Like I'm Gonna Lose You

14 Capítulo 12 - Secret Discovered


Notas iniciais
Olá minhas mermaids! Como vocês estão? Espero que todas estejam bem e com saúde! Enfim, capítulo chegou mais cedo e é um capítulo muuuito importante, então... Espero que vocês gostem. BOM CAPÍTULO

Eu nunca havia visto uma pessoa mudar de humor de uma hora para a outra tão rápido. Em um segundo a Isabelle estava gargalhando ao meu lado e no segundo seguinte, depois de uma breve olhada no celular, seus olhos ficaram marejados e em seguida ela jogou o celular contra o colchão com tanta raiva que o aparelho quicou algumas vezes sobre a cama antes de cair no chão. E ela sequer ligou.

— EU NÃO ACREDITO NISSO! — Ralhou enquanto sentava de cara emburrada na cama. Senti pena do meu travesseiro quando ela agarrou o mesmo e o apertou com tanta força que eu achei que ele nunca voltaria ao formato anterior.

— Izzy…? — Ela ergueu o olhar para mim. Era visível que o que quer que ela tenha lido a afetou profundamente. — O que aconteceu?

— Cancelaram a minha série favorita! Eu quero esganar o infeliz que fez isso! — A minha expressão deveria mostrar tanta incredulidade que fizeram as bochechas dela ficarem rosadas.

— Eu achei que fosse alguma coisa séria, Isabelle!

— E é sério! Eles não podem fazer isso comigo, é… É desumano! — Revirei os olhos.

— MENINAS HORA DO JANTAR! — Ouvi a minha mãe chamar da cozinha.

— Vamos comer, Izzy. — Chamei enquanto caminhava para a porta, tendo a plena consciência de que ela continuava sentada na cama digitando no celular recém recuperado do chão.

— Como eu posso comer? Preciso xingar todos os envolvidos no cancelamento no Twitter, além de subir uma “tag” para salvar a minha série. Clary, isso é sério!

— Okay! Fique com fome, mas saiba que nessa casa ninguém come nada depois das 21:00! — Avisei enquanto saia do quarto.

— Okay, você venceu! Eu nem gostava tanto assim daquela série. — Falou quando finalmente se juntou a mim no corredor, mas eu sabia que ela tinha o celular no bolso do short; e não me surpreenderia nada se a visse com olheiras amanhã pela noite mal dormida, se é que ela fosse dormir.

Minha mãe havia feito salmão para o jantar. E sim, talvez salmão fosse a minha comida favorita, e sim isso tem a ver com o fato de eu estar no topo da cadeia alimentar marinha; o que significava que sempre preferia comer salmão a qualquer outro peixe. E a minha mãe sabia daquilo, e eu sabia que ela estava tentando me agradar, principalmente por conta do ocorrido na praia.

Aquilo nunca havia acontecido antes. Em todos os meus 700 anos, eu nunca havia sofrido nenhum tipo de ataque direto, ou sequer visto a algo do tipo. E aquilo me aterrorizava. Além do fato de ter sido preciso a ajuda de uma Fada, a minha mãe, que era uma Sereia muito antiga, não sabia o que estava acontecendo comigo! Nem a Maryse!

— Mãe… — Comecei enquanto terminava de mastigar. — Onde está a Maryse?

— Ela… — Minha mãe franziu o cenho. — Não sei. Ela saiu quando o Sebastian chegou, e eu acho que ela ainda não voltou. — Ela deu de ombros, e foi a minha vez de franzir o cenho. Maryse odiava os humanos, e ela mesma já havia confessado que havia detestado a Califórnia, e que preferiria sair apenas quando fosse extremamente necessário; do contrário iria ficar em casa, na maior parte do tempo, me observando.

— Estranho. — Murmurei, mas a minha mãe apenas bebericou o suco que estava em seu copo.

Depois do jantar, eu e Isabelle nos oferecemos para arrumar a cozinha, e é claro que a minha mãe aceitou. Na verdade, ela disse algo como “Vocês realmente acreditaram que a comida foi de graça?”. E durante o nosso período de organização, ambas tiramos a mesa juntas; e enquanto a Isabelle lavava as louças eu fiquei com a parte de secá-las e guardá-las.

