Ligadas pelo destino

8 Capítulo 8- Santana, a traquina


Notas iniciais
Eita que eu demorei que só né? Mas eu fiz esse mais por que não queria deixar vocês todo esse tempo sem um capítulo novo. Quanto aos resultados, bem... Deu empate em três lugares e eu fiquei tipo assim: Minha nossa senhora o que vou fazer? Foi então depois de muito leite tomado e a bexiga quase explodir que eu decidi fazer o que não foi votado. Me desculpem por isso, mas eu não podia fazer os outros, caso contrário alguns poderiam ficar magoados por eu ter escolhido os dos outros e etc e tal. Quero mandar um beijo para os lindos envergonhados que mandaram sua sugestão por MP. Cês são uns fofos, cuti cuti. Capítulo dedicado ao Cory. Saudades grandão. Então espero que gostem:

Eu entreguei o chip a ela, que o colocou no aparelho e aguardamos por sua busca de alguns segundos pela localização do próximo. O localizador deu alguns bipes, parando em um ponto que indicava o próximo lugar que teríamos que ir.

–Não acredito- Quinn expôs inquieta.

–O que foi, Quinn? Para onde nós vamos dessa vez?- a loira ficou encarando o aparelho meio que sem reação e aquilo já estava me dando nos nervos, queria saber logo aonde seria a próxima viagem maluca que teríamos- Fabray, fala logo pombas!- exclamei já perdendo a paciência- Ah, quer saber? Me dá esse troço agora- pedi, investindo em sua direção para tomar o aparelho dela, porém a danada deu uma espécie de giro, meio balé, me fazendo tropeçar em seu pé e dá de cara com o chão duro- DIABOS!

–Não seja bisbilhoteira!- Quinn apontou o dedo na minha direção, dando um sorriso de lado.

–Você está querendo tomar uma bifa, não é?- reclamei, massageando meus joelhos doloridos pelo impacto com o chão.

–Você não faria isso- ela me desafiou com seu famoso sorriso sarcástico, porém não me encarava, tendo sua total atenção voltada ao aparelho em suas mãos.

–Vai me dizer ou não o que deu no resultado da análise desse chip?- perguntei inquieta, ignorando a provocação da loira pancada na minha frente.

–Agora não, preciso olhar uma coisa antes- andou na direção do banheiro, se trancando por lá.

–Quinn, me deixa olhar isso agora- gritei, dando batidas fortes na porta.

–Já disse que vou te dizer, mas não agora- ela gritou de dentro.

–ABRA ESSA PORTA!

–NÃO.

–Eu vou arrombá-la! Não duvide que eu tenha coragem pra isso- ameacei continuando a bater e sinceramente... Eu faria isso caso ela não abrisse aquela maldita porta.

–Nem pense em fazer isso. Eu vou tomar banho e já tirei as roupas- ela alertou me fazendo dar uma pequena pausa, recebendo aqueles pensamentos safados tomar a minha mente. Imaginando aquela loira que, apesar de maluca, tinha um corpo bem chamativo em curvas sinuosas que qualquer um adoraria se perder, mas quer saber? QUE SE EXPLODA! Ela não vai me enganar de novo.

–Então eu vou te ver toda peladinha- alertei cantarolando- Vou aproveitar e ver o que tem escrito nessa tatuagem abaixo da sua costela esquerda.

–O que? Você andou me espionando, Santana?- ela gritou provavelmente perplexa por minha descoberta.

–Não foi preciso, ‘’miss TPM’’- me encostei à porta- Já que a senhorita inventou de me puxar da cama vestida com minha blusa que ficou nada comprida em você. Deu até pra ver seu conjuntinho de lingerie de rendas brancas com florzinhas amarelas que usava. Você ficou uma gracinha nele, sabia?

–SANTANA! Eu vou te matar- vociferou totalmente irada, me fazendo rir bastante alto pra provocá-la o suficiente para sair dali de dentro.

–Você pode tentar. Vem aqui que eu prometo te dar uma vantagem- desafiei percebendo que ela já estava caindo na minha armadilha pra tirá-la do banheiro.

–Ah, mas não vou mesmo. Eu sei o que você está tentando fazer.

–Uhm, então tudo bem. Não vou sair da porta até você se desenfurnar daí- dei de ombros- Ficarei aqui revivendo o momento da visão de seu corpinho debaixo da minha blusa dos Beatles. E nossa... Você está totalmente de parabéns, Fabray- comentei aplaudindo em mais uma provocação e pude sentir uma bufada potente dela do outro lado- Que corpo, hein?

