Ligadas pelo destino
44 Quinn, a loira pancada
Notas iniciais
—TRAGAM ELE AQUI!- Alec, que está substituindo seu pai na parte médica do grupo, gritou mais a frente. Quatro soldados, um de cada lado, carregavam a prancha que continha Rob inconsciente, banhado em sangue por todo abdômen, de blusa aberta onde estava exposto um enorme buraco na barriga e sua cabeça coberta por uma atadura, encharcada também do liquido vermelho. Era uma cena terrível...Entrei em pânico ao ver o irmão de minha amada daquela forma... O mais amado... O que ela mais considerava, onde parecia dormir tranquilamente no seu sono talvez fatal.
—Por favor... Vocês precisam cuidar dele.
—Fique aqui, Quinn. Isso não será algo que uma mulher no seu estado precisa ou pode ver- Alec tocou em meu ombro, depois recuou alguns passos em direção a um quarto no fim do corredor da grande casa Lopez.
—Alec... Não me deixe sem respostas. É o Rob- as lágrimas já faziam meu peito comprimir e todo o universo pesar em minhas costas- Ele não pode...
—Orações... Por favor- ele pediu com um olhar preocupado e depois entrou, me deixando em um completo breu de preocupação.
Minha vista escureceu por cinco segundos... Pude contar, discernir através do relógio de parede antigo recostado entre paredes curtas de dois cômodos que tiquitaqueava dentro da minha cabeça já tão perturbada pelo curto tempo de acontecimentos tão brutais pra o que restava de minha sanidade.
Dei um passo pra trás... Depois outro...E mais outro, pude logo me ver ir de encontro ao chão, porém senti meu corpo ser amparado e pude então repousar de pé novamente. As mãos delicadas em cada lado de minha cintura denunciava que fora uma mulher que me dera tal apoio.
—Hey... Brincando com a gravidade?
—Tonteei. Obrigada pela ajuda.
—Disponha- Brittany escorou-se a soleira de uma das portas e me encarou, avaliativa. Me sentei no chão, aos poucos, repousando a testa em meus joelhos curvados. Não sabia se era a gravidez ou a preocupação e temor por Rob que me tirara o equilíbrio- Como está o Ruivinho? Soube que talvez não passe dessa.
—Não fale assim- disse numa rispidez tão ácida que ela levantou ambas as mãos ao alto, como se pedisse calma.
—Foi só modo de dizer.
—Deveria prestar atenção em seus “modos de dizer". Rob sairá dessa. Deus há de nos ajudar com isso- disse, tentando eu mesma me manter crédula a esse fato- Ele vai ficar bem.
—Dona Maribel está aos prantos.
—Deus... Perder mais um filho a deixará forçada ao desespero- levei a mão ao rosto e afaguei a franja que caia ali.
—Ela não teve todo esse sofrer quando Santana foi embora daqui, depois da sacanagem que a vossa senhora delicada fez.
—Não fale assim... Ela errou, admitiu isso e tentou se redimir com a San.
—Que morreu não perdoando ela- Brittany disse com cinismo, o que me irritou.
—Você fala com uma propriedade sobre isso. Quem lhe contou?
—A própria San... Depois de me fazer chegar a um maravilhoso orgasmo pela quinta vez consecutiva- meus nervos pegaram fogo. Levantei fervendo.
—Vem cá, o que você quer, hein? O que ganha me perturbando com essas coisas?- ela olhou para as próprias unhas pintadas de vermelho e soltou uma risadinha irônica.
—Quem sabe um pouco de paz de espírito- disse, olhando com certo desprezo pra mim- Quero ser informada sobre o estado do garoto. Passar bem.
—VÁ PARA O INFERNO!
—Já estou nele, fofa- de costas, ao andar, ergueu a mão e me fez um gasto mal educado de levantar o dedo do meio. Eu realmente odiava aquela loira.
***
Foram horas? Minutos? Milênios? Eu não sei... Só sinto que já estava esperando tempo demais naquele corredor. Não comi nada até então... Sequer bebi água, me negava a qualquer um que me oferecia pois a agonia me faria colocar tudo aquilo estômago pra fora.
