Like I'm Gonna Lose You
12 Capítulo 10 - Dream
Notas iniciais
Eu sentia como se, naquele momento, eu estivesse presa dentro de um corpo o qual não me pertencia. Era essa a sensação de desconforto, se é que posso colocar assim, que eu sentia sob o seu olhar atento. A única coisa que eu conseguia pensar era: quanto tempo levaria até a Isabelle abrir aquela porta.
— Você contou a ela? — Balancei a minha cabeça em afirmação. — Ela gritou? — Fechei os meus olhos ao repetir o mesmo movimento, mas voltei a abri-los quando ouvi a sua risada.
— Do que está rindo?
— Eu, com certeza, devia ter esperado algo da Isabelle. — Ele balançou a cabeça em negação enquanto se afastava e sentava-se sobre a cama. Eu, por outro lado, continuei parada no lugar em que eu estava; colocada a porta. — O que ela quis dizer com “resolvam-se”?
— Eu não faço ideia. — Tudo bem. Talvez eu tivesse alguma ideia do que ela queria que acontecesse naquele quarto, e a minha intuição dizia que tinha a ver com eu e o Jace, praticamente, dividindo o mesmo oxigênio. E aquilo, eu não podia deixar acontecer. — Alguma ideia?
— Muitas. — Ele respondeu rapidamente. Se o meu rosto não estava da cor dos meus cabelos antes, naquele momento ele, com certeza, havia ficado. — Desculpe. — Desviei o olhar e comecei a observar o quarto do Jace.
Surpreendentemente as paredes tinham um tom claro, mas todo o restante da decoração era em tons escuros. A cama tinha lençóis grafite, e estava bagunçava, o que deixava claro que ele estava deitado ali antes. Havia duas janelas no quarto e ficava uma de cada lado da cama, e elas tinham cortinas azul-escuro; na parede esquerda havia um armário, também de tom escuro, sem novidade alguma; e na parede direita havia uma porta que, com certeza, dava para um banheiro. Na parede atrás de mim que, consequentemente, ficava a porta de saída, de um lado havia prateleiras e nichos com vários troféus e medalhas, e do outro uma escrivaninha com um computador e alguns livros e cadernos. Tudo absurdamente organizado.
Quando terminei a minha análise e voltei a olhar para o Jace, me amaldiçoei no mesmo instante. Havia dito a mim mesma para não fazer aquilo, mas naquele momento foi impossível. Mas o pior era a forma como ele me olhava. Tinha um olhar de questionamento e ao mesmo tempo continuava com aquela expressão de que não sabia o que fazer ou dizer. Eu não duvidava nada que tivesse uma igual.
— Clary… Sobre o que aconteceu na estufa. — Troquei o peso do corpo de um pé para o outro. — Por que fez aquilo?
— Eu não sei exatamente. — Murmurei em resposta.
— Quero dizer… Não fez aquilo só porque eu te levei até lá, fez? — O encarei por alguns segundos, até que finalmente entendi o que ele indiretamente perguntou. Não, eu não havia beijado-o como algum tipo de retribuição pelo que ele havia feito. Havia feito porque o meu corpo havia pedido. Mas isso não significava que eu faria novamente.
— Não. — Respondi com a voz firme. — Eu só… Eu queria. E pelo que eu pude perceber você também, então estamos bem. Certo?
— Claro. — Ele respondeu. Embora a sua resposta fosse afirmativa quanto ao que eu havia perguntado, o seu tom de voz dizia o contrário. — Por que o Sebastian reagiu daquela forma?
— Porque eu… — Parei no meio da frase e respirei fundo, antes que fizesse besteira. — Porque ele não quer que eu me machuque novamente. E você tem toda essa semelhança com o meu ex e… O meu irmão achou que eu beijei você por causa disso. Por causa do meu ex. — Menti. Bem, não era bem uma mentira. Estava mais para uma versão diferente da verdade.
— E foi? — Notei uma certa insegurança em sua voz.
— Não. — Minha resposta o fez sorrir. — Mas isso não significa que vá acontecer novamente. — Garanti. Automaticamente ele arqueou uma das sobrancelhas.
— O que? — Ele se levantou. — Espera… Você não gostou? — Ele parecia surpreso; diria até ofendido. A sua reação me fez querer rir, e fez uma parte de mim despertar, uma parte que eu usava exclusivamente com o meu irmão.