Eu gostava da companhia da Isabelle. Me lembrava de quando eu passava os meus dias com a Tessa, o Will e o Jem. Na verdade, os meus dias com a Isabelle eram melhores. Por alguma razão quando eu estava com ela eu me sentia mais leve, e mais tranquila, eu sabia que podia confiar nela, a Lightwood já havia deixado aquilo claro muitas vezes; eu gostava dela como nunca havia gostado de uma amiga antes. Era diferente, mas um diferente bom.

— Então, o que você acha? — A fitei enquanto nos na minha cama. — Sebastian e aquela mulher…

— Acho que é Seelie o nome dela. — Comentei. — Mas o que têm eles?

— Ah, Clary! O que acha que eles estão fazendo até agora?

— Conversando. — Respondi com sinceridade. Qualquer um podia ver que eles tinham assuntos inacabados, e que precisavam de uma conversa muito longa. — Por quê?

— Eu acho que eles estão transando até agora. — Acabei rindo de seu comentário. — Eu pergunto a ele assim que o vir… Aposto R$10 dólares que tiveram uma tarde prazerosa. — Revirei os olhos.

— Okay. Aposto R$10 dólares que conversaram bastante. — Uma risada nos interrompeu. Parado no batente da minha porta estava o meu irmão; com certeza, um irmão muito sorridente. Algo me dizia que eu havia acabado de perder R$10 dólares.

Eu sabia quando as pessoas estavam mentindo. Mas com o decorrer dos séculos, aprendi a ler melhor as pessoas e suas emoções, além de aprender como fazer para confessar suas mentiras a meu favor. Mas, naquela noite em especial, o meu irmão era um livro aberto. Ele estava simplesmente feliz, de uma forma tão relaxada e brilhante que jamais vira antes.

— E então? — Eu perguntei. Sabia que ele tinha escutado a nossa conversa.

— Cada uma me deve R$10 dólares. Nós conversamos, e transamos. Então, as duas perderam. — Revirei os olhos. — Podem pagar o meu lanche pós-jogo amanhã.

— Espera! Jogo? — Perguntei. Não sabia que ele teria um jogo amanhã.

— É! Os Shadowhunters vão enfrentar os FreeDosgs amanhã. — Ela sorriu. — E eu estarei arrasando no meu uniforme de líder de torcida. — Ela sorriu e bateu palminhas. Isabelle era líder de torcida, mas diferente do que a maioria dos filmes adolescentes e séries costumam te mostrar, Isabelle Lightwood não era uma garota com características mimadas, nariz empinado, nem desprezava as pessoas. E eu a amava por aquilo. E odiava aqueles filmes só por passar uma falsa imagem daquelas meninas. — Você vai, certo?

— Claro.

(…)

Quando concordei em ir ao jogo, não sabia que seria aquela confusão toda. Pelo que eu havia entendido aquele era o primeiro jogo da temporada, e os FreeDogs tinham uma rixa com os Shadowhunters, e sinceramente, eu tive medo de transitar entre as torcidas.

A maioria levava cartazes e gritavam frases de incentivo aos times, e quando gritavam todo o resto respondia. Parecia uma verdadeira guerra. E eu estava no meio dela, e mesmo que nunca tenha visto um jogo anterior, de certa forma eu estava torcendo para os Shadowhunters, e a torcida do time adversário me fuzilava com os olhos. Eu precisava sair dali. Onde estava o Simon?

Assim que cheguei ao ginásio, o meu pensamento de que as coisas estariam melhor ali, foi totalmente desconstruído. Cada torcida possuía um lado da arquibancada, e ambas pareciam estar prestes a correr para o centro da quadra e começar uma batalha sangrenta, onde cartazes seriam as principais armas.

— Eu estava… — Gritei de susto ao sentir uma mão ser apoiada em meu ombro. Quando virei-me para trás encontrei os olhos do meu amigo e soltei um suspiro de alívio. — Você está bem, Fray?

— Oh… Sim. — Ele riu, provavelmente eu tinha os meus olhos arregalados naquele momento. — Eu estava procurando você.