Eu conseguia ouvir sons de vozes alteradas, coisas batendo, bipes longínquos de aparelhos provavelmente cardíacos, talvez um desfibrilador... Não sei, estava confusa.
Meus ouvidos poderiam estar me enganando, mas Rob poderia estar em sérios apuros agora. Tempos depois Alec apareceu na porta. Aparentava estar cansado, frustrado, preocupado... Enfim, algo lhe perturbava a mente. Algumas manchas de sangue estavam espalhadas por suas roupas... Em suas mãos vi os resultados da batalha que deve ter sido ali dentro em prol da melhora de Robert, porém a apatia, palidez de sua face me fez temer pelo o que ele me diria.
—Alec?- corri até ele... Me amparou em um abraço. Afastou-me um pouco para me olhar nos olhos, já lacrimejantes.
—Hey, Q. Como você está?
—Bem, acho. E Rob?- fui direta. Já estava entrando em estado de agonia por respostas.
—Quinn... Por que não senta um pouco?
—Não. Estou bem em pé- cruzei os braços, séria- Não mude de assunto, Alec. Responda minha pergunta, por favor... Como está Robert?
—Quinn, isso é delicado. Difícil.
—Então explique-me- o aspirante a médico suspirou profundo. Passou a mão por seus cabelos castanhos brilhantes e compridos, como se procurasse uma forma melhor de me dizer aquilo.
—Bom... Rob caiu de uma altura significante. Os traumas já eram de se esperar. Ele quebrou seis costelas do lado esquerdo e fraturou a clavícula tão quanto a mandíbula... Alguns ossos dos braços e duas fraturas no fêmur esquerdo. Mas isso não foi o pior.
—Deus- levei a mão a boca, apreensiva- O que foi? Por favor... Conte-me!
—Rob fraturou a coluna... Ele...- pela segunda vez Alec respirou fundo, doloroso- Ele provavelmente nunca mais poderá andar novamente.
—Oh céus, pobre Rob!- meu coração se apertou- Tão jovem, Deus... Tão... Eu preciso vê-lo... Preciso...
—Quinn!- Alec me parou- Escute, fizemos o que foi preciso, o que podíamos fazer, mas também, Rob sofreu um baque muito forte em sua cabeça. Seu cérebro inchou significativamente e, apesar da cirurgia no local ter sido um sucesso, não tivemos nenhuma atividade cerebral que pudesse nos dar esperança- nesse momento tudo dentro de mim foi revirando- Sinto muito, Q, mas... Rob está em um estado delicado de coma!
***
—Titio Rob está dodói, mamãe?- Beth estava sentada ao lado de Rob em seu leito. A pequena observava calmamente seu tio de coração, que parecia somente dormir ali, e não beirar a morte sem que sequer possamos fazer mais por ele, a não ser rezar.
—Sim, meu amor. Seu tio está dodói- limpei uma lágrima dolorosa que deslizou sobre minha bochecha, acariciando os cabelos alaranjados de Robert. Olhando ele dessa forma, tão calmo, me fez lembrar Santana. Assim pude ver que os dois sim tinham semelhanças distintas... A expressão de completa paz enquando dormiam.
—Não tem nenhum remédio pra fazer ele ficar bem de novo? Tipo o espinafre do Popeye?- eu ri, deixando um beijo casto no topo da cabeça de minha inocente filha. Se fosse fácil assim, minha pequena.
—Não, filha. Uma pessoa muito má fez com que ele ficasse assim. Mas fique despreocupada... Ele ficará bem. E tal pessoa...- olhei para Rob... Meus olhos banhados em ódio- Pagará pelo o que nos fez, a Rob e a minha latina.
***
—Que foi? Me achou bonita? Tem alface no meu dente? Estou vestida de drag queen? Vamos, levanta dai, sua demente!- Santana pegou Scorpius pela orelha e puxou para o alto, fazendo-a se levantar.
—Ai ai ai... Isso dói.
—E ainda dizem que parece comigo. Não me lembro de ter essa cara de capivara azeda!- olhou pra sua cópia fiel, fazendo careta.
—Como isso pode acontecer? Somos idênticas!
—Você vê semelhança... Eu vejo um rascunho mal feito com os pés- Santana rodeu Scorpius, em análise- Então é isso que está perturbando minha família?
