Like I'm Gonna Lose You
13 Capítulo 11 - Sebatian
Notas iniciais
P.O.V Sebastian
Uma semana atrás...
O suor que escorria pelo meu corpo deixava um rastro gelado sobre a minha pele quente. Os seus cabelos quase escorregavam da minha mão devido ao suor e a intensidade dos movimentos que nossos corpos faziam. Meu rosto estava encaixado na curva de seu pescoço, e eu já não sabia quantas mordidas eu havia dado naquela área.
— Sebastian! — Todas as vezes que ela gemia o meu nome daquela forma, era um arrepio que atravessava o meu corpo e me fazia ver estrelas.
— Deus! — Murmurei contra a sua pele vendo-a morder o lábio inferior e abrir um meio sorriso ao mesmo tempo. — Como eu senti sua falta.
— Oh, querido, eu também. — Seus lábios encontraram os meus em um beijo intenso. Segurei o seu rosto entre as minhas mãos, enquanto saia de dentro dela para vira-la de frente para mim.
Suas pernas logo estavam ao redor da minha cintura. Seu corpo estava tão quente quanto o meu, e nós estávamos igualmente excitados, eu conseguia sentir os seus mamilos rijos roçando contra o meu peito, e o seu sexo úmido roçando no meu.
Caminhei com ela até a cama e me deitei sobre ela. A mulher afastou os nossos lábios e abriu um sorriso sexy enquanto se posicionava na cama, deitada com as costas na cama e as pernas entreabertas. Eu não era idiota o suficiente para ficar parado.
— Poseidon. — Gemi enquanto voltava a penetra-la. Fazia semanas desde que eu a havia visto, e a cada segundo que ficávamos separados era mais do meu desejo que aumentava; era quase doentio. E por isso, quando ficávamos juntos, eu sinta como se fosse explodir... Não de um jeito sexual.
Mais e mais arrepios atravessavam o meu corpo, e eu não conseguia controlar os meu gemidos; sentia que a qualquer momento eu iria chegar ao orgasmo, e mesmo que ela já tivesse tido um orgasmo antes, eu sabia que ela também estava próxima, então não justo parar por causa do meu prazer.
— Oh, porra! — Ela xingou quando chegou ao orgasmo, e eu caí por cima dela quando também atingi o ápice. — Acho que acordamos os vizinhos. — Eu ri de seu comentário enquanto saia de cima dela. — Será que eles estão chocados?
— Quem são seus vizinhos? — Perguntei enquanto me livrava da camisinha. — Algum tipo de alienígena?
— Oh, não! São os meus guardas. — Arregalei os meus olhos enquanto ela gargalhava. — Aposto que a fofoca já estará na Corte amanhã. Algo como "Rainha Seelie transou loucamente com um Tritão sem se importar com os seus guardas no quarto ao lado, eles ouviram tudo!".
— Hum, Vossa Alteza, como lidará com essa situação? — Ela abriu um sorriso enquanto engatinhava até mim e começava a acariciar o meu membro.
— Eu darei uma versão detalhada da história.
A medida que os minutos passavam eram uma gota de suor que escorria pelo meu corpo. Eu sabia que eu não deveria ligá-la, e que eu havia prometido a mim mesmo que não iria ser o primeiro a ceder, mas aquela situação exigia a ajuda dela, e eu sabia que poderia me custar muito caro.
A caminhonete vermelha finalmente apareceu há alguns metros, e por mais que o meu desejo de vê-la fosse gigante, uma parte de mim, uma parte muito orgulhosa, desejava que eu simplesmente não tivesse marcado aquele encontro.
Meus pensamentos foram cortados quando a caminhonete parou ao meu lado, e em questão de segundos a mulher que o dirigia saltou do mesmo e bateu a porta com força antes de me olhar. Seus cabelos vermelhos estavam presos em um rabo de cavalo alto no topo da cabeça, e seus cabelos ainda assim chegavam na metade de suas costas; seus olhos azuis, ainda que cobertos pelos óculos escuros, eu sabia que me fuzilavam e suas bochechas estavam coradas, eu não sabia dizer se era por causa do calor ou por raiva. Naquele dia ela usava um short com estampa florido com um azul que lembrava o tom do Mar, uma camisa branca de botões e um all-star da mesma cor.