— E eu por você. Vamos, se não ficaremos sem um lugar para sentar, e eu, com certeza, não quero me arriscar com na torcida adversária. — Balancei a minha cabeça em afirmação. Eu não era louca de sentar do outro lado da quadra, podia nunca ter visto um jogo de basquete na minha vida, e nem saber como funcionava, mas sabia que ninguém gostava um “intruso” em sua torcida.

Com muita sorte eu e o Simon achamos um local na quinta fileira da arquibancada, e segundo ele seria um bom local para se assistir ao jogo. Estávamos apenas eu e ele na arquibancada, pois a Isabelle apareceria a qualquer momento com o resto do time de líderes de torcida; e tanto o Alec, quanto o Jace, quanto o meu irmão, estariam jogando dentro de alguns minutos. E o resto das pessoas que costumavam a andar conosco estavam perdidas no meio da arquibancada.

Cerca de dez minutos depois as líderes de torcida invadiram a quadra levando a torcida a loucura. O uniforme delas era uma saia branca rodada com uma barra preta bem fininha, uma camisa branca com detalhes em preto de manga e tênis branco, além de pompons pratas. Consegui achar a Isabelle no meio de todas aquelas meninas, ela tinha parte dos longos cabelos presos, provavelmente para evitar que caísse no seu rosto, além de, é claro, os seus lábios pintados de vermelho.

Assim que elas terminaram de fazer o número, se posicionaram e agitaram seus pompons para a entrada do time. O uniforme dos jogadores era o inverso dos delas, pois o preto prevalecia, e no peito eles carregavam o símbolo do time um desenho elaborado (N/A: Marca dos Anjos). Encontrei a cabeleira prateada do meu irmão com facilidade, e, por conta da sua altura, foi bastante fácil achar o Alec, e o Jace, é claro, ele estava sendo ovacionado.

Assim que o apito soou dando início ao jogo e o Alec pulou para pegar a bola, ambas as torcidas explodiram em gritos. Eu e o Simon, de alguma forma acabamos gritando também, afinal, toda vez que eles gritavam e nós não, as pessoas ao nosso redor nos olhavam de cara feia. E nenhum de nós dois estávamos a fim de sermos expulsos dali a ponta pé.

No final do segundo período as meninas da torcida voltaram a quadra para performar outro número. Avisei ao Simon que iria comprar alguma coisa para comer, e ele acabou pedindo para que eu comprasse um refrigerante. Sair da arquibancada não foi tão difícil, pois todos estavam aproveitando o intervalo para comer algo ou ir ao banheiro.

Eu estava na fila para comprar o meu lanche e o refrigerante do Simon quando eu a vi. Parada na porta do ginásio como se fosse um segurança, quando na verdade era ela quem representava perigo ali. Saí da fila sem pensar duas vezes e caminhei até ela a passos rápidos.

— O que você está fazendo aqui? — Perguntei.

— O que você acha? — Ela desviou os olhos para um ponto atrás de mim. Eu segui o seu olhar e encontrei o Jace conversando com uma menina que usava uniforme das líderes de torcida. Eu sabia bem quem a loira era. — Você sabia que ele pode escorregar e bater com a cabeça? Ou uma dessas estruturas poderia soltar e causar um terrível acidente? — Um rosnado saiu pela minha garganta enquanto em me aproximava dela, encurtando a nossa distância para pouquíssimos centímetro.

— Maryse. — Respirei fundo. — Eu só vou falar mais uma vez. Deixe o Jace em paz. — Ela sorriu.

— Eu não tenho medo de você, Clarissa. — Abri o meu melhor sorriso.

— Você deveria. — Dei mais um passo para perto dela, deixando os nossos corpos quase colados um no outro. — Pois se você mover uma palha contra ele, é bom que você saiba nadar muito bem, porque eu vou até o Mar do Inferno atrás de você. Eu sei do que você é capaz, Maryse. E eu não tenho medo.

— Clary! — Olhei para trás e vi a Isabelle parada há poucos metros de nós duas. Quando voltei a olhar para a Maryse, ela estava tão pálida que seus lábios sequer tinham cor, os seus olhos estavam arregalados e tinham puro medo neles. Quando a mulher voltou a me encarar eu me permiti abrir um sorriso, o que a fez ficar ainda mais assustada e começar a se afastar aos tropeços. — Hey! — Encarei a Isabelle. — Quem era?

