Notas iniciais
Ai, galera. Nem foi tão rápido como eu prometi, mas eu tive que mudar. Tava muito doente, e tem meu joelho da lesão que obti em minha mais recente luta, então, me desculpem o atraso. Espero que gostem! Leiam as notas finais, pelo amor de santa cher

Sabe quando existem aqueles momentos que tudo congela? O mundo tem uma parada cardíaca e para de girar bruscamente, causando um efeito dominó capaz de descarrilar trens de sensações tão intensas que faz roer até a alma. Pois bem, era assim que Danilo e a outra latina, Scorpius... Santana... Seja lá quem ocupada tal corpo agora se sentiam. Um em cada sua forma ou maneira, algo ali desabou em suas mentes naquele momento.

Danilo secou a garganta, seus lábios grudaram-se e seus olhos, úmidos olhos castanhos de desespero, o fizeram perder a força dos braços onde pesou a arma que fora algoz da loira Fabray ainda ali, estirada no chão, sendo observada pela confusa latina. Ela pôs a mão na cabeça, depois olhou pra Danilo, que descongelou enfim, saltando de seu esconderijo estratégico.

—Oh céus, Quinn, por que...- ele correu e ajoelhou-se ao lado do corpo da loira. A virou de canto, para observar a lateral atingida. Coração inquieto, mente obstruída de tanto pesar, o desespero querendo consumí-lo. “Deus, será que matei Quinn? Não pode!". Levou a mão até o rosto alvo de Fabray e o acariciou, desacreditado. Será mesmo que fora ele que pôs fim a vida se sua parceira? A latina, ainda perdida, ousou tocar na loira, porém rispidamente Nilo a impediu, pegando a pistola que Quinn havia jogado pra longe e apontou na direção da outra- Não toque nela. Ou eu mato você!

—Eu... — ela balbuciou algo incoerente e afastou-se, segurando cada lado da cabeça com uma mão. Parecia agoniada. Nilo esqueceu por um instante dela, apesar do ódio, Quinn precisava dele.

—AQUI! QUINN FOI FERIDA. PRECISO DE AJUDA!- Danilo gritou, procurando onde a bala havia atingido a loira, encontrando um furo exatamente no meio de sua costela esquerda. Ele então franziu o cenho. Algo estava errado ali. Colocou a mulher de costas no chão e pegou o canivete que levava sempre consigo na bota. Abriu o objeto e rasgou a blusa que Quinn usava por debaixo da jaqueta, tendo uma bela surpresa mais que agradável pro momento de agonia. Fabray usava um colete à prova de balas criado pelo pai sob medida para ela e Nilo orava pra que tivesse surtido efeito contra aquela situação. Removendo o colete, tirou também a pressão que o mesmo, depois do choque, fazia nos pulmões de Quinn, que no mesmo instante despertou sobressalta, tossindo forte na agonia de conseguir o quanto de oxigênio podia naquela sala tensa.

—Ni-Nilo?

—Porra, Quinn, que puta susto você me deu agora! Está louca? Por que entrou na frente daquela bala? Tínhamos ela onde queríamos, e você poderia ter morrido, sua louca- Nilo ralhou, porém Quinn não parecia interessada naquilo e sim na latina perturbada, sentada abraçando os joelhos no fundo da sala. Se esgueirou do moreno e engatinhou até ela, afoita.

—Santana!

—Quê?- Danilo ficou confuso, levantou-se e as observou de pé, intrigado. Aquele tiro realmente tinha deixado Quinn mal.

—San... Olha pra mim- pediu e a outra mostrava medo, se recuava com a presença da loira- Olhe pra mim, por favor, e me responda- conseguiu que a outra lhe olhasse. Os olhos de Quinn mostravam uma mescla de tristeza e emoção que doía na alma de qualquer um que visse- Me responda... Você é Santana? Minha San?- como resposta a latina lhe encarou profundamente, como se pudesse cavar sua alma. Quinn tentou decifrá-la nesse gesto, porém a outra lhe revirou os olhos. Não por falta de educação, afronta, ironia, como Scorpius faria no seu lugar, mas porque uma atormentada convulsão havia tomado seu corpo agora. Seu nariz, sangrava, suas orbes se reviravam e Quinn correu, pedindo ajuda- NILO!