— Obrigado por vir. — Ela encostou na caminhonete e cruzou os braços. Dava para perceber que ela queria tanto quanto eu aquele encontro.
— O que você quer Sebastian? — Respirei fundo a procura de paciência.
— Eu preciso da sua ajuda. — Coloquei minhas mãos nos bolsos da bermuda. — Minha irmã…
— Me chamou aqui por causa da Clary? — E lá se vai a tentativa de ter uma conversa civilizada. — Eu não acredito que você teve a cara de pau de fazer isso!
— Ela…
— Eu não quero saber! Não sei nem porque eu vim até aqui! Para você me ligar depois de semanas só podia ter acontecido alguma coisa com a sua queridinha! Pelo menos dessa vez foram semanas, quanto tempo foi da última vez, Sebastian?
— Três anos. — Murmurei culpado.
— Você é um babaca! — Disse enquanto voltava a abrir a porta da caminhonete. — Eu sabia que seria uma perda de tempo vir até aqui e… — Empurrei a porta da caminhonete para impedi-la de entrar no carro, e consequentemente uni o meu corpo ao dela.
— Por favor. — Pedi em um sussurro. — Seelie, por favor. — Ela suspirou e balançou a cabeça em afirmação. O movimento fez os seus cabelos roçarem na minha pele, e aquilo fez um arrepio atravessar o meu corpo.
— Onde ela está? — Acabei rindo da sua pergunta. A minha reação a fez virar de frente para mim com os olhos arregalados.
— Não! Eu não vou até lá! Sebastian, eu… — Me afastei dela para poder dar a volta no carro e entrar na caminhonete, afinal, a Isabelle havia saído com o meu carro. — Sebastian!
— É só a minha mãe! — Falei com naturalidade, enquanto me sentava.
Eu até podia demonstrar naturalidade, mas por dentro eu estava entrando em pânico. Se a minha mãe surtou quando a Clary se apaixonou por um humano, eu não queria nem pensar no que ela poderia fazer ou o que aconteceria se ela descobrisse que o coraçãozinho de pedra do filho dela pertence a Rainha das Fadas.
…
— Você vai me pagar por isso. — Parei ao lado da mulher que reclamava enquanto encarava a minha casa.
— Relaxa. É só não contarmos nada a ela, okay? — Ela assentiu. — Ótimo. — Comecei a andar até a porta com ela ao meu encalço.
— Ainda acho que isso não é uma boa ideia. Sua mãe, líder de um Cardume, não vai deixar uma Fada entrar na casa dela!
— Se for para ajudar a Clary, ela deixa até o diabo. — Abri a porta e dei espaço para que ela entrasse.
Assim que a porta se fechou atrás de mim, minha mãe apareceu no corredor que dava para os quartos. A primeira coisa, e única que ela fez, foi parar e encarar a Seelie. Qualquer pessoa que via uma Fada, ficava encantado pela beleza delas, e isso era quase a mesma coisa com as Sereias e Tritões, mas nós tínhamos uma espécie de mágica atrativa eterna, as Fadas eram simplesmente lindas.
Mas o que a minha mãe estava olhando não era a beleza da Fada presente, eram as suas orelhas que denunciavam a sua espécie. Existia uma espécie de véu que impedia que os mortais vissem o sobrenatural, mas se um ser sobrenatural quisesse se mostrar a um humano, bom ele podia, não que não houvesse uma lei que proibisse.
— O que ela está fazendo aqui? — Minha mãe perguntou depois de alguns minutos em silêncio. — Sebastian?!
— Ela veio ajudar.
— Não vejo como uma Fada pode ajudar em algo. — A ruiva ao meu lado rosnou baixinho. Parabéns, Sebastian, você está prestes a iniciar uma guerra entre Sereias e Fadas, sua besta!
— Eu só vim até aqui porque o seu filho pediu. Não tenho nada com o povo do Mar. — Foi a vez da minha mãe rosnar. Nos chamar de povo do Mar em terra era quase dizer que éramos intrusos ali.