— E eu, por acaso, era obrigada a gostar? — Eu queria ter uma câmera em mãos. Sua expressão era impagável! Eu havia gostado do beijo; gostado muito na verdade. Se fechasse os olhos e pensasse no ocorrido, conseguia sentir a minha pele se arrepiar. Há décadas que eu não o via, e a há décadas que eu não o beijava. — Assim… Acho que pode ser falta de prática. — Continuei. A cada segundo sua expressão ficava ainda mais hilária. Eu tinha certeza que ele praticava bastante aquilo. — Quero dizer… Você não é o único garoto que passa por isso. — Seus olhos se estreitaram em minha direção por alguns segundos.
— Está me zoando, não está?
— É claro que estou! — Comecei a rir da expressão indignada que tomou conta de seu rosto. — Você tem um ego muito sensível. — Comentei. — Existem vários motivos que levam as pessoas a não repetirem beijos; o que significa que nem sempre é porque o beijo foi ruim.
— Então, qual foi o problema? — Me preparei para responder, mas as lembranças da manhã anterior invadiram a minha mente.
A forma como ele sorriu ao ver a Lydia. O beijo carinhoso que eles haviam trocado. A forma como ela parecia conhecê-lo intimamente. Aquilo era o suficiente para fazer o meu coração doer dentro do peito, e eu ter ainda mais vontade de sair daquele quarto.
— Não quero falar sobre isso. — Murmurei enquanto abraçava o meu próprio corpo. Ele franziu o cenho e tentou se aproximar. — Jace… — Respirei fundo. — Por favor, não. Eu…
— Tudo bem. — Ele colocou as mãos nos bolsos da calça. — Pode ficar com a cama. — Ele acenou com a cabeça para o móvel atrás dele. — Eu durmo no chão.
— Eu… Obrigada. — Ele balançou a cabeça em afirmação e logo começou a forrar o chão.
Assim que o Jace terminou a cama improvisada no chão, ele deitou-se na mesma. O olhar que ele me lançou parecia perguntar se eu deitaria ou não. Demorei alguns segundos para colocar as minhas perninhas magrelas para andar. Não nego que passei do lado oposto à cama improvisada antes de me deitar.
Assim que pus o meu corpo sobre a cama eu me amaldiçoei pela eternidade. A cama tinha o seu cheiro. Era como um Mar, que eu me permiti mergulhar e não tinha certeza se um dia voltaria a superfície. Cada vez que eu me movia mais do seu perfume entrava pelas minhas narinas, e quando eu ficava parada era como se estivesse sendo sufocada por aquilo.
Depois de alguns minutos de um silêncio desconfortável, ele se levantou para apagar as luzes. Enquanto eu fechava os olhos para me preparar para dormir, eu vi a sua silhueta ao voltar para a cama, e vi quando ele tirou a camisa que vestia. Agradeci mentalmente por as luzes estarem apagadas.
Eu sabia que poderia demorar a dormir. Mas não esperava por aquilo. Já devia fazer mais de vinte minutos que eu estava deitada na cama e não conseguia pregar o olho. O Jace já deveria estar dormindo, enquanto eu não tinha ideia de quando conseguiria fazê-lo.
Eu não sabia dizer exatamente o que estava causando a minha insônia. Se era o perfume dele na cama; se era o desconforto que eu sentia por estar tao perto dele; ou se era a falta do som Mar, já que da minha casa era possível ouvi-lo. Talvez o conjunto da obra.
Quando me cansei de ficar deitada, resolvi ir até o banheiro. Levantei-me com o maior cuidado do mundo para não correr o risco de acordá-lo. Fechei a porta do banheiro e respirei aliviada quando me vi sozinha. Lavei o meu rosto e umedeci a minha nuca, deixando um suspiro de prazer escapar pelos meus lábios. Por alguma razão eu estava com calor no quarto.
Saí do banheiro alguns minutos mais tarde e cometi o grande errp de apagar a luz. O quarto tornou-se puro breu, e eu não conseguia enxergar um palmo à minha frente. Me amaldiçoei e comecei a caminhar com cuidado pelo quarto. Onde o Jace estava deitado?
Minha pergunta foi respondida alguns segundos depois, pois eu pisei nele sem querer, o que fez com que ele se movesse. O seu movimento foi brusco o suficiente para me fazer cair. Se alguém me contasse que aquilo aconteceria, eu não ficaria nem um pouco surpresa. Desastre é o meu nome do meio. E clichê poderia se tornar o meu apelido.