–Vai se ferrar, Santana- disse o mais alto que pôde- Aproveita que está aí fora à toa e tatua ‘’panaca’’ e ‘’prepotente’’ na testa.

–Ui, ela se zangou agora. Me proteja, senhor- falei ironicamente, levantando as mãos- Obrigada pela dica, mas eu já tenho tatuagens. Sai daí que eu te mostro onde. Prometo que não vai se arrepender.

–Agora que eu não saio mesmo- ela bateu o pé e aquilo começou a me subir uma raiva que já estava derretendo meus olhos do tanto que minha cabeça esquentou- Você poderia agir como adulta pelo menos uma vez na sua vida, Santana.

–Olha quem fala. Sou bem eu que está trancada em um banheiro fazendo pirraça, sem querer me dizer o que está acontecendo, senhorita ‘’dona da verdade’’. Eu preciso ver esse rastreador agora- ralhei batendo na porta novamente- Pronto, agora você me fez ficar com dor no peito. Obrigada por isso. Só falta agora eu...

–Santana? O que foi?- ela perguntou depois de um tempo que fiquei em silêncio- Para de brincadeira. Isso não tem graça... Santana?

–Não consigo respirar- disse fazendo uma voz falhada- Ai, caramba! Acho que deixei minha bombinha na Francyne.

–Eu não vou cair nessa, se é o que você está pensando.

–Não estou brincando. Eu estou sufocando- bati com a mão em algum móvel por ali fazendo um barulho forte. Escutei a porta sendo destrancada e me posicionei mais a frente continuando com minha encenação de ataque asmático. Quinn colocou a cabeça para a fora do banheiro e me encarou preocupada quando me viu encurvada com uma mão no peito e a outra no pescoço, sinalizando uma falta de ar.

–Santana, você está bem?- ela indagou com aquele olhar de culpa, tocando minhas costas. Percebi que ela usava um roupão.

–Peguei você!- agarrei seu pulso, fazendo-a se assustar.

–Canalha! Me enganou e eu aqui preocupada com você- ela tentava se soltar, querendo socar meu ombro com a mão que estava livre e com o aparelho em questão. No entanto eu também a peguei, prendendo suas mãos próximas a meu peito, trazendo-a para mais perto do meu corpo.

–Pronto! Daqui você não escapa, loirinha- sorri vitoriosa quando percebi que ela já estava bem presa a mim.

–Ah é? Você que acha- dito isso, ela me deu um belo de um pisão no pé que me fez soltá-la no mesmo instante.

–Ai, sua maluca!- exclamei dando uns pulinhos feito saci pelo o quarto. Ela aproveitou a deixa, correndo na direção do banheiro novamente- Ah não... Dessa vez você não me escapa- consegui alcançá-la antes que chegasse a seu refúgio e a puxei pela cintura. Quando seu corpo se chocou contra o meu, nós nos desequilibramos indo abaixo. Eu, por reflexo, consegui apoiar as mãos no chão antes que tivesse um impacto muito grande contra o corpo dela, porém isso não impediu que nos chocássemos uma na outra naquele chão frio. Quinn rapidamente inverteu as posições, ficando por cima de mim com uma perna em cada lado do meu quadril na tentativa de escapar, porém eu a segurei pelos pulsos novamente.

–Me solta, Santana- pedia tentando sair do meu colo, mas eu não a largava por nada.

–Não vou- disse firme- Você até que é forte, loirinha, mas sabe de uma coisa?- ela me encarou- Eu sou bem mais- tomei impulso, projetando o corpo dela para o lado, me fazendo tomar sua posição agora. Fiquei entre suas pernas prendendo seu quadril ao meu e a segurei pelas mãos acima de sua cabeça deixando-a totalmente imobilizada, se debatendo em vão para se soltar- Pode tentar, loirinha, mas pode ter certeza que daqui você não se solta. Essa é a beleza de ter um treinamento militar desde criança... Nos deja con una huella muy fuerte (deixa a gente com uma pegada bem forte)- falei em quase um sussurro, piscando marotamente para ela.

–Você é desprezível, Santana- ela ralhou entre dentes, fazendo mais uma vez força pra se soltar e dando em seguida um profundo suspiro por não conseguir, encostando sua cabeça no chão. Não tinha jeito, ela estava bem presa.

–Olha, se está passando por isso a culpa é inteiramente sua, por que se tivesse me dado o rastreador quando eu pedi já estaria livre, leve e loira por aí- debochei. Ela me encarava furiosa- Não mandei ser indisciplinada.

–Ah, Santana. Pode ter a profunda certeza que eu vou fazer você lamentar amargamente por isso- ameaçou com aquele olhar fuzilante que só ela possuía.

