você ir embora de Los Angeles. – Depois ela se tocou. – Como você sabe com quem o Finn está?
– Eu te disse pra tomar cuidado. – Ele falou ameaçador.
– Vai pra merda. – Ela disse com raiva e ouviu a risada escandalosa dele.
– Eu vou avisar uma vez só. – Ele falou. – Você vai terminar esse namoro ou alguma coisa muito ruim vai acontecer com ele... Entendeu?
– Quem você pensa que é pra ficar me fazendo ameaças?! – Ela disse irritada.
– Depois não diga que eu não te avisei Rachel. – Ele desligou.
Ok. Agora era pra valer. Ela estava realmente assustada. Antes ele só havia falado por alto, mas agora foi bem específico. Como assim ‘alguma coisa muito ruim’ vai acontecer com Finn? Ela rapidamente discou o numero do celular do namorado e só se acalmou quando ouviu a voz dele.
– Oi amor. – Ele disse.
– Finn! Onde você está?! – Ela perguntou preocupada e Finn percebeu.
– To no shopping. Vim comprar umas coisas e encontrei com a Santana e a Brittany. – Ele explicou. – Aconteceu algo?
– Você pode vir pra cá? – Ela pediu e ele sabia que havia acontecido algo.
– Claro. Daqui a pouco estou ai. – Ele disse e ela se sentiu aliviada.
– Vem com cuidado, tá? – Ela ouviu a risada de Finn.
– Tudo bem. – Ele falou, mas ela ainda estava muito apreensiva.
– Finn... Eu te amo. – Ela disse e Finn sorriu do outro lado da linha.
– Eu também amo você. Muito.
– Vem logo. – Ela suspirou.
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– Rach? – Ela ouviu a voz de Finn seguida de duas batidas na porta.
Ela rapidamente se levantou e quando abriu a porta não hesitou em se jogar em cima dele, o abraçando fortemente em seus braços. Finn ficou surpreso, mas retribuiu o abraço, se inclinando e a sentindo mais perto de si. Sorriu ao inalar o perfume dela e fechou os olhos ao sentir os pequenos dedos dela brincarem em seu cabelo. Ela se afastou e encarou por alguns segundos para logo depois selarem os lábios. Ele levou a mão até o rosto dela acariciou a bochecha dela delicadamente. Rachel sentiu que estava no céu ai sentir a língua dele tocar a sua. Era sempre assim com Finn. Não importava a situação em que eles estavam. Ele sempre a fazia se sentir no paraíso. Sempre a fazia sentir as benditas borboletas em seu estômago. Sempre a fazia sentir amada. Eles se separaram lentamente e trocaram mais alguns selinhos. Ele sorriu, mas ela não conseguiu fazer o mesmo. O que fez ele ficar mais preocupado ainda.
– O que está acontecendo? – Ele perguntou entrando no quarto e a porta permaneceu aberta. Essa era uma das regras impostas por Hiram ao descobrir o namoro dos dois. Podiam ficar no quarto dela, desde que a porta permanecesse aberta.
– E-eu... – Ela não sabia como dizer. – Jesse me ligou hoje.
– O que? – Ele franziu a testa. – Como ele tem seu número?
– Eu não sei. – Ela disse aflita e Finn viu que tinha mais coisa por ai.
– O que ele queria?
– Finn... – Ela não sabia como dizer.
– O que ele queria Rachel? – Tornou a perguntar.
– Ele queria que eu... Terminasse com você. – Ela falou desviando o olhar do dele.
– O que...? – Finn ficou confuso e ao ver o olhar de duvida dela se sentiu inseguro.
– Ele falou que se eu não terminasse o namoro, algo muito ruim iria acontecer com você. – Ela falou deixando algumas lágrimas caírem pelo rosto.
– Ele não vai fazer nada comigo. – Finn foi até ela e passou o polegar delicadamente no rosto dela, limpando as lágrimas.
– Eu tenho medo que algo aconteça com você. – Ela confessou. – Se algo acontecer vai ser minha culpa e-
– Não vai acontecer nada Rachel. – Ele a interrompeu e ela ficou calada. – Eu acho melhor você ir pra New Haven. – Ele falou e ela o encarou.
– Como? – Ela perguntou confusa.
– É mais seguro. – Ele suspirou. – Você fica com a Quinn e o Artie, e fala para os seus pais que vai visitá-los.
– Ma-mas e você? – Ela perguntou.
– Eu vou ficar bem, ele não vai fazer nada comigo. – Finn repetiu e ela ficou pensativa. – Se você viajar é até melhor. Ele pode pensar que nós terminamos e ele para de te perturbar.
– Eu não posso ficar em New Haven para sempre Finn. – Ela disse e ele mordeu a parte interior da bochecha.
– Depois nós pensamos nisso. – Ele a abraçou pela cintura. – Eu quero que você fique em segurança e lá você vai ficar bem.
– Mas e você? – Ela abraçou pela cintura também e ele olhou pra baixo. – Você não pode pedir para o seu pai contratar um segurança?
– Rachel! – Ele sorriu divertido. – Eu não preciso de segurança.
– Mas o Jesse disse que-
– Ele ta falando isso porque ele quer você de volta, mas eu não vou pra lugar nenhum. – Ele a olhou. – Meu lugar é do seu lado. – Ele deu um selinho nela que ainda não se sentia satisfeita e ele percebeu. – Mas se isso vai te deixar mais despreocupada, eu posso pedir pro meu pai, tudo bem?
– Sim. – Ela sorriu se sentindo aliviada e Finn a beijou de novo.
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Rachel segurava a mão de Finn tão forte que parecia que estava segurando sua própria vida. Puck estava sentado enquanto olhava os dois conversarem ao lado das malas dela.
