Ligadas pelo destino
46 Amor... Viral!
Notas iniciais
Quando o tempo de repente para em seu próprio universo, aquele que te constrói e comanda a suas marés de emoções internamente, todo o mundo exterior parece despencar por seus ombros e você, mesmo sem mais forças para manter-se em pé, ainda tenta apará-lo e aguentar ali, até o fim, porém logo percebe que nada mais se pode fazer quando nem você mesmo acredita mais em sua força.
Santana observava a maré batendo em enormes pedras abaixo de seus pés, em grandes metros de uma queda mortal, onde uma brisa maravilhosamente refrescante poderia ninar seu corpo antes do impacto contra as pedras cobertas de musgo e pequenas partículas vivas aquáticas.
Ela pensava, destilava lembranças e pesares, as formas e meios que a fizeram estar naquele lugar, naquela posição, daquela maneira tão deplorável onde tinha suas vestes com alguns rasgos, sujeira e sangue, bastante sangue, que não só saiam de suas próprias feridas (ela tinha muitas... Pelo rosto, peito, abdômen, braços e na própria consciência), mas também das dos homens que havia ceifado a vida há não muito tempo.
Atrás de si, um cenário de destruição estava formado. Carros em chamas, cabanas destruídas ou também imersas em fogo, corpos espalhados por cada pedaço do imenso terreno, barris explodindo por ainda possuírem combustível e, ali mesmo abaixo da latina, um carro evidentemente luxuoso parcialmente danificado, agora ia afundando de segundos e segundos na imensidão das águas azuis convidativas do senhor mar. E por fim tinha ela, Santana. A latina tinha um olhar perdido para as águas, como se estivesse em transe, com uma das mãos estendidas para a enorme queda enquanto observava o sangue de um ferimento, que aparentava ser profundo, na palma de sua mão, ir pingando aos poucos até se perder no ar. Nos olhos castanhos escuros, gotículas de lágrimas molhavam seu olhar, triste, contrito, querendo que tudo aquilo logo tivesse seu fim, como em um telão, seu tormento era retratado.
E foi assim, nesse evidente sofrimento interno, que ela, Santana Lopez, deu um passo grande até mais perto do ponto de queda da barreira, e logo mais outro. Quando mais próxima, inclinou o corpo e esperou a brisa ir aos poucos lhe tomando para enfim se jogar naquele grande azul que lhe chamava agora.
***
Horas antes:
—Essa foi a última, senhor!
—OK, soldado. Juntem todas e levem para um local de segurança, por favor- Russel ordenou pelo rádio, observando pela janela da cozinha muitos soldados em um trabalho árduo de localizar e capturar o restante das bombas que implantaram pelo terreno, que agora, felizmente, já estavam desativadas e a retirada foi rápida para que não houvesse chances de Carter reativá-las de qualquer lugar que fosse.
—O senhor prefere que as detone no mar?
—Negativo... Disperse o sinal primário e passe um comando de detonação para mim e fique com outro.
—Mas senhor...
—Continue com a missão, soldado. Liu já foi instruído. Copia?
—Positivo. Já estamos de retirada. Coordenadas de destino dos explosivos já estão traçadas. Programação de chegada: 15:45. Equipe Tática acionada para a guarda do caminhão com os explosivos. Liberar saída do forte. Preciso de duas equipes na frente. Câmbio.
—Equipes autorizadas. Comandos às suas mãos, Sahory.
—Copia. Unidades de choque, forte de quatro apoios... — Russel desligou o rádio e suspirou. Brittany chegou a tempo de presenciar essa parte do comandante, do qual nunca viu exportar nenhum tipo de cansaço antes.
—Dia cheio?
—Dias difíceis, senhorita. Acabaram de sair daqui com os explosivos.
—Seguiram com o protocolo da reunião anterior?
—Sim, agora é só torcer para que consigam o desejado. Muitos ficaram receosos quanto o combinado, mas resolveram confiar em nós. Deus, tenho fé naqueles homens.
—São nossa única chance, levando em conta as baixas que tivemos nos últimos dias- a loira sentou-se a mesa, Russel a serviu uma xícara de café- Obrigada.
—Disponha. Seus homens estão operantes?
—Mandei toda minha equipe para a barreira. Precisamos de quantos homens tivermos para garantir nossa segurança aqui- foi construída uma enorme barreira metálica envolta da casa dos Lopez. Tudo o que podia ser vedado, foi. Muitos homens estavam espalhados por sua extensão, devidamente armados só a espera do pior querer entrar por ali. Eles estavam cientes de que a chance dos bandidos de Carter passarem por todo o forte de soldados era muito alta, porque estavam em maior quantidade e possuíam armas mais avançadas, no entanto, morreriam lutando por suas vidas e sua missão- Falando em segurança, tem notícias do brinquedinho do mal escondido com sua filha?
—Ela já despertou.
—Então?- os olhos azuis não escondiam a curiosidade- Quem habita aquele corpo agora?
—Quinn, talvez- falou rindo, deixando Brittany confusa- Vamos aos negócios?
***
~QUINN~
Como eu sentia falta daquelas sensações... De realmente fazer amor dessa maneira tão envolvente, cheia de sentimentos e afins, que de tão intensa faz meu corpo se elevar ao ápice do prazer, da tranquilidade... Deus, assim me sinto tão mais humana.
Seu corpo estava colado ao meu... Suado, deslizante e quente... Abracei seu pescoço enquanto ela usava de dois dedos para se afundar a minha intimidade. Eu gemia... Forte... Fungava muito, mordendo seu ombro sem me importar com a marca que ficaria, no intuito de abafar gritos de prazer que poderiam ser escutados a vários metros daqui. Ou Santana estava mais forte, a julgar também pelos músculos visivelmente marcados que ela antes não apresentava e agora estava repleta deles, apesar de já ter um corpo bonito e forte, ou eu estava muito necessitada de sexo e sensível demais. Cada toque dela era como um orgasmo múltiplo atingindo meu corpo.