–Pode crer, minha cara. Você não pode me fazer algo pior do que eu já estou passando- rebati, me ajeitando melhor sobre ela, segurando-a bem firme. Ela ficou quieta por um tempo, baixando seu olhar. Reparei que o rastreador havia caído entre o braço esquerdo preso de Quinn e o seu pescoço.

–Já chega de brincadeira. Me solte, por favor- ela pediu mais calma.

–Soltar pra que? Pra você correr com o rastreador para o banheiro e continuar me escondendo as coisas? Nana nina não- balancei a cabeça negativamente, sorrindo de canto- E se eu tiver que usar esses métodos nada convencionais para fazer você me escutar, então farei.

–Sant... – ela ia reclamar alguma coisa, mas resolvi ignorá-la e fazer logo o que eu devia. Como eu estava com os braços ocupados segurando os de Quinn, subi lentamente ainda mais um pouco pelo o corpo dela, causando até um certo atrito entre nossos abdomens. Vou confessar que a sensação foi até que extasiante. Encarei fundo em seus olhos, dando uma piscadela sacana para ela, encaixando meu rosto em seu pescoço para puxar o aparelho em questão com os dentes. Por que eu sabia que se eu a soltasse, por o instante que fosse, com certeza daria um jeito de fugir novamente.

–O-O que você está fazendo?- indagou meio assustada, com a voz um tanto entrecortada, pois meu nariz tocou seu pescoço enquanto eu puxava o objeto.

–Descobrindo o que você não quer me mostrar- disse já quase terminando de puxá-lo. Confesso que dei uma aproveitada para sentir novamente o cheiro maravilhoso de sua pele que, pelo visto, estava com os pelinhos arrepiados pelo o contato de meu nariz sobre ela. Depositei o rastreador em seu peito, aproveitando sua moleza pela situação para tirar uma de minhas mãos que a segurava, prendendo-a apenas com a outra. Comecei a analisar o aparelho, procurando uma forma de ligá-lo, mas o mesmo possuía uma codificação- Qual é a senha?

–Você não acha mesmo que eu vou te dizer, não é?- desdenhou assoprando uma mexa de cabelo que caía em seus olhos- Vai ter que me matar.

–Matar é uma palavra muito forte para o momento, mas...

–Mas?- ela perguntou com o semblante intrigado.

–Que tal eu descobrir o que está escrito na sua tatuagem?- dei mais outra piscadela sapeca, daquelas que vai aprontar alguma, fazendo Quinn arregalar os olhos surpresa.

–Muito engraçado, Santana. Você não faria isso- sorriu nervosa- Faria?- balancei a cabeça afirmando de uma forma brincalhona- Não adianta. Eu preciso ver uma coisa antes. Não posso te contar nada.

–Uhm, tudo bem- dei de ombros e ela sorriu aliviada- Já que não quer me deixar ver o aparelho, vou espiar sua tatuagem. É bem mais interessante.

–SANTANA- ela se remexia querendo se soltar, mas ainda continuava firme a segurando. Com a mão livre fui desfazendo o laço do roupão cor de rosa que ela usava e a mesma inquietou-se tentando me impedir de fazer isso.

–Que é isso, Fabray? Você não pode uma vez na vida dar o braço a torcer?- provoquei depois de já ter desfeito o laço do roupão, posicionando minha mão para abrir uma parte dele- Uhm, sabia que rosa dá um belo contraste a sua pele?- continuava com minhas traquinagens no intuito dela retroceder e me entregasse o que eu queria, porém ela parecia tentar continuar firme.

–Me solta!- ela pedia ainda tentando se soltar.

–Okay, pelo visto você é firme em seus objetivos, mas não me ganha na astúcia- finalizei com um sorriso de canto, começando a puxar lentamente o tecido do roupão dela. Fazia tudo isso a encarando profundamente nos olhos. Sua expressão era quase indecifrável. Mordia seu lábio inferior sem tirar o olhar de mim, parecia que pensava em algo ao mesmo tempo em que sentia seu corpo se arquear com o breve contato de meus dedos com sua barriga, já um pouquinho descoberta. Pra falar a verdade eu não pensava em ir ao fundo naquilo, pois não sou violadora dos direitos de ninguém. Só queria a provocar ou até mesmo assustar para que começasse a me dar o devido respeito por que tanto ela quanto eu estávamos ferradas com a situação. Longe de mim querer abusá-la, era por isso que eu fazia aquilo o mais lentamente possível para dar tempo dela retroceder com aquela bobagem de querer me esconder nosso próximo destino (que já estava meio exagerado da parte dela). Quando seu umbigo já estava quase todo descoberto, ela resolveu se pronunciar:

–Espera! Tudo bem, eu digo a senha- se deu por vencida. Eu agradeci mentalmente, por que mais um instante e eu desistiria daquilo. Já tava me dando uma puta agonia em ter que fazer as coisas dessa forma, mas se bem que eu me diverti um bocado e... Essa é a melhor parte... Fiquei tão próximo ao corpo de Quinn, que estranhamente me deixou em transe com tudo. Por que eu não consigo odiar essa mulher por completo? Por favor, alguém me responda isso... Alguém? Não? Ah, quer saber? Que se dane!