—Vamos levá-la até Russell, ele saberá o que fazer.

—RÁPIDO, ESTÃO INVADINDO!- Um soldado gritou de fora e intensos barulhos de tiros ecoaram pelo parque. Quinn pensou bem, não havia mais tempo. Era isso ou nada... Talvez morte a todos ali.

—Vamos levá-la!

***

QUINN

Como ela pode sempre continuar tão linda? Sério. Não importa por onde essa latina ande, com quem esteja com sua posse ou o que façam com ela, Santana sempre continuará linda. Possuidora de uma beleza única, ela sempre sairá em destaque. Nunca passará despercebida, nem quando era uma nerd desajeitada com óculos gigantescos. Sua beleza nunca morre, assim como meu amor puro por ela.

—Então esse tempo todo era você, San?- indaguei a seu semblante tranquilo, no leito improvisado no próprio quarto dela. Eu estava sentada ao seu lado, em uma cadeira deveras dura, mas que há horas eu vegetava ali, sem sair um instante até que ela enfim abrisse os olhos. E antes que surjam questões sobre minha saúde, estou bem. Além de alguns hematomas, aquele tiro não me causou nada, nem a meu bebê. Foi ótimo ter lembrado do colete especial que meu pai fez pra mim.

Três dias haviam se passado e Santana só dormia. Desde sua convulsão assustadora ela simplesmente não acordou mais. Papai me tranquilizou de que não era caso de coma ou coisa pior, ela só estava cansada e precisava desse tempo pra se recuperar de mais aquele trauma em seu belo corpo. Nilo sempre ficava a meu lado, armado. Ele estava certo de que era mais um plano diabólico de Carter usando Scorpius para ter acesso a nós para matar a todos, então não saia de perto de mim. Mas não, eu por vez estava certa de que aquela era a minha San e o pai lá de cima não me deixaria ter mais essa desilusão. Meu estômago reclamou de fome. Estar grávida em uma situação dessas não é lá tão favorável. Fiz careta, não queria comer pra depois colocar tudo pra fora em seguida. Havia esquecido de como era chato os primeiros meses de gravidez- Nilo?

—Sim, Q. Precisa de algo?- ele respondeu. Estava parado perto da porta com uma pistola carregada, pronta pra derrubar quem se aproximasse de mim e ele esperava que fosse Scorpius- Você está bem?

—Estou. E sim, preciso de algo. Pode descer e pedir a Kitty que faça um lanche pra mim, por favor? Se não for incômodo. Não quero estar ausente quando ela acordar.

—Tudo bem. Mas vou pedir para que algum soldado fique aqui com você. Não confio nessa coisa ai.

—Não fale assim, Nilo.

—Ela quase matou meu irmão, tem sorte de eu já não ter enfiado uma bala em sua cabeça diabólica- ele sibilou, raivoso. Nilo era muito amável, mas as circunstância o fez endurecer o coração para certas coisas e dentre elas estava a possibilidade de sua irmã ainda estar viva. Não o culpo, era de esperar depois de tanta dor- Desculpe a maneira de falar.

—Tudo bem, Nilo.

—Vou buscar seu lanche.

—Obrigada. Sou-lhe muito grata- ele me enviou um sorriso gentil e saiu. Puxei a cadeira mais pra perto da cama e apoei os cotovelos a ela. Fitei a latina com ternura. Meu coração doeu pelas atrocidades que deve ter presenciado, que teve de fazer, coisas que deixariam Santana com remorso por toda sua eternidade. Era muito boa pra aceitar ter feito algo do tipo- Eu sinto muito, amor. Sinto muito- acariciei sua mão e bocejei. Não havia me lembrado a última vez que tinha dormido por mais de três horas. Senti que as pálpebras pesaram. Deitei a cabeça em uma mão, enquanto a outra ainda segurava a de Santana, então peguei no sono.