Ela tinha seus olhos em mim... O tempo todo. Como se, a qualquer piscada sua, eu desapareceria. Seu olhar aparentava estar mais forte... As orbes mais escuras e firmes, porém tinha aquele raio de receio que rasgava por sua alma e transpassava ali, como em uma TV, um reflexo... Os olhos são o espelho da alma e a de Santana parecia apavorada.
—O que você tanto me olha dai, hum?- questionei, em um tom apaziguador. San só continuou a me encarar, nada proferiu. Eu suspirei, tentando por mais impossível que fosse, adivinhar seus pensamentos atormentadores.
—Não faça isso- ela disse do nada, o que acabou por me assustar.
—O que, amor?- Santana cerrou o maxilar, aumentando as estocadas em meu interno, e assim nada mais falou- Amor, você precisa falar comigo. Não posso lhe ajudar se não confia em mim para se abrir e... Ah!- ela tirou os dedos de mim de supetão e agarrou minha cintura, puxando-me para cima, para rodear sua cintura com as pernas e assim sentar em seu colo. Nossos ventres se tocaram... Senti o interno pulsar forte. Agora, de olhares pareados, nos fitamos por infinitos instantes. Passei as pontas dos dedos por sua bochecha, mas ela nada esboçou, apenas tinha o olhar triste grudado em mim- O que fizeram com você, meu amor?
—Não sei o que sou agora- foi só o que ela disse, o que soou mais como um choramingo para mim. San rodeou seus braços em mim, em um abraço tão apertado que me faltou o ar. Sentia que ela tremia... Muito. O corpo estava cada vez mais quente, sua respiração desregular.
—San? Hey... Você está bem?- acariciei suas costas, ela quebrou nosso abraço e tomou-me a boca em um beijo quente. Beijava-me sem pudor algum, e, apesar de eu estar muito confusa com seu modo de agir, não tinha como não retribuir. Senti tanta falta daquela boca na minha que poderia adoecer.
Sua língua amaciou a minha... Ia e voltava... Gostoso. Nossa, nunca um beijo nosso foi tão devasso dessa forma, mas tão cheio de sentimentos embaralhados. Ela então escorregou os lábios por meu queixo e retornou o caminho com a língua, mordendo-me o lábio inferior e o puxando até eu sentir uma leve dor no local. Acho que sangrou. Mas isso não me importava. Levei os dedos até os lábios carnudos de Santana e os acariciei, como se desenhasse cada contorno seu, em um transe de encanto pela beleza daquela mulher. Ela se inclinou para me tomar mais um beijo, porém dessa vez eu não deixei que ele se findassem. Segurei seu maxilar e virei sua cabeça para o lado, afim de desviar para seu pescoço e deixar chupadas longas e fortes ali, como se tivesse marcando meu território- O que não estava tão longe da verdade- e ao menos tempo demonstrar que ela era sim muito desejada.
Seus dedos então pousaram em minhas costelas... Eu soltei o ar forte entredentes, pois Santana acabara de fincar suas unhas afiadas ali. Com certeza iria ficar marcado. Céus! Ela foi descendo os dedos, agora sem usar unhas, só a pontinha de cada um, até minha barriga e por fim, parou no ventre, pousando a palma das duas mãos ali. Santana se afastou bruscamente de mim e me olhou assustada. Desceu seu olhar até minha barriga e ficou por fitá-la como se estudasse algo, também percebi que ela esticava de alguma forma a audição pra mesma direção que olhava. Meu coração acelerou.
—S-San?- chamei-a por fim, sentindo algo dentro de mim acordar, não sei explicar ao certo, mas me senti quente por dentro. A latina acariciou algumas vezes minha barriga com os polegares e franziu o cenho, como se estivesse intrigada.
—Você está diferente. Seu corpo.
—Você esteve um bom tempo longe, amor... As pessoas mudam- dei como desculpa, sentindo meu estômago efervescer por nervosismo. Em meu interno algo gritava: Vai, Quinn... Conte a ela sobre o bebê. Esse é o momento.
—Não é isso. O que você fez?
—Não estou entendo onde você quer chegar- o cenho de Santana se franzia, formando um semblante de grande questionamento e intriga.
“Vamos, fale agora!”.
—Você... Ah!- ela soltou um gritinho repentino, segurando as laterais da cabeça. Sai rapidamente de seu colo... Ela deitou na cama e respirava desregular.
—Amor? O que sente?- me ajoelhei a seu lado e tentei acariciar seu rosto, querendo ajudá-la, porém ela parou minha mão e fechou os olhos com força.
—Chame Russel!
—San...
—Chame! Uhh- ela quase rosnou ali, o que me assustou. Vesti um roupão qualquer que estava sobre uma cadeira e corri até meu pai, que se surpreendeu com minha chegada repentina ali, na cozinha onde ele aparentava estar tendo uma conversa muito séria com a agente Pierce- Papai!
—Lucy? O que foi, querida? Hey, respire devagar e me conte o que aconteceu- ela me acolheu nos braços e acariciou-me os cabelos. Esperei alguns instantes para me acalmar o mínimo que fosse, pois além de estar nervosa, eu chorava ao ponto de soluçar- Shii, vamos, acalme-se.
Papai está aqui com você, agora. Fale... O que aconteceu?
—A San, papai. Ela não está bem. Me pediu para vir chamá-lo... Ela praticamente me expulsou de lá.
—Ok, eu vou agora lá examiná-la. Vai ficar tudo bem- papai me deixou um beijo casto na testa e soltou-me em seguida.