–Boa garota!- retirei minha mão de seu roupão, lhe enviando um sorriso que não foi nada bem retribuído- Me diz que eu te libero.

–Mein Lamm.

–O que?- fiz cara de confusa, ela revirou os olhos.

–Essa é a senha: Mein Lamm.

–O que é isso, russo?- estranhei confusa por uma senha em outra língua. Isso que é ter medo de ser descoberto.

–Não, é alemão.

–Tudo bem e o que significa?

–Isso não vem ao caso- disse ríspida- Você queria a senha? Eu te dei a senha. Se escreve assim: M-E-I-N L-A-M-M- Mein Lamm. Agora me solta.

–Okay- devagar e tranquilamente eu fui a soltando aos poucos e assim que tive segurança que ela não se revoltaria, a soltei por completo, ficando de joelhos ainda entre suas pernas- Viu que não foi tão ruim assim ser amigável?- ousei brincar enquanto me levantava. Estendi minha mão para lhe ajudar a levantar e para minha surpresa ela aceitou. Quinn foi subindo lenta e sensualmente pelo meu corpo, me assustando totalmente com isso.

–Sabe de uma coisa, Santana?- ela perguntou entrelaçando suas mãos por minha nuca, me encarando muito, mas muito próxima a meu rosto. Do tipo que se eu inclinasse minimamente possível poderia encostar os meus lábios aos dela que, vamos convir, estavam bem convidativos. Eu discordei com um gesto de cabeça respondendo a pergunta que a mesma me fizera em segundos atrás- Isso tudo me deixou com uma vontade de fazer uma coisinha com você. Vontade essa que está consumindo todo meu corpo- Tudo bem, apenas eu ou mais alguém aqui está achando isso estranho demais?

–É me-mesmo?- muito bem, agora eu estava gaguejando. Calma, Santana, não vai fazer besteira.

–Uhm hum- nossa como ela podia ser tão sensual daquela forma? Seus olhos ora encaravam profundamente os meus, ora voltavam-se para meus lábios. Estava começando a sentir uma erupção vulcânica no meu estômago e estava me incomodando muito com aquilo.

–E o que seria isso?- perguntei hesitante.

–O que seria?- Quinn deu um sorrisinho extremamente sexy aproximando-se do meu ouvido. Seu hálito quente roçava perto do meu pescoço e pode ter certeza que tudo quanto era pelo do meu corpo se apresentou nesse momento de tanto arrepiada que eu fiquei- Você, Santana... — ai, meu Deus! O que tá acontecendo aqui?- É simplesmente... UMA CACHORRA!- não deu nem tempo de eu processar aquilo e ela me segurou pela nuca, me dando uma puta joelhada no estômago.

–Santa madre de Dios. Estás loca, su hija de puta? Quieres matarme? No lo creo- eu vociferava rolando no chão com as mãos no estômago. Cara, que dor era aquela?!

–Eu disse que você se arrependeria amargamente pelo o que me fez- recordou amarrando seu roupão indo para o banheiro- Agora vai pensar duas vezes antes de bancar a engraçadinha comigo novamente- entrou batendo a porta com força. Eu ainda fiquei no chão parecendo aqueles besouros de esterco rolando de um lado para o outro com aquela dor desgraçada.

–Dios mio. Essa mulher vai me matar!

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Já recuperada pelo o golpe covarde que quase me mata da loira pancada, sentei na cama com o rastreador em mãos. Depois de destrancá-lo, nem precisei bater cabeça para achar como rastreasse o chip através do outro que pegamos com Olívia, pois nele já estava salvo a última análise. Fui lendo um monte de especificações até chegar ao que realmente precisava saber e arregalei meus lindos olhos castanhos escuros quando vi para onde iríamos dessa vez:

–Washington?! O próximo chip está em Washington? Mas que grande por...