— Mãe! Ela é uma amiga, e veio até aqui para ajudar a Clary, okay? Deixe-a passar. — Minha mãe cruzou os braços. Quando eu achei que a situação não podia piorar, a Maryse saiu do quarto de hóspedes e se juntou a nós na sala, ou melhor, se juntou a minha mãe. — Ótimo!
— Sebastian, é melhor levá-la daqui. — Respirei fundo. — Não precisamos da ajuda dela.
— Eu estou tentando ajudar a Clary, vocês não viram o que aconteceu, eu vi! E eu sei que ela pode ajudar! Agora, parem com isso e a deixem passar!
— Não!
— Jocelyn! — Ouvi a voz da Isabelle. Por um segundo a Maryse ficou pálida. — JOCELYN! — Minha mãe correu em direção ao quarto e eu aproveitei o momento para segui-la.
Peguei a mão da Seelie e a puxei até o quarto da Clary. A cena que encontrei quase me fez entrar em desespero. A Clary estava pálida na cama e desacordada, e um líquido preto escorria de seu nariz, boca, ouvido e olhos. A Fada ao meu lado ao ver o meu estado acariciou o meu ombro, e aquilo foi o suficiente para me fazer relaxar um pouco.
Sem pedir permissão à minha mãe ou qualquer outra pessoa ela se aproximou da Clary e tocou o seu rosto com ambas as mãos. A expressão que tomou o seu rosto fez o meu desespero voltar; se ela, que era Rainha das Fadas, parecia assustada com o que estava acontecendo, eu não queria nem imaginar o que estava realmente acontecendo com a Clary.
— Sebastian. — E a olhei. — Preciso que me diga exatamente o que aconteceu.
— Nós estávamos na água conversando e em um momento ela estava bem e rindo ao meu lado, mas em um piscar de olhos eu vi um tipo de energia ao redor dela, estavam na água. Pareciam raios vermelhos na água, e então ela ficou agressiva. Ela estava determinada a descontar toda aquela ira no Jace. E…
— Eu sei o que está acontecendo com ela. — Ela me cortou. — Mas vai levar algum tempo.
— Quanto tempo? — Minha mãe perguntou preocupada.
— Isso vai depender da Clary. — Observei enquanto ela se sentava ao lado da Clary na cama. — Quem fez isso com ela, é muito forte e muito poderoso. Isso é antigo demais, não é um simples encanto para fazê-la ficar com raiva, seja lá o que for, estava manipulando a Clary, tomou o controle do corpo dela. E agora… Ela está com medo de acordar.
— E o que podemos fazer para acordá-la?
— Eu posso entrar na cabeça dela, ou posso ser a ponte para um de vocês.
— Eu vou. — Disse automaticamente e ela assentiu.
— Sebastian, eu não sou uma bruxa ou uma feiticeira, não consigo fazer isso por muito tempo. O tempo passa de maneira diferente lá dentro, e eu não vou conseguir fazer ponte para você por mais do que algumas horas, por favor, seja rápido. — Balancei a cabeça em afirmação.
— O que eu preciso fazer?
Ela pareceu incerta do que fazer por alguns segundos, e eu tive medo de que ela fosse desistir de fazer aquilo. Mas depois de alguns segundos ela deitou-se ao lado da Clary na cama, e fez um aceno com a cabeça para que eu me deitasse ao lado dela. Assim que eu o fiz, senti o meu coração bater mais rápido, e a parte do meu braço que tocava o seu formigou instantaneamente.
Ela virou o rosto na minha direção e olhou em meus olhos. Naquele momento eu queria beijá-la, queria abraçá-la para saber que tinha algo sólido no meio de tudo aquilo, toda aquela confusão de maldição; mas eu havia dito a ela que não deixaria a minha mãe saber e cumpriria com a minha palavra por quanto tempo fosse possível.
— Tem certeza? — Eu balancei a cabeça em afirmação, e por aqueles poucos segundos os nossos narizes se roçaram.
— Eu confio em você. — Admiti.
— Tudo bem. — Ela ergueu a mão direita em um pedido silencioso para que eu a segurasse, e assim eu o fiz. — Aconteça o que acontecer, não solte a minha mão.
— Nunca. — Ela uniu a mão livre com a da Clary e respirou fundo com os olhos fechados, quando voltou a abri-los, eles estavam em um tom de azul leitoso e aquilo foi a última coisa que eu vi.