—Sua família vai morrer assim como você... Santana Lopez.
—Eu não morri, oh demência- deu um tapa na testa de Scorpius, que tentou revidar num soco de direita, mas Santana formou uma esquiva segurando seu braço e entortando para trás.
—Como... Como pode? É tão mais forte que eu!- a latina do mal pareceu assombrada.
—Não mandei ficar presa na minha cabeça.
—Como?
—Você está sonhando, idiota! Seu mestre brocha não te ensinou o que é isso? Ou você só limpa o rabo dele?
—Ora sua...
—Calminha aí, ô pouca sombra- Santana afolgou o aperto e soltou Scorpius no chão. A outra latina estava confusa. Como não tinha nenhum homem ali de Carter para lhe proteger? Tudo estava vazio... A Sala... Notou pelos monitores que os corredores, outras salas, ate a saída não tinha ninguém. Aquilo era muito estranho para ela. Viu que estava completamente nua. Foi até um gancho e pegou um roupão.
—Como você entrou na minha mente?- Santana riu debochada.
—Por que você não sai da minha? É uma parasita.
—Não sou, esse corpo é meu.
—Discordo... Esse corpo é meu e você tomou. Sua Paola Bracho bronzeada... Confesso que é uma versão até mais bonitinha de mim- devaneou, balançando a cabeça pra afastar tais pensamentos.
—Isso é algum teste?- sorriu em escárnio- 100% de certeza que passo.
—Meu Deus... Se eu for metida desse jeito, faço questão de eu mesma dar na minha cara quando voltar- maneou a cabeça pro lado e cruzou os braços- O negócio é o seguinte, gripe latina... Eu acompanho tudo daqui, como um espectadora infeliz que vê seu próprio corpo sendo usado para fazer mal a quem se ama, sua própria família. Então, como tive essa grande sorte de você ter dormido e de prax sonhado... Vou aproveitar pra te torturar até me entregar o controle de novo.
—Não entregarei nada porque esse corpo me pertence por direito.
—Que direito? No sindicato de encostos mal comidos? Sai do meu corpo, sua imbecil!
—Não encosta em mim!- Scorpius fez sua guarda. Santana então atacou... Seria uma batalha épica naquele mero sonho, porém no telão atrás de Scorpius algo fez com que a latina do bem freasse seu ataque, deixando a outra golpeando o vácuo.
—Marrentinha!- seus olhos castanhos brilharam ao ver a imagem de sua amada no grande telão negro dos pensamentos da agente especial de Carter. A outra se virou, deparando-se com a imagem perfeita de Quinn correndo em um gramado com Beth, num belo dia ensolarado, onde ambas riam com grande fulgor, brincando de pegar- Minhas garotas! Eu sinto tanta falta delas... Tanta!
—Não sei por que... A vida é tão melhor quando não se tem ninguém.
—Pra você! Eu sem elas não sou nada... Sou... Isso!- apontou pra si mesma, com desgosto- Eu quero sair disso... Desse mundo paralelo. Me devolva o controle.
—Ah, nem fudendo! Isso é meu... Esse corpo...Essa vida. Não vai pensando que vai ser fácil me tirar daqui- Scorpius então pegou um fragmento do tubo que se despedaçou e atacou Santana, que a parou com um chute frontal no peito, fazendo assim o objeto ir parar bem longe.
—Pode vir, repolho artificial mal feito- a latina de olhos lilás levantou-se, se ajeitando pela queda. Amarrou melhor o roupão e voltou a atacar. Tentou atacar com um frontal, porém Santana desviou pra lateral, escapando da investida, não esperando que Scorpius fosse aproveitar o golpe falho para girar o corpo em uma volta completa, apoiando uma das mãos no chão para aplicar na outra um chute giratório que lhe foi certeiro na lateral da cabeça- É... Você tem alguns truques.
—De onde veio esse tem bem mais, vadia- sibilou, fazendo movimentos circulares com os ombros, mostrando os punhos cerrados para Santana, que parecia tonta depois do golpe.
—Essa porra é um sonho, isso não deveria ter doído, mas já que dói...