Sonhei com ela. Estava tão linda em seu cavalo negro, chapéu de cowboy, blusa de botões aberta mostrando a barriga. Veio trotando com seu precioso Pegasus a minha direção, então freou, sorriu pra mim e me estendeu a mão. Hesitei. Ela fez biquinho junto de uma carinha fofa. Eu ri, maneei a cabeça de um lado para o outro e aceitei sua mão estendida. Me puxou com delicadeza e me pôs sentada a sua frente, de costas pra si. Nada disse, só inalou profundamente meu pescoço e pôs o cavalo pra correr. Eu sorria intensamente. Só Santana tinha essa capacidade de me levar ao céu em menos de cinco segundos.

—Q?

—Hum?

—Tudo bem?- pisquei os olhos algumas vezes até tomar sentido novamente. Nilo me encarava preocupado, agachado ao meu lado com uma bandeja cheia de mimos que me fizeram salivar.

—Tudo sim. Acho que, humm... Cochilei.

—Também você não dorme direito. Tem dias que te vi dormir uma noite inteira. Precisa descansar, branquinha. Você não é de ferro, uma hora vai ter que ceder ao cansaço.

—Não posso sair de perto dela. Não agora que a consegui de volta.

—Ela tentou te matar.

—Podia não estar em si.

—Ela não é a San, Q- colocou a bandeja encima da cama, de frente a mim.

—Por favor. Você também não. Eu passei esse tempo todo me negando a acreditar que era meu amor ali, então agora que tenho um fio de esperança de tê-la de volta, vou me agarrar a ele até o fim.

—E se não for ela?- respirei fundo, olhando-a em seu sono tranquilo.

—É ela!

—Se diz.

—Nilo!- segurei a sua mão antes que voltasse pra seu lugar de guarda- Não se corrompa com a situação.

—E você não amoleça- pousou a mão sobre minha cabeça- Estamos em guerra. Lembre-se disso. Agora coma. Você está ficando amarela feito uma esponja. Péssima hora pra fazer dieta, senhorita.

—Ora, deixe disso. Ganhei uns quilos com a comida dos deuses de dona Maribel.

—Prefiro você cheinha. Parece mais gente da gente. Não uma modelo Alemã que só come algodão- deu de ombros e eu ri.

—Chato!

—Eu tento- mais uma vez deu de ombros e voltou pra perto da porta, só que dessa vez sentou na poltrona, com uma revista sobre carros em mãos. Olhei para a bandeja de lanche e quase lambi os lábios. Parecia tudo apetitoso. Torci mentalmente pra que não colocasse tudo aquilo para fora em seguida. Nilo ainda não sabia que eu estava gestante e eu preferia que continuasse assim. Menos uma coisa para se preocupar. Eu me cuido do meu jeito. Será o certo?

***

—Onde ela está???- Dave Karofsky entrou com tudo na sala de Carter, que somente levantou o olhar para o visitando com certo desprezo.

—Onde quem está, senhor Karofsky?

—Aquela sua latina ordinária. Ela faltou com o compromisso com os libaneses e agora eles querem minha cabeça.

—Impossível, minha criança nunca desvia de uma ordem minha.

—E cadê ela?- Dave ergueu as mão, ironicamente- Acho bom rever seus conceitos, Carter.

—Roy?

—Senhor?- o homem apareceu na porta encontrando o semblante neutro de seu patrão contra o furioso de Karofsky.

—Quando Scorpius retorna de Miami?

—Era pra ser breve, senhor. Mas há três dias não tenho notícias dela.

—O que???- Carter levantou de sua poltrona luxuosa e bateu forte com a mãos contra sua mesa- Como minha mais perfeita criação some dessa forma e ninguém me comunica?!

—É que, senhor, achamos que por conta dos acontecimentos envolvendo Washington com os rastreamento das linhas de comunicação, eles ficariam um tempo apagados.