Abri os meus olhos e vi que estava em um lugar conhecido. Na beira de um cais, pronto para pular na água, embora sentisse que o meu coração doesse com o pensamente, pois uma parte de mim estava ficando para trás.
— SEBASTIAN! — Pulei na água sem sequer olhar para trás. E mesmo que eu não tenha me virado para vê-la, eu sabia de quem era a voz, e aquilo me partia ao meio.
A cena mudou e eu me vi em uma rua úmida e mal iluminada. A mulher na minha frente tinha os olhos avermelhados e merejados; mas ao mesmo tempo exibia uma expressão raivosa, como se eu tivesse feito algo muito ruim. E infelizmente, aquilo era verdade.
A mão coberta por uma luva rendada estalou contra a minha face, e embora de alguma forma aquilo houvesse me irritado, eu sabia que eu merecia. Na verdade merecia muito mais. Algo ruim o suficiente para que me fizesse sentir o que ela havia sentido quando a deixei.
— Seelie...
— Não! — Ela me cortou. — Você não deveria estar aqui. Você me abandou! Não tem o direito de sequer pronunciar o meu nome! — Balancei a cabeça em afirmação com os olhos baixo. — Eu te odeio, Sebastian Morgenstern!
Quando voltei a olhá-la, a mesma foi tomada por escuridão. Como se tinta preta tivesse sido derramada na água e cobrisse todas as partes transparentes do líquido, deixando assim a minha visão um completo breu.
Me vi em uma sala escura, onde só havia uma única fonte de luz. Embora a luz fosse pouca, era possível perceber que a sala era extensa, e a luz de alguma forma iluminava fracamente todos os lugares. Mas não era a luz que me importava, ou o tamanho da sala. Era a minha irmã.
Ela estava sentada embaixo da luz e abraçava as próprias pernas e tinha o rosto apoiado sobre os joelhos. Seus olhos verdes estavam avermelhados e inchados, assim como seu nariz e bochecha, e ela encarava um ponto fixo no meio de toda aquela escuridão.
— Clary. — Chamei por ela, minha voz ecoou pela sala.
— Sebastian. — Ela se levantou e começou a caminhar em minha direção, mas então parou abruptamente. — É você mesmo?
— Sim, eu vim buscar você. Explico tudo quando você acordar, okay? — Ela me lançou um olhar duvidoso, como se não acreditasse que realmente fosse eu. — Hey, Clarissa… Só pegue a minha mão, okay?
— Não posso acordar, Sebastian… Eu vou machucar você, posso machucar o Jace ou a Isabelle… — Ela abraçou o próprio corpo e deu um passo para trás. — Eu não posso.
— Clary, você está segura. Eu te trouxe para casa, e eu te prometo que você não vai machucar ninguém. Só, por favor, confie em mim. — Por um segundo eu me senti tonto, como se no meio de um sonho eu começasse a acordar.
Sebastian, rápido! — Ouvi a voz da Seelie no fundo da minha mente.
— Você promete? — Eu estendi a minha mão a ela.
— Eu jamais faria algo para feri-la, irmãzinha. — Ela sorriu e finalmente pegou a minha mão.
Assim que os dedos dela se fecharam ao redor da minha palma, o mundo girou em trezentos e sessenta graus, e em um segundo eu a sentia ao meu lado, no segundo seguinte, eu não era nada além de espuma do Mar.
Abri os meus olhos e me sentei rapidamente. Eu estava de volta ao quarto da Clary, e aparentemente tudo estava bem. Assim que eu desviei os meus olhos para a minha irmã ela moveu os braços em direção ao pescoço, e soltou um gemido de dor; precisaria pedir desculpas mais tarde. Em questão de segundos a minha mãe e a Isabelle estavam ao lado dela, vendo se ela estava bem.
Ainda que parecesse que eu havia sido atropelado por um caminhão, e a minha cabeça ainda girasse um pouco eu me permiti abri um sorriso ao ver que a Clary estava bem. Porém, toda a minha felicidade foi embora quando procurei a pessoa responsável pelo atual bem-estar da minha irmã.