—EU VOU ESTRAÇALHAR VOCÊ!- Scorpius gritou correndo na direção de Santana. Ela aproveitou a proximidade da outra para lhe dar, de forma certeira um super man push (soco potente que usa de um impulso com os pés para frente para atingir de forma certeira a cabeça do oponente) direto no nariz da outra latina, que errou passadas até quase cair, com a mão na face.
—Isso foi um som de osso quebrando?- ironizou, com a mão na orelha.
—Nem fez cosquinhas!- a outra respirou fundo e aguardou. Santana tinha um jeito mais leve e preciso de se movimentar. Embora Scorpius tivesse a força e também muita agilidade, seus movimentos podiam ser previstos pela a de olhos castanhos... Se movimentar rápido aumentou também a percepção de Santana , o que a fazia dar uma bela dor cabeça em quem a enfrentasse. Se olhasse bem...As técnicas que ambas usavam não eram muito parecidas. Santana tem uma maneira oriental de se movimentar... Do jeito leve e letal. Já Scorp, leva o jeito grosso e noscivo dos Russos. Sempre bate pra matar. Carter não observou muito isso quando reprogramou o novo ser a latina.
Enquanto isso a batalha entre as duas latinas estava intensa. Ambas sangrando por algumas partes do rosto, mostrando o quão violento aquilo estava ficando.
—Vai pedir arrego? Só esperando aqui- Santana limpou o sangue no canto da boca e se preparou novamente.
—Que nada.... Talvez quando sua loirinha resolver me dar o que eu quero... Ela de quatro, gemendo pra mim- Santana se enfureceu... Correu ate Scorpius, saltando em seu pescoço com as pernas. Deu um giro com o corpo pelo da outra ate imobilizar seu pescoço com os braços em uma perfeita gravata e o restante do corpo com as pernas.
—Você vai sair do meu corpo e me deixar retomar... Ou dou um jeito de você enlouquecer se tocar na minha mulher de novo ou na minha filha.
—Eu vou matá-las assim que voltar... Te dou minha palavra- cuspiu com fogo aquelas palavras perversas.
—Nem ouse tocar nelas novamente, está me ouvindo? Dou um jeito de te virar do avesso- Santana apertou ainda mais a imobilização deixando Scorpius agoniada pela falta de ar.
—Você não passa de uma fraca! Se não fosse, eu não estaria no seu lugar agora, sua imbecil. Se está sem sua família, foi porque não foi forte o suficiente para lutar por ela- Lopez pareceu se enfraquecer pelas palavras da outra. Seu olhar se perdeu... Sua mente lhe arrematou. E se a criatura de Carter tivesse razão e a culpa disso tudo for dela e de sua fraqueza? Sentiu seu ser ir perdendo força.... A força que há tempos veio juntando pra esse confronto- Eu sei que está se desfazendo por isso agora. A culpa foi sua. Foi fraca, agora sua loira e o diabinho que ela chama de filha vão sofrer... Até o fim.
—Não... Não... Eu vou... Vou dar um jeito- a latina se mostrava perdida... Seus gestos e palavras pareciam desconexos, momento perfeito para Scorpius agir. Com um sorriso maldoso, acertou Santana no estômago e se soltou da imobilização. Lopez continuou no chão, inerte. Olhava a imagem de Quinn congelada na tela. A criatura a sua imagem perfeita se aproximou com a face estampada pela felicidade de ver Santana naquela situação, e quando sobre ela, ergueu a perna e olhou- lhe no profundo dos olhos castanhos atormentados.
—Aprenda uma coisa, Santana- debochou com o nome da latina- Aprenda uma coisa sobre mim... Sou Scorpius O'Donnel... E eu sempre venço.
—Quinn!
Foi o que Santana gemeu antes de Scorpius lhe acertar com um chute perverso na cabeça, a fazendo desfalecer.
—Eu sempre venço, vadia! A sua querida Quinn Fabray será minha! MINHA!- a imagem desfocou... Apagando o sorriso perverso do monstro criado por Carter.
—Merda!- a latina acordou em seu tubo de recuperação. Um monte de bolhasenquanto ela se debatia, exigindo que a tirassem dali.