—Espera, eu vou com você.
—Acho melhor que fique aqui, filha. Não sei da gravidade do que se passa em Santana agora, ela foi muito afetada com isso tudo. Não devemos assustá-la agora.
—Tudo bem- concordei, passando a mão no rosto, enxugando as lágrimas que não paravam de cair. Estava com medo pelo o que havia provocado aquilo em Santana e mais ainda da reação dela ao tocar em minha barriga. Poderia ela ter descoberto da minha gravidez? Mas não pode... Como ela poderia saber?
—O que a mocinha aprontou agora, hein?- Brittany quebrou o silêncio, em um tom jocoso. Me virei para ela, que estava sentada com uma xícara de café na mão, o qual a mesma repousou sobre a mesa e escorou os cotovelos ali também, entrelaçando os dedos das mãos. Me encarou como se me avaliasse, erguendo uma sobrancelha- Será que você não cansa de arruinar as coisas para os outros corrigir?
—Não sei do que você está falando.
—Ah, sabe sim. E uma hora ou outra todos também vão se dar conta disso- levantou-se e rodeou a mesa até mim, parando com o rosto bem próximo ao meu, ao ponto de que eu sentisse seu hálito morno de café- Você, Quinn Fabray, é a porra do motivo por isso tudo estar essa bagunça dos infernos. É além de tudo um ser humano muito falso e mesquinho, que sabe muito bem brincar com a mente de qualquer um, pra se fazer passar de coitadinha. E se aquela, cujas feições e mente que ainda esperamos ser realmente de Santana, for ela... Espero realmente que ela se dê conta na cobra que escolheu se acolher.
—E o que você ganha me dizendo isso tudo? Paz de espírito? O amor de Santana?- apesar de estar triste e assustada, eu encarei aquela loira exibida à altura- Pois saiba, senhorita, que nada que você disser ou achar vai mudar o que Santana sente por mim. Nada. E mesmo se ela não ficar comigo... Você nunca vai poder recriar o que tivemos. Então, guarde seus conceitos sem precedentes sobre mim para si mesma ou pra quem se importe, porque eu estou pouco me fodendo para você.
—Que bonitinho... A moça educada está mostrando finalmente as garras e falando palavrão- sorriu de escárnio.
—Ah sim, e você não vai gostar da sensação de ter essas garras cravadas nessa sua carinha de anjo- mostrei as mãos a ela e sorri da mesma forma, em modo de afronta.
—Não tenho medo de você. Nunca tive medo de mulher nenhuma, quem dirá de uma do seu tipo.
—Aposto que MEU tipo é bem melhor que o seu- ela cruzou os braços, eu apoiei minhas mãos à cintura sem quebrar o olhar do dela. Se alguém entrasse aqui, nesse momento, acharia que estávamos nos preparando para matar uma a outra, o que não estaria tão longe da realidade.
—Por acaso está me desafiando?
—Entenda como quiser. Eu estou cansada disso tudo... De você e sua prepotência mais ainda. E da inveja que eu sei que sente por mim.
—Ah, garota, você tem sorte de estarmos enfrentando em conjunto o mesmo mal. Caso contrário, estaríamos tendo essa conversa de outra forma- me fuzilou com olhar, rolei os olhos para sua ameaça. Eu não tinha medo dela, se era o que achava.
—É só marcar- dei as costas para ela e saí para a sala no intuito de me tranqüilizar por lá, pois com aquela mulher eu só me enervaria ainda mais.
—Vadia!- ouvi que ela proferiu, mas não dei razão e continuei meu caminho.
***
~Conversa por rádio~
—Base para comboio... Alguém na escuta?
—Comboio para base, tenente Sahory falando.
—Situação da missão, Tenente.
—Tudo tranquilo até agora, senhor. Carregamento em segurança, todos os Rangers operantes.
—Nos dê sua localização... Não estamos tendo a leitura certa de sua posição nos radares da base.
—Deve estar havendo trepidação nas linhas de rastreamento. A nossa entrou em oscilação tem duas horas. Estamos tentando lhes enviar a localização, no entanto,também não conseguimos conectar com o radar- o tenente deu algumas batidinhas no visor de seu veículo que continha o radar e as coordenadas dadas por Russel, que tinham por desordem agora.
—Mandaremos suporte aéreo para auxiliá-los enquanto ligo vocês com outro satélite. Não podemos ficar sem comunicação e estou receando que o erro no sistema está se dando por conta de algum dispositivo oculto nos explosivos que não conseguimos de fato parar o acionamento. Se isso for confirmado, a missão muda para grau 9. Tomem cuidado.
—Ok, aguardamos. Enquanto isso, ficaremos nos dirigindo ao Sul. Copia?
—Positivo. Base, desliga.
Sahory soltou o ar dos pulmões de forma demorada. Sabia que, com aquela informação da base sobre os detonadores, a situação poderia piorar. Grau 9 era o tipo de missão que nenhum daqueles soldados gostariam de receber. O tenente então levou a mão até a lateral de seu capacete e apertou um pequeno botão vermelho que acionava seu comunicador ligado aos do restante do comboio ali formado.
—Ranger Alpha para os outros carros, alguém copia?
—Ranger I copia, senhor!- depois disso, todos os rangers restantes confirmaram. Eram cinco veículos nomeados como Rangers, contando com o caminhão que carregava os explosivos altamente perigosos, o Ranger Alpha, pilotado por Sahory Hondjakoff, líder da missão- A base fez contato. A missão foi mudada. Grau 9 agora,ativar modo defensivo. Copia?
—Sim, senhor.
—Qual a situação da missão, senhor?- Ranger I solicitou.