—Seu imbecil! Não lhe pago pra achar nada. Quero precisão dos fatos- o cientista então pegou uma arma na sua gaveta e atirou no homem a sua frente.

—Minha nossa, você está maluco? Quase me acerta- Karofsky reclamou, limpando os pingos de sangue que caíram em sua blusa fina.

—Odeio ter que sujar as mãos com esses imprestáveis. Isso sempre foi passatempo de Scorpius- guardou a arma e dessa vez pegou o rádio- Atenção, quero a localização de Scorpius o mais rápido possível. Quero também o nome de quem estava cuidado da proteção dela e autorizo a morte de todos. Dou um milhão pra quem trouxer a cabeça de quem está por trás disso.

—Pra que tudo isso? E por ela? Você realmente é um idiota, Carter- o forte sotaque russo e a prepotência exorbitante faziam Karofsky um homem intragável.

—Você tem uma filha, não é mesmo?

—Sim, Elizabeth. Por que?

—Eu também tenho. Mas a minha é especial. Ela não precisa de um coração pra viver, precisa de poder. Ela vai ser a nova ordem do mundo e eu... Serei um novo Deus e farei meu próprio mundo- olhou diabolicamente para Dave, que franziou o cenho. “Esse cara é louco" , pensou o russo- Vou varrer essa humanidade podre.

***

—Hey, fofinha!

—Hey, oi, linda. Como vai?- Kitty apareceu do meu lado, me abraçando forte.

—Bem, tendo que lidar com um marido teimoso, mas nada que umas seções de sexo pra amansar a fera- piscou para Nilo que sorriu pra esposa, depois fingiu aborrecimento. Eles formavam um maravilhoso casal mesmo, tão sincronizados- Vim ver como você estava. Há três dias não desce pra comer com a gente.

—Estou bem. Na medida do possível. Não quero sair de perto dela. Pretendo estar aqui quando ela voltar.

—Acredita mesmo nisso, não é?- Kitty lhe olhou penosa.

—Por favor, não me julgue nem critique, eu...

—Hey, hey... Está tudo bem. Eu não te julgo, muito menos quero te criticar, só me preocupo com você. Em se decepcionar se ela for aquela vaca sem coração que mandou o pobre ruivo para um sono sem data de acordar, não a nossa San.

—Há fortes indícios que ela podia estar sendo controlada pelo louco do Carter, papai logo confirmará isso quando o laudo das análises do organismo de Santana estiverem prontos. E...

—Tudo bem, querida. Eu sei- Kitty me envolveu num abraço extremamente carinhoso. Notei que ela olhara para o marido e o mesmo soltou um alto suspiro de dó, indignação. Eles podiam achar o que fosse, essa era a minha San e eu lutarei por ela- Precisa de alguma coisa? Tem que cuidar, lembre-se de que está...

—Não, obrigada... Eu me cuido, tranquilize-se- tentei enxugar meus olhos que teimavam agora a derramar lágrimas e mais lágrimas. Kitty foi até a gaveta e me entregou um pacote de lenços- Obrigada.

—De nada, querida. Vai dar tudo certo- maneei a cabeça positivamente e encolhi as pernas na cadeira como uma criança assustada, passando a chorar no silêncio de meus pensamentos enquanto fitava minha amada em seu sono tranquilo.

A noite logo nos alcançou. Kitty estava ao lado do marido na grande poltrona onde San, quando criança costumava deitar no colo do pai para ouvir suas histórias de guerra. A loira estava encolhida ao corpo de Nilo, que havia enfim rendido ao cansaço e dormia com um braço envolvendo protetoramente o corpo de sua jovem esposa. Não importava o que acontecesse, aqueles dois sempre estariam juntos, o que é lindo. Queria tanto poder estar agora assim com minha San.