—Podem liberar!- Carter autorizou e o tubo fora aberto. Scorpius arrancou os fios que controlavam seus batimentos de seu corpo com rispidez, saindo de seu leito. Um médico a esperava com um roupão na mão para cobrir sua nudez diante de todos, onde ela só arrancou a vestimenta dele sem nenhuma educação- Estava inquieta em seu sono, minha filha... O que...
—Quero a família de Santana Lopez morta... O quanto antes!- nem esperou seu mestre acabar de falar, sua face estava distorcida de ódio.
—Ajoelhe-se!- assim ela o fez, se ajoelhou de frente a seu “criador" e ele pôs a mão em sua cabeça- Você terá sua vingança.
—Quero agora.
—E terá! Quantos homens preferir.
—Não precirão tantos.
—Você quem sabe! Agora venha até minha sala... Você precisa de mais uma dose de sua vacina. Seus olhos estão perdendo minha cor preferida- Scorpius maneou a cabeça e se levantou, acompanhando seu mestre. Ela estava decidida... Teria sua vingança.
***
Todos os agentes juntamente com seus comandantes estavam unidos ali, no QTI secreto de Santana e seu pai. Russell estava a frente, explicando algo sobre um ataque planejado para base secreta de Carter, onde haviam descoberto se tratar de três lugares em países diferentes. O medo ainda os atormentava, suas baixam estavam cada vez maiores e tinha agora Rob naquela situação tão delicada e sequer podiam removê-lo do Texas para um tratamento melhor na Alemanha, onde tinham os melhores médicos a favor de Russell. Tudo só piorava, mas estavam na esperança de dar certo dessa vez.
Enquanto isso, no quarto de Maribel, o maior da casa, repousava Rob e os vários aparelhos que o empediam de deixar de existir no meio da grande guerra que se instaurou entre ingleses, Russos e latino- americanos. Nilo estava sentado ao lado do irmão, com as costas apoiadas a cabeceira enquanto acariava os cabelos do mais novo concentrado a seu jeito calmo em seu sono que ninguém conseguia prever quando voltaria dele.
—Ele não merecia estar nessa. É tão criança ainda- Nilo acariciou a face do irmão- Ele vai voltar, não vai?
—Eu não sei, Nilo. Rezo pra que Deus ouça nossas orações e o traga de volta para nós- o filho mais velho dos Lopez balançou a cabeça negativamente e se pôs a chorar forte, deitando a testa no ombro do irmão.
—Primeiro a San, agora isso? O garoto? Por que Deus está nos castigando assim?
—Não seja tolo, Danilo... O moleque foi burro em se arriscar tanto- Enzo se pronunciou do canto que estava. Danilo o olhou com uma certa raiva.
—Nosso irmão... Ele é nosso irmão, seu imbecil.
—Nunca levei isso a sério mesmo- Enzo deu de ombros, levando Danilo a se enfurecer e ir parar seu rumo, segurando-o pela gola da camisa.
—Amor, não...- Kitty tentou intervir, mas Danilo não se importou. Quinn mais atrás levou a mão à boca, pasma pela situação dos irmãos se enfrentando diante o irmão caçula em coma. Se pôs ao lado do ruivo e Kitty para eventuais traumas.
—Escuta, seu bosta. Você fica aí dando um de sonso quando na verdade é um frouxo. Rob está nessa situação por sua razão, sim... Mas foi por amar e querer proteger nossa família que ele está assim. Família essa que ele entrou há pouco tempo... Conhece muito reduzido, mas parece que foi o suficiente para que ele quisesse manter em segurança. Mas e quanto a você? Quanto tempo está aqui mesmo? Quanto mal causou pra todos nesse quarto? E a San, hein? Arruinou a vida dela apesar dela ter morrido por você. E sim...Ela te amava, seu monte de estrume.
—Nilo, não...
—Cala essa boca, seu verme! Você é a única pessoa nesse lugar que sequer tem o direito de respirar o mesmo ar que a gente. Todos erram? Sim, claro. Mas os aqui presentes estão se retratando, protegendo vidas enquanto você se esconde pelos cantos, reclamando que as duchas daqui não esquentam mais. Porra, Enzo, que espécie de ser humano é você? Onde está a honra que o papai no ensinou a ter? Só sobrou a gente, seu idiota. Eu vou ter que morrer ou me machucar também pra você acordar pra vida?- Enzo encarava o irmão boqueaberto. Tentou proferir algumas palavras, porém fora em vão- Você está com a gente nisso?