– Eu já avisei pra Artie a hora que você chega e ele vai estar te esperando no aeroporto, tudo bem? – Finn repetia aquilo pela terceira vez e ela concordou.
– Toma cuidado. – Ela repetia aquilo pela décima vez. Ele sorriu e concordou.
– Eu vou sentir sua falta. – Ele disse dando um sorriso triste.
– Eu também. – Ela por fim soltou a mão dele e levou até seu rosto. – Eu amo você.
– Muito? – Ele sorriu e sentiu os dedos dela em sua bochecha.
– Muito. – Ela sorriu de volta e o beijou rapidamente.
– Eu te amo. – Foi a vez de ele dizer e ela mordeu o lábio inferior dele em resposta. Eles ouviram a voz feminina soar nos alto-falantes do aeroporto, anunciando o próximo voo, que seria o de Rachel.
– Bom... Tenho que ir. – Ela disse com um suspiro e viu o irmão se levantar. – Se cuida.
– Você também. – Puck sorriu e a abraçou para logo depois lhe dar um beijo na bochecha.
Se algo havia melhorado depois do incidente do “alarme falso”, foi o relacionamento dos dois irmãos. Apensar de Puck ainda estar estranho com Finn, ele havia se aproximado bastante da irmã e isso era motivo de felicidade para Finn. Tudo bem, ele ‘perdeu’ o melhor amigo, mas pelo menos Rachel havia ganhado o irmão de volta. Finn observou os dois se despedirem e assim que se soltaram ela se virou pra ele o abraçando de novo. Ele a apertou com tanta força que ela tossiu ao sentir o ar fugir dos pulmões. Ele sorriu e a beijou mais uma vez.
– Se cuida. – Ela falou.
– Pode deixar. – Ele sorriu. – Toma cuidado lá e tenta se divertir um pouco...
– Com Quinn do meu lado é impossível não me divertir. – Ela falou arqueando uma sobrancelha e arrancou uma risada dele e um sorriso de Puck.
– Ótimo! – Ela a beijou mais uma vez e a voz ecoou mais uma vez.
– Te amo. – Ela falou mais uma vez e ele sorriu.
– Também te amo. – Ele respondeu e a soltou de uma vez.
– Quando chegar lá me liga. – Puck falou e ela concordou.
– Tchau. – Ela falou de novo e pegou suas malas caminhando até o portão de embarque.
Os dois ficaram olhando ela se afastar, até que ela sumiu e Puck suspirou se virando pra ir embora. Finn se virou e viu que ele já estava bem longe e correu pra alcançar ele. Puck estava estranho com ele havia meses e aquilo já estava ficando ridículo.
– Puck! – Finn gritou e ele nem deu ouvidos. – Cara! Espera! – Finn alcançou e colocou a mão no ombro dele.
– O que você quer Hudson? – Puck continuou andando e Finn caminhou junto com ele.
– Eu preciso conversar com você.
– Olha, se isso é sobre...
– É sobre o Jesse. – Finn o interrompeu e Puck parou abruptamente.
– O que? – Finn suspirou e olhou pra ele.
– Jesse. O ex-namorado da Rachel. – Puck olhou pra ele e arqueou uma sobrancelha em confusão. – Ele voltou.
– Como assim voltou?
– Ele voltou pra Los Angeles e foi procurar a Rachel.
– Quando isso? – Puck o encarava.
– Sábado. – Ele suspirou.
– E por que você só esta me contando isso agora?! – Puck perguntou irritado.
– Primeiro de tudo, baixa sua bola comigo! – Finn se irritou. – Você deveria ser meu melhor amigo e nos últimos meses você nem olha pra minha cara! Eu já te expliquei o que aconteceu e você escolheu ser imaturo e parar de falar comigo! – Finn apontou o dedo na cara dele. – Então não venha me culpar por não te contar as coisas.
– O que ele queria? – Puck ignorou o ataque de fúria dele.
– Ele ameaçou a Rachel e me ameaçou. – Finn abaixou a mão. – Disse que se ela não terminasse comigo, algo ruim iria acontecer comigo.
– Onde esse babaca ta?! Vou acabar com ele! – Puck voltou a andar até o estacionamento e Finn correu atrás dele.
– Espera! – Finn segurou o ombro dele e Puck se virou pra ele de novo. – Rachel ta indo pra Connecticut porque eu pedi. – Finn confessou. – Pelo menos lá ela ta segura.
– Você tem razão. – Puck olhou para o amigo e suspirou. – Me desculpa por ta sendo um idiota com você. – Finn parou e olhou pra ele. – Eu sei que o que eu fiz foi ridículo e que eu to sendo um babaca te tratando desse jeito. Eu sei que se a Rachel realmente tivesse grávida, você ficaria do lado dela. – Ele suspirou. – Mas... Minha irmã quase acabou com a vida dela por causa de um idiota e eu fiquei com medo de-
– Eu entendo. – Finn o interrompeu. – Ta tudo bem.
– Eu queria te pedir desculpas a muito tempo... – Noah confessou. – Mas você sabe como eu sou orgulhoso. – Finn riu e concordou. – Então... Você me perdoa?
– Você é meu irmão Noah. – Finn disse e Puck sorriu ao ouvir o amigo o chamar pelo nome.
– Isso é um sim? – Ele perguntou e Finn riu o abraçando de lado.
– É! – Os dois riram e apertaram as mãos.
– Então... Me conta mais sobre o que esse idiota quer... – Eles voltaram a caminhar em direção ao carro.
– Você não precisa se preocupar... – Finn falou, virando a cabeça pra Puck. – Eu já tenho tudo sob controle.
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