—Sabe o que é engraçado, San?- apoiei os cotovelos na cama, para estar mais próxima dela e poder falar baixo, de forma que não acordasse o casal mais atrás dormindo- Eu prometi a mim mesma há alguns anos que nunca mais, em hipótese alguma, me deixaria depender de um amor por alguém novamente. Nunca mais. O que eu sofri com o David, toda humilhação e maus tratos, desrespeito, obsessão, me fizeram ver o amor como besteira que inventaram para enganar trouxas como eu naquela época. Mas não, eu me enganei mais uma vez. Aquilo nunca foi amor. Foi conformação pela pessoa que eu achava que era. A cadelinha sexual adestrada de David. Seu troféu, esposa perfeita, submissa às suas cachorragens- RI irônica- Meus olhos estavam fechados para a verdadeira luz do fim do túnel que é o amor. E sabe quem me fez ver isso dessa forma?

Toquei em seu peito, bem do lado esquerdo, enquanto fitava seus olhos fechados em seu descanso tão inocente quanto o de uma criança.

—Foi você, amor. Foi todo esse seu jeito encantador e muito torto de ver e fazer as coisas. Eu não sabia que a pessoa mais louca do mundo, mais torta e bagunçada seria minha válvula de escape para longe de meus demônios internos. Você me fez outra pessoa. Lutou por mim mesmo eu descartando você. Acreditou em mim quando ninguém mais acreditou. Me fez a mulher mais feliz do mundo no pouco tempo que estávamos juntas. Mais do que eu já fui numa vida inteira. E... — pausei. Lágrimas teimosas caíam em cascata de meu rosto já vermelho de tanto chorar hoje- E eu amo tanto você que não sei mais o quer fazer com tanta saudade, tanta falta de você por inteira. Dos seus carinhos, do seu jeito de me amar com toda ternura do mundo. E, Deus, não sei mais o que fazer com tantas duvidas. Se é você, não é, eles me azucrinam com com isso. Eu preciso de um sinal, amor. De que é você aqui, agora. De que está comigo. Por favor.

Me debrucei sobre ela, com cuidado, aplicando um beijo carinhoso e ao mesmo tempo desesperado em seus lábios tão deliciosos e agora salgados por minhas lágrimas dolorosas que eu sem querer deixei pingar sobre seu rosto.

—Desculpa, ta? Por tudo. Isso é culpa minha. É quis um tudo e agora não tenho nada. E você não pode me ajudar, né? Tudo bem. Eu amo você. Pra sempre- enxuguei minhas lágrimas de seu rosto, me despedindo. Precisava sair daqui, isso tudo estava me matando. Levantei rapidamente no intuito de sair dali, porém algo me fez parar. Alguém tinha me fisgado a mão. Eu congelei. Meu corpo inteiro tensionou. Olhei para trás e lá estava os olhos castanhos bem abertos me olhando sérios e questionadores. Meu mundo girou, ela parecia perdida. Percebi seus lábios moverem e balbuciarem: Quinn.

—Ah, meu Deus...Amor?- sai de meu congelamento instantâneo e toquei seu rosto- San, fala comigo de novo. Por favor- acariciei suas bochechas, sentando ao seu lado na cama. Ela parecia ter apagado novamente, o que muito me preocupou- Amor, sou eu, sua Quinn. Preciso que aperte minha mão novamente, por favor- segurei sua mão de modo que ela pudesse apertar com mais liberdade. Nada. Ela continuou inerte. Céus, aquilo não podia ter sido coisa da minha mente- Um aperto. O mais pequeno que for. Por favor, querida, me ajude- mais segundos se passavam e eu não tinha nenhuma resposta dela. Suspirei vencida e deitei ao seu lado, repousando a cabeça em seu ombro e abraçando sua cintura com um braço. Enfim resisti, o cansaço me vencera. Acabei usufruindo de seu sono.

***

—Não se mexa, senão atiro!

—Nilo, abaixo isso pelo amor de Deus!

—Me solta, Kitty. Se ela der mais um passo vou manchar esse tapete com os miolos dela.