— Uma amiga da minha mãe. — Ela abriu um pequeno sorriso. — Aconteceu alguma coisa?

— Eu procurei você na arquibancada e não a achei, então eu vim procurá-la aqui. — Balancei a minha cabeça em afirmação enquanto voltava para a arquibancada. — Não fuja no fim do jogo, okay? Temos que pagar o lanche do Sebastian. — Acabei rindo ao lembrar da aposta que tínhamos feito na noite anterior.

— Não se preocupe, eu não vou fugir. — Ela assentiu sorrindo, e foi naquele momento que eu percebi uma coisa. Era algo tão absurdo que eu não conseguia acreditar no que eu estava pensando. Olhei para morena à minha frente por vários segundos. Seu nariz fino, seus lábios desenhados e pintados de vermelho, a sobrancelha perfeita, os olhos escuros e intensos, e os longos e magníficos cabelos negros.

— Eu te vejo em meia hora. — Ela respondeu antes de voltar correndo para o seu time.

Isabelle Lightwood era a cópia perfeita da Maryse com 17 anos de idade. Aquilo era impossível.

(…)

Quando o sinal que marcava o fim do jogo soou, a nossa torcida foi a loucura, pois os Shadowhunters haviam vencido com treze pontos de diferença. Antes que nós fossemos arrastados pela multidão o Simon me puxou pelo braço, e aos tropeços nós descemos pelas fileiras até a quadra, onde todos foram até os jogadores para poder comemorar.

Isabelle estava abraçando o Alec e o mesmo a erguia do chão. E vários outros jogadores faziam o mesmo com suas respectivas namoradas, irmãs, amigas, ou o que fossem, inclusive o Jace. Braços pálidos me abraçaram e me tiraram do chão em comemoração. E eu sabia que o único louco o suficiente para fazer aquilo era o meu querido irmão.

— Sebastian! Você está nojento! — Reclamei enquanto era erguida no ar. A camisa dele estava encharcada de suor, e consequentemente estava me encharcando de suor. — Isso não tem graça. — Ele me colocou no chão e me lançou um olhar como quem diz “E o meu parabéns?” — Parabéns, pelo jogo.

— Obrigado. — Ele sorriu. — Eu vou tomar uma chuveirada e te dou uma carona para encontrar o pessoal, okay?

— Claro. — Meus olhos encontraram os cabelos ruivos da Fada que me salvara da minha própria mente na noite anterior, e foi impossível controlar o meu sorriso. — Tem mais alguém que quer te parabenizar. — Apontei com a cabeça para a mulher atrás dele. Assim que o meu irmão olhou para ela, a mesma abriu um sorriso tímido. — Vou precisar de uma outra carona?

— Talvez para a volta. — Acabei rindo e ele começou a se aproximar da Fada. Assim que eles trocaram o primeiro beijo, eu soube que definitivamente precisaria de uma nova carona. Um esbarrão foi o suficiente para me fazer desviar os olhos do casal.

— Oh, desculpe. — Encontrei os seus olhos antes mesmo que ele pudesse terminar de falar. — Oi.

— Oi. — Engoli em seco. Fala alguma coisa! — Parabéns pelo jogo. — Ele abriu um meio sorriso.

— Obrigado. — Foi a minha vez de abrir um sorriso. — Você está estranha. — Arregalei os meus olhos. Talvez seja porque eu quase matei você ontem. — Nós estamos bem? Com o lance do beijo e tudo o mais? Porque…

— O que? Não! Nós estamos perfeitamente bem! De verdade! — Tropecei em minhas próprias palavras. Era óbvio que nós não estávamos bem.

— Sério? — Balancei a minha cabeça em afirmação. — Não é o que parece. — Abri e fechei a minha boca algumas vezes antes de finalmente baixar os meus olhos e abrir um sorriso sem graça.

— É só que… Eu não… — Respirei fundo. — Não é um bom momento. — Ele levou alguns segundos até balançar a cabeça em afirmação.