—Segundo a base, algum dos explosivos pode estar com dispositivos de rastreamento, também assim usado para bagunçar nosso sistema de navegação.
—Vamos redobrar a atenção, senhor.
—Positivo, Ranger IV- Sahory suspirou. Rezou no silêncio para que nada ali lhes acontecesse. Um pedaço de madeira solto na estrada os fizeram ter que realizar uma manobra para ultrapassar e continuar com a formação-Muito bem, homens!Bela manobra- Sahory os parabenizou, sorrindo agora agradado pelo resultado. Tinha orgulho de seus homens, os quais comemoram com entusiasmo pelo rádio.
—É por essa adrenalina que adoro o meu trabalho... Só não ganha a sensação de um bom sexo- o piloto do Ranger IV, Ron, brincou, fazendo seus companheiros rirem.
—Ron pensa muito nisso ultimamente- completou Fausto, co-piloto do Ranger II.
—Não se tem coisa melhor para pensar, Fausto. Principalmente porque, além do tempo pra si que ninguém naquela base tem mais, estamos sem muitas mulheres disponíveis lá e, uma bela porção das que tem, gostam do mesmo que a gente.
—Tente o mesmo... Você daria um belo traveco- todos gargalharam, até mesmo o líder do grupo. Eram poucos os momentos de brincadeiras assim desde o detestável momento que Carter e Karofsky entraram em suas vidas.
—Ah, vá se ferrar, Fausto!- mais gargalhadas foram ouvidas, até que o Ranger III entrou na conexão. Só que esse estava muito longe de querer entrar na brincadeira dos demais companheiros.
—Atenção, Rangers, assinatura de calor um quilômetro à frente.
—Meu sistema não acusou nada, soldado. Tem certeza desse fato? Não é apenas algum veículo equipado com grande quantidade de alguma substância luminosa que acionou o seu sistema?
—Não, senhor. O sistema do Ranger III também não acusou. Foi do meu aparelho portátil que capta assinatura de materiais radioativos- Sahory fechou o semblante e algo apitou em seu consciente- Está a quinhentos metros agora, senhor.
—Ranger Alpha solicitando mudança de formação original para posição Seta. Rangers, copiam? — todos os pilotos seguraram firmemente cada volante enquanto os co-pilotos redirecionavam os comandos em cada painel. Todos confirmaram o chamado- Ao que tudo indica, seremos atacados daqui a poucos segundos. Se mantenham firme na posição de vocês. Vamos juntos nessa... Como sempre foi. Proteger o que ama...
—E morrer pelo o que importa!- os outros Rangers completaram, se preparando para a ordem de seu líder.
—Modo Seta ativado em 5 segundos e contando. 5...4...3... – o co-piloto do Ranger III acompanhava o objeto cada vez mais próximo do comboio por seu radar e chegava a suar de medo pelo o que viria-2... 1. Agora, Rangers.
Um grande barulho incomodante de freadas de pneus fazia eco pelo grande paredão de pedras que agora eles passavam por debaixo. Cada veículo, todos bem equipados e pesados o bastante para aguentar grandes armamentos, um por um foi tomando outra posição. Havia alguns carros civis por perto e estes foram afastados com segurança por um dos carros de apoio, o Ranger V. Sahory no Ranger Alpha se colocou no centro da formação, pedindo a seu co-piloto que ativasse o resfriamento dos motores.
—Quanto tempo pra colisão, Ranger III?
—20 segundos, senhor.
—OK, ativar agora escudo Seta- cada co-piloto de cada carro acionou a armadura que revestiu o cerco de veículos para o Ranger Alpha com os explosivos. Eram chapas de aço revestido com fibra de carbono que poderiam suportar armamentos dos mais hostis.
—Cinco segundos, senhor- o co-piloto do Ranger III alertou e todos puderam ver um caça militar com mísseis apontados para o comboio surgir poucos metros mais a frente— Eles vão atirar.
—Protejam-se todos- Sahory gritou, apertando as mãos ao seu volante. O primeiro míssel foi lançado quebrando boa parte da barreira. Dois dos Rangers foram mandados para longe- O quê? Nossa barreira era quase inviolável!
—Senhor, não consigo controlar o Ranger IV. Está queimando tudo por dentro... Eu... — a ligação com Ranger IV foi quebrada e de repente ele explodiu, bem ao lado do carro de Sahory, que ficou em choque, vendo dois de seus amigos mais antigos serem consumidos pelas chamas.
—Ranger Alpha para a base... Base responda- ele chamou por rádio, não obtendo resultado imediato- Base, responda. Estamos em ataque. Três de nossos carros foram abatidos- continuou enquanto via os dois últimos carros de apoio passarem a sua frente, desferindo tiros de lança granadas na tentativa de parar o caça, que começou a atirar de volta. Alguns carros que transitavam foram atingidos e derrapavam pela pista. Sahory desviava de todos, torcendo para que não houvesse nenhuma criança dentro dos veículos.
—Base para Ranger Alpha, qual sua situação?
—Graças a Deus!-o tenente se aliviou- Um caça não identificado está no atacando. Três carros já foram abatidos. Cadê o suporte aéreo que nos foi prometido, em nome de Deus?- Sahory agora desviava de mais um carro que ia a sua direção e, esse, foi certeiro na lateral de seu veículo, causando grande impacto, porém com danos pequenos.
—Os helicópteros já foram enviados, Ranger Alpha. Já deviam estar aí.