—Bem, eu...
—ME RESPONDA, ENZO EMILIO LOPEZ!- Nilo chacoalhava o irmão sem pudor, como se assim pudesse fazê-lo acordar pra vida- Não se vive de covardia pra sempre, irmão. Uma hora essa corda arrebenta pro teu lado.
—Eu odeio isso, Danilo! Odeio... Nunca quis participar dessa merda que a Santana nos enfiou. Porra... É pedir demais ter paz?
—Paz? Merda... Estamos lutando por isso. Não vê? Santana morreu por isso, seu arrogante!
—Não quero ver nada. Tenho raiva disso tudo. Só queria uma vida melhor. Não uma miserável que um pai burro e egocêntrico quis pra nós por não saber fazer as coisas certas.
—CALA ESSA BOCA!
—Nilo!!!- Kitty o repreendeu assim que seu marido esbofeteou Enzo na face, como se pune um menino levado- Não faça isso... Ele é seu irmão!
—É por isso que faço. Por ser o meu irmão caçula. Se eu tivesse te dado esse tapa antes, quem sabe ele fosse uma pessoa melhor?
—Você é um idiota, Danilo! Eu te odeio.... Odeio todos vocês- Enzo tinha lágrimas nos olhos e a mão na face agredida. Nilo lhe olhou machucado, afastou do irmão e apontou pra porta.
—Vá embora daqui.
—O que?
—Some daqui, Enzo.
—Essa casa é minha também.
—Não é mais... Você é não é um de nós. Não é... — o mais velho fungou, sentindo doer aquelas palavras- Não é mais meu irmão. É uma vergonha.
—Nilo, não....
Então Danilo sacou uma arma e apontou pra cabeça do irmão. Enzo gelou, seu coração saltou dolorido. Os olhos marrons se derretiam em tristeza, ódio e decepção, mas não mais do que Danilo sentia agora. Quinn abraçou Kitty, onde a loira menor chorava agoniada ao peito da amiga. Aquela cena era triste... Como tudo que acontecia agora. Enzo balançou a cabeça como quem agradecesse em ironia e saiu correndo do quarto. Nilo desabou se joelhos no chão, chorando como se o mundo tivesse caído em sua cabeça.
E em um grito agudo de dor, o filho mais velho dos Lopez sentiu seu chão se abrir e seu corpo ser banhando pelas chamas do inferno.
***
—Quero duas unidades nas ruas principais de Washington D.C e uma nos arredores de Tampa. Nossas pesquisas indicam que um desses lugares será o próximo a ser atacado pelos homens de Carter. Na época que eu trabalhava para o Governo, soube que havia uma base subterrânea que guardava as ogivas nucleares no qual os chips comandam, porém os boatos foram quebrados porque só os próprios chips poderiam ditar o caminho. Mas, antes de entregá-los para Scorpius, Vinie os analisou juntamente com minha filha e mais um lugar foi apontado... Havaí. Nesse eu quero três unidades cobrindo o máximo de terreno possível. Com toda certeza Carter já deu um jeito de explorar aqueles chips e sabe Deus quando ele planeja mexer nessas bombas... Se não já tiver mexido.
—E quanto a Scorpius?- Brittany interrompeu a explicação de Russell defronte a um enorme mapa dos Estados Unidos e países vizinhos e mais uma montanha de papéis com modelos diversos de ogivas nucleares- Digo... Quem é o louco que vai tentar pega-la agora?
—Eu vou- Quinn entrou no local com um ar tão decidido que desnorteou a todos. Brittany soltou uma gargalhada... Russell se sentiu zonzo.
—Louca eu tenho a plena certeza de que você é, mas o que te garante que vai conseguir pegar a capeta lá?
—Minha garantia é exatamente contrária. Não vamos pegá-la- Quinn respirou fundo, segurando firme nas lapelas de sua jaqueta preta ousada, com abotoaduras de caveira, a preferida de Santana- Vamos destruí-la. Rob será vingado ou não me chamo Lucy Quinn Fabray... A loira pancada.