— Seelie. — A chamei enquanto me ajoelhava ao seu lado. Ela estava pálida e suava frio, de ambas as suas narinas escorria sangue, o suficiente para chegar até o lençol; seus lábios não tinham alguma, e ainda que estivessem entreabertos, ela sequer parecia respirar. — Seelie! — A sacudi pelos ombros. Minha garganta fechou ao não obter resposta alguma. — Você não vai fazer isso comigo. — Murmurei.
— Sebastian… — Desviei os meus olhos para a minha mãe.
— Como não viu isso?!
— Eu vi, mas…
— Então, porque não a mandou parar?! — Se eu não estivesse tão irritado, com certeza teria reparado que aquela reação jogava todo o meu cuidado por água abaixo; não que eu tivesse tempo para aquilo.
— Eu tentei, mas ela… Ela não quis! Ela me disse que continuaria até você conseguir. — Encarei a mulher desacordada na cama.
— Sua Fada teimosa! — Voltei a sacudi-la. — Seelie, acorda! — Seus olhos se abriram, mas ainda estavam com o tom de azul leitoso que eu havia visto antes. Ela me encarou por alguns segundos antes de me puxar pela gola da camisa e me jogar na cama; sua mão encontrou o caminho para o meu pescoço mais rápido do que eu pudesse perceber o que estava acontecendo. Quando ela estava prestes a me enforcar seus olhos voltaram ao normal. — Hey, calma!
— Sebastian! — Ela ralhou enquanto tirava a mão do meu pescoço. — Não se acorda uma Fada assim, seu idiota!
— Okay! Anotado! — Ela suspirou e passou a mão no nariz, ao ver o sangue fez uma careta. — Você está bem? — Perguntei enquanto me sentava na cama com ela ainda em meu colo.
— Estou. — Garantiu. — Só um pouco cansada.
— Eu posso… — Eu quase havia esquecido das três outras pessoas presentes, mas naquele momento a minha irmã limpou a garganta e foi o suficiente para quebrar o momento que estávamos tendo. Dizer que a minha mãe tinha cara de pouquíssimos amigos seria um eufemismo.
— Eu acho que preciso de um banho. — A Clary comentou chamando a atenção da minha mãe. No mesmo instante eu senti o calor que o corpo da Seelie fazia contra o meu corpo sumir, e quando percebi ela já havia se levantado. — Obrigada. — Minha irmão disse a ela e lhe ofereceu um sorriso manchado de preto. A Fada ao meu lado corou até o último fio de cabelo, se é que era possível.
…
— Aqui. — Seelie olhou para a caneca de café que a minha mãe a estendia. E por um milagre a ruiva aceitou. — Desculpe, por favor.
— Só está pedindo desculpa porque eu a ajudei. Se eu não tivesse conseguido, estaríamos em uma situação bastante diferente. — Ela comentou encarando a minha mãe.
— Você está certa. — Minha mãe sentou na poltrona ao lado da dela. — Eu tenho um histórico de julgar as pessoas de uma maneira errada, e não foi diferente com você. Por isso eu estou pedindo desculpas. E… Obrigada pela sua ajuda. — A Fada abriu um meio sorriso e encarou o líquido que estava dentro dela. — Você pode beber, não está envenenado e nem vai prendê-la aqui.
— Okay. — Ela bebericou o café. — Depende do humor. — Minha mãe franziu o cenho. — Se você fica presa após de consumir algo no Reino dependendo do humor da Fada. — Seelie deu de ombros enquanto voltava a bebericar da caneca.
Eu assistia a cena de longe, pois havia pedido que ela esperasse cinco minutos para que eu a levasse em casa, apenas para que eu tomasse um banho e tirasse toda aquela areia do corpo. Ao sair do banheiro não havia visto nada quebrado ou nenhum sinal de fumaça, então acreditei que as coisas estavam indo bem.
Me aproximei das duas e me sentei no sofá de dois lugares que ficava entre as duas poltronas. Foi como ser a testemunha durante um julgamento, pois sentia que ambos os lados estavam prestes a me encher de perguntas, principalmente a minha mãe.