—Mas não estão— o tenente decidiu mudar de curso e entrou por uma estrada de terra. O último dos Rangers auxiliares vinha mais atrás, ainda mantendo sua guarda contra o caça que agora atirava sem pudor algum contra os soldados, atingindo as costelas do atirador do último Ranger, que, mesmo ferido, não deixava sua posição e continuava na tentativa de parar o caça com as balas de grossos calibres especiais para aeronaves. O caça então esqueceu o carro menor e adiantou o caminho para ficar de frente ao Ranger Alpha. Sahory respirou fundo e olhou para o que seria sua saída dali. Bom, pelo menos seria a de seus companheiros que ele subjulgou que perderiam mais que ele se aquela missão continuasse- Abortar missão, Rangers.
—Mas senhor... Vamos nessa juntos até o fim.
—Não, Harris, essa missão acabou para vocês. Agora, abortar- Sahory olhou para seu co-piloto que gesticulou com a cabeça para que seu líder fosse em frente. Ele acelerou e subiu o morro mais alto que pode. Furton, seu parceiro, então acionou as defesas do veículo, que passou a disparar contra o caça, e, este, parou na ponta do morro, esperando o momento certo para abater o veículo que levava os explosivos, usando de um escudo magnético para se safar do ataque do mesmo- Vocês são meus, seus imbecis- O Ranger Alpha então saltou sobre o caça até ficar mais ou menos pela sua metade. Furton ativou os imãs nas rodas fazendo assim o veículo ficar preso a aeronave. Sahory olhou para baixo e sorriu, acendendo um cigarro enquanto seu co-piloto usava as coordenadas para ativar os explosivos que eles continham no Ranger- Nos vemos no inferno, seus russos nojentos.
Uma enorme explosão tomou aquelas colinas. O caça se partiu em vários pedaços e pegou fogo no alto, entrando em parafuso até cair numa enorme fenda de pedras. O Ranger restante freou, sentindo o baque da explosão.
***
—O comboio foi destruído- um dos operadores de sistema de Carter avisou a todos, que explodiram em comemorações. O cientista estava mais atrás, sentado em sua poltrona de couro cara, com um sorrisinho vitorioso nos lábios.
—E esse é só o começo.
***
~QUINN~
Ainda estava aqui eu, nessa angustia por mínimas que fossem as respostas sobre Santana, quando Alec veio até mim, ainda na sala de estar, onde meu amigo enfermeiro apareceu visivelmente transtornado.
—Alec...
—Onde está Russel, Quinn?- sequer deixou que eu terminasse a pergunta.
—Lá em cima, cuidando da San. O que aconteceu? Você está pálido.
—Venha comigo, Q- eu o segui, ainda confusa, tomando um grande susto pelo o que eu vi em seguida.
—Meu Deus!- levei à mão a boca após ver o vídeo capturado de um dos carros dos Rangers que havia se salvado e nos enviou logo que nossa conexão havia sido estabelecida. As cenas eram perturbadoras- Onde está Sahory?
—Se explodiu junto a carga que levava para salvar os demais do caça que os estava atacando.
—Céus, ele era um bom homem. Avise para sua família, OK?- pedi a um dos soldados que acatou o pedido no mesmo instante- Meu pai vai surtar. Sahory é seu melhor amigo.
—Era do meu pai também- Luc se entristeceu ao falar. Pus a mão em seu ombro, em um gesto amigo.
—Espera- notei algo e cliquei em um bloco com anotações do operador que conversou com Sahory pelo rádio- Aqui diz que foi enviado uma unidade aérea para reforçar o comboio.
—Sim, foi. De fato.
—Essa unidade não está no sistema de abatidos e muito menos de sobreviventes.
—O que?- ele correu até o monitor e analisou comigo- Calma, ela está aqui- apontou para os dados do helicóptero enviado aos Rangers, onde dizia: Rangers (apoio). Também continha latitude e longitude, quilometragem, horas e componentes da aeronave- Impossível! Esses dados estão errados.
—Mandaram eles para outro lugar. Tem um impostor aqui dentro- deduzi e rapidamente chamei a atenção dos soldados que estavam com a gente na sala- Alguém aqui que comandava esse exato computador está agindo por intermédio de Carter- apontei para o computador que já não apresentava os dados de quem o operava- Encontrem-no o quanto antes. Sejam sigilosos. Ele pode se assustar e fugir.
—Sim, senhorita Fabray. Vamos homens- os observei correr porta fora, recolhendo suas armas e alertando aos outros soldados pelo rádio por meio de códigos.
—Luc- disse antes que ele saísse para ajudar nas buscas- Cuide para que os sobreviventes do Ranger tenham bons cuidados médicos e que o helicóptero de apoio seja localizado. Quero relatórios o quanto antes. Mande uma unidade para ver o que se pode reaproveitar do veículo restante. Todo e qualquer recurso não pode ser desperdiçado agora.
—Tudo bem, Q. Providenciarei isso para agora. Com licença- ele saiu. Brittany tomou seu lugar e se pôs ao meu lado.
—O que houve aqui?- ela perguntou, notando a correria.
—Nada que eu não possa resolver- soltou uma risadinha de deboche.
—Ok- respirei fundo e fingi que não entendi a ironia. Meu pai passou como um raio pela porta e veio até mim. Pelo jeito ele já havia recebido a notícia. Juntou-se a alguns de seus homens e foram discutir sobre nossa atual situação agora.
—Hey, você, o que tanto espia aí?- a agente Pierce disse para alguém que estava a porta e logo percebi que se tratava de Santana- Entre aqui e me deixe te ver- minha latina entrou calmamente, mostrando a todos ali seu semblante cansado e amuado, trajando uma calça totalmente azul de pijama e uma blusa de mangas compridas na cor branca. Vestida dessa forma aparentava mais ainda um ser humano assustado e retraído. Pobre San.
—O que você faz aqui, Britt?- pareceu muito surpresa ao ver a loira inconveniente ali.