***
Scorpius estava relaxando em um spa em Los Angeles. Seus nervos afloraram e nem uma seção de sexo selvagem com a pequena Berry lhe fizeram ter calma. Carter pediu paciência a ela... Precisava testar os chips para ter certeza de sua autenticidade. Depois disso, todo povo de Santana deveria ser morto como sua criatura preferisse.
—Quem vai cair agora, sua latina insuportável?
—Senhora?- um de seus seguranças apareceu na porta de sua sala de relaxamento.
—O que foi, verme?- rispidamente o respondeu. Tinha demorado ganhar tranquilidade.
—Os libaneses responderam. Marcaram no parque de diversões abandonado de Seattle para que levássemos o carregamento de armas e explosivos que mestre Carter os ofereceu em troca de aliança contra os Alemães.
—Perfeito! Diga que estarei lá hoje à noite.
—Seja feito a sua vontade, senhora. À Scorpius!
—À Scorpius- um sorriso malicioso da morena escapou de seus lábios carnudos, que em seguida degustaria um dos champanhes mais caros do mundo- O universo... Na palma da minha mão.
***
Assim que Scorpius chegou ao lugar marcado, seu rosto contorceu em desgosto.
—Urgh... Odeio palhaços!- chutou um boneco antigo abandonado e adentrou o local. Havia um grande galpão que fora levantado para acolher desabrigados há alguns meses por causa de um grande incêndio em um conhecido bairro da cidade, onde um local de exposição de aviões fora explodido. Presentinho especial de Dave Karofsky para seu amigo asiático que junto da latina fez aquele lugar uma grande arena de batalha- É esse mesmo o local?
—Bem aqui mesmo- seus olhos dilataram ao ver Quinn Fabray se erguer, descendo uma escada improvisada- Não é só você que sabe surpreender, Scorp.
—Uau... Realmente me deixou surpresa- Scorpius bateu palma, atraindo atenção de todos- E devo dizer que está uma delícia nessa roupa. Pena que vai manchá-la de sangue. Guardas!- antes que seus soldados acatassem, os de Quinn apareceram, rendendo todos.
—Agora vamos ver o que você é sem seus brinquedos- cheia de cinismo Quinn sorriu, sendo retribuída pela morena que a olhava com uma mistura de ódio e desejo que já estava a deixando perturbada- Deixe-nos a sós.
—Tudo bem... Mas cuidado, Quinn. Estaremos por perto se precisar- Nilo alertou, sinalizando para que seus homens saíssem do local apertado, levando com eles os agentes de Carter, que à essa altura já estavam desarmados.
—Pois bem... Como me achou?
—Você deixa marcas como migalhas de pães pelo caminho, minha cara.
—Minhas migalhas são explosivas... Secas.
—Assim como sua falta de coração... E atratividade- Scorpius riu.
—Fala como se não me quisesse.
—Nem se você fosse a ultima latina do mundo.
—Gosta de latinas, não é? Espera... Latinos em geral, já que pegou uma família inteira- Quinn fechous os punhos, mas relaxou em seguida. Não deveria dar trela pra maldida criatura de Carter.
—Isso importa pra você?
—Claro que não. Se você dá ou deixa de dá, o problema é seu, vadia.
—Você se esconde atrás de ofensas, mas sabe... -Quinn levou a mão para atrás do short e sorriu- Minha etiqueta me faz mais curta e direta- a loira jogou um pedaço de madeira largado pelo chão na direção da latina, que sem problema algum desviou do ataque.
—Hahaha o que? Acha que me vence com isso?- a latina zombou, mas sentiu em seguida uma picada nas costelas. Quinn tinha a distraído pra na verdade aplicar uma anestesia de proporção ainda mais forte que a anterior.
—Não, mas com isso eu posso arriscar.
—Sua vadia... Você me... Droga- Scorpius cambaleou pro lado e se segurou em uma cadeira, fraca. Quinn não esperou mais, se muniu da pistola de Santana, na qual havia ganhado de Olivia que guardou do pai da latina, a glock com detalhes de cobra, então colocou a arma na cabeça da possuidora dos olhos lilazes mais diabólicos que ela já vira.