–Pelo visto você já descobriu- Quinn interrompeu minhas lindas palavras de revolta, saindo do banheiro. Finalmente! Desde a nossa ‘’brincadeirinha’’ de horas atrás, ela se enfurnou naquele lugar e já estava deliberando um suicídio dela ou mais uma vez pensei que ela havia se entalado no vaso. Estava séria e de banho tomado. Usava um shortinho leve, cheio de florzinhas e uma blusinha larga branca. Estava simplesmente bonita. Na verdade acho que não existe forma que a deixe feia. Credo, Santana, vai divagar nisso agora? Por favor, essa mulher é a pessoa mais azeda que você já conheceu. Urgh! Eu dizia pra mim mesma, concordando internamente com isso.

–Descobri e não gostei nada- depositei o aparelho no criado mudo ao lado da cama- Caramba, Washington? Não tinha um lugar pior pro seu pai largar a porcaria daquele chip?

–Isso você vai ter que perguntar a ele- rebateu ríspida, mexendo em sua mala.

–Bom, então como chegaremos lá?- ignorei sua acidez, intrigada com o que vinha em diante.

–De carro, oras!- respondeu como se fosse à coisa mais fácil do mundo.

–Como assim de carro, minha querida?- ironizei claramente, me levantando da cama- Washington fica a quase dois dias de carro daqui. São uns três mil quilômetros rodando até lá. Por que não vamos de avião? Não é tão necessário irmos de carro. Posso deixar a Francyne com...

–É perigoso demais- me interrompeu. Fechou sua mala, sentando-se ereta na cadeira para me encarar- Você acha que se não tivesse meio mundo atrás de mim, eu perderia meu tempo de enfrentar dias de viagem dentro de um carro com uma pessoa de um auto teor de prepotência e arrogância, sendo que poderia viajar em um avião confortável e de preferência uma cadeira na maior distância dela se não fosse realmente necessário?- eu a encarava boquiaberta- Pois é, está aí sua resposta.

–Perigo, perigo... Mulher doida na TPM. Protejam suas crianças, escondam seus chocolates. Quinng Kong na área, senhoras e senhores. Também te amo, viu?- brinquei fazendo careta. Quinn revirou os olhos levantando-se da cadeira. Foi em direção a porta- Está indo aonde, posso saber?

–Vou comprar algo para comermos- explicou seca- Não vou demorar- bateu a porta que estremeceu o quarto. Caramba, ela estava realmente zangada. Acho que eu a deixava assim ou simplesmente aquele ser loiro não tinha um pingo de senso de humor. Pra falar a verdade nem me recordo se já a vi dando um sorriso verdadeiro. Ela era estressada, séria e fechada o tempo todo. Sem falar que ela tinha uma aversão terrível a mim, mas vamos convir que eu não colaboro muito com isso, né galera?

Fiquei até com pena do que tinha feito com ela mais cedo, no entanto ela também não alivia pro meu lado. Como pode nessa altura do campeonato ela ainda querer me esconder às coisas? Caramba, o que essa mulher tem tanto a esconder de mim ainda? Eu estou seriamente confusa com isso. Se não fosse esse forte empenho em limpar o nome do meu pai já teria deixado esse filhote de Sadam Hussein do Karofsky explodir logo isso tudo. Não tinha nada a perder mesmo. Bom, agora era esperar o que vinha em frente, por que o futuro a Deus pertence, mesmo o capeta gostando de meter as caras para zoar com a gente de vez em quando. Eu ainda estou atônita com isso, cabeça embaralhada, receosa e com medo. Sim, com medo. Pois acho que ser humano que é ser humano admite sentir medo, pois ele nos deixa mais alertas em situações como essa. Mentiroso é aquele que diz não senti-lo, por que se houver essa tal pessoa não existe, meus caros. O medo é tão constante em nossas vidas como a simples forma de respirarmos. Então, me deixa ir tomar um banho demorado naquela água desgraçada de gelada, enquanto matuto tudo que me remói agora. Pois é, quando se dá tanta cabeçada na vida é preciso nascer com a cabeça dura. A minha agora pesava mais do que a Francyne passando por cima da Quinn. Credo, retiro o que eu disse. A viagem vai ser bem longa. Será que Quinn e eu conseguiríamos chegar até Washington sem nos matarmos?

Notas finais
Então? O que me dizem? Se não ficou muito bom, mil perdões. Eu ando com a cabeça meio ruim esses dias. Obrigada a todos que comentam e me deixam feliz. Beijãooooo. Caramba, eu tinha esquecido. Boa viagem Amélia. Sei que você vai ler isso durante seu caminho e quero que saiba que já te tenho em meu coração em um cantinho bem especial. Beijo.