— Me desculpa. — Falei rapidamente enquanto tentava me levantar de cima dele. Minha preocupação se esvaiu quando ele começou a rir. — Jace…?
— Eu estou bem. — Eu mal conseguia ver a sua silhueta, mas sabia que ele estava me olhando. — Você se machucou?
— Não. — Notei com atraso que estava sentada muito perto dele. Sua respiração batia levemente contra o meu rosto. Clary sai daí! Novamente aquele calor se instaurou no meu corpo. — Eu acho que… — Sua mão tocou o meu rosto. Clarissa, sai daí agora! — Jace… — Por que eu havia dito o nome dele, se sequer tinha algo para dizer a ele?
— Clary. — Minha garganta secou e, instintivamente, eu umedeci os lábios. — Dane-se. — Seus lábios uniram-se aos meus de forma íntima e pouco delicada. Suas mãos encontraram o caminho para a minha cintura, enquanto as minhas seguraram os seus ombros.
Poseidon, o que eu estava fazendo?
Inclinei o meu corpo em sua direção. Eu queria senti-lo, eu precisava. Eu queria sentir o calor do seu corpo. Eu queria sentir a sua respiração misturar com a minha. Eu queria que os seus beijos tirassem o meu fôlego e fizesse arrepios atravessarem o meu corpo. Eu queria senti-lo tocar o meu corpo. Eu queria…
— Jace. — Seu nome escapou pelos meus lábios quando os seus lábios escorregaram pelo meu pescoço. Inconscientemente agarrei os seus fios claros, e abri um sorriso ao sentir a sua mordida em minha pele.
Antes que eu pudesse perceber, ele me ergueu e me colocou sobre a sua cintura. Aquele contato fez o meu corpo inteiro se arrepiar e esquentar ainda mais. Seus lábios voltaram aos meus rapidamente, arrancando o meu fôlego.
Embora eu sentisse que tudo o que se passava pela minha cabeça era apenas um produto daquilo que estava acontecendo, não conseguia parar. E pior, eu queria estar fazendo aquilo. Exatamente naquele momento, e com aquela intensidade.
Suas mãos encontraram rapidamente o caminho para a barra da minha camisa, e em questão de segundos ele passou a erguê-la lentamente. Já as minhas mãos desengonçadas estavam divididas entre, timidamente arranhar o seu abdômen; bagunçar os seus cabelos; tocar a pele quente das suas costas; e segurá-lo pela lateral do pescoço.
Separei-me dele para que, assim, a minha camisa pudesse ir parar em algum lugar desinteressante do quarto naquele momento. Ainda que tivesse pouca luz o meu rosto queimou ao vê-lo observar os meus seios. O Jace abriu um sorriso encantador e se preparou para dizer algo, e o que ele disse foi a pior coisa do mundo.
— Clary, acorda! — Eu tinha certeza que tinha o cenho franzido. Sua risada me fez sentir uma pontada de uma raiva adormecida. — Clary, acorda!
Abri os meus olhos preguiçosamente e encarei a morena à minha frente. A minha expressão foi o suficiente para fazê-la gargalhar. Sentei-me na cama enquanto coçava os meus olhos para tentar me acostumar um pouco com a luz. Eu queria matar a Isabelle.
— Estava tendo sonhos molhados com o meu irmão, Fray? — Perguntou enquanto se sentava ao meu lado na cama. — E então? — Seus olhos castanhos estavam brilhando em expectativa. — O que aconteceu? Se acertaram? Quero dizer, o Jace estava dormindo no chão, e você na cama dele… Pelo menos rolou alguma coisa? — A fuzilei com o olhar. — Nem um beijinho?
— Eu quero matá-la pelo que fez, Isabelle. — Passei a minha mão pelo meu rosto em uma tentativa frustrada de me acalmar. — Prometa para mim que nunca mais interferirá em nada que diga respeito a mim e ao Jace. — Pedi olhando em seus olhos. No mesmo momento a Izzy adquiriu uma expressão séria.
— Clary, tem algo acontecendo que eu não saiba?
— Prometa, Isabelle!
— Tudo bem! Eu prometo. — Deixei um suspiro de alívio escapar pelos meus lábios. — Nós vamos a praia. — Anunciou. — E você não pode dizer não. — Balancei a cabeça em afirmação enquanto ela se afastava indo em direção à porta. — Ah, e sobre noite passada… Um pedido de desculpa basta? Quero dizer… Não vai me afogar vai? — Balancei a cabeça em negação rindo. — Ótimo.