—Você nunca mais fará mal a alguem, seu monstro sem coração!- a loira rosnou, pronta pra puxar o gatilho- Isso é por você, San e pequeno R- ela estava perto de sua vingança... Scorpius estava vunerável ali, quase apagando. Porém o barulho de um tiro tirou sua atenção e foi o bastante pra que Scorpius tomasse a arma da sua mão e jogasse Quinn sobre uma mesa grande no centro do galpão.
—E agora, hein? Acha que pode comigo, vadia? Mesmo fraca eu sou mais forte que você.
—Me solta!- Quinn fez força pra sair, mas Scorpius no meio de suas pernas a impediu de correr.
—Agora, loirinha... Eu terei minha vingança- apontou a arma pra loira, que dessa vez, não seria a defesa da história.
—Você me quer, não é? Então toma!- bateu na mão da morena, derrubando a arma. Logo suas mãos tomaram a nuca de Scorpius e um colar de lábios violentos fora findado em poucos segundos. Aquilo foi surpresa pra Scorpius... Ela nunca esperaria isso da loira que, por céus, tinha os lábios mais macios do mundo.
—Humm... Você...- o comentário fora engolido pela mordida sem pudor que Quinn dera nos lábios carnudos da outra, que Gemeu no mesmo instante. Aquele beijo estava cheio de sensações... Quinn de revolta, uma forma de sobrevivência, porém Scorpius... Seu ser revirava e algo na sua cabeça deu um forte estalo, causando uma dor horrível. Mas o beijo continuou... Estava sensual... Desesperado... Quinn estava prestes a arrancar todo couro moreno da outra com as unhas, por tamanha violência do amasso. A latina chupou seus lábios com volúpia...Eram doces e causavam uma sensação tão boa nela que poderia morrer ali mesmo, deleitado se tais partes confortaveis como algodão. Scorpius então soltou seu cinto...ela iria possuir aquela loira ali mesmo, naquela mesa velha e empoeirada... E pela forma que Quinn parecia sedenta pelo contato intimo das duas, a forma que se esfregava na outra sem pudor, ela não lutaria contra. Embora a situação quente parecer evoluir pra algo mais carnal, Scorpius se sentiu zonza... Sua cabeça estralava e sua vista começava a enturvar. Parou o beijo... Quinn estranhou, porém viu Nilo no alto munido de sua sniper de um tiro apenas, porém o mais preciso para o momento. O que Scorpius estava cada vez mais fraca.
Quinn sinalisou para Nilo se preparar. Essa era a hora do tirou fatal que tiraria aquele monstro para sempre de suas vidas. Tal monstro que imitava a face de sua amada perfeitamente, mas nunca em todo universo poderia ser ela. Então Nilo pôs o dedo trêmulo no gatilho... Scorpius tonteou pra trás, perfeitamente ficando mais à mira do Lopez hábil,nunca tinha errado um tiro com aquele tipo de arma. Quinn mais atrás sentiu seu coração acelerar... O sangue estava mais rápido circulando por suas veias, ansiosa pelo fim daquela criatura à sua frente. Foi quando seu mundo desabou a seus pés.
—Quinn?- a latina balbucinou ainda perdida... Os olhos tentavam focar a loira, tentando reconhecê-la, porém o mundo girava ao seu redor. Quinn gelou por completo. Os olhos lilazes piscavam , ficando castanhos... Lilás...castanhos, ate que parassem no perfeito castanho escuro de Santana Lopez, sua noiva. O olhar perdido, assustado de Santana tomou as feições da latina... Flashs do dia que Quinn a perdeu tomou a cabeça da loira... Então nos segundos que se passaram Nilo puxou o gatilho e o som seco da bala abandonando o cano da sniper se tornou próximo da morena.
—SANTANA!- Quinn gritou... Seu corpo se impulsionou na direção da morena e se jogou contra ela, fazendo-a cair pro outro lado. O tiro fora certeiro... Nilo continuava invicto com aquela arma de pura destreza, porém a bala errou o alvo... Quinn, atingida na lateral do corpo, caiu desacordada, fazendo Nilo morrer ali, com seu objeto de trabalho na mão. A latina arregalou os olhos, e sem entender,levou a mão aos cabelos loiros escondendo o suor de seu pânico e o cenho grudou-se.
—O que...
O grito aflito de Danilo Lopez lhe cortou:
—QUINN!!!
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