— Eu vejo você por aí, Clarissa. — Assim que ele virou de cosas e começou a se dirigir ao vestiário, eu percebi a besteira que havia dito.

— Oh, Deus! — Enterrei a minha cabeça entre as minhas mãos. — Clarissa sua besta!

(…)

— Sebastian, já é a terceira vez que eu estou te ligando. Não tem mais ninguém na escola e eu estou aqui fora te esperando! Pode, por favor, me dar um sinal de vida?! — Encerrei a ligação deixando o terceiro recado na caixa postal dele. Eu deveria ter imaginado que aquilo iria acontecer!

Estava considerando pedir um carro pelo aplicativo quando passos me chamaram atenção. Pelo som do salto batendo no chão, eu considerei que fosse uma mulher, e quando eu vi a mulher que era, me escondi atrás do primeiro carro que vi. Por alguma razão eu sabia que deveria me esconder ali, por alguma razão algo me dizia que ela não podia saber que eu estava ali.

— Eu estou saindo da escola agora. — A ouvi dizer. — Me encontre no mesmo lugar de sempre, e seja rápido. — Depois de mais alguns minutos de passos eu ouvi o som da porta do carro fechando, mas aparentemente ela ainda estava no estacionamento.

Onde a Maryse podia estar indo? Ela não gostava de andar entre os humanos. Aquela voz dentro de mim implorou para que eu a seguisse; e eu resolvi arriscar o meu pescoço e escutá-la. Torcendo para que o motorista estivesse perto o suficiente, e que ele chegasse bem rápido, abri o aplicativo no meu celular e pedi um carro.

Para a minha felicidade, o carro estava há três minutos de distância. Embora estivesse se aproximando rápido, eu ouvi o som do motor do carro da Maryse. Avistei o carro há alguns metros e suspirei aliviada, assim que o carro da Sereia passou por mim, eu corri em direção ao carro que havia pedido. Fiz sinal para o motorista e sentei-me no banco traseiro.

— Boa noite. Eu preciso que o senhor siga aquele carro. — O homem me encarou pelo retrovisor. — Não tinha espaço no carro, e estamos todos indo para o mesmo lugar.

— Okay. — Meio a contragosto ele começou a dirigir.

Enquanto seguíamos o carro vermelho pela estrada eu só conseguia me perguntar onde aquela mulher poderia estar indo. Com sorte, eu poderia descobrir o que ela estava fazendo as escondidas e usar contra ela, e com mais sorte ainda, fazê-la deixar o Jace em paz. E para uma Sereia que dizia não gostar do mundo mortal, ela dirigia muito bem; felizmente o homem no volante dirigia tão bem quanto.

Eu mesma, raramente ia até aquela parte da cidade. Não gostava de Shoppings, me sentia presa ali dentro, e na maioria das vezes acabava perdida. Mas, a Sereia que seguíamos parecia conhecer perfeitamente aquele lugar, pois rapidamente encontrou uma vaga e saltou do carro. Eu soube que ela estava fazendo algo errado no momento que a vi olhar para os lados e deixar o celular dentro do carro. O que ela estava aprontando?

— Obrigada. Tenha uma boa noite, e um bom trabalho. — Desejei enquanto saltava do carro.

Entrei no Shopping atrás da mulher e a segui por vários corredores. Aparentemente ela sabia onde estava indo, pois não se incomodava em olhar para que lado estava indo ou se estava no lugar certo. O que me fez concluir que não era a primeira vez que ela ia até ali, e que já fazia muito tempo que repetia o mesmo trajeto.

Fiquei escondida atrás de uma arara de roupas de uma loja que ela entrou. Observei enquanto ela caminhava até uma arara específica, esta que tinha um homem de cabeça baixa que olhava as roupas. Quem passasse por ali não desconfiariam que eles estavam conversando, ou que sequer se conheciam.

— O que aconteceu? — Eu conhecia a voz daquele homem, mas o seu rosto era um borrão na minha mente. Não conseguia ligá-lo a nenhum rosto.