— Hey, Lightwood! — Ela me olhou. Abri sorriso um tanto quanto perverso e deixei os meus verdadeiros olhos amostra para ela; aquilo a fez ficar rija em instantes. — Não se esqueça que estamos indo para a praia. E o Mar é o meu território. — Pisquei para ela voltando aos meus olhos humanos. — Espero que saiba nadar.
— Isso não teve graça! — Murmurou enquanto saia do quarto aos tropeços. — Nem um pouco engraçado!
…
Não consegui conter o meu sorriso ao saltar do carro e ver a praia. Haviam várias pessoas tanto na areia quanto na água, e isso me deixou feliz. Gostava de ver as pessoas ali. E aquele dia estava perfeito para um banho de mar. Havíamos acabado de sair do inverno e entramos na primavera, então aquilo significava que a temperatura estava subindo.
— Sabe, faz 400 anos que estamos em terra, mas eu nunca vou me acostumar a nadar com pernas. — Acabei rindo de seu comentário.
— Eu sinto o mesmo. — Respondi enquanto começávamos a caminhar em direção ao nosso grupo de amigos.
Assim que nos aproximamos eu percebi que aquela não era uma boa ideia. Jace Herondale + Praia = Pouca roupa e uma Clary bastante distraída. Entretanto, já era tarde demais para voltar atrás. Eu estava lá e teria que me virar para conseguir pensar em outra coisa que não fosse os raios de sol batendo nos fios loiros do Jace.
— Achei que não iria vir. — Desviei o meu olhar para a Isabelle.
— Uma coisa sobre mim: Eu nunca nego praia. — Comentei enquanto colocava a minha mochila sobre a toalha dela e tirava as minhas sandálias. Estiquei a minha própria toalha e me sentei ao seu lado. — A água está gelada?
— Um pouco. — A observei por alguns segundos. Isabelle vestia um biquíni vermelho, com a parte de cima com uma alça de três tiras e a parte de baixo tinha as laterais largas e uma tira fina a mais que marcava muito bem a sua cintura. Os anos como líder de torcida haviam dado à Isabelle um corpo esbelto e com músculos definidos, principalmente as suas pernas. — Não vai entrar?
— Daqui a pouco. — Dei de ombros. — Simon está te olhando. — Sussurrei.
— Eu sei. — Ela abriu um pequeno sorriso. — Eu vou dar um mergulho. — Anunciou enquanto se levantava e caminhava até a água.
— Nós também vamos, vai ficar bem, Clarissa? — Assenti para o Sebastian. Em questão de segundos ele e o Alec passaram por mim indo em direção à água.
— Vai ficar com a marca da camisa, Fray. — O olhei sobre o ombro. O Simon não usava camisa, apenas uma bermuda úmida. Seus cabelos estavam uma completa bagunça e com um pouco de areia. — Não que eu queira te ver de biquíni, mas…
— Estou bem, Lewis. — Ele riu enquanto eu me virava para ele. — Devia ser um pouco mais discreto. — Comentei. Ele até tentou se fazer de desentendido, mas viu que não iria funcionar, e acabou por abrir um sorriso sem graça.
— Ela te contou? — Franzi o cenho. — Oh, merda… Ela não te contou.
— Contou o que? — O Simon ficou corado em questão de segundos, o que me fez arregalar os olhos. — Vocês… Vocês… Oh, meu Deus!
— Por favor, não diga nada a ela. E muito menos a ninguém! — Assenti. — É só… Complicado. — Ele disse por fim, dando de ombros. — Sabe, Clary… — Ele começou enquanto abria um pequeno sorriso e colocava os óculos escuros. — Você devia ser um pouco mais discreta também. — Franzi o cenho para ele. O Simon apenas acenou com a cabeça para algo atrás de mim, e quando eu me virei… Percebi que estava vendo filmes demais com a Isabelle, pois eu sabia que aquele tipo de cena já havia acontecido em centenas de filmes diferentes.
No segundo em que eu olhei para o local que o Simon havia indicado, vi uma cena que tinha tudo para ser digna de um filme adolescente, pois o Jace havia acabado de sair do Mar e andava na minha direção. Eu queria poder desviar o olhar e dizer algo para o Simon, mas eu sabia que não conseguiria mesmo se tentasse.