—Nilo!- acabei despertando com aquela gritaria toda. Minha cabeça estava doendo, mas não foi isso que me alertou. Ao alisar meu lado, senti um vazio. San não estava ali, meu mundo se desintegrou. Abri os olhos rapidamente, me deparando com Nilo de arma em punho apontando para pouco mais a minhas costas. Kitty segurava sua mão com a arma, parecia tentar impedi-lo de atirar.

—Mas o que... — na tentativa de indagar algo, eu me virei pra direção que Nilo apontava todo nervoso. Meu queixo veio abaixo, senti o coração acelerar- San?- minha voz parece tê-la alertado. La estava a latina parada em frente a janela, de braços cruzados. Observava algo lá fora em um reflexivo que se mostrava inquietante. Mas mesmo assim não deixava de ser linda a luz do Sol- San...

—Não, Quinn. Não se aproxime dela. Não sabemos o que é isso.

—É ela, Nilo. Confie em mim- teimei e fui me aproximando aos poucos.

—Quinn...

—Danilo, chega!- Kitty tomou a arma do marido, zangada, ele gaguejou algumas palavras, mas acabou ficando em silêncio, apenas nos olhando. Eu estava mais próxima da latina. Menos de um metro me mantinha separada dela.

—Santana?- tornei a chamar, ela me olhou de canto e ficou assim por alguns segundos até voltar a olhar pela janela- Hey, sou eu. Quinn? Você se lembra de mim?- ela suspirou. Seus ombros se moveram... Tensos... Ela alisou o pescoço, estava agoniada. Céus, sera que aquela era Scorpius se roendo de ódio, planejando a minha morte.

—Esse lugar mudou- ela disse, nos assustando.

—Tudo culpa da guerra que vocês causaram- Nilo cuspiu, com ódio.

—A humanidade inteira é culpada das guerras que são iniciadas. Somos só mais uma ferramenta dela- respondeu em uma postura dura. Meu coração só murchava mais com a possibilidade daquele monstro da Scorpius tem retornado no corpo de San.

—Baboseira!

—A vida é cheia delas!- rebateu. Nilo bufou zangado, pedindo me baixo tom para que Kitty devolvesse sua arma- Por favor, não me olhe assim.

—Eu... Desculpe, é que...

—Você sabe que eu não gosto de ser encarada, Fabray... É bizarro!- ela fez careta, mas apesar de séria, corri até ela e lhe abracei forte pela cintura. Demorou alguns segundos para assimilar isso, não sei, mas só depois retribuiu o abraço e pude sentir seu carinho ali, apesar da frieza que andava demonstrando.

—Quinn, sai...

—Sou eu, Danilo. Estou de volta, pode acreditar. Não farei mal a vocês- funguei em seu pescoço, ela aplicou um beijo em minha cabeça- Shii, estou aqui, Q. Vou dar um basta nisso.

—Não acredito que seja você. Conseguiu nos enganar uma vez, como pode não enganar agora? Você pode provar isso?

—Não sei ela, Nilo, mas eu posso- papai entrou no quarto com uma maleta em mão- Após alguns testes que me tiraram dois dias de sono, descobri uma substancia alojada na parte neural, nos nervos, órgãos e tecido muscular de Santana. Nunca vi isso na minha vida, mas percebe-se que é uma droga forte e muito perigosa. Isso injetado em um ser humano normal, o faz explodir por dentro antes que tenha uma indigestão. Também usada pra controlar o temperamento de Santana, o que explica psicopatia e vontade de matar todo mundo- ele fez careta, anotando algo em um vidrinho. Eu estava em choque, pobre San- Que bom que já está acordada, querida Santana. Preciso de mais uma amostra do seu sangue, por gentileza. E por favor, não me agrida de novo- ela fez cara feia para meu pai, me soltando com cuidado e se aproximou dele. Papai pareceu assustado, então Santana repentinamente levou o braço até ele, que se assustou achando que ela o bateria, mas não, só deixou o meio do braço à mostra para que o cientista pudesse tirar um pouco de sangue- Seja bem vinda de volta.

—Queria dizer que é bom estar de volta. Isso tudo está uma bagunça.