—San... Hey! Que bom que voltou- as duas se encararam de um modo que me incomodou, notei sentimentos ali, apesar de Santana ainda mostrar hesitação em tudo que lhe olhava- Bom, eu pelo menos espero que seja a Santana que conheci na faculdade... A doce e atrapalhada Santana Lopez.
—Sim, sou eu- ela então confirmou com um aceno de cabeça para a pergunta da agente, que sequer pediu permissão da outra de ir lá e lhe abraçar.
—Não sabe o quanto eu senti sua falta, sua cretina. Por que nos assustar dessa forma?
—Não culpe a mim... Não sabia que se eu fosse ter um alter ego algum dia, ele fosse encarnar logo o Darth Vaden- brincou, quase murmurando como se estivesse guardando as forças. Eu cruzei os braços e trinquei o maxilar, desgostosa com aquela cena em que a loira estava abraçada fortemente a minha namorada enquanto acariciava-lhe os cabelos e por fim as costas. Mas o pior era que Santana retribuía ao carinho.
—Não faz mais isso.
—Se prepare para mais... Sempre tem a porra de um mais- sorriu, com amargura, tirando a loira de si- Agora me explica, o que você faz aqui, Britt? Como veio parar aqui?
—Bom, eu... Olha, será que podemos falar sobre isso depois que tudo acabar? Seria mais confortável para você.
—Ah... Se fosse algo meu você nem se importaria em esperar ela estar melhor, não é, agente especial Pierce?- ironizei, entrando na conversa sem me importar de estar sendo mal educada, primeira vez em toda minha vida que faço isso. Péssima hora para meus hormônios de grávida se aflorarem- Ela é uma agente disfarçada da CIA que foi designada unicamente para investigar você e mediante sua natureza descoberta, capturar também. É por isso que ela está aqui, amor. E se Carter não tivesse plantado explosivos por todo terreno e ninguém pudesse sair daqui, ela e seus homens nos teriam levado presos- Brittany me olhou como se pudesse me esmagar com isso, por ter revelado assim para San. Não vou deixar que ela saia de boa dama dessa. Me crucifica tanto como se fosse melhor do que eu. Nunca enfrente uma grávida com ciúmes.
—Isso é verdade?- Santana parecia pasma.
—Sim- ela revelou, suspirando como se aquilo fosse algo ruim.
—Então foi por isso que se aproximou de mim na faculdade?- a morena cruzou os braços, com um olhar totalmente questionador para a loira, que nesse momento parecia ter encolhido todo seu dicionário de superioridade. Esbocei um sorrisinho vitorioso.
—Foi, mas eu juro que não foi por maldade. Fiz tudo por conta do meu trabalho.
—Não acredito que você fez isso comigo também.
—Pois é, ela fez- confirmei, destilando o veneno como ela sempre faz comigo.
—Falou a santa que além de ter enfiado a Santana em tudo isso, ainda mantém um caso com o irmão mais novo dela.
—Espera... Como é?- Santana questionou, surpresa- Isso é verdade, Quinn?
—Claro que não, San. De onde você tirou isso, sua louca?- a loira deu de ombros. Eu estava pasma com a acusação.
—Qualquer um aqui sabe, só perguntar. Eu fiz tudo para proteger pessoas, e é o que faço há anos e morrerei fazendo. Diferente de você, Fabray, que só piora tudo e entra um jeito de sair de boa moça- apontou para mim, com deboche- Você entende meus motivos, não é, San? Fiz isso para proteger as pessoas.
—Entendo, sim. Entendo muito- por alguns segundos a loira sorriu, esperançosa, porém este gesto fora logo cortado com as palavras seguintes de Santana, que a olhou de uma maneira desaprovadora e decepcionada- Entendo muito bem que não se deve mesmo confiar nas pessoas. Nem mesmo as que aparentam ser verdadeiras e que realmente se importam com você, quando ninguém se importa- Santana mordeu a ponta do lábio, como se segurasse- Não esperava isso de você.
—San...
—Me deixe- Santana desviou da mão que Brittany levou para seu braço, chegando próxima de mim, que estendi a minha para que ela pegasse e eu pudesse acolhê-la, com um sorriso de puro carinho- Isso serve para você também.
—Como é?!- indaguei, incrédula- Você não levou a sério o que ela disse, não é?
—Vocês me ouviram... Mas que merda! O que aconteceria se eu passasse mais tempo longe? A vaca, prima da Rachel, viraria streeper e mudaria o nome para Beyoncé?- nos lançou um olhar de pura mágoa- Você servindo café, está escondendo algo de mim também? Aqui todo mundo está. Esse café é de verdade ou é alguma coisa disfarçada de café? É todynho?- o rapaz que servia o café ficou confuso, sem saber o que dizer perante a revolta de Santana, que deu com a mão em uma mesa e derrubou um monte de papéis e saiu da sala- Ninguém me segue!- fiquei boqueaberta sem sequer reagir a nada.
—É, loira, achou que ia se sair bem dessa- Brittany se pôs ao meu lado e ambas ficamos por olhar Santana, cada uma com um semblante de frustração pior que o outro- Nem eu, nem você.
—Culpa de quem, será? Eu nunca traí a San com o irmão dela, só para você saber.
—Conta outra, eu sempre notei vocês dois de conversinhas e abraços carinhosos pelos cantos. Só Deus sabe o que faziam pelas costas de todos e pela a da própria Santana, do qual você gritava aos quatro cantos desse lugar que amaria para sempre.
—Sua hipócrita!- ficamos cara a cara, cheguei a levantar a mão para fazê-la engolir aquelas palavras com uma bela esbofeteada
—Vai, loira. Pode tentar. Prometo que vai se arrepender se for em frente com essa mão pra mim- Brittany me desafiou, trinquei o maxilar, decidida a continuar, porém a voz de meu pai nos repreendendo, me fez cessar.