Ele tinha os cabelos claros jogados para trás, embora alguns caíssem sobre o seu rosto e pingassem algumas gostas sobre os seus ombros. Com a luz do sol sobre si, ele parecia ter os cabelos feito de ouro e a pele ainda mais dourada. Amaldiçoei a mim mesma quando desci os meus olhos para o seu peito, e percebi o quão largos os seus ombros eram, e o quão definido era o seu abdômen. Devido aos intensos treinos de basquete o Jace tinha um corpo tão definido quanto o da Izzy, mas enquanto ela não tinha os músculos tão definidos, o Jace aparentemente passava bastante tempo na academia.
— Você está bem, Clary?
— Cala a boca, Simon! — Ele riu da minha resposta. Antes que o Herondale pudesse se aproximar, eu peguei o meu celular dentro da mochila, juntamente com os meus fones. Música alta deveria ser o suficiente para ignorá-lo.
Para a minha felicidade, o Jace sentou-se perto do Simon, e eu pude ouvir a minha música em paz. Não que nós tivéssemos tido algum problema, mas… Eu havia sonhado com ele, e não havia sido um sonho comum. E aquela falta de roupas não estava ajudando em nada.
Já fazia algum tempo que eu estava acompanhada apenas dos dois, e decidi pegar o meu caderno de desenho dentro da bolsa. E estava tão distraída com o que fazia que não percebi o idiota do meu irmão se aproximar, e muito menos a intenção que ele tinha: Me derrubar na areia.
— Sebastian, seu idiota! — Reclamei enquanto me levantava e fechava o meu caderno. Havia areia por boa parte do meu corpo, e possivelmente do meu cabelo. — Isso vai levar horas para sair do meu cabelo!
— Agora você tem motivos para entrar na água. — Revirei os olhos enquanto tentava me limpar. — Vamos, Clary, a água está gostosa. Gelada ao ponto de causar formigamento nos membros, mas não cãibra. — O encarei por alguns segundos.
— Tá! Você venceu! — Coloquei o meu celular sobre a minha mochila e comecei a tirar a roupa. Meu biquíni era simples e preto; a parte de cima tinha uma alça de tira dupla e a parte de baixo era de cintura alta e tinha detalhes nas laterais. Antes que o meu irmão pudesse perceber eu o empurrei na areia, e como ele estava úmido, a areia grudou muito mais nele do que em mim.
— Você vai pagar por isso! — Antes que ele levantasse eu já estava correndo para a água. O Sebastian era maior do que eu, mas eu ainda era mais rápida que ele. Ao entrar na água, não me preocupei com temperatura nem nada, apenas mergulhei quando atingi uma boa profundidade.
Emergi depois de alguns segundo e procurei por ele. Quando não o encontrei dei de ombros, até que uma sombra me cobriu e eu mal consegui submergir enquanto ele caía sobre mim. Aquele idiota havia pulado de uma pedra. O fuzilei com o olhar enquanto ele ria.
— Você é muito exibido! — Disse ao emergir. — Podia ter machucado alguém.
— Clarissa, querida, eu sou uma pessoa cuidadosa. — Balancei a cabeça em negação. Enquanto o Sebastian balançava os cabelos fazendo várias gotículas d’água caírem em meu braço, eu percebi pequenos riscos avermelhados em suas costas.
— Estou vendo o quão cuidadoso você é. — Comentei em um tom irônico. O meu irmão me olhou com o cenho franzido, eu apontei para uma pequena marquinha avermelhada na base de seu pescoço.
— Não posso fazer nada se sou irresistível. — Revirei os meus olhos. — O Herondale está secando você, não dê bola para ele, okay? Vai deixá-lo irritado. — Por alguma razão desconhecida uma onda de raiva atravessou o meu corpo.
— Não quero a atenção dele! — Ralhei. Por um estranho motivo uma onda de raiva atravessou o meu corpo. Foi como se alguém tivesse me acertado um soco bem no estômago, e esse alguém fosse um loiro em particular.
— Clary. — Encarei o Sebastian. — Sai da água. — Sua voz tinha um tom urgente, mas eu ignorei o seu pedido. — Clary, sai da água agora!
— Por quê? Eu estou perfeitamente bem!
— Eu não estou pedindo. — Sem esperar por uma resposta o Sebastian me pegou pelo braço e me lançou para fora da água.
Em questão de segundos o meu corpo bateu contra a areia e se eu não tivesse uma musculatura forte, com certeza alguma coisa teria quebrado. Minha raiva só aumentou ao sentir aqueles malditos grãos de areia em meu corpo, e eu não queria nem ver como estaria o meu cabelo!