— Eu falei que não queria aquela garota intrometida junto com eles! Eu te avisei, Hodge! — Espera! Hodge?! Ao encarar o rosto do homem eu arregalei os meus olhos. Se a Maryse e o Hodge se conheciam… Foi daquela forma que ele descobriu que eu era uma Sereia, porque a Maryse havia contado! Então… Eu era a garota intrometida que a Maryse queria longe; e só poderia ser longe do Alec e da Izzy.

— O que você quer que eu faça?! Expulse a garota da casa? Proíba que eles a vejam? Você sabe muito bem como eles tratam essas proibições ridículas que você impõe! Acha mesmo que elas funcionam? Isaballe continua encontrando com aquele mundano, e Alec com…

— Eu sei! — Ela o cortou. — Você sabe que não posso deixá-los serem guiados pelo que sentem! Sabe que está cada vez mais difícil esconder isso deles, e acha que deixá-los se apaixonarem vai facilitar alguma coisa?!

— Maryse, eu…

— Quando ia me dizer que aquele amaldiçoado está dividindo a mesma casa que os meus filhos? — Arregalei os meus olhos. Eu estava certa. Maryse era mãe da Isabelle. Só poderia ser aquele o segredo da Maryse; eu sabia que seria algo grande, mas não imaginava que seria algo tão sujo. Sereias não abandonavam seus filhos jamais!

— Amaldiçoado? Do que está falando?

— Estou falando do Jace. Eu o quero longe dos meus filhos, Hodge! Eu os quero protegidos, e não vou pedir novamente.

— O que fará, então? Não pode fazer mais nada contra mim, Maryse. Sequer pode falar com os seus filhos! Eles nem sabem que você existe! Como acha que eles vão reagir quando descobrirem que você, além de viva, é uma Sereia?!

— Isso é assunto meu! Não ouse me desobedecer, Hodge! Eu ainda sou uma Sereia, e você não passa de um Tritão que perdeu a calda.

— Oh, meu Deus! — Cobri a minha boca com as mãos. Aquilo… Aquilo era muito maior do que eu havia imaginado. Comecei a me afastar deles o mais rápido que pude.

Maryse era mãe dos Lightwoods. Meu estômago revirava com aquele simples pensamento. Eramos uma espécie em extinção. Eramos proibidas por lei de abandonar os filhos; quando não podíamos criar, entregávamos a um Cardume que pudesse cuidar das crianças, mas jamais os deixávamos longe do Mar. Aquilo era terrível! Alec e Isabelle eram filhos do Mar; eles pertenciam ao Mar; tinham direito de saber quem eram! Eles…

Oh, Calipso! Como a Isabelle reagiria aquilo? Como o Alec reagiria aquilo? Como a Maryse pode fazer aquilo? Ela era uma líder de Cardume! Já havíamos aceitado crianças de outros Cardumes, por que ela deixaria os próprios filhos no mundo mortal? Por quê? Por que deixá-los longe do Mar? Esconder a verdadeira natureza deles?

— Clarissa. — Ergui os meus olhos para a mulher parada há alguns metros de mim. — Nós precisamos conversar, você não concorda?

Notas finais
E então, o que vocês acharam? Eu gosto muito dessa coisa da Maryse "abandonando" os filhos, e sim, vocês logo descobrirão o motivo, e eu... SPOILER ALERT! Eu dei uma chorada com a Isabelle no capítulo, que sim, já tá pronto, e eu achei ele bem forte. Ele, não é o próximo, vai ter mais uns quatro ou cinco capítulos antes deles, mas lembrem-se disso okay? EU PROMETO QUE O P.O.V JACE TÁ CHEGANDO! Por favor, aguardem só mais um pouquinho. Quem tá sentindo falta de um casalzinho aí? Um casal que ainda não deu as caras na fic? Aguardem cenas dos próximos capítulos! P.S.: Eu estou bastante triste com o cancelamento de Shadowhunters; mas não é como se eu não esperasse por isso. Mas ainda sim estou triste, porque eu sou tipo de pessoa que ama os livro com todo o meu coração, e também amo a série, então eu tô bem triste com o cancelamento, mas não há muito o que eu possa fazer além de perturbar a vida das pessoas no twitter. Acho que é só isso. Kissus Lightwood