—Vocês duas. Comigo... Lá fora- ele apontou para fora e ambas seguimos para lá, de cara amarrada- Espero que as duas parem com essa rixa adolescente daqui pra frente e dêem-se em conta do que estamos passando agora. Isso aqui não é uma brincadeira, nem o colegial onde se compete para saber quem fica com o galã, ou no caso, a “gostosa’’ no final. Cresçam, por favor. Nosso inimigo é outro.
—Desculpa, papai, mas ela sempre...
—Não quero saber, Lucy Quinn Fabray. Eu não esperava isso vindo de você- ouvi Brittany rir mais atrás- Tampouco de você, agente Pierce. Achava que fosse uma profissional séria em que eu pudesse contar.
—Veja lá o que vai falar, eu ainda posso prender vocês todos aqui. Não tem nenhum boa praça nesse lugar, são todos fugitivos da lei. Não venha me dar sermão.
—Somos todos amigos aqui. Estamos dando nossas vidas para salvar as pessoas desse país, se você ainda notou isso, por favor, volte para seus chefes e os mande até aqui para nos prender e assim assinar o fim da população americana e por fim, a do restante do planeta. Porque é isso que pessoas como Carter e David fazem: Matam, destroem, roubam e aniquilam tudo que chegam perto... E ainda colocam as pessoas umas contra as outras. Nunca fiz nada a não ser tentar proteger a todos- ele retirou seus óculos de grau e os guardou no bolso, visivelmente irritado- Agora, cada uma fique com sua consciência. E você, Quinn... Tem por quem se cuidar melhor. Ponha sua cabeça no lugar ou saberá a que destino terá a partir de seus atos.
—Peço desculpas, meu pai- toquei em seu ombro, sentindo suas palavras.
—Se vocês soubessem do estado de Santana, não estariam nessa briga toda e sim cuidando para que ela não sofresse mais.
Então meu querido e amado pai, agora também sábio e um belo reprovador, saiu e nos deixou com essas palavras que nos doeram na alma. Bom, pelo menos em mim. Mas pela forma que Brittany estava amedrontada com aquilo, ela também sentiu... E foi profundamente.
***
Nessa bagunça toda, esqueci de ir ver Rob, que ainda sequer havia dado sinal algum de que poderia logo voltar para nos ajudar com isso tudo. Ele sempre foi um grande aliado muito habilidoso, porém não era só isso que me deixava por sofrer de saudade. Além de tudo, Rob sempre me foi um grande amigo e conselheiro, embora estarmos afastados depois daquele mal entendido do beijo. Em pensar que ele está assim agora por culpa minha, porque não quis ouvi-lo.
Suspirei, deixando que minhas pernas me guiassem até as escadas da grande casa Lopez até o quarto onde o caçula da família latina estava por repousar durante todo esse tempo de um coma preocupante. Haviam se passado duas horas depois da cena com a agente Pierce na frente de Santana, e desde então não mais a havia avistado.
Cheguei a porta onde estava o leito de Rob e pude ouvir alguém murmurar algo lá dentro. Eram lamentos chorosos vindos de uma voz arrouqueada que eu tanto conhecia e reconheceria em qualquer lugar que eu fosse, e agora estava arranhada pelo rompante de desespero. Ousei abrir a porta e me deparei com o caos em pessoa. Santana estava com a cabeça repousada sobre o braço do irmão enquanto acariciava seu rosto e o observava em seu “sono tranqüilo”.
—San...
—O que aconteceu?- ela me interrompeu, sem ao menos me encarar. Demorei um certo tempo para responder, não sabia como dizer aquilo para ela... Justamente para ELA!
—Bem, acontece que...
—Sem rodeios, Quinn. Por favor.
—Ele sofreu um acidente, sinto muito. Seu cabo de proteção se partiu enquanto ele tentava se soltar para me salvar em uma missão. Acabou por cair em uns destroços de fósseis e as lesões foram graves de mais para que Rob permanecesse acordado- “por favor, San, não me faça mais perguntas sobre isso. Você não suportaria as respostas". Supliquei, torcendo para que ficasse só naquilo.
—Isso não parece acidente. Rob sempre foi muito cuidadoso- acariciou o rosto alvo do irmão e finalmente me olhou, seus olhos banhados em lágrimas sofridas- Quem fez isso com ele?
—O que? Foi um acidente, San... Já disse.
—Não finja para mim, Quinn. Seus olhos estão acusando você aí, olhando para mim. Se me ama, vai contar a verdade.
—É por esse motivo, por amar tanto a você, que prefiro deixar como está- fechei os olhos e me encostei ao guarda-roupas perto da porta. Senti que Santana suspirou e ouvi o ranger da cama, sinal de que ela havia se levantado e, pelo barulho de suas sandálias, ela já estava bem perto de mim.
—Do que está com medo?- seu hálito roçou em minhas bochechas, estava morno, cheirava a menta. Me mantive na mesma posição, amuada mas firmemente tentando manter meu ser em pé nessa luta de vários gumes- De mim?
—Não, quem ama não teme. E eu amo você.
—Tem certeza?
—Não faça essa pergunta insolente- fui rígida, abri os olhos e capturei os seus negros por me olharem em avalia- Tudo que fiz e faço é porque amo você.
—O que aconteceu com Rob?
—Foi um acidente, Santana. Ele caiu e lesionou a coluna.
—Não estou me referindo a esse “acidente”. Brittany me contou que viu vocês se beijando no meu quarto. Por que, de todas as pessoas nessa casa, logo Rob?- ela pôs a mão na cintura, acusativa, consertando a postura para me olhar mais de perto.
—Foi por acaso. Uma confusão de fatores.