Quando olhei em volta e vi que ninguém mais se movia por ali, a minha raiva aumentou. O Sebastian havia criado um instante. Não era só porque ele podia, que ele precisava criar uma fenda no tempo quando bem entendia. E muito menos usar sua força de Tritão para me jogar para fora do meu habitat. Quem ele estava achando que era?
Assim que o mesmo chegou a areia, eu o empurrei com tanta força que foi com se ele sequer tivesse saído do lugar em que estava antes. Bater nele fez um pouco daquela raiva se dissipar, mas ela não havia sumido completamente, eu ainda queria descontar tudo aquilo que eu estava sentindo naquele projeto de Herondale.
— O que pensa que está fazendo? — Perguntei quando ele voltou a se aproximar. — Você não manda em mim, Sebastian!
— Eu sei. Mas não posso deixá-la chegar até o Jace. Não da maneira que está. — Abri o meu melhor sorriso para ele e desviei os meus olhos para o loiro paralisado há alguns metros. — Não vou deixá-la machucá-lo.
— E por quê?
— Porque você não vai se perdoar depois. — Antes que eu sequer desse um passo ele se colocou na minha frente. — Clary, olha para mim!
— Se não vai sair da frente por bem. — Ergui o meu braço e o joguei há alguns metros. — Eu vou forçá-lo, então.
— Eu preciso que me perdoe. — Ele murmurou alto o suficiente para que eu o escutasse.
Ambos corremos na direção do Jace, mas enquanto eu tentava chegar até ele, o meu irmão tentava chegar a mim. E como esperado, ele chegou primeiro. Eu tentei golpeá-lo, mas o Sebastian sempre foi melhor do que eu, e por isso, com a maior facilidade do mundo, ele se defendeu dos meus golpes e me virou de costas para si.
— Me larga! — Protestei enquanto sentia seu braço ao redor do meu pescoço.
— Me desculpa. — Ele sussurrou e beijou o topo da minha cabeça.
P.O.V Sebastian
Demorou alguns minutos até que a Clary parasse de se debater em meus braços. E quando o fez eu a ergui em meus braços e observei o seu semblante sereno. Seus cabelos estavam cheios de areia, assim como a parte de trás de seu corpo e a lateral de seu rosto, mas ela ainda estava bem.
Sem opções do que poderia fazer, acordei a Isabelle do instante e quando o fiz quase me arrependi. Primeiro ela terminou a risada que estava dando, em seguida olhou em volta e viu que os presentes estavam paralisados, e então, quase entrou em desespero.
— Isabelle. — A chamei. — Preciso da sua ajuda. — Provavelmente, ela iria falar algo, mas ao ver a Clary em meus braços, ela mudou de ideia e veio correndo em minha direção.
— Sebastian, o que… O que está acontecendo?
— Estamos em um instante, okay? Tenho poucos minutos para mantê-lo, então, preciso que leve a Clary daqui. Direto para a minha casa, e diga a minha mãe que não a acorde.
— Tudo bem. — Ela balançou a cabeça em afirmação e começou a me seguir até o meu carro. Entreguei as chaves a ela depois de acomodar a minha irmã com cuidado no banco de trás. — Você não vem?
— Eu vou buscar ajuda. Encontro você na minha casa. — Ela assentiu e entrou no carro. Eu sentia que o instante estava acabando, pois já me sentia fraco e podia sentir o suor escorrer pelo meu rosto. Com o restinho de forças que eu tinha, voltei aos tropeços para onde o restante do grupo estava, e só aí terminei o instante.
Usei um pouco de encanto com o resto do grupo. Disse a eles que Izzy e Clary tiveram uma emergência e precisaram ir embora, eles pareceram acreditar, bom, todos menos o Jace. Mas eu não podia me importar com ele agora, o que me preocupava realmente era a Clary e no que havia acontecido.
Mas o que me preocupava ainda mais foi avistar no Mar uma cabeça parada onde nenhum humano consideraria ir, e eu pude jurar ter visto a mulher sorrir para mim. E o que realmente me fez procurar o meu celular e discar aquele número tão conhecido, foi ver aquela mulher mergulhar no Mar e ver a sua calda prata bater contra a água quando ela mergulhou e sumiu.
— Alô. — Sua voz fez os pelos da minha nuca se arrepiarem.
— Eu preciso de você.
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