—Você não tem ideia. Uuuu- papai fez uma gracinha e riu sozinho. Eu estava a janela, observando meu pai trabalhar em San, ela olhava para o nada, seu semblante preocupado. Nilo olhava para ela ainda incrédulo, saiu batendo a porta com força, deixando Kitty e a mim surpresas. San suspirou, recolheu o braço depois que papai terminou, então recebendo um abraço apertado de Kitty.

—Vá atrás dele, Kit. Vai precisar e muito de você agora. Só você.

—Tudo bem- Kitty acatou o pedido de San, correndo atrás do marido. Santana me encarou. Ficamos assim, nos olhando sem dizer nada. Como se tivessemos acabado de nos conhecer. Papai olhou dela pra mim e de mim pra ela, depois assobiou.

—Fiiiu, eu já vou indo. Se precisarem, estarei dando uma de cientista louco com essa nova amostra desse sangue maravilhoso que coagula mais rápido que um elétron se afastando do núcleo em um Salto Quântico- riu sozinho- Desculpa, piada nerd. Tchauzinho, crianças- acenou para nós e saiu. San e eu continuávamos nos encarando em nosso silêncio. Seus olhos pareciam tristes... Os meus desabavam em lágrimas de felicidade. Minha vontade era de gritar, pular, perder a voz de tanto comemorar por minha latina estar de volta. No entanto, seus olhos demonstravam algo mais. San estava com medo. Por mais que ela não admitisse, sim, ela estava com muito medo.

No início, minha intriga por Santana era por ela ser a única pessoa que eu não conseguia de fato ler. Seres humanos são livros sem um final definido... Que mudam meio e fim de sua história a cada minuto. Nos olhos, o trailer de filme no qual tal livro fora baseado. San era boa de esconder tais informações, mas agora está tão as claras que eu sinto que ela está de fato desesperada.

—Você...

—Shiii- San me calou com seus lábios nos meus. Os dedos findaram em meu maxilar, fazendo com que nossas bocas se unissem até se eu limite. Como um desejo e saudade tão forte que está palpável aos meus sentidos. Tais sentidos agora dormentes, pois Santana sempre me fora o perfeito sedativo para todo meu ser. Senti meu corpo ser lançado para trás... Encontrou a parede assim com suas mãos fortes e ágeis encontraram-me as coxas e me ergueram para mais acima, onde pude circundar a cintura de Santana com as pernas e me segurar ali, enquanto ela projetava seu quadril contra o meu e a boca querendo sugar toda a minha para si.

—San!- gemi ao sentí-la alcançar com a boca em meu pescoço e chupar a pele com uma fome descomunal. Senti o meio de minhas pernas molharem só com aquilo. Principalmente por suas mãos apalpando meus seios em uma pressão deveras excitante. Mordi os lábios... Puxei seu pescoço para que ela me beijasse, mas acabamos por nos olhar. Vi o céu naquele olhar escuro, acuado, perdido, cansaço... E percebi que, não é só o azul da imensidão celeste que é apaixonante. Um céu sombrio é bem mais interessante... E quente.

***

O que define a sua sobrevivência? A falta de apresso e pudor ao próximo?

—Matem todos que encontrar. Quero ela aqui, não importa quem morra para que isso aconteça- Carter ordenava do alto de seu grande palanque- O fim desse mundo sem graça está chegando. O que dará início a meu mundo revolucionário e puramente científico para a evolução da raça humana- olhou para o alto, erguendo um braço, fazendo um C com a mão- Eu serei um Deus!

Até onde a ganância pode te levar?

—Quem pagar mais leva essas belezinhas- David alisava as ogivas com um sorriso malicioso nos lábios- Vou ser o único cara de sorte quando isso tudo vir a baixo. Serei o mais poderoso... As mulheres cairão aos meus pés. Quem sabe assim Quinn não se arrepende e volta pra mim? Mas, se eu tiver que vender ela pra conseguir mais poder, bye bye Lucy Quinn. Não há vagina que me faça perder meu dinheiro. Haha- riu pra si e se jogou em sua piscina luxuosa, onde foi parar ao lado de duas loiras, que o abraçaram pela lateral- Olhem bem garotas... Eu sou o cara.