— Eu não posso fazer isso. — Ela sussurrou, baixo o suficiente para que apenas eu ouvisse. — Eu preciso ir. — Anunciou enquanto se levantava e deixava o café sobre a mesa. — Eu… — Ela olhou para a Clary e para a Isabelle que se aproximavam e abriu um meio sorriso para a minha irmã. — Eu…
— Hey… — Tentei pegar a mão dela, mas a mesma se afastou.
— Eu não posso mentir, e passei tanto tempo da minha vida aprendendo a brincar com as palavras, mas isso é diferente… É… Eu preciso ir. — Sem dizer mais uma palavra ela saiu, basicamente, correndo da minha casa.
Eu sabia que no momento que eu me virasse para a minha mãe, ela me encheria de perguntas. Perguntas que eu não estava com vontade alguma de responder. Mas o pior era saber que o que a minha mãe se negava a ver, a minha irmã via claramente.
— Você estava falando dela, não estava? — A olhei sobre o ombro. — Na noite em que brigamos. — Eu não precisava dizer nada a minha expressão me entregava completamente. — Vai atrás dela ou eu mesma vou chutar essa sua bunda, Sebastian! — Acabei rindo de sua declaração. — Agora, Sebastian!
…
— O que você está fazendo aqui?
— Nós precisamos conversar.
— Não temos nada para conversar! Eu quero ficar sozinha! — Ela tentou fechar a porta, mas eu a impedi. — Sebastian.
— Não vou embora até que me ouça. — Ela bufou e me deu passagem. — Me desculpa. — Comecei enquanto fechava a porta atrás de mim. — Eu não deveria tê-la levado lá, mas eu precisava de você.
— Você não precisava de mim! A Clary precisava! E você sempre vai fazer tudo por ela.
— No início eu até achei que realmente fosse isso. Mas eu precisava de você. Minha irmã estava em perigo mas a única coisa que eu conseguia pensar era em você; não porque eu precisava de ajuda, mas porque eu precisava saber se estava bem. Tem tanta coisa acontecendo que eu precisava saber se você estava bem, ou se…
— Sebastian… — A segurei de maneira carinhosa pelos braços.
— Eu não posso mais fazer isso! — Admiti. — Não posso vê-la de anos em anos, sem saber como está ou se sequer está bem. Não posso encontrar você e sair por aquela porta fingindo estar tudo bem e tentando convencer a mim mesmo que eu estou fazendo a coisa certa quando eu sei que não estou. E eu… Eu amo você. E a amo desde a primeira vez que os meus olhos a viram, e toda vez que eu parto é como deixar uma parte de mim mesmo para trás, porque é isso o que você é Seelie, uma parte de mim. E eu não quero mais ter que deixá-la sem saber quando vou vê-la novamente. Eu preciso de você. E se a minha mãe me expulsar do Cardume ou o meu pai me amaldiçoar por amar uma Fada que seja, eu vou continuar a amá-la. Eu não posso mudar isso, nem eles podem, nem você.
— Para. — Pediu em um sussurrou. — Por favor, para.
— Não. Eu passei tempo demais guardando isso para mim mesmo. Passei tempo demais priorizando o que a minha irmã sentia, e colocando os meus sentimentos em último plano, mas eu não consigo fazer mais isso. Não posso mais fazer isso comigo, com você, com nós dois! Por favor, me dê mais uma chance. Eu prometo que dessa vez eu farei de tudo para que funcione. Eu farei dar certo.
— Eu te odeio! Odeio, odeio, odeio, odeio. — Ela me olhou nos olhos enquanto dizia. Estávamos tão perto um do outro que eu conseguia ver as lágrimas quase caindo de seus olhos. — Eu te odeio por me fazer esperá-lo por quase quatrocentos anos; odeio por me abandonar incontáveis vezes, e odeio para me fazer amá-lo quando eu não deveria. — Cada um dos motivos era uma vez que o seus dedo batia contra o meu peito, me fazendo sentir ainda mais culpa.
— Eu sei. — Deslizei os meus braços pela seus pescoço e a abracei. — E não vou pedir desculpa por ter feito isso com você, porque seria ridículo; mas só o Mar sabe o quanto eu senti sua falta. — Pela primeira vez em quase quatrocentos anos, o meu coração estava tranquilo... Só porque ela havia retribuído ao meu abraço.
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