—Você é incrível, Quinn... Incrível- riu de escárnio e virou-se para voltar para o leito do irmão, porém segurei seu braço e a trouxe de volta para mim, fazendo com que seu corpo se unisse ao meu, assim como seu olhar amuado- Era para você que eu queria voltar. Foi por você que eu lutei tanto contra... – respirou fundo- Contra “ela”, a outra pessoa que tomou conta de mim- fechou os olhos com força assim como trincou o maxilar- Você não tem noção do quanto sempre fui louca por você... Do que eu faria por você.
—Porque você me ama. Eu sou sua força, Santana. Admita isso.
—Você é minha fraqueza, Quinn. Sempre foi... Olha como estou agora... – apontou para si, no seu jeito aparentemente fraco e cheia de cicatrizes tanto emocionais como físicas. Desviei o olhar, sentida- Olha, Quinn! Veja o que me tornei- puxou meu queixo para que lhe encarasse e assim o fiz, com lágrimas nos olhos e muita culpa no coração. Nos olhamos assim, desse jeito penoso de onde chegou nosso relacionamento que parecia tão lindo e agora beirava a amargura. Senti suas mãos em minha cintura, estavam trêmulas, mas acariciavam ali com muita delicadeza, com os polegares a meu ventre. Como ela fez enquanto estávamos em seu quarto... Senti um choque no local que me tocava, tão qual foi no meu coração- Agora quando toco em você, sinto algo diferente. Me sinto doente. Fraca. Eu não sei o que está acontecendo comigo. Nem sei o que me tornei... Ou o que você se tornou. Faz tanto tempo que fiquei longe... Mas o que sinto por você ainda me consome por dentro. Está uma bagunça aqui.
—Você só está confusa, meu amor. Sou eu ainda aqui... Sua Quinn. Nunca houve nada entre mim e seu irmão, que sempre me fora dessa mesma forma solene de parentesco por coração.
—Fui eu que fiz aquilo com ele, não foi?
—Como?
—Com o Rob, Quinn... Fui eu que machuquei meu irmão, não foi?- passei as mãos por sua nunca e juntei nossas testas.
—Não foi você... Foi ela, o monstro colocado em você. Não se culpe, meu amor.
—Eu sabia... Já desconfiava- ela fungou, baixinho. Seu peito pareceu pesar, seu corpo inteiro na verdade, então ela caiu sobre o meu e desabou ali mesmo. Com as costas na parede, quase prensada, eu suportei não só o peso em massa corporal de Santana, mas também as toneladas de seus conflitos internos. Nunca a havia visto tão perturbada, triste, confusa e mais ainda, com esse semblante de perda e derrota. A abracei o mais forte que pude- Eu sou um monstro, Quinn.
—Shiii... Claro que não, meu amor. Carter é um monstro. Ele fez isso com você, com todos nós. Por favor... – puxei seu rosto para que ficasse frente a frente com o meu e passei os polegares por suas bochechas a fim de secar suas lágrimas conforme caíam... Ela fungou como um filhotinho assustado- Por favor, San, não aja como se ele já tenha nos vencido. Essa não é você.
—E o que eu sou então?- eu sorri com todo carinho de meu ser, reuni tudo de bom em mim em um sorriso e dei a ela. Acariciei suas bochechas e provei do gosto salgado de suas lágrimas por seus belos lábios em um beijo de puro amor, àquele no qual ela sempre me dava e demonstrava o seu desejo limpo por mim, sua paixão. Santana fechou os olhos, não quis retribuir, mas logo se rendeu aquilo, dando um profundo suspiro, como se tivesse sido um longo e desesperador beijo, porém eu somente apertei seus lábios aos meus, em uma pressão que só se aplicava ao extremo carinho. Ela apertou minha cintura, ainda trêmula... Sugou minha boca para a sua, porém sequer tocamos nossas línguas uma na outra. Era quase um beijo infantil, de reconhecimento.
—Você, meu amor... – abandonei seus lábios, apoiei a testa na sua, e em respirações coladas, eu cravei a mais pura verdade a seus ouvidos- Você é a nossa única esperança... Essa é a única coisa em minha vida de que eu tenho a mais pura certeza.
Seus olhos se abriram... Vi o negro daquele olhar casto se tornar um abismo de emoções. Peguei sua mão e levei o punho até meus lábios e o beijei, com delicadeza. Senti vontade de gritar alto que a amava, que esperava um filho dela e que deveríamos fugir daqui e agora e deixar que tudo isso viesse abaixo, porém não estaria sendo justa nem comigo nem com ela. Sempre pedi a Deus que ela voltasse para mim, mas agora sabia que seu lugar não era aqui, nesse momento.
—Sinto muito pelo o que vier daqui pra frente- ela se afastou de mim, olhou para Rob e deixou cair um rompante de puro ódio- Os farei pagar... Por tudo. Por isso estar assim e eu me odiar e odiar a todos agora.
—O que irá fazer?- me preocupei, não estava gostando da forma que tomou seu olhar.
—Beth está por aqui?
—Sim, protegida em seu QTI. Você poderia parar de fugir da minha pergunta e me responder, por favor?
—Pegue Beth e saia daqui o quanto antes.
—Santana... Pensei que estivéssemos chegando a algum lugar- ralhei, ficando inconformada com a atitude de me ignorar dela.
—Nós já chegamos faz tempo, Quinn- pousou a mão sobre o peito esquerdo e sorriu de lado- Esse bem aqui.
Foi então que Santana abandonou o quarto e saiu correndo loucamente, rápido mesmo, pelos corredores me deixando ali, de queixo caído e sem nenhuma reação. Oh céus, o que você vai aprontar agora, Santana?
Isso tudo era sinal que o fim estava próximo... Mas seria o nosso fim?
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