Em um ambiente como esse pode existir e resistir o amor?

—Hum!- Quinn gemeu enquando Santana subia com beijos demorados por seu abdômen, costelas, parou nos seios, chupando os mamilos até que ficassem em seu limite de rígidos, lambendo do vale até o pescoço, onde sugou a pele dali com prazer, escorregando para orelha da loira para assim sussurrar:

—Te quiero, Fabray- as duas se olharam. Labaredas de fogo foram se espalhando por seus corpos... O medo então fora esquecido. O desejo as consumia. Em um breve silêncio ouviu- os os corações pulsarem... A pequena seda de ar entre elas pareceu grande demais, Santana abriu mais as pernas da amada e se aconchegou ali. Suas umidades se encontraram... As duas sicronizaram gemidos. Quinn grudou as unhas afiadas nas costas morenas enquanto a outra se movimentava nela.

—Também te amo, San.

Pode algo tão bonito sobreviver a essa guerra?

—Eles virão atrás dela- Brittany alertou a Russel, que respirou fundo.

—Vocês já sabem o que significa. Que a força esteja ao nosso lado. Estamos no fim. Mas morreremos tentando com toda honra.

Ainda há esperança a essas pobres almas?

Ligadas pelo destino... A vida nunca foi tão mais alucinante em uma simples história de amor.

Notas finais
Gente , fiquei em duvida quanto o capitulo , mas espero que tenham gostado. Um grande beijo. Obs: vi que no nyah estamos em falta com fic Quinntana... Vocês querem que eu escreva outra? To com uma em andamento na minha geladeira de estorias. É de mistério. Um resumao pra vocês; Quinn retorna a Chicago, sua cidade natal depois de anos longe. Retornando como detetive, ela engole o tormento que viveu ali quando seus pais foram mortos na sua frente quando ainda era criança, e parte em uma missão ao lado da policia local para descobrir o autor de vários desapareciamentos na cidade. Para ela estar ali havia um motivo, as coisas tinham saido do controle. Porem nem ela, a renomada detetive Fabray, prodígio da lei consegue desvendar a obscuridade por trás dos crimes. Então assim eles chamam “x" , um detetive que ninguém sabe a identidade, nem gênero, idade, muito menos seu rosto. É conhecido por desvendar os casos dados como impossíveis., mas também por fazer tudo isso sem sequer aparecer para quem quer que seja. Um hacker com um QI imbatível, vai deixar Quinn de cabelo em pe, fazendo-a engolir o orgulho de dividir o caso e trabalhar em equipe, o que não é o seu forte. Nesse meio tempo ela conhece Santana, uma garota divertida, em um estilo alternativo, mas altamente sensual que mexe com a loira desde a primeira vez que conhecem na parada de ônibus quando Quinn chega na cidade. Santana lhe cede seu casaco para que ela não se molhar na chuva e apesar da loira aparentar frieza, com o tempo passa a gostar da morena e querer protege-la do novo perigo nacional. A latina é a única que consegue arrancar o lado humano da loira. E tenta nao se meter no meio profissional dela, só quer mantê- lá tranquila, pois se desmonstra ter sentimentos fortes por ela. Muitos mistérios rondam essa fic... O mistério de “x mais ainda". Quem é “x" ? E o grande serial killer, sera capturado pela nova equipe montada para Quinn e o detetive misterioso? Quinn e Santana conseguirao manter Um relacionamento nesse meio perigoso? Se vocês gostaram, eu logo estarei postando um cap. Mas quero que comentem aqui o que acharam desse resumão de mais ou menos como vai ser. Posso dizer com certeza que ta melhor Q isso kkk vamos lá, comentem ai e me ajudem. Que ficar com vergonha, só comenta "X" que eu vou saber que gostou. BJ e